quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Symphony Of Death [C.09]


              Cap.09 - O Endereço
- Kyoko-chan, porque não disse que ia voltar com vizitas? - a vó da menina foi entrando na sala onde nós estavamos - Boa tarde - ela sorriu e foi para a cozinha.
- Mas que... O que é essa carta?! - Aoki me olhou confuso.
- E eu que sei Aoki - estava mais confuso que ele - porque não pergunta pra sua avó Kyoko?
- Perguntar o que pra mim? - a mulher surgiu do nada e nos assustou, parou em frente a mesa e sorriu, Kyoko nem falou nada, só ergueu a mão mostrando a carta - o que é isso filha?
- Olhe... - Kyoko deu a carta para a mulher, quando ela começou a ler ficou branca de surpresa - O que houve? - Kyoko falou irônicamente.
- C-C-Como vocês acharam isso?! ONDE?! - a mulher se exaltou.
- Porque? - Kyoko perguntou a confrontando.
- Onde vo...
- Não adianta tentar me enganar ou coisa do tipo vovó, nós já lemos a carta inteira, acho que já tá na hora que você contar a verdade, não acha?! - Kyoko cruzou os braços.
- E quem são eles? - a mulher nos fitou.
- Meus amigos, que por acaso estão tão ligados nisso tudo quanto eu e se duvidar, tanto quanto você! Agora trate de falar - Kyoko ficou firme.
- Certo... - a mulher suspirou - podem ir pra sala de estar, irei preparar algo para nós comermos e enfim, irei contar tudo que vocês querem saber - ela deixou a carta em cima da mesa e logo Kyoko tratou de guardar a carta em um de seus bolsos.
Fomos indo para a sala de estar, e depois de algum tempo a ulher chegou com várias coisas para nós comermos.
- Bom, por onde começo..
- Pelo começo, obvio! - Kyoko a interrompeu novamente.
- O começo é o que vocês leram e sabem atrás de Kyoko, mas irei contar as coisas que não sabem, o nome da mulher é Wakayama Emiko, uma parente sua de décadas atrás, muito tempo mesmo Kyoko... - a mulher respirou fundo - Kyoko seu pai morreu, como você sabe, ele morreu salvando a mãe dele - a mulher apontou para mim.
- Minha mãe?! - fiquei surpreso.
- Isso, porque a mãe de Kyoko morreu antes, bem antes disso tudo acontecer, e o pai dela conheceu sua mãe garoto, e eles começaram a se gostar, mas na época surgiu um boato de que uma música matava as pessoas, e quando sua mãe estava indo para o trabalho... - ela parou por alguns segundos - se estiverem duvidando procurem pela tragédia da praça, em qualquer fonte de informação por aí vocês vão conseguir tudo sobre isso, um homem, que ninguém sabe quem era, colocou num som, que na época era bem caro, a música, somente algumas pessoas viram o homem, tinha longos cabelos loiros e andava com um sobre tudo preto com detalhes em prata, parecia ser bem rico.
- E depois disso? - Aoki perguntou.
- Foram mais de 1200 vitimas, era uma praça central,e haviam muitas pessoas lá, era o horário que todos estavam indo para o trabalho, e a estação de trem ficava ao lado da praça...
- A lenda da praça?! - Aoki parecia conhecer aquela história.
- Isso, alguns conhecem por esse nome - a mulher afirmou.
- Uma tia minha estava ne estação e morreu, minha mãe tinha dito que tinha sido uma tragédia horrível! - Aoki parecia aflito.
- E foi! Mas voltando, sua mãe estava passando por essa praça e ouviu a música, soava muito bem até, lembro da descrição dela, acalmava a alma, e quando isso aconteceu ela já havia conhecido seu pai Kyoko.. - a mulher parou para respirar - Sua mãe dizia que via "luzes" nas pessoas, e como você deve adivinhar seu pai via o que você vê Kyoko, e quando sua mãe garoto viu a luz em seu corpo, ao se olhar no espelho, se apavorou, mas ninguém sabia porque, então seu pai Kyoko resolveu descobrir o que era aquilo, até que começou a desinterrar toda a história sobre tudo isso aí.
- Onde ele fez isso?! - Kyoko perguntou.
- Na casa onde Emiko morava - quando a mulher disse aquilo todos se assustaram - sim, a casa ainda está intacta, e pessoas moram lá, duas mulheres.
- Onde fica a casa? - eu nem esperei ela falar mais alguma coisa e fui logo direto ao assunto.
- Calma, eu vou chegar lá - ela riu - nem eu mesma sei sobre essa música, se isso é verdade mesmo, nem eu mesma sei... - ela fitou o nada - se querem saber de toda a verdade mesmo, é melhor irem até essa casa, e vascular aquela casa inteira, porque não sei muito mais do que aquela carta lhes "contou" - ela voltou os olhos para mim - garoto, o que a menina lhe disse?
- Quê?! - eu fiquei confuso.
- Sua amiga, morta no hospital, o que ela lhe disse antes de morrer?! - como ela sabia disso?!
- Como você sabe...
- Eu ouvi uma enfermeira falando sobre algo parecido e também eu já estava aqui quando você estava contando tudo para Kyoko, diga - essa mulher sabia de algo que não estava acontando.
- Disse que eu não deveria olhar para o meu reflexo e sim para minha alma, algo assim... para ver o que "nós vemos".
- "Nós"... Estranho, quem é "nós" - ela sussurrou.
- Também gostaria de saber... - sussurrei.
- Bom enfim, vou pegar o endereço da casa - ela mudou completamente e saiu da sala de estar.
Após alguns instantes ela voltou trazendo um papel com o endereço da casa.
- Espero que façam um bom proveito desse endereço e por favor... - ela nos olhou tão profundamente que foi quase igual quando Lucy me olhou com aqueles olhos negros - tomem muito cuidado com o que ouvem, se for preciso tapem os ouvidos o tempo todo! - logo voltou a sorrir novamente.
- O-Obrigado - sorri.
- Vou voltar aos meu afazeres na cozinha, qualquer coisa só me chamar - ela foi embora.
- O que devemos fazer? - Kyoko me fitou.
- Claro que vamos até lá! - Eu nem parei pra pensar.
- Mas é do outro lado do JAPÃO! Como vamos chegar lá?! - Aoki me olhou confuso.
- Avião! - Kyoko sorriu - minha familia tem bastante dinheiro, e minha mãe era amiga de uma dona de uma compania aérea bem conhecida, ela estava devendo um favor á minha avó, acho que posso pedir as três passagens - Kyoko pegou o celular e foi para o canto da sala fazer a ligação para a dona da empresa.
- O que acha que vamos encontrar lá Souske-kun? - Aoki me fitou.
- Olha... espero que respostas - fitei o nada.
Depois de horas tentando falar com a mulher, Kyoko veio nos avisar que havia conseguido as passagens para amanhã de manhã já. Resolvemos nos encontrar no aéroporto bem cedo e fui para minha casa, logo Aoki foi para a dele, procurei arrumar uma bolsa com tudo que eu iria precisar o mais rapido possível e fui dormir, além do mais, eu estava bastante cansado.
Logo amanheceu, peguei minha bolsa e fiquei esperando Aoki passar para me buscar em casa e irmos para o aéroporto, ele se atrasou, mas chegou. Ao chegarmos no saguão, Kyoko estava lá com sua mala.
- Porque essa demora?!! - ela parecia brava.
- A culpa foi dele - apontei para Aoki.
- Nem vem, tentei acorda o mais cedo que consegui - ele ficou bravo.
- Não importa! Vamos! - pegamos as passagens e embarcamos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Symphony Of Death [C.08]


