domingo, 30 de junho de 2013

Eye, The Story of Fate [C.03]

           Cap.03 - Um dia Nervoso

Enquanto a professora dava a sua aula, minha mente começou a "voar" para longe dali, estava observando todos as pessoas ali, alguns com bastante atenção na aula, outros dormindo, e alguns cadeiras vazia.
De repente algo foi lançado na direção da minha testa, o objeto caiu na minha mesa, era um pequeno pedaço de papel, o abri e tinha escrito: "Olá, sou Imai Ayame, olhe para o lado", olhei para o lado, e do outro lado da sala estava a menina que me jogou contra a parede me chamando de Ojou-sama, sorria com um sorriso de orelha à orelha, tentei sorri, mas deve ter saído a pior coisa do mundo, virei o papel para ver se tinha algo mais escrito e vi: "Vamos almoçar juntas?", aquilo me fez ficar feliz, não sabia que iria ser tão bem tratada, logo no meu primeiro dia, achava que todos iriam me odiar, me tratar como se eu tivesse com alguma doença contagiosa ou coisa parecida, desta vez um sorriso mais completo se formou em meu rosto.
- Você vem? - ouvi uma voz ao meu lado - Vamos, acabou de terminar a aula - Ayame estava em pé do meu lado com uma das mãos estiradas - Espero não ter sido atirada de mais, gosto de fazer novos amigos, você vem? - ela continuava com aquele sorriso gigantesco no rosto, eu simplesmente não sabia o que fazer, não sabia se eu realmente podia confiar nela, se não era simplesmente uma brincadeira de mau gosto - Confie em mim, mas temos que ir logo o Hokuto-kun está nos esperando, você tem que conhecê-lo - suspirei e levantei-me da cadeira, não iria ficar esperando sentada naquela cadeira por uma oportunidade melhor, o destino estava me dando uma chance de mudar, e eu iria agarrar com todas as minhas forças - Fico feliz que tenha aceitado - Ayame pegou minha mão com toda a força e começou a correr para fora da sala.
- Para onde estamos indo? - Gritei enquanto corria.
- Você é mesmo uma Ojou-san, fala toda certinha - Ayame riu, corei, não sabia se aquilo era ruim ou bom - Estamos indo para o melhor lugar de toda a escola, o telhado.
- Kumiko! - ouvi alguém chamar meu nome, eu e Ayame paramos de correr.
- O que você quer com ela Kazuko?! - Ayame não parecia se dar bem com ele.
- Quero falar com ela, não posso?! - Kazuko a enfrentou.
- Nã...
- O que você quer? - sussurrei, estava com vergonha daquela situação.
- Como você conhece ele? - Ayame fitou-me.
- Err... - estava ficando mais nervosa.
- Vimos juntos no avião da Alemanha para cá - Kazuko respondeu de uma maneira estranha, como se aquilo fosse me "ganhar" de Ayame.
- Não importa... o que.. você quer? - interrompi a conversa deles dois antes que acabasse em mais briga.
- Não posso acreditar que você ta aqui, e na mesma sala que eu - ele se aproximou de mim.
- Nem eu.. - sussurrei.
- Acabou?!?! Olha desculpa mas temos coisas mais importantes para fazer - Ayame segurou minha mão com mais força e começamos a subir as escadas em direção ao telhado, fitei rapidamente o Kazuko, ele parecia um pouco triste e feliz ao mesmo tempo, não sei se era por estar me vendo ali, mas... seu sorriso... não sei o porque, mas me fazia bem - CHEGAMOS! - Ayame empurrou a porta do telhado com tanta força que ela foi para trás e voltou - Ops.. - ela riu, ri baixinho - Enfim, Hokutoooo-kuuun?!
- Estou aqui atrás - ouvi uma voz vindo da parte de trás do telhado, dei a volta na cabine das escadas e vi um menino sentado no chão, tinha cabelos loiros e olhos azuis - Já arrastou a menina pra cá?!
