segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Konna Koto Hajimetette [C.06]
Cap.06 - A Explicação da minha nova vida
- Quando a gente chegar em casa, por favor, não deixe, em hipótese alguma minha mãe ver você! Entendeu? - fui andando na frente enquanto ele vinha atrás com as duas mãos dentro do kimono branco com lilás e de cara fechada.
- Sim, senhora - ele falou baixinho.
- Não sou velha pra ficar me chamando de senhora, cachorro - fiquei mais irritada ainda.
- Cachorro?! - percebi que ele tinha parado de andar, e percebi também que atingi o nervo fraco - Não sou um cachorro menina! - ele logo apareceu na minha frente, foi tão rápido que me assustei e dei uns passos para trás - já disse sou uma RAPOSA, não confunda, nem se quer me compare com essa raça! Entendeu?!
- Tanto faz - nem liguei para o que ele disse e voltei a andar - espero que tenha entendido bem.
- E você acha que vai ficar me escondendo da sua mãe pra sempre menina?!
- Olha aqui - me virei para ele e o parei - Eu tenho nome! - olhei fixamente para ele.
- Yoko - ele disse engolindo a raiva.
- Isso - sorri sarcasticamente e voltei a caminhar em direção da minha casa - Claro que vou esconder você, afinal só eu posso lhe ver.
- Não, não! - ele apressou o passo para me acompanhar - Entenda, eu sou um demônio, não um espírito! Espíritos quando vem ao seu mundo, realmente só podem ser vistos por Divindades, demônios, Deuses ou outros espíritos, porque ao virem para esse mundo, como não possuí um recipiente, um corpo, para se materializar fisicamente, não podem ser vistos! Então qualquer pessoa pode me ver Yoko, qualquer um!
- E .. agora? - fiquei assustada, não sabia o que fazer.
- E agora que ou você inventa uma desculpa, ou eu vou embora - ele sorriu, parecia bem feliz.
- Nós vamos pra minha casa e ponto final! Nem que você durma na casa do cachorro, mas vai ficar lá, não quero correr o risco de morrer! Entendeu? - o olhei bem séria, e logo estávamos na frente da minha casa - Por enquanto não vou falar nada, certo?! Você só precisa ficar no meu quarto, e quando minha mãe for querer entrar nele, você saí, simples assim - abri a porta e vi se minha mãe já tinha ido dormir - pronto, ela foi dormir, agora vai pro meu quarto, que só vou pegar alguma coisa pra comer e já subo, entendeu?
- Certo - como sempre, parecia fazer tudo contra a sua vontade, mas ele foi subindo as escadas bem obediente.
Corri na cozinha e peguei uma lata de refrigerante e uns dois pacotes de biscoito, afinal eu saí de casa pra comer porque minha mãe morga dia de domingo e não cuida de nada da casa e nem comida, mas como fui atacada por outro demônio nem pude ir comer, então tenho que comer agora, qualquer besteira.
Peguei tudo e tentei não fazer nenhum barulho, minha mãe tinha o sono bem leve para falar a verdade. Fui subindo as escadas bem devagar, e rapidamente entrei no quarto.
- Ufa - respirei aliviada - Por favor, não faça muito barulho, minha mãe acorda com qualquer barulho!
- Certo - ele deitou no chão de lado, costas pro resto do quarto todo.
Quando terminei de comer, fui ao banheiro trocar de roupa e escovar os dentes para ir dormir, depois me joguei na cama, estava exausta.
Fiquei por alguns segundos pensando em tudo que tinha me acontecido, era tudo confuso de mais, estava esperando que quando eu fosse dormir, acordasse e percebesse que tudo isso não passou de um sonho bobo.
- Amanhã tenho que ir pro colégio, então você vai ficar aqui até eu voltar, entendeu? - tentei ser firme.
- Colégio? - ele virou um pouco a cabeça para trás e me olhou.
- Aula?
- Aula? - ele virou totalmente a cabeça e o corpo, parecia não entender sobre o que eu estava falando.
- Faz assim - me sentei na cama e o fitei - amanhã vou ficar fora das 7 até o meio dia, certo?
- Mas é perigoso de mais sair sozinha! - ele falou em um tom estranho, como se tivesse preocupado.
- E você se importa?
- Claro que sim! - quando ele disse aquilo eu corei - Quer dizer.. Tenho que me importar, se você morrer agora eu realmente morro Yoko, e agora que você se tornou uma Divindade, não só Demônios estão vindo atrás de você, mas espíritos, Deuses, Você sabe ao menos o que ser uma Divindade representa? - fiquei calada - Nem isso você sabe?! - ele balançou a cabeça negativamente - Você pode se tornar o que você quiser, um Deus, um demônio, ou até mais que isso..
- Mais?!
- Você pode representar o que você quiser, ser o que você quiser, e como você tem a mim como seu servo, farei o que você desejar, qualquer coisa - isso pareceu um pouco estranho - Você deve escolher logo, o que você quer representar.
- Como assim?!
- Não existe somente você de Divindade aqui no seu mundo Yoko, existem muitos outros, até aqui mesmo no seu país, então cada um escolhe um elemento um objeto, um poder, uma forma de vida, qualquer coisa! Para representar para que sempre lhes traga proteção, mas em momentos de conflito poderá virar seu maior inimigo, entendeu?
- E quando que eu preciso escolher?
- Não é assim tão fácil Yoko - ele falou firme - é a sua vida que está em jogo, é uma coisa que você tem que pensar nos prós e nos contras de tudo!
- YOKO! COM QUEM VOCÊ ESTA CONVERSANDO???? - minha mãe bateu na porta e começou a gritar - NÃO ADIANTA ESCONDER QUE EU TÔ OUVINDO OUTRA VOZ AÍ!!
- Puta merda - dei um pulo da cama e comecei a andar de um lado para o outro pensando em como esconder o Daisuke - O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço? - Daisuke se levantou do chão e me segurou pelo ombro.
- Calma - ele sorriu de um jeito que me acalmou mesmo - logo deu as costas, abriu uma janela e desapareceu - "Eu volto" - ouvi no ar.
- YOKO ABRA JÁ ESSA PORTA MENINA! - minha mãe estava furiosa e corri para abrir a porta - Onde ele está?!
- Quem mãe? Tá louca? - tentei fazer um teatrinho ali, tomara que eu seja boa atriz e ela acredite em tudo - Não tem ninguém aqui.
- Eu ouvi Yoko, você não em engana - ela entrou no quarto como um touro enlouquecido procurando por alguém, então tive uma brilhante ideia.
Me sentei perto do computador e comecei a meche, sem que ela percebesse, e coloquei um filme, até que ela se virou e me olhou furiosa.
- Acha que eu sou burra? E você?! Tava conversando com o filme? - ela cruzou os braços esperando a maior mentira do mundo.
- Mãe - comecei a chorar, tão falsamente que até eu fiquei com raiva de mim mesma - o filme eh muito emocionante, eu tava aqui gritando para que o Johnny não fosse se encontrar com a Lauren e você aí achando que eu tava com alguém aqui, meu Deus hein!
- Desculpe minha filha - ela me abraçou, deu certo! - achei mesmo que você estava com alguém aqui, ouvi a voz de um homem e achei que você tinha chamado alguém pra cá sem me avisar, me desculpe, vou voltar pro meu quarto - e ela foi embora bem rápido.
- Ufa!! Mas que dia horrível!
Daisuke apareceu de repente na janela e eu tomei um susto.
- Meu DEUS! será que da pra parar de me assustar?! - suspirei e passei a mão no rosto, estava exausta - tô vendo que minha vida vai se tornar um inferno - me joguei na cama.
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