                       Cap.08 - A Ira
- O que acha que podemos fazer para ela falar? - Aoki a fitou.
- Sinceramente?! Não faço a minima ideia - ela suspirou - ela não disse pra mim, quando lhe perguntei sobre meus pais, ela sempre muda de assunto, vira a cara e não diz nada, é sempre assim - Kyoko começou a mecher na caixa a sua frente.
Ia nos mostrando várias fotos sobre a primeira geração de sua familia que teve acesso a câmeras, e pinturas pela a casa, até que subimos no sóton da casa, estava tudo cheio de poeira, Aoki, que era alergico a poeira, resolveu não subir.
- Bom, aqui são as reliquias de minha avó, ela nunca deixa eu subir aqui, mas quando ela sai pra trabalhar, ou coisas do tipo, sempre eu subo aqui... - ela começou a olhar para todos os lados, como se procurasse algo - sei que ela esconde muita coisa em algum compartimento secreto aqui, mas não sei onde é, já revirei tudo! Mas nunca encontro.
- Tem certeza que esse tal "Compartimento secreto" está aqui?! - a fitei.
- Não sei, se soubesse não seria secreto - rimos um pouco.
Comecei a mecher em algumas coisas, haviam fotos muito antigas, e pinturas, mas um quadro me chamou muito atenção, ele estava virado para a parede.
- Porque aquele quadro esta virado pra parede Kyoko?! - apontei para onde o quadro estava.
- Esse quadro é o mais velho dentre todos os registros visuais que nós temos, vire-o - me aproximei do quadro e o virei com cuidado - dizem que esse homem é aquele da história que lhe contei, nem mesmo minha avó sabe ao certo quem é, mas da minha familia nós sabemos que é sim - havia um homem muito bem vestido, em uma paisagem, ele estava sentado em uma cadeira, ao seu lado havia uma criança, de olhos negros, e cabelos brancos, o homem olhava para frente, com um sorriso de sofrimento, seu rosto transmitia uma dor tão grande que nem consigo descrever o que senti quando olhei em seus olhos - agora o mais intrigante é isso - Kyoko e aproximou de mim e apontou para o canto superior esquerdo do quadro - já pesquisei sobre os artistas plásticos de todas as épocas em relação a minha familia, e todos os pintores que tiveram algum tipo de relação, sempre, sem nenhuma exceção, assinavam no canto inferior direito do quadro, e porque esse assinou aqui?! Agora se você olhar bem, vai ver o que está realmente escrito, a assinatura do pintor - me aproximei e fiquei surpreso.
- "SoD" - sussurrei.
- Isso... - ela cruzou os braços - quando descobri esse quadro, passei dias, tentando desvendar o mistério dos olhos dessa garotinha, olhe bem, não é como se ela olhasse pra dentro da sua alma?! - quando ela disse aquilo, pareceu que tudo se encaixou, tive um "estalo" na mente.
- Olhasse... pra onde?! - fitei seu rosto.
- A..lma, mas o que tem?! - ela ficou confusa, deixei o quadro em um lugar onde eu pudesse o observar - o que houve?
- Não sei se foi pura coincidência você estar no mesmo hospital que nós, mas... Você ainda não se perguntou, o porque de nós estarmos lá? - a fitei novamente.
- Verdade, o que vocês faziam lá?
- Nós estavamos em uma viagem de final de colegial, e quando cheguei lá, ouvi uma conversa entre duas meninas, comentando sobre a morte de sua prima, e o desespero de sua mãe, e quando falaram "SoD", eu enlouqueci sabe, e perguntei se alguma delas tinha ouvido a música, uma delas... Lucy - engoli a seco após lembrar de suas palavras no hospital - disse que tinha ouvido apenas metade da música, e no mesmo dia de noite vi a luz nela, e me deseperei - suspirei - mas me acalmei e fui dormir, no outro dia de manhã, Aoki chegou no quarto dizendo que Lucy tinha seido levada às pressas para aquele hospital, e lhe contei sobre tudo, absolumente tudo que eu sabia, quando chegamos no hospital, e fomos no quarto de Lucy, ela estava muito maltratada, muito pálida.. Enfim, mal, e quando cheguei perto dela, ela acordou, e aconteceu a coisa mais assustadora da minha vida.
- O que?!
- Ela se aproximou de mim, e começou a falar umas coisas estranhas, a me fazer perguntas, com uma voz muito estranha, até que ela encostou no meu rosto... - lembrar daquilo me fez tremer - foi como se a morte tocasse meu rosto e me arrancasse um pouco da minha vida entende, foi muito ruim.
- O que ela disse?
- Bom vou resumir, ela perguntou se eu tinha me olhado no espelho, ai eu disse que sim, porque no mesmo dia eu tinha acordado com uma cicatriz gigantesca nas costas, e não sei o que ou quem fez isso, ai ela disse exatamente isso, "Então da próxima vez, olhe mais atentamente, não olhe para o espelho em si... Olhe para a sua imagem, e veja o que eu... Aliás, nós.. vemos!", nossa, aquilo me deixou sem reação, você não tem noção Kyoko, me veio bilhões de coisas na cabeça, e eu não sabia o que pensar e ao mesmo tempo o que fazer, eu tava ficando louco, e quando ela terminou de falar, tirou a mão do meu rosto e morreu, eu fiquei imóvel, e minha cicatriz, que não tinha sangrado ainda, tinha acomeçado a jorrar muito sangue, até que eu desmaiei.
- N-N-N-Nós?! - ela ficou surpresa - Quem?!
- Pois é... Também gostaria de saber quem são, de onde são, e como eles conseguiram fazer isso com Lucy!
- Mas porque ela morreu, se ela só tinha ouvido a metade da música?
- E outro fator, sempre tem que passar de três a duas semanas, mas ela tinha ouvido a música no dia anterior e morreu, como pode isso?! 
- É tanta coisa que nós não sabemos que eu fico doida só em pensar..
- Gente! Desculpa atrapalhar ai a conversa de vocês mas acho melhor vocês descerem aqui! - Aoki gritou e fomos correndo.
- Que foi?! - Aoki estava na sala de jantar, parado do lado da mesa que ficava no centro da sala, nós nos aproximamos.
- Olha juro que não fiz nada, eu só topei no tapete - Aoki estava nervoso.
- Mas... o que é isso?! - Kyoko olhou pro chão e viu vários papéis caidos em cima do tapete, logo ela se abaixou e olhou para a parte de baixo da mesa, e viu um tipo de "portinha", de onde os papeis cairam, ela pegou e nós nos sentamos nas cadeiras para ver o que tinha nos papeis - são cartas!
- Verdade! - peguei uma das cartas para ler, e pareciam cartas de amor, ou não - são cartas tristes... nossa - fui lendo até o final, até que ouvi Aoki sussurrando a letra da tal música - NÃO! - puxei a carta da mão dele - NÃO LEIA NENHUMA LETRA DA MÚSICA, TÁ LOUCO?! 
- Nossa é verdade! - ele ficou assustado - que medo.
- Eu hein - suspirei e voltei a ler a carta que tinha em minhas mãos.
Depois de uns minutos terminamos de ler quase todas, só faltava uma, e era a que se destacava mais, e Kyoko pegou para ler.
" Somente os fracos traem, destroem corações, vidas, por tão pouco... Me pergunto se você é mesmo o fraco que sei que você é. Nunca quis, e nunca vou querer acreditar que isso tudo foi verdade meu amor, pois meu amor por você foi... Não.. É tão incondicional, que amo-o mais que a mim mesma, e sim, isto já se tornou uma doença, mas o que posso fazer, se amo-te?! O amor machuca, nos faz sofrer, mas nós só lembramos dos momentos ruins desse amor, foi por isso que aguentei sua fraqueza por bastante tempo meu amor, mas meu pobre coração não é de imortal, ele sofre, se desgasta até que... Morre. Não espero que você seja feliz com a outra mulher, você me amargurou até meu ultimo segundo meu amor, isso não é coisa que se faça, principalmente com a mãe de sua filha!! Mas, já não lhe sirvo mais de nada, já não posso mais fazer nada, apenas morrer. Antes de tudo, deixarei uma lembrança de meu sofrimento, da minha amargura para todos seus sucessores, deixarei a solfa da morte, aquela que trará todo o sofrimento que tive, que você me fez passar. E quando sua mulher estiver gerando o fruto do seu amor, verá a ira... A nossa ira...
                                           Emiko."

domingo, 12 de agosto de 2012

Symphony Of Death [C.07]


