Cap.09 - O Endereço
- Kyoko-chan, porque não disse que ia voltar com vizitas? - a vó da menina foi entrando na sala onde nós estavamos - Boa tarde - ela sorriu e foi para a cozinha.
- Mas que... O que é essa carta?! - Aoki me olhou confuso.
- E eu que sei Aoki - estava mais confuso que ele - porque não pergunta pra sua avó Kyoko?
- Perguntar o que pra mim? - a mulher surgiu do nada e nos assustou, parou em frente a mesa e sorriu, Kyoko nem falou nada, só ergueu a mão mostrando a carta - o que é isso filha?
- Olhe... - Kyoko deu a carta para a mulher, quando ela começou a ler ficou branca de surpresa - O que houve? - Kyoko falou irônicamente.
- C-C-Como vocês acharam isso?! ONDE?! - a mulher se exaltou.
- Porque? - Kyoko perguntou a confrontando.
- Onde vo...
- Não adianta tentar me enganar ou coisa do tipo vovó, nós já lemos a carta inteira, acho que já tá na hora que você contar a verdade, não acha?! - Kyoko cruzou os braços.
- E quem são eles? - a mulher nos fitou.
- Meus amigos, que por acaso estão tão ligados nisso tudo quanto eu e se duvidar, tanto quanto você! Agora trate de falar - Kyoko ficou firme.
- Certo... - a mulher suspirou - podem ir pra sala de estar, irei preparar algo para nós comermos e enfim, irei contar tudo que vocês querem saber - ela deixou a carta em cima da mesa e logo Kyoko tratou de guardar a carta em um de seus bolsos.
Fomos indo para a sala de estar, e depois de algum tempo a ulher chegou com várias coisas para nós comermos.
- Bom, por onde começo..
- Pelo começo, obvio! - Kyoko a interrompeu novamente.
- O começo é o que vocês leram e sabem atrás de Kyoko, mas irei contar as coisas que não sabem, o nome da mulher é Wakayama Emiko, uma parente sua de décadas atrás, muito tempo mesmo Kyoko... - a mulher respirou fundo - Kyoko seu pai morreu, como você sabe, ele morreu salvando a mãe dele - a mulher apontou para mim.
- Minha mãe?! - fiquei surpreso.
- Isso, porque a mãe de Kyoko morreu antes, bem antes disso tudo acontecer, e o pai dela conheceu sua mãe garoto, e eles começaram a se gostar, mas na época surgiu um boato de que uma música matava as pessoas, e quando sua mãe estava indo para o trabalho... - ela parou por alguns segundos - se estiverem duvidando procurem pela tragédia da praça, em qualquer fonte de informação por aí vocês vão conseguir tudo sobre isso, um homem, que ninguém sabe quem era, colocou num som, que na época era bem caro, a música, somente algumas pessoas viram o homem, tinha longos cabelos loiros e andava com um sobre tudo preto com detalhes em prata, parecia ser bem rico.
- E depois disso? - Aoki perguntou.
- Foram mais de 1200 vitimas, era uma praça central,e haviam muitas pessoas lá, era o horário que todos estavam indo para o trabalho, e a estação de trem ficava ao lado da praça...
- A lenda da praça?! - Aoki parecia conhecer aquela história.
- Isso, alguns conhecem por esse nome - a mulher afirmou.
- Uma tia minha estava ne estação e morreu, minha mãe tinha dito que tinha sido uma tragédia horrível! - Aoki parecia aflito.
- E foi! Mas voltando, sua mãe estava passando por essa praça e ouviu a música, soava muito bem até, lembro da descrição dela, acalmava a alma, e quando isso aconteceu ela já havia conhecido seu pai Kyoko.. - a mulher parou para respirar - Sua mãe dizia que via "luzes" nas pessoas, e como você deve adivinhar seu pai via o que você vê Kyoko, e quando sua mãe garoto viu a luz em seu corpo, ao se olhar no espelho, se apavorou, mas ninguém sabia porque, então seu pai Kyoko resolveu descobrir o que era aquilo, até que começou a desinterrar toda a história sobre tudo isso aí.
- Onde ele fez isso?! - Kyoko perguntou.
- Na casa onde Emiko morava - quando a mulher disse aquilo todos se assustaram - sim, a casa ainda está intacta, e pessoas moram lá, duas mulheres.
- Onde fica a casa? - eu nem esperei ela falar mais alguma coisa e fui logo direto ao assunto.
- Calma, eu vou chegar lá - ela riu - nem eu mesma sei sobre essa música, se isso é verdade mesmo, nem eu mesma sei... - ela fitou o nada - se querem saber de toda a verdade mesmo, é melhor irem até essa casa, e vascular aquela casa inteira, porque não sei muito mais do que aquela carta lhes "contou" - ela voltou os olhos para mim - garoto, o que a menina lhe disse?
- Quê?! - eu fiquei confuso.
- Sua amiga, morta no hospital, o que ela lhe disse antes de morrer?! - como ela sabia disso?!
- Como você sabe...
- Eu ouvi uma enfermeira falando sobre algo parecido e também eu já estava aqui quando você estava contando tudo para Kyoko, diga - essa mulher sabia de algo que não estava acontando.
- Disse que eu não deveria olhar para o meu reflexo e sim para minha alma, algo assim... para ver o que "nós vemos".
- "Nós"... Estranho, quem é "nós" - ela sussurrou.
- Também gostaria de saber... - sussurrei.
- Bom enfim, vou pegar o endereço da casa - ela mudou completamente e saiu da sala de estar.
Após alguns instantes ela voltou trazendo um papel com o endereço da casa.
- Espero que façam um bom proveito desse endereço e por favor... - ela nos olhou tão profundamente que foi quase igual quando Lucy me olhou com aqueles olhos negros - tomem muito cuidado com o que ouvem, se for preciso tapem os ouvidos o tempo todo! - logo voltou a sorrir novamente.
- O-Obrigado - sorri.
- Vou voltar aos meu afazeres na cozinha, qualquer coisa só me chamar - ela foi embora.
- O que devemos fazer? - Kyoko me fitou.
- Claro que vamos até lá! - Eu nem parei pra pensar.
- Mas é do outro lado do JAPÃO! Como vamos chegar lá?! - Aoki me olhou confuso.
- Avião! - Kyoko sorriu - minha familia tem bastante dinheiro, e minha mãe era amiga de uma dona de uma compania aérea bem conhecida, ela estava devendo um favor á minha avó, acho que posso pedir as três passagens - Kyoko pegou o celular e foi para o canto da sala fazer a ligação para a dona da empresa.
- O que acha que vamos encontrar lá Souske-kun? - Aoki me fitou.
- Olha... espero que respostas - fitei o nada.
Depois de horas tentando falar com a mulher, Kyoko veio nos avisar que havia conseguido as passagens para amanhã de manhã já. Resolvemos nos encontrar no aéroporto bem cedo e fui para minha casa, logo Aoki foi para a dele, procurei arrumar uma bolsa com tudo que eu iria precisar o mais rapido possível e fui dormir, além do mais, eu estava bastante cansado.
Logo amanheceu, peguei minha bolsa e fiquei esperando Aoki passar para me buscar em casa e irmos para o aéroporto, ele se atrasou, mas chegou. Ao chegarmos no saguão, Kyoko estava lá com sua mala.
- Porque essa demora?!! - ela parecia brava.
- A culpa foi dele - apontei para Aoki.
- Nem vem, tentei acorda o mais cedo que consegui - ele ficou bravo.
- Não importa! Vamos! - pegamos as passagens e embarcamos.