quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.13]


                        Cap.13 - Uma Morte, Um Sarkan
Enquanto toda minha vida parecia passar sob meus olhos, aquela luz ficava cada vez mais forte, cada vez mais branca, percebi que um gigantesco ser estava surgindo ao lado daquela luz, tinha o corpo sem pele, somente ossos, percebi que o que via era o famoso Sarkan Ledlazulys, com seu corpo "morto", apenas ossos e gelo, mais nada. 
Syn parou de correr e sem pensar muito desci de cima da mesma, nem me preocupei mais com Adryk ou Suhrt atacando Mikhail e Anna, algo estava me prendendo muito àquela luz, mas eu não conseguia entender o porque daquilo, Suhrt estava sendo afetado pela luz, sua escuridão estava começando a se desintegrar, estava começando a sucumbir.
- Chega Suhrt - Ledlazulys nem se quer se moveu, estava em uma posição imponente, ereto, forte e sem medo, de seus olhos saiam uma aura gélida e azulada - Não tente resistir.
- Led... - Suhrt estava surpreso ao vê-lo ali - Por quê está do lado deles?!
- Não estou do lado de ninguém, vim impedi-lo de cometer um grande erro, então chega! - a voz de Ledlazulys ficou mais intensa.
- Você e quem mais?! - Suhrt o deboxou.
- Não me subestime - Ledlazulys levantou voo, o vento que se formou por causa de seu impulso com as asas havia sido tão forte que quase fui levado pela forte corrente de ar - Não pense que é o senhor da escuridão, se pensa, tenho uma luz mais forte que você - Suhrt voou com muita rapidez na direção de Ledlazulys, os dois começaram uma batalha incrível no ar com rajadas de poder para todo lado, tanto o gelo de Ledlazulys quanto a energia negra de Suhrt cobriram o céu, percebi que a luz não cessava, nem chegava a ficar mais fraca.
- Que luz é aquela? - ouvi Adryk se aproximando de mim.
- Como está se sentindo? - a fitei.
- Estou bem, estou recuperando minhas energias aos poucos - ela sorriu - Mas o que é aquilo? E por quê Ledlazulys está aqui e lutando ao nosso lado?!
- Ledlazulys não é "bom"?
- Ele guarda o terceiro portão da terra sagrada, é o mais poderoso dentre todos os nomeados guardiões da terra sagrada, posso lhe adiantar, ele gosta de sangue, ele gosta de massacres, não luta ao lado de ninguém, a não ser do seu lado, não confia em ninguém, então por quê está aqui.... - Adryk fitou os dois Sarkans no céu batalhando - Não entendo o que Suhrt poderá ter feito para que Ledlazulys saísse de seu portão, que por acaso é muito longe, para parar esta luta.
- Não irei ficar aqui parado - não cheguei nem a esperar Adryk me impedir ou dizer que iria me acompanhar, segurei o arco com muita força e corri para o meio da grande batalha, onde milhares de Draiskullis e seres de nossa Aliança estavam lutando.
No caminho vários Draiskullis tentaram me parar, porém fui mais rápido e com minhas flechas os matei facilmente, até que adentrei no gigantesco campo de batalha.
- Aonde está Grid? - parei o primeiro humano que vi em minha frente.
- Não sei senhor, deve estar em sua formação, tente procurá-lo nas árvores a oeste daqui - o homem respondeu rapidamente e voltou a batalhar. 
Corri o mais rápido que pude, como não havia mais nada a fazer em minha missão, pois não sabia como parar Ledlazulys e Suhrt, não sei nem se existira alguma forma de para-los, então tinha que ir para minha segunda formação o mais rápido possível. Em meio a milhares de outros seres corri, matei vários outros Draiskullis, até que cheguei no início do campo de batalha, onde estava antes de Suhrt atacar Liesi e os outros, tentei procurá-la mas não obtive êxito, avistei as tal árvores e fui correndo sem olhar para os lados.
- GRRRIIIDDD!!!!!!!!!!! - aquele grito havia me parado repentinamente, não sabia para onde olhar exatamente, mas a voz desesperada de Liesi, não me deixava muito bem - GGGGRRIIIIIDDDD!!!!! - olhei para as árvores e não vi ninguém, não queria me virar, não queria mesmo ver o que estava acontecendo, mas não poderia ficar de costas eternamente para a batalha - SAIAM DA FRENTE!!! - me virei calmamente, e avistei Liesi de joelhos do chão, a sua frente estava um corpo com um buraco no peito, ela não estava longe de mim - NÃO.... NÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOO - seu choro fazia meu coração apertado doer de tristeza - GRID! - ela debruçou-se sob o corpo, não parava de chorar.
- Minha senhora, não é hora para isso - um guerreiro de Fenhrir tentou fazer Liesi sair dali, realmente estava em uma área perigosa, tinha que ficar no centro de todo o exército, onde poderia ser protegida por qualquer um.
- Não encoste em mim! - ela bateu bruscamente a mão no braço do Ljósalfar, para que ele saísse de perto - Deixe-me aqui! - gritou, o guerreiro fitou-me, eu estava em estado de choque, não sabia o que fazer, não estava se quer acreditando que Grid estava morto, meu corpo não se movia, não atendia a meus comandos, enquanto isso Liesi gritava, chorava e não largava o corpo de Grid.
- O que está fazendo?! - Anna surgiu ao meu lado, havia surgido tão repentinamente que me assustei - Anda! - ela me puxou pelo braço para onde Liesi estava - Minha Rainha, devemos sair daqui.
- Não irei sair! - Liesi não largava o corpo de Grid por nada - Irei morrer com ele, deixe-me!
- Está louca?! - Anna se enfureceu, percebi que se ela continuasse falando com Liesi daquele jeito, iria ser sentenciada a morte, como Liesi não estava em bom estado, iria acabar falando o que não deveria.
- Anna - coloquei a mão em seu ombro - Vá embora - enquanto isso, vários outros guerreiros formaram um circulo em volta de onde nós estávamos - deixe que eu resolvo isso - Anna não questionou, apenas entrou na formação junto com os outros guerreiros.
- Kjöer et Dasüs(1) - Anna conjurou a mesma magia de defesa que Mikhail havia conjurado para se defender do ataque de Suhrt, mas em uma escala menor.
- Liesi - me abaixei para falar com ela - Temos que sair daqui, Ledlazulys apareceu e ninguém sabe o que ele quer aqui, não podemos mais ficar aqui, ele irá matar todos nós - mas ela não respondeu, apenas chorava - Liesi ouça-me... - continuou me ignorando, eu procurei não olhar para o rosto de Grid, morto aos meu pés, mas não resisti, olhei rapidamente, uma pequena e solitária lágrima escorreu em meu rosto, foi naquele momento em que percebi meu dever - LIESI! - a puxei com muita força para meus braços - Chega disso, ele não iria querer que você morresse aqui, acredite nisso! - ela havia parado de chorar por alguns segundos - Então vamos embora daqui - naquele instante ouvi um rugido muito alto, olhei para o céu e vi Ledlazulys com o pescoço de Suhrt em sua boca - Suhrt já foi derrotado, completamos nossa missão, vamos embora! 
- Não posso deixa-lo aqui Volker... - Liesi finalmente falou algo.
- Não iremos, agora levante-se, você é uma Rainha, não pode ficar assim, vamos embora! - a ajudei a levantar-se - Faça o que tem de ser feito!
O chão tremeu, mas não tremeu pouco, parecia que ia desabar sobre nossos pés, Ledlazulys ainda continuava voando, mas estava olhando atentamente para o castelo negro, algo estava fazendo o chão tremer, mas como haviam muitas outras pessoas ao meu redor, não conseguia ver o que estava causando isto.
- Segure-se em mim - fitei Liesi, ela me abraçou.
- Irá me proporcionar tal espetáculo Rei? - Ledlazulys parecia animado - Venha, mostre-me do que é capaz, e lhe direi o por que de todos os seres de Tenaryon me temerem! - o corpo dele ficou coberto por sua aura azulada.
- Räinf!(2) - reconheci aquela voz, era a mesma voz que antes ouvira em minha mente, olhei para o céu e a aura ao redor do corpo de Ledlazulys desapareceu, no mesmo instante ele começou a voar para longe.
- Ele... foi embora! - Liesi não estava acreditando que alguém estava o controlando - Quem está controlando Ledlazulys?! O que está acontecendo?! - o chão não parava de tremer, mas aos pois a intensidade ia diminuindo.
- Inkwëf sywh ürk da'jün, Kenrs!(3) - a voz pairou novamente no ar, percebi que falava em Bezgalïgs, uma língua que eu não entendia absolutamente nada - Inkwëf sywh ürk da'jün, Kenrs!!
- Quem é você para dizer o que devo fazer ou não! - percebi que a voz de Kenrs havia mudado, estava mais grossa, mais monstruosa - NÃO DIGA-ME O QUE FAZER! - ele gritou mais alto ainda.
- Liesi temos que sair daqui, e vocês, saiam daqui o mais rápido possível! -  peguei o corpo de Grid com uma certa dificuldade e o joguei por cima de meu ombro, avisei para todos os outros guerreiros, não vi Fenhrir nem qualquer outro Rei então não sabia como avisá-los, mas acredito que eles não seriam idiotas de ficar ali no meio, segurei sua mão e corri para o amontoado de árvores que haviam ali perto.
Minha respiração estava muito ofegante, estava nervoso e com medo, nós poderíamos se esmagados a qualquer momento pelo poder imensurável de Kenrs, ele era tão forte, que nem Fenhrir conseguiria derrotá-lo. Kenrs estava sendo coberto pela sua aura avermelhada, no outro lado havia a forte luz branca que nunca se apagava ou diminuía.
Chegou a um ponto que só haviam corpos entre os dois, todos os que ficaram vivos haviam se escondidos para não acabarem sendo atingidos por sabe-se lá o que os dois iriam fazer, sabe-se lá do que os dois seriam capazes.
- Revele-se, é tão covarde assim, para ficar atrás de uma conjuração de defesa?! - Kenrs estava provocando.
- Não sabe quem eu sou - a voz saia de dentro da luz, a cada segundo que falava, a luz parecia pulsar - Se confia tanto em si mesmo, transforme-se, o matarei sem usar quase nada de minha energia - aquilo havia deixado Kenrs furioso, muito curioso isso, pois Kenrs também é muito famoso por sua calma e paciência com absolutamente tudo.
- Então vamos ver do que é capaz! - o corpo de Kenrs começou a ficar deformado, sangrava muito.
- Se ele se transformar, seremos esmagados por sua energia - Liesi falou, não tirava os olhos de Kenrs - nós iremos morrer, fitei por alguns segundos o corpo de Grid ao meu lado, morto, ainda sangrando.
De repente um barulho ensurdecedor explodiu meus tímpanos, e acredito que não só os meus, mas estava com tanta dor que não conseguia prestar atenção nos outros, com o reflexo tentei tapar meus ouvidos para tentar impedir o som de adentrar mais ainda em meus ouvidos, e me deixar surdo de uma vez só, mas não estava adiantando.
- Vëncras'fêl(4) - uma onde azulada saiu de dentro da luz, parecia purificar todo o ar do lugar, fazendo o peso e o som da poderosa aura de Kenrs desaparecer - Não irá atingi-los, saiba disto!
- Não quero! - Kenrs sorriu, seu corpo estava deformado e 6 vezes maior do que seu corpo original, duas asas avermelhadas saíram de dentro da pele ensaguentada e deformada de suas costas - Não sei quem você é, não sei o que você é, mas arrancarei sua cabeça, sugarei sua energia e matarei todos que estão aqui! - Kenrs puxou a pele em volta de seu corpo, a arrancou e jogou no chão, logo ele se transformou em um ser que não consigo bem descrever, tinha seis chifres, três em cada lado, sua pele era negra, era violeta bem escuro, seus olhos vermelhos como sangue, as mãos com garras gigantescas, as duas asas se separaram em quatro, duas menores e a outras duas em cima, maiores. Seus braços eram desproporcionais para o tamanho de seu corpo, quase tocavam no chão de tão gigantescas, seu corpo tinha músculos tão grandes que pareciam que a qualquer momento iriam explodir.
- Não estou nem em minha forma totalmente original, mas acredito que isso basta - Kenrs gargalho.
- Se acredita, então venha - a voz era suave, calma, intimidava Kenrs.
- Não queira me ver com raiva - as quatro asas de Kenrs se moveram um pouco e de repente ele desapareceu, foi tudo muito rápido.
O silêncio pairou no ar, estavam todos nervosos, sem saber o que iria acontecer.
- Zwä'gyer div stünk(5) - subitamente a luz branca se tornou negra e obscura, mas não me trazia sensações ruins, sentimentos ruins, como a aura de Suhrt e Kenrs, algo parecia ter se chocado com a luz negra, percebi que Kenrs estava tentado esmagar o portador de tal poder, mas não consegui ver quem era, ou o que era aquela luz - Não irá passar, terá o mesmo destino de seu morto criado - a luz negra começou a ficar mais e mais forte, era tanto poder que tudo ao redor dos dois estava começando a se desintegrar.
A luz ficou tão forte que Kenrs havia sido lançado longe, rapidamente a mesma mudou de cor e voltou para o branco de antes.
- Como você pode estar.... viva?! - Kenrs, ainda longe, levantou-se  do chão, estava com vários rasgões na pele que sangravam muito - Não pode ser....
- Irei acabar com isso de uma vez só! - a luz pulsou, mas dessa vez estava diferente, parecia estar consumindo toda a energia a sua volta, para usar em uma magia ainda mais poderosa - Você não deve viver, este é o porque de eu estar aqui, você não deve viver!
- Lot... - Kenrs sussurrou, não deu muito tempo até que uma gigantesca quantidade de energia foi lançada na direção de Kenrs pela "luz".

