domingo, 12 de agosto de 2012

Symphony Of Death [C.07]


                  Cap.07 - O Início
Não demorou muito para Kyoko acordar, deixei-a deitada na cama do quarto destinada ao acompanhante do paciente, quando acordou me olhou ainda com a cara de sono.
- O que aconteceu? - Aoki a fitou.
- Você viu o que eu vejo, me conte tudo, sobre "SoD", por favor - me sentei na cama após ela se levantar - olha não é fácil, venho sendo atormentado por esses sonhos a anos Kyoko, sem saber ao menos quem você é, e o pior, sempre sendo mais atormentado por essas três letras, que sempre aparecem tanto no meu sonho com você, quanto no meu dia-a-dia, por favor, explique-me.
- Olha, também não sei muita coisa... Pelo o que vi, você também pode ver essas luzes nas pessoas, eu vejo, mas ao contrario do jeito que você vê - ela me fitou.
- Como assim?! - fiquei confuso.
- Você as vê em caso de morte, eu... Em caso de vida, por exemplo, olhe pra minha prima, o que você vê? - ela apontou para a mulher na cama.
- Bom... - fixei meu olhar no corpo da mulher - nada.
- Então, eu vejo uma luz, fraca - ela suspirou - pra falar a verdade, bem fraca, mas ela existe entende, agora se você quer saber mesmo sobre essas letras, você tem que ir falar com a minha avó.
- Sua avó? - Aoki não entendeu.
- A senhora do quarto... - lembrei de um sonho que tive, que essa senhora estava falando com Kyoko - mas por que acha que ela irá me contar algo? Ela não conta nem pra você!
- Como sa... - ela parou - deixa... Você sabe de tudo da minha vida mesmo - ela sorriu sarcasticamente.
- As coisas mais importantes sim, as mais cotidianas.. Não, não fique envergonhada, não sei de nada da sua intimidade, ou vi algo do tipo - sorri.
- Fico mais alegre de saber disso - rimos juntos - bom, deixe-me esclarecer as coisas, sei de pouca coisa sobre isso tudo, sei que essa maldição, ou seja lá o que for isso, vêm de gerações muito atrás em minha familia, muito mesmo, tipo, 1900! Se não digo mais antigamente!
- Nossa! - ficamos surpresos.
- Pois é, então se você quer mesmo descobrir sobre isso tudo, é com minha avó que você vai saber, mas olhe... - ela se aproximou de mim - não é como se ela fosse lhe falar assim, com essa facilidade, veja bem, nem pra mim, ela fala sobre isso.
- Entendo, e sem querer me intrometer, mas o que houve com ela? - apontei para a prima de Kyoko.
- Não está reconhecendo?! - ela ficou confusa - não o culpo, ela é a mãe da menina que supostamente se suicidou no norte do continente, é minha prima!
- Sério?! - aquilo foi um choque pra mim - e o que houve com ela?
- Bom, como vocês já devem saber, o marido dela colocou toda a culpa da morta da filha deles na minha prima, ela entrou em depressão, e ninguém sabe quem fez isso a ela, quando os médicos entraram no quarto da casa dela, e a procuraram, ela tava dentro do banheiro, no canto, do lado da banheira, com o corpo todo, simplesmente, todo ensaguentado! Ninguém sabe se ela fez isso a ela mesma, ou se alguém entrou e fez isso, ninguém sabe.
- Mas, ela não diz quem fez?! - Aoki a perguntou.
- Veja bem, o choque de perder a filha, de uma forma tão macabra e perder o amor da vida dela de uma vez foi tão drástica, que ela não fala mais - Kyoko parecia estar muito aflita.
- Meu Deus... - que história mais triste - você acha que...?
- Que? - ela me fitou.
- Foi a música? - ela ficou calada por alguns instantes e fitou a prima.
- Olha... - ela parou novamente - vamos pra minha casa, e... Consigo explicar tudo melhor, aqui não é o lugar certo, as paredes tem ouvido.
Fomos a seguindo de carro até a casa dela, e ao chegarmos, estacionamos na frente de uma casa muito grande, muito bonita, e de arquitetura bem velha e tradicional européia.
- Entrem, e não se preocupem, minha avó não está aqui, está de viagem, se tivesse e ouvisse o que eu vou lhes contar, me mataria - ela riu e fomos entrando na casa, por dentro parecia ser maior do que por fora, uma familia rica, diga-se de passagem - venham - ela parou na porta da sala de estar e entramos, nos sentamos em um dos sofás da sala - já volto, sintam-se à vontade - ela sorriu e saiu.
- Casa bonita né? - Aoki me fitou.
- Sim, mas... tem algo de muito estranho nessa casa, não sei o que é, mas tem - fiquei olhando para os quadros em um das paredes.
