sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

The Path To Eternity [C.22]


                        Cap.22 - Uguns, o rígido
Após bastante tempo de caminhada, chegamos no limite do continente de Bewölkung, para adentrarmos em Okeäna Virsanas, a paisagem já mudara drasticamente, os campos floridos e cheirosos deram lugar para uma terra quente, sem muita vida, e com aspectos obscuros, ao longo podia-se ver um grande monte, e envolta do mesmo, vários outros montes que expeliam lava a todo segundo.
- Aonde Uguns está Liyus? - Freya o fitou bem séria.
- Não irei dizer! - Liyus a enfrentou.
- Responda-me! - Freya elevou o tom de voz.
- De que adiantaria eu responder?! - Liyus bufou.
- Acredite, você não tem muitas opções pequena criatura, se eu resolver lhe soltar aqui, e acabar descobrindo onde Ugus está, o derrotando ou não, acha mesmo que ele não irá atrás de você?! - o que Freya apontou era verdade, a criatura sabia disto, mas não queria admitir - Então diga-me logo, para que não tenha tanto trabalho.
- Mas quem me garante que se lhe levar até ele, você não me matará?! - Liyus a fitou, percebi que Freya ficou confusa naquele momento, sem saber o que responder - Responda-me!
- Você terá de confiar em mim! - Freya sorriu.
- Está louca! - Liyus bufou novamente.
- Então irei lhe matar agora mesmo - Freya ergueu um dos dos punhos para o céu.
- ESPERE!!! - Liyus se desesperou - Direi onde ele está, confiarei em você, mas não me mate... ou pelo menos agora...
- Trato feito - Freya sorriu - Onde ele está?
- As montanhas de Okeäna são feitas para causar uma certa ilusão aos que veem, a maior está tão longe quanto o ponto mais ao sul de Müzïgä e não tão perto quanto parece - Liyus começou a explicar - E é lá que Uguns está, ele vive dentro desta montanha.
- DENTRO?! - Freya se surpreendeu - Como pode?
- É o que acabei de lhe explicar agora, esta montanha não aparenta ter o seu verdadeiro tamanho, ela aparenta estar perto, por ser a maior dentre todas as outras, e sem um "guia", você acabaria presa dentro de um rio de lava aqui - Liyus suspirou - Lhe guiarei até lá.
- Ótimo! - Freya sorriu - Então vamos andando.
- Espere! - Liyus gritou - Não é tão fácil quanto parece, há caminhos que não falsos aqui, pedaços de terra que são deslocados facilmente por causa do curso do rio de lava, então só podemos pegar um caminho... - Liyus não pareceu muito feliz com aquilo.
- E por onde começamos? - Mikhail entrou na conversa dos dois.
- Voando - Liyus falou baixinho.
- VOANDO?! - Eu e Mikhail falamos ao mesmo tempo - Como vamos voar?!
- É isso que também quero saber - Liyus fitou Freya.
- Não me faça de idiota! - Freya se enfureceu, aproximou-se de Liyus e apertou seu pescoço com muita força - Não nasci ONTEM! Então diga-me como chego até Uguns?!
- Já.. disse! - Liyus falou com muita dificuldade.
- Não seja idiota!! - Freya estava ficando furiosa - Estou cansada de seus joguinhos, se não me disser de uma vez por todas, arranco sua cabeça fora!
- JÁ DISSE! - Liyus gritou.
- Então quer o modo mais fácil não é?! - Freya, com a outra mão, apontou o dedo indicador em direção da testa de Liyus - DIGA!
- Freya chega! - falei baixinho, mas Freya nem se quer me ouviu.
- Podemos ir voando, mas podemos ir por terra também, o caminho é mais perigoso!!! - Liyus gritou apavorado, Freya soltou o seu pescoço rapidamente e sorriu - Está querendo morrer?! Então vá pelo outro caminho!
- Já venci a morte uma vez, posso vencer duas! - Freya ergueu a mão para o alto e seu cajado se materializou em sua mão - Vou acabar logo com isso tudo, estou cansada já!
- O que vai fazer?! - Liyus se desesperou.
- Uguns virá quando ver o que eu irei fazer com seu precioso lar - Freya girou o cajado uma vez só no ar - Nojaukšanas Zemes (1) - quando Freya terminou de completar o giro, ela levou o cajado com muita força na direção do chão, quando a ponta inferior tocou o chão se propagou uma onda de vácuo sobre toda extensão do continente, mas nada aconteceu durante alguns segundos.
- O que você fez??? - Liyus estava tentando se soltar das correntes de energia que o prendiam - O QUE VOCÊ FEZ?!
- Espere e verá - Freya não tirava os olhos da gigantesca montanha.
De repente a montanha, que já expelia muita lava, explodiu, o chão começou a tremer em uma escala muito mais intensa do que o normal de um pequeno terremoto, ouvimos um rugido ao longe muito alto, o rugido transmitia uma ira muito grande.
- Agora não precisamos atravessar nada, ele virá até aqui - Mikhail brincou, mas continuou séria.
- Você está louca?! Se deixar ele enfurecido, ele irá nos matar em questão de segundos!!! - Liyus se desesperou mais ainda.
- Ouçam-me - Freya aproximou-se de mim e Mikhail - Não achem-se inúteis para mim, são mais que uteis, não consigo enfrentar um Sarkan desse tamanho sem sair quase morta da batalha, então para que isso não aconteça, preciso de vocês.
- Ele levantou voo - pude ouvir as ondas de ar que se formavam a partir das asas do Sarkan batendo, vinham na direção da montanha - Iremos ajudar em tudo que for preciso!
- Mikhail qual seu ponto mais forte, defesa ou ataque? - Freya a fitou.
- Sou boa nos dois, mas acredito que minha defesa é melhor - Mikhail respondeu.
- Então irei lhe dar suporte, mas ouça bem, em hipótese alguma use barreiras feitas de fogo, lembre-se que Uguns controla o fogo, ele irá controlar a sua barreira, do mesmo jeito você faz quando eu pedir que ataque, entendeu? - Freya indagou após a explicação.
- Sim, mas qual a melhor barreira? - Mikhail indagou.
- Ele está se aproximando mais ainda - as ondas de ar estavam se tornando mais intesas.
- Use ou de água ou de energia mesmo, a mais forte é a de energia, água cria vapor, vapor é quente, Uguns poderá controlar as partículas da água agitadas, não esqueça-se disto, só use a de água em casos extremos! - Freya me fitou em seguida - Prometi que lhe levaria de volta em segurança...
- Só porque sou humano não quer dizer que eu não saiba me defender, com todo o respeito, claro - a interrompi.
- Verdade... - Freya sorriu - Suas flechas são precisas, as mais precisas que já vi, então irei precisar delas neste momento, os meus ataques poderosos e precisos são os que mais consomem minha energia, então não posso os usar, pois podemos ser atacados de surpresa por Miesha ou qualquer outra pessoa, então irei deixa-lo o mais fraco possível - Freya fitou Liyus - Diga-me, qual seu ponto fraco?
- Está querendo de mais! - Liyus virou o rosto para o lado contrário de onde Freya o olhava.
- DIGA-ME! - Freya gritou.
- Seu coração não está no lado esquerdo como o de todos os seres vivos, está no lado direito de seu peito, ele nunca tira seu braço da frente do seu peitoral direito, mesmo poucas pessoas sabendo de seu ponto fraco, mas não o mate! - Liyus, mesmo sabendo que Uguns poderia o matar, não queria ver sua morte.
- Não irei o matar, se eu desejo o equilíbrio em Tenaryon, matando um dos três guardiões da terra sagrada, só irei tornar meu desejo mais impossível ainda, apenas preciso do tesouro - Freya explicou.
- Ele está aqui! - Fitei o céu escuro mas não o achei voando - Aonde ele está?! - por alguns segundos de distração, percebi que as ondas de ar haviam parado - Ele não está voando.
- Aonde... - Mikhail olhou para todos os lados.
- FIQUEM MAIS PERTO DE MIM! - Freya gritou, uma luz saiu da ponta de seu cajado e formou-se um circulo brilhante ao nosso redor.
Uguns saiu de dentro do chão, a lava jorrou para todos os lados, ele era gigantesco, como todos os Sarkans, mas não havia uma vez só em que eu não me surpreendesse com o tamanho desta espécie, o corpo de Uguns era muito conhecido por sua espessa pele, por cima de suas escamas originais e brilhantes, muito usadas para fabricar armas e armaduras, pois são as escamas mais resistentes de toda Tenaryon, existia uma grossa camada de Qöni'on, um material produzido a partir da fusão de dois materiais, um produzido pelas chamadas sólidifcadas de Uguns, e Qöni, uma pedra raríssima só encontrada perto do centro do núcleo de Tenaryon, que por acaso o único ser que consegue mover-se livremente lá, é Uguns.
Então, Uguns fundiu os dois materiais mais resistentes de Tenaryon, para formar uma espécie de armadura em seu corpo, tinha o formato do seu corpo, de todas as escamas em seu corpo, mas era negro como o céu de Okeäna, seus olhos brancos mais pareciam chamas brancas que ardiam no fogo mais quente de todo o universo .
- Como ousa entrar em meu território desta maneira e querer destruí-lo! - a voz de Uguns ecoou no ar, era firme, e bastante grossa.
- Não se faça de bobo Uguns, seu amigo - Freya apontou para Liyus - já havia lhe contado que nós iríamos vim, então, não esteja surpreso!
- Você deveria estar morta! - Uguns rugiu tão alto que o chão tremeu.
- Mas não estou! - Freya o enfrentou, o que eu mais admirava nela, era sua coragem de enfrentar um ser tão grande e com tamanho poder.
- O que queres, protegida de Lïdzsvaroht - Uguns não tirava os olhos de Freya.
- Não sou protegida de ninguém! - Freya pareceu não gostar de tal provocação.
- Como não?! Não percebe que Lïdzsvaroht está traçando o melhor destino para você neste período, neste mundo?! - Uguns pareceu deboxar de Freya.
- Lïdzsvaroht é justo com todos, com todos que querem paz, que presam o equilíbrio em nosso mundo! - Freya estava se irritando cada vez mais.
- Presam a paz?! - Uguns gargalhou - Criança, não seja imatura.
- Não me chame de criança, minha existência é tão velha quanto a sua, mas apesar disto, tenho mais sabedoria do que sua mente, que foi torrada após ir ao núcleo do planeta - Freya respondeu à altura de Uguns.
- Não me faça rir - Uguns me fitou - Não acredito que trouxe um humano para me derrotar - Uguns gargalhou.
- O subestime, e quando ele tiver seu coração em suas mãos, verá como o destino é cruel Guardião - Freya me defendeu, mas acredito que eu poderia fazer isto sozinho.
- O que queres conjuradora? - Uguns foi direto ao assunto.
- Quero seu tesouro - Freya respondeu.
- Acha mesmo que irei lhe entregar assim tão facilmente? - Uguns indagou.
- Não, foi por isso que vim com dois dos mais poderosos em suas profissões - Freya sorriu.