- Quanto mais gente melhor Hokuto-kun - Ayame sentou-se ao lado dele - Este é..
- Hokuto - o menino me fitou rapidamente - Eu tenho boca, sei me apresentar Ayame.
- Ele é um doce de pessoa, não se engane por este mau humor besta - Ayame sorriu, sente-se Ojou-sama - ela riu.
- Não brinque com isso - corei.
- Desculpe, não consigo me conter, em ter uma princesa ao meu lado - Ayame tirou um pequeno pote preto e o abriu - Você quer?
- Não estou com fome - sorri - Gostaria de saber onde fica a cantina, queria comprar pelo menos um suco para tomar.
- Eu tenho suco! - Ayame começou a mexer na bolsa.
- Não se preocupe, eu compro o meu suco, mesmo assim obrigada - sorri, levantei-me do chão e fui voltando para as escadas.
- Você assustou a garota, como sempre - ouvi a voz do Hokuto.
- Não assustei nada - Ayame retrucou, ri baixinho ao ouvir aquilo.
Desci as escadas e fui caminhando calmamente pelos corredores do colégio, nem percebi que eu estava chamando muita atenção, muita mesmo, por onde eu passava todos me olhavam e cochichavam algo sobre minha aparência.
- Está perdida? - Matsumoto-sensei apareceu ao meu lado e começou a caminhar comigo.
- Estou procurando a cantina - sorri um pouco.
- Fica no primeiro andar - Matsumoto-sensei entrou em uma sala - Aqui fica a diretoria, qualquer coisa, pode vim aqui, certo?!
- Okey - voltei a caminhar e fui para o primeiro andar.
Ao chegar na catina vi que estava cheia de gente, como sempre, chamei toda a atenção do local, mas dessa vez foi super constrangedor, todos me encaravam de uma maneira estranha, me sentia horrível, com medo, mas mesmo assim continuei andando em direção da filha que se formava para comprar algo para comer.
O silêncio que surgiu após a minha chegada era de estourar ouvidos, minha respiração já estava rápida, estava quase chorando de tão nervosa, rapidamente a fila andou e comprei meu suco o mais rápido possível, tentei andar com calma para sair dali, mas não aguentei, quase corri de tão nervosa.
Subi para o segundo andar o mais rápido que eu consegui e entrei na minha sala, estava quase sem fôlego.
- Deve ser difícil pra você - não tinha percebido que tinha alguém dentro da sala junto comigo, procurei pela sala toda e vi o Kazuko olhando pela janela perto da mesa dos professores - Afinal, você não é normal.
- O-O-O que você está fazendo aqui?! - como se me importasse o porquê dele estar ali, sozinho, como voltei a ficar nervosa, não sabia o que falar.
- Não sou muito popular, os outros garotos não tem nada na cabeça então, prefiro ficar só... - o vento fez seu longo cabelo que estava preso por uma pequena liga, soltar - E você... - Ele se virou para mim, tirou a liga do cabelo e o prendeu novamente - O que está fazendo aqui?! Ayame não a carregou lá pra cima?!
- Err..
- Ela é atirada de mais não é? - aquilo fez parecer que ele ja havia vivido tudo isso - Sei como é.
- Porque vocês dois não se gostam? - me aproximei dele.
- É uma longa história Kumiko-ojou-sama - ele riu.
- Não me chame assim!
- Desculpe - ele ria - É inevitável, você é a segunda princesa que eu conheço, incrível...
- Isso não parece lhe trazer boas memórias.
- E não trás - ele me fitou e sorriu - Mas de que importa agora não é?! O futuro é mais importante - rapidamente Kazuko voltou a observar o lado de fora da janela.
- Por quê... você não me acha estranha? Por quê você... fala normal comigo?