- É meu avó - Kyoko apareceu do nada e nos assustou - bonito homem não? - ela veio com uma caixa de madeira na mão até nós e se sentou no sofá a nossa frente - bom, vou lhes explicar uma resumida, MUITO resumida história da minha familia - nós nos acomodamos mais no sofá e ela suspirou, abriu a caixa - Não tenho como nem lhes dizer de que grau eram esses meus parentes da época que vou lhes contar então, não me peçam muitos detalhes porque nem sei - ela riu - há vários anos atrás, duas pessoas se conheceram, uma moça, japonesa, um homem, já mais velho que a mulher uns 6 anos, também japonês, como naquela época era costume os pais escolherem com quem sua filha ia casar, não era aceito esse tipo de romance, porque quando os dois se viram, nossa, foi um amor inacreditável, daqueles só de história mesmo, e com isso a moça lutou, lutou muito com seu pai, para que ele deixasse ela se casar com o homem que queria, então seu pai foi investigar a familia do homem que a moça queria se casar, e descobriu que ele era muito rico, e com isso deixou.
- Sempre dinheiro - Aoki riu.
- Pois é - ela riu - Enfim, os dois se casaram, e... não! Não viveram felizes para sempre, aí que entrou o problema, depois de 15 anos de casados, a moça estava se sentindo infeliz, muito, porque o homem não dava mais aquela atenção de antes entende, e com isso, quando uma amiga sua foi em sua casa, contou que quando ela tinha saído para passear na praça em frente a sua casa, viu o marido da moça com outra mulher, uma mulher ruiva, muito branca, que não era japonesa ou de qualquer outra nação asiática que se conhecia na época, ela era européia, era muito elegante, e quando a mulher disse aquilo a moça entrou em depressão, esperou o marido voltar pra casa e o perguntou sem medo algum, "Porque está me traindo?!", o homem, que não esperava aquela pergunta, se assustou e respondeu, "EU meu amor?! Nunca!", a mulher sabia que ele estava mentindo, e aquela resposta mentirosa, lhe machucou mais ainda.
- Nossa - sussurrei.
- Após dois anos, de pura traição, a mulher resolveu se matar, tentou... Tentou... Tentou, até que conseguiu, enfiou uma tesoura, ou algo bem parecido, em seu pescoço e acabou com tanto sofrimento, quando o marido chegou do trabalho e entrou no quarto deles e viu sua esposa caída no chão, e tudo cheio de sangue, enlouqueceu, ficou tão louco, que pensou fazer o mesmo, mas antes... Lhe veio à cabeça a outra, pensou que poderia ter evitado tudo aquilo, se não tivesse a traido, ele tinha tudo que queria e não sabia, passou semanas chorando a perda de sua amada, e a mulher ia todo santo dia bater na porta da casa dele, querendo saber dele, mas ninguém o viu sair da casa por semanas! - ela parou pra respirar - até que ele percebeu, por pura burrice, que a vida dele não acabava ali, a outra ainda o esperava, e não ia ser por causa da morte de sua primeira mulher, que ele iria acabar com sua vida, e o que ele disse, quando deixou aquela casa e nunca mais entrou foi, "Como pude pensar em acabar com minha vida por tão pouco?!", pronto, aquilo foi a gota d'água.
- O que houve? - Aoki estava muito curioso.
- O homem foi atrás da outra, ficou com ela, e foi morar em sua casa, e toda noite tinha o mesmo sonho, onde a sua falecida mulher, aparecia, linda, perfeita, vestida de branco, com rosas vermelhas em sua mão direita, e lhe dizia, "Nunca irei esquecer de sua traição, nunca irei esquecer das sujas palavras que disse ao sair daquela casa, nem eu... nem seu filho", e sempre ele acordava subtamente, um dia sua mulher apareceu com uma marca em seu pulso, que havia escrito "SoD", mas ninguém sabia o que era.
- Deixa eu adivinhar... - ri.
- Depois de três semanas, a mulher morreu... O homem entrou em desespero, duas mulheres mortas em menos de 5 anos?! Como podia ser verdade aquilo, até que chegou uma hora que ele não sabia masi o que fazer, e em uma noite, quando ele ia dormir, começou a sonhar, e sua primeira mulher cantava, "Sora o mite, watashitachi no hachimitsu dorinku wa, shi no aji o ajiwau..." [Olhe para o céu, beba do nosso mel, prove o sabor da morte...], passava horas cantando aquela mesma parte - até que Kyoko parou.
- E... aí?! - Perguntei confuso.
- Não sei mais de nada... - ela pareceu triste.
- Como não?!!! - me exaltei.
- Calma! Eu disse que se quiser saber mais venha falar com minha avó, mas ela falar é outra coisa! - Kyoko me fitou furiosa.

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