---- Notas ----
(1) Mão divina - Conjuração de defesa, pronunciada em Bezgalïgs.
(2) Não! / (3) Cesse seu poder, Kenrs! / (4) Onda azul / (5) Grito da morte  - Pronunciado na língua extinta dos Loti Izturigs, Bezgalïgs.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.12]


                           Cap.12 - A ultima Luz
Meu coração estava bastante acelerado, estava com muito medo do que poderia acontecer se Suhrt chegasse a se transformar, gostaria de ter mais poder para acabar com esta batalha em poucos minutos, mas acredito que meu poder não chega nem aos pés de qualquer outro ser celeste aqui presente.
- Não se preocupe, vai dar tudo certo - Liesi apoiou a mão em meu ombro, sorri discretamente, já não estava com cabeça para sorrir, mas tinha que passar uma certa segurança para Liesi - Sei que está nervoso, mas não está só nisto, lembre-se Volker.
Respirei fundo, pude perceber por alguns segundos os olhos completamente negro de Suhrt me olhando, mais parecia um buraco sem fim, escuro, sem nenhum luz.
- Kua - Kenrs descruzou os braços e passou a mão levemente no rosto da garota ao seu lado - Solte-os - Kenrs sorriu.
A garota pronunciava palavras de uma língua estranha, nunca nem se quer ouvi aquele modo de falar, não consegui entender o que ela falava, mas parecia estar invocando algo, repentinamente seus olhos amarelados mudaram de cor, se tornaram vermelho sangue, brilharam intensamente.
- Draiskullis!!!! - Kua gritou, ergueu as duas mãos para o céu negro, no primeiro momento nada aconteceu, mas logo o chão começou a tremer.
- Afastem-se! - Fenhrir parecia saber o que estava por vir, todos nós demos vários passos para trás e o chão parou de tremer.
- Se querem um exército, terão o seu exército - Kua juntou os dois braços no corpo, como se estivesse se abraçando, sua pele se partiu como um tecido sendo rasgado e uma gigantesca serpente totalmente branca surgiu, era muito grande, a surpresa foi tanta de todos nós que todos gritaram - DRAISKULLIS!!!!!!!! - ela gritou novamente, porém dessa vez com mais fervor, o chão tremeu novamente - Saiam deste esconderijo imundo seus ratos!!! - no mesmo instante surgiram varias rachaduras no chão e delas começaram a sair milhares de outros Draiskullis, seres consumidos pela escuridão.
- Não temam a escuridão, pois sempre haverá a luz! - Fenhrir desceu de seu cavalo celestial e segurou o cabo de sua espada - LUTEM POR SUAS VIDAAAS! - a puxou com muita voracidade e começou a correr na direção de Kenrs e seu exército, todos os outros Reis e o exército começaram a acompanhar Fenhrir, gritavam muito alto no embalo da emoção que Fenhrir havia passado, procurei desviar de todos as pessoas que passavam por mim, para que ficasse junto com Adryk e os outros.
Enquanto todos corriam Kua estava parada observando o momento certo para atacar, naquele momento fiquei muito preocupado com Liesi, meu coração ficou apertado de tanta preocupação, então Kua atacou, lançou seu gigantesco corpo em cima de milhares de pessoas, os esmagando com toda a sua força, outras vezes os engolindo, percebi que de nada estava servindo todos aqueles homens correndo na direção de Kua para simplesmente serem esmagados. 
- Isto não está certo! - estava ficando furioso ao ver aquela situação e não poder fazer nada.
- Acalme-se - Adryk fitou o alto da colina ao lado de Kua - Eles estão quase preparados, veja - percebi que haviam algumas pessoas lá no alto, e lembrei-me que Mikhail e os conjuradores iriam estar lá para na hora certa agir, mas estava demorando de mais, muitas pessoas estavam morrendo - VOLKER!!! - desviei minha atenção por alguns segundos, só consegui ouvir Adryk gritando meu nome, ao olhar para frente vi Suhrt vindo do céu em um velocidade incrível em minha direção - VOOOOOOOOLLLLKEEERR!!!!!! - Adryk gritou novamente, não consegui pensar em nada para fazer naqueles poucos segundos, somente fechei os olhos e esperei o pior, mas nada havia acontecido.
- Saia já daqui garoto tolo! - abri os olhos e vi Syn com os quatro chifres apontados para Surht, formando uma barreira de energia - SAIA VOLKER! - ela já não estava aguentando mais segurá-lo, recuperei a consciência e corri o mais rápido que consegui.
Syn usou sua força para afastar Suhrt, Adryk subiu nos ombros de Yirmminsull, percebi o que ela iria fazer, tirei duas flechas da aljava, puxei a linha do arco e mirei no alto, no ponto que acreditei que seria a trajetória de Suhrt, Adryk viu que fiquei preparado e Yirmminsull a jogou para frente com muita força, ela girou a gigantesca espada no ar, seus olhos estavam cheios de ódio, pude ver isso. Suhrt viu o ataque de Adryk e pulou para cima, ele havia caído em nossa armadilha, antes dele chegar no alvo da ponta da primeira flecha a soltei, mas rapidamente Suhrt desapareceu.
- SYN! - Yirmminsull gritou, olhei rapidamente para Syn e não consegui se quer acompanhar os movimentos de Suhrt, Syn, como era muito rápida, bateu um dos cascos com muita força no chão para levantar o máximo de poeira possível e correu para longe, tentei procura-lo em todos as direções mas não consegui.
- Não estou conseguindo acompanhá-lo - sussurrei, estava ficando muito nervoso - Droga.... Aonde ele está... - meu coração estava batendo muito rápido.
- Volker abaixe-se! - Adryk gritou, me abaixei rapidamente, consegui ver o clarão do poder da lâmina de Adryk se chocando com alguma coisa que estava atrás de mim, corri novamente para longe.
- Isso não está dando certo... - a flecha em minha mão estava deslisando entre meus dedos, estava ficando tão nervoso, que minhas mãos suavam.
De repente algo se chocou subitamente ao lado de Yirmminsull, como os Lauminas não possuem muita velocidade, sabia que ele não iria conseguir desviar a tempo, puxei a linha do arco novamente com flecha e a soltei, mas não surtiu muito afeito.
- Não me subestime besta!!! - Yirmminsull carregava um machado alaranjado três vezes maior que seu corpo, logo ele o girou e o cravou no chão, acredito que a intenção era acertar Suhrt, mas ele já não estava mais lá - Ele está brincando conosco!
- Chega de brincadeiras - Adryk ergueu a espada e a cravou no chão - afastem-se! - tentei me afastar o máximo possível, não sabia o que ela iria fazer, mas fiz o que ela mandou - Vamos ver se você não para com isso - Adryk passou a ponta do dedo no meio da lâmina da espada inteira - VOLKER PRECISO QUE ATRAIA A ATENÇÃO DELE!
- Como vou fazer isso?! - não acreditei quando ela disse aquilo.
- FAÇA! - ela me fitou furiosa.
Não a questionei mais, então peguei quatro flechas da aljava, segurei a quarta flecha com a boca, não conseguia atirar mais que três flechas, fechei os olhos, Syn viu que eu precisava de uma certa concentração para fazer o que tinha que ser feito e correu para distrair Suhrt, respirei fundo, tentei ouvir todos os sons possíveis ao meu redor, haviam muitos outros Draiskullis com a habilidade de voar ali, mas somente um possuía asas tão grandes quanto as de Suhrt, então o som que as mesmas faziam era mais intenso, mais forte. Segurei as três flechas entre os dedos bem devagar, puxei a linha do arco ainda com com as flechas apontadas para o chão, tinha que alinhar minhas respiração com o ar a minha volta, e consegui ouvir o grunhido de Suhrt, ergui o arco em questão de milésimos de segundos e soltei as três flechas de uma vez só, uma das três tinha que obter algum êxito, e pude ver Suhrt voando no céu, a flecha tinha o acertado.
- Ele... acertou.... - Syn havia ficado tão surpresa que parou de correr.
- SYN, VOLKER, AFASTEM-SE AGORA! - Adryk gritou, percebi que seus olhos estavam brilhando mais do que o normal, ela segurou o cabo da espada cravada no chão com as duas mãos e a espada brilhou - Sinta o que é poder, seu monstro miserável! - o poder explodiu do chão, formou um gigantesco circulo em volta de Adryk e sua espada, e por acaso acertou em cheio Suhrt, a energia que saia do chão havia sido tão forte, que alcançou as nuvens - SYN! Rápido, não irei segurar o poder por muito tempo! - a voz de Adryk estava mais fraca do que o normal.
Syn bateu os dois cascos no chão e girou a cabeça uma única vez no ar, não pareceu acontecer nada, mas algo havia se chocado bruscamente com Suhrt, o corpo do mesmo foi caindo bem devagar até se chocar com o chão, Adryk cessou o poder ou ouvir Suhrt caindo no chão, ela estava exausta, não estava conseguindo se manter em pé, corri para ajuda-la.
- Onde ele está? - ela sentou-se no chão.
- Está morto - sorri.
- Morto?! - a voz de Suhrt estava mais monstruosa ainda - Não... não estou morto humano, muito pelo contrário, vocês quatro me deram um bom motivo para finalmente voltar minha forma original - aquilo fez meu coração bater ainda mais rápido.
- Não.. - Adryk estava assustada.
O poder de Suhrt se expandiu de tal forma que estava quase esmagando nossos corpos, a escuridão de sua aura cresceu mais e mais, parecia não ter fim, até que seu corpo ficou muito maior do que o de Ledus Acis, era negro, muito negro, com olhos brancos, não havia nada em seus olhos, somente um grande vazio, nada além da cor branca, e isto se repetia nas outras três cabeças.
- Adryk... vamos morrer - não estava acreditando no que via, era ao mesmo tempo incrível e apavorante, estava muito assustado.
- Não irei lhe contradizer dessa vez Volker... - Adryk fitou o nada - Nós tentamos...
- IREI MATAR TODOS VOCÊS DE UMA VEZ POR TODAS! - Suhrt grunhiu muito alto, a cada passada que ele dava o chão tremia como se fosse um terremoto, ele abriu as quatro bocas, uma em cada direção, mirando em nós quatro.
- Niy'güard hiöpsn trevjän!(1) - ouvi a voz de Mikhail e Anna no ar, parecia como uma salvação, o magia havia se formado tão cheia de energia que acertou Suhrt pelas costas em cheio, com o impacto da magia, ele quase caiu no chão, se ficasse ali eu e Adreyk seriamos esmagados, segurei Adryk pela cintura e puxei sua espada com toda a força que encontrei naquele instante do chão, Syn vinha correndo na minha direção.
- Suba! - Syn diminuiu a velocidade para que eu subisse em cima dela com Adryk nos braços, foi um pouco difícil, mas consegui, saltei o mais rápido que pude e subi em cima de Syn com Adryk e sua espada nas duas mãos - segurem-se! - Syn aumentou a velocidade, olhei para trás procurando Yirmminsull mas não o vi - Não se preocupe, ele está bem.
- Niy'güard hiöpsn trevjän! - Mikhail e Anna conjuraram a magia novamente na direção de Suhrt e acertou em cheio, Suhrt, já muito furioso, abriu duas, das quatro bocas, e lançou duas bolas negras de energia na direção da colina onde se encontravam todos os conjuradores.
- Kjöer et Dasüs(2) - Mikhail terminou de conjurar outra magia e uma luz saiu da ponta de seu cajado, cobrindo toda a colina, como se fosse uma capa protetora, as duas bolas de energia se chocaram contra a luz de Mikhail e se desintegraram - Niy'güard hiöpsn trevjän!!! - Mikhail conjurou a magia com toda sua força, formando uma rajada de energia muito maior que as anteriores.
- NÃO ME SUBESTIME MENINA! - Suhrt ergueu as duas gigantescas asas, levantou voo na direção da colina onde todos estavam, não irei mentir que entrei em desespero, ainda montado em cima de Syn, tirei todas flechas possíveis de dentro da Aljava e as lancei na direção de Suhrt, mas elas nem se quer atravessavam a barreira de seu poder, não sabia mais o que fazer.
- NÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!!! - gritei em um dos momentos mais desesperador de minha vida.
Tudo ficou lento de repente, minha vida parecia realmente estar chegando ao fim, e tudo por causa de uma escolha sem escrúpulos que havia feito no instante em que aceitei a proposta de Fenhrir, todos iriam morrer por minha causa, somente por minha culpa, e aquilo estava pesando em minha mente, pude ver vários corpos no chão, tanto de homens quanto de todas as outras raças, Draiskullis por toda parte, e nosso exército ia diminuindo a cada segunda que se passava, só conseguia ouvir o grito de dor e desespero de todas as pessoas que estavam ali, com intuito de voltarem a suas casas, com suas famílias e por minha causa isto não iria ser possível.
- " Volker.... " - ouvi uma voz que parecia pulsar dentro de minha mente, enquanto em pensava tudo de pior, aquela voz me aparecia como uma luz em meio a tanta escuridão - " Volker.... " - uma luz vinha do lado mais escuro do local onde estávamos - " Volker.... " - não sabia como, mas aquela luz me trazia esperanças.
- Ikryü'cios sdën(3) - ouvi a mesma voz que "pulsava" em minha mente pairando no ar, mais parecia uma melodia em meio a tanta morte e destruição, de repente a luz ficou tão forte que estava ofuscando meus olhos, mas logo percebi que não machucava, apenas era forte de mais, era forte o bastante para destruir toda a escuridão que nos cercava. 

