terça-feira, 7 de junho de 2016

UMI [C.03]

Cap.03 -  Kitsune 

 -- D-Do quê você está falando.. Akiyama – entrei em desespero, enquanto ela caia de joelhos no chão sangrando muito – Nami. 
 -- Eu não.. Vou morrer – ela sorriu, seu sorriso era tão calmo, parecia que nada estava acontecendo. 
 -- O que a Kyoko tem haver com isso.. Nami – meus olhos se encheram d'água. 
 -- Vá.. Embora. 
 -- Não vou abandonar você, nunca. 
 -- Yu.. - algo que eu disse a fez ficar bem séria, de repente ela.. Morreu. 
Vi seu pequeno corpo caído no chão, sem vida, comecei a me desesperar, olhei em volta e já estava bem tarde, não tinha mais ninguém ali, minhas mãos estavam completamente ensanguentadas. 
 -- Mas.. O que eu faço, ela não pode ter morrido, não... - me ajoelhei e a peguei nos braços, tentei tirar o celular de dentro do bolso desesperado e disquei o número de emergência de um dos meus motoristas – Venham me pegar agora e não perguntem nada! RÁPIDO!  
Em menos de 5 minutos apareceu um carro preto vindo da rua paralela ao shopping, atravessou metade da praça quebrando tudo e parou do meu lado, corri com ela nos braços e entrei no carro. 
 -- Corra pra casa e chame algum médico, rápido! - eu estava ofegante, sentia o corpo dela começar a ficar frio e aquilo era muito estranho. 
Chegamos em casa e subi o mais rápido que consegui com ela nos braços para o meu quarto, a coloquei em cima da cama e percebi que ela já não sangrava mais. 
 -- Senhor.. Ainda deseja o médico? - um dos empregados adentrou o quarto. 
 -- Não.. Não adianta mais.. - sentei em uma poltrona ao lado da cama, confuso, sem saber o que fazer, olhava para o corpo sem vida dela, aquilo partia meu coração e eu não sabia porquê. 
Até que eu caí no sono. 
Meu sono estava profundo, calmo, eu estava em outro mundo e de repente acordei. 
A luz do quarto estava apagada, a casa o maior silêncio do mundo, e lembrei que tinha que fazer algo com o corpo da garota, ela tinha uma família, eu tinha que dar a noticia pra alguém, e olhei para cama, o corpo estava exatamente da mesma maneira porém seu longos cabelos negros haviam se tornado brancos como a neve. 
Levantei-me da poltrona e me aproximei da mesma, passei a mão nos seus fios de cabelos brancos e os senti pulsar. 
 -- Ela.. - de impulso coloquei minha mão em seu pescoço, mas não senti batimento cardíaco algum - ficando louco, não é possível. 
Desisti daquilo, não tinha mas o que fazer em relação a ela, eu não sou Deus pra ressuscitar as pessoas, então fui saindo do quarto e percebi uma calma corrente de ar pelo quarto, fitei as janelas e todas estavam fechadas, o que poderia estar acontecendo. 
 -- "O que você mais deseja?" - ouvi uma voz em minha mente. 
 -- O quê ... - olhei para os lados procurando de onde vinha essa voz. 
 -- "Você ama alguém que o quer morto, eu quero você" - comecei a achar aquela voz muito familiar - "Daria minha vida novamente a você Yumi, quantas vezes forem necessárias". 
 -- Na..mi?  
 -- Como é bom ouvir você dizer meu nome – a voz parecia mais próxima e olhei para a cama, lá estava ela me olhando, acordada, viva – Eu te disse que não ia morrer – seus olhos estavam completamente vermelhos, metade de seu vestido estava rasgado, e muito suja de sangue. 
 -- Mas.. O que porra ta acontecendo na minha vida.. 
 -- Sou sua guardiã - ela sorriu e levantou-se, seu vestido, já partido ao meio, caiu por completo, consegui ver muitas cicatrizes em seu torso, enquanto ela se aproximava eu não conseguia tirar os olhos de seu corpo  - Nasci por você, para você, não há outra explicação e finalmente eu pude interferir em sua vida, isso é tão - ela sorriu – feliz.  
 -- Suas roupas.. – fiquei envergonhado e caminhei para trás. 