- Porque eu faria diferente?! Por acaso você é um Alien?! - Kazuko riu - Só porque tem cabelos brancos, só porque é uma Ojou-sama, só porque você é estranha, não quer dizer que não seja humana, não quer dizer que você irá me matar assim que sairmos daqui, então, qual problema há nisso?
- Fale isso para as outras pessoas.. - sussurrei.
- O que?
- Nada, deixa pra lá - terminei de tomar o suco - Vou voltar lá pra cima, você não vem?
- Não quero ter que enfrentar Ayame novamente, estou bem aqui - ele sorriu - Mas cuidado, ela sim, atraí coisas perigosas, falo sério.
- Certo - ri baixinho.
Ao chegar no telhado, Hokuto estava lá sozinho, mas sem saber muito o que fazer, me sentei ao lado dele.
- Não precisa ficar aqui, sério - Hokuto estava encostado na parede da cabine das escadas, com os olhos fechados sentindo a brisa - Ayame é um pouco atirada eu sei, mas ela é boa pessoa, não tenha medo.
- Não tenho - sorri.
- Ela saiu te procurando quando lembrou que a cantina é cheio de gente, e que você poderia ter alguns problemas com as pessoas de lá, até agora não voltou - já ia me levantar para a procurar - Mas fique, ela vai voltar - Você é uma princesa mesmo?
- S-S-Sou...
- Eu também, mas poucos sabem disso, famílias reais são um problema, tenho que ser o herdeiro do trono de meu pai, mas não quero, sei que não tenho responsabilidade o suficiente para todas coisas que um Rei faz - Hokuto suspirou.
- E o que faz aqui? - o fitei.
- Eu?! - Hokuto abriu os olhos e fitou o céu - Fugi de casa, na verdade meus pais sabem que eu estou aqui, mas não importa o que eles querem, estou bem sozinho, nossas vidas são bem.. - ele me fitou - solitárias, não acha?! - seus olhos tinham uma cor linda, um azul que mais parecia o céu, corei e virei o rosto rapidamente.
- S-Sim..
- Você também mora só?
- Sim..
- O que acha de nós dois morarmos juntos? - meu coração parou ao ouvir aquilo, parou por alguns segundos - seria uma boa ideia, morarmos como um casal - ele ainda me olhava fixamente, eu estava tão nervosa que suava - Somos tão perfeitos que seria até uma boa ideia, não acha Kumiko-chan?
- O que... você disse a ela Hokuto? - ouvi a voz da Ayame se aproximando - Repita... - ela apareceu, pela sua cara estava um pouco com raiva, um pouco só.
- Estava convidando Kumiko-chan para ser minha noiva, gostei dela - Hokuto falou aquilo com uma naturalidade tão grande que me assustei - O que tem de mal nisso? Por acaso está com inveja? - Hokuto a fitou, e conseguiu a deixar com mais raiva ainda.
- Hokuto, vá embora.. antes que eu resolva jogar você daqui de cima do telhado, por favor - Ayame respirou fundo.
- Não fiquei com inveja, você é até bonita - Hokuto se levantou do chão e começou a caminhar para ir embora - Mas acho difícil ser digna de uma princesa - foi embora, Ayame estava quase fumaçando de tanta raiva, e eu, imóvel, sem saber o que fazer, o que falar.
- Dias difíceis, não?! - Ayame respirou fundo e pareceu ficar mais calma - Ainda jogo ele de cima do maior prédio da cidade, espera só.
- Ainda estou um pouco chocada, mais tudo bem... - me levantei do chão com mais calma.
- Não fique sozinha com ele, siga este meu conselho, ele não tem escrúpulos, ele é doido - Ayame suspirou novamente.
- Percebi - ri sem graça.
- Ele não fez algo com você, FEZ?!?! - Ayame gritou e eu me assustei.
- N-N-Não - corei muito - NÃO!
- Ufa... Não se pode dar confiança àquele rato - Ayame parecia pensar em algo - Mas enfim, vamos para a sala, esta na nossa hora já.

