segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Symphony Of Death [C.08]


                       Cap.08 - A Ira
- O que acha que podemos fazer para ela falar? - Aoki a fitou.
- Sinceramente?! Não faço a minima ideia - ela suspirou - ela não disse pra mim, quando lhe perguntei sobre meus pais, ela sempre muda de assunto, vira a cara e não diz nada, é sempre assim - Kyoko começou a mecher na caixa a sua frente.
Ia nos mostrando várias fotos sobre a primeira geração de sua familia que teve acesso a câmeras, e pinturas pela a casa, até que subimos no sóton da casa, estava tudo cheio de poeira, Aoki, que era alergico a poeira, resolveu não subir.
- Bom, aqui são as reliquias de minha avó, ela nunca deixa eu subir aqui, mas quando ela sai pra trabalhar, ou coisas do tipo, sempre eu subo aqui... - ela começou a olhar para todos os lados, como se procurasse algo - sei que ela esconde muita coisa em algum compartimento secreto aqui, mas não sei onde é, já revirei tudo! Mas nunca encontro.
- Tem certeza que esse tal "Compartimento secreto" está aqui?! - a fitei.
- Não sei, se soubesse não seria secreto - rimos um pouco.
Comecei a mecher em algumas coisas, haviam fotos muito antigas, e pinturas, mas um quadro me chamou muito atenção, ele estava virado para a parede.
- Porque aquele quadro esta virado pra parede Kyoko?! - apontei para onde o quadro estava.
- Esse quadro é o mais velho dentre todos os registros visuais que nós temos, vire-o - me aproximei do quadro e o virei com cuidado - dizem que esse homem é aquele da história que lhe contei, nem mesmo minha avó sabe ao certo quem é, mas da minha familia nós sabemos que é sim - havia um homem muito bem vestido, em uma paisagem, ele estava sentado em uma cadeira, ao seu lado havia uma criança, de olhos negros, e cabelos brancos, o homem olhava para frente, com um sorriso de sofrimento, seu rosto transmitia uma dor tão grande que nem consigo descrever o que senti quando olhei em seus olhos - agora o mais intrigante é isso - Kyoko e aproximou de mim e apontou para o canto superior esquerdo do quadro - já pesquisei sobre os artistas plásticos de todas as épocas em relação a minha familia, e todos os pintores que tiveram algum tipo de relação, sempre, sem nenhuma exceção, assinavam no canto inferior direito do quadro, e porque esse assinou aqui?! Agora se você olhar bem, vai ver o que está realmente escrito, a assinatura do pintor - me aproximei e fiquei surpreso.
- "SoD" - sussurrei.
- Isso... - ela cruzou os braços - quando descobri esse quadro, passei dias, tentando desvendar o mistério dos olhos dessa garotinha, olhe bem, não é como se ela olhasse pra dentro da sua alma?! - quando ela disse aquilo, pareceu que tudo se encaixou, tive um "estalo" na mente.
- Olhasse... pra onde?! - fitei seu rosto.
- A..lma, mas o que tem?! - ela ficou confusa, deixei o quadro em um lugar onde eu pudesse o observar - o que houve?
- Não sei se foi pura coincidência você estar no mesmo hospital que nós, mas... Você ainda não se perguntou, o porque de nós estarmos lá? - a fitei novamente.
- Verdade, o que vocês faziam lá?
- Nós estavamos em uma viagem de final de colegial, e quando cheguei lá, ouvi uma conversa entre duas meninas, comentando sobre a morte de sua prima, e o desespero de sua mãe, e quando falaram "SoD", eu enlouqueci sabe, e perguntei se alguma delas tinha ouvido a música, uma delas... Lucy - engoli a seco após lembrar de suas palavras no hospital - disse que tinha ouvido apenas metade da música, e no mesmo dia de noite vi a luz nela, e me deseperei - suspirei - mas me acalmei e fui dormir, no outro dia de manhã, Aoki chegou no quarto dizendo que Lucy tinha seido levada às pressas para aquele hospital, e lhe contei sobre tudo, absolumente tudo que eu sabia, quando chegamos no hospital, e fomos no quarto de Lucy, ela estava muito maltratada, muito pálida.. Enfim, mal, e quando cheguei perto dela, ela acordou, e aconteceu a coisa mais assustadora da minha vida.
