domingo, 30 de dezembro de 2012

Konna Koto Hajimetette [C.02]


                           Cap.02 - A Caixa Branca
Estava realmente impressionada com o tanto de coisa que havia naquela loja, e não era só isso, a loja era enorme, nem parecia ter fim. Tinham umas coisas estranhas e outras de deixarem seu queixo caído, de "como isso existe?!", outras bem macabras, enfim, tinham muitas coisas.
Mas somente uma me chamou àtenção, um pequeno vaso, não era o que minha mãe havia dito, porque por incrível que pareça, aquele vaso ainda não havia sido vendido, estava lá intacto! Era outro, pequeno, de cor preta e vários desenhos em dourado.
Pelo o que li no papel que havia sua descrição, dizia que o vaso era de uma rainha, e não saía de seu cofre em hipótese alguma, porém em uma guerra os atacantes mataram a mulher e foram procurar coisas de valor em seu quarto e acharam o misterioso vaso, pequeno e negro, com um talismã de proteção que dizia, "Não abra", o senhor dos atacantes preferiu não arriscar e não destruiu o tal talismã, e depois de muito tempo o vaso acabou parando nas mãos de uma pessoa qualquer, que vendeu o vaso por muito dinheiro.
- Vejo que está interessada na história do "Burakkuhato" [Coração Negro] - Aiko veio até mim - Não é?!
- O que tem aqui dentro Moça? - a fitei.
- Aiko, por favor - ela sorriu - lendas antigas dizem que aí dentro é uma passagem para o mundo que existe entre os vivos e os mortos, o mundo dos demônios.
- De-Demônios? - a fitei surpresa.
- Sim, mas não sei se é isso mesmo, porque até hoje só uma pessoa abriu este vaso.
- Quem? 
- Quem O fez ué - ela o fitou.
- E quem O fez? - eu estava fazendo muitas perguntas.
- Ah aí só Deus sabe - ela riu.
- Ah.. - procurei rir falsamente, porque eu queria mesmo saber sobre aquele vaso, não sabia porque, mas queria.
- Mas no fim a unica coisa que eu sei mesmo, é que um grande mal vive dentro desse vaso, e se alguém abrir, trará o fim dos tempos - ela sorriu, não sei como conseguia sorrir falando daquilo, mas tudo bem.
- Entendo.. - logo ela foi se afastando e eu fiquei só com o vaso - Aiko! - ela voltou rapidamente - quanto custa esse vaso?
- Quanto.. custa?! - pela a cara que ela fez parecia ser bem caro - Err.. vale mais que essa loja inteira.
- WTF?! - fiquei sem reação.
- Pois é.. haha - ela saiu rindo novamente.
- Meu Deus... 
Depois de muito tempo, acabamos escolhendo uma espada de um antigo e importante general do Japão, a compramos e fomos embora.
- Vocês pesquisem sobre a espada e separem em um relatório, porque eu tenho que mandar para a professora, certo? - Emi avisou - Yoko??
- Ahn? Que foi? - não estava nem prestando atenção no que ela estava falando.
- Não tá me ouvindo menina? - ela ficou com raiva.
- Tô tô - suspirei - vou pesquisar, Tchau - fui andando na direção do metrô.
- O que deu nela?! - Emi falou baixinho.
- Yoko! - Yori me chamou e correu para me acompanhar - também vou para o metrô - ele sorriu, sorri após.
Quando meu Trêm havia chegado, Yori entrou também.
- Seu trêm não é esse Yori - eu sentei.
- Eu sei - ele sentou ao meu lado.
- E o que tá fazendo o aqui menino?! 
- Está bem tarde, e lá pros lados da sua casa ta bem perigoso.. vou deixa-la em casa, sua mãe que pediu, mas mesmo sem ela pedir eu iria - ele ficou olhando para as pessoas.
- O-O-Obrigada - corei - mas não..
- Claro que precisa - ele me interrompeu - acha que eu vou recusar o pedido da sua mãe? E deixar você ir pra casa sozinha?! Não vou fazer isso Yoko - ele sorriu, nunca tinha parado pra pensar, mas ele sempre foi tão legal comigo.
Logo chegamos na estação onde eu iria descer e saímos do trêm.
- Obrigada por vim Yori - sorri.
- Tu mora na estação? - ele levantou uma das sobrancelhas e ficou sério.
- Até minha casa??
- Claro, o perigoso não é o Trêm, e sim tua rua né - ele foi andando.
- Ah.. sim... - fiquei sem reação, e o segui.
Estava de noite já, ficamos andando em silêncio por um bom tempo, até que chegamos em frente a minha casa.
- Yori, não sei nem como lhe agradecer - suspirei aliviada por ter chegado em casa bem.
- Não precisa - ele beijou meu rosto e eu corei - diga a sua mãe que mandei um beijo, viu? - ele foi indo embora.
-Yo..ri.. - falei baixinho.
- Lindo né ele? - ouvi a voz da minha mãe e a vi na porta encostada na parede de braços cruzados e rindo.
- Ahn? Da onde tirou isso Mãe? - fui entrando em casa.
- Você está toda vermelha filha - ela riu mais.
- Não começa! - fiz biquinho de raiva.
- Ta certo! - ela me abraçou - e ai, como foi lá na loja? Não é incrível?
- Sim! Muito mesmo! - sorri e fui deixando minha bolsa em cima da mesa do corredor - agora uma peça me chamou muito atenção mãe.
- O vaso que lhe disse?!
- Não mãe, e por falar nele, ainda está lá - a fitei - era outro, bem pequeno, preto com desenhos dourados em volta, com um Talismã em cima dizendo pra não abrir, nossa.. não sei porque, mas achei lindo e...