                  Cap.07 - O Início
Não demorou muito para Kyoko acordar, deixei-a deitada na cama do quarto destinada ao acompanhante do paciente, quando acordou me olhou ainda com a cara de sono.
- O que aconteceu? - Aoki a fitou.
- Você viu o que eu vejo, me conte tudo, sobre "SoD", por favor - me sentei na cama após ela se levantar - olha não é fácil, venho sendo atormentado por esses sonhos a anos Kyoko, sem saber ao menos quem você é, e o pior, sempre sendo mais atormentado por essas três letras, que sempre aparecem tanto no meu sonho com você, quanto no meu dia-a-dia, por favor, explique-me.
- Olha, também não sei muita coisa... Pelo o que vi, você também pode ver essas luzes nas pessoas, eu vejo, mas ao contrario do jeito que você vê - ela me fitou.
- Como assim?! - fiquei confuso.
- Você as vê em caso de morte, eu... Em caso de vida, por exemplo, olhe pra minha prima, o que você vê? - ela apontou para a mulher na cama.
- Bom... - fixei meu olhar no corpo da mulher - nada.
- Então, eu vejo uma luz, fraca - ela suspirou - pra falar a verdade, bem fraca, mas ela existe entende, agora se você quer saber mesmo sobre essas letras, você tem que ir falar com a minha avó.
- Sua avó? - Aoki não entendeu.
- A senhora do quarto... - lembrei de um sonho que tive, que essa senhora estava falando com Kyoko - mas por que acha que ela irá me contar algo? Ela não conta nem pra você!
- Como sa... - ela parou - deixa... Você sabe de tudo da minha vida mesmo - ela sorriu sarcasticamente.
- As coisas mais importantes sim, as mais cotidianas.. Não, não fique envergonhada, não sei de nada da sua intimidade, ou vi algo do tipo - sorri.
- Fico mais alegre de saber disso - rimos juntos - bom, deixe-me esclarecer as coisas, sei de pouca coisa sobre isso tudo, sei que essa maldição, ou seja lá o que for isso, vêm de gerações muito atrás em minha familia, muito mesmo, tipo, 1900! Se não digo mais antigamente!
- Nossa! - ficamos surpresos.
- Pois é, então se você quer mesmo descobrir sobre isso tudo, é com minha avó que você vai saber, mas olhe... - ela se aproximou de mim - não é como se ela fosse lhe falar assim, com essa facilidade, veja bem, nem pra mim, ela fala sobre isso.
- Entendo, e sem querer me intrometer, mas o que houve com ela? - apontei para a prima de Kyoko.
- Não está reconhecendo?! - ela ficou confusa - não o culpo, ela é a mãe da menina que supostamente se suicidou no norte do continente, é minha prima!
- Sério?! - aquilo foi um choque pra mim - e o que houve com ela?
- Bom, como vocês já devem saber, o marido dela colocou toda a culpa da morta da filha deles na minha prima, ela entrou em depressão, e ninguém sabe quem fez isso a ela, quando os médicos entraram no quarto da casa dela, e a procuraram, ela tava dentro do banheiro, no canto, do lado da banheira, com o corpo todo, simplesmente, todo ensaguentado! Ninguém sabe se ela fez isso a ela mesma, ou se alguém entrou e fez isso, ninguém sabe.
- Mas, ela não diz quem fez?! - Aoki a perguntou.
- Veja bem, o choque de perder a filha, de uma forma tão macabra e perder o amor da vida dela de uma vez foi tão drástica, que ela não fala mais - Kyoko parecia estar muito aflita.
- Meu Deus... - que história mais triste - você acha que...?
- Que? - ela me fitou.
- Foi a música? - ela ficou calada por alguns instantes e fitou a prima.
- Olha... - ela parou novamente - vamos pra minha casa, e... Consigo explicar tudo melhor, aqui não é o lugar certo, as paredes tem ouvido.
Fomos a seguindo de carro até a casa dela, e ao chegarmos, estacionamos na frente de uma casa muito grande, muito bonita, e de arquitetura bem velha e tradicional européia.
- Entrem, e não se preocupem, minha avó não está aqui, está de viagem, se tivesse e ouvisse o que eu vou lhes contar, me mataria - ela riu e fomos entrando na casa, por dentro parecia ser maior do que por fora, uma familia rica, diga-se de passagem - venham - ela parou na porta da sala de estar e entramos, nos sentamos em um dos sofás da sala - já volto, sintam-se à vontade - ela sorriu e saiu.
- Casa bonita né? - Aoki me fitou.
- Sim, mas... tem algo de muito estranho nessa casa, não sei o que é, mas tem - fiquei olhando para os quadros em um das paredes.
- É meu avó - Kyoko apareceu do nada e nos assustou - bonito homem não? - ela veio com uma caixa de madeira na mão até nós e se sentou no sofá a nossa frente - bom, vou lhes explicar uma resumida, MUITO resumida história da minha familia - nós nos acomodamos mais no sofá e ela suspirou, abriu a caixa - Não tenho como nem lhes dizer de que grau eram esses meus parentes da época que vou lhes contar então, não me peçam muitos detalhes porque nem sei - ela riu - há vários anos atrás, duas pessoas se conheceram, uma moça, japonesa, um homem, já mais velho que a mulher uns 6 anos, também japonês, como naquela época era costume os pais escolherem com quem sua filha ia casar, não era aceito esse tipo de romance, porque quando os dois se viram, nossa, foi um amor inacreditável, daqueles só de história mesmo, e com isso a moça lutou, lutou muito com seu pai, para que ele deixasse ela se casar com o homem que queria, então seu pai foi investigar a familia do homem que a moça queria se casar, e descobriu que ele era muito rico, e com isso deixou.
- Sempre dinheiro - Aoki riu.
- Pois é - ela riu - Enfim, os dois se casaram, e... não! Não viveram felizes para sempre, aí que entrou o problema, depois de 15 anos de casados, a moça estava se sentindo infeliz, muito, porque o homem não dava mais aquela atenção de antes entende, e com isso, quando uma amiga sua foi em sua casa, contou que quando ela tinha saído para passear na praça em frente a sua casa, viu o marido da moça com outra mulher, uma mulher ruiva, muito branca, que não era japonesa ou de qualquer outra nação asiática que se conhecia na época, ela era européia, era muito elegante, e quando a mulher disse aquilo a moça entrou em depressão, esperou o marido voltar pra casa e o perguntou sem medo algum, "Porque está me traindo?!", o homem, que não esperava aquela pergunta, se assustou e respondeu, "EU meu amor?! Nunca!", a mulher sabia que ele estava mentindo, e aquela resposta mentirosa, lhe machucou mais ainda.
- Nossa - sussurrei.
- Após dois anos, de pura traição, a mulher resolveu se matar, tentou... Tentou... Tentou, até que conseguiu, enfiou uma tesoura, ou algo bem parecido, em seu pescoço e acabou com tanto sofrimento, quando o marido chegou do trabalho e entrou no quarto deles e viu sua esposa caída no chão, e tudo cheio de sangue, enlouqueceu, ficou tão louco, que pensou fazer o mesmo, mas antes... Lhe veio à cabeça a outra, pensou que poderia ter evitado tudo aquilo, se não tivesse a traido, ele tinha tudo que queria e não sabia, passou semanas chorando a perda de sua amada, e a mulher ia todo santo dia bater na porta da casa dele, querendo saber dele, mas ninguém o viu sair da casa por semanas! - ela parou pra respirar - até que ele percebeu, por pura burrice, que a vida dele não acabava ali, a outra ainda o esperava, e não ia ser por causa da morte de sua primeira mulher, que ele iria acabar com sua vida, e o que ele disse, quando deixou aquela casa e nunca mais entrou foi, "Como pude pensar em acabar com minha vida por tão pouco?!", pronto, aquilo foi a gota d'água.
- O que houve? - Aoki estava muito curioso.
- O homem foi atrás da outra, ficou com ela, e foi morar em sua casa, e toda noite tinha o mesmo sonho, onde a sua falecida mulher, aparecia, linda, perfeita, vestida de branco, com rosas vermelhas em sua mão direita, e lhe dizia, "Nunca irei esquecer de sua traição, nunca irei esquecer das sujas palavras que disse ao sair daquela casa, nem eu... nem seu filho", e sempre ele acordava subtamente, um dia sua mulher apareceu com uma marca em seu pulso, que havia escrito "SoD", mas ninguém sabia o que era.
- Deixa eu adivinhar... - ri.
- Depois de três semanas, a mulher morreu... O homem entrou em desespero, duas mulheres mortas em menos de 5 anos?! Como podia ser verdade aquilo, até que chegou uma hora que ele não sabia masi o que fazer, e em uma noite, quando ele ia dormir, começou a sonhar, e sua primeira mulher cantava, "Sora o mite, watashitachi no hachimitsu dorinku wa, shi no aji o ajiwau..." [Olhe para o céu, beba do nosso mel, prove o sabor da morte...], passava horas cantando aquela mesma parte - até que Kyoko parou.
- E... aí?! - Perguntei confuso.
- Não sei mais de nada... - ela pareceu triste.
- Como não?!!! - me exaltei.
- Calma! Eu disse que se quiser saber mais venha falar com minha avó, mas ela falar é outra coisa! - Kyoko me fitou furiosa.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Symphony Of Death [C.06]