---- Notas ----
(1) Incandescente aurora celeste - Conjuração muito antiga usada pelos Loti Izturigs, e pronunciada em sua língua, Bezgalïgs. Uma conjuração de ataque.
(2) Mão divina - Outra conjuração muito antiga usada pelos Loti Izturigs, e pronunciada em sua língua, Bezgalïgs, porém está conjuração é usada como escudo na maioria dos casos.
(3) Purifique-os - conjuração pronunciada em Bezgalïgs.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.11]


                             Cap.11 - O Início
Não sei quais palavras poderia usar para descrever aquilo tudo, todos marchando, era um exército simplesmente gigantesco, como eu estava bem no começo, tentei avistar o final porém não conseguia, eu estava mais nervoso que nunca, mas a cada metro que cavalgava tentava me acalmar, colocando na minha cabeça que iria dar tudo certo, apesar do pensamento ruim de que nós estávamos indo em direção de nossas mortes estar pulsando mais forte.
Os quatro reis cavalgavam mais a frente de nós, e a cada metro que percorríamos o dia ia se tornando noite, apesar da manhã estar apenas começando, nós estávamos adentrando na maior escuridão de toda Tenaryon, um mundo onde não há Sol, apenas a luz refletida pela gigantesca lua no céu, acredito que isso nos fazia criar mais medo ainda dentro de nossos corações, de todos nós.
- Parece nervoso - Adryk surgiu ao meu lado, montada em cima de seu cavalo celestial.
- E estou... - suspirei.
- Não fique, vai dar tudo certo - ela sorriu, seu sorriso era bem reconfortante para falar a verdade, eu queria muito crer naquelas palavras, mas meu coração estava batendo fortemente.
De repente ouvi o bater de duas asas se aproximando e parei o cavalo, todos me olharam assustados, sem entender o porque daquilo, mas cada vez aquele som ficava mais alto, fitei o céu e não vi nada.
- Volker?! - Adryk puxou as rédeas do cavalo e se aproximou, enquanto todos os outros desviavam de mim - O que... - ela parou de falar repentinamente, parecia estar ouvindo algo também - Que som é este?
- Sarkan?! - sussurrei, não podia falar muito alto para não assustar os outros. 
Ficamos em silêncio por alguns segundos, não sabia o que estava se aproximando, fitei Adryk e seus olhos estavam brilhando.
- O que está fazendo? - fiquei confuso.
- Me comunicando com meu pai - ela estava mais calma que antes, parecia ter que estrar em um estado de espírito diferente para poder se comunicar com Fenhrir - O avisei que algo está se aproximando de nós.
O som ficava cada vez mais alto, logo parecia estar a alguns poucos metros de nós, não irei mentir que estava muito assustado, Adryk não parecia estar muito diferente de mim, ouvi um grunhido e fitei o céu novamente, todos pararam ao ouvir tal som, bati os dois pés nos lados do cavalo e ele correu, me aproximei de Liesi e os outros Reis.
- O que foi isso? - Liesi me fitou, logo vi Grid se aproximando também.
- Não podemos perder tempo, não é um Sarkan, é uma das patrulhas de Kenrs, consegue senti-lo Volker? - Grid me fitou.
- Quer que... está louco?! - me exaltei.
- Não estou com meu arco aqui, meu arco está sendo encantado por Mikhail, não posso simplesmente arrancá-lo dela sem ter terminado o encantamento e atirar, além de que não irá da tempo, Mikhail está no meio do exército de Uldar, prepare-se, não teremos muito tempo, ele não pode voltar, não podemos dar tempo para Kenrs se preparar, apesar de que acredito que não irá adiantar muita coisa - tirei o arco das amarras na direita do cavalo e segurei uma unica flecha na mão - Eu sei que você consegue Volker, você vai conseguir - fitei Liesi, ela sorriu, estava orgulhosa de mim.
Respirei fundo, fechei os olhos.... Tentei sentir todas as correntes de ar do local, o vento que tocava minha pele, todas as direções possíveis, enquanto isso ouvia em que direção vinha o grunhido, abri os olhos para ver se havia alguma montanha ao nosso redor e pude ver uma bem a minha direita, percebi que o som da besta batia nas gigantescas paredes de pedra da montanha e se propagava em outra direção que acabava onde nós estávamos. Respirei novamente, segurei o arco firmemente, ouvi outro rugido e acompanhei o som que batia na parede da montanha, estava tudo em silencio ao meu redor, puxei a linha do arco com a flecha e fechei os olhos, iria ser um único tiro, se conseguisse acertar, ótimo, o monstro iria cair e não iria passar, mas se não conseguisse não teria uma segunda chance.
O som das asas havia ficado mais forte, ouvia seu grunhido e juntei os dois sons, com as rajadas de vento que poderiam vim na direção que eu acreditava que o monstro estava se aproximando.... Respirei novamente e soltei a flecha. Todos ficaram olhando atentamente para o percursos que a flecha iria fazer até que desapareceu de vista.
- Acerta... acerta... acerta... - Liesi sussurrava.
Eu estava muito nervoso, pois estava tudo em minhas mãos, não poderia falhar agora.
- "Vyul'gäer df oinskülh, qwyc yan df zawkü, dyiak df baiynv"(1) - ouvi uma frase em minha mente, não reconheci aquela língua, então não sabia o que significava, era uma voz feminina, e já parecia ter a ouvido.
No mesmo segundo em que a frase terminou ouvi um grunhido ainda mais alto, porém parecia mais um grito de dor, até que algo se chocou com o chão, havia sido tão forte que tudo tremeu, Liesi me fitou com um sorriso que havia me deixado muito feliz.
- ELE CONSEGUIU!!!!! - todos gritaram, sorri, estava envergonhado.
- Irei verificar, podem ir na frente - Uldar se preparou para correr, respirou fundo e de repente partiu em uma velocidade tão alta que nunca havia visto um ser com tal velocidade.
- Como ele é .. rápido! - fiquei de boca aberta, de tão surpreso.
- Não é a toa que ele é o ser mais rápido de toda Tenaryon Volker - Fenhrir sorriu - bom, vamos continuar nossas pequena jornada a guerra, Grid volte a seu posto, e você também Volker.
- Sim, senhor - falamos prontamente e puxei as rédeas do cavalo para trás para voltar a meu posto, junto com os outros que irão completar a missão de matar Suhrt comigo.
Passado alguns minutos ouvi alguém se aproximando rapidamente de mim e Uldar surgiu ao meu lado.
- Você é incrível garoto - Uldar sorriu - Acertou o alvo tão perfeitamente, que a flecha penetrou no crânio do monstro, está de parabéns - logo ele correu para acompanhar os outros Reis.
Eu fiquei bem empolgado depois de ter dado tanta sorte de acertar em cheio o monstro, acredito mesmo que aquilo havia sito apenas um tiro de sorte, apesar do "estudo" que tive que fazer para atira-lo, mas ainda acredito que foi apenas sorte. As pessoas ao meu redor estavam me olhando com outros olhos, orgulhoso pelo meu feito, alguns paravam para conversar enquanto cavalgávamos, sobre como eu sabia onde o monstro estava exatamente, como se eu soubesse mesmo a exata localização dele, mas pareceu que eu sabia, e é isto que importa.
Após alguns horas cavalgando chegamos ao topo de uma colina, e os quatro reis pararam para observar toda a gigantesca fortaleza de Kenrs, eu fiquei fascinado e assustado ao mesmo tempo, era a primeiro vez que via esta fortaleza e posso lhes dizer, era o maior castelo-reino que eu já vira, não conseguia se quer ver o fim nos lados, muito menos tentar ver o que havia por trás daquele muros, eram tão altos que os muros de Dzelzs pilsëta se tornavam brincadeira de criança.
- Chegamos - Adryk estava tensa, não tirava os olhos do horizonte.
- Você já tinha vindo aqui alguma vez? - nem minha pergunta a havia tirado atenção.
- Não... é.... incrível Volker... - seus olhos estavam assustados, preferi não perguntar mais nada.
Os quatro reis começaram a descer a colina, e nós todos fomos os acompanhando, até que chegamos perto dos portões de Müžïgä Naktï, eram negros, e feitos de ferro como todo o muro, mas parecia ser um ferro diferente, mais resistente. Fitei todo o exército e percebi que Anna, Mikhail e o resto dos conjuradores já não estavam mais conosco, fitei o outro lado do exército e Grid também não estava mais lá com seu grupo, os arqueiros.
- Venha - Adryk se aproximou dos reis junto com Syn e Yirmminsull, logo os acompanhei.
- Ouçam-me - Fenhrir nos junto no canto para que pudesse nos avisar mais alguma coisa - Nós não temos certeza se Kenrs irá se juntar à batalha ou não, então não se desviem do objetivo que passamos a vocês, não importa quem se ferir aqui, não importa quem irá morrer, quem irá sobreviver, você devem matar Suhrt, estão me entendendo?!
- Sim! - todos nós respondemos ao mesmo tempo, aquilo que Fehnrir havia dito tinha me deixado um pouco preocupado com Liesi, pois nem eu nem Grid estaríamos perto dela para a defender.
- Não pensem em seus Reis, nós sabemos nos defender, não achem que nos tornamos Reis só apenas por nossa linhagem de sangue ou inteligência, somos muitos mais do que imaginam, então cumpram sua missão! - Fenhrir terminou de falar e se separou de nós, ficou junto com os outros Reis, os quatro formavam uma única linha horizontal.
Estava tudo em silêncio, não sabíamos se alguém iria sair para defender os muros de Müžïgä Naktï, subitamente um dos portões começou a se abrir, fiquei tão nervoso que meu cavalo sentiu e ficou um pouco alterado. Após o portão se abrir completamente a unica coisa que podíamos ver dentro do castelo era a escuridão.
- O que eles estão esperando? - Yirmminsull parecia impaciente.
De repente algo saiu de dentro da escuridão do castelo, porém saiu tão rapidamente que nem se quer pude ver para onde ia, logo caiu no chão a alguns metros de Fenhrir e os outros, formou uma cratera muito grande ao se chocar com o chão, eu estava respirando muito rápido, estava muito nervoso, com medo, estava sentindo tudo ao mesmo tempo, percebi que os reis nem se quer se moveram.
Algo foi se levantando do buraco e abriu duas asas que pareciam ser duas vezes o tamanho do corpo do ser.
- Su...hrt... - Adryk sussurrou, a fitei, ela estava muito mais pálida do que o normal - Ele finalmente.. apareceu....
Suhrt virou o pescoço para os dois lados, parecia estar se "aquecendo" para começar a batalha, respirou fundo, seus olhos negros estavam brilhando, a escuridão parecia sair de seus olhos para engolir tudo, as asas ficaram eretas, eram negras, os longos cabelos esbranquiçados de Suhrt voavam com o vento forte que vinha do mar, ele estava com uma simples armadura, uma calça de tecido e uma ombreira que possuía três orbitas vermelhas que pulsavam.
- Fenhrir... - a voz de Suhrt ecoou no vasto deserto morto de Müžïgä Naktï, todos estavam em silêncio, apreensivos com aquilo tudo, esperamos alguns segundos para ver o que iria acontecer, mas ele não estava saindo do canto.
- Suhrt... - os olhos de Adryk queimavam em ódio - Suhrt....
Em um único instante em que desviei minha atenção de Suhrt, ele impulsionou o ar de baixo de seu pés para se mover muito rápido, foi tudo tão rápido que me assustei, Suhrt voou na direção de Fenhrir mas algo o parou, o impacto foi tão forte que o ar quase tirou Sigurd e seu javali do chão, quando percebi era Adryk com sua espada de duas mãos na frente de Fenhrir o defendendo.
- NÃO IRÁ PASSAR DAQUI!!!!!! - Adryk gritou, sua espada brilhou, ela usou força para afastar Suhrt e lançou uma gigantesca onda de energia que saiu da espada em sua direção, mas Suhrt a parou com uma única mão - Como?!?!
Suhrt sorriu, e as asas o impulsionaram novamente para se mover rapidamente, percebi que Syn correu na direção do mesmo, pulou bem alto para ir de encontro com Suhrt e usou seus quatro chifres para ataca-lo, mas ele com muita agilidade desviou, logo ela caiu de pé ao lado de Adryk.
Olhei para o lado e Yirmminsull parecia um pouco assustado.
- Vamos - Bati os dois pés levemente no cavalo para ele correr, me aproximei de Adryk e Syn, logo vi Yirmminsull atrás de mim, desci do cavalo e bati levemente em seu traseiro para que ele se afastasse.
Suhrt estava longe, com as duas asas eretas, nos olhando com a mesma cara sedenta de sangue de antes.
- KENRS!!!! - Liesi gritou, percebi que alguém estava saindo de dentro do castelo, era um homem branco, bem branco, com dois chifres na testa e da mesma cor da pele, com olhos totalmente brancos e cabelo curto negro, ao seu lado estava uma menina de longos cabelos negros, quatro chifres vermelhos em sua testa e olhos amarelados.
Kenrs deu um pequeno sorriso, parecia feliz em ver Liesi e os outros, se aproximou de Suhrt e parou de andar.
- Espero que gostem do espetáculo meus queridos e velhos amigos - sua voz era muito grossa, um pouco monstruosa para falar a verdade - Pois será o ultimo de suas vidas - seu sorriso se tornou macabro, Suhrt abriu os braços e grunhiu tão alto que ecoou para longe.

