segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Konna Koto Hajimetette [C.07]
Cap.07 - O Tigre e o Dragão
- KAZUO-KUN!!! - uma mulher vinha correndo em cima de um prédio bem alto - por favor, não faça isso comigo!! - ela caiu de joelhos nos pés do homem que estava olhando a vista da grande cidade de noite.
- Kiichi saia daqui - ele falou bem sério, e o vento balançou seu cabelo negro como a escuridão - já mandei parar com isso.
- Kazuo-kuuun por favor - ela tinha longos cabelos brancos e pele morena, olhos roseados e um corpo bem volumoso - Sou sua e você sabe disso, então porque faz isso comigo Kazuo-kun?! Não me deixe aqui sozinha!
- Já disse mais de 5 vezes que eu tenho coisas para tratar e você não vai me atrapalhar Kiichi! - ele falou bem firme e a mulher se levantou.
- Ka-kun - ela ficou na frente do homem e beijo seu pescoço - não vá embora, não me deixe aqui - ele ficou com raiva e a segurou pelo pescoço, a levantando do chão - Ka...zuo... - ela falou com dificuldade.
- Já mandei parar! - ele a arremessou contra uma antena enorme que tinha em cima do prédio - não vou deixar mais ninguém me atrapalhar, tenho que matar ele de uma vez por todas!
- Você sabe que não consegue.. - Kiichi falou baixinho e Kazuo se virou com ódio dela, com um único movimento apareceu na frente dela - Kazuo-kun perdão! perdão!
- Você não se atreva a falar isso! - Kazuo se abaixou e a segurou pelo rosto.
- Não me machuque mais Ka-kun, por favor - ela parecia chorar, então ele a soltou, se levantou e foi andando para o mesmo que lugar que estava antes, com as duas mãos nos bolsos da calsa preta, em seu terno preto.
- Eu nunca vou desistir de você, e você sabe disso Kazuo! - Kiichi se levantou e limpou o sangue que escorri de sua boca, se aproximou dele e beijou seu rosto - agora você sabe que é impossível! - no instante em que ela disse isso Kazuo tirou rapidamente uma das mãos do bolso que se envolveu em um vacuo e rasgou o ar, mas Kiichi foi mais rápida e desapareceu - Você sabe disso.
Ele respirou fundo, muito frio, e colocou a mão em seu bolso novamente.
- Vou arrancar sua cabeça, e depois lhe entregarei de presente Kiichi, e verá, o impossível! - seus olhos amarelados brilharam.
Acordei de um pesadelo horrível e dei um pulo da cama, estava respirando muito rápido e suando.
- O que houve Yoko? - Daisuke veio até mim rapidamente - Que foi?
- Tive um sonho ruim, e um pressentimento pior ainda...
Konna Koto Hajimetette [C.06]
Cap.06 - A Explicação da minha nova vida
- Quando a gente chegar em casa, por favor, não deixe, em hipótese alguma minha mãe ver você! Entendeu? - fui andando na frente enquanto ele vinha atrás com as duas mãos dentro do kimono branco com lilás e de cara fechada.
- Sim, senhora - ele falou baixinho.
- Não sou velha pra ficar me chamando de senhora, cachorro - fiquei mais irritada ainda.
- Cachorro?! - percebi que ele tinha parado de andar, e percebi também que atingi o nervo fraco - Não sou um cachorro menina! - ele logo apareceu na minha frente, foi tão rápido que me assustei e dei uns passos para trás - já disse sou uma RAPOSA, não confunda, nem se quer me compare com essa raça! Entendeu?!
- Tanto faz - nem liguei para o que ele disse e voltei a andar - espero que tenha entendido bem.
- E você acha que vai ficar me escondendo da sua mãe pra sempre menina?!
- Olha aqui - me virei para ele e o parei - Eu tenho nome! - olhei fixamente para ele.
- Yoko - ele disse engolindo a raiva.
- Isso - sorri sarcasticamente e voltei a caminhar em direção da minha casa - Claro que vou esconder você, afinal só eu posso lhe ver.
- Não, não! - ele apressou o passo para me acompanhar - Entenda, eu sou um demônio, não um espírito! Espíritos quando vem ao seu mundo, realmente só podem ser vistos por Divindades, demônios, Deuses ou outros espíritos, porque ao virem para esse mundo, como não possuí um recipiente, um corpo, para se materializar fisicamente, não podem ser vistos! Então qualquer pessoa pode me ver Yoko, qualquer um!
- E .. agora? - fiquei assustada, não sabia o que fazer.
- E agora que ou você inventa uma desculpa, ou eu vou embora - ele sorriu, parecia bem feliz.
- Nós vamos pra minha casa e ponto final! Nem que você durma na casa do cachorro, mas vai ficar lá, não quero correr o risco de morrer! Entendeu? - o olhei bem séria, e logo estávamos na frente da minha casa - Por enquanto não vou falar nada, certo?! Você só precisa ficar no meu quarto, e quando minha mãe for querer entrar nele, você saí, simples assim - abri a porta e vi se minha mãe já tinha ido dormir - pronto, ela foi dormir, agora vai pro meu quarto, que só vou pegar alguma coisa pra comer e já subo, entendeu?
- Certo - como sempre, parecia fazer tudo contra a sua vontade, mas ele foi subindo as escadas bem obediente.
Corri na cozinha e peguei uma lata de refrigerante e uns dois pacotes de biscoito, afinal eu saí de casa pra comer porque minha mãe morga dia de domingo e não cuida de nada da casa e nem comida, mas como fui atacada por outro demônio nem pude ir comer, então tenho que comer agora, qualquer besteira.
Peguei tudo e tentei não fazer nenhum barulho, minha mãe tinha o sono bem leve para falar a verdade. Fui subindo as escadas bem devagar, e rapidamente entrei no quarto.
- Ufa - respirei aliviada - Por favor, não faça muito barulho, minha mãe acorda com qualquer barulho!
- Certo - ele deitou no chão de lado, costas pro resto do quarto todo.
Quando terminei de comer, fui ao banheiro trocar de roupa e escovar os dentes para ir dormir, depois me joguei na cama, estava exausta.
Fiquei por alguns segundos pensando em tudo que tinha me acontecido, era tudo confuso de mais, estava esperando que quando eu fosse dormir, acordasse e percebesse que tudo isso não passou de um sonho bobo.
- Amanhã tenho que ir pro colégio, então você vai ficar aqui até eu voltar, entendeu? - tentei ser firme.
- Colégio? - ele virou um pouco a cabeça para trás e me olhou.
- Aula?
- Aula? - ele virou totalmente a cabeça e o corpo, parecia não entender sobre o que eu estava falando.
- Faz assim - me sentei na cama e o fitei - amanhã vou ficar fora das 7 até o meio dia, certo?
- Mas é perigoso de mais sair sozinha! - ele falou em um tom estranho, como se tivesse preocupado.
- E você se importa?
- Claro que sim! - quando ele disse aquilo eu corei - Quer dizer.. Tenho que me importar, se você morrer agora eu realmente morro Yoko, e agora que você se tornou uma Divindade, não só Demônios estão vindo atrás de você, mas espíritos, Deuses, Você sabe ao menos o que ser uma Divindade representa? - fiquei calada - Nem isso você sabe?! - ele balançou a cabeça negativamente - Você pode se tornar o que você quiser, um Deus, um demônio, ou até mais que isso..
- Mais?!
- Você pode representar o que você quiser, ser o que você quiser, e como você tem a mim como seu servo, farei o que você desejar, qualquer coisa - isso pareceu um pouco estranho - Você deve escolher logo, o que você quer representar.
- Como assim?!
- Não existe somente você de Divindade aqui no seu mundo Yoko, existem muitos outros, até aqui mesmo no seu país, então cada um escolhe um elemento um objeto, um poder, uma forma de vida, qualquer coisa! Para representar para que sempre lhes traga proteção, mas em momentos de conflito poderá virar seu maior inimigo, entendeu?
- E quando que eu preciso escolher?
- Não é assim tão fácil Yoko - ele falou firme - é a sua vida que está em jogo, é uma coisa que você tem que pensar nos prós e nos contras de tudo!
- YOKO! COM QUEM VOCÊ ESTA CONVERSANDO???? - minha mãe bateu na porta e começou a gritar - NÃO ADIANTA ESCONDER QUE EU TÔ OUVINDO OUTRA VOZ AÍ!!
- Puta merda - dei um pulo da cama e comecei a andar de um lado para o outro pensando em como esconder o Daisuke - O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço? - Daisuke se levantou do chão e me segurou pelo ombro.
- Calma - ele sorriu de um jeito que me acalmou mesmo - logo deu as costas, abriu uma janela e desapareceu - "Eu volto" - ouvi no ar.
- YOKO ABRA JÁ ESSA PORTA MENINA! - minha mãe estava furiosa e corri para abrir a porta - Onde ele está?!
- Quem mãe? Tá louca? - tentei fazer um teatrinho ali, tomara que eu seja boa atriz e ela acredite em tudo - Não tem ninguém aqui.
- Eu ouvi Yoko, você não em engana - ela entrou no quarto como um touro enlouquecido procurando por alguém, então tive uma brilhante ideia.
Me sentei perto do computador e comecei a meche, sem que ela percebesse, e coloquei um filme, até que ela se virou e me olhou furiosa.
- Acha que eu sou burra? E você?! Tava conversando com o filme? - ela cruzou os braços esperando a maior mentira do mundo.
- Mãe - comecei a chorar, tão falsamente que até eu fiquei com raiva de mim mesma - o filme eh muito emocionante, eu tava aqui gritando para que o Johnny não fosse se encontrar com a Lauren e você aí achando que eu tava com alguém aqui, meu Deus hein!
- Desculpe minha filha - ela me abraçou, deu certo! - achei mesmo que você estava com alguém aqui, ouvi a voz de um homem e achei que você tinha chamado alguém pra cá sem me avisar, me desculpe, vou voltar pro meu quarto - e ela foi embora bem rápido.
- Ufa!! Mas que dia horrível!
Daisuke apareceu de repente na janela e eu tomei um susto.
- Meu DEUS! será que da pra parar de me assustar?! - suspirei e passei a mão no rosto, estava exausta - tô vendo que minha vida vai se tornar um inferno - me joguei na cama.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Konna Koto Hajimetette [C.05]
Cap.05 - Um Contrato e Um Beijo
- Não é uma coisa fácil de se entender, agora imagina pra mim, que não quero - ele suspirou.
- Se não quer, então porque simplesmente não vai embora? - o fitei, e ele me olhou nos olhos.
- Não é tão simplesmente assim, mas nosso contrato não está nem feito completamente ainda.. Pensando bem.. - ele sorriu.
- Se não quer, vá embora - tentei passar tranquilidade.
- Você tem razão! - ele se levantou da cadeira e foi indo embora.
Percebi que se ele fosse embora eu iria morrer a qualquer momento, e ele parou de andar quando viu meu rosto com uma aflição horrível.
- Já falei pra ir embora! - olhei pro chão com raiva - minha vida não é responsabilidade sua!
- É sim.. - ele suspirou e o fitei.
- Prefiro que vá embora.. - me levantei da cama e fui ao banheiro escovar os dentes.
Quando voltei ele estava sentado na minha cama.
- O que está fazendo aqui ainda? - cruzei os braços com raiva.
- Se você morrer...
- O que tem? Não vai mudar nada na sua vida! - fui indo para o computador.
- Eu morro - aquilo me fez parar de andar, e o fitei assustada.
- Mas você disse que ainda não fizemos o contrato não é?! Então acho que não vai acontecer nada com você, vá - me sentei e comecei a meche no computador, mas ele nem se moveu.
Ele pareceu ficar com raiva do que eu falei, abriu uma janela e sumiu novamente.
- Ótimo! - suspirei.
- Yokooo! Cheguei! - ouvi a voz da minha mãe e logo ela veio até o meu quarto e abriu a porta - já comeu filha?
- Acabei de acordar mãe - sorri.
- Que.. cheiro de cachorro molhado é esse no teu quarto menina? - ela parou para procurar algum cachorro no quarto - você sabe que..
- Não mãe, não trouxe nenhum animal pra cá - suspirei e voltei a meche no computador.
- Eu hein, o que houve?! - ela me fitou, mas não respondi - vá comer filha, vou dormir mais um pouco, já que é domingo, dia de descansar - ela riu e fechou a porta.
Quando foi anoitecendo, fui tomar um banho, estava com muito calor, me vesti e resolvi ir comer fora, peguei um dinheiro que eu tinha e fui indo a uma lanchonete que tinha perto da minha casa, passei pela praça que aquele lagarto louco tinha aranhando meu rosto, e senti um arrepio na espinha.
- Porque eu fui abrir aquela porcaria de vaso, porque meu Deus - falei baixinho.
- Arrependimento mata sabia - ouvi a voz de uma mulher, que se aproximou rapidamente de mim.
- Quem é você? - já fiquei alerta e me afastei dela.
- Eu? Adoraria ser sua serva, diferente daquela raposa idiota, que só magoou seu coraçãozinho criança - ela passou a mão no meu rosto, me senti um pouco reconfortada depois daquilo - pena que você não pode fazer um contrato comigo, se desse com um único beijo o contrato seria feito, e eu seria sua serva - ela fez uma cara de triste.
- Porque não? - falei tão rapidamente que nem percebi que tava falando normalmente com um demônio.
- Porque eu não sou sua escolhida, Divindade - ela sorriu.
- Como assim? Eu digo quem eu escolho ou não! - falei meio alto.
- Sabemos disso criança - ela riu - mas não funciona assim.
- Porque não? - fiquei triste - não quero morrer....
- Você deveria ter pensado nisso antes de abrir aquele vaso, lhe foi avisado, tudo lhe foi avisado, mas mesmo assim você o abriu.
- Verdade... - me sentei no banco da praça.
- As escolhas que podem lhe trazer mal ou bem, são feitas unicamente por você criança, não são outros que decidem seu futuro, mas sim você! - a mulher se sentou ao meu lado - fique calma, vai da tudo certo! - ela sorriu e passou a mão no meu ombro e o beijou.
Comecei a ficar meio zonza e caí no chão, não estava conseguindo meche meu corpo, mas estava de olhos bem abertos, a mulher se levantou e me levantou me puxando por um dos braços.
- Agora vou comer você, vou ficar forte e linda! - ela gritou e riu.
Porque resolvi abrir aquele vaso?! Porque?! Porque falei aquele jeito com aquele homem?! Ele.. mesmo sendo contra a vontade dele, ele parecia... ele iria me salvar se eu não tivesse sido tão idiota... Mas agora vou morrer, de que isso tudo adianta?! Se eu pudesse desejar uma ultima coisa, desejaria que ele viesse me salvar.
Jorrou sangue para todos os lados e a mulher caiu partida em vários pedaços no chão, meu corpo foi caindo no chão mas o homem me segurou.
- Porque saiu de casa?! - ele parecia preocupado.
Tentei meche meu corpo o máximo possível e o beijei.
Ele arregalou os olhos e não se moveu, surgiu uma luz ofuscante ao nosso redor e foi diminuindo no meu pulso, logo em seguida meu corpo voltou a se mover, fiquei em pé e olhei meu pulso, havia uma patinha bem pequena.
- Porque fez isso?! - ele parecia furioso - porque fez o contrato garota?!
- Porque eu não quero morrer! - gritei e ele se ajoelhou, percebi que ele tremia.
- E-Entendi, desculpe - ele gaguejou.
- O que foi isso?! - sussurrei - enfim, vamos pra casa.
- Espere! - ele segurou meu braço e eu me virei - Me chamou Daisuke Nakagawa, serei unicamente seu servo, até sua ultima ordem, não importa qual seja, mas sempre irei lhe obedecer! - ele me olhou nos olhos e eu corei.
- Meu nome é.. Y-Yoko Miyamoto - fiquei um pouco nervosa - certo, agora vamos pra casa! - Fui andando na frente.
Konna Koto Hajimetette [C.04]
Cap.04 - Desmaios, desmaios
- Porque você abriu menina?!?! - eu estava tremendo, com muito medo - responde! - desmaiei.
Sei que não era uma boa hora para desmaiar, mas não me controlo, fiquei com tanto medo que se duvidar fiz xixi no meu short, só que não, não fiz.
Quando acordei, estava deitava no sofá, fui me levantando.
- Então você finalmente acordou - senti um arrepiu na espinha.
- Por favor.. seja quem for você.. não me mate, por favor - comecei a chorar.
- Porque você violou o Talismã menina? - a voz era de um homem, uma voz forte e decidida e aquilo estava me deixando com mais medo ainda.
- Eu.. EU NÃO.. NÃO ME MATEEE - chorei alto.
Ouvi alguém se aproximando rápido e logo algo puxou meu rosto com força.
- Entenda de uma vez por todas, não vou matar você, agora me explique porque violou o Talismã?! - tinha uma cheiro de cachorro molhado, cabelo curto branco e olhos bem grandes amarelos, mas o que mais me chamou atenção foram as duas orelhas grande de peludas em cima de sua cabeça.
- O.. O-O que você... é?! - engasguei.
- Responda! - ele gritou.
- Eu..
- Responda!
- Estava curiosa!! - gritei, ele soltou meu rosto e eu dei um pulo pro outro lado do sofá - não encoste mais em mim! - fiquei com muito medo.
- Sabe ao menos o que iria acontecer se você abrisse aquilo garota? - ele passou a mão no cabelo branco e suspirou.
- O-O-O q-que?!
- Não acredito... - ele suspirou de novo - Agora eles virão atrás de você.
- Eles?! - meu coração disparou mais ainda - Eles.. quem?!
- Os outros demônios é obivio menina! - ele disse com raiva.
- M-M-Mas por quê?!
- Porque você abriu o vaso!
- E o que aconteceu quando eu abri? - ele me fitou sério, como se não acreditasse mesmo que eu abri sem saber o que iria acontecer.
- Esquece, melhor eu te deixar pra morrer aqui mesmo - ele foi dando as costas e indo na direção de uma das janelas, corri para perto dele e segurei seu braço, o impulso foi tão grande de não querer morrer, que fiz algo que realmente poderia me levar a morte.
- Espere! - quando percebi que estava segurando seu braço, parei e fiquei imóvel.
- Humana... - ele falou baixo - NÃO ME TOQUE! - Ele bateu no meu braço que me fez o soltar e a força foi tão grande que eu caí no chão - Não.. não me toque! Foi você quem o abriu, então pague por sua curiosidade e imprudência garota! - ele abriu a janela e foi embora.
Fiquei ali no chão sentada por vários minutos, esperando ele voltar, mas não voltou, na verdade eu nem sabia porque que eu queria que ele voltasse, não sabia o que ele era, seu nome, de onde ele veio.
- Não tem porque ter medo Yoko - me levantei e suspirei, fui ver televisão como se nada tivesse acontecido - não tem como eu morrer - percebi uma das minhas mãos tremendo.
Passei o dia inteiro deitada no sofá, na verdade tremendo de medo, esperando a morte chegar, e nada dela chegar.
Anoiteceu, e o telefone tocou.
" - Yoko-chan? " - era minha mãe " - filha está tudo bem aí? "
- Oi mãe - falei com uma voz como se tivesse morrido - sim mãe, tá tudo bem sim.
" - Filha que voz é essa? "
- Nada ué, só tô com tédio mesmo - suspirei, tinha que parecer bem, mas não estava.
" - Só liguei pra dizer que não vou hoje pra casa, vou dormir aqui na sua tia, porque está tarde, certo? Cuidado minha querida, Beijo, Boa noite e não vá dormir tarde! " - ela nem esperou eu dar "Tchau" e já desligou o telefone na minha cara, que lindo.
Deixei o controle a televisão em cima do sofá e fui beber água, peguei o copo e quando abri a geladeira alguém colocou uma lâmina no meu pescoço.
- Não grite.. - ele sussurrou no meu ouvido - já que ele não quis, eu quero - ele me lambeu e riu.
- Quem é...
- Shiii - o homem colocou a mão na minha boca - você não precisa saber quem sou eu, vai morrer mesmo, comecei a chorar - ele lhe deixou aqui para morrer criança, não chore, esse era seu destino mesmo.
O Homem desviou a atenção de mim, dei um murro na sua barriga e saí correndo, abri a porta de casa e corri, a deixei aberta mesmo, não tinha tempo pra fechar.
Ouvi um grito e corri mais, me escondi em um beco escuro, mas eu estava fazendo muito barulho, estava respirando muito rápido e chorando.
- Cade você menina?!?! - o homem gritou, e parecia estar perto.
Percebi que havia uma escada no final do beco, a subi e pulei para o outro lado, onde havia uma praça bem iluminada, me sentei em um banco e tentei me acalmar.
- Pensa que pode fugir criança? - ouvi a voz do homem bem atrás de mim e saltei do banco do susto que levei, e caí no chão - tão linda com essa cara de medo - ele jogou a espada no chão e se agaixou, passou a mão no meu rosto e com uma das unhas enormes arranhou meu rosto que logo começou a sangrar - não há sangue mais delicioso do que o de vocês humanos - no segundo que ele ia lamber meu rosto, fechei os olhos e senti mais lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
Senti algum liquido espirrar sobre meu rosto e corpo, e quando abri os olhos a lingua do homem estava em cima de mim e ele saiu de perto gritando, eu não conseguia me mover de tão assustada.
- Quem fez isso?! - o homem gritou, mas com dificuldade de falar, logo vi uma cauda enorme saindo pelas costas do homem, parecia cauda de largato - vou matar você! APAREÇA!! SEU MALDITO! - a boca do homem, ou seja o que for aquilo, sangrava muito.
- Porque eu sabia que se deixasse você sozinha, você ia acabar se metendo em confusão? - reconhi aquela voz, não sei porque mas fiquei feliz - E você seu lagarto inutil, não me faça rir, rápidamente o corpo do lagarto, homem, se partiu ao meio e jorrou sangue para todo lado.
Das sombras o homem de cabelos brancos com uma das mãos molhadas no sangue do lagarto, ele foi se aproximando e eu me arrastei me afastando, ele parou de se aproximar e me fitou sem entender porque eu havia me afastado, e riu.
- Queria ter lhe matado, adimito isso - ele suspirou - mas o problema é que não posso, então achei que poderia deixar alguém fazer isso por mim, mas... - ele parou de falar e fitou o céu - Venha, vou lhe deixar em casa - ele estendeu a mão sem sangua para que eu pudesse me levantar, mas exitei - venha, não vou machucar você.
Segurei a mão dele e desmeiei. É.. denovo!
Percebi uma claridade em meus olhos fechados e os abri bem devagar, a luz da manhã fez meus olhos doerem, olhei para os lados e não vi nada, passei a mão no meu rosto e senti a cicatriz de ontem e me lembrei de tudo. Dei um pulo da cama e olhei para cima da mesinha do computador, e sim, o vaso estava lá, aberto.
- Será se eu... - já ia fechar o vaso.
- Não, eu não vou sumir e nada vai mudar - o homem de cabelos brancos entrou no meu quarto e eu fui pro canto da cama com medo - já lhe disse que não vou lhe machucar! Tome - ele me entregou um copo com água.
- Quem é você? - peguei o copo e tomei a água.
- Infelizmente, sou seu servo - ele fez uma cara de raiva, totalmente insatisfeito.
- SERVO? - cuspi a água toda pra fora - C-C-Como assim?!
- Deixa eu explicar tudo direito - ele se sentou na cadeira do computador - sou um demônio raposa, esse vaso foi feito por um demônio muito poderoso garota, e o Talismã impede de demônios usarem este portal para virem ao seu mundo, o mundo dos humanos, e matarem todos entende?
- Sim mas.. onde a parte de você ser meu servo entra? - fiquei confusa.
- Mas se um humano abrir o vaso, que por acaso ele só pode ser aberto uma vez, por um humano, mas ninguém foi idiota o suficiente pra abrir isso, mesmo com um papel escrito bem grande "NÃO ABRA" - ele me olhou furioso.
- Não sou idiota! Só.. fiquei curiosa - fiz biquinho de raiva.
- Continua do mesmo jeito, mas enfim, quando um humano abrisse o vaso se tornaria imediatamente uma Divindade, entendeu? O humano iria ter imediatamente os poderes do forjador do vaso! Que por acaso era um Demônio Ex-Deus.
- Ahn?! - não entendi nada.
- Mas que... - ele suspirou - e uma divindade precisa de um servo, e por acaso o demônio que saísse do vaso, que iria vim direto do Meio Mundo, onde os demônios moram.. - ele parou - seria seu servo... - ele falou aquilo com dificuldade.
- QUê?!
Konna Koto Hajimetette [C.03]
Cap.03 - Não ABRA! Não, Abra?!
Meu quarto ficou num silêncio esquisito, eu não sabia o que fazer, não sabia se abria, se devolvia, se guardava e esquecia, mas acho melhor descartar essa ultima porque não vou conseguir fazer mesmo, enfim, fiquei sem saber o que fazer.
- Yoko, o café da manhã está pronto! - minha mãe gritou lá de baixo.
- Já estou indo! - Por hora acho melhor deixar pra lá, vou descer, comer, esfriar minha cabeça e rever melhor o que aconteceu com calma, eu não estava bem, me troquei e fui descendo - mãe - cheguei na cozinha para comer e esperei ela preparar meu café da menhã - se eu lhe fizer uma pergunta estranha, você não acha estranho e responde como se fosse uma coisa super normal?
- Estranha?! - ela me olhou sem entender nada.
- Mãe!
- Ah sim, respondo, respondo, diga - ela voltou a arrumar as coisas em cima da mesa.
- Hipoteticamente certo?!
- Sim
- Se você tivesse algo em seu poder, que todo mundo falou pra você não abrir, e tem escrito pra não abrir, o que você faria? - tentei não parecer muito suspeito.
- Yoko.. o que você fez?! - ela me olhou furiosa.
- Mãe! HIPOTETICAMENTE! Eu não fiz nada - se bem eu não fiz nada mesmo.
- Certo - ela suspirou e sentou na cadeira - Bom, eu não abriria.
- Mas porque? Você não estaria com nenhum pouco de curiosidade de saber o que tem lá dentro? - fiquei meio indignada, não era isso que eu esperava ouvir.
- Yoko, se as pessoas que querem meu bem, estão dizendo para não abrir e, no que quer que isso for, tem dizendo pra não abrir, bom eu não vou ser burra o suficiente pra abrir né - ela riu.
- Verdade... - suspirei.
- Mais um código né? - ela me olhou rindo de uma maneira estranha.
- Quê? - fiquei confusa.
- Entendi - ela riu mais.
- Deixa pra lá.. - comecei a comer.
Quando terminei de comer, lavei a louça e subi para o meu quarto, resando para que o vaso não estivesse lá, e tudo tivesse sido um sonho ou ilusão ou qualquer porcaria, mas que ele não estivesse lá.
Segurei o trinco e o girei, abri a porta bem devagar e vi o mesmo em cima da mesinha do computador, suspirei, entrei e tranquei a porta do quarto.
- O que eu faço.. - sentei na cadeira do computador e fiquei olhando fixamente pro vaso, sem saber o que fazer, com medo de abrir, mas eu queria abrir e logo meu celular tocou, tomei um susto tão grande que quase caí da cadeira.
- Alô? - falei ao atender o telefone.
" - Yo-chan? " - era o Yori " - você quer fazer alguma coisa hoje? Eu estava pensando em.. Ah sei lá.." - percebi que ele estava um pouco nervoso, mas como eu iria sair com ele assim, com isso no meu quarto? com isso na minha cabeça, com a dúvida e o medo de abrir o vaso ou não?! Não tenho como.
- Yori.. Não dá, eu tô meio ocupada com umas coisas aqui em casa, então não dá hoje, desculpa, mas porque você não chama a Emi? Os pais dela viajaram ela tá só em casa, dá uma passada na casa dela ué - consegui me livrar dele, eu acho.
" - Você quer que eu vá aí ajuda você?! " - era isso que eu temia.
- Não, não, minha mãe já está me ajudando, estamos organizando uns álbuns de família sabe, ai é bastante coisa, ainda sim a Emi tá sozinha em casa, deve ta precisando de companhia Yori, vai na casa dela! - por favor, diz que vai!
" - Certo então.. " - a voz dele pareceu um tanto decepcionado mas não posso fazer nada " - vou fazer isso mesmo, vou na casa da Emi, Obrigada e bom dia Yo, Tchau." - ele desligou.
- Ufa.. - suspirei e joguei o celular em cima da cama - e agora? O que eu faço com você... - fitei o vaso novamente.
Fui aproximando minhas mãos bem devagar do vaso, eu estava suando, muito nervosa, e quando eu já ia abrir me veio a mente o que minha mãe tinha dito sobre abrir ou não, e me levantei da cadeira.
- Chega desse vaso.. preciso de um banho - fui para o banheiro e tirei minha roupa, a água gelada me fez bem, de alguma maneira, mas fez.
- Yoko minha filha, vou na casa da sua Tia Mary, volto mais tarde, cuide da casa e cuidado filha, qualquer problema me ligue, não abra a porta pra ninguém que você não conheça filha! Beijo, mamãe te ama! - Ouvi a porta lá de baixo fechando e minha mãe a trancando.
- Não sei porque que ela ainda acha que eu nessa idade vou abrir a porta pra uma pessoa que eu não conheço - suspirei.
Fui saindo do banho, me vesti, peguei o vaso e coloquei em cima da minha cama e fui para o computador, tinha que ocupar minha cabeça com alguma coisa. Passaram-se 15 minutos e eu estava impaciente.
- Quem eu estou querendo enganar?! - Levantei abruptamente da cadeira, me sentei no chão perto do vaso que estava em cima da cama e arranquei o Talismã com a maior brutalidade do mundo, e fechei os olhos.
Não aconteceu absolutamente nada!
- Mas que merda! - joguei o pedaço de papel pro lado e levantei do chão com o maior ódio do mundo, fui indo na direção da porta do quarto para descer e ir ver televisão na sala e senti algo estranho atrás de mim, logo parei de me mover.
Senti como se tivesse alguém atrás de mim, comecei a respirar muito rápido mais muito mesmo, até que algo encostou no meu braço, gritei e saí correndo de dentro do quarto numa velocidade tão grande que despenquei do primeiro degrau da escada, mesmo toda lascada, levantei do chão como um sapo pulando de um canto para o outro e fui correndo para a sala.
- Meu Deus.. Meu Deus.. Meu Deus.. Meu Deus... - estava ofegante - me ajuda, me ajuda, me ajuda!!!!! - aos poucos fui me acalmando - não foi nada, era tudo coisa da sua cabeça Yoko, agora se levante - fui me levantando bem devagar e suspirando - volte pro seu quarto e vá ver sua televisão - dei um ultimo suspiro e no instante que me sentei no gigantesco sofá da sala ouvi como se algo tivesse caído no chão do meu quarto e gritei - calma calma calma calma! - estava ofegante de novo - não foi nada - ouvi outro barulho e gritei de novo, me encolhi no canto do sofá, estava tremendo de medo, até que pude ouvir passos descendo as escadas - Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada.... - apertei os olhos com força para que não se abrissem sem minha vontade e coloquei as mãos nas orelhas e a cada segunda eu falava mais alto - Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada!
Do nada os passos pararam e meu coração bateu muito mais rápido não queri abrir os olhos, poderia ter um fantasma na minha frente. Eu estava quase tento um treco porque meu coração estava batendo muito rápido eu estava morrendo de medo e minha respiração muito rápida também.
Depois de uns segundos resolvi abrir os olhos, e fui me acalmando, tirei as mãos das orelhas e as coloquei no meu peito, tentando me calmar.
- Calma... Não aconteceu nada - abri os olhos e não vi nada e suspirei.
- Você não sabe ler?! Estava escrito bem grande... - quando ouvi aquela voz senti meu coração parar por uns instantes - NÃO ABRA!!!
Konna Koto Hajimetette [C.02]
Cap.02 - A Caixa Branca
Estava realmente impressionada com o tanto de coisa que havia naquela loja, e não era só isso, a loja era enorme, nem parecia ter fim. Tinham umas coisas estranhas e outras de deixarem seu queixo caído, de "como isso existe?!", outras bem macabras, enfim, tinham muitas coisas.
Mas somente uma me chamou àtenção, um pequeno vaso, não era o que minha mãe havia dito, porque por incrível que pareça, aquele vaso ainda não havia sido vendido, estava lá intacto! Era outro, pequeno, de cor preta e vários desenhos em dourado.
Pelo o que li no papel que havia sua descrição, dizia que o vaso era de uma rainha, e não saía de seu cofre em hipótese alguma, porém em uma guerra os atacantes mataram a mulher e foram procurar coisas de valor em seu quarto e acharam o misterioso vaso, pequeno e negro, com um talismã de proteção que dizia, "Não abra", o senhor dos atacantes preferiu não arriscar e não destruiu o tal talismã, e depois de muito tempo o vaso acabou parando nas mãos de uma pessoa qualquer, que vendeu o vaso por muito dinheiro.
- Vejo que está interessada na história do "Burakkuhato" [Coração Negro] - Aiko veio até mim - Não é?!
- O que tem aqui dentro Moça? - a fitei.
- Aiko, por favor - ela sorriu - lendas antigas dizem que aí dentro é uma passagem para o mundo que existe entre os vivos e os mortos, o mundo dos demônios.
- De-Demônios? - a fitei surpresa.
- Sim, mas não sei se é isso mesmo, porque até hoje só uma pessoa abriu este vaso.
- Quem?
- Quem O fez ué - ela o fitou.
- E quem O fez? - eu estava fazendo muitas perguntas.
- Ah aí só Deus sabe - ela riu.
- Ah.. - procurei rir falsamente, porque eu queria mesmo saber sobre aquele vaso, não sabia porque, mas queria.
- Mas no fim a unica coisa que eu sei mesmo, é que um grande mal vive dentro desse vaso, e se alguém abrir, trará o fim dos tempos - ela sorriu, não sei como conseguia sorrir falando daquilo, mas tudo bem.
- Entendo.. - logo ela foi se afastando e eu fiquei só com o vaso - Aiko! - ela voltou rapidamente - quanto custa esse vaso?
- Quanto.. custa?! - pela a cara que ela fez parecia ser bem caro - Err.. vale mais que essa loja inteira.
- WTF?! - fiquei sem reação.
- Pois é.. haha - ela saiu rindo novamente.
- Meu Deus...
Depois de muito tempo, acabamos escolhendo uma espada de um antigo e importante general do Japão, a compramos e fomos embora.
- Vocês pesquisem sobre a espada e separem em um relatório, porque eu tenho que mandar para a professora, certo? - Emi avisou - Yoko??
- Ahn? Que foi? - não estava nem prestando atenção no que ela estava falando.
- Não tá me ouvindo menina? - ela ficou com raiva.
- Tô tô - suspirei - vou pesquisar, Tchau - fui andando na direção do metrô.
- O que deu nela?! - Emi falou baixinho.
- Yoko! - Yori me chamou e correu para me acompanhar - também vou para o metrô - ele sorriu, sorri após.
Quando meu Trêm havia chegado, Yori entrou também.
- Seu trêm não é esse Yori - eu sentei.
- Eu sei - ele sentou ao meu lado.
- E o que tá fazendo o aqui menino?!
- Está bem tarde, e lá pros lados da sua casa ta bem perigoso.. vou deixa-la em casa, sua mãe que pediu, mas mesmo sem ela pedir eu iria - ele ficou olhando para as pessoas.
- O-O-Obrigada - corei - mas não..
- Claro que precisa - ele me interrompeu - acha que eu vou recusar o pedido da sua mãe? E deixar você ir pra casa sozinha?! Não vou fazer isso Yoko - ele sorriu, nunca tinha parado pra pensar, mas ele sempre foi tão legal comigo.
Logo chegamos na estação onde eu iria descer e saímos do trêm.
- Obrigada por vim Yori - sorri.
- Tu mora na estação? - ele levantou uma das sobrancelhas e ficou sério.
- Até minha casa??
- Claro, o perigoso não é o Trêm, e sim tua rua né - ele foi andando.
- Ah.. sim... - fiquei sem reação, e o segui.
Estava de noite já, ficamos andando em silêncio por um bom tempo, até que chegamos em frente a minha casa.
- Yori, não sei nem como lhe agradecer - suspirei aliviada por ter chegado em casa bem.
- Não precisa - ele beijou meu rosto e eu corei - diga a sua mãe que mandei um beijo, viu? - ele foi indo embora.
-Yo..ri.. - falei baixinho.
- Lindo né ele? - ouvi a voz da minha mãe e a vi na porta encostada na parede de braços cruzados e rindo.
- Ahn? Da onde tirou isso Mãe? - fui entrando em casa.
- Você está toda vermelha filha - ela riu mais.
- Não começa! - fiz biquinho de raiva.
- Ta certo! - ela me abraçou - e ai, como foi lá na loja? Não é incrível?
- Sim! Muito mesmo! - sorri e fui deixando minha bolsa em cima da mesa do corredor - agora uma peça me chamou muito atenção mãe.
- O vaso que lhe disse?!
- Não mãe, e por falar nele, ainda está lá - a fitei - era outro, bem pequeno, preto com desenhos dourados em volta, com um Talismã em cima dizendo pra não abrir, nossa.. não sei porque, mas achei lindo e...
- E? - ela me fitou.
- Não sei, algo.. - parei por alguns segundos - a não sei - fui subindo as escadas para ir pro meu quarto.
- Desça logo pra jantar filha! - ela falou alto.
- Só vou me trocar! - respondi.
Subi para o meu quarto e me troquei, olhei por uma janela e vi o céu como nunca tinha visto, cheio de estrelas, mas nem parecia o céu de antes, poluído, e fiquei por alguns segundos o olhando.
- Yoko! - ouvi minha mãe me chamando e desci correndo.
- Mãe você viu como o céu tá lindo hoje? - me sentei em uma cadeira e comecei a comer.
- Não reparei filha - ela foi comer também - mas porque isso agora?
- Porque está lindo mesmo! - sorri.
- Ah sim - ela riu - pensei que era algum tipo de código, sei lá.
- Código?! Não entendi.
- Deixa pra lá filha - ela sorriu.
Após jantar subi para o meu quarto, liguei o computador e lembrei que tinha que fazer a pesquisa, entrei no Google e pesquisei "Burakkuhato" [Coração Negro], achei milhares de coisas, mas nada do tal vaso, até que fui procurar no Wikipedia, e procurei o nome da tal rainha, li sua história e achei uma pequena linha falando sobre o vaso, mas nada muito descritivo.
Vi uma mensagem no meu celular, era Emi: "Não precisa mais se preocupar, já temos tudo o que precisamos, Beijo :B". E parei de pesquisar.
- Mas... - parei para pensar e eu não estava pesquisando sobre o trabalho, a primeira coisa que fui pesquisar foi sobre o tal vaso.
Desliguei o monitor e me joguei na cama.
- Tenho que parar de pensar nisso - fechei os olhos e logo caí no sono.
Sempre parecia que quando eu fechava os olhos a noite passava como se fossem 15 minutos de sono e eu sempre acordava com mais sono ainda, olhei para o relógio ao lado da cama e percebi que hoje era sababo, nada de aula hoje.
Fui me levantando bem devagar, bocejei e liguei o monitor do computador, fui olhar as atualizações nas minhas redes sociais, e não havia nada de mais. Me levantei da cadeira do computador e fui pegar minha escova de dentes, mas estava algo estranho no meu quarto, tinha algo que eu tinha visto e não tinha notado que não era pra estar ali e parei de frente para a porta do meu quarto.
Suspirei e fui virando bem devagar, e em cima da mesinha do computador estava uma caixa branca, lacrada, fui me aproximando da caixa.
- Mãe?! - gritei.
- Oi filha - minha mãe respondeu do quarto dela.
- Você deixou algo no meu quarto pra mim agora? - eu não conseguia tirar os olhos da caixa.
- Eu?! Não filha, mas por quê?
- Err.. - achei melhor não falar nada para ela - nada não mãe, estava procurando uma calsinha minha e não está aqui - desculpa esfarrapada, On.
- Ainda não lavei suas roupas filha, vou lavar hoje.
- Certo mãe - encerrei o assunto.
Fiquei olhando atentamente para a caixa, deixei minha escava de dentes ao lado da mesma e fui a abrindo bem devagar, e logo vi o vaso negro, com seus desenhos dourados como ouro.
- Put.. Mas o que isso ta fazendo aqui?! - falei um pouco alto de mais.
- Yoko? Tá tudo bem? - minha mãe estava na porta.
- Sim, sim mãe - fiquei nervosa - só um inseto, mas já matei - não sei como ela acreditava nas minhas mentiras, mas tudo bem.
- Vou fazer o café da manhã - a ouvi descendo as escadas.
- Certo, jájá eu desço! - tentei me acalmar e pensar como aquilo estava no meu quaarto.
Resolvi procurar o telefone da loja de ontem, e liguei para lá.
- Alô? - falei assim que atenderam o telefone.
" - Loja de Antiguidades, Bom dia " - era a voz da Aiko, não podia dizer que era eu no telefone, porque poderiam suspeitar se o vaso não tivesse mais lá, vai saber né.
- Bom dia, dei uma olhada no site de vocês e achei o que estava procurando à anos! - falei bem intusiasmada.
" - Que bom que achou, o que seria? " - ela falou em seguida.
- Sou uma colecionadora da França de antiguidades misteriosas do mundo inteiro, e pra minha felicidade estou no Japão hoje, um amigo me indicou vocês então fui procurar em seu site se eram mesmo vocês que tinham o "Burakkuhato" [Coração Negro], é verdade?! - inventei bem.
" - Sim, sim, mas é.. "
- Eu pago o preço que for preciso! - a interrompi.
" - Certo, vou perguntar o preço ao dono da loja, um instante " - Aiko parecia bem feliz e pude ouvir ela conversando com o dono da loja bem baixinho " - Giyusai-san, tem uma extrangeira colecionadora de antiguidades no telefone querendo saber o exato preço do "Burakkuhato", quanto é mesmo? " - não ouvi a voz do homem " - Certo.. " - logo Aiko voltou a falar comigo " - Senhora?".
- Sim?!
" - Não seria melhor você... Quê? " - Aiko parecia falar com outra pessoa " - Como assim sumiu?!?!?!? Não pode ter sumido assim! Senhora desculpa mas tenho que desligar " - nem esperou eu falar alguma coisa, e já desligou o telefone na minha cara.
Desliguei o telefone bem devagar, sem acreditar que aquele vaso tinha aparecido assim, do nada, no meu quarto.
Konna Koto Hajimetette [C.01]
Cap.01 - O Trabalho e a Loja
- Yoko! Yoko!!! - Ouço alguém me chamar, mas tava com uma preguiça tão grande de virar e ver quem era que nem virei - Yoko, espera! - E finalmente parei de andar.
- Que foi Emi? - Suspirei.
- Porque você não assistiu a ultima aula?! - Comecei a andar e Emi foi me acompanhando.
- Porquê... Na verdade eu não quis - ri baixinho.
- Pois espero que já esteja sabendo do trabalho que a professora passou hoje - Emi riu com um ar de superioridade e foi indo embora.
- EMI ESPERA! - Corri para perto dela, e a mesma parou de andar, cruzou os braços como esperasse algo de mim - Err.. Desculpa, eu só não tava afim de olhar pra cara daquela professora de novo então fui pro telhado..
- Quando for fazer isso, pelo menos me chama né - ela riu e puxou meu braço - Enfim.. - continuamos a caminhar pelo corredor da escola - Ela disse que temos que escolher algum objeto antigo.. ou até um personagem de antigamente sabe, para falarmos de sua história e influência nos dias de hoje.
- Mas onde diabos a gente vai achar um objeto?! - disse já cansada pensando no trabalho que essa porcaria ia dar.
- Tu é burra é?! - ela me parou - No centro da cidade tem uma loja gigantesca de antiguidades e tu pergunta ONDE YOKO?! Eu hein.. - voltamos a andar - Bom, eu sou a representante do grupo, então pude escolher quem eu quisesse por.
- E quem não estava na aula?
- Iria participar do grupo que lhe fosse escolhido sem objeções - ela me fitou rindo maldosamente.
- Por favor, diz que tu me escolheu - fiquei nervosa.
- Claro que escolhi né - balançou a cabeça e suspirou - Você, Akemi e Yori.
- O Yori no nosso grupo? - corei.
- Mas porque? - ela me fitou confusa.
- Pensei que ele iria com os amigos dele e não com a gente.
- Mas ele é nosso amigo Yoko.
- Certo - me calei.
- Vamos hoje, às 15:00 nos encontrar na praça no centro da cidade, temos que ir na loja procurar alguma coisa pro nosso trabalho, Okey?!
- Certo, certo, mas você já avisou pros...
- Claro que já! O que acha que nós ficamos fazendo na aula todinha?! A aula que você não estava né! - ela me olhou chateada.
- AÍ desculpa, meu deus - suspirei - Se já disse tudo, vou pra casa.
- Yoko espera! - ela me segurou.
- Quê?! - a fitei.
- Cuidado, viu? - ela pareceu aflita.
- Tá mas.. com o que?
- Você não vê jornal?! - ela cruzou os braços novamente.
- Não vou responder - virei a cara com raiva e ela me puxou novamente.
- Yoko, já é o segundo assassinato na rua da sua casa!
- Disso eu sei Emi, eu moro lá, apesar de eu não ver jornal, mas são 10 horas da manhã! Eu vou ficar bem - sorri e beijei seu rosto - Até mais tarde.
Sai do colégio e fui indo pra casa, graças a Deus eu era uma das poucas pessoas que morava perto do colégio, a maioria das pessoas tinham que pegar o mundo pra chegar no colégio, eu não, acordo 10 minutos antes de começar minha aula e ainda chego faltando uns 5 pra começar.
Não vou mentir que após Emi me lembrar do que havia acontecido na minha rua, fui pra casa com um certo medinho, vai que eu encontro um louco no meio da rua né.
Mas no fim eu cheguei lindamente bem em casa.
- Mãe cheguei! - gritei.
Eu moro só com minha mãe, meu pai morreu quando eu tinha 2 anos de idade, ele era policial e morreu defendendo sua cidade. Desde então minha mãe tem sido não só uma Mãe, mas um Pai também, nunca me deixou faltar nada, resumindo, ela é mais que a melhor mãe do mundo.
- Mãe?! - sempre que eu chegava da aula e gritava, avisando que eu tinha chegado, ela sempre saía da cozinha com um sorriso lindo e de braços abertos para falar comigo, mas hoje tinha sido diferente, então lembrei-me do Emi havia dito - MÃÃEE?!!?!? - saí gritando desesperadamente pela casa a procurando por todos os cômodos, como eu não estava achando ela, comecei a chorar - MÃÃÃÃÃEEEE!!!!
- YOKO! CALMA! - Ouvi a voz dela vindo da sala e desci as escadas, ela estava lá, linda, com seu melhor sorriso e correu para me abraçar - Filha o que houve?
- Ainda bem - a abracei com força.
- Yoko, o que houve minha filha? - ela estava aflita.
- Fique.. preocupada - corei.
- Com o que?
- Você não me respondeu quando eu cheguei - olhei pro lado, com muita vergonha.
- Yo... Own minha filha - ela riu - eu estava limpando os móveis aqui na sala amor, não ouvi porque o aspirador estava ligado, desculpe.
- Certo! - corei mais ainda.
- Vá tomar um banho filha, o almoço ficará pronto daqui a alguns minutos certo? - ela beijou meu rosto e corri para o meu quarto.
- Nossa.. que susto! - sorri e encostei a porta do quarto.
Soltei o laço que prendia meu cabelo, abri uma das janelas para correr um vento no meu quarto, porque como estava no verão, estava um calor horrível, tirei a roupa e me joguei na cama, fiquei olhando para o teto morrendo de preguiça.
Parei para pensar o que poderíamos encontrar naquela loja de antiguidades, eu não entendia muito de história, então não fazia ideia do que poderíamos levar daquela loja.
Depois de muito pensar acabei pegando no sono.
- Yoko! O almoço está pronto! - Ouvi minha mãe me chamando, dei um pulo da cama, peguei um blusão, me vesti e fui descendo - Te chamei umas 4 vezes, tava fazendo o que?
- Acabei pegando no sono, tava um ventinho tão bom lá no quarto - ri baixinho.
- Sei, sei - ela riu também.
No almoço, conversamos bem muito, como sempre, expliquei para ela sobre o trabalho que eu tinha que fazer com Emi e Yori.
- Quando eu tinha a sua idade filha, eu adorava ir naquela loja - ela sorriu.
- Mas.. pra fazer exatamente o que? - fiquei curiosa.
- Você só vai entender quando entrar lá, mas vou tentar explicar - ela começou a falar - lá tem milhares de coisas, coisas que você nem imagina existir Yoko-chan - ela riu - e também que antes de conhecer seu pai eu gostava do filho do dono da loja - ela corou - então esse era mais um motivo de gostar de ir lá entende.
- Coisa feia mãe! - Rimos juntas.
- Mas a parte de ter coisas incríveis lá é pura verdade filha, é incrível mesmo, tinha um jarro lindo lá que pertencia a um general que viveu a muuuito tempo atrás filha, era super caro e lindo, acredito que ainda deve estar lá - continuamos a comer.
Terminei de comer e fui trocar de roupa para encontrar o pessoal no centro, afinal estava bem tarde já.
- Até mais tarde mãe, tô saindo! - gritei e fui indo embora.
- Cuidado Yoko, e não volte tarde, está muito perigoso!! - até ela com isso.
Eram 14:10, fui correndo para o metrô e logo cheguei no local marcado.
- Atrasada! - Emi estava com a mesma cara de revoltada de sempre.
- Meu Deus! São 15:05!!!! - estava ofegante, da estação fui correndo para não dar mais motivos para ela gritar comigo.
- Atrasada - ela sorriu falsamente - Enfim, vamos!
- Aff! - respirei fundo - Oi Yori - corei e sorri.
- Não liga pra ela, quando era 14:59 ela já tava doida aqui gritando pelo teu nome - Yori riu.
- Aí que vergonha meu Deus - rimos juntos.
Fomos caminhando e conversando até a loja, e logo havíamos chegado.
- Sejam bem vindos! - uma linda moça nos atendeu assim que entramos na loja, tinha longos cabelos loiros e olhos esverdeados - Estão procurando algo em específico? - Emi a explicou sobre nosso trabalho - Certo, então procurem, perto de cada objeto há um pequeno papel explicando um pouco sobre sua história, qualquer dúvida, me chamo Aiko - ela sorriu e voltou a ajeitar uma prateleira.
- Se acharem algo interessante, avisem, mas pelo amor de Deus, sem brincadeiras! - ela me olhou e depois fitou Yori, uma indireta.
- Como assim?! - Ri e olhei para o Yori.
- Menina chata - Yori riu e foi olhar as coisas do outro lado.
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