          Cap.06 - A Mentira, e a Prova
Quando o elevador parou as portas se abriram, Aoki ajudou-me a andar até o quarto, mas quando viramos o corredor me assustei, era simplesmente gigantesco, não parecia ter fim, inúmeros quartos. 
- Qual era o quarto mesmo? - Aoki me fitou.
- 314 - eu conseguia andar direito, apesar da dificuldade, mas conseguia - consigo andar só.
- Você tem certeza do número? - ele me soltou.
- Acha que eu não ia ter - dei um sorrisinho.
- Então vamos nos separar, você olha desse lado do corredor, que eu olho desse - começamos a correr contra o tempo, pois ela poderia ser de qualquer quarto e ir direto pra qualquer evelador.
O mais desafiador, era que o primeiro quarto que fui olhar tinha o número de 110, quantos mais quartos teriamos que olhar?! E tentei me apressar, passamos por mais 200 quarto até que Aoki parou no 313, e me fitou, corri para o quarto da frente e fiquei confuso.
- Que foi? - Aoki correu para perto de mim - COMO ASSIM?! 
- Também não entendi o porque de pular do 313 para o 316... - olhei para o quarto atrás de nós e vi o 315 - agora cade o 314?! - suspirei e tentei pensar, olhei para os lados e vi uma enfermeira vindo para perto de nós - Moça! - gritei e ela se aproximou mais depressa - onde está o quarto 314?
- 314?! - ela me olhou confusa - Olhe.. esse quarto nem nesse andar é.
- Como não?! a recepcionista disse que era aqui sim - Aoki a fitou.
- É porque ela é nova, então sabe as linhas de quartos em cada andar, então ela deve ter deduzido que o 314 era aqui, mas é um quarto v.i.p., ou seja, somente pessoas autorizadas podem entrar, e fica no ultimo andar do prédio, mas porque estavam atrás do prédio?!
- Nós mostramos a autorização que nos deram para a recepcionista, como você bem sabe, ela ficou com ele - Aoki sabia mentir como ninguém.
- Falarei com ela - a enfermeira não parecia ser fácil de ser enganada.
- Olha - Aoki pegou suas mãos - este caso é de vida ou morte, não podemos mais perder tempo, veja o estado que ele está para reencontrar sua amada? - ele apontou pra mim e fitei o nada - diga-nos o andar, e como entrar por favor - a enfermeira não tinha percebido uma ENORME falha naquela história, como nós tinhamos a autorização para entrar, e demos para a recepcionista, se ela, nem nós sabiamos que esse quarto era V.I.P.?! Mas acho que a beleza cativou-a;
- Certo, mas não me causem problemas, por favor - a mulher envolveu nossos pulsos com duas pulseiras brancas e corremos para o elevador, novamente.
- Ela sabe que estamos mentindo Souske - Aoki sussurrou.
- Como sabe disso?
- Acha que ela ia cair numa mentira tão na cara quanto aquela? - ele me fitou.
- É... realmente... - pensando melhor, ele estava falando somente a verdade mesmo.
Ficamos por mais alguns segundos dentro do elevador, até parar o 41º andar, quando parou, as portas se abriram, e surgiu uma nova porta, no meio tinha uma campainha, e logo eu apertei. Após alguns segundos uma mulher a abriu, mostramos nossas pulseiras e entramos, era um corredor igualzinho aos outros, não entendi porque a "exclusividade", até andarmos um pouco. Aquela parte era reservada para todas as pessoas importantes e influêntes, tanto no japão quando no mundo, mas porque Kyoko estava aqui?!
- Moça, onde fica o quarto 314? - parei numa enfermeira para pedir informação, melhor do que fica procurando eternamente, já que eu estava perdendo muito sangue, a mulher apenas ergueu um dos braços apontando para um quarto a uns 20 metros de nós - obrigada.
Ao chegar em frente a porta do quarto parei e suspirei, essa era a hora da verdade.
- Quer que eu abra? - Aoki não entendeu o porque da minha demora ao abrir a porta, mas tinha que fazer todo um ritual, para aguentar o choque do encontro.
Segurei o trinco da porta, e fechei os olhos. Girei o trinco.
Quando abri os olhos tinha outro corredor na minha frente, e comecei a andar para chegar no final dele, ao chegar havia outra porta, fitei Aoki e ele mesmo a abriu, entramos tão subtamente no quarto que quase fomos de cara no chão. Quando olhei para o lado vi uma cama, e nesta cama, uma mulher de longos cabelos aroxeados e pele bem pálida.
- Essa é a... - Aoki arregalou os olhos.
- Quem? - o fitei.
- O que vocês fazem aqui?! - Imediatamente reconheci aquela voz, meu corpo ficou paralizado, minhas mãos suavam, e meu coração batia muito rápido - Quem os deixou entrar aqui?!
- Eerr.. Souske-kun?! - Aoki sorriu falsamente.
- Ky...oko? - sussurrei.
- O que você quer comigo?! E como sabe meu nome?! - Kyoko parecia me desafiar.
- Nem acredito que depois de praticamente 15 anos.... 15 anos.... eu lhe encontrei - fui me virando de vagar.
Aquele momento sim, eu queria que passasse lentamente, e foi assim que aconteceu. Pude ver seus longos cabelos azuis, refletindo a luz do banheiro que estava logo atrás dela, sua pele branca como a neve, vestia uma vestidinho simples, branco com detalhes pretos, e um par de chinelos rosados. Involutareamente, meu rosto sorriu ao ver seu rosto, os grandes olhos cor purpura, e seus buchechas rosadas, era a imagem mais bela que eu já havia visto, sem eu perceber já estava me aproximando dela, ele estava assustada, sem entender o que estava acontecendo.
- Há anos... Eu sonho através de você, eu durmo vivendo sua vida, sabe o que é isso?! Você ter o sonho com a mesma pessoa por anos! Sem saber se ela existe mesmo, sem saber onde ela mora, só sabia seu nome, Wakayama Kyoko! - eu estava ofegante.
- Q-Q-Quem é você? - ela estava assustada.
- Imaginei que você não sabia quem eu era... aliás, só eu consigo "ver" sua vida em meus sonhos.... - fitei o nada, suspirei.
- Qual seu nome? 
- Otori Souske 
- O-O-Oto...ri?! Não pode ser! - ela colocou a mão na boca, dando um sinal de susto - Qual o nome da sua mãe?!
- Não sei...
- COMO NÃO SABE?! - ela estava exaltada - seu pai?
- Também não sei - falar daquilo me encomodava bastante.
- Eeer... não sei se o que está falando é verdade, hoje em dia não costumo areditar em qualquer um sabe, me prove de que isso é verdade! - ela cruzou os braços, não sabia se aquilo ia da certo, mas tinha que tentar.
Ergui uma das mãos e aproximei-o de seu rosto, fui o levando ao seu rosto bem devagar, e quando encostei ela desmaiou.
- O QUE VOCÊ FEZ COM ELA?!?! - Aoki gritou.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Symphony Of Death [C.05]


     Cap.05 - A Luta contra as escadas
Muita coisa havia acontecido, minha cabeça estava bagunçada, e eu nem sabia o que pensar. Estava tão fora de mim, que nem sonhar, eu sonhei, des dos meus 5 anos de idade toda noite eu sonho, mas essa noite havia sido conturbada de mais para minha cabeça conseguir prosessar tanta informação ao mesmo tempo.
Estava respirando calmamente, me sentia bastante confortável, parecia estar deitado em uma cama muito, mais muito confortável, até que acordei subtamente, e me sentei na cama.
- EI EI, calma! - Aoki veio correndo do outro lado do quarto para me ajudar - não vá se levantando assim com tudo, você perdeu muito sangue Souske-kun, deite-se - não sabia porque, mas estava bastante fraco, e logo segui seu conselho - como se sente?
- Fraco, confuso... - falei bem baixo;
- Imagino - ele suspirou.
- O que... aconteceu? - o fitei.
- Você não lembra de nada Souske? - ele me olhou surpreso.
- Lembro de você me colocar sentado em uma cadeira no corredor do hospital e alguns médicos me socorrendo, só isso, o que aconteceu comigo?
- Seu corte, nas suas costas se abriu, ninguém sabe porque, nós mesmo vimos que naquele dia não tinha sangrado e sabado tinha sangrado...
- Sabado?!
- Você está dormindo ai há quatro dias Souske, não estão nem sedando você, porque você nem se quer reagia a qualquer estímulo, um médico disse que você estava em coma, mas a maioria disse que você tinha uma coisa com um nome esquisito lá, não lembro.
- E... Lucy?
- Morreu.
- Não entendo... não era pra ela ter morrido tão repentinamente assim, no dia que chegamos na pousada, perguntei pra ela se ela tinha ouvido a música toda, ela disse que não - fiquei mais confuso ainda.
- Ela pode ter mentido.
- Mas ela morreu dois dias depois! Como isso é possível Aoki?! O normal, pelo menos até agora, é entre três e duas semanas, e não depois de dois dias!
- Você acha mesmo que essa música tem alguma coisa haver com isso Souske? - Aoki ainda não acreditava, mas eu não o julgava, é dificil até pra mim mesmo acreditar nisso tudo.
- Não está certo...
- Souske... O que ela quis diser com "Olhe para a sua imagem, e veja o que nós vemos"? - Aoki se sentou numa cadeira perto - Nós quem?!
- Não sei, não faço a mínima ideia, sem mentira - suspirei.
Fechei os olhos por alguns segundos, e pude ver um "flash" de uma imagem, novamente no corpo de Kyoko, mas o mais estranho, é que eu não estava dormindo, e o mais incrível é que eu não conseguia abrir meus olhos. Kyoko estava dentro de um carro que uma mulher dirigia, logo parou em frente a um prédio branco bem grande, estava muito nublado, não consegui enchergar direito onde ela estava, ao sair do carro ela abriu seu guarda-chuva. Foi andando até adentrar no prédio, estava cheio de gente.
- "Bom dia" - reconheci aquela voz - "O que posso fazer por você?"
- "Bem, não sei direito o nome..." - Kyoko parecia nervosa.
- "Como?! Diga para qual departamente do hospital você deseja ir, que lhe guiarei" - Kyoko olhou para os lados, e por um instante pude ver o nome do hospital, era o mesmo que eu estava.
Abri os olhos rapidamente, arranquei todos as coisas que estavam ligadas ao meu corpo, que me mantiam vivo e alimentado, coisa de hospital, nem percebi que estava sem blusa e chinelos, apenas com a calsa.
- SOUSKE! - Aoki gritou e tentou me parar, mas fui incrívelmente mais rapido.
Abri a porta do quarto e fui correndo para as escadas de emergência do hospital, era como se aquilo fosse crucial para minha existência, o complicado era que eu estava no 15º andar do hospital, e recepção era no 1º andar, tinha que fazer um milagre para consegui chegar lá em baixo a tempo.
A cada andar que descia, parecia que o primeiro andar ficava cada vez mais longe, eu estava muito cansado, fraco, e nem percebi que um de meus braços estava com sangue, que pingava no chão da escadaria, pois eu estava recebendo medicamentos na veia, e quando arranquei os fios, rasgou minha pele, mas nem liguei para aquilo, só tinha que chegar lá em baixo.
- SOUSKE! VOLTE! - Aoki gritou da porta lá do 15º andar, mas eu já estava no 6º, e não ia parar por nada nesse mundo - Souske quer se matar?! - Aoki gritou novamente e ouvi um barulho de porta batendo muito forte, acho que ele ou devia estar descendo desesperado atrás de mim, ou fez algo mais inteligente do que eu, que agi pro impulso, fui logo pelas escadas.
Até que as escadas acabaram, minha respiração estava tão ofegante, que eu estava enchergando tudo embaçado, e estava bastante fraco. Abri a pesada porta para ir à recepção do hospital, mal tive força, mas consegui.
- Kyo...ko - caí de joelhos no chão.
- Senhor!! - uma enfermeira gritou e veio correndo me socorrer.
- Onde... onde está a recepcionista? - a fitei com muita dificuldade.
- Não é hora pra isso, tenho que...
- Responda! - encostei minha mão toda cheia de sangue em seu rosto.
- Hyuuja! - a enfermeira chamou a recepcionista, a mulher veio se aproximando com muito cuidado, estava assustada com meu estado.
- Onde... onde está a menina de longe cabelos azuis?! - se ela não respondesse logo eu iria desmaiar e tudo teria sido em vão.
- Cabelo azul?! - Hyuuja não parecia estar sabendo do que eu estava falando - Olha...
- Por favor, diga que ela esteve aqui - tentei me levantar, mas logo caí no chão novamente.
- SOUSKE! - Aoki veio correndo de um corredor e me segurou em seu ombro - tá louco?!
- Por favor... - meus olhos se encheram d'água.
A mulher parecia pensar, tentar encontrar alguma imagem que pudesse me dizer se ela esteve ali mesmo, e pra onde ela foi, mas acho que ela nunca tinha passado por aqui mesmo.
- Desculpe.. - dei as costas e me soltei de Aoki, fui quase rastejando até o elevador, uma enfermeira ia tentar me ajudar, mas eu a afastei com cuidado - não preciso de ajuda - apertei o botão para o elevador descer e fiquei encostado na parede, tentando respirar.
Logo o elevador chegou e eu entrei, logo em seguida Aoki me seguiu.
- Espera! - Hyuuja veio correndo e segurou a porta do elevador - 21º andar, quarto 314! - ela sorriu.
Minha alma foi restaurada naquilo, e retribuí o sorriso, apertei bem rapido o botão do 21º andar, e fiquei esperando o elevador subir.
- O que aconteceu? - Aoki me fitou, e me ajudou a andar.
- Você vai ver - sorri, meu coração batia muito rapido.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Symphony Of Death [C.04]


