domingo, 30 de dezembro de 2012

Konna Koto Hajimetette [C.05]



                      Cap.05 - Um Contrato e Um Beijo
- Não é uma coisa fácil de se entender, agora imagina pra mim, que não quero - ele suspirou.
- Se não quer, então porque simplesmente não vai embora? - o fitei, e ele me olhou nos olhos.
- Não é tão simplesmente assim, mas nosso contrato não está nem feito completamente ainda.. Pensando bem.. - ele sorriu.
- Se não quer, vá embora - tentei passar tranquilidade.
- Você tem razão! - ele se levantou da cadeira e foi indo embora.
Percebi que se ele fosse embora eu iria morrer a qualquer momento, e ele parou de andar quando viu meu rosto com uma aflição horrível.
- Já falei pra ir embora! - olhei pro chão com raiva - minha vida não é responsabilidade sua!
- É sim.. - ele suspirou e o fitei.
- Prefiro que vá embora.. - me levantei da cama e fui ao banheiro escovar os dentes.
Quando voltei ele estava sentado na minha cama.
- O que está fazendo aqui ainda? - cruzei os braços com raiva.
- Se você morrer...
- O que tem? Não vai mudar nada na sua vida! - fui indo para o computador.
- Eu morro - aquilo me fez parar de andar, e o fitei assustada.
- Mas você disse que ainda não fizemos o contrato não é?! Então acho que não vai acontecer nada com você, vá - me sentei e comecei a meche no computador, mas ele nem se moveu.
Ele pareceu ficar com raiva do que eu falei, abriu uma janela e sumiu novamente.
- Ótimo! - suspirei.
- Yokooo! Cheguei! - ouvi a voz da minha mãe e logo ela veio até o meu quarto e abriu a porta - já comeu filha?
- Acabei de acordar mãe - sorri.
- Que.. cheiro de cachorro molhado é esse no teu quarto menina? - ela parou para procurar algum cachorro no quarto - você sabe que..
- Não mãe, não trouxe nenhum animal pra cá - suspirei e voltei a meche no computador.
- Eu hein, o que houve?! - ela me fitou, mas não respondi - vá comer filha, vou dormir mais um pouco, já que é domingo, dia de descansar - ela riu e fechou a porta.
Quando foi anoitecendo, fui tomar um banho, estava com muito calor, me vesti e resolvi ir comer fora, peguei um dinheiro que eu tinha e fui indo a uma lanchonete que tinha perto da minha casa, passei pela praça que aquele lagarto louco tinha aranhando meu rosto, e senti um arrepio na espinha.
- Porque eu fui abrir aquela porcaria de vaso, porque meu Deus - falei baixinho.
- Arrependimento mata sabia - ouvi a voz de uma mulher, que se aproximou rapidamente de mim.
- Quem é você? - já fiquei alerta e me afastei dela.
- Eu? Adoraria ser sua serva, diferente daquela raposa idiota, que só magoou seu coraçãozinho criança - ela passou a mão no meu rosto, me senti um pouco reconfortada depois daquilo - pena que você não pode fazer um contrato comigo, se desse com um único beijo o contrato seria feito, e eu seria sua serva - ela fez uma cara de triste.
- Porque não? - falei tão rapidamente que nem percebi que tava falando normalmente com um demônio.
- Porque eu não sou sua escolhida, Divindade - ela sorriu.
- Como assim? Eu digo quem eu escolho ou não! - falei meio alto.
- Sabemos disso criança - ela riu - mas não funciona assim.
- Porque não? - fiquei triste - não quero morrer....
- Você deveria ter pensado nisso antes de abrir aquele vaso, lhe foi avisado, tudo lhe foi avisado, mas mesmo assim você o abriu.
- Verdade... - me sentei no banco da praça.
- As escolhas que podem lhe trazer mal ou bem, são feitas unicamente por você criança, não são outros que decidem seu futuro, mas sim você! - a mulher se sentou ao meu lado - fique calma, vai da tudo certo! - ela sorriu e passou a mão no meu ombro e o beijou.
Comecei a ficar meio zonza e caí no chão, não estava conseguindo meche meu corpo, mas estava de olhos bem abertos, a mulher se levantou e me levantou me puxando por um dos braços.
- Agora vou comer você, vou ficar forte e linda! - ela gritou e riu.
Porque resolvi abrir aquele vaso?! Porque?! Porque falei aquele jeito com aquele homem?! Ele.. mesmo sendo contra a vontade dele, ele parecia... ele iria me salvar se eu não tivesse sido tão idiota... Mas agora vou morrer, de que isso tudo adianta?! Se eu pudesse desejar uma ultima coisa, desejaria que ele viesse me salvar.
Jorrou sangue para todos os lados e a mulher caiu partida em vários pedaços no chão, meu corpo foi caindo no chão mas o homem me segurou.
- Porque saiu de casa?! - ele parecia preocupado.
Tentei meche meu corpo o máximo possível e o beijei.
Ele arregalou os olhos e não se moveu, surgiu uma luz ofuscante ao nosso redor e foi diminuindo no meu pulso, logo em seguida meu corpo voltou a se mover, fiquei em pé e olhei meu pulso, havia uma patinha bem pequena.
- Porque fez isso?! - ele parecia furioso - porque fez o contrato garota?!
- Porque eu não quero morrer! - gritei e ele se ajoelhou, percebi que ele tremia.
- E-Entendi, desculpe - ele gaguejou.
- O que foi isso?! - sussurrei - enfim, vamos pra casa.
- Espere! - ele segurou meu braço e eu me virei - Me chamou Daisuke Nakagawa, serei unicamente seu servo, até sua ultima ordem, não importa qual seja, mas sempre irei lhe obedecer! - ele me olhou nos olhos e eu corei.
- Meu nome é.. Y-Yoko Miyamoto - fiquei um pouco nervosa - certo, agora vamos pra casa! - Fui andando na frente.


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