- O que?!
- Ela se aproximou de mim, e começou a falar umas coisas estranhas, a me fazer perguntas, com uma voz muito estranha, até que ela encostou no meu rosto... - lembrar daquilo me fez tremer - foi como se a morte tocasse meu rosto e me arrancasse um pouco da minha vida entende, foi muito ruim.
- O que ela disse?
- Bom vou resumir, ela perguntou se eu tinha me olhado no espelho, ai eu disse que sim, porque no mesmo dia eu tinha acordado com uma cicatriz gigantesca nas costas, e não sei o que ou quem fez isso, ai ela disse exatamente isso, "Então da próxima vez, olhe mais atentamente, não olhe para o espelho em si... Olhe para a sua imagem, e veja o que eu... Aliás, nós.. vemos!", nossa, aquilo me deixou sem reação, você não tem noção Kyoko, me veio bilhões de coisas na cabeça, e eu não sabia o que pensar e ao mesmo tempo o que fazer, eu tava ficando louco, e quando ela terminou de falar, tirou a mão do meu rosto e morreu, eu fiquei imóvel, e minha cicatriz, que não tinha sangrado ainda, tinha acomeçado a jorrar muito sangue, até que eu desmaiei.
- N-N-N-Nós?! - ela ficou surpresa - Quem?!
- Pois é... Também gostaria de saber quem são, de onde são, e como eles conseguiram fazer isso com Lucy!
- Mas porque ela morreu, se ela só tinha ouvido a metade da música?
- E outro fator, sempre tem que passar de três a duas semanas, mas ela tinha ouvido a música no dia anterior e morreu, como pode isso?! 
- É tanta coisa que nós não sabemos que eu fico doida só em pensar..
- Gente! Desculpa atrapalhar ai a conversa de vocês mas acho melhor vocês descerem aqui! - Aoki gritou e fomos correndo.
- Que foi?! - Aoki estava na sala de jantar, parado do lado da mesa que ficava no centro da sala, nós nos aproximamos.
- Olha juro que não fiz nada, eu só topei no tapete - Aoki estava nervoso.
- Mas... o que é isso?! - Kyoko olhou pro chão e viu vários papéis caidos em cima do tapete, logo ela se abaixou e olhou para a parte de baixo da mesa, e viu um tipo de "portinha", de onde os papeis cairam, ela pegou e nós nos sentamos nas cadeiras para ver o que tinha nos papeis - são cartas!
- Verdade! - peguei uma das cartas para ler, e pareciam cartas de amor, ou não - são cartas tristes... nossa - fui lendo até o final, até que ouvi Aoki sussurrando a letra da tal música - NÃO! - puxei a carta da mão dele - NÃO LEIA NENHUMA LETRA DA MÚSICA, TÁ LOUCO?! 
- Nossa é verdade! - ele ficou assustado - que medo.
- Eu hein - suspirei e voltei a ler a carta que tinha em minhas mãos.
Depois de uns minutos terminamos de ler quase todas, só faltava uma, e era a que se destacava mais, e Kyoko pegou para ler.
" Somente os fracos traem, destroem corações, vidas, por tão pouco... Me pergunto se você é mesmo o fraco que sei que você é. Nunca quis, e nunca vou querer acreditar que isso tudo foi verdade meu amor, pois meu amor por você foi... Não.. É tão incondicional, que amo-o mais que a mim mesma, e sim, isto já se tornou uma doença, mas o que posso fazer, se amo-te?! O amor machuca, nos faz sofrer, mas nós só lembramos dos momentos ruins desse amor, foi por isso que aguentei sua fraqueza por bastante tempo meu amor, mas meu pobre coração não é de imortal, ele sofre, se desgasta até que... Morre. Não espero que você seja feliz com a outra mulher, você me amargurou até meu ultimo segundo meu amor, isso não é coisa que se faça, principalmente com a mãe de sua filha!! Mas, já não lhe sirvo mais de nada, já não posso mais fazer nada, apenas morrer. Antes de tudo, deixarei uma lembrança de meu sofrimento, da minha amargura para todos seus sucessores, deixarei a solfa da morte, aquela que trará todo o sofrimento que tive, que você me fez passar. E quando sua mulher estiver gerando o fruto do seu amor, verá a ira... A nossa ira...
                                           Emiko."

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