---- Notas ----
(1) Ouça seu coração, confie em seu arco, mate seu inimigo - a frase em Bezgalïgs, a língua morta dos Loti Izturigs.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.10]


                         Cap.10 - Aliança Eterna
Nossa viagem iria durar em torno de 7 dias inteiros, foi bem cansativa para falar a verdade, de uma coisa sei, não gosto do mar, passar 7 dias inteiros dentro de uma embarcação, balançando de um lado para o outro, sem ter muito o que comer, o que fazer, era horrível.
Porém não demorou muito para embarcarmos perto de um cais, que parecia um pouco abandonado, mas como tínhamos muitas embarcações não seria uma tarefa fácil descarregar todos eles com homens, armaduras, cavalos, armas e todo o resto, como de costume a embarcação real, a que eu estava com Grid e Liesi, foi a primeira a desembarcar no cais, percebi que Liesi já estava bem animada, não entendi o porque de tanta animação, estávamos indo para guerra.
Vërtibaj Dvëseluz é um lugar bem macabro, não sei ao certo se são vistos seres estranhos aqui, há boatos que sim, mas costumo acreditar nestas coisas apenas quando as vejo, sua história envolve muito sangue, muitas mortes e começou quando Kenrs queria sair do limite de seu reino, porém, antigamente os Lito Izturigs os entregaram uma regra que deveria ser seguida custe o que custar, eles não poderiam sair do limite de seu reino, pois o mal que os cerca iria se alastrar para todo o resto de Tenaryon, um exemplo disto é Kenrs, é tão imerso na escuridão, que por onde caminha tudo morre, perde completamente a dádiva da vida para sempre, então se Kenrs conseguisse sair, iria ser uma catástrofe. Porém Kenrs não respeitou tal regra, além do mais, não haviam mais nenhum Loti Izturigs para pará-lo naquele momento, então partiu com metade de seu exército, não tinha um objetivo em mente, pois não conhecia absolutamente nada fora de seu reino.
Fenhrir ao saber do ocorrido enfureceu, juntou seus melhores homens e partiu para Vërtibaj Dvëseluz, onde o exército de Kenrs se encontrava, não demorou muito para as duas raças travarem uma batalha mortal, porém o resultado não foi muito satisfatório para ambos os lados, a batalha havia sido tão longa e desgastante que os dois acabaram se afastando e não saiu nenhum vencedor dali, apenas perdedores, até hoje o lugar é "morto", não há vida, somente destruição, e este é o único caminho para o castelo de Kenrs.
- Enfim chegamos - Liesi respirou fundo - Devemos acampar aqui e esperar que os outros cheguem o mais rápido possível - Liesi me fitou - Quando os outros Reis chegarem irenos discutir juntos, como nosso plano, em que você está encaixado, irá funcionar, entendeu? - consenti com a cabeça, ela sorriu.
Esperamos apenas algumas horas e logo a segunda raça havia chegado, eram o Ljósalfar, Fenhrir surgiu em meio a várias árvores, logo milhares de outros começaram a surgir do mesmo caminho que Fenhrir, quando ele avistou Liesi, sorriu, parecia muito feliz em vê-la.
- A quanto tempo não lhe vejo - Fenhrir a abraçou - Sinto sua falta, de seu espírito de luta perto de nós minha cara.
- Também estava com saudade - Liesi sorriu timidamente.
- E você, está cuidando bem dela?! - Fenhrir fitou Grid, e os dois se abraçaram - Vocês formam um belo casal - Fenhrir gargalhou.
- Deixe disso rei bobo - Liesi deu um pequenino tapa no ombro de Fenhrir - Estou tão animada, para finalmente colocarmos um fim nisto tudo Fenhrir.
- Acredite, eu também estou, mas sinceramente, estou com um certo receio de enviar Adryk para desafiar e matar Suhrt, não sei se ela.. aliás, não se todos os enviados serão o suficiente para tal façanha Liesi, verá no fim que conseguirão apenas derrubá-lo uma única vez, e no momento em que o Draiskullis se levantar, aí sim, é a parte em que deveremos ter medo - Fenhrir estava aflito - É minha filha, não posso simplesmente envia-la para morrer.
- Acalme-se Fenhrir - Liesi sobrepôs a mão no ombro de Fenhrir, tentando consolá-lo - Acha que fico como enviando Volker para Suhrt?! - Liesi me fitou por alguns segundos, vi a tristeza em seus olhos - Mas irão completar a missão, Volker não falha comigo, e duvido muito que Adryk falhe - Liesi sorriu, aquilo havia animado o Rei.
- Você tem razão, já estou desacreditando em minha filha...
- Não desacredite querido pai, irei lhe trazer a cabeça de Suhrt, ele irá pagar por todas as mortes que nos causou - Adryk surgiu do nada e beijou o rosto de Fenhrir.
Ficamos por um bom tempo conversando, esperando que outros aparecessem, até que depois de um bom tempo pudemos ouvir os javalis e pequenos cavalos correndo em nossa direção, e logo os Laumina chegaram, montaram seus acampamentos e ficamos esperando os últimos, que pelo o visto iriam custar como nunca, logo a noite caiu sobre nossas cabeças, a lua subiu no céu brilhantemente, e já se podia perceber os efeitos da "noite eterna" que é em Müžïgä Naktï, a noite já em Vërtibaj Dvëseluz era mais longa do que o normal.
- Nós devemos partir no máximo ao amanhecer - Liesi estava sentada no chão em volta de uma fogueira, ao seu lado estavam Fenhrir e o rei Sigurd.
- Nós devemos esperar Uldar! - Fenhrir se exaltou.
- Mas você sabe como eles custam a chegar em todos os lugares, iremos esperar até quando Fenhrir?! - Sigurd se pronunciou.
- Até eles chegarem Sigurd! - Fenhrir o fitou, parecia um pouco furioso - Se querem ir sem eles, vão, levantem-se e partam daqui, eu ficarei e esperarei, como querem ganhar esta guerra sem nossa cartada principal?!
- Nossa cartada principal serão os conjurados na colina a nordeste dos muros do castelo! - Liesi não tirava os olhos do fogo.
- Acha que Mikhail irá aguentar para sempre segurar todas flechas e bolas de energia, seja o que eles soltarem por aquelas bocas imundas, para sempre Liesi?! - Fenhrir estava mais exaltado ainda - Minha filha é forte, é a mais forte na atualidade, mas seu poder ainda não é infinito fiquem sabendo disto, se seu poder se esgotar e ela não estiver um canto para repousar ela morrerá Liesi!
- Desculpe-me - Liesi o fitou, parecia um pouco avuada, não parecia estar ali presente.
- Você está aqui mesmo?! - Fenhrir se aproximou dela - O que você tem?
- Nada Fenhrir - Liesi suspirou, estava cansada - Não se preocupe, eles irão chegar antes do sol nascer, você verá... - Fenhrir não disse mais nenhuma palavra, e voltou a seu canto inicial ao redor da fogueira.
Eu estava caminhando, sentindo a areia da praia em meus pés, sob a luz do luar, estava querendo aproveitar bastante aquele momento pois não poderia mais voltar, poderia morrer lá, naquele lugar onde a luz do sol não chega, na eterna escuridão, isto não me soava muito bem.