---- Notas ----
(1) Demolidor de Terras - magia conjurada em Bezgalïgs.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

The Path To Eternity [C.21]


                               Cap.21 - O Espião
Após passarmos pelo Sarkan que Freya derrotou, seguimos nossa viagem tranquilamente, estávamos até mais animados, pois a costa Yelïejâ Kazenëm estava bem perto, eu estava torcendo que ao chegarmos lá, já nos encontrássemos com todos os outros.
Algumas horas se passaram e pude ver a praia de Yelïejâ Kazenëm, olhando mais atentamente ao fundo do continente pude perceber que eram poucas as árvores de grande porte por lá, mas percebi uma vasta diversidade de cores no solo, aquilo me deixou muito intrigado, pois nunca havia vindo aqui.
- É uma contradição este lugar - Freya estava fitando a praia ao meu lado ainda na embarcação - É nas costas de um lugar completamente "morto", como pode ser tão belo e perfeito assim.
- O que são essas cores?
- Flores Volker, de todos os tipos - Freya sorriu - Liesi disse-me que Uldar já iria estar nos aguardando na praia de Yelïejâ Kazenëm.
- Assim espero - suspirei.
Logo desembarcamos da embarcação e fomos na direção da praia em pequenos botes de madeira, quando chegamos em terra firme não vi nenhum ser vivo ali por perto, e logo pensei que Uldar ainda não deveria ter chegado ali, apesar de ser em seu reino e do lado de sua capital, Përkons.
- Ele não está aqui - olhei para todos os lados a fim de acha-los.
- Ele virá, não tenha pressa, nem Mikhail chegou, então devem estar chegando - Freya caminhou mais para dentro do continente, na direção do infinito mar de flores multicoloridas.
Esperamos pouco tempo, até que pude sentir o chão tremer levemente, deduzi que eram cavalos, e se aproximavam de nós com uma velocidade incrível, segurei meu arco com muita força e tirei duas flechas da aljava em minhas costas.
- O que houve? - Freya fitou-me preocupada.
- Não está sentindo?! - sussurrei, respirei fundo e puxei a linha do arco com as duas flechas - Está se aproximando muito rápido.
- Pode ser Mikhail!
- Não importa quem seja, não irei abaixar minha guarda - fechei os olhos e pude ouvir mais nitidamente os passos dos cavalos, esperei o momento certo e soltei as duas flechas na direção que vinha o som.
Esperei alguns segundos para ver se algo acontecia e um clarão surgiu a uns 200 metros de onde nós estávamos.
- É uma magia Volker, é Mikhail, eu lhe disse! - Freya me olhou com raiva - Ouça quando eu digo algo para você!
- Acha mesmo que se for Mikhail, uma ou duas flechas irão simplesmente mata-la?! - prendi o arco ao lado da aljava em minhas costas.
Esperamos alguns segundos e pude ver dois cavalos se aproximando rapidamente de nós, percebi que um dos supostos cavalos eram Syn, fiquei mais aliviado.
- Por quê lançou as flechas? - Mikhail nem esperou parar de cavalgar para começar o interrogatório - Está louco?! - nunca a tinha visto tão furiosa.
- Só achei que não eram vocês! - tentei arranjar algum argumento, mas este não tinha sido um dos bons.
- E quem poderia ser?! Fazendo tanto barulho assim! - Mikhail desceu do cavalo celestial - Se não tivesse sido tão atenta, você realmente teria me acertado.
- Desculpe! - suspirei.
- Acredito que não falta mais ninguém, não é? - Mikhail olhou para os lados tentando encontrar Yirmminsull - Quem é você? - Mikhail fitou Freya.
- Sou Freya Mühl - Freya sorriu delicadamente - A ultima de minha raça - fitei Mikhail e vi seus olhos tão arregalados que quase saltavam de seu crânio.
- Não... - Mikhail estava tão surpresa quanto Anna.
- Não vai desmaiar não é?! - Freya sorriu.
- Você é real mesmo? - Mikhail ergueu uma das mãos para tocar a pele de Freya - Não pode ser, Miesha..
- Destruiu a árvore - Freya completou o que Mikhail ia dizer - Isso é verdade, mas milagres acontecem, não acha?!
- Você não é um milagre - nunca tinha visto Mikhail tão expressiva quanto neste dia - Você é mais que isso, mais que qualquer coisa..
- Não vamos exagerar não é?! - Freya gargalhou - Mas quem está faltando?
- Yirmminsull - Syn respondeu, ainda em sua forma original.
- E onde ele está?! - Freya preocupou-se - Não podemos perder tempo de mais, sabe-se lá o que Miesha está fazendo neste momento, não podemos gastar tempo.
- Para chegar aqui, Yirmmunsull terá de percorrer o maior caminho dentre todos nós, Nord-Eis é muito longe daqui - Syn respondeu novamente - Já suspeitava que ele não chegaria a tempo, e contactei Sigurd, ele disse-me que se nós chegássemos antes de Yirmmunsull, poderíamos ir andando, pois Yirmmunsull sabe o caminho.
- Então ótimo! - as energias de Freya pareciam estar revigoradas, enquanto as minhas ficaram em Dzelzs pilsëta, a viagem tinha sido bem cansativa, e eu não havia descansado um momento se quer, nervoso de mais.
Após alguns minutos de conversa, explicações e decisões estratégicas, finalmente partimos em direção de Okeäna Virsanas, para derrotar Uguns e tomar-lhe o primeiro dos três tesouros da terra sagrada, tínhamos que fazer isto antes de Miesha.
Partimos rumo ao Sul do continente nórdico, o maior dentre todos os continentes em Tenaryon, o caminho foi bem calmo durante um bom tempo, pois ao nosso redor haviam somente flores coloridas e com cheiros magníficos, era uma linda paisagem para se ver antes de morrer, pois eu não estava indo derrotar Uguns pensando em sair vivo de lá, afinal, Uguns é um dos três guardiões, não é qualquer Sarkan.
- Este lugar me trás ótimas recordações - Freya respirou fundo, queria sentir todos os cheiros que todas as flores emanavam - Me parece muito com o lugar onde encontrei Lïdzsvaroht pela primeira vez.
- Você o encontrou mesmo?! - Mikhail ficou intrigada com aquilo, caminhou mais rapidamente para acompanhar Freya ao seu lado.
- Sim - Freya sorriu.
- E como ele era? - os olhos de Mikhail brilharam.
- Ele... - Freya fitou o céu, parecia procurar alguma palavra para descreve-lo de uma maneira mais coerente - era perfeito. 
- Como assim perfeito? - Mikhail indagou.
- Somente os que o veem Mikhail, sabem como ele era, não há palavras para descreve-lo - Freya a fitou.
- Mas nunca irei vê-lo... - Mikhail ficou desanimada.
- Você prevê o futuro como sua mãe?! - Freya brincou.
- Claro que não!
- Então como sabe que nunca irá vê-lo criança?! - Freya gargalhou.
- Ele não existe mais! - Mikhail retrucou.