Eye, The Story of Fate [C.02]

            Cap.02 - Um dia de coincidências

Não vou mentir que estava com um pouco de medo de ir morar só, de acabar acontecendo alguma coisa e não ter ninguém do meu lado para me ajudar, ou até mesmo me controlar, mas como havia pensando, esta nova fase na minha vida seria o "Teste Final" para o controle total de meus poderes, pois ou eu iria me dar bem sobre tudo isso, ou não, todo o meu treinamento de anos junto com meus pais, iria por água a baixo.
Após terminar de arrumar minhas malas para viajar, desci a escadaria do castelo em direção da porta principal, e lá estavam meus pais, percebi que Kyo estava com os olhos vermelhos quase chorando.
- Sei que nós não temos uma grande intimidade Miko - Derek se aproximou de mim e acariciou minha cabeça, ele falava um japonês um pouco enrolado - Mas saiba que este castelo irá ficar triste sem você, pois adorava tomar café da manhã com você e Kyo - corei - Mas nunca esqueça, sempre... Sempre mesmo, que precisar de qualquer coisa, não exite em me ligar - ele estendeu a mão e me entregou um celular - Não sei se este irá de encontro com seu gosto - ele riu.
- O-Obrigada... Pai - sorri, vi que um sorriso bem desenhado em seu rosto se formou.
- Minha filha - Kyo se jogou em meus braços - Saiba que esta decisão é a decisão mais difícil da minha vida - ela não se aguentou e chorou - Mas sei que você é forte, sei que você irá ficar bem!
- Prometo que vou ficar bem, então não se preocupe Mamãe - sorri novamente, peguei uma das minhas malas e fui caminhando para sair do castelo, para falar a verdade eu estava segurando as lágrimas, aquele momento era difícil, e eu não gostava de demonstrar minhas emoções para os outros.
Após arrumar todas as malas no carro, entrei e sentei-me, baixei um pouco a janela do bando onde eu estava e vi Kyo ainda chorando.
- Eu amo vocês - sussurrei baixinho, não sei como eu sabia da existência daquela palavra, pois a probabilidade de eu usa-la no meu dia-a-dia era zero, e sabia que nunca iria amar alguém novamente, somente eles dois.
- Nós também te amamos Miko - vi uma solitária lágrima escorrendo no rosto de Derek.
Rapidamente o carro partiu do castelo e eu já não conseguia mais vê-lo, resolvi fechar os olhos e esperar dormindo a chegada no aeroporto.
Não sabia o que me aguardava no Japão, nasci lá, e eu não tinha boas memórias de lá, porém, no fundo no fundo, eu queria sim mudar isto, por causa de Kyo, eu estava começando a me tornar uma pessoa mais positiva, mais... Humana.
- Ojou-san (1) - o motorista me acordou - Desculpe lhe acordar, mas chegamos no aeroporto - ele abriu a porta para que eu saísse, já estava até com as malas do lado de fora do carro - Melhor nos apressarmos, por causa do trânsito, estamos um pouco atrasados, perdoe.
- Não me peça desculpas - ri baixinho - Por acaso o trânsito foi culpa sua?! - ele corou - Não! Então vamos, esqueça disso - Saí do carro e fomos andando calmamente para o saguão de embarque.
Não demorou muito para que eu embarcasse no avião, estava um tanto nervosa por viajar de avião, pois não lembro-me da primeira vez que vim para a Alemanha, eu tinha no máximo 4 anos, então seria como uma primeira vez.
- Você parece um pouco nervosa - Ouvi uma voz ao meu lado e virei o rosto rapidamente, apesar de estar viajando na melhor classe que o avião exigia, ainda sim vinha alguém sentado ao meu lado, e infelizmente eu havia esquecido deste ponto - Não sei se está mesmo... - não havia percebido que eu estava olhando fixamente para o rosto do rapaz ao meu lado - Mas não fique, é só um avião, o piloto sabe o que faz - sua voz era macia, me trazia uma sensação boa, ele sorriu delicadamente - Você está bem?! - Como eu não estava respondendo à suas palavras ele achou estranho.
