Naquele
dia eu parecia mais cansado do que o normal, então resolvi ir de carro
para a escola, ao chegar fui rapidamente para minha sala, pra variar,
sempre estou um pouco atrasado, logo sentei-me no meu lugar sempre
marcado e esperei a aula começar.
Percebi que Nami não estava lá, imagino onde ela poderia estar, me peguei pensando nela, e pior, preocupado, aquela garota não saia da minha mente.
-- Bom dia Yumi – Mahiro aproximou-se de mim e sentou numa cadeira a minha frente – gostou do filme?
-- O-Oi, sim, sim, foi meio repentino mas gostei sim – sorri.
-- Nami pediu para chamar você ontem a qualquer custo, por isso fui tão descarado, ainda bem que você foi – ele riu.
-- Imaginei.
--
Ué.. - ele ficou confuso – como assim imaginou que era ela que estava
te chamando?! - demorei a respondeu e ele sorriu maliciosamente - Você
mal chegou e já está de rolo com a garotinha nova cara, sou seu fã -
então ele levantou e bateu levemente em meu ombro – espero que dê certo
pra você amigo – e foi indo embora.
-- Do que ele tá falando – suspirei.
Logo
a aula começou e me veio o tédio sem fim, só queria ir embora daquele
lugar. Serei sincero, sou inteligente, até mais do que o normal, não
leve isso como arrogância, mas é a verdade, se eu quiser consigo tirar
11 em todas as matérias sem esforço algum, sem ao menos estudar já
consigo tirar notas relativamente boas, então está tudo tranquilo, não preciso estar aqui nessa aula ridícula.
-- Tatsui!
- no meio do meu devaneio ouço alguém me chamando na porta da sala -
Alguém o chama no portão sul da escola, parece ser urgente – uma das
assistentes do diretor me avisou.
Levantei-me
da cadeira e fui saindo da sala, aquilo estava estranho, afinal eu não
tenho ninguém na cidade e se meus pais aparecessem aqui, eu iria saber
bem antes, o que poderia ser e quem.
Cheguei no portão sul da escola e não havia ninguém lá.
-- Tem alguém aí? - gritei, mas ninguém aparecia – Oi? - gritei novamente.
-- Senti sua falta – aquela ... voz – Yumi amor.
-- Ky.. O... ko – sussurrei, aquilo era surreal, Kyoko morreu, não tem como ela está viva – C-C-Como?
-- Não
sente saudades minha? - o vento levantava seus longos cabelos
prateados, como esquecer o quão linda ela era?! Não tem como – Temos
tanta coisa a conversar – ela começou a andar na minha direção - Não
acha?
-- Como você.. Está viva?
-- Eu tive que mentir.. Mas para o seu bem amor
-- VOCÊ... - tentei me acalmar – Mentiu morrer? PARA O MEU BEM?
-- Fique calmo – ela estava bem próxima de mim.
-- Como acha que eu me senti?! Eu amava você, mais que tudo na minha vida!
-- E eu digo o mesmo pra você, eu amo você! - Kyoko segurou minhas mãos - Você.. - seus olhos se encheram d'água - É a única razão para eu estar aqui, viva.
O
que você mais deseja em todo o mundo? Com todas as suas forças? Então..
Aquela situação era o que eu mais queria em 5 meses que eu não a tive
mais, desde que ela morreu, ou pelo menos disse
e a vi morta, eu a queria mais que tudo em meus braços, sentir esse
aroma praiano que vinha de seu perfume, olhar em seus olhos azulados
como o oceano em uma manhã de sábado pronto para ser desfrutado, sua
pele macia, branca, seu sorriso me acalmava, e fui me acalmando, tê-la
parecia mais normal do que qualquer outra coisa.
-- "Não chegue perto dela" - ouvi uma voz em minha mente e de reflexo afastei-me de Kyoko.
-- O.. que houve amor? - Kyoko aproximou-se novamente.
--
Não.. Se aproxime de mim! - por algum motivo meu coração queria ouvir
aquela voz, queria acreditar que aquilo estava acontecendo por um motivo
maior, afinal, eu a vi morta, tudo bem que também vi a Nami morrer na
minha frente, mas Kyoko não é igual a ela.
-- Amor, calma – Kyoko sorriu.
-- Já disse para não se aproximar! Fique aí! Como isso pode ser real, eu te vi morrer.. Isso..
-- Querido eu posso explicar..
-- Não, você não pode – a interrompi.
-- Por quê você voltou? -- olhei para o lado e Nami estava vindo em nossa direção,
ela estava do mesmo jeito que a vi da primeira vez, nem parecia a mesma
pessoa da noite anterior – Eu lhe alertei, se você se aproximasse
dele novamente..
-- Q-Quem é você? - Kyoko riu, tentou se fazer de desentendida.
-- Kyoko – Nami parou de andar e fitou o nada – Ou você vai embora agora, e eu finjo que você não apareceu aqui.. Ou..
-- Ou o que garota? - Kyoko a desafiou.
-- Hmpf..
- Nami suspirou, passou uma das mãos entre os fios negros de seu
cabelo, olhei fixamente para seus olhos e os mesmo estavam se tornando
vermelhos igual na noite anterior - Vá.. Embora.
-- Ele é meu – Kyoko agarrou um de meus braços.
Naquele momento aconteceu algo muito rápido, não consegui nem acompanhar, só percebi quando Nami estava com Kyoko
do outro lado do colégio, e a arremessou na parede, Nami segurava uma
grande espada, da onde ela tirou aquilo que eu não faço ideia, meu
coração estava acelerado.