- O que faz aqui só príncipe?! - Adryk aproximou-se, estava vestindo um longo vestido branco, o tecido era um pouco transparente - Pelo o jeito que sua Rainha falava de você, realmente parece seu filho, príncipe.
- Não me chame assim - sorri.
- Mas é verdade! - Adryk empurrou-me bem devagar - Sabe - voltei a caminhar, e ela começou a me acompanhar - Estão todos tão nervosos, mas eu, não estou...
- Você já esteve em uma guerra antes - sussurrei.
- Minha irmã também, meu pai também, aliás, 80% dos seres que estão presentes aqui hoje e contando já com os que chegarão, já estiveram em uma guerra Volker, são raros e poucos os que não - ela me fitou - Só estou querendo mesmo que isso tudo acabe de uma vez, gosto de lutar, é a coisa que faço mais perfeitamente, mas...
- Não de matar... - ela pareceu um pouco surpresa ao ouvir aquilo.
- Você tirou as palavras de minha boca, mas procuro pensar que eles não merecem viver, eles mataram milhares de outros seres como eu Volker, não merecem misericórdia...
- Eu sei disso.
- Sabe o que acho que iria resolver tudo?! - ela fitou o céu.
- O que?
- Se Miesha não tivesse destruído a árvore da eternidade, nada disso estaria acontecendo.
- Conte-me algo novo...
- Então, imagina nem todos estivessem sido destruídos naquele dia - ela sorriu, mas sua expressão parecia um pouco triste - Se ao menos um... só um estivesse vivo, resolveria tudo novamente, não concorda?
- Verdade, mas isso é impossível, não podemos pensar em coisas que não irão acontecer - eu estava muito tenso.
- Pareceu minha mãe falando - Adryk riu baixinho - Não caminhe longe de mais, essas areias não são confiáveis Volker - ela beijou meu rosto carinhosamente e foi embora, parei por alguns segundos de caminhar sentei-me ali mesmo.
- Se.... - sussurrei - Realmente, resolveria tudo - passei as duas mãos no rosto.
Comecei a ouvir uns barulhos altos vindo do acampamento onde estavam todos e voltei rapidamente, pensei no pior, não vou mentir, mas ao chegar vi que Uldar e seu povo haviam chegado, estavam todos felizes por finalmente a aliança estar reunida depois de tanto tempo.
- VOLKER - Liesi gritou - Preciso que venha aqui, por favor - ela acenou para mim e fui até lá - Vamos nos reunir agora para completarmos nossa estratégia, venha! - eu e Grid seguimos Liesi e os outros até um local um pouco mais reservado, longe do acampamento - sentem-se por gentileza - todos sentaram-se no chão mesmo e logo sentei-me, somente Liesi permaneceu de pé - Quero que saíbam que estou com bastante medo de enviar Volker para matar Suhrt, ele é muito forte, Volker pode ser meu melhor arqueiro, pode ser tão bom quanto um dos melhores arqueiros de Fenhrir, mas o que somos nós comparados a aquelas bestas?! - Liesi sentou-se, junto com cada rei estava a pessoa que supostamente iria completar a missão junto comigo.
- Então ficou certo assim, Eu irei enviar Adryk, Liesi o Volker, Sigurd Yirmminsull e Uldar Syn, certo?! - Fenhrir se pronunciou, todos os reis consentiram com a cabeça - como todos estão aqui irei explicar detalhadamente o que irá acontecer, meus arqueiros irão ficar nas encostas, do lado oposto em que terão os cojuradores no topo do monte, os outros podem ficar na formação normal, junto com Grid, Uldar preciso que fique na linha de frente, vocês são fortes e possuem...
- Não precisa explicar nada - Uldar riu.
- Certo então - Fenhrir retribuiu a risada - Sigurd na formação normal junto com o exército de Liesi, quando mais melhor, ainda mais que... - Fenhrir pareceu ter cautela ao falar aquilo - Precisamos de todo o tipo de ataque, pois os Draiskullis possuem todo o tipo de forma e...
- Já entendi, não precisa dizer o resto - Sigurd pareceu não ligar.
- Liesi você não preciso explicar, mas você já explico para Anna o que ela deve fazer?! - Fenhrir a fitou.
- Não - Liesi fitou o nada, não parecia querer falar daquilo.
- O que houve com Anna?! - Fenhrir se assustou.
- Ela ainda está dentro da embarcação, ninguém consegue tirá-la de lá meu senhor - eu respondi por Liesi, ela estava com um tanto de vergonha por não conseguir tirar sua própria conjuradora de lá.
- Mas... por quê? - Sigurd se surpreendeu.
- Ela está... com medo - suspirei.
- Bom, como todos já sabem o papel que terão nesta guerra, irei me retirar, tenho um assunto para resolver - Fenhrir levantou-se primeiro que todos e caminhou na minha direção - Não se preocupe, irei tirá-la de lá - ele sussurrou em meu ouvido e foi caminhando na direção das milhares de embarcações no cais, ao chegar fechou os olhos ergueu uma das mãos, tentava sentir a energia de Anna, e quando achou, abriu os olhos e caminhou rapidamente para dentro da embarcação - Anna?! - mas ela não respondeu - Não vim aqui obriga-la a sair, só quero conversar... - nenhuma resposta foi ouvida - Anna por fa... - de repente ela saiu de trás de um pequeno barril, estava pálida - Anna - Fenhrir correu para abraca-la - O que deu em você?! Não pode ficar assim longe de todo mundo num lugar deste, é muito perigos, até aqui dentro - ele a soltou e olhou em seus olhos - conte-me o que houve?
- Fenhrir... - Anna estava falando muito baixo.
- Você não quer ir?
- Não.
- Então não irá - ao ouvir aquilo, Anna ficou sem entender porque ele havia dito aquilo - Liesi é sua Rainha, mas ela não pode e nem vai obrigar você a ir para lá, e logo que lá não é um lugar para uma moça como você estar.
- Mas eles precisam de mim! - os olhos dela se enxeram d'água.
- Não chore minha querida - Fenhrir passou a mão em seu rosto - Não sinta-se obrigada a ir, só porque precisam de você, você é poderosa, mas ninguém pode lhe dizer o que fazer! Diga-me mais uma vez, você quer ir? - dessa vez a pergunta a havia feito parar para pensar - Anna?
- Eu devo ir! 
- Você quer??
- Quero! - Anna disse firmemente, sem tremer, sem temer.
- Isso, me deixe orgulhoso - Fenhrir sorriu - Vamos, sua Rainha está tão triste porque não consegui tira-la daqui, você não imagina - os dois foram saindo de dentro da embarcação.
Após uma noite de muita conversa e nervosismo, finalmente havia chegado a hora de irmos rumo a nossa guerra, todos estavam preparados e em formação para partir, os Oakwid já estavam todos em suas formas originais, os Lauminas montados em seus javalis e cavalos de médio porte, os Ljósalfar montavam seus cavalos celeste e maiores do que os normais para nós humanos, e finalmente nós estávamos em nossos cavalos.
Os quatro reis caminharam mais a frente de todos, eu estava tão nervoso que minha mão chegava a molhar a rédeas do cavalo.
- Não temam a escuridão, pois sempre haverá a LUZ! - todos os quatro gritaram ao mesmo tempo e ao final Uldar rugiu tão alto que o chão tremeu um pouco - AVANTE ALIANÇA ETERNA!!!!!!!!!!!!!!