- Estou - virei o rosto para a janela.
- Ainda bem então - ele apoiou a cabeça no encosto da poltrona - Como se chama?
- T-Tsutsukakushi K-K-Kumiko... - demorei um pouco a responder.
- Que nome... bonito, me chamo Kojima Kazuko - após nos apresentarmos ouvi a aeromoça comunicar que iríamos decolar - Sua primeira viagem de avião? - ele falava enquanto colocava o cinto de segurança.
- N-Não... - eu estava nervosa.
Após alguns minutos o avião decolou, foi tudo normal, achei que seria uma sensação horrivel, tirei minha mascara de dormir de dentro de uma das minhas malas pequenas, coloquei no meu rosto e fechei os olhos, seria uma longa viagem.
Mas meu sono não havia sido o suficiente para chegar até o Japão de olhos fechados, acordei no instante em que serviam o café da manhã.
- Ainda pensei em lhe acordar para tomar o café, mas vejo que não precisei - Kazuko sorriu para mim, mas eu não respondi nada, apenas peguei algo para comer da aeromoça e comecei a comer olhando as nuvens.
Não demorou muito até que já conseguia ver uma grande cidade pela janela do avião, e ouvi o piloto confirmar minha vista, havíamos chegado em Tokyo.
- Você vai ficar em Tokyo Kumiko-san? - Kazuko me fitou.
- Não.. - eu não sabia como dialogar com pessoas estranhas, e não estava entendendo porque ele estava sendo tão legal comigo, ninguém se aproximava de mim por causa da minha estranha aparência.
Quando o avião pousou esperei Kazuko arrumar as coisas para ir embora e levantei-me da poltrona.
- Você tem lindos cabelos - Kazuko sorriu e foi embora.
Aquilo me fez parar no tempo, não acreditei que ele tinha dito isso, depois de tudo... de Tudo que eu havia passado, alguém me diz que uma das fontes de todos os meu problemas... é Bonito. Mas eu não acreditei, quando recobrei minha sã consciência, percebi que isso não se passava de uma brincadeira de muito mau gosto, mas como eu já estava meio que "acostumada" mentalmente com todas as reações possíveis das pessoas estranhas, aquilo não era nada, não me abalou.
Saí do avião e peguei minhas malas no saguão de desembarque, as coloquei no carrinho e fui saindo do gigantesco aeroporto de Tokyo.
Vi que ao lado da porta de saída do aeroporto havia uma tela mostrando o valor do aluguel de pequenos jatinhos, e vi que um deles poderia me levar até Toyama, perguntei para a moça que estava ao lado do painel como eu poderia comprar.
No final comprei a passagem no jatinho particular e rapidamente cheguei em Toyama, rapidamente mesmo, não demorou quase nada, o jatinho pousou no aeroporto da cidade.
Ao sair do local, peguei um Táxi e fui para a casa que meus pais haviam comprado exclusivamente para mim.
A casa era exageradamente grande, como sempre na visão de quem mora em um castelo, sempre mais espaço é melhor, mas me pergunto o que vou fazer com uma casa daquele tamanho só para mim.
Assim que entrei em casa e levei todas as minhas malas para o quarto para começar a arrumar minhas coisas, vi um bilhete em cima da cama, e nele tinha escrito: "Filha, espero que tenha gostado da casa e da localização, sempre pensamos no melhor para você, e amanhã mesmo você já tem aula na escola a quatro quarteirões da sua casa, espero que vá, pois é a melhor da cidade, com muito amor, sua mãe, Kyo."
