quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Symphony Of Death [C.04]


                  Cap. 04 - Sangue
Fui acordando bem devagar, ouvindo os pássaros cantando suavemente, isso acalma qualquer um, me levantei e olhei para a outra cama e não vi Aoki, fui ao banheiro escovar meus dentes e lavar meu rosto.
- Acordou - como sempre, chegando do nada e me assustando - meu Deus, o que droga é essa?! 
- O QUE?! - ainda com a escova na mão me virei para ele, que estava na porta, atrás de mim - que foi?! - Aoki estava com uma cara de espanto, não foi atoa que ele nem disse o que tinha acontecido, apenas apontou para as minhas costas, estava até com medo de olhar, depois do sonho que tive, tudo poderia acontecer.
Fui virando minha cabeça bem devagar, para olhar-me no espelho do banheiro, quando pude ver completamente o que tinha em minhas costas, logo minha escova caiu da minha mão.
- O que você andou fazendo de madrugada?! - Aoki se afastou de mim.
- Mas... o que.... droga é... essa?!?!?! - fui encostar a mão na parte superior das minhas costas, onde tinha um corte enorme, em linha reta, não parecia sangrar, e nem pareceu que sangrou enquanto eu dormia, além do mais, não havia sangue em meus lençois, mas estava muito inchado, muito vermelho, eu estava sem reação, parecia que algo tinha feito aquilo.
- Souske... sério, eu mereço uma boa explicação...
- ACHA QUE EU SEI QUE DROGA É ESSA?! - eu estava em pânico, gritei tão alto que Aoki percebeu que eu não fazia a minima ideia do que poderia ser aquilo - meu Deus... 
- Vou chamar a enfermeira daqui da pousada - Aoki já ia saindo, mas eu o segurei.
- Não! Ninguém vai saber disso, NINGUÉM! - o fitei bem sério, e ele pareceu entender o que eu estava dizendo, peguei minha escova do chão e voltei a escovar meus dentes.
- Não doí?! - apenas balancei a cabeça, dizendo "não", Aoki passou a mão no rosto, tentando voltar para a realidade, e tentar procurar uma explicação lógica para aquilo.
Ao terminar de escovar meus dentes, larguei a escova ao lado da pia e fui indo pegar uma blusa.
- Lucy ta doente.. - quando ouvi aquilo, o tempo pareceu parar, junto com meu coração, então era verdade - era ela não era? - fiquei em um estado de choque tão forte que nem cheguei a responder, Aoki se estressou e me puxou pelos ombros e me empurrou - Responde! 
- Aoki... - fitei o nada, Não sabia nem o que responder.
- Não precisa responder - ele suspirou e sentou na cama.
- O que ela tem? 
- Ninguém sabe, mas hoje de manhã ela acordou vomitando muito sangue, ela voltou pra Yokohama de madrugada ainda - Aoki me fitou.
- Então era verdade... - sussurrei.
- O que? - Aoki havia ouvido.
- Eu... - não sabia como explicar o que estava acontecendo - Eu não tinha certeza se era ela, não tenho certeza até agora, pode ser uma mera coincidência..
- Tudo é coincidência?! Olha o que apareceu nas suas costas! - ele se exaltou.
- Calma! - fiquei andando de um lado para o outro do quarto - bom, vou resumir, e não ria!
- Certo, conta logo.
- Não sei porque razão posso ver "luzes" em algumas pessoas, é meio raro isso..
- Luzes?! Como assim?
- No tórax, e por alguma razão, depois de eu ver essas luzes, a pessoa morre, claro que não instantaneamente, umas... duas, três semanas depois.
- Tá falando sério?
- Acha que eu ia mentir sobre uma coisa tão séria dessa?! - me sentei numa cadeira, tinha que me acalmar.
- Você tem certeza? Não é só...
- Uma coincidência?! - o interrompi.
- Esquece, mas sim, elas morrem de que?
- Formas variadas, nada é igual, umas morrem por doenças, suicidios, assasinatos, formas variadas.
- Agora, a pergunta mais importante... - ele parou por alguns segundos - Você viu?
- Vi.
- E agora?
- Como assim e agora? Aoki eu não sou Deus, o que quer que eu faça? avise pra ela que ela vai morrer? Nossa que grande ajuda! - soltei uma risada irônica.
- Não... quer dizer eer... - ele pareceu muito confuso - Então o que você costuma fazer quando vê essa luz?
- Eu? Nada.
- Nada?! Só espera ter a noticia do óbito da pessoa?!
- É... - me calei - preciso saber de uma coisa.
- Do que? - ele me fitou, muito curioso.
- Você sabe alguém que tenha carro? - me levantei da poltrona.
- Sei... mas pra que?
- Preciso falar com a Lucy, com urgência, preciso desse carro emprestado! Pra ontem! - peguei uma roupa na minha bolsa e fui me trocar no banheiro.
- E como vou pedir pra dar o carro pra você?! carro é uma coisa cara de mais garoto, acha que pode sair com o carro dos outros...
- Apenas peça! - o interrompi, ele suspirou e saiu do quarto.
Terminei de me arrumar e guardei todas as minhas coisas de volta dentro da mala, esperei mais 10 minutos e Aoki entrou no quarto.