                  Cap. 04 - Sangue
Fui acordando bem devagar, ouvindo os pássaros cantando suavemente, isso acalma qualquer um, me levantei e olhei para a outra cama e não vi Aoki, fui ao banheiro escovar meus dentes e lavar meu rosto.
- Acordou - como sempre, chegando do nada e me assustando - meu Deus, o que droga é essa?! 
- O QUE?! - ainda com a escova na mão me virei para ele, que estava na porta, atrás de mim - que foi?! - Aoki estava com uma cara de espanto, não foi atoa que ele nem disse o que tinha acontecido, apenas apontou para as minhas costas, estava até com medo de olhar, depois do sonho que tive, tudo poderia acontecer.
Fui virando minha cabeça bem devagar, para olhar-me no espelho do banheiro, quando pude ver completamente o que tinha em minhas costas, logo minha escova caiu da minha mão.
- O que você andou fazendo de madrugada?! - Aoki se afastou de mim.
- Mas... o que.... droga é... essa?!?!?! - fui encostar a mão na parte superior das minhas costas, onde tinha um corte enorme, em linha reta, não parecia sangrar, e nem pareceu que sangrou enquanto eu dormia, além do mais, não havia sangue em meus lençois, mas estava muito inchado, muito vermelho, eu estava sem reação, parecia que algo tinha feito aquilo.
- Souske... sério, eu mereço uma boa explicação...
- ACHA QUE EU SEI QUE DROGA É ESSA?! - eu estava em pânico, gritei tão alto que Aoki percebeu que eu não fazia a minima ideia do que poderia ser aquilo - meu Deus... 
- Vou chamar a enfermeira daqui da pousada - Aoki já ia saindo, mas eu o segurei.
- Não! Ninguém vai saber disso, NINGUÉM! - o fitei bem sério, e ele pareceu entender o que eu estava dizendo, peguei minha escova do chão e voltei a escovar meus dentes.
- Não doí?! - apenas balancei a cabeça, dizendo "não", Aoki passou a mão no rosto, tentando voltar para a realidade, e tentar procurar uma explicação lógica para aquilo.
Ao terminar de escovar meus dentes, larguei a escova ao lado da pia e fui indo pegar uma blusa.
- Lucy ta doente.. - quando ouvi aquilo, o tempo pareceu parar, junto com meu coração, então era verdade - era ela não era? - fiquei em um estado de choque tão forte que nem cheguei a responder, Aoki se estressou e me puxou pelos ombros e me empurrou - Responde! 
- Aoki... - fitei o nada, Não sabia nem o que responder.
- Não precisa responder - ele suspirou e sentou na cama.
- O que ela tem? 
- Ninguém sabe, mas hoje de manhã ela acordou vomitando muito sangue, ela voltou pra Yokohama de madrugada ainda - Aoki me fitou.
- Então era verdade... - sussurrei.
- O que? - Aoki havia ouvido.
- Eu... - não sabia como explicar o que estava acontecendo - Eu não tinha certeza se era ela, não tenho certeza até agora, pode ser uma mera coincidência..
- Tudo é coincidência?! Olha o que apareceu nas suas costas! - ele se exaltou.
- Calma! - fiquei andando de um lado para o outro do quarto - bom, vou resumir, e não ria!
- Certo, conta logo.
- Não sei porque razão posso ver "luzes" em algumas pessoas, é meio raro isso..
- Luzes?! Como assim?
- No tórax, e por alguma razão, depois de eu ver essas luzes, a pessoa morre, claro que não instantaneamente, umas... duas, três semanas depois.
- Tá falando sério?
- Acha que eu ia mentir sobre uma coisa tão séria dessa?! - me sentei numa cadeira, tinha que me acalmar.
- Você tem certeza? Não é só...
- Uma coincidência?! - o interrompi.
- Esquece, mas sim, elas morrem de que?
- Formas variadas, nada é igual, umas morrem por doenças, suicidios, assasinatos, formas variadas.
- Agora, a pergunta mais importante... - ele parou por alguns segundos - Você viu?
- Vi.
- E agora?
- Como assim e agora? Aoki eu não sou Deus, o que quer que eu faça? avise pra ela que ela vai morrer? Nossa que grande ajuda! - soltei uma risada irônica.
- Não... quer dizer eer... - ele pareceu muito confuso - Então o que você costuma fazer quando vê essa luz?
- Eu? Nada.
- Nada?! Só espera ter a noticia do óbito da pessoa?!
- É... - me calei - preciso saber de uma coisa.
- Do que? - ele me fitou, muito curioso.
- Você sabe alguém que tenha carro? - me levantei da poltrona.
- Sei... mas pra que?
- Preciso falar com a Lucy, com urgência, preciso desse carro emprestado! Pra ontem! - peguei uma roupa na minha bolsa e fui me trocar no banheiro.
- E como vou pedir pra dar o carro pra você?! carro é uma coisa cara de mais garoto, acha que pode sair com o carro dos outros...
- Apenas peça! - o interrompi, ele suspirou e saiu do quarto.
Terminei de me arrumar e guardei todas as minhas coisas de volta dentro da mala, esperei mais 10 minutos e Aoki entrou no quarto.
- E aí? - o fitei.
- O carro é da Nagasawa, falei que era pra mim, porque ela sabe que minha irmã ta internada em Yokohama, e eu disse que precisava voltar urgentemente, ou seja... Tenho que ir com você Souske-kun.
- Ótimo, arrume suas coisas, e vá pra garagem o mais rápido possível, vou estar esperando dentro do carro - peguei minha bolsa e desci correndo para a garagem, abri a porta do carro e entrei.
Alguns minutos depois Aoki apareceu e adentrou ao carro. Voltei o mais rápido que o carro conseguiu para Yokohama, fui direto para o hospital que Lucy estava internada, estacionei o carro.
- Boa tarde, qual quarto que Lucy Yukinawa está? - tentei parecer menos assustado, causar uma boa impressão.
- Olha senhor, nós não temos autorização para deixar qualquer um entrar no quarto dela, somente familiares e uma amiga - sabia que ia ter algum problema, estava tudo fácil de mais.
- Sou o professor dela, ela estava sob meus cuidados na pousada, eu era responsável pelo grupo em que ela estava quando aconteceu tudo - Aoki fez um drama incrível - foi tudo tão rápido... - chegou a quase chorar, pareceu ter comovido a mulher.
- Nossa... Certo, os deixarei entrar, só preciso dos nomes de vocês dois - após a mulher anotar nossos nomes e telefones, corremos para o quarto onde Lucy deveria estar, e na porta havia uma senhora com uma criança, ela nos fitou.
- Esse é o quarto de Lucy? - Aoki, como sempre, um ótimo ator.
- Sim sim, vocês são amigos dela? - o rosto da mulher estava muito inchado, parecia ter chorado por dias.
- Sou professor, e esse é Souske, amigo dela, tentamos trazer sua amiga, Jubei, mas não conseguimos - Aoki fez a cara de triste mais verdadeira do mundo.
- Podem entrar, mas por favor, tenham cuidado, ela está muito debilitada.
Entramos.
Lucy estava deitada em uma cama, pálida, dormia como uma criança, entramos procurando não fazer muito barulho. Esperamos alguns minutos e ela finalmente acordou, quando nos viu ficou surpresa.
- Porque estão aqui? - até sua voz estava estranha.
- Lucy, depois explicamos - comecei, tentando não pressiona-la muito - preste bem atenção...
- Sous...ke-kun - ela olhava em meus olhos, como se pudesse ver minha alma - seus olhos - ela ergueu a mão e a encostou em meu rosto.
- Ahn?! 
Ela não me respondia mais, apenas olhava em meus olhos. Ficou um silêncio macabro, então ela foi se aproximando do meu rosto, e ficou bem perto.
- Eles estão lhe vendo... - quando ela disse aquilo, meu coração pulsou forte - não tente fugir... será pior - a voz dela começou a mudar.
- Lu-lu-lucy?! - Aoki foi se afastando ao ouvir-la com uma voz muito grossa.
- Seus olhos... - ela repetiu, eu não conseguia se quer me mover - quando foi.. que se olhou no espelho a ultima vez?! - não respondi - RESPONDA! - a voz grossa gritou e eu tremi de pavor.
- Ho-ho-hoje... - estava com medo de perguntar porque.
- Então da próxima vez, olhe mais atentamente, não olhe para o espelho em si... Olhe para a sua imagem, e veja o que eu... - ela parou - aliás, nós.. vemos - ao terminar de falar ela foi desmaiando e sua mão se desencostou do meu rosto, logo ela caiu na cama.
Eu estava imóvel, não sabia o que pensar, não sabia quando respirar, quando sentir medo, quando controlar meu corpo, estava... não, eu não estava dentro de mim.
- SOUSKE-KUN! - pudia ouvir Aoki gritar meu nome, algo estava acontecendo no quarto, mas meu corpo não queria se mover, não me obedecia, eu nem se quer conseguia pensar - SOUSKE! SOUSKE!!!!!!! - Aoki me esmurrou e eu caí no chão, e finalmente voltei ao normal - SOUSKE!
- O que houve?! - eu estava fraco, não sabia porque, e estava sentindo uma dor muito grande nas costas, Aoki nem disse nada, apenas ergueu sua mão na frente do meu rosto e vi tudo vermelho.
Sangue.
- Souske, veja! - Aoki se levantou e apontou para o aparelho que marcava os batimentos cardiacos de Lucy, estava parado.
Fui me levantando com muita dificuldade do chão, já não sabia mais o que estava acontecendo, estava tudo passando sob meus olhos e eu sem nenhum reação, sem saber o que fazer, de repente vários médicos começaram a entrar no quarto para socorrer Lucy, e outros nos tiraram do quarto. Aoki, vendo meu estado, me sentou numa cadeira no corredor do hospital.
- Ei! EI! concetra, olha pra mim, não feche os olhos! - Aoki estava apavorado, e eu estava ficando cada vez mais fraco.
- O garoto está sangrando! Rápido - só pude ouvir isso, e ver, muito embaçado, dois médicos correndo para me socorrer.
Sangue, Alma, Sangue.