The Path To Eternity [PERSONAGENS SEC.]




    Nome: Suhrt Zellgawerf / Idade: 8205 anos
                                                                                                             Nome: Ledus acis  / Idade: ???? anos
                   Nome: Grid Abelyos / Idade: 38 anos                  
                                                                                            Nome: Kvasyr Schleicher / Idade: 5941 anos


                                              Nome: Sigurd Bausch  / Idade: 180 anos

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.09]


             Cap.09 - A Lenda do Antigo Sarkan
Alguns dias após minha volta a Dzelzs pilsëta, todo o exército já estava praticamente "pronto" para partir e ir ao ponto de encontro com a aliança, Müžïgä Naktï, um ponto de encontro bem anormal diga-se de passagem, pois este lugar adquiriu uma certa fama por causa de alguns avistamentos de seres estranhos, em todos os casos de avistamentos as pessoas dizem que estes seres não são deste mundo, pois não se parecem com nada já visto em Tenaryon, apesar de serem raros, não deixam de acontecer.
Liesi estava com uma pressa de acabar logo com esta guerra sem sentido algum e voltar para seu povo, que é onde ela sempre deve estar, porém ela nem se quer saiu de Dzelzs pilsëta, creio que iremos passar um bom tempo fora daqui, e durante sua ausência quem irá ficar no comando é seu irmão mais novo, que muito pouco se destaca em absolutamente tudo, por este motivo que o pai de Liesi a entregou a coroa real.
Quando finalmente todo o exército ficou totalmente pronto Liesi convocou todos, na noite anterior antes de partirmos, pois iriamos partir daqui a algumas horas, antes do sol nascer.
- Como não preciso alongar muito meu discurso antes de descansarmos um pouco e finalmente partirmos para guerra - nosso exército não era tão pequeno assim, haviam em torno de 13 mil homens e mulheres ali, incluindo conjuradores de magias e arqueiros - Irei nomear os capitães - Liesi respirou fundo, essa história de capitão era novo pra mim - Anna, não preciso nem falar muita coisa ou o porque, Eu irei liderar os Espadas-Longas - Espadas Longas era um grupo muito antigo dentre o exercito dos humanos, tem uma certa fama de serem muito fortes, e esta fama não é para menos, antes de ser liderado por Liesi, era por seu Tio mais velho, ele possuía tal habilidade que quase se igualava aos maiores guerreiros de Loti Izturigs - Grid guiará os arqueiros na linha do meio, mas iremos decidir onde sua linha irá ficar quando soubermos a formação das outras raças, Volker, preciso de você para uma missão que não poderá haver falhas! - Liesi me fitou séria.
- Diga-me minha senhora, executarei sem falhas! - falei firme, mesmo sem saber sobre o que se tratava.
- Não sei Kenrs nos enfrentará, acredito que ele não irá se expor tanto, usará sua irmã Kua e seu guardião, Suhrt Zellgawerf, como escudo do portão do impenetrável castelo, mas é aqui que você entra, não poderia estregar esta missão a Grid, pois você é o mais rápido e ágil daqui - Liesi parecia ter algum duvida, um medo pode-se dizer melhor, de deixar-me ir.
- Ágil?! - a fitei - Posso ao menos ser mais que os Ljósalfar?!
- Você tem razão, mas irei apresentar esta indagação a Fenhrir e os outros, devemos mandar um dos nossos, um de cada raça, para tentar completar esta missão, assim teremos mais chances de sucesso - ela sorriu.
- E do que se trata? - fiquei com medo de saber.
- Você terá que matar Suhrt - todos gargalharam, nunca ouvira falar dele, então não tinha ideia de com quem, ou o que, estava lidando - Não será uma tarefa fácil, em sua forma "humana", ele não passa de uma pessoa normal, sem poderes, mas ao se transformar em sua verdadeira forma, aí é que está o problema, ele é um demônio, enquanto outros seres se tornam maus sendo corrompidos pela escuridão, os demônios são a própria escuridão, então me entenda bem, ele não é um simples demônio.
- Não sei se quero saber mas, em que ele irá se transformar? - me preparei para ouvir o pior.
- Em um Sarkan de 4 cabeças - Liesi permaneceu séria, todos os outros estavam me olhando, esperando minha palavra de desistência.
- Ele é... grande?! - sorri.
- Ele era o lendário Sarkan de quatro cabeças do reino de Sarkan-Stadt(1) Volker, não sei se você já chegou a ouvir tal história, mas a mais poderosa conjuradora dos Loti Izturigs o aprisionou em sua própria escuridão, e lhe disse, que a única forma de libertá-lo, é ela morrendo, e não demorou muito para todos os planos de Miesha se completarem, Suhrt foi libertado, porém boa parte de seus poderes estavam sendo sugados, antes, pela conjuradora que o aprisionou, então ele não consegue se materializar em sua forma original por muito tempo, mas quando se transforma, não há quem faça-o parar, se é que me entende, mas o que me diz?! - Liesi cruzou os braços, vi "escrito" em seus olhos, "não me desaponte".
- Nunca negarei uma ordem sua minha senhora - naquele instante todos que assistiam a conversa gritaram de felicidade e exaltação, Liesi sorriu, estava orgulhosa - Se ele tem um ponto fraco, fica mais fácil - sorri.
- É disto que eu estou falando!! - Liesi ergueu o punho para o alto - Se eles querem ser os únicos seres no mundo, então vamos dar o que eles querem, serão os únicos seres no mundo chamado Storbann(2) - os guerreiros que estavam ali gritaram mais ainda, sorri - Espero que tudo tenha sido explicado, algum dúvida? - Liesi fitou todos os guerreiros e nenhum se pronunciou - Ótimo, vejo que todos entenderam seus papeis, agora procurem descansar o máximo que conseguirem, nossas embarcações podem ser as mais caras e luxuosas possíveis, mas eu não controlo os oceanos, ainda - Liesi gargalhou.
Logo todos foram saindo de dentro do jardim do palácio real, caminhei para fazer o mesmo, tinha que descansar para acordar bem cedo amanhã, mas alguém me segurou, olhei para trás para ver quem era, era Anna.
- Volker posso conversar com você?! - ela parecia assustada.
- Claro - fiquei preocupado ao vê-la daquele jeito, no mesmo instante Anna segurou meu pulso e me carregou para um lugar onde ninguém pudesse ouvir nossa conversa - O que houve Anna, você não parece nada bem.
- Volker eu não quero ir - ela fitou o chão.
- COMO NÃO?! - fiquei muito surpreso ao ouvir aquilo - Precisamos de você, você é a noss..
- Eu sei disso! - Anna me interrompeu, ela parecia mal mesmo - Estou com medo, não quero morrer - parei para pensar após ouvir aquilo, realmente, eu corria um grande risco de morrer e não havia parado para pensar naquilo, também não queria morrer!
- Anna, também não quero morrer, mas.. - tentei procurar mais palavras, mas não me vinha nenhuma, não sabia o que falar para acalmá-la.