- Eu também não existia para você há alguns minutos atrás, esqueceu? - Freya como sempre, tinha uma resposta sábia e correta na ponta da língua para qualquer exclamação ou interrogação.
- Verdade... - Mikhail ficou pensativa.
- Não sei se sou digna de tal encontro, mas gostaria muito de um dia, antes que chegue a minha hora de me juntar a minha querida mãe, de encontrá-lo - Syn interrompeu o diálogo de Freya e Mikhail.
- Você irá - Freya a fitou e sorriu - Todos irão, acreditem, mantenham esta fé, quanto mais o desejam, mais forte ele fica, mais chances dele voltar a vida - Freya disse com muita animação.
Era um pouco estranho ser o único homem em um grupo somente de mulheres, gostaria que Yirmminsull estivesse chegado antes de nós partimos de Yelïejâ Kazenëm, iria me sentir mais confortável.
De repente Freya parou de andar, fez uma expressão de preocupação, olhou para todos os lados, percebi que ela procurava algo de incomum no lugar, fechei os olhos e me concentrei para ouvir qualquer barulho anormal, mas não consegui ouvir nada.
- O que houve? - Mikhail nos fitou.
- Tem alguém nos seguindo - Freya sussurrou - Não se movam! Ele é cego, está nos seguindo apenas nos ouvindo, não tente ouvi-lo Volker, não irá conseguir, estou o sentindo, mas não consigo dizer onde está.
Ficamos esperando algo acontecer, mas nada acontecia, eu estava ficando nervoso, preocupado com o que poderia estar nos seguindo, e para Freya te-lo sentindo só agora, não poderia ser qualquer um.
- ABAIXEM-SE!!! - Freya gritou, seu cajado surgiu muito rapidamente em sua mão, ela o ergueu e formou-se um circulo branco ao nosso redor, e algo se chocou contra essa barreira que Freya havia formado - Não se levantem, não se movam! - Freya sussurrou.
Tentei ver atrás do circulo que nos rodeava, mas o fluxo de energia deixava o lado de fora um pouco distorcido e não pude ver nada além de um breu, fitei Mikhail e Syn, elas estavam tão assustadas quanto eu, sem saber o que fazer.
- Terei que pedir que façam uma coisa - Freya sussurrou novamente - No momento em que eu disser para fecharem seus olhos, o façam, entenderam?!
- Sim - todos nós sussurramos, fiquei preocupado pois não sabia o que Freya iria fazer.
- Fechem! - todos nós fechamos os olhos imediatamente - Zwä'gyer div stünk (1) - Percebi que a voz de Freya havia ficado mais firme que antes, ao conjurar tal poder, percebi o que restava de minhas forças sendo sugadas por alguma energia não celeste, uma energia negativa, não resisti e abri um pouco um dos olhos, vi que todo o lugar ao nosso redor estava sendo engolido pela gigantesca massa negra que saia do azul cajado de Freya, me senti cada vez mais fraco, Freya olhou para Syn e Mikhail e as viu de olhos fechados, mas ao me olhar, percebeu que eu estava com um dos olhos entreabertos - FECHE OS OLHOS! - Freya gritou, mas era tarde de mais, eu já estava desmaiando - VOLKEERRR! - Freya gritou, sem perceber seu poder se descontrolou por ela ter desviado sua atenção, e a massa de energia negra aumentou três vezes mais - APAREÇA OU IREI LEVAR TODO ESTE LUGAR PARA STORBANN (2)! - Freya gritou.
- Nunca irá me achar - uma voz ecoou no ar.
- Achei! - Freya sorriu maliciosamente, a massa negra desapareceu - Roka Dieviškä (3) - uma luz violeta cobriu o céu, o barulho que o poder fazia parecia com o barulho de quando estava acontecendo um terremoto, com o chão se partindo ao meio - Tentem acorda-lo Mikhail e Syn - Freya girou o cajado azul no ar e o poder cessou - Você saiu na minha armadilha! - Freya bateu a parte de baixo do cajado no chão, subitamente o ser surgiu na sua frente, era uma ave, porém tinha um porte maior do que uma ave normal, enrolado em seu corpo estava uma espécie de corrente violeta formada da energia de Freya - Quem é você??
- Mate-me, não direi - a ave enfrentou Freya.
- Diga-me quem eis! 
- Não direi! - a ave falou em um tom mais alto.
- Já o acordaram? - Freya me fitou, eu estava pálido, mas ainda desacordado - Disse para não abrirem os olhos, ele abriu...
- E qual o problema?! - Mikhail fitou Freya curiosa.
- Como conjuradora, você deve saber que existem magias negras, magia composta de sua energia negra, pois somos feitos 50% de energia branca e 50% de energia negra, e esta conjuração que conjurei, é uma das mais poderosas que criei antes de tudo acontecer, de longe ela só consome a energia de quem esta a receber a magia, mas quando conjuro ao lado de outra pessoa, as pessoas são atingidas indiretamente pela minha energia negra, e também sofrem com os efeitos da conjuração.
- Mas o que tem haver estar com os olhos fechados?! - Mikhail indagou.
- Os olhos são os pontos mais próximos de nossos cérebros Mikhail, quando você cheira algum odor ou perfume, demora um pouco para chegar estas informações com todas as características no cérebro, mas os olhos não, as imagens são transferidas tão rápidas, que não há se quer tempo de impedir esta transferência, então esta conjuração ataca...
- Os sentidos! - Mikhail havia entendido toda a explicação com muita rapidez.
- Isso! Ataca os sentidos o destrói o ser de dentro para fora - Freya terminou de explicar e fitou novamente a ave acorrentada - Não irá me contar?
- Vou morrer de qualquer maneira, para quê irei lhe contar alguma coisa?! - Freya estava perdendo a paciência.
- Se me contar tiro minha energia negra de dentro do seu corpo, e você viverá, então conte-me - Freya sorriu.
- Irei morrer não por suas mãos, mas a quem sirvo! - a ave bufou.
- Conte-me e o protegerei de seu mestre - Freya estava jogando com as palavras para cima da ave.
- Não pode contra meu mestre! 
- Se acreditar, se é isto que desejas, então poderei - Freya aproximou-se da ave.
- Me... - a ave estava tímida - chamou Liyus.
- O subordinado de Uguns! - Freya riu - Eu sabia! O que fazia nos espionando?
- Meu mestre mandou, tenho que cumprir - Liyus suspirou.
- Sabe que estamos indo o confrontar, não sabe?! - Freya o fitou esperando arrancar mais alguma informação.
- Já o avisei muito antes de chegarem perto daqui - a ave fitou Freya com raiva.
- O levarei até ele então - Freya sorriu.
- NÃO! VOCÊ DISSE QUE NÃO ME LEVARIA ATÉ UGUNS! - Liyus se exaltou, estava desesperado - SE ME LEVAR ELE ME MATARÁ!!!
- Ouça-me indefesa criatura - Freya o fitou - Disse apenas que iria o proteger de seu mestre, não que não o levaria até ele - Ela sorriu maliciosamente.

