Cap.22 - Uguns, o rígido
Após bastante tempo de caminhada, chegamos no limite do
continente de Bewölkung, para adentrarmos em Okeäna Virsanas, a paisagem já
mudara drasticamente, os campos floridos e cheirosos deram lugar para uma terra
quente, sem muita vida, e com aspectos obscuros, ao longo podia-se ver um
grande monte, e envolta do mesmo, vários outros montes que expeliam lava a todo
segundo.
- Aonde Uguns está Liyus? - Freya o fitou bem séria.
- Não irei dizer! - Liyus a enfrentou.
- Responda-me! - Freya elevou o tom de voz.
- De que adiantaria eu responder?! - Liyus bufou.
- Acredite, você não tem muitas opções pequena criatura, se
eu resolver lhe soltar aqui, e acabar descobrindo onde Ugus está, o derrotando
ou não, acha mesmo que ele não irá atrás de você?! - o que Freya apontou era
verdade, a criatura sabia disto, mas não queria admitir - Então diga-me logo,
para que não tenha tanto trabalho.
- Mas quem me garante que se lhe levar até ele, você não me
matará?! - Liyus a fitou, percebi que Freya ficou confusa naquele momento, sem
saber o que responder - Responda-me!
- Você terá de confiar em mim! - Freya sorriu.
- Está louca! - Liyus bufou novamente.
- Então irei lhe matar agora mesmo - Freya ergueu um dos dos
punhos para o céu.
- ESPERE!!! - Liyus se desesperou - Direi onde ele está,
confiarei em você, mas não me mate... ou pelo menos agora...
- Trato feito - Freya sorriu - Onde ele está?
- As montanhas de Okeäna são feitas para causar uma certa
ilusão aos que veem, a maior está tão longe quanto o ponto mais ao sul de
Müzïgä e não tão perto quanto parece - Liyus começou a explicar - E é lá que
Uguns está, ele vive dentro desta montanha.
- DENTRO?! - Freya se surpreendeu - Como pode?
- É o que acabei de lhe explicar agora, esta montanha não
aparenta ter o seu verdadeiro tamanho, ela aparenta estar perto, por ser a
maior dentre todas as outras, e sem um "guia", você acabaria presa
dentro de um rio de lava aqui - Liyus suspirou - Lhe guiarei até lá.
- Ótimo! - Freya sorriu - Então vamos andando.
- Espere! - Liyus gritou - Não é tão fácil quanto parece, há
caminhos que não falsos aqui, pedaços de terra que são deslocados facilmente
por causa do curso do rio de lava, então só podemos pegar um caminho... - Liyus
não pareceu muito feliz com aquilo.
- E por onde começamos? - Mikhail entrou na conversa dos
dois.
- Voando - Liyus falou baixinho.
- VOANDO?! - Eu e Mikhail falamos ao mesmo tempo - Como
vamos voar?!
- É isso que também quero saber - Liyus fitou Freya.
- Não me faça de idiota! - Freya se enfureceu, aproximou-se
de Liyus e apertou seu pescoço com muita força - Não nasci ONTEM! Então diga-me
como chego até Uguns?!
- Já.. disse! - Liyus falou com muita dificuldade.
- Não seja idiota!! - Freya estava ficando furiosa - Estou
cansada de seus joguinhos, se não me disser de uma vez por todas, arranco sua
cabeça fora!
- JÁ DISSE! - Liyus gritou.
- Então quer o modo mais fácil não é?! - Freya, com a outra
mão, apontou o dedo indicador em direção da testa de Liyus - DIGA!
- Freya chega! - falei baixinho, mas Freya nem se quer me
ouviu.
- Podemos ir voando, mas podemos ir por terra também, o
caminho é mais perigoso!!! - Liyus gritou apavorado, Freya soltou o seu pescoço
rapidamente e sorriu - Está querendo morrer?! Então vá pelo outro caminho!
- Já venci a morte uma vez, posso vencer duas! - Freya
ergueu a mão para o alto e seu cajado se materializou em sua mão - Vou acabar
logo com isso tudo, estou cansada já!
- O que vai fazer?! - Liyus se desesperou.
- Uguns virá quando ver o que eu irei fazer com seu precioso
lar - Freya girou o cajado uma vez só no ar - Nojaukšanas Zemes (1) - quando
Freya terminou de completar o giro, ela levou o cajado com muita força na
direção do chão, quando a ponta inferior tocou o chão se propagou uma onda de
vácuo sobre toda extensão do continente, mas nada aconteceu durante alguns
segundos.
- O que você fez??? - Liyus estava tentando se soltar das
correntes de energia que o prendiam - O QUE VOCÊ FEZ?!
- Espere e verá - Freya não tirava os olhos da gigantesca
montanha.
De repente a montanha, que já expelia muita lava, explodiu,
o chão começou a tremer em uma escala muito mais intensa do que o normal de um
pequeno terremoto, ouvimos um rugido ao longe muito alto, o rugido transmitia
uma ira muito grande.
- Agora não precisamos atravessar nada, ele virá até aqui -
Mikhail brincou, mas continuou séria.
- Você está louca?! Se deixar ele enfurecido, ele irá nos
matar em questão de segundos!!! - Liyus se desesperou mais ainda.
- Ouçam-me - Freya aproximou-se de mim e Mikhail - Não
achem-se inúteis para mim, são mais que uteis, não consigo enfrentar um Sarkan
desse tamanho sem sair quase morta da batalha, então para que isso não
aconteça, preciso de vocês.
- Ele levantou voo - pude ouvir as ondas de ar que se
formavam a partir das asas do Sarkan batendo, vinham na direção da montanha -
Iremos ajudar em tudo que for preciso!
- Mikhail qual seu ponto mais forte, defesa ou ataque? -
Freya a fitou.
