Cap.04 -O Acidente
Quando eu falo que fiquei por muito tempo no telhado, eu não
estava mentindo, até peguei no sono, só acordei com um funcionário da escola me
acordando e falando que a aula tinha acabado. Acordei desesperada me
perguntando como tinha dormido tanto sendo que eu tinha acabado de acordar pra
ir pra aula!
Tristeza da sono né?! Ninguém pode negar isso.
Fui até minha sala para pegar minha mochila e ir embora, não
tinha mais quase ninguém na escola, ainda bem, porque não queria ninguém vendo
minha cara de derrotada.
- Mina? - ouvi alguém entrando na sala e era o Kenji - O que
cê tava fazendo aqui sozinha? Estudando? - Ele se aproximou.
- Oi Kenji - tentei melhorar a cara, mas tava difícil - Sim,
tava com dificuldade em umas coisas ai passei na biblioteca para pegar uns
livros - a pior desculpa do mundo até porque eu não tinha livro nenhum nas
mãos.
- Você parece cansada, não se esforce tanto - ele sorriu -
Quer que eu lhe acompanhe até em casa?
- Não.. Não precisa - sorri.
- Faço questão, faz uns dias que não fico com você, como sou
representante da classe, fico muito ocupado no final da semana, quero ficar com
você.
- Eu tenho que passar no mercado pra comprar umas..
- Vou com você, também to precisando! Minha mãe mandou eu
comprar umas coisas - e ele insistiu.
- Ah.. - Porque eu tava negando?! Por conta do que o Saito
falou?! Qual a lógica disso! Eu tô preferindo acreditar em uma pessoa que eu
conheço faz duas semanas do que no meu amigo de infância! - Vamos - ia me
arriscar mais uma vez.
- Se anime, você ta muito tristinha, seu sorriso é lindo
demais pra não ser mostrado - Kenji foi andando na direção da porta da sala e
eu o acompanhei.
Não vou mentir, perto dele eu me sentia estranha, não era
algo normal, mas acho que eu sentia isso pelo fato de que tudo tinha sido
rápido demais. Eu só queria um tempo pra pensar em tudo, e o Saito surgiu..
Pera, porque eu já meti ele no meio de tudo?! Ele me mandou ir embora, e não
vou atrás de saber porque, não vou ficar me humilhando por qualquer um por ai
não!
Passamos o resto da tarde juntos, caminhos por alguns
parques menores, fizemos as compras no supermercado perto da minha casa e
chegou a hora de ir embora.
- Bom é que aqui nos separamos - sorri - Me diverti muito.
- Tá vendo?! É esse sorriso que quero ver todo dia - Kenji
aproximou-se e acariciou meu rosto - Não deixe ninguém tirá-lo de seu rosto,
ninguém Mina! Se alguém fizer isso, prometo que mato - ele riu baixinho.
Eu estava muito envergonhada, ficamos alguns segundos nos
olhando e a cada segundo que passava eu ia ficando mais e mais nervosa.
- Eu mandei você fica longe dela - aquela voz fez meu
coração parar - Você continua insistindo nisso, deixe-a em paz!
- S-Saito - me afastei de Kenji ao ver Saito do outro lado
da rua, isso não tinha o menor sentido - Porque?.. - sussurrei.
- Vamos embora Mina - ele me puxou pela mão, mas não deixei.
- Me larga! - me afastei dos dois - Olha, eu não sei o que
ta havendo entre vocês dois, mas não me intrometam nisso, eu não quero nada com
nenhum dos dois eu só quero viver minha vida!
- Mina! - Kenji se desesperou.
- NÃO! - eu estava ofegante de tão nervosa - Vou embora, me
deixem em paz, já falei, se matem façam o que quiserem, mas não venham mais
atrás de mim!