---- Notas -----
(1) Grito da morte - Magia conjurada na língua dos Loti Izturigs, Bezgalïgs, somente grandes conjuradores podem a conjurar, pois exige uma grande quantidade de seu poder e sua energia.
(2) Storbann - Na crença dos antigos Ljósalfar, após a morte, o corpo permanece em Tenaryon, porém a alma dos corrompidos pela escuridão, ou os próprios causadores de tal, descem para outro mundo chamado Storbann, onde suas almas vagaram por toda eternidade, na solidão, sofrendo.
(3) Mão divina - Conjuração na língua dos Loti Izturigs, Bezgalïgs.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

The Path To Eternity [C.20]


                         Cap.20 - A eterna noite
A noite caiu conosco no meio do gigantesco oceano de Tenaryon, o mar estava bem calmo, ondas pequenas, o céu sem muita nuvens, e a lua minguante iluminando o nosso caminho.
- Você já ouviu falar no estreito de Bewölkung e Dalfa Ezyaw? - eu estava sentado no chão da gigantesca embarcação, quando dois marinheiros se começaram a conversar a alguns metros de mim - Há lendas que existe um monstro no mar, naquele estreito, é por isto que todos que querem atravessar de um continente para o outro, ou parte por Okeäna Virsanas, ou por cima de Bewölkung.
- Um monstro?! - o outro marinheiro pareceu assustado - Como você sabe disso?
- Meu pai era marinheiro, e partiu com o falecido Rei em uma viagem a Bewölkung, poucos voltaram de lá, poucos sobreviveram a este monstro, meu pai foi um deles, junto com o Rei - o marinheiro contava com muita sabedoria - Nós estamos indo desembarcar no cais de Yelïejâ Kazenëm!
- Não sei onde fica - o marinheiro mais inexperiente disse.
- Para chegar em Yelïejâ Kazenëm, precisamos passar por um dos limites de onde o monstro vive - ouvi aquilo e levantei-me do chão, me aproximei dos dois, os dois me fitaram esperando algo sair de minha boca.
- Não está falando de Uguns, está?! - fite o marinheiro mais experiente.
- Uguns?! Não senhor, Uguns não entra em água, não gosta de água! - ele contava com muita empolgação - Este monstro é outro, ele é..
- Não há monstro algum - Freya, que ouvira tudo, aproximou-se de nós - Ouça, seu pai foi atacado por um dos Sarkans marinhos, não é monstro, os Sarkans marinhos são altamente passivos, como Üdenstornis, mas ouça, a maioria são, existem exceções, já ouvi falar deste tal "monstro" que ataca viajantes por água.
- E o que a senhora sabe? - o marinho inexperiente falou com Freya sem ao menos saber quem ela era.
- O que eu sei - Freya riu baixinho - Acredite - Freya fitou o marinho experiente - Este Sarkan, que vive neste lugar em que você citou, não atacaria uma embarcação sem receber um ataque ou ser intimidado antes - Freya o olhou no fundo dos olhos.
- Como pode afirmar isso?! - o marinheiro se exaltou.
- Veja como fala! - falei firme.
- Por quê devo respeito a ela?! Não é nem rainha, ou coisa do tipo - o homem estava irritado.
- Deixe Volker - Freya me fitou - Quando nos aproximarmos do tal "monstro", provarei quem sou para todos - Freya sorriu suavemente e foi embora.
- Quem é ela senhor? - o marinho mais inexperiente fitou-me.
- Você verá... - suspirei.
Os dias foram passando lentamente, fora a viagem mais longa que já tinha feito, duas semanas inteiras trancado dentro de uma embarcação, somente com água por todos os lados, para falar a verdade eu nunca gostei muito de navegar, gosto de manter meus pés no chão, me sinto mais seguro.
Em um certo dia, passamos ao lado de uma terra estranha, seu solo era negro, as árvores mortas, e por todo o tempo que permanecemos navegando perto de sua costa, não vimos o sol nascer, era um fenômeno mais que estranho, pois ao sul de onde estávamos, existia uma vasta ilha chamada Sarkan-Stadt, onde Suhrt reinou por muitos e muitos anos, é mais conhecida por ser uma terra povoada de Sarkans, e lá o sol pode ser visto normalmente, de manhã e ao entardecer, o pôr do sol, mas somente na província por onde passamos não era assim, e logo deduzi, Müzïgä Nakti, o lugar onde Kenrs vive.
Suspeitei que estávamos não muito longe de chegar ao nosso destino final, mas ainda tínhamos por volta de cinco dias de viagem, e o mais interessante é que quanto mais nos aproximamos, mais devagar o tempo passava, chegava a ser torturante, ficar naquela embarcação.
- Vejo que está um pouco impaciente Volker - Freya sentou-se ao meu lado perto da proa da embarcação.
- Não vejo a hora de chegarmos em terra firme... - estava impaciente mesmo.
- Também nunca gostei muito de embarcações - Freya fitou o céu escuro da eterna noite que estávamos - Sabe... - a fitei, o vento fazia seus longos cabelos brancos voarem, a luz das estrelas brilhavam em seus olhos azuis, sua pele branca se contrastava com suas maçãs do rosto rosadas, sua beleza prendia minha atenção, podia ficar ali olhando... por muito e muito tempo, pensei que nunca iria ver um ser mais belo que Kvasyr, mas encontrei - Um dia lhe mostrei o que realmente é bom - ela sorriu delicadamente, passou a mão no rosto para tirar alguns fios de cabelo da frente dos olhos - Uma vez, fui a Sarkan-Stadt...
- Quando aprisionou Suhrt?! - a interrompi, ela me fitou surpresa ao saber que eu sabia de sua história - Acredite, sei mais sobre sua história do que imagina, sempre me fascinei por tudo que envolvia você, seus feitos, sua justiça.... Sua.... Beleza... - aquilo saiu de minha boca sem eu mandar, ficamos nos olhando fixamente por alguns segundos e quando percebi como aquilo era constrangedor, corei muito e fitei o céu - Desculpe-me.
- Desculpar?! - ela ainda me olhava - Você me elogiou, o que isto tem de errado?
- Nós homens não devemos ser mal educados desta forma com moças - estava nervoso, Freya gargalhou - Do que está rindo?! - a fitei sem entender.
- Vai se transformar em cavalheiro agora? - ela ria.
- Desculpe-me se não a respeito - me senti um pouco mal com o que ela disse.
- Não é isso! - Freya me fitou - Não sou uma dama Volker.
- Não! - a olhei fixamente nos olhos, ela ficou séria - Você é mais que isto, sabe quantos homens desejam neste minuto estar ao lado de uma mulher como você?!
- Não diga isso! - ela ficou envergonhada e virou o rosto.
- Falo sério! - peguei em sua mão sem pensar novamente, sua mão estava quente, sua pele era mais macia que um pêssego, ela olhou-me rapidamente ao sentir minha mão na sua - Desculpe-me - respirei fundo e fitei o céu novamente.
- Não seja bobo - ela riu baixinho, se arrastou-se um pouquinho no chão para se aproximar de mim e encostou bem devagar a cabeça em meu ombro - Gosto de estar ao seu lado, e isto é o que importa - percebi que ela havia fechado os olhos.
Ficamos em silencio por um bom tempo, somente com o som das ondas batendo no casco de madeira fina da embarcação, tentei regular minha respiração, pois estava nervoso de mais, quando menos percebi pude ouvir sua respiração bem próxima de meu ouvido esquerdo, ela abraçou meu braço e continuou de olhos fechados.
- E o que ia me contar antes? - falei baixinho.
- Irei lhe mostrar em breve - ela respondeu.
Aquela noite, ou dia, não sei bem o que era, foi um dos momentos mais marcantes de minhas lembranças, ficar aquele tempo todo ao lado de Freya, com ela praticamente em meus braços, senti-me bem, senti-me o homem mais sortudo do mundo.
Após um bom tempo ali, pude ver ao longe uma luz, era como se a luz partisse a cortina da noite no meio e reinasse naquele lugar, mas não conseguisse atravessar mais.
- Veja - chamei a atenção de Freya, que ainda estava com os olhos fechados, ela abriu os olhos e fitou a longínqua luz.
- Estamos saindo dos limites de Müzïgä Nakti, e entrando em Bewölkung - ela sorriu.
- Você anda dormindo direito? - não sei bem porque havia perguntado aquilo.
- Só estou um pouco cansada, esta viagem está me deixando exausta - ela levantou-se do chão - Vai ficar aí mesmo?
- Para onde vai? - levantei-me.
- É chegada a hora de mostrar ao seu povo, que ainda existe esperança - ela sorriu, segurou minha mão com força e correu para o meio da embarcação.
- O que houve senhor? - um marinheiro perguntou-me.
- Veja - apontei para a luz no horizonte - Estamos saindo de Müzïgä! - quando eu disse aquilo, todos os outros marinhos vibraram de alegria.
- Não aguentava mais só noite - Freya riu.
Depois de algumas horas saímos da escuridão da província morta de Kenrs, e já pude ver os campos vastos e coloridos de Bewölkung, nunca tinha vindo a esta província, mas sei de muitas coisas sobre este lugar por livros e histórias e pessoas, e não era muito diferente, de longe era lindo.
- Ele está perto - Freya fechou os olhos e respirou fundo.
- Quem?! - fiquei nervoso.
- O Sarkan! - Freya sussurrou - Está muito... muito perto.
- Mas acabamos de sair de Müzïgä, como..
- Ele sente o medo, ele sente as águas Volker - Freya me interrompeu.
- O que vamos fazer? - olhei para o mar, tentando procurar alguma sombra estranha, mas não vi nada - Freya?!
- Acalme-se! - Ela abriu os olhos e me olhou - Estou aqui, esqueceu?!
- Desculpe-me - suspirei e me acalmei.
Os marinheiros estavam até mais animados com a nossa saída das trevas eternas, e que também finalmente estávamos nos aproximando do destino final, por quê afinal, quem gosta de passar duas semanas inteiras no mar.
Freya estava bem concentrada, não sabia o que ela estava fazendo, de repente o navio tremeu, algo havia se chocado com a parte de baixo da embarcação, todos os marinheiros fitaram a água tentando procurar o causador do tremor, mas nem eu vi nada na água.
- Afaste-se da borda - Freya sussurrou.
- AFASTEM-SE DA BORDA! - gritei, no mesmo segundo todos os marinheiros correram para o meio da embarcação.
Freya ergueu uma das mãos para o alto e seu cajado se materializou rapidamente em sua mão, ela abriu os olhos e a embarcação tremeu novamente.
- Provarei quem eu sou - Freya fitou todos nós, sorria bastante.
Subitamente um ser enorme saiu da água, tinha escamas mais "moles" do que o normal para um Sarkan, as asas não eram separadas do corpo como a de outros Sarkans, mas mesmo assim ele podia voar, seus olhos eram tão negros quanto o céu de Müzïgä Nakti.
- Ycren'swa teor, Loti (1) - o Sarkan gritou, não entendi quase nada que ele tinha dito.
Freya não pareceu amedrontar-se com o que seja que o Sarkan disse, ela abriu os braços para os lados, o Sarkan ficou atento ao que Freya iria fazer.
- Maiurën wa their sagjus! (2) - Freya falou firme, ao redor de seu corpo começou a sair uma aura negra, a aura cobriu rapidamente todo o corpo de Freya, todos os marinheiros estavam assustados com o poder de Freya, logo Freya lançou o poder na direção do Sarkan.
Ouvi um rugido muito alto no ar e o Sarkan se chocou fortemente contra a água.
- Agora podemos passar em paz - Freya soltou o cajado que se desintegrou antes de cair no chão, e me fitou com um grande sorriso no rosto.

