Cap.03 - Não ABRA! Não, Abra?!
Meu quarto ficou num silêncio esquisito, eu não sabia o que fazer, não sabia se abria, se devolvia, se guardava e esquecia, mas acho melhor descartar essa ultima porque não vou conseguir fazer mesmo, enfim, fiquei sem saber o que fazer.
- Yoko, o café da manhã está pronto! - minha mãe gritou lá de baixo.
- Já estou indo! - Por hora acho melhor deixar pra lá, vou descer, comer, esfriar minha cabeça e rever melhor o que aconteceu com calma, eu não estava bem, me troquei e fui descendo - mãe - cheguei na cozinha para comer e esperei ela preparar meu café da menhã - se eu lhe fizer uma pergunta estranha, você não acha estranho e responde como se fosse uma coisa super normal?
- Estranha?! - ela me olhou sem entender nada.
- Mãe!
- Ah sim, respondo, respondo, diga - ela voltou a arrumar as coisas em cima da mesa.
- Hipoteticamente certo?!
- Sim
- Se você tivesse algo em seu poder, que todo mundo falou pra você não abrir, e tem escrito pra não abrir, o que você faria? - tentei não parecer muito suspeito.
- Yoko.. o que você fez?! - ela me olhou furiosa.
- Mãe! HIPOTETICAMENTE! Eu não fiz nada - se bem eu não fiz nada mesmo.
- Certo - ela suspirou e sentou na cadeira - Bom, eu não abriria.
- Mas porque? Você não estaria com nenhum pouco de curiosidade de saber o que tem lá dentro? - fiquei meio indignada, não era isso que eu esperava ouvir.
- Yoko, se as pessoas que querem meu bem, estão dizendo para não abrir e, no que quer que isso for, tem dizendo pra não abrir, bom eu não vou ser burra o suficiente pra abrir né - ela riu.
- Verdade... - suspirei.
- Mais um código né? - ela me olhou rindo de uma maneira estranha.
- Quê? - fiquei confusa.
- Entendi - ela riu mais.
- Deixa pra lá.. - comecei a comer.
Quando terminei de comer, lavei a louça e subi para o meu quarto, resando para que o vaso não estivesse lá, e tudo tivesse sido um sonho ou ilusão ou qualquer porcaria, mas que ele não estivesse lá.
Segurei o trinco e o girei, abri a porta bem devagar e vi o mesmo em cima da mesinha do computador, suspirei, entrei e tranquei a porta do quarto.
- O que eu faço.. - sentei na cadeira do computador e fiquei olhando fixamente pro vaso, sem saber o que fazer, com medo de abrir, mas eu queria abrir e logo meu celular tocou, tomei um susto tão grande que quase caí da cadeira.
- Alô? - falei ao atender o telefone.
" - Yo-chan? " - era o Yori " - você quer fazer alguma coisa hoje? Eu estava pensando em.. Ah sei lá.." - percebi que ele estava um pouco nervoso, mas como eu iria sair com ele assim, com isso no meu quarto? com isso na minha cabeça, com a dúvida e o medo de abrir o vaso ou não?! Não tenho como.
- Yori.. Não dá, eu tô meio ocupada com umas coisas aqui em casa, então não dá hoje, desculpa, mas porque você não chama a Emi? Os pais dela viajaram ela tá só em casa, dá uma passada na casa dela ué - consegui me livrar dele, eu acho.
" - Você quer que eu vá aí ajuda você?! " - era isso que eu temia.
- Não, não, minha mãe já está me ajudando, estamos organizando uns álbuns de família sabe, ai é bastante coisa, ainda sim a Emi tá sozinha em casa, deve ta precisando de companhia Yori, vai na casa dela! - por favor, diz que vai!
" - Certo então.. " - a voz dele pareceu um tanto decepcionado mas não posso fazer nada " - vou fazer isso mesmo, vou na casa da Emi, Obrigada e bom dia Yo, Tchau." - ele desligou.
- Ufa.. - suspirei e joguei o celular em cima da cama - e agora? O que eu faço com você... - fitei o vaso novamente.
Fui aproximando minhas mãos bem devagar do vaso, eu estava suando, muito nervosa, e quando eu já ia abrir me veio a mente o que minha mãe tinha dito sobre abrir ou não, e me levantei da cadeira.
- Chega desse vaso.. preciso de um banho - fui para o banheiro e tirei minha roupa, a água gelada me fez bem, de alguma maneira, mas fez.
- Yoko minha filha, vou na casa da sua Tia Mary, volto mais tarde, cuide da casa e cuidado filha, qualquer problema me ligue, não abra a porta pra ninguém que você não conheça filha! Beijo, mamãe te ama! - Ouvi a porta lá de baixo fechando e minha mãe a trancando.
- Não sei porque que ela ainda acha que eu nessa idade vou abrir a porta pra uma pessoa que eu não conheço - suspirei.
Fui saindo do banho, me vesti, peguei o vaso e coloquei em cima da minha cama e fui para o computador, tinha que ocupar minha cabeça com alguma coisa. Passaram-se 15 minutos e eu estava impaciente.
- Quem eu estou querendo enganar?! - Levantei abruptamente da cadeira, me sentei no chão perto do vaso que estava em cima da cama e arranquei o Talismã com a maior brutalidade do mundo, e fechei os olhos.
Não aconteceu absolutamente nada!
- Mas que merda! - joguei o pedaço de papel pro lado e levantei do chão com o maior ódio do mundo, fui indo na direção da porta do quarto para descer e ir ver televisão na sala e senti algo estranho atrás de mim, logo parei de me mover.
Senti como se tivesse alguém atrás de mim, comecei a respirar muito rápido mais muito mesmo, até que algo encostou no meu braço, gritei e saí correndo de dentro do quarto numa velocidade tão grande que despenquei do primeiro degrau da escada, mesmo toda lascada, levantei do chão como um sapo pulando de um canto para o outro e fui correndo para a sala.
- Meu Deus.. Meu Deus.. Meu Deus.. Meu Deus... - estava ofegante - me ajuda, me ajuda, me ajuda!!!!! - aos poucos fui me acalmando - não foi nada, era tudo coisa da sua cabeça Yoko, agora se levante - fui me levantando bem devagar e suspirando - volte pro seu quarto e vá ver sua televisão - dei um ultimo suspiro e no instante que me sentei no gigantesco sofá da sala ouvi como se algo tivesse caído no chão do meu quarto e gritei - calma calma calma calma! - estava ofegante de novo - não foi nada - ouvi outro barulho e gritei de novo, me encolhi no canto do sofá, estava tremendo de medo, até que pude ouvir passos descendo as escadas - Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada.... - apertei os olhos com força para que não se abrissem sem minha vontade e coloquei as mãos nas orelhas e a cada segunda eu falava mais alto - Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada, Não tô ouvindo nada!
Do nada os passos pararam e meu coração bateu muito mais rápido não queri abrir os olhos, poderia ter um fantasma na minha frente. Eu estava quase tento um treco porque meu coração estava batendo muito rápido eu estava morrendo de medo e minha respiração muito rápida também.
Depois de uns segundos resolvi abrir os olhos, e fui me acalmando, tirei as mãos das orelhas e as coloquei no meu peito, tentando me calmar.
- Calma... Não aconteceu nada - abri os olhos e não vi nada e suspirei.
- Você não sabe ler?! Estava escrito bem grande... - quando ouvi aquela voz senti meu coração parar por uns instantes - NÃO ABRA!!!
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