Ler aquilo fez finalmente uma das lágrimas que eu tanto segurava sair, meu peito se apertou, e senti pela primeira vez o que é realmente o significado de "Saudade".
No outro dia arrumei-me como uniforme da escola, eu estava muito, mais muito nervosa, estava com medo da reação das pessoas sobre a minha aparência, peguei a bolsa para sair de casa e ir para o colégio.
O caminho até o colégio era calmo, cheio de árvores, pássaros, um pequeno parque e um lago bem grande, estava tudo perfeito de mais.
Quando cheguei na frente do colégio vi um grande painel na entrada informando aos novatos para irem diretamente na direção da escola, como eu não sabia onde ficava a direção da escola tentei me achar no pequeno mapa no mesmo painel, mas estava um pouco complicado, afinal ele era pequeno de mais para o tamanho da escola.
- Posso lhe ajudar? - uma mulher se aproximou de mim - Sou Yaguiyu Matsumoto, uma das professoras do segundo ano - ela era super gentil, meiga e delicada, mas uma coisa não estava naquela harmonia, seu grandes e chamativos seios, ao meu ver era o sonho de qualquer garoto, até mesmo Gay.
- Sou novata - corei.
- De qual sala? - ela sorriu delicadamente.
- 2-3 - fitei o chão, ela era tão bonita que estava me deixando envergonhada e com uma certa inveja.
- Veja que coincidência, é a sala onde estou dando aula neste momento, venha, quanto mais tempo perder, menos irá aprender - ela segurou minha mão e começou a andar, como eu não tinha outra escolha, a acompanhei - Aqui é sua sala, decorou o caminho?! - ela riu.
- Sim - ainda estava corada, mais com muita mais vergonha.
- Fiquei aqui, vou lhe apresentar na sala, certo? - ela soltou minha mão, entrou na sala e foi fechando a porta, mas não fechou por completo - Bom dia minhas crianças! Hoje é o primeiro dia de aula deste segundo ano e vejo que muitas caras que eu achava que não iriam se quer conseguir passar, estão aqui! - tive um pouco de medo daquilo, acho que por trás daquela fofura, havia algo mais macabro - E temos uma novata em nossa sala! - todos ficaram agitados - Silêncio por favor - todos se acalmaram - Ela vem da Alemanha, mas é japonesa, apresente-se por favor - ela me fitou pelo pequeno espaço da porta ainda aberta, respirei fundo e abri a porta, fui caminhando devagar.
Quando todos viram meus longos cabelos brancos, foi simplesmente um coral, "OHHHH", constrangedor.
- K-K-K-Kumikoooooooo?! - fitei rapidamente de onde vinha meu nome e não acreditei no que vi.
- K-K-Ka...zuko? - sussurrei, não liguei muito para aquilo, aparentemente, pois eu estava ficando louca e quase desmaiando de tão nervosa, suspirei - Me chamo Tsutsukakushi Kumiko, tenho 17 anos... - minha fala estava quase travando de tão nervosa - E acabei de chegar na cidade, morava com meus pais na Alemanha - uma menina de longos cabelos negros levantou a mão e a concedeu a ele o direito de pergunta.
- Você é uma Ojou-sama (1) ?! - ela sorriu, e todos ficaram surpresos.
- Q-Q-Quê?! - como ela sabia daquilo.
- Para a surpresa de todos eu sou muito interessada sobre as famílias ricas e importantes de todo o mundo, sei muita coisa, e a uns anos atrás tinha visto que uma moça de uma família também bastante importante daqui do japão havia se casado com um Alemão e eles dois tinham uma filha, então pelo seu sobrenome, só pode ser você! - enquanto ela falava meu coração disparava - Não é mesmo?! - eu não conseguia responder.
- Você não precisa responder Kumiko-san - Matsumoto-sensei riu meio sem graça - sente-se ali - ela apontou para uma cadeira ao lado da janela, fui andando calmamente e sentei-me, suspirei.
Mas que começo.