---- Notas ----
(1) Não me desafie, Loti / Sei qual sua fraquesa! - frase dita em Svari, a língua dos Sarkans.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

The Path To Eternity [C.19]


                 Cap.19 - Emoções e Sentimentos
{HÁ MUITOS ANOS ATRÁS}
Freya caminhava por um campo coberto por flores de cores variadas, emanavam um cheiro muito agradável, o céu estava clara e limpo, o sol brilhava com toda sua força, os pássaros cantavam em um som tom, estava tudo calmo, o equilíbrio reinava em Tenaryon.
- Então você voltou - uma voz grossa pairou no ar, porém esta voz trazia paz ao lugar - Fico feliz que tenha cumprido sua promessa.
- Eu disse que iria voltar - Freya sorriu delicadamente - Erda enlouqueceu... - Freya fitou o chão.
- Quando você me encontrou pela primeira vez, lembra-se o que eu lhe pedi? 
- Lembro.. mas não entendi muito bem o por quê daquilo - Freya suspirou - Tenho que encontrar alguma forma de parar Erda, mas não sei como Lâbi.
- Não me chame assim - de repente um gigantesco Sarkan saiu de trás de um montanha ao leste, ele caminhava calmamente na direção de Freya, tinha escamas brancas, brilhavam com a luz do sol, seus olhos eram tão azuis, que quase eram brancos - Meu nome não é este Freya.
- Desculpe-me - Freya ficou envergonhada.
- Freya não sou superior a você, não me trate assim.
- Devo respeito a você Lïdzsvaroht, isto é o minimo que posso fazer - Freya o fitou.
- Quem lhe disse isto? - Lïdzsvaroht a enfrentou, mas parecia brincar com Freya.
- Você é um ser...
- Eu sou o que você desejar, sou o que qualquer um desejar, então não me trate assim, sou seu amigo, esqueceu?! - Lïdzsvaroht a interrompeu - Freya, estou morrendo.
- MORRENDO?! - Freya se exaltou.
- O equilíbrio está sendo destruído Freya - Lïdzsvaroht parecia ter aceitado sua morte - Não há mais o que fazer..
- Não há mais o que fazer?! É A SUA VIDA, NÃO DESISTA DELA ASSIM! - Freya se irritou.
- Freya..
- VOCÊ NÃO..
- Freya! - Lïdzsvaroht falou em um tom um pouco mais firme e Freya se calou - Não há o que fazer, por mais que eu peça para você me tratar de outra maneira, nunca esqueça quem eu sou e o que represento para Tenaryon, eu não prevejo o futuro...
- Mas você escreve o nosso destino!
- Não o meu, posso escrever o destino de cada criatura em Tenaryon, mas não prever algo em que um dos três tesouros da terra sagrada estão metidos, não os controlo, Freya, não estarei mais aqui amanhã - Lïdzsvaroht respirou fundo e deitou-se no vasto gramado.
- Não... - os olhos de Freya se enxeram d'água.
- Não chore! 
- Você não pode morrer! 
- Freya... 
- Sem você, como ficará Tenaryon?! - Freya ajoelhou-se em frente a Lïdzsvaroht.
- Vocês causaram isto Freya, então vocês saberão o que fazer após minha morte - Lïdzsvaroht fitou Freya - Nunca lhe abandonarei, nunca se esqueça disto, e mais uma coisa, não vá embora.
- Como assim?
- Não me deixe, preciso de alguém ao meu lado, neste momento de minha vida - Lïdzsvaroht falou nostalgicamente.
- Irei permanecer o tempo que precisar - Freya sorriu.
- Sua Rainha irá despertar daqui a muitos anos, muitos mesmos, e neste momento, preciso que esteja pronta para impedi-la.
- Despertar? Nós não morremos Lïdzsvaroht - Freya riu confusa.
- Nada dura para sempre Freya.. nada - naquele instante Lïdzsvaroht fechou os olhos e seu longo pescoço caiu delicadamente em cima do mar de flores, a cor de seu corpo já não brilhava tanto.
- Lïdzsvaroht?! - Freya levantou-se do chão assustada - Não.. Fale comigo! - seus olhos transbordavam várias lágrimas de tanta tristeza - Não... - Freya aproximou-se do corpo de Lïdzsvaroht e encostou suavemente a mão esquerda em uma das gigantescas escamas do mesmo - Você não estará morto, enquanto minha alma pulsar!
{NOS DIAS DE HOJE}
Alguns dias se passaram desde que tive uma conversa com Fenhrir, Liesi e Freya para decidir o que iriamos fazer sobre os tesouros da terra sagrada e os Sarkans, não irei omitir, mas estava muito nervoso, pois isto iria ser bem diferente da guerra em Müžïgä Naktï, pois iríamos enfrentar um dos três guardiões da terra sagrada, Uguns, não seria uma tarefa fácil.
- Soube que vai partir com Mikhail novamente - eu estava caminhando em direção do salão onde Liesi sempre estava, quando Anna me parou.
- Como você sempre sabe de tudo?! - a olhei surpreso - Muito antes dos outros saberem.
- Mágica - Anna riu.
- Vai me dizer que sabia de minha existência aqui?! - Freya surgiu do outro lado do corredor, Anna virou-se rapidamente para ver quem havia falado.
- Quem é você?? - Anna a enfrentou, mal sabia com quem estava falando.
- Vejo que não irei precisar de muita coisa para lhe mostrar quem sou eu - Freya riu baixinho, ergueu a mão para o alto e senti como se todo o ar do local estivesse sendo sugado para um ponto fixo no meio da mão de Freya, percebi que Anna estava ficando cada vez mais impressionada - Espero que saiba quem eu sou - o longo cajado de Freya formou-se na mão de Freya, ela o girou no ar, logo com o movimento que o cajado fazia, o ar foi se acumulando até formar um felino totalmente perfeito.
- ELA... - Anna estava de boca aberta - Como você... - Anna estava tão surpresa que gaguejava, Freya riu e acariciou o felino que tinha pelagem esbranquiçada - Como você conjurou uma das magias mais difíceis sem... pronunciar seu nome... nem Mikhail consegue fazer isso!!
- Calma Anna - gargalhei.
- Não pode ser verdade - Anna estava ficando pálida - Uma.. Loti... - Anna desmaiou, tomei um susto ao vê-la despencando e a segurei bem firme.
- Ela... desmaiou??? - Freya gargalhou - Kriüshâ, Tïgeris (1) - Freya fitou o felino e o acariciou novamente, subitamente o mesmo desapareceu como uma rajada de vento - Não sabia que minha aparição lhe causaria tanta emoção assim - Freya aproximou-se de mim.
- Eu também não sabia disso - rimos juntos, segurei Anna nos braços e a levei para seu quarto.
Após Anna receber um certo cuidado dos empregados do palácio, corri para o salão, afinal estava bem atrasado, mas acredito que Freya havia avisado o que tinha acontecido a Liesi.
Passamos a tarde inteira conversando sobre como iriamos fazer para chegar em Yelïejâ Kazenëm, e Liesi nos avisou que iriamos partir ao amanhecer do dia seguinte, quando a reunião com Liesi e Freya terminou, fui para o meu quarto arrumar algumas coisas para a viagem, até que ouvi alguém batendo na porta.
- Um minuto só - terminei de arrumar uma coisas e fui abrir a porta, era Freya - O que houve? 
- Vim saber como sua amiga está - Freya sorriu.
- Para falar a verdade não fui vê-la ainda - ri meio sem jeito.
- Entendo, então irei visita-la - Freya deu alguns passos para ir embora.
- Era só isso? - ao ouvir minha voz ela me fitou, parecia querer dizer algo mais - Freya?
- Sim - ela sorriu, mas parecia esconder algo - Boa noite - logo foi embora.
- Estranho - fechei a porta e fui me preparar para dormir, o dia havia sido bem cansativo para falar a verdade.
----------------- (Okeäna Viršanas) -----------------
O lugar era repleto de rios de lava, com poucos lugares firmes para se andar, pois qualquer passo em falso, o chão poderia se rachar no meio devido o fluxo de lava por de baixo do mesmo.
Uguns estava sentado no meio de um gigantesco bloco de pedra que flutuava em cima do rio de lava, parecia bem calmo até, tinha uma pele tão duro quanto diamante, pois para aguentar temperaturas tão altas, teria que ter uma pele bem resistente, seus olhos eram bem pequenos, quase imperceptíveis, e totalmente negros, em cima de sua cabeça haviam extensões de suas escamas, mas em cores azuladas, já sua pele inteira tinha uma cor parecida com cobre bem escuro. Uguns usava suas gigantescas asas como foices no ar, pois com sua pele super resistente, poderia cortar qualquer coisa, em seu pescoço haviam pequenos circulos brilhantes, que quando Uguns entrava em furia, dos mesmos saiam rajadas de fogo.
- Mestre, o que você irá fazer? - um pequeno ser se equilibrava em cima do corpo de Uguns, parecia-se com uma pequena ave, porém com um porte bem maior, e penugens mais grossas.
- Não há muito o que fazer Liyus - Uguns falou sem ligar muito para a criatura.
- Mas você não ouviu o que eu lhe disse ontem?! Uldar irá vim com Mikhail e um arqueiro meia boca aí! - Liyus estava assustado.
- Deixe que venham... - Uguns não parecia estar nem aí.
- Querem o seu tesouro mestre!! - Liyus gritou.
- Melhor se calar, antes que o engula de uma vez - Uguns bufou, e de suas narinas saíram rajadas de fogo.
- Desculpe mestre - Liyus se escondeu de baixo de uma das asas de Uguns, ficou com mais medo ainda de Uguns.
- Só irão conseguir tirar este tesouro daqui, quando eu estiver morto! Então, é meio impossível Liyus, não se preocupe - Uguns fitou o céu, coberto por várias nuvens causadas pela fumaça de milhares de vulcões no local.
----------------- (Dzelzs pilsëta) -----------------
Antes mesmo do sol nascer eu já estava acordado esperando Liesi e Freya no cais do porto da cidade, mas percebi que as duas se atrasaram muito, pois o sol nasceu e nem sinal de nenhuma das duas no lugar.
- Me desculpe o atraso - Freya chegou antes de Liesi - Dormi um pouco mais - ela riu, corou um pouco - Está esperando faz tempo?
- Não, não - sorri, não iria dizer que estava esperando a muito tempo, acredito que isto é um tanto falta de educação.
- Aonde está Liesi? - Freya suspirou e prendeu os longos cabelos brancos com um pedacinho de madeira.
- Não sei - incrível como ela ficava deslumbrante de qualquer maneira, e não percebi que fiquei tempo de mais a encarando.
- Algum problema?! - Freya me fitou e sorriu.
- Não! Nada - ri baixinho e fitei o céu, fiquei muito sem jeito.
- ESTÃO ESPERANDO O QUE?! ANDEM E ME TRAGAM ESTE TAL TESOURO! - Liesi gritou do outro lado do cais para mim e Freya - VÃO AGORA! - Liesi gargalhou.