- E? - ela me fitou.
- Não sei, algo.. - parei por alguns segundos - a não sei - fui subindo as escadas para ir pro meu quarto.
- Desça logo pra jantar filha! - ela falou alto.
- Só vou me trocar! - respondi.
Subi para o meu quarto e me troquei, olhei por uma janela e vi o céu como nunca tinha visto, cheio de estrelas, mas nem parecia o céu de antes, poluído, e fiquei por alguns segundos o olhando.
- Yoko! - ouvi minha mãe me chamando e desci correndo.
- Mãe você viu como o céu tá lindo hoje? - me sentei em uma cadeira e comecei a comer.
- Não reparei filha - ela foi comer também - mas porque isso agora?
- Porque está lindo mesmo! - sorri.
- Ah sim - ela riu - pensei que era algum tipo de código, sei lá.
- Código?! Não entendi.
- Deixa pra lá filha - ela sorriu.
Após jantar subi para o meu quarto, liguei o computador e lembrei que tinha que fazer a pesquisa, entrei no Google e pesquisei "Burakkuhato" [Coração Negro], achei milhares de coisas, mas nada do tal vaso, até que fui procurar no Wikipedia, e procurei o nome da tal rainha, li sua história e achei uma pequena linha falando sobre o vaso, mas nada muito descritivo.
Vi uma mensagem no meu celular, era Emi: "Não precisa mais se preocupar, já temos tudo o que precisamos, Beijo :B". E parei de pesquisar.
- Mas... - parei para pensar e eu não estava pesquisando sobre o trabalho, a primeira coisa que fui pesquisar foi sobre o tal vaso.
Desliguei o monitor e me joguei na cama.
- Tenho que parar de pensar nisso - fechei os olhos e logo caí no sono.
Sempre parecia que quando eu fechava os olhos a noite passava como se fossem 15 minutos de sono e eu sempre acordava com mais sono ainda, olhei para o relógio ao lado da cama e percebi que hoje era sababo, nada de aula hoje.
Fui me levantando bem devagar, bocejei e liguei o monitor do computador, fui olhar as atualizações nas minhas redes sociais, e não havia nada de mais. Me levantei da cadeira do computador e fui pegar minha escova de dentes, mas estava algo estranho no meu quarto, tinha algo que eu tinha visto e não tinha notado que não era pra estar ali e parei de frente para a porta do meu quarto.
Suspirei e fui virando bem devagar, e em cima da mesinha do computador estava uma caixa branca, lacrada, fui me aproximando da caixa.
- Mãe?! - gritei.
- Oi filha - minha mãe respondeu do quarto dela.
- Você deixou algo no meu quarto pra mim agora? - eu não conseguia tirar os olhos da caixa.
- Eu?! Não filha, mas por quê? 
- Err.. - achei melhor não falar nada para ela - nada não mãe, estava procurando uma calsinha minha e não está aqui - desculpa esfarrapada, On.
- Ainda não lavei suas roupas filha, vou lavar hoje.
- Certo mãe - encerrei o assunto.
Fiquei olhando atentamente para a caixa, deixei minha escava de dentes ao lado da mesma e fui a abrindo bem devagar, e logo vi o vaso negro, com seus desenhos dourados como ouro.
- Put.. Mas o que isso ta fazendo aqui?! - falei um pouco alto de mais.
- Yoko? Tá tudo bem? - minha mãe estava na porta.
- Sim, sim mãe - fiquei nervosa - só um inseto, mas já matei - não sei como ela acreditava nas minhas mentiras, mas tudo bem.
- Vou fazer o café da manhã - a ouvi descendo as escadas.
- Certo, jájá eu desço! - tentei me acalmar e pensar como aquilo estava no meu quaarto.
Resolvi procurar o telefone da loja de ontem, e liguei para lá.
- Alô? - falei assim que atenderam o telefone.
" - Loja de Antiguidades, Bom dia " - era a voz da Aiko, não podia dizer que era eu no telefone, porque poderiam suspeitar se o vaso não tivesse mais lá, vai saber né.
- Bom dia, dei uma olhada no site de vocês e achei o que estava procurando à anos! - falei bem intusiasmada.
" - Que bom que achou, o que seria? " - ela falou em seguida.
- Sou uma colecionadora da França de antiguidades misteriosas do mundo inteiro, e pra minha felicidade estou no Japão hoje, um amigo me indicou vocês então fui procurar em seu site se eram mesmo vocês que tinham o "Burakkuhato" [Coração Negro], é verdade?! - inventei bem.
" - Sim, sim, mas é.. " 
- Eu pago o preço que for preciso! - a interrompi.
" - Certo, vou perguntar o preço ao dono da loja, um instante " - Aiko parecia bem feliz e pude ouvir ela conversando com o dono da loja bem baixinho " - Giyusai-san, tem uma extrangeira colecionadora de antiguidades no telefone querendo saber o exato preço do "Burakkuhato", quanto é mesmo? " - não ouvi a voz do homem " - Certo.. " - logo Aiko voltou a falar comigo " - Senhora?".
- Sim?!
" - Não seria melhor você... Quê? " - Aiko parecia falar com outra pessoa " - Como assim sumiu?!?!?!? Não pode ter sumido assim! Senhora desculpa mas tenho que desligar " - nem esperou eu falar alguma coisa, e já desligou o telefone na minha cara.
Desliguei o telefone bem devagar, sem acreditar que aquele vaso tinha aparecido assim, do nada, no meu quarto.

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