Symphony Of Death [C.03]


              Cap.03 - A Depressão
Após meu comentário, Aoki ficou em silêncio, estático me olhando, não sei se ele tava espantado com aquilo, ou queria rir bem alto, ele só me olhava, como se ainda estivesse esperando pela minha justificativa do que estava acontecendo.
- Não me ouviu?! - certo, posso não ser normal, mas também não quero ouvir nenhum gozação pra cima de mim.
- Não... claro eu ouvi sim, mas.... - ele passou a mão no rosto e se acomodou na poltrona da varanda - quem meteu isso na tua cabeça garoto?
- Não é como se alguém viesse e me dissesse isso Aoki - fitei o céu, escuro, com muitas estrelas.
- QUÊ?! VAI MATAR NINGUÉM AQUI NÃO NÉ?! - aquilo foi tão repentino que me assustei.
- Claro que não, quem pensa que sou?!
- Sinceramente, depois do que você disse não tô mais duvidando de nada, vindo de você... - ele passou a mão no rosto e respirou fundo - Tá, suponhamos que isso vá acontecer, quem?
- Quem o que? - o fitei.
- Quem vai morrer ue.
- Não funciona assim, não é como se eu pudesse dizer quem é, não sei e sei, entende?! - ele ficou novamente naquele silêncio de doer os timpanos.
- Certo, mais uma suposição, quando? 
- Bom... - parei alguns segundos - na verdade, não sei.
- COMO NÃO?! - ele riu - você diz que alguém vai morrer, não sabe quem, nem sabe quando, e quem vai matar?
- Acha que sou Deus?! Só disse o que sei! - falei bem firme.
- Certo... Desculpe - ficamos ali por alguns minutos, calados, apenas pensando na possibilidade daquilo ser verdade - Souske-kun... - ele continuava a fitar o céu.
- Quê?!
- Porque me disse isso?
- Você perguntou ué, o que tem que de mais?!
- Porque quando Lucy chegou você saiu da mesa correndo?
- Que tantas perguntas...
- RESPONDE!
- Calma, meu Deus, calma - suspirei - não sei bem explicar, não adianta você não vai entender.
- Se você disse que alguém vai morrer, não há como evitar?
- Espera aí... Porque você tá acreditando? - o fitei, percebi que tinha acertado a ferida, ele ficou branco após ouvir aquilo, e não respondeu nada - você sabe de algo, do que sabe? Quem é você?
- Não é que eu estou acreditando Souske... Só fiquei assustado por você sair correndo da mesa depois da Lucy ter chegado, você tava branco quando eu cheguei aqui, tava parecendo um cadaver, na mesa parecia que tinha visto uma alma, como você quer que eu fique?! Achando que é só a falta da tecnologia? Faça me o favor né - ele parecia estar falando a verdade, então deixe pra lá - mas continuando, você soube da noticia que uma menina....
- Se matou? - o interrompi.
- Sim, assustador não é?
- Não sei porque, mas não acho, algo está muito errado nessa história, tem algum ponto crucial faltando... - fiquei pensando.
- O que você está querendo dizer?
- Pensa comigo, a menina muda da água pro vinho do nada Aoki, e quando os dias vão passando ela piora, não pouco, mas significativamente, vem demonstrando agressividade excessiva  até com seus próprios pais, tava vendo o jornal, e a mãe da menina disse que ela tentou matar o próprio cachorro, que ela tanto amava - parei para respirar - e ela tá, des de que mudou drasticamente, ouvindo uma mesma música, a mãe dela relatou que exitou em ouvir a música, foi como se seu corpo a tentasse avisar de algo, e nisso ela não ouviu, mas quando viu a filha morta correu pro quarto, como se fosse instinto mesmo, e foi ouvir a música, e não exitou dessa vez, ouviu inteira..
- Mas o que essa música tem haver com a morte da menina?
- Aoki isso aconteceu a quantos dias atrás?
- Aproximadamente... cinco, se não me engano.
- Quando estava descendo vi, no televisor da recepção, um reporter falando a mãe da menina tinha entrado depressão, e o marido dela tinha largado ela, porque ele a culpa da morte de sua filha, não é tudo coincidência de mais?
- Não! - ele tentou mudar o que eu estava dizendo - claro que não, se você só tem um filho, e ele é perfeito, e do nada muda drasticamente, como você mesmo disse, não me impressiono por ela ter entrado em depressão Souske-kun, agora porque o marido dela a culpou?
- É essa parte que ta me deixando louco, eu não faço a minima ideia! Ela devia ter feito alguma coisa....
- Não, eu já acho que isso pode ter relações com outras coisas, desavenças, e a separação que já estava meio perto, e então ele pode ter arranjado qualquer motivo pra se separar dela, eu acho isso - realmente ele estava certo, porque não tinha pensando naquilo!
- Realmente... Mas ainda sim..
- Tem algo de muito esquisto - ele comepletou minha frase - mas voltando pra cá, você acha que isso tem alguma coisa haver?
- Algo me diz que sim, não quero ser vidente, mas acho que sim - aquilo tudo estava me enlouquecendo.
- Bom, já tá bem tarde e eu tô muito cansado, Boa noite - Aoki se levantou e foi dormir.
Fiquei ali, olhando o céu, que me facinava des da minha infância, e pensando o que estava acontecendo, o quee poderia significar as letras "SoD", e porque elas aparecem para mim, em meus sonhos, e logo agora surge ao lado da morte, não sei porque, mas aquilo não me parecia boa coisa. Suspirei.
Me levantei da poltrona e fui indo me deitar, apaguei as luzes. Estava decido a esquecer o ocorrido, isso era só coisa da minha cabeça, e fui ao encontro dos meus sonhos.
Como já era esperado, eu estava na no corpo "dela", como toda noite acontece. Kyoko andava no meio de uma larga rua, eu não consegui reconhecer de onde era, mas estava muito movimentada, com muitos carros, pessoas, animais, muito barulho... Enfim, parecia ser o centro de uma cidade bem grande. Ela continuou andando até entrar numa casa azulada de dois andares, abriu a porta, tirou os chinelos e foi entrando, jogou sua bolsa em cima de um sofá, que por acaso tinha alguém nele, mas não consegui ver claramente quem era, então ela continou sua trajetória. Só parou quando chegou em um quarto, e na porta havia escrito "SoD", como sempre, as letras me perseguindo, abriu a porta, que tinha a maçaneta cristalizada, era muito bonita por sinal.
- "Kyoko-chan!!" - ouvi alguém chama-la, mas ela pareceu não ligar, ou não ouvir, adentrou no quarto e logo tratou de fechar a porta - "Kyoko-chan, abra a porta, preciso falar com você" - parecia a voz de uma mulher já de idade, porém, Kyoko nem se quer se mecheu para abrir a porta - "Kyoko-chan, por favor, perdoe".
A menina suspirou e foi indo na direção da porta, ao abri-la, novamente não consegui ver o rosto da mulher que estava a chamar Kyoko, porque ela ficou fitando o chão, como se estavesse recebendo uma bronca.
- "Querida, desculpe por ontem, eu fiz de tudo... procure entender sua avó..." - a mulher estava com a voz tremula.
- "Certo" - ela foi breve, e logo tratou, novamente, de fechar a porta, mas a senhora a segurou.
- "Aquela mulher está em depressão, você sabia?" - a mãe da menina que se suicidou?! Quem poderia ser?! Era coincidência de mais - "Porque não vai vizita-la Kyo-chan?" 
- "Não vou perder meu tempo, é pura besteira, não tenho nem motivo pra ir, porque ela tá assim?! Você nunca me explica as coisas, NUNCA! Sempre me dando ordens e não deixa claro o que está acontecendo aqui, primeiro CADÊ MEU PAI?!" - Kyoko gritou, parecia chorar.
- "Kyo-chan, se acalme" - a senhora estava nervosa.
- "TÁ VENDO?! É SEMPRE ASSIM! Quando quiser me contar o que aconteceu, volte, se não, nem perca seu tempo" - Kyoko tacou a porta com tudo e se sentou ao lado de uma mesa, no chão mesmo, e logo começou a chorar mais.
- "KYO-CHAN!" - a senhora batia na porta.
- "VÁ EMBORA! Acho que já sofri o bastante".
Ficou um silêncio tenebroso por alguns segundos.
- "Não posso lhe ariscar por tão pouco" - a mulher sussurrou do outro lado da porta, Kyoko ouviu e correu pra abrir a porta, mas a mulher já não estava mais lá.
Depois de um tempo, Kyoko se acalmou, respirou fundo e fechou os olhos.
- "O que vai acontecer daqui pra frente?!... Queria ser Deus pra saber da verdade...".