 -- Não ligo, eu.. - ela me encosto numa parede, pude sentir sua respiração, quase conseguia ouvir seu coração bater e aquilo me deixava tão feliz – sou sua.  
Ela pegou uma de minhas mãos e levou meu dedo indicador até a boca, me olhou fixamente nos olhos e sorriu. Abriu sutilmente a boca e mordeu a ponta do meu dedo, percebi que seus dentes estavam incrivelmente maiores, aquilo perfurou um pouco meu dedo e ela lambeu o sangue que escorria do mesmo. 
 -- Vou lhe mostrar o quão poderoso você é - ela engoliu aquela única gota de sangue e todas as suas cicatrizes haviam sumido. 
 -- Mas.. Cara..  
 -- É por isso que ela lhe quis naquela época, ela se irritou porque não nasceu para você, ela foi prometida a outro ser puro, mas ele era mal, traiçoeiro, corrompido pelas maldades do mundo, e se tornou impuro, então ela tentou conquistar você mas.. - ela ainda segurava minha mão e a passou em seu rosto, parecia um pequeno felino adorando o carinho de seu dono, chegava a ser estranho aquilo – Ela nunca iria me roubar de você, o destino é algo superior a qualquer coisa – eu não tinha percebido o quanto perto ela estava de mim, completamente nua - Você não tem noção do quão torturante foi ver aquela época que vocês namoravam, vê-la junto com você e eu.. Longe de você. 
 -- Nami.. - eu estava ficando mais nervoso do que deveria. 
 -- Eu.. - ela me olhou fixamente nos olhos, percebi que duas pequenas orelhas de raposa estavam se mostrando entre seu cabelo todo bagunçado - amo você - quando ouvir aquilo meu coração estava a mil, eu não queria que aquele momento acabasse nunca, creio que nunca quis tanto algo na vida como eu a queria, percebi uma longa cauda peluda atrás da mesma – Sim, eu sou o espírito de uma raposa – ela sorriu – Fique tranquilo, eu estou bem, eu nunca vou abandonar você, só preciso voltar ao meu estado humana que fica tudo tranquilo. 
 -- Eu .. ainda não estou entendendo nada – procurei a primeira cadeira que vi e me sentei, minha cabeça estava doendo de tanta informação - isso é um sonho? 
 -- Eu que te pergunto isso – ela riu alto – sabe quantos anos eu te observei dormir, desejando poder estar ao teu lado Yumi? Muitos – então ela foi caminhando dentro do quarto e se enrolou no primeiro cobertor que viu. 
 -- Deixe eu pegar uma blusa minha para você vestir.. Não posso lhe deixar assim – levantei-me da cadeira e fu até meu guarda-roupa, peguei qualquer blusa e a entreguei - Não fique sem roupa assim não é normal, por favor – corei. 
 -- Ué, você nunca ficou com a Kyoko? - ela pareceu bem surpresa.  
 -- Eu não sei quantos anos você tem, mas eu tenho 17, agora pode dormir nesse quarto porque ta tarde e temos aula amanhã, ou prefere que eu peça para um dos motoristas lhe deixarem em casa?  
 -- Não, eu quero dormir com você - ela falou aquilo com uma naturalidade tão grande que me assustou. 
 -- Não cara, tá louca – dei risada. 
 -- Do que você tá rindo? 
 -- Ué 
 -- Ué?! Se você não percebeu eu estava nua – ficou furiosa. 
 -- Nami, vá dormir – suspirei e fui saindo do quarto. 
 -- No fim eu vou lhe observar dormir por mais uma noite, ainda temos muito o que conversar – ela riu baixinho. 
O dia amanheceu, podia ouvir os pássaros cantando, a cidade calma, diferente de uma capital grande e barulhenta. 
Levantei-me da cama e fui me trocar para ir para a escola, ao sair do quarto percebi que Nami não estava mais em casa e fui até um dos empregados. 
 -- Onde ela está? - indaguei. 
 --  Ela já foi, faz muito tempo, mas senhor .. - uma das empregadas parecia assustada com o fato da garota ter entrado morta em casa e saído viva, e sozinha. 
 -- Não me pergunte nada, nada disso aconteceu, entendeu?? - falei firmemente – bom, vou pra escola, vocês já podem arrumar o quarto e limpar tudo e estão liberados, bom dia.

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