-- D-Do quê você está falando.. Akiyama – entrei em desespero, enquanto ela caia de joelhos no chão sangrando muito – Nami.
-- Eu não.. Vou morrer – ela sorriu, seu sorriso era tão calmo, parecia que nada estava acontecendo.
-- O que a Kyoko tem haver com isso.. Nami – meus olhos se encheram d'água.
-- Vá.. Embora.
-- Não vou abandonar você, nunca.
-- Yu.. - algo que eu disse a fez ficar bem séria, de repente ela.. Morreu.
Vi
seu pequeno corpo caído no chão, sem vida, comecei a me desesperar,
olhei em volta e já estava bem tarde, não tinha mais ninguém ali, minhas
mãos estavam completamente ensanguentadas.
-- Mas.. O que eu faço, ela não pode ter morrido, não... - me ajoelhei e a peguei nos braços, tentei tirar o celular de dentro do bolso desesperado e disquei o número de emergência de um dos meus motoristas – Venham me pegar agora e não perguntem nada! RÁPIDO!
Em
menos de 5 minutos apareceu um carro preto vindo da rua paralela ao
shopping, atravessou metade da praça quebrando tudo e parou do meu lado,
corri com ela nos braços e entrei no carro.
-- Corra pra casa e chame algum médico, rápido! - eu estava ofegante, sentia o corpo dela começar a ficar frio e aquilo era muito estranho.
Chegamos
em casa e subi o mais rápido que consegui com ela nos braços para o meu
quarto, a coloquei em cima da cama e percebi que ela já não sangrava
mais.
-- Senhor.. Ainda deseja o médico? - um dos empregados adentrou o quarto.
--
Não.. Não adianta mais.. - sentei em uma poltrona ao lado da cama,
confuso, sem saber o que fazer, olhava para o corpo sem vida dela,
aquilo partia meu coração e eu não sabia porquê.
Até que eu caí no sono.
Meu sono estava profundo, calmo, eu estava em outro mundo e de repente acordei.
A
luz do quarto estava apagada, a casa o maior silêncio do mundo, e
lembrei que tinha que fazer algo com o corpo da garota, ela tinha uma
família, eu tinha que dar a noticia pra alguém, e olhei para cama, o
corpo estava exatamente da mesma maneira porém seu longos cabelos negros
haviam se tornado brancos como a neve.
Levantei-me da poltrona e me aproximei da mesma, passei a mão nos seus fios de cabelos brancos e os senti pulsar.
-- Ela.. - de impulso coloquei minha mão em seu pescoço, mas não senti batimento cardíaco algum - Tô ficando louco, não é possível.
Desisti daquilo, não tinha mas o que fazer em relação a ela, eu não sou Deus pra ressuscitar as pessoas, então
fui saindo do quarto e percebi uma calma corrente de ar pelo quarto,
fitei as janelas e todas estavam fechadas, o que poderia estar
acontecendo.
-- "O que você mais deseja?" - ouvi uma voz em minha mente.
-- O quê ... - olhei para os lados procurando de onde vinha essa voz.
--
"Você ama alguém que o quer morto, eu quero você" - comecei a achar
aquela voz muito familiar - "Daria minha vida novamente a você Yumi, quantas vezes forem necessárias".
-- Na..mi?
--
Como é bom ouvir você dizer meu nome – a voz parecia mais próxima e
olhei para a cama, lá estava ela me olhando, acordada, viva – Eu te
disse que não ia morrer – seus olhos estavam completamente vermelhos,
metade de seu vestido estava rasgado, e muito suja de sangue.
-- Mas.. O que porra ta acontecendo na minha vida..
-- Sou sua guardiã - ela sorriu e levantou-se, seu vestido, já partido ao meio, caiu por completo, consegui
ver muitas cicatrizes em seu torso, enquanto ela se aproximava eu não
conseguia tirar os olhos de seu corpo - Nasci por você, para você, não
há outra explicação e finalmente eu pude interferir em sua vida, isso é
tão - ela sorriu – feliz.
-- Suas roupas.. – fiquei envergonhado e caminhei para trás.
-- Não ligo, eu.. - ela me encosto numa parede, pude sentir sua respiração, quase conseguia ouvir seu coração bater e aquilo me deixava tão feliz – sou sua.
Ela pegou uma de minhas mãos
e levou meu dedo indicador até a boca, me olhou fixamente nos olhos e
sorriu. Abriu sutilmente a boca e mordeu a ponta do meu dedo, percebi
que seus dentes estavam incrivelmente maiores, aquilo perfurou um pouco
meu dedo e ela lambeu o sangue que escorria do mesmo.
-- Vou lhe mostrar o quão poderoso você é - ela engoliu aquela única gota de sangue e todas as suas cicatrizes haviam sumido.
-- Mas.. Cara..
--
É por isso que ela lhe quis naquela época, ela se irritou porque não
nasceu para você, ela foi prometida a outro ser puro, mas ele era mal,
traiçoeiro, corrompido pelas maldades do mundo, e se tornou impuro,
então ela tentou conquistar você mas.. - ela ainda segurava minha mão e a
passou em seu rosto, parecia um pequeno felino adorando o carinho de
seu dono, chegava a ser estranho aquilo – Ela nunca iria me roubar de
você, o destino é algo superior a qualquer coisa – eu não tinha
percebido o quanto perto ela estava de mim, completamente nua - Você não
tem noção do quão torturante foi ver aquela época que vocês namoravam,
vê-la junto com você e eu.. Longe de você.
-- Nami.. - eu estava ficando mais nervoso do que deveria.
--
Eu.. - ela me olhou fixamente nos olhos, percebi que duas pequenas
orelhas de raposa estavam se mostrando entre seu cabelo todo bagunçado
- amo você - quando ouvir aquilo meu coração estava a mil, eu não
queria que aquele momento acabasse nunca, creio que nunca quis tanto
algo na vida como eu a queria, percebi uma longa cauda peluda atrás da
mesma – Sim, eu sou o espírito de uma raposa – ela sorriu – Fique
tranquilo, eu estou bem, eu nunca vou abandonar você, só preciso voltar
ao meu estado humana que fica tudo tranquilo.
--
Eu .. ainda não estou entendendo nada – procurei a primeira cadeira que
vi e me sentei, minha cabeça estava doendo de tanta informação - isso é
um sonho?
-- Eu que te pergunto isso – ela riu alto – sabe quantos anos eu te observei dormir, desejando poder estar ao teu lado Yumi? Muitos – então ela foi caminhando dentro do quarto e se enrolou no primeiro cobertor que viu.
--
Deixe eu pegar uma blusa minha para você vestir.. Não posso lhe deixar
assim – levantei-me da cadeira e fu até meu guarda-roupa, peguei
qualquer blusa e a entreguei - Não fique sem roupa assim não é normal,
por favor – corei.
-- Ué, você nunca ficou com a Kyoko? - ela pareceu bem surpresa.
-- Eu não sei quantos anos você tem, mas eu tenho 17, agora pode dormir nesse quarto porque ta tarde e temos aula amanhã, ou prefere que eu peça para um dos motoristas lhe deixarem em casa?
-- Não, eu quero dormir com você - ela falou aquilo com uma naturalidade tão grande que me assustou.
-- Não cara, tá louca – dei risada.
-- Do que você tá rindo?
-- Ué
-- Ué?! Se você não percebeu eu estava nua – ficou furiosa.
-- Nami, vá dormir – suspirei e fui saindo do quarto.
-- No fim eu vou lhe observar dormir por mais uma noite, ainda temos muito o que conversar – ela riu baixinho.
O dia amanheceu, podia ouvir os pássaros cantando, a cidade calma, diferente de uma capital grande e barulhenta.
Levantei-me da cama e fui me trocar para ir para a escola, ao sair do quarto percebi que Nami não estava mais em casa e fui até um dos empregados.
-- Onde ela está? - indaguei.
--
Ela já foi, faz muito tempo, mas senhor .. - uma das empregadas parecia
assustada com o fato da garota ter entrado morta em casa e saído viva, e sozinha.
--
Não me pergunte nada, nada disso aconteceu, entendeu?? - falei
firmemente – bom, vou pra escola, vocês já podem arrumar o quarto e
limpar tudo e estão liberados, bom dia.
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