--- Notas ---
(1) Ojou-sama - Comumente usado para falar com garotas ricas ou de um patamar superior, é também comumente utilizado para com garotas que aparentem estas características ou até mesmo por vândalos e yakuzas para com algumas garotas.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Eye, The Story of Fate [C.01]

            Cap.01 - Um começo trágico

Todo mundo deseja algo, todo mundo tem uma vida boa, mesmo com o surgimento de problemas, mas todo mundo acaba superando todo tipo de barreira em sua vida, admito que tenho uma verta inveja das pessoas "livres", tanto de corpo, quanto de alma, pois eu nunca serei.
Minha vida já se deu com um início trágico, minha mãe precisou de tanto esforço para ter-me, que acabei tirando sua vida, mas o pior não parou por aí, ninguém sabe o por quê que eu nasci com um "defeito", a maioria das pessoas que sabem do meu "defeito" o chamam de poder, já eu não considero isto como um dom.
Posso controlar qualquer ser vivo com meus olhos, e foi por este motivo que meu pai simplesmente me largou no primeiro orfanato que viu pela frente. No instante em que nasci chorei como toda criança, mas ao abrir os olhos, meus olhos não tinham uma cor normal, eram tão vermelhos quanto sangue, mas após alguns segundos voltaram para uma cor normal, logo em seguida, o pouco cabelo que eu tinha começou a mudar de cor, do preto para o branco.
Meu pai assustado, largou-me em cima da cama onde estava minha mãe, já morta, e pediu que me levassem embora da casa, pois ele não queria um mal maior para sua vida, além do mais, eu matei minha mãe.
Após cinco anos no orfanato, após muita solidão, após ver todas as outras crianças da minha idade serem adotadas, um casal pediu para que uma das voluntárias da casa lhes trouxessem a ultima criança que faltava ser adotada, rapidamente a mulher foi a minha procura, lembro-me que ela vinha em minha direção com um sorriso confuso, não parecia saber se ficava triste ou alegre, pois nenhum casal queria me adotar.
A mulher me apresentou para um casal bem jovem, percebi que aparentavam ter bastante dinheiro, pois na porta do orfanato haviam vários seguranças, o homem pareceu um pouco confuso ao fitar meus longos cabelos brancos e perguntou para a voluntária porque meu cabelo era daquela cor.
Mesmo antes da voluntária responder, a mulher rica retrucou e disse, "Do que importa a cor do cabelo dela amor?! Veja a cara de solidão desta criança", no mesmo segundo o homem olhou profundamente em meus olhos, como sempre não resisti e o fitei, meu corpo pulsou, e percebi que meu corpo estava sendo controlado pelo meu "defeito" e virei o rosto rapidamente para que não estragasse tudo.
Alguns minutos depois de espera a voluntária veio com a noticia de que eu seria adotada, com muita alegria fui arrumar minhas poucas coisas para ir embora.
Ao entrar no carro junto com o casal a mulher foi logo me fazendo milhares perguntas, com muita timidez tentei responder o mais educadamente possível, mas uma pergunta não passou sem que eu não sentisse uma dor no peito.
- "Por quê você estava lá?" - a mulher estava sentada ao meu lado, acariciava meus longos cabelos brancos, mesmo querendo responder, senti medo que ao contar a verdade ela me devolvesse no mesmo segundo - "Conte-me a verdade, sou sua mãe agora, não irei lhe devolver ou coisa parecida" - Ao ouvir aquilo meu coração pulsou rápido e mesmo sem querer um sorriso escapou de meus lábios - "Não precisa me dizer agora certo?! Temos bastante tempo juntas, aliás, como se chama?" - Continuei sem responder - "Você... não tem um nome?!" - ela pareceu espantada - "Ótimo, lhe darei um nome, e o mais lindo, Kumiko, era o nome da minha falecida avó, o que acha?" - Sorri - "Fico feliz que tenha gostado, me chamo Kyo Tsutsukakuchi, este é meu marido, Derek, como você pode perceber, ele não é japonês como nós, ele é filho de um importante soberano na Alemanha, e é pra lá que estamos indo".
Tentei observar o que Derek fazia, estava sentado ao lado de Kyo, apenas observando a paisagem no lado de fora do carro, mas procurei não o encarar tanto, ele não parecia me aceitar ainda.
Após uma longa viagem havíamos finalmente chegado em um dos gigantescos castelos onde eles dois moravam, me instalei em um quarto, mas foi incrivelmente difícil me acostumar com todas os empregados dentro do castelo, para tudo o que eu precisava havia um ao meu lado para me atender.
Aos poucos fui me acostumando com tudo aquilo, minha nova casa, a fazenda ao lado do castelo, a minha "liberdade", ou a que eu achava que tinha. Não fazia ideia de como era bom ter uma família, e até o Derek começou a gostar mais de mim.