---- Notas -----
(1) Desapareça, Tïgeris - frase dita em Bezgalïgs.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

The Path To Eternity [MAPA]


The Path To Eternity [C.18]


                  Cap.18 - Um velho amigo e os Krësla
----------------- (Müžïgä Naktï) -----------------
{Na noite anterior}
- Meu senhor, Miesha está aqui para vê-lo - Kua abriu a porta do quarto de Kenrs e Miesha adentrou no mesmo, vestia um longo sobre tudo escuro, com alguns detalhes em prata, sentou-se em uma confortável cadeira ao lado da cama onde Kenrs se recuperava.
- Como está? - Miesha sorriu.
- Acredito que minha aparência responde seu questionamento Miesha - Kenrs não estava muito feliz - Por quê não apareceu?!
- Direito ao ponto então - Miesha riu baixinho.
- Responda!
- Por quê Erda avisou-me que Freya estaria indo para lá, perguntei para ela se ela iria comigo, afinal, eu sozinha não seria nada contra Freya, ela disse-me que não era o momento certo para lutar com Freya! - Miesha falou tudo rapidamente.
- E-ERDA? - Kenrs estava perplexo com aquilo tudo - Como... COMO ERDA ESTÁ VIVA?!
- Ela não estava viva, mas o terceiro tesouro a despertou.
- E... Freya?
- Üdentornins guardou seu corpo quando eu destruí a árvore da eternidade, e enterrou ao pés do segundo tesouro, então ele concedeu seu desejo e lhe trouxe a vida novamente - Miesha não estava nem um pouco satisfeita com aquilo.
- Por que Erda procurou você?! Ela é um Loti Iztu...
- Não, não é mais! - Miesha o interrompeu.
- Como assim?! - Kenrs estava tão surpreso qu sentou-se em sua cama.
- Como eu, ela foi corrompida por sua própria loucura quando levou toda a sua raça a extinção, não sei se já ouviu falar, mas quando a árvore da eternidade criou os Loti Izturigs e os Sarkans, seu lado mal, Laüns, tentou criar um ser com o poder do segundo tesouro, criou um ser chamado Krësla, os corrompidos, o próprio mal, já ouvi esta história?
- Já, mas não acreditava que era verdade.
- Então, o terceiro tesouro criou este ser, mas os Loti Izturigs não aceitaram tal ser em Tenaryon, pois a existência dele aqui, iria destruir a linha do equilíbrio e matar Lïdzsvaroht, assim o aprisionaram no fundo da maior e mais distante montanha aqui em Tenaryon, até que sua existência desapareceu, ninguém sabe o por quê, nem os próprios Loti Izturigs.
- Mas e o que Erda tem haver com isso? - Kenrs indagou.
- O terceiro tesouro lhe disse que a despertaria com uma condição, que ela só iria viver, sendo uma Krësla, Erda sem muito insana, não negou absolutamente nenhuma das exigências do terceiro tesouro, então não é mais uma Loti Izturigs.
- E o que você planeja Miesha? - Kenrs parecia ter entendido tudo após aquela detalhada explicação.
- Quero todos os tesouros! - Miesha sorriu.
----------------- (Dzelzs pilsëta) -----------------
O dia logo amanheceu e fui tomar um banho bem rápido para ir ao grande salão para ajudar Liesi, ao chegar no salão não a vi lá, procurei por todos os lugares do palácio, mas não achei ninguém que ao menos a tivesse visto.
- Está procurando Liesi?! - Anna me parou no meio do corredor.
- Você a viu? - eu já estava até um pouco exausto de tanto procurar, afinal o palácio era gigantesco.
- Ela está com Fenhrir no lago das águas rosadas - Anna parecia um pouco estranha, mas não entendi o por quê daquilo.
- Obrigado Anna - sorri e corri em direção da saída ao leste do Palácio, para encontrar Liesi neste tal lago, que até hoje é um mistério, suas águas no outono e inverno, por mais que no inverno congele, mudam a cor, se tornam rosadas, algumas vezes quase totalmente vermelhas.
Ao chegar na entrada do gigantesco jardim ao lado do Palácio, onde o lago se encontrava, já pude ouvir a voz de Liesi ao longe, estava bem baixo, mas pude ouvi-la. Caminhei até o lago e a vi, sentada na grama.
- Volker - Liesi me fitou - Vou partir com Freya, Mikhail, Syn e Yirmminsull para derrotar Uguns, então você...
- Você irá?! - a interrompi - Por quê não eu?
- Porque eu devo ir Volker, e você irá cuidar das coisas aqui - Liesi já parecia saber que esta seria minha reação.
- Não! Isto não está certo, por quê achas que posso cuidar tão bem quanto você do seu Reino? - a fitei um pouco indignado - Não pertenço a estas tarefas Liesi, meu lugar não é este!
- Mas não posso deixar que vá - Liesi ficou aflita.
- Como não? 
- Volker... como Grid se foi... 
- Liesi - ouvi a voz de Freya e olhei para a esquerda, ela surgiu do nada ao meu lado - Ouça-me - Liesi a fitou - Reis e Rainhas precisam de seus conselheiros, entendo isto, mas você deve aprender a se virar sozinha! Volker não é o Grid, não ouvirá as mesmas coisas que Grid lhe dizia, Volker não pertence a este posto, Volker é mais arqueiro do que conselheiro, entenda que quem deve cuidar de seu povo é você, e não seu conselheiro.
- Mas.. - Liesi fitou o chão.
- Veja Fenhrir, Uldar e Sigurd, depois de tanto tempo fora por causa da guerra com Kenrs, não podem simplesmente abandonar seu Reino e ir atrás dos três tesouros da terra sagrada assim, é por isso que em todo reino existem os melhores guerreiros, arqueiros e conjuradores, então, fique! - Freya falou firme.
- Certo... - Liesi suspirou.
- Não se preocupe Liesi, cuidarei dele com minha vida - Freya sorriu.
- Anna contou-me que Fenhrir estava aqui, aonde ele está? - Fitei Liesi.