- Sou boa nos dois, mas acredito que minha defesa é melhor -
Mikhail respondeu.
- Então irei lhe dar suporte, mas ouça bem, em hipótese
alguma use barreiras feitas de fogo, lembre-se que Uguns controla o fogo, ele
irá controlar a sua barreira, do mesmo jeito você faz quando eu pedir que
ataque, entendeu? - Freya indagou após a explicação.
- Sim, mas qual a melhor barreira? - Mikhail indagou.
- Ele está se aproximando mais ainda - as ondas de ar
estavam se tornando mais intesas.
- Use ou de água ou de energia mesmo, a mais forte é a de
energia, água cria vapor, vapor é quente, Uguns poderá controlar as partículas
da água agitadas, não esqueça-se disto, só use a de água em casos extremos! -
Freya me fitou em seguida - Prometi que lhe levaria de volta em segurança...
- Só porque sou humano não quer dizer que eu não saiba me
defender, com todo o respeito, claro - a interrompi.
- Verdade... - Freya sorriu - Suas flechas são precisas, as
mais precisas que já vi, então irei precisar delas neste momento, os meus
ataques poderosos e precisos são os que mais consomem minha energia, então não
posso os usar, pois podemos ser atacados de surpresa por Miesha ou qualquer
outra pessoa, então irei deixa-lo o mais fraco possível - Freya fitou Liyus -
Diga-me, qual seu ponto fraco?
- Está querendo de mais! - Liyus virou o rosto para o lado
contrário de onde Freya o olhava.
- DIGA-ME! - Freya gritou.
- Seu coração não está no lado esquerdo como o de todos os
seres vivos, está no lado direito de seu peito, ele nunca tira seu braço da
frente do seu peitoral direito, mesmo poucas pessoas sabendo de seu ponto
fraco, mas não o mate! - Liyus, mesmo sabendo que Uguns poderia o matar, não
queria ver sua morte.
- Não irei o matar, se eu desejo o equilíbrio em Tenaryon,
matando um dos três guardiões da terra sagrada, só irei tornar meu desejo mais
impossível ainda, apenas preciso do tesouro - Freya explicou.
- Ele está aqui! - Fitei o céu escuro mas não o achei voando
- Aonde ele está?! - por alguns segundos de distração, percebi que as ondas de
ar haviam parado - Ele não está voando.
- Aonde... - Mikhail olhou para todos os lados.
- FIQUEM MAIS PERTO DE MIM! - Freya gritou, uma luz saiu da
ponta de seu cajado e formou-se um circulo brilhante ao nosso redor.
Uguns saiu de dentro do chão, a lava jorrou para todos os
lados, ele era gigantesco, como todos os Sarkans, mas não havia uma vez só em
que eu não me surpreendesse com o tamanho desta espécie, o corpo de Uguns era
muito conhecido por sua espessa pele, por cima de suas escamas originais e
brilhantes, muito usadas para fabricar armas e armaduras, pois são as escamas
mais resistentes de toda Tenaryon, existia uma grossa camada de Qöni'on, um
material produzido a partir da fusão de dois materiais, um produzido pelas
chamadas sólidifcadas de Uguns, e Qöni, uma pedra raríssima só encontrada perto
do centro do núcleo de Tenaryon, que por acaso o único ser que consegue
mover-se livremente lá, é Uguns.
Então, Uguns fundiu os dois materiais mais resistentes de
Tenaryon, para formar uma espécie de armadura em seu corpo, tinha o formato do
seu corpo, de todas as escamas em seu corpo, mas era negro como o céu de
Okeäna, seus olhos brancos mais pareciam chamas brancas que ardiam no fogo mais
quente de todo o universo .
- Como ousa entrar em meu território desta maneira e querer
destruí-lo! - a voz de Uguns ecoou no ar, era firme, e bastante grossa.
- Não se faça de bobo Uguns, seu amigo - Freya apontou para
Liyus - já havia lhe contado que nós iríamos vim, então, não esteja surpreso!
- Você deveria estar morta! - Uguns rugiu tão alto que o
chão tremeu.
- Mas não estou! - Freya o enfrentou, o que eu mais admirava
nela, era sua coragem de enfrentar um ser tão grande e com tamanho poder.
- O que queres, protegida de Lïdzsvaroht - Uguns não tirava
os olhos de Freya.
- Não sou protegida de ninguém! - Freya pareceu não gostar
de tal provocação.
- Como não?! Não percebe que Lïdzsvaroht está traçando o
melhor destino para você neste período, neste mundo?! - Uguns pareceu deboxar
de Freya.
- Lïdzsvaroht é justo com todos, com todos que querem paz,
que presam o equilíbrio em nosso mundo! - Freya estava se irritando cada vez
mais.
- Presam a paz?! - Uguns gargalhou - Criança, não seja
imatura.
- Não me chame de criança, minha existência é tão velha
quanto a sua, mas apesar disto, tenho mais sabedoria do que sua mente, que foi
torrada após ir ao núcleo do planeta - Freya respondeu à altura de Uguns.
- Não me faça rir - Uguns me fitou - Não acredito que trouxe
um humano para me derrotar - Uguns gargalhou.
- O subestime, e quando ele tiver seu coração em suas mãos,
verá como o destino é cruel Guardião - Freya me defendeu, mas acredito que eu
poderia fazer isto sozinho.
- O que queres conjuradora? - Uguns foi direto ao assunto.
- Quero seu tesouro - Freya respondeu.
- Acha mesmo que irei lhe entregar assim tão facilmente? -
Uguns indagou.
- Não, foi por isso que vim com dois dos mais poderosos em
suas profissões - Freya sorriu.
---- Notas ----
(1) Demolidor de Terras - magia conjurada em Bezgalïgs.
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