E também com o passar do tempo fui explicando mais a minha situação para Kyo, era bem complicado contar a ela sobre o que eu tinha de anormal, mas ela parecia estar aceitando qualquer tipo de conversa, afinal ela já parecia saber de algo, saber que eu não era como todas as outras crianças.
Em um dia, antes de ir dormir, ela apareceu no meu quarto para me dar boa noite, foi ai que eu resolvi lhe contar o que realmente eu tinha de diferente.
- Kyo, já se passou tanto tempo desde que estou aqui, então acho que lhe devo alguma explicação sobre meu passado, sobre... 
- Deixe isso pra lá, o que importa é o agora Miko-chan - Kyo falou antes que eu pudesse me explicar e sorriu.
- Eu quero lhe contar - a fitei fixamente, tive um pouco de medo que emu subconsciente pudesse prevalecer sob minha mente e controlasse Kyo ali mesmo, mas ela rapidamente respirou fundo e sentou ao meu lado na cama.
- Você tem todo o tempo do mundo Miko-chan.
- Sei de todas essas coisas que vou lhe contar porque uma das mulheres que cuidava de mim no orfanato estava junto de meus pais verdadeiros no dia do meu nascimento - Respirei fundo - Quando eu nasci, minha mãe morreu..
- Morreu?! De que? - Kyo pareceu assustada.
- Não sei dizer mas parece que ela já tinha algum tipo de problema de saúde, e meu nascimento exigiu muito dela..
- De maneira alguma quero que se culpe! - Kyo pareceu ler minha mente - Não foi culpa sua!
- Mas o pior não é isso... - baixei meu rosto - Quando meu pai me tirou do ventre de minha mãe, chorei e meus olhos se abriram, o que não é normal um recém nascido abrir os olhos, mas meus olhos...
- Continue! - ela parecia curiosa.
- Não eram normais...
- Como... assim?
- Meus olhos eram tão vermelhos quanto sangue, pareciam quase sangrar - quase sussurrei - E no mesmo instante o pouco cabelo negro que eu tinha mudou de cor.
- Mas... por quê?
- Ninguém sabe, só sei que meu pai pediu para que alguém me levasse embora da casa dele, pois não queria nenhum mal com ele, então a mulher me levou para o orfanato e...
- Como ele pôde... - Kyo estava indignada com aquilo.
- Alguns voluntários do orfanato nem se quer chegavam perto de mim depois do que aconteceu..
- O que aconteceu Kumiko?
- Como meus cabelos são brancos e estranhos, as crianças não costumavam querer brincar comigo, eu sempre ficava sentada, longe, olhando todos se divertirem, mas um dia, uma menina teve a coragem de me chamar pra brincar, quando ela se aproximou para tentar falar comigo, olhei fixamente em seus olhos e perdi o controle total do meu corpo, não lembro muito bem o que aconteceu, mas sei que uma coisa não sai de minha cabeça..
- O quê?
- As pupilas desaparecendo de dentro do olho da menina, na verdade ela parecia um zumbi, e uma palavra saindo de minha boca, que até hoje não sei como isso aconteceu... - uma lágrima escorreu no meu rosto.
- Kumiko?!
- "Morra"..
- C-Como assim?! O que houve?! - Kyo se exaltou.
- A menina... deu uns passos pro lado, subiu em um brinquedo bastante alto que tinha no parquinho e se jogou de cabeça, era... tanto sangue... - chorei mais - Eu... eu... não sei...
- Calma - Kyo me abraçou - Se acalme.
- Não sei porque aquilo aconteceu! - deixei o choro sair, depois de tanto tempo.
- Não foi culpa sua, tenho certeza Kumiko, pode confiar em mim, eu vou lhe ajudar - Kyo foi a primeira pessoa em que eu pude confiar, foi a unica pessoa em que eu realmente senti vontade de confiar.
Durante anos, fiz vários treinamentos para a mente, para tentar encontrar alguma maneira de controlar o que estava dentro de mim, o que me fazia querer controlar as pessoas para o mal, mas o maior de todos os meus treinamentos estava por vir, quando completei 17 anos Kyo disse que eu teria que voltar para o japão, pois eles iriam se mudar daquele castelo, eu teria de viver só, por minha conta e risco, sem ninguém para me ajudar.
Não vou mentir que no inicio senti medo, mas vi que aquilo seria para o meu bem, eu não poderia ficar ali, dentro de um castelo, trancafiada para sempre, sem viver minha vida, como todo ser humano tem que viver, e concordei com minha ida ao japão.

Eye, The Story of Fate [PERSONAGENS]

Nome: Kumiko Tsutsukakushi
Idade: 17 anos


 Nome: Kazuko Kojima
                                              Idade: 18 anos
         Nome: Ayame Imai
Idade: 17 anos


Nome: Yaguiyu Matsumoto
Idade: 28 anos

Nome: Matsuo Hokuto
Idade: 17 anos
                                           Nome: Yoshida Sumi
                                                Idade: 19 anos
Nome: Hashimoto Kenji
Idade: 20 anos

Eye, The Story of Fate [INTRODUÇÃO]


Eye, The Story of Fate [CAPA]


If these wings could fly [C.04]

Cap.04 -O Acidente Quando eu falo que fiquei por muito tempo no telhado, eu não estava mentindo, até peguei no sono, só acordei com...