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Symphony Of Death [C.02]


       Cap.02 - A mente contra a verdade
Ao ouvir o nome da música, das tais letras que sempre, mais sempre aparecem em meus sonhos me asssustei, me aproximei das duas meninas, ela me fitaram meio confusas, pois eu nunca nem havia trocado um "bom dia" com nenhuma das duas.
- Desculpa me meter na conversa de vocês, mas Lucy, qual o nome?! - meu rosto dizia mais do que todas as palavras que cabem dentro do universo, eu estava apavorado.
- Eerr... Souske-kun, o que houve? - Jubei estava assustada com minha cara de terror.
- Apenas... Diga o nome novamente! - falei um pouco mais rigido.
- SoD, mas... O que houve?! - Lucy gaguejava.
- Conta mais sobre isso, por favor - meu coração estava quase pulando do meu peito.
- Eeer... Bom, o reporter perguntou pra mãe da menina - Lucy fitou Jubei sem entender o que estava acontecendo - o que significava "SoD", mas a mulher disse que não sabia, disse que a letra da música era muito bonita, e não saia da sua cabeça, mesmo que você tentasse, ela sempre estava lá.
- "Sora o mite...." [Olhe para o céu...] - aquilo saiu inconscientemente da minha boca.
- Eeei! - Lucy arregalou os olhos, surpresa ou ouvir aquilo - Você já ouviu a música Souske-kun?!
- Nã-Nã... EI! Você já ouviu?! - não sabia porque tinha perguntado aquilo, mas não me parecia boa coisa.
- Não... - ela se assustou com minha reação - assim... Toda não.
- Ufa...
- Porque?! - Jubei puxou meu rosto para olhar fixamente em seus olhos.
- Nada Jubei, só... Nada - dei as costas e deixe-as ali, sem entender absolutamente nada.
Não sabia ao certo o porque da minha loucura ao saber das letras e principalmente quando Lucy disse que já tinha ouvido a música. Pouco tempo depois do ocorrido, o coordenador levou cada um aos seus respectivos quartos, por pura coincidência, ou não, o garoto que estava sentado ao meu lado no ônibus iria dividir o quarto comigo, quando entrei no quarto, joguei minha mochila na cama e fui lavar o rosto, precisava me acalmar, aliás... precisava falar com a mãe dessa menina isso sim.
- Me chamo Hale Aoki - o garoto foi entrando no banheiro e sorriu meio sério.
- Otori Souske - fui breve.
- Você não parece bem..
- Estou bem, só... com um pequeno desconforto - passei ao seu lado e fui saindo do banheiro, ele foi andando até a porta da enorme varanda de nosso quarto e abriu as cortinas.
- Se importa? - me fitou.
- Não Não, fique avontade - fui tirando algumas coisas de dentro da bolsa, e colocando em cima da comoda que ficava ao lado da minha cama - Você não estuda aqui, ou estuda?!
- Não é bem o caso - ele sentou-se em uma cadeira da varanda, podia ouvir sua voz meio abafada - sou professor substituto, apenas isso.
- Professor?! - a surpresa foi tão grande que parei de mecher nas minhas coisas, ele aparentava ser novo de mais para ser professor, e o único "professor" que iria com a turma no ônibus, era o coordenador, os outros iriam vim em um outro ônibus - mas...
- Substituto - ele me fitou e riu - não tenho os privilégios que os com vagas e horários fixos tem Souske-kun.
- Você tem quantos anos?! 
- 23 - me apavorei mais ainda - digamos que sou uma pessoa mais inteligente do que o normal - ele riu novamente.
- Percebi - voltei a mecher nas minhas coisas.
- E onde estão seus amigos Souske-kun?! - aquilo criou um silêncio que chegava a doer nos ouvidos, Aori se virou na cadeira para ver o que tinha acontecido - o que houve?
- Não tenho amigos, só isso...
- Entendo, você é do tipo reservado, não o julgo, cada um do seu jeito.
Ao anoitecer, todos desceram para jantar, Aori foi indo logo, mas eu não estava com fome, àquela sensação esquisita estava me tomando por completo, e eu não sabia porque. Logo ouvi alguém batendo na porta, me levantei e fui abri-la.
- Souske-kun! Abra por favor - era uma voz feminina, quando abri vi Jubei - o coordenador mandou eu vim buscar você, o jantar já foi servido, anda - me assustei pelo fato dela estar falando comigo normalmente, como se nós fossemos amigos de longa data, e resolvi ir logo - porque ficou ai dentro só?!
- Não estou com fome.
- Souske-kun deixe disso! - ela segurou na minha mão e foi me guiando até aonde todos estavam.
Quando eu cheguei no local as pessoas que estavam na mesa próxima à porta me fitaram, alguns do mesmo modo de sempre, me achando a pessoa mais esquisita do mundo, talvez eu fosse, mas esse não era o momento nem hora para discutir aquilo.
- Anda, vai ficar na mesa com seu amigo e a gente - ela sorriu e foi me levanda para uma mesa que ficava perto de uma árvore, que não era nem tão grande, nem tão pequena, dava floresta avermelhadas, lindas por sinal, quando sentei todos na mesa me olharam, como se quisessem dizer "por sua causa ainda não comemos", mas enfim, não estava nenhum pouco interessado naquilo.
- Pensei que não vinha - Aoki me fitou e começou a comer.
Alguns minutos depois peguei somente a sobremesa para beliscar, e quando me sentei percebi que Lucy não estava com Jubei, elas sempre andavam uma grudada na outra, e finalmente resolvi falar diretamente com Jubei, naquela noite.
- Onde está Lucy, Jubei? - a fitei, ela parou de comer e já ia começar a falar quando ouvi uma pessoa falando bem alto um pouco longe dali.
- AQUII! - quando olhei pro lado tudo pareceu fica em câmera lenta, pareceu o momento mais longo da minha vida, todos virando ao mesmo tempo para ver quem havia dito aquilo, mas o mais estranho era que só estava percebendo a "lentidão" no tempo, estava acontecendo algo muito estranho mesmo, minha respiração começou a ficar rapida de mais, e quando vi Jubei de longe puder ver uma Luz no meio de seu tórax, que brilhava intensamente, quando vi aquilo, meu coração parou de pulsar por alguns segundos, e o tempo parecia não voltar ao normal.
Meus olhos se arregalaram, eu simplesmente não podia acreditar no que estava vendo, minhas mãos suando, meu corpo me dizia algo que eu não queria acreditar, até que o tempo voltou ao normal, do nada.
- Que foi Souske-kun, parece que viu uma alma - Lucy veio correndo e se sentou ao lado de Jubei, eu não conseguia parar de ver aquela luz, em seu corpo e lembrar de todas as vezes em que vi tal fonte luminosa.
- Souske? O que houve? - Aoki me fitou sério - viu algo que lhe assustou? Esqueceu algo em casa ou no quarto?!
- Não... só... - o fitei, estava desnortiado - eer... nada.
Deixei tudo como estava e fui subindo para o quarto.
O que estava acontecendo?! Eu estava tão confuso que minha cabeça chegava a doer, e meu corpo parecia me avisar de algo que eu não queria "ver", não queria acreditar que isso iria acabar do mesmo jeito das outras vezes.
Quando entrei no quarto fui correndo para a varanda tentar pegar um ar para me acalmar, e fui me acalmando. Tudo estava muito silêncioso, e suspirei.
- O que houve? - Ouvi a voz do Aoki subtamente e me afastei do susto que levei - Souske? Você não ta bem, ta tão branco que tô vendo as veias no teu rosto, anda senta ai que vou pegar um pouco de água.
Me sentei na cadeira da varanda e logo Aoki voltou com o copo com água, que foi de muita ajuda naquele momento.
- Certo, agora o que foi? - Ele parecia pronto para encarar qualquer coisa que eu falasse.
- Você não vai acreditar, você não vai entender Aoki... esquece...
- Diz! 
Suspirei e deixei o copo em cima da mesinha da varanda.
- Alguém vai morrer.