--
Ou você vai, ou foda-se quem vai vim do salão fechado para me punir por
matar um espírito, eu arranco sua cabeça fora – Nami ergueu a ponta da
espada na direção do rosto de Kyoko - Você tem 15 segundos.
-- N-Nami.. - Kyoko se desesperou - Você não sabe com quem está se metendo – a mesma riu.
-- Não.. Me provoque! - Nami moveu levemente a espada para a direita e a lâmina da mesma brilhou, moveu novamente no sentido contrário e uma onda de energia emanou na direção de onde Kyoko estava, mas ela rapidamente desapareceu – Olha o problema que arranjei – ela sussurrou.
-- O que ta
acontecendo Nami? O que.. É você, me explica, porque a mulher da minha
vida quer me matar? - eu estava quase chorando, meu coração doía muito.
--
Mulher.. Da, sua vida? - Nami virou-se para mim – Se fosse permitido,
se eu conseguisse mesmo, te mataria aqui mesmo – ela estava furiosa e
foi indo embora.
-- Eu a amo!
--
Acha que eu ligo idiota? - Nami surgiu a minha frente – Dei minha vida
por você, quase destruí o prédio inteiro, ela ia te matar!
-- Eu.. NÃO LIGO! Eu não tenho mais motivo pra viver mesmo!
-- O.. quê?! - Nami estava apavorada, arregalou os olhos e foi andando para trás - Bem que ele disse que eu só me magoaria vindo até aqui, da próxima vez, deixo ela te matar.
Me encostei no primeiro lugar que vi e Nami foi embora.
-- O que ta acontecendo, meu Deus.. Por quê?! - lágrimas escorriam em minhas bochechas – Kyoko..
Depois de me recompor
decidi esperar a aula acabar ali mesmo, peguei minha bolsa na sala e
fui voltando para minha casa a pé mesmo, precisava ficar sozinho
urgentemente, até que meu celular tocou, era minha mãe.
-- "Oi querido, como você está?".
-- Oi mãe, eu tô bem, e a senhora? - esperava que ela não notasse a abalo na minha voz, eu estava muito triste.
--
"Bem?! Com essa voz?.." - tarde demais - "O que houve meu bem? Sou sua
mãe, você pode falar qualquer coisa pra mim, a escola não vai bem? Não é
boa?"
-- Não mãe, não é nada disso, é ótima, já fiz até alguns amigos e...
-- "Amigos?!.." - ela me interrompeu - "Que maravilha FILHOOO!"
-- Sim mãe - ri tentando parecer mais animado.
--
"Só liguei para ter noticias suas mesmo, fico feliz que esteja deixando
seu passado de lado, divirta-se, Beijo" - ela desligou.
Cheguei em casa e resolvi ir direto para o meu quarto, nem se quer liguei a luz, sentei-me na cadeira da mesa do meu pc e por lá fiquei por algumas horas, até que estava percebido
que não estava conseguindo jogar nada, me concentrar em nada, com tanta
coisa na cabeça ficava difícil. Passei a mão no meu rosto e suspirei.
-- Está cansado? - ouvi uma voz dentro do meu quarto e pulei da cadeira de susto - Você não percebeu que tô
aqui desde que você chegou? - Nami estava deitada na minha cama,
enrolada em algumas cobertas, mas ela não estava em sua forma humana ou
seja lá como isso se chama, dessa vez consegui ver sua orelhas peludas e
brancas nitidamente.
-- Tá louca? O que ta fazendo no meu quarto???? - Me desesperei.
--
Eu sempre estou com você, só que agora é diferente, eu posso aparecer
pra você - ela sorriu delicadamente, parecia meio envergonhada.
-- Pensei.. Que você estivesse com raiva de mim.. Eu fui um pouco grosso e idiota com você.. - sentei-me na cama com ela.
--
Ah eu não ligo, não posso tirar esse sentimento de dentro de você -
Nami passou a mão no meu rosto, aquele carinho era.. Muito reconfortante
– Afinal, ela enganou você, ela só quer seu poder, sua pureza.
-- E você não o quer?
-- Eu?! - ela riu - Não veja só, você tem uma marca de nascença, não tem? - como ela sabia daquilo, senti medo.
-- S-Sim.. Mas..
--
Então! - ela me interrompeu, levantou a blusa e fiquei completamente
constrangido, não queria vê-la nua novamente.. Ou queria sei lá, não sei
nem mais o que pensar! - Veja – no meio de suas costelas tinha uma
marca idêntica
a minha, no mesmo lugar que eu tenho, um pequeno "X" - eu também tenho,
somos ligados um ao outro, eu não quero o seu poder, eu quero você -
então ela baixou a blusa e ficou com aquela carinha de inocente que só
ela sabe fazer.
-- Cada segundo a mais que eu falo com você eu fico mais confuso com tanta informação que você me da!
-- Oh, desculpe – ela riu - Então, vai dormir hoje comigo?
-- Não - sorri, levantei-me da cama o mais rápido possível e acariciei a cabeça dela, as orelhas de raposa que ela possuía em cima de sua cabeça eram super macias.
-- Yumi!
-- Nop.. - fui andando na direção da mesa do meu computador.
-- Não se incomoda se eu ficar aqui?
-- Nenhum pouco, não fazendo nada estranho, eu nem percebo que você está ai.
-- É.. percebi – ela falou baixinho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário