quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Symphony Of Death [C.03]


              Cap.03 - A Depressão
Após meu comentário, Aoki ficou em silêncio, estático me olhando, não sei se ele tava espantado com aquilo, ou queria rir bem alto, ele só me olhava, como se ainda estivesse esperando pela minha justificativa do que estava acontecendo.
- Não me ouviu?! - certo, posso não ser normal, mas também não quero ouvir nenhum gozação pra cima de mim.
- Não... claro eu ouvi sim, mas.... - ele passou a mão no rosto e se acomodou na poltrona da varanda - quem meteu isso na tua cabeça garoto?
- Não é como se alguém viesse e me dissesse isso Aoki - fitei o céu, escuro, com muitas estrelas.
- QUÊ?! VAI MATAR NINGUÉM AQUI NÃO NÉ?! - aquilo foi tão repentino que me assustei.
- Claro que não, quem pensa que sou?!
- Sinceramente, depois do que você disse não tô mais duvidando de nada, vindo de você... - ele passou a mão no rosto e respirou fundo - Tá, suponhamos que isso vá acontecer, quem?
- Quem o que? - o fitei.
- Quem vai morrer ue.
- Não funciona assim, não é como se eu pudesse dizer quem é, não sei e sei, entende?! - ele ficou novamente naquele silêncio de doer os timpanos.
- Certo, mais uma suposição, quando? 
- Bom... - parei alguns segundos - na verdade, não sei.
- COMO NÃO?! - ele riu - você diz que alguém vai morrer, não sabe quem, nem sabe quando, e quem vai matar?
- Acha que sou Deus?! Só disse o que sei! - falei bem firme.
- Certo... Desculpe - ficamos ali por alguns minutos, calados, apenas pensando na possibilidade daquilo ser verdade - Souske-kun... - ele continuava a fitar o céu.
- Quê?!
- Porque me disse isso?
- Você perguntou ué, o que tem que de mais?!
- Porque quando Lucy chegou você saiu da mesa correndo?
- Que tantas perguntas...
- RESPONDE!
- Calma, meu Deus, calma - suspirei - não sei bem explicar, não adianta você não vai entender.
- Se você disse que alguém vai morrer, não há como evitar?
- Espera aí... Porque você tá acreditando? - o fitei, percebi que tinha acertado a ferida, ele ficou branco após ouvir aquilo, e não respondeu nada - você sabe de algo, do que sabe? Quem é você?
- Não é que eu estou acreditando Souske... Só fiquei assustado por você sair correndo da mesa depois da Lucy ter chegado, você tava branco quando eu cheguei aqui, tava parecendo um cadaver, na mesa parecia que tinha visto uma alma, como você quer que eu fique?! Achando que é só a falta da tecnologia? Faça me o favor né - ele parecia estar falando a verdade, então deixe pra lá - mas continuando, você soube da noticia que uma menina....
- Se matou? - o interrompi.
- Sim, assustador não é?
- Não sei porque, mas não acho, algo está muito errado nessa história, tem algum ponto crucial faltando... - fiquei pensando.
- O que você está querendo dizer?
- Pensa comigo, a menina muda da água pro vinho do nada Aoki, e quando os dias vão passando ela piora, não pouco, mas significativamente, vem demonstrando agressividade excessiva  até com seus próprios pais, tava vendo o jornal, e a mãe da menina disse que ela tentou matar o próprio cachorro, que ela tanto amava - parei para respirar - e ela tá, des de que mudou drasticamente, ouvindo uma mesma música, a mãe dela relatou que exitou em ouvir a música, foi como se seu corpo a tentasse avisar de algo, e nisso ela não ouviu, mas quando viu a filha morta correu pro quarto, como se fosse instinto mesmo, e foi ouvir a música, e não exitou dessa vez, ouviu inteira..
- Mas o que essa música tem haver com a morte da menina?
- Aoki isso aconteceu a quantos dias atrás?
- Aproximadamente... cinco, se não me engano.
- Quando estava descendo vi, no televisor da recepção, um reporter falando a mãe da menina tinha entrado depressão, e o marido dela tinha largado ela, porque ele a culpa da morte de sua filha, não é tudo coincidência de mais?
- Não! - ele tentou mudar o que eu estava dizendo - claro que não, se você só tem um filho, e ele é perfeito, e do nada muda drasticamente, como você mesmo disse, não me impressiono por ela ter entrado em depressão Souske-kun, agora porque o marido dela a culpou?
- É essa parte que ta me deixando louco, eu não faço a minima ideia! Ela devia ter feito alguma coisa....
- Não, eu já acho que isso pode ter relações com outras coisas, desavenças, e a separação que já estava meio perto, e então ele pode ter arranjado qualquer motivo pra se separar dela, eu acho isso - realmente ele estava certo, porque não tinha pensando naquilo!
- Realmente... Mas ainda sim..
- Tem algo de muito esquisto - ele comepletou minha frase - mas voltando pra cá, você acha que isso tem alguma coisa haver?
- Algo me diz que sim, não quero ser vidente, mas acho que sim - aquilo tudo estava me enlouquecendo.
- Bom, já tá bem tarde e eu tô muito cansado, Boa noite - Aoki se levantou e foi dormir.
Fiquei ali, olhando o céu, que me facinava des da minha infância, e pensando o que estava acontecendo, o quee poderia significar as letras "SoD", e porque elas aparecem para mim, em meus sonhos, e logo agora surge ao lado da morte, não sei porque, mas aquilo não me parecia boa coisa. Suspirei.
Me levantei da poltrona e fui indo me deitar, apaguei as luzes. Estava decido a esquecer o ocorrido, isso era só coisa da minha cabeça, e fui ao encontro dos meus sonhos.
Como já era esperado, eu estava na no corpo "dela", como toda noite acontece. Kyoko andava no meio de uma larga rua, eu não consegui reconhecer de onde era, mas estava muito movimentada, com muitos carros, pessoas, animais, muito barulho... Enfim, parecia ser o centro de uma cidade bem grande. Ela continuou andando até entrar numa casa azulada de dois andares, abriu a porta, tirou os chinelos e foi entrando, jogou sua bolsa em cima de um sofá, que por acaso tinha alguém nele, mas não consegui ver claramente quem era, então ela continou sua trajetória. Só parou quando chegou em um quarto, e na porta havia escrito "SoD", como sempre, as letras me perseguindo, abriu a porta, que tinha a maçaneta cristalizada, era muito bonita por sinal.
- "Kyoko-chan!!" - ouvi alguém chama-la, mas ela pareceu não ligar, ou não ouvir, adentrou no quarto e logo tratou de fechar a porta - "Kyoko-chan, abra a porta, preciso falar com você" - parecia a voz de uma mulher já de idade, porém, Kyoko nem se quer se mecheu para abrir a porta - "Kyoko-chan, por favor, perdoe".
A menina suspirou e foi indo na direção da porta, ao abri-la, novamente não consegui ver o rosto da mulher que estava a chamar Kyoko, porque ela ficou fitando o chão, como se estavesse recebendo uma bronca.
- "Querida, desculpe por ontem, eu fiz de tudo... procure entender sua avó..." - a mulher estava com a voz tremula.
- "Certo" - ela foi breve, e logo tratou, novamente, de fechar a porta, mas a senhora a segurou.
- "Aquela mulher está em depressão, você sabia?" - a mãe da menina que se suicidou?! Quem poderia ser?! Era coincidência de mais - "Porque não vai vizita-la Kyo-chan?" 
- "Não vou perder meu tempo, é pura besteira, não tenho nem motivo pra ir, porque ela tá assim?! Você nunca me explica as coisas, NUNCA! Sempre me dando ordens e não deixa claro o que está acontecendo aqui, primeiro CADÊ MEU PAI?!" - Kyoko gritou, parecia chorar.
- "Kyo-chan, se acalme" - a senhora estava nervosa.
- "TÁ VENDO?! É SEMPRE ASSIM! Quando quiser me contar o que aconteceu, volte, se não, nem perca seu tempo" - Kyoko tacou a porta com tudo e se sentou ao lado de uma mesa, no chão mesmo, e logo começou a chorar mais.
- "KYO-CHAN!" - a senhora batia na porta.
- "VÁ EMBORA! Acho que já sofri o bastante".
Ficou um silêncio tenebroso por alguns segundos.
- "Não posso lhe ariscar por tão pouco" - a mulher sussurrou do outro lado da porta, Kyoko ouviu e correu pra abrir a porta, mas a mulher já não estava mais lá.
Depois de um tempo, Kyoko se acalmou, respirou fundo e fechou os olhos.
- "O que vai acontecer daqui pra frente?!... Queria ser Deus pra saber da verdade...".

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