- Você não tem o peso nas costas que eu tenho! - percebi que no cantinho de seus olhos se formava uma lágrima.
- Peso nas costas?! EU NÃO TENHO PESO NAS COSTAS?! - fiquei um pouco indignado ao ouvir tal coisa - Anna ouça-me bem - segurei seu rosto para ele olhar fixamente em meus olhos - Sabe o que irá acontecer se eu e os outros falharmos? - ela ficou calada - Aí sim todos vocês irão morrer Anna, eu já tinha ouvido falar de uma tal história deste tal de Suhrt, mas não fazia ideia que ele estava vivo e que PIOR, eu terei de matá-lo sem saber COMO! Agora não venha me falar de peso nas costas menina, entendo que você está com medo, mas acredite, ninguém... - respirei fundo - nin-guém irá deixar você morrer, está entendendo?
- Agora entendo por quê Liesi gosta tanto de você - Anna corou, percebi um pequeno sorriso no canto esquerdo de seus lábios - Você é incrível - larguei seu rosto e ela beijou meu rosto - Obrigada - logo foi embora.
- Pare de prometer tudo a todos Volker - sussurrei - Não irá conseguir salvar sua própria vida, quem dirá a de outra pessoa.
- "Acha mesmo?" - ouvi uma voz feminina no ar, me assustei e olhei para todos os lados a fim de encontrar quem teria dito aquilo, mas não vi ninguém.
- Tem alguém aqui?! - falei um pouco mais alto - Liesi?! - mas ninguém respondeu, resolvi não dar muito atenção para o ocorrido, poderia ser alguma coisa da minha cabeça.
O dia estava prestes a amanhecer e pude ouvir ao longe o barulho das embarcações partindo, pessoas falando, resumindo muito barulho, caminhei para o cais do porto e Liesi estava lá, com sua armadura e a espada presa em sua cintura.
- Não descansou? - Liesi me fitou.
- Não consegui, descanso dentro do navio, não fará muita diferença - sorri, ficamos ali olhando para todos os homens trabalhando nas embarcações, outros com muita pressa para adentrar na sua embarcação e partir, eram muitos navios, muitos mesmo.
- Você não está com medo, está? - Liesi permaneceu olhando para as pessoas trabalhando.
- Não senhora - falei firme.
- E Anna?
- Ela... - não sabia se contava a verdade ou não.
- Entendo... - Liesi me fitou novamente e sorriu - Não se preocupe, cuidarei de tudo, apenas pense em sua missão, você já tem peso de mais em suas costas, não deixarei mais ninguém lhe entregar nada para carregar, não desvie seu pensamento, está me ouvindo?! - ela ficou séria, parecia ter ouvido quando eu e Anna estávamos conversando.
- Não irei senhora! - a olhei fixamente nos olhos, ela beijou minha testa e me abraçou.
- Parece que estamos indo para nossa destruição, não acha?! - ela sussurrou.
- Não sei dizer, estou nervoso, nunca passei por isso... - suspirei.
- Vamos, Grid já está nos esperando no navio - Liesi segurou meu pulso e foi me "carregando" até o navio real, em que ela iria com a guarda real toda completa para a proteger.
----------------- (Värti Debesyu) -----------------
Longe de tudo e de todos estava Üdenstornis, caminhando em seu "reino", cheio de água, coberto por gigantescas paredes feitas de pedra onde em seus topos haviam vários vastos campos.
Üdenstornis olha calmamente para o céu, respira fundo, parecia desapontado com algo, caminha por alguns metros e para subitamente após sentir uma presença.
- O que estais fazendo aqui? - Üdenstornis nem se quer moveu-se para ver quem se aproximava de seu domínio, subitamente a tal presença tenta se comunicar usando sua mente.
- " Deixe-me ir" - dizia a presença em sua mente. 
- A guerra não é sua, não mais, não deve ir, eles não merecem mais nada de nós - logo Üdenstornis responde abruptamente, passado alguns segundos a presença se aproxima e surge na forma de uma fraca luz no fundo do lago por onde Üdenstornis caminhava, parecia uma pequena chama a espera de seu combustível para explodir com todo o poder.
- " Não tente evitar o inevitável Sarkan" - a luz pulsava.
 - Não desperte, não é a hora, não ganhará nada com isto! - os olhos esverdeados de Üdenstornis brilharam em uma luz branca - Você sabe que estou certo - Üdenstornis abriu as gigantescas asas e fitou a luz, parecia estar ficando furioso.
- " Não há mais como reverter a situação Üdenstornis, deixe-me ir!" - a presença ficou mais "agressiva" em sua mente.
 - Não diga-me o que fazer, não eis meu dono, porém não deixarei que parta daqui, não é a hora, compreenda! - Üdenstornis estava realmente furioso, a presença em sua mente parecia o perturbar, até que sua voz trovejou tão fortemente no ar que algumas pedras racharam - Veja o que me fez fazer - ele suspirou - Sabe que gosto de tudo em ordem.
- " Mais cedo ou mais tarde irá acontecer, então que seja logo agora!" - a voz da presença parecia estar enfraquecendo, de repente o céu ficou escuro e vários raios azulados desceram das nuvens acinzentadas, porém ao tocarem o chão, congelaram tudo. 
- O que faz aqui Ledlazuly?! - Üdenstornis fitou o céu a procura do causador dos raios.
- Como o que faço aqui?! - outro Sarkan surgiu, em seu corpo não havia pele, eram somente ossos negros, suas asas rasgadas eram do mesmo tamanho das de Üdenstornis, de seus olhos emanava uma aura gélida tão azulada que brilhava - Não irei ficar sentado enquanto eles se matam!
- Você não irá Ledlazulys, não irei permitir que nenhuma outra raça interfira em nada, já haverá matança o suficiente no dia de amanhã - Üdenstornis o fitou furioso.
- Acha que irá conseguir impedir esta "presença" de ir? - Ledlazulys o enfrentou.
- Darei minha vida para que não aconteça isso, não duvide de minhas palavras.
- Nunca! - Ledlazulys falou num tom de deboxe - Além do mais, quem mais sábio que você para nos aconselhar?!
- Não brinque comigo! - Üdenstornis abriu as asas e rapidamente voou na direção de Ledlazulys, o céu trovejou novamente, mas algo fez ele parar tal ação - Não desperte!! - seu rugido estremeceu a terra.

---- Nota ----
(1) Sarkan-Stadt - Cidade que outrora havia sido governada por um celeste Sarkan, Suhrt o senhor da escuridão, porém quando os Loti Izturigs atacaram a cidade, sua melhor conjuradora venceu Suhrt e o aprisionou eternamente em sua própria escuridão, e lhe disse que só seria libertado após sua morte, então Miesha ao destruir a árvore da eternidade destruiu todos de sua raça, logo após disso, o Sarkan foi libertado, mas não sabia que boa parte de seu poder havia sido sugado pela conjuradora enquanto ele ainda estava preso.
(2) Storbann - Na crença dos antigos Ljósalfar, após a morte, o corpo permanece em Tenaryon, porém a alma dos corrompidos pela escuridão, ou os próprios causadores de tal, descem para outro mundo chamado Storbann, onde suas almas vagaram por toda eternidade, na solidão, sofrendo.

If these wings could fly [C.04]

Cap.04 -O Acidente Quando eu falo que fiquei por muito tempo no telhado, eu não estava mentindo, até peguei no sono, só acordei com...