domingo, 20 de janeiro de 2013
The Path To Eternity [C.06]
Cap.06 - Uma decisão a ser tomada
Três dias se passaram desde que começamos nossa viagem e na manhã do ultimo dia, pude ver a costa de continente se aproximando até que atracamos no porto de Shuyia, não haviam muitas outra embarcações no porto, mas uma vastidão de comerciantes para receberem os visitantes que necessitassem de qualquer tipo de objeto, tanto comida, casas, cavalos, outras embarcações.
- Meu senhor esse é o meu limite, sou um homem do mar e não da terra, lhe aconselho esperar a senhorita Mikhail em um lugar seguro, este porto não é lá os dos mais seguros, piratas vem e vão aqui com muita frequência, então não deixe que eles descubram quem você é até que Mikhail chegue, certo? - o velho foi falando enquanto nós saiamos da embarcação - Devo ir agora, não se preocupe, os Ljósalfar não costumam se atrasar - o velho homem sorriu e subiu a pequena escada de madeira para voltar a sua embarcação, rapidamente ele foi desaparecendo no horizonte.
- Acha mesmo que ela não irá custar? - Anna estava um pouco nervosa, e não tiraria sua razão para tal, aquele porto era obscuro, fedia muito, e o chão era terrivelmente sujo, os comerciantes não era como o pequeno cais que paramos em nossa viagem a Nord-eis, era muito diferente, as pessoas daqui pareciam verdadeiramente más - Não gosto de ficar aqui Volker... - Anna se apoiou numa parede, suspirou, me aproximei dela e segurei sua mão firme.
- Não se preocupe, vai ficar tudo bem - tentei conforta-la, apesar de que ela tinha mais poder para nos defender que eu.
Enquanto esperava Mikhail, pude perceber a diversidade de comerciantes que existiam ali, de praticamente todo tipo de raça, mas um me chamou atenção, pois esta raça não costuma exilar nenhum membro, muito ao contrário, eles aceitam exilados de "braços abertos", os Draiskullis, os mesmo que atacaram o vilarejo onde eu vivia quando era quase um bebê, e me obrigaram a fugir dos braços de minha mãe, esses seres vivem no extremo sul do continente, em um lugar chamado de Müžigä Nakti, e em seu centro foi construído um castelo pelo o rei Kenrs, o castelo é uma fortaleza impenetrável, é o maior castelo já construído em Tenaryon, o mais interessante sobre Müžigä Nakti é que lá não há manhã, lá a luz do sol não consegue chegar em nenhum dia do ano, o sul do continente vive em uma constante escuridão, como consequência o lugar é rodeado pelas maiores montanhas de gelo de Tenaryon, o lugar é mais gélido do que Nord-Eis.
Sobre este ser ali, exilado, fiquei bem curioso, pois as histórias contadas são outros, mas não podia ir tentar descobrir o porquê daquilo, tinha que esperar Mikhail aparecer. Ao longe comecei a ouvir sons de cavalos se aproximando do cais do porto, pessoas falando alto, como se estivessem surpreso em ver tal pessoa ali e ao longe vi um cavalo branco, um cavalo musculoso, forte, e um pouco maior do que os cavalos convencionais que nós humanos usamos. Montando o cavalo estava Mikhail, com seus cabelos dourados como uma joia voando contra o vento.
- Perdoem meu atraso - Mikhail desceu do cavalo com muita facilidade e se aproximou de mim - Sou Mikhail Schleicher, a 14ª filha de Fenhrir Schleicher, o Rei de Weit Tor, como sua rainha Liesi já havia nos comunicado, você deve ser seu mensageiro?! - ela permanecia séria, com uma expressão não muito feliz em nos ver, mas pelo o que já ouvirá falar sobre a filha conjuradora de magias, ela nunca demonstrou muitas emoções, ninguém entende o porque.
- Sim - sorri e a reverenciei - Sou Volker Kürten e está é minha guardiã Anna Epstein, uma das poucas conjuradoras de nossa raça - procurei ser o mais educado possível, mais até do que com minha própria Rainha.
- Você não imagina como estou feliz em conhecer você pessoalmente Mikhail - Anna como sempre, estragando tudo, bati meu cotovelo em seu braço para que ela ficasse na postura de respeito, ela percebeu e ficou séria.
- Fico feliz em saber que os Humanos estão se desenvolvendo tanto no mundo da alquimia e magia - não esperava aquilo de Mikhail, no mesmo segundo Anna sorriu com a maior felicidade do mundo - Agora melhor irmos, este lugar não é o melhor lugar no mundo para estarmos - Mikhail deu as costas e subiu rapidamente em seu cavalo branco - Gystfer mborsul sur vest, Nyur(1) - Mikhail avisou o outro Ljósalfar em sua língua, Krens'salfar, logo ele apareceu com dois cavalos - Espero que estes sirvam - Mikhail nos fitou, esperando que subíssemos.
- Muito obrigado Mikhail - sorri e não vou mentir, tive uma certa dificuldade em subir nos cavalos, os Ljósalfar não tinham estas dificuldades pois seu peso era minimo, então no menor impulso que estes faziam poderiam escalas montanhas gigantescas com quase nenhuma, ou nenhuma, cansaço, até que recebi ajuda dos Ljósalfar que estavam servindo Mikhail. Já Anna foi mais fácil de colocar em cima do cavalo, era bem mais leve que eu e rapidamente partimos daquele cais fedorento e sujo.
A viagem para a cidade central de Weit Tor, Gaismas pilsëta, era de cinco dias inteiros, para os Ljósalfar não era uma viagem muito desgastante, tinham uma resistência incrível, porém, para nós humanos, chegariamos em uma parte em que ou morreríamos de fome, cede e cansaço, ou teríamos de parar. E esta hora não demorou muito para chegar, no terceiro dia de viagem Anna estava tão cansada que chegou a quase desmaiar de cansaço em cima do cavalo, mas Mikhail percebeu e resolveu parar perto do leito de um rio de águas cristalinas.
Conseguimos descansar por volta de quatro horas completas, até que Mikhail nos acordou, dizendo que deveríamos partir, percebi que ela parecia um pouco preocupada, e fui acordar Anna para partimos.
Os últimos dois dias passaram-se bem devagar, até que chegamos na base das gigantescas cachoeiras que envolviam o portão de Weit Tor, a passagem sagrada dos Ljósalfar, ao redor dessas cachoeiras tinham gigantescos campos com variações de cores como vermelho, laranja, bege e até rosa.
- Bem vindos, à Weit Tor, o Reino dos antigos mestres - Mikhail voltou a cavalgar por um caminho entre as árvores para subir a grande montanha, e chegar em Gaismas pilsëta, a cidade mais iluminada de toda Tenaryon, e diga-se de passagem, lá existe noite.
Alguns minutos