- E aí? - o fitei.
- O carro é da Nagasawa, falei que era pra mim, porque ela sabe que minha irmã ta internada em Yokohama, e eu disse que precisava voltar urgentemente, ou seja... Tenho que ir com você Souske-kun.
- Ótimo, arrume suas coisas, e vá pra garagem o mais rápido possível, vou estar esperando dentro do carro - peguei minha bolsa e desci correndo para a garagem, abri a porta do carro e entrei.
Alguns minutos depois Aoki apareceu e adentrou ao carro. Voltei o mais rápido que o carro conseguiu para Yokohama, fui direto para o hospital que Lucy estava internada, estacionei o carro.
- Boa tarde, qual quarto que Lucy Yukinawa está? - tentei parecer menos assustado, causar uma boa impressão.
- Olha senhor, nós não temos autorização para deixar qualquer um entrar no quarto dela, somente familiares e uma amiga - sabia que ia ter algum problema, estava tudo fácil de mais.
- Sou o professor dela, ela estava sob meus cuidados na pousada, eu era responsável pelo grupo em que ela estava quando aconteceu tudo - Aoki fez um drama incrível - foi tudo tão rápido... - chegou a quase chorar, pareceu ter comovido a mulher.
- Nossa... Certo, os deixarei entrar, só preciso dos nomes de vocês dois - após a mulher anotar nossos nomes e telefones, corremos para o quarto onde Lucy deveria estar, e na porta havia uma senhora com uma criança, ela nos fitou.
- Esse é o quarto de Lucy? - Aoki, como sempre, um ótimo ator.
- Sim sim, vocês são amigos dela? - o rosto da mulher estava muito inchado, parecia ter chorado por dias.
- Sou professor, e esse é Souske, amigo dela, tentamos trazer sua amiga, Jubei, mas não conseguimos - Aoki fez a cara de triste mais verdadeira do mundo.
- Podem entrar, mas por favor, tenham cuidado, ela está muito debilitada.
Entramos.
Lucy estava deitada em uma cama, pálida, dormia como uma criança, entramos procurando não fazer muito barulho. Esperamos alguns minutos e ela finalmente acordou, quando nos viu ficou surpresa.
- Porque estão aqui? - até sua voz estava estranha.
- Lucy, depois explicamos - comecei, tentando não pressiona-la muito - preste bem atenção...
- Sous...ke-kun - ela olhava em meus olhos, como se pudesse ver minha alma - seus olhos - ela ergueu a mão e a encostou em meu rosto.
- Ahn?! 
Ela não me respondia mais, apenas olhava em meus olhos. Ficou um silêncio macabro, então ela foi se aproximando do meu rosto, e ficou bem perto.
- Eles estão lhe vendo... - quando ela disse aquilo, meu coração pulsou forte - não tente fugir... será pior - a voz dela começou a mudar.
- Lu-lu-lucy?! - Aoki foi se afastando ao ouvir-la com uma voz muito grossa.
- Seus olhos... - ela repetiu, eu não conseguia se quer me mover - quando foi.. que se olhou no espelho a ultima vez?! - não respondi - RESPONDA! - a voz grossa gritou e eu tremi de pavor.
- Ho-ho-hoje... - estava com medo de perguntar porque.
- Então da próxima vez, olhe mais atentamente, não olhe para o espelho em si... Olhe para a sua imagem, e veja o que eu... - ela parou - aliás, nós.. vemos - ao terminar de falar ela foi desmaiando e sua mão se desencostou do meu rosto, logo ela caiu na cama.
Eu estava imóvel, não sabia o que pensar, não sabia quando respirar, quando sentir medo, quando controlar meu corpo, estava... não, eu não estava dentro de mim.
- SOUSKE-KUN! - pudia ouvir Aoki gritar meu nome, algo estava acontecendo no quarto, mas meu corpo não queria se mover, não me obedecia, eu nem se quer conseguia pensar - SOUSKE! SOUSKE!!!!!!! - Aoki me esmurrou e eu caí no chão, e finalmente voltei ao normal - SOUSKE!
- O que houve?! - eu estava fraco, não sabia porque, e estava sentindo uma dor muito grande nas costas, Aoki nem disse nada, apenas ergueu sua mão na frente do meu rosto e vi tudo vermelho.
Sangue.
- Souske, veja! - Aoki se levantou e apontou para o aparelho que marcava os batimentos cardiacos de Lucy, estava parado.
Fui me levantando com muita dificuldade do chão, já não sabia mais o que estava acontecendo, estava tudo passando sob meus olhos e eu sem nenhum reação, sem saber o que fazer, de repente vários médicos começaram a entrar no quarto para socorrer Lucy, e outros nos tiraram do quarto. Aoki, vendo meu estado, me sentou numa cadeira no corredor do hospital.
- Ei! EI! concetra, olha pra mim, não feche os olhos! - Aoki estava apavorado, e eu estava ficando cada vez mais fraco.
- O garoto está sangrando! Rápido - só pude ouvir isso, e ver, muito embaçado, dois médicos correndo para me socorrer.
Sangue, Alma, Sangue.

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