Symphony Of Death [C.01]


                                    Cap.01 - SoD
Me chamo Otori Souske, tenho 19 anos, e essa é a minha história a ser contada de uma forma que nem mesmo eu sei o final neste momento crucial de minha vida, poderia ser a sua vida, a do seu vizinho, mas é apenas... A minha. Moro em Yokohama, uma  importante cidade localizada na província de Kanagawa, Obiviamente, no Japão, fui criado por um tio, desde que nasci nunca vi meus pais, ou soube qualquer paradeiro deles, e por algum motivo, que também não sei, todos os meu familiares, meus dois tios e suas respectivas mulheres, procuram evitar o máximo possível falar no assunto. Por fim moro só, meus tios se mudaram para a Suiça a muito tempo atrás, terminei o colegial este ano, aliás posso dizer que terminei a semanas atrás. 
Como todo final de colegial, ou tem festa ou uma viagem, bom minha turma resolveu fazer uma viagem para um interior do Japão, uma cidade linda com as fontes termais mais conhecidas do continente, apesar de sempre eu parecer o meio "excluído" da turma, e de todos do colégio, eu resolvi ir para esta viagem, algo estava parecendo que ia acontecer.
Nosso coordenador propoz um desafio, nós não poderiamos levar nenhum tipo de aparelho eletrônico, um desafio pra alguns, e certamente, sem meu notebook, sim... Seria um desafio e tanto, resolvi aceita-lo. No dia seguinte fui indo ao colégio, esperar o ônibus com a turma para partimos em direção a um mundo somente da natureza, onde não há wifi nem Bodybook, essas coisas. 
A viagem seria de 4 horas, como o ônibus era bem espaçoso, eu me sentei na ultima cadeira, ao lado de uma janela que possuia uma vista linda do lado de fora do transporte, alguns minutos depois alguém sentou ao meu lado, com medo de ser intimidado pela pessoa, que por acaso eu não conseguia ver quem era, virei um pouco o rosto fingindo me espreguiçar, e vim um garoto, aparentava ser mais velho que eu, de cabelos loiros escuros e olhos azulados, parecia não estar ligando muito pra mim, então deixei pra lá, até que o sono me pegou.
Não sei se isso é normal, mas desdos meus 5 anos de idade tenho sonhado como se eu vivesse a vida de outra pessoa no meu sonho, só consigo saber seu nome, Wakayama Kyoko, não sei onde ela mora, sua aparência, absolutamente nada, aliás isso foi mera suposição, pode ser apenas um sonho, mas parece ser tão real, que chega a assustar, e nesse cochilo não foi muito diferente.
Ela corria, em um campo, cheio de grama bem verde, era tão real, que eu conseguia sentir o cheiro da grama, sentir o vento batendo em seu rosto, e ela corria, até o alto de uma colina, onde havia uma árvore, não tão grande nem tão pequena, mas solitária, sem nada ao redor, a não ser... grama.
Ela olhava para o sol e cantava uma canção, uma canção que só de ouvir me assusta, nunca entendo porque, e também, de alguma maneira, nunca consigo ouvi-la por completo, sua voz é suave como a brisa do mar, e ao mesmo tempo desafiadora, lhe desafia a ouvir a música inteira, sem saber o que poderá acontecer... De isso não importa nada, lhe desafia a ouvir, sem parar.
Então a garota fitou o tronco da árvore, que estava impecável, porém mais em cima, perto dos galhos já, avisa escrito um nome, "SoD", nunca entendi o que aquilo significava, várias vezes, quando sonho vivendo, supostamente, a vida dessa menina, vejo essas três letras em algum lugar.
Enfim, ela começa a cantar suavemente: "Watashitachi wa anata o mite iru, wareware wa doko ni demo ari... Kami no shinpan to shite no kare no kokoronouchide wa, sekkei jumyō,... Sora o mite...." [Nós estamos vendo você, estamos em todos os lugares... Dentro de sua mente, projetamos a vida, julgamos como Deus... Olhe para o céu,]. Sempre termina nesta parte, e eu acordo subtamente, quando acordei, o garoto que estava do meu lado me olhou assustado, e logo procurou me acalmar.
- Ei, você está bem?! - ele me fitou - está pálido.
- Ahn?! - ainda desorientado do sem sentido sonho, tento me acalmar e respirei fundo - Sim sim... estou bem.
- Mas...
- Estou bem.
Tratei de interrope-lo, não queria ninguem enchendo o meu saco.
Desde que comecei a sonhar com essa garota, as vezes vejo coisas estranhas nos corpos das pessoas ao meu redor, e por uma macabra coincidência, essas pessoas morrem tempos depois, vejo como se fosse uma luz, que brilha intensamente dentro de seus corpos, nunca cheguei a contar isso para ninguém, logicamente não iriam acreditar na pessoa que não fala quase nada dentro da sala de aula, pois não possuo amigos. Essa luz as vezes surge bem vibrante, porém em outras pessoas, a luz está tão fraca, que tenho uma certa dificuldade em reconhece-la até de perto.
Nunca entendi o porque disso, mas acredito que não é coisa da minha imaginação.
Percebi que logo logo chegariamos em nosso destino, e algo estava me encomodando, não sabia dizer o que, mas a cada segundo piorava. Quando chegamos, esperei todos sairem e dentro do ônibus, me levantei da cadeira e fui saindo, enquanto o coordenador tentava organizar tudo para nossa entrada na pousada fiquei naquele instante ouvindo a conversa de todos, e duas meninas conversavam baixo.
- Jubei - uma delas chamou a atenção da outra.
- Quê que foi Lu-chan? - Jubei a responder, sem muito interesse.
- Tu soube da novidade que ta rolando na Bodybook?!
- Nãããooo, Que fooi?! - Jubei parecia muito intusiasmada ao falar da rede social mais famosa do momento.
- É sobre noticia que saiu no NipponNews semana passada que uma menina de 14 anos se suicidou, ela se afogou numa piscina Ju-chan, agora o mais estranho não era isso, é que assim, a mãe dela disse que a menina era bem extrovertida, essaas coisas, e umas duas, três semanas antes dela morrer, ela começou a ficar esquisita, pelos cantos, desanimada, grossa com as pessoas, coisa que ela não fazia, e a cada dia que passava ela piorava entende, e um detalhe que a mãe dela disse, que a filha estava ouvindo uma mesma música desde duas, três semanas antes dela morrer Ju-chan!!
- E o que isso tem de mais Lu-chan?! A música só devia ser legal de mais ué - Jubei riu.
- O reporter perguntou pra mãe da menina se ela tinha ouvido a música - aquilo estava prendendo muito a minha atenção - ela disse que nos primeiros segundos exitou, não sabe porque, mas quando soube o que tinha acontecido com a filha, correu no computador da menina pra ouvir a música.
- E qual era o nome Lu-chan? - Jubei perguntou muito curiosa.
- SoD!

If these wings could fly [C.04]

Cap.04 -O Acidente Quando eu falo que fiquei por muito tempo no telhado, eu não estava mentindo, até peguei no sono, só acordei com...