- Ele está chegando, lhe disse que o encontraria aqui, em frente ao lago - Liesi fitou o lago - Confio muito em você Freya, mas acredite, estou com o coração na mão, perder o Grid assim... tão repentinamente..
- Acredite minha senhora, eu entendo perfeitamente o que estais sentindo, mas não deixe que isto lhe abata, Grid não gostaria de vê-la assim, acredite nisto, ele irá lhe proteger, mesmo não estando aqui - as palavras de Freya acalmaram Liesi, pude perceber isso.
- Minha senhora - uma empregada de Liesi caminhou até nós - O senhor Fenhrir já desembarcou em nosso porto - sorriu e foi embora.
- Não sei se Fenhrir ainda lembra de mim - Freya murmurou.
- Você o conhece?? - fiquei surpreso com aquilo.
- Posso não aparentar, mas sou mais velha que ele Volker - ela sorriu, não sabia o porquê, mas seu sorriso me fazia sentir vergonha, me sentia diferente.
Ficamos calados por alguns minutos a espera de Fenhrir e rapidamente ouvimos passos se aproximando, até que ele chegou, olhou primeiramente para Freya, imediatamente formou-se um sorriso em seus lábios, mas um sorriso muito feliz, de um amigo que sentia saudade de outro.
- Não posso acreditar - Fenhrir chegava a rir.
- Então quis ver com seus próprios olhos? - Freya levantou-se e sorriu.
- Como... Como você pode ser tão poderosa o suficiente para pisar em cima da morte?! - Fenhrir abraçou-a - Não imagina a falta que você fazia aqui, todos esses anos, minha velha amiga.
- Também estava com muita saudades sua, e de Kvasyr - logo os dois se afastaram e se olharam - Você não mudou nadinha.
- E você?! O que pode dizer de mim?! Você é mais velha! - os dois riram juntos - Sinto que este jogo está prestes a mudar.
- Não muito rápido Fenhrir... - Freya ficou séria - Eu não fui a única a ser despertada.
- Como assim??? - Liesi se exaltou ao ouvir aquilo - Você não tinha me dito nada disto!
- Acalme-se - Freya sentou-se ao meu lado e Fenhrir ao lado de Liesi - Eu fui despertada pelo segundo tesouro da terra sagrada, a semente dos desejos, mas o outro ser que foi despertado, foi despertado pela terceira semente.
- Como a terceira semente tem o poder de criar ou dar a vida a alguém Freya? - Liesi a indagou.
- Não faço a minima ideia Liesi - Freya a fitou - Como soou estranho para você, soou estranho para mim do mesmo jeito.
- Como você sabe disto? - Fenhrir estava preocupado.
- Dentro de minha alma existe uma pequena parcela do poder de Lïdzsvaroht, ele não está morto, e as vezes ouço sua voz em minha mente, mas ele não diz o que está para acontecer ou algo que já aconteceu diretamente, sempre com uma pequena charada, e na ultima vez me disse mais ou menos isso, "O que não pode criar vida, dará este dom para um eterno ser, que passará por várias transformações, um dia reluzente, um dia discórdia" - quando Freya terminou de falar, todos nós ficamos pensativos, tentando descobrir o que poderia ser aquilo.
- Freya... quem é? - Fenhrir indagou.
- Se eu lhe disser, capas de não acreditar - Freya suspirou - Erda.
- ERDA? - Fenhrir fez uma expressão de pavor, estava muito assustado - Não pode ser!
- Minha reação também foi esta ao descobrir tudo que Lïdzsvaroht estava querendo me dizer, não estava querendo acreditar que Erda havia voltado a vida, e o pior, com o poder do terceiro tesouro, não estava querendo acreditar, até que algo confirmou o que eu desconfiava - Freya respirou fundo - Quando derrotei Kenrs, deixei uma pequena quantidade de energia presa em sua pele, e com isto consigo ouvir tudo que ele fala, ou escuta, então noite passada Miesha foi até a fortaleza de Kenrs, e conversou com ele, Erda está em Sonnenlicht neste momento.

- Quem é... Erda? - Eu e Liesi perguntamos.
- Erda é a rainha que levou minha raça inteira a destruição, aliás... minha rainha - Freya pareceu triste.

- E o que mais você sabe? - Liesi indagou.
- Erda não é mais uma Loti Izturigs, o terceiro tesouro lhe disse que somente a despertaria com uma condição...
- Krësla! - Fenhrir interrompeu Freya.
- Isso mesmo! - Freya consentiu com a cabeça - Então ela não negou nada.
- Krësla?! - Eu e Liesi falamos ao mesmo tempo.
- Sim - Freya nos fitou - Krësla foi uma raça de um único ser, criado a partir do poder da vida do segundo tesouro com a energia do terceiro tesouro, mas nós, os Loti Izturigs, não aceitamos tal existência em Tenaryon, pois iria ser prejudicial à linha do equilíbrio, e a Lïdzsvaroht, que poderia chegar a morrer, então aprisionamos o ser no fundo da maior e mais longínqua montanha existente aqui em Tenaryon, até que um dia voltamos na montanha o ser havia morrido, nós não sabemos o por quê, tirando isto, não soube de nada a mais do que já sabíamos.
- Então o que faremos? - Fenhrir disse já um pouco entusiasmado.
- Já informei Sigurd e Uldar antes de você chegar, queria conversar com você pessoalmente Fenhrir, afinal ela é sua filha, quero que Mikhail parta com Syn, Yirmmunsull, Volker e Freya entendo se..
- Mikhail irá! - Fenhrir respondeu sem pensar duas vezes e interrompeu Liesi - Não contei a ela que Freya está viva, então quando ela souber... E ainda mais que Freya irá junto! - Fenhrir riu.

The Path To Eternity [PERSONAGENS SEC.] {2}

Nome: Lïdzsvaroht <Lâbi/Laüns> / Idade: ???

                                               Nome: Lïdzsvaroht <Laüns> / Idade: ???

                                                    Nome: Lïdzsvaroht <Lâbi> / Idade: ???