Dei as costas e fui andando bem rápido na direção contrária
da minha casa, nem sei porque, afinal eu só queria me afastar daquilo tudo, não
sabia pra onde tava indo, só sabia que não conseguia parar de chorar. Eu estava
muito confusa, mas de verdade, eu nem queria saber o que tinha acontecido entre
eles dois.
- GAROTA! - alguém gritou.
Não tive nem tempo de ver o que tava acontecendo, só senti
uma forte dor de um dos lados do meu corpo, e um vento muito forte batendo no
meu rosto.
Desmaiei.
~No dia seguinte~
Morri?.. Não sei.
Abri os olhos bem devagar e vi que não estava em casa,
aquilo tudo tinha sido real? Não faço ideia. Tentei me levantar da cama onde
estava deitada, mas meu corpo estava doendo demais.
- Se eu fosse você não levantaria - olhei para o lado e
tinha alguém sentado em uma cadeira na escuridão do quarto - Seu acidente foi
muito feio, muito mesmo.
- O.. O que houve? - senti até dificuldade em falar.
- Você atravessou a rua sem olhar que vinha um carro
atravessando o sinal vermelho muito rápido, e ele passou em cima de você - a
pessoa concluiu.
- Como tô viva?
- Graças ao meu irmão, obviamente - a pessoa levantou-se da
cadeira e se aproximou, pude ver seu rosto, tinha aparência bem familiar -
Saito.
- Saito?! - fiquei surpresa - Como assim? Ele é médico?
- Médico - ele riu - Não sei em que mundo ele é médico, mas
interprete como quiser.
Alguém abre a porta.
- Falando nele - o irmão de Saito foi até a porta para
receber quem havia entrado - Ela está melhor, você já pode se acalmar, fez um
bom trabalho.
- Pode ir dormir irmão, obrigado - Era ele, pude ver seu
rosto cansado e nitidamente preocupado -
Você é louca?! Como você atravessa a rua sem ver se vem carro ou qualquer coisa
que possa te matar menina?
- Você veio aqui pra me passar bronca? Se for pode ir embora
- fui grossa.
- Nossa.. - ele me olhou com desgosto.
- Conheço esse olhar - ri ironicamente - Esse mesmo olhar
foi o que tive quando você me mandou ir embora, porque não me deixou morrer
logo de uma vez?
- Você quer morrer? É isso que quer? - Saito aproximou-se da
cama, parecia agressivo - Se quiser eu resolvo isso sem você perceber!
- Resolva então! - o confrontei.
- Você.. - Saito sentou-se ao meu lado, me segurou pelo
rosto com força, parecia muito relutante - Porque simplesmente não foi embora
quando mandei?
- EU FUI! VOCÊ QUE VOLTOU ATRÁS! PORQUE VOLTOU?
- Mandei ficar afastada daquele garoto!
- VOCÊ MANDA EM MIM?!
- Você ta muito alterada..
- NÃO IMPORTA, VA EMBORA! - gritei, puxei a mão dele para
soltar meu rosto e acabei cortando parte do meu dedo com minhas próprias unhas.
- Esconda isso - Ele virou o rosto e colocou o lençol em
minha mão que sangrava - Não vou embora até você ficar bem - Saito se levantou.
- Antes de ir embora, como você me salvou?
- Não importa, descanse que amanhã você tem que ir pra aula
e pra sua casa - Saito foi indo embora.
- Saito.. seja sincero comigo - falei baixo.
- Estou sendo, você não vai querer saber, só fica quieta e
dorme.
~No Dia seguinte~
- Mina.. acorda Mina - era a voz do Saito - Você tem que
pelo menos ir pra casa já que não vai pra aula.
- Co..Como assim não vou pra aula? - fui levantando da cama.
- Eu já voltei da aula, você não acordou.
- QUE HORAS SÃO? - pulei da cama.
- 15:30..
- Meu Deus.. Passei dois dias sem ir pra aula - suspirei.
- Acho que você já ta se sentindo melhor né? Vai pra casa
então, sua roupa tá ali em cima lavada - ele apontou para um pequeno armário -
Vou pro meu quarto, a empregada te mostra a saída.
- Você.. tirou minha roupa? - corei.
- Queria que eu tivesse te deixado na cama coberta de
sangue? Desculpa então.
- VOCÊ TIROU MINHA ROUPA!
- Mina, não faz caso que coisa..
Fui levantar da cama para ir me vestir e de repente algo
atravessou a enorme janela da sacada e veio na minha direção, Saito moveu-se
com uma velocidade sobre humana e parou a minha frente, fechei os olhos de
reflexo e pude sentir algo macio encostando em minha pele, abri os olhos bem
devagar, EU TAVA VIVA!
- S-S-Saito?!! - sobre sua cabeça tinham surgidos duas orelhas peludas da cor de seu cabelo prateado e em suas costas uma cauda branca
enorme.
- O que você quer?! - a voz de Saito havia mudado, estava
mais grossa - Mandei você se afastar dela.
- Acha que ele vai vim fazer o trabalho sujo seu mestiço
nojento?! - uma voz pairou no ar, parecia muito agressiva e aguda.
- O que querem com ela?! - Saito gritou.
- Você sabe.. até você mesmo quer garotinho - a pessoa que
falava riu.
- VAI EMBORA! - Saito moveu seu braço na direção das janelas
e uma luz brilhante saiu de seu braço e destruiu metade da parede do quarto.
- O..que você é Saito? - meu corpo tremia de medo, muito
medo - O que ta acontecendo?
- Mina.. Va pra casa - Saito saiu caminhando como se
estivesse tudo normal, como se não tivessem duas orelhas em cima de sua cabeça
e uma cauda enorme em suas costas.
- Vai embora como.. Porque você tem um RABO!
- MINA! - Saito gritou e aproximou-se rapidamente de mim -
Por favor, cala a boca, você me deixando mais nervoso do que eu ja tô, vai
embora, não se aproxima do garoto que fica tudo tranquilo ok?!
- Mas acabaram de tentar me matar!
- E QUE DIFERENÇA ISSO FAZ? Não era você que queria morrer a
minutos atrás?! - aquilo tinha tirado todas as minhas palavras da minha boca -
Isso, calada, agora va embora.
- Não vou embora até você me explicar o que ta acontecendo e
o que é você!
- Se eu te falar o que eu sou, você fica tranquila e vai
embora?
- E se algo acontecer comigo?
- Mina - ele me abraçou - Nada vai acontecer com você, nada,
nunca, nunca vou deixar ninguém encostar um dedo em você, entendeu?
- Sai..to - corei.
Meu coração estava quase parando naquele momento.
- Eu sou filho de uma deusa e um demônio, minha mãe se chamava Amaterasu e meu pai se chama Morfeus.. Minha mãe é a Deusa do Sol, uma divindade
lobo, já meu pai.. - ele parou de falar - Meu pai é um vampiro, ele enganou
minha mãe séculos atrás, veio de uma cidade na Europa para essas terras quando
minha mãe era muito jovem, por anos disse a minha mãe que a amava, engravidou
minha mãe, e.. a matou, FIM, agora va embora - ele não parecia gostar muito de
contar aquilo.
- E porque diabos você acha que vou acreditar nisso tudo?
- Você acha mesmo que eu ligo se você acredita ou não
garota? Você viu na minha metade transformado, não viu? Acha que isso é uma
fantasia? Ah que saber.. dane-se! - Saito deu de ombros e foi saindo do quarto.
- CALMA! - ele parou de andar - E seu irmão?
- Ele é o sucessor oficial do meu Pai, ele é um vampiro de
verdade.. já eu..
- Você? Você é o que?
- Sou a pior das coisas, nem boa nem ruim, nem da luz nem da
escuridão, não sei o que sou.. Por favor, va embora.
POGGERS
ResponderExcluir