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

The Path To Eternity [C.17]


                    Cap.17 - Ultimas noites em paz
Depois de uma tarde inteira conversando sobre toda a história, sobre tudo que já havia acontecido que nunca tinha sido explicado, Liesi chegou ao anoitecer no salão, com uma exaltação incrível, contou-nos que havia mandado uma carta a Fenhrir, ela achava que ele deveria ser o primeiro a saber dentre os outros Reis, e só depois de saber o que Fenhrir iria falar é que iria decidir quando enviaria as outras cartas aos outros Reis.
Freya ainda contou tudo que havia me dito a Liesi, eu sabia que iria demorar bastante tempo, então resolvi ir embora do salão, fui para o mesmo lugar de sempre, que sempre me acalmava, que sempre me levava a um mundo distante de tantos conflitos como era Tenaryon.
Caminhei até a areia da praia e sentei-me, o vento estava começando a esfriar, a noite caia lentamente, enquanto o pôr do sol deitava-se sob o mar, era uma das vistas mais belas de toda Tenaryon, pois em nenhum outro Reino podia se ver o pôr do sol tão perfeitamente como aqui em Dzelzs pilsëta, na verdade nunca entendi porque disto, pois em todas as outras costas marítimas é possível vê-lo, mas nada como este.
- Por quê sempre que eu quero lhe encontrar, sei que procurando aqui, neste lugarzinho, vou encontrar você Volker? - Anna aproximou-se de mim, estava sorrindo - Como você está?! Desde que voltamos não vi você parado, e não consegui mais falar com você.
- Eu estou bem - sorri e voltei a olhar o pôr do sol - Sente-se.
- Obrigada pelo convite - ela riu baixinho - Então, agora que você é o "Braço direito" da Rainha, diga-me, para que guerra iremos marchar agora?
- "Braço direito"? - a fitei, não tinha gostado nada daquilo - Não sou braço direito nem esquerdo de ninguém, não me chame assim, este posto está ocupado e nunca irá se desocupar - Fitei o sol novamente.
- Desculpe-me - Anna ficou um pouco sem jeito - Só achei..
- Achou errado - a interrompi.
- Não está de bom humor? Se este for o caso vou embora - Anna começou a levantar-se.
- Sente-se.
- Certo - sem entender muita coisa, ela apenas sentou-se ao meu lado - Mais alguma novidade?
- Quando Liesi resolver contar-lhes da nova novidade, acredito que você morrerá de tanta emoção - ri.
- Como?!?! - Anna ficou muito curiosa.
- Não tenho permissão para contar a ninguém Anna, desculpe-me - por mais que seja uma coisa má, até que gostei um pouco de fazer aquilo.
- Não seja mau! - Anna se irritou - Conte-me!
- Liesi lhe contará - a fitei.
- Mas quando?!
- Aí não faço a minima ideia Anna, não sou vidente - ri.
- Não zombe de mim! - Anna cruzou os braços.
- Não seja boba, saberá na hora certa.
Ficamos ali conversando por um bom tempo, até o pôr do sol finalmente desaparecer do horizonte e a noite começar a ser iluminada somente pela luz refletida da Lua.
----------------- (Gaismas pilsëta) -----------------
- Chame Kvasyr, Adryk! - Fenhrir estava um pouco perturbado após receber a carta de Liesi, em Tenaryon existia uma sistema bem eficiente de "troca de informações", que eram completadas por seres pequenos como canários, mas mais rápidos que a velocidade do som, são incrivelmente resistentes e rápido, e o melhor, são muito fáceis de serem domesticados.
- Sim senhor! - Adryk percebeu a aflição no rosto de seu pai, os dois estavam em uma grande varanda com a vista para o horizonte, o ponto mais alto da montanha, Adryk rapidamente saiu do local para chamar sua mãe.
- Não pode ser verdade... - Fenhrir deixou a carta em cima de um baquinho feito de madeira branca, passou a mão no rosto - Freya..
- Está viva?! - Kvasyr surgiu repentinamente e Fenhrir se assustou - Eu já sabia disto muito antes de isto ser escrito no destino de Lïdzsvaroht.
- Por quê não me avisou? - Fenhrir estava impaciente.
- A vida deve seguir seu curso sem interrupções, não devo interferir no destino de Lïdzsvaroht, apenas o vejo meu marido - Kvasyr aproximou-se de Fenhrir - Por quê estais tão aflito?
- Se você tivesse me contado antes, muitas...
- Vidas seriam preservadas?! - Kvasyr completou a frase Fenhrir - Não seja ingenuo meu marido, você sabe que o destino não funciona assim, não se pode simplesmente enganar quem o escreve.
- Não diga-me coisas tão impossíveis de existirem Kvasyr!
- Impossíveis?! - Kvasyr passou a mão no rosto de Fenhrir - Ouça-me, uma hora eu morrerei e não estarei mais aqui ao seu lado meu senhor, então ouça-me enquanto pode, não deixe isso passar, você sabe que eu não minto.
- Perdão - Fenhrir a abraçou e passou a mão em seus longos cabelos louros.
- Freya voltou a vida, mas não foi só ela - Fenhrir se afastou de Kvasyr e a fitou sem entender nada que ela tinha dito.
- Quem Kvasyr?!
- O destino irá lhe mostrar na hora certa.
- Kvasyr quem mais despertou? - Fenhrir estava ficando nervoso.
- Lïdzsvaroht não dirá quem despertou, e nem eu, não devo interferir no destino de mortais como Volker e sua Rainha, compreenda-me meu senhor - Kvasyr beijou delicadamente os lábios de Fenhrir - Mas lhe direi uma coisa, sua alma é tão corrompida, seu corpo é tão coberto por maldade e obscuridade, que somente seu poder, poderá engolir toda Tenaryon em trevas, não esqueça-se disto - Kvasyr foi indo embora.
- Trevas... - Fenhrir sussurrou - Quem será?!
- Pai? - Adryk aproximou-se de Fenhrir - O que aconteceu?
- É uma longa história minha querida - Fenhrir abraçou-a - Na hora certa você saberá - ele beijou seu rosto delicadamente.
----------------- (Müžïgä Naktï) -----------------
Nas terras em frente o gigantesco castelo de Kenrs estava a marca da morte e da destruição, milhares de corpos jogados no chão para apodrecerem mais e mais, misturados com sangue de todo tipo de Raça, exalava um cheiro muto ruim, mas dentro da gigantesca fortaleza Kenrs se recuperava do ataque de Freya, o ataque que quase lhe tirou a vida de uma vez por todas.
- Kenrs como está se sentindo? - Kua e Kenrs estavam em um quarto com paredes e móveis escuros, com apenas os leçois da cama com cores mais vivas e claras, Kua sentou-se ao lado de Kenrs na cama, que por acaso estava deitado com o rosto quase completamente desfigurado - Seu rosto não está melhorando.
- Vou melhorar Kua, não se preocupe - Kenrs tentou sorrir, mas seu rosto estava tão machucado que quase não se notava alguma expressão facial - Freya me pagará pelo o que fez!
- Pode ter certeza disto! - Kua falou muito séria - Se eu não tivesse caído na armadilha de Mikhail tinha conseguido parar Freya!
- Não Kua - Kenrs suspirou - Fico feliz que tenha caído nesta armadilha, capas de se não, você por impulso tentasse impedir Freya de me matar ou me lançar aquele ataque final, você acabasse morrendo de vez, fico feliz que somente Suhrt se foi.
- Feliz?! Eu não estou feliz que Suhrt se foi!
- Pois deveria ficar, só o mantive esse tempo todo aqui, por quê precisava de seu poder, nada mais, e Suhrt estava esperando o momento certo, que alguém poderoso o suficiente me matasse para que ele pudesse assumir o Reinado dos meus Draiskullis! Então, não senta-se triste por sua morte, pois ele desejava a minha mais do que qualquer outra pessoa em Tenaryon!
- Não acredito! - Kua ficou surpresa.
- Minhas paredes têm ouvidos Kua, nunca esqueça disto - Kenrs riu baixinho, com muita dificuldade.
- O que faremos agora?
- Miesha tem um novo plano, hoje de manhã chegou um informante da guarda real de Miesha e contou-me que ela virá ao amanhecer, daqui a algumas horas irá amanhecer, então só podemos esperar - Kenrs fechou os olhos - Estou muito cansado Kua, deixe-me só.
- Sim, meu senhor - Kua sorriu, parecia muito feliz em estar servindo Kenrs, logo saiu de dentro do quarto onde Kenrs dormia e fechou a porta.
----------------- (Värti Debesyu) -----------------
- O que você estarás planejando Lïdzsvaroht... O que você estarás planejando para todos nós.. - Üdenstornis caminhava e parou para observar a grande e luminosa lua no escuro céu de uma das ultimas noites com "paz" em Tenaryon - Direi-lhe que em seu lugar, já teria escrito em nosso destino uma grande destruição, para acabar com tantas mortes, acabar com tanto sangue em Tenaryon... Mas não entendo que terás em mente neste exato momento, será Lâbi ou Laüns?! - Üdenstornis suspirou - Quem saberá dizer, se nem o sábio Sarkan, o Lendário sábio Sarkan Üdenstornis sabes dizer, quem dirá o que nos espera... Quem dirá...
- Será fácil descobrir meu velho amigo, na hora certa, tornarei este mundo do jeitinho que sempre sonhei! - uma voz feminina pairou no ar e gargalhou em seguida.
- N-Não.... pode ser... - Üdenstornis estava apavorado.
- Sim meu velho amigo, e será! - a voz gargalhou mais ainda.
- Erda....

If these wings could fly [C.04]

Cap.04 -O Acidente Quando eu falo que fiquei por muito tempo no telhado, eu não estava mentindo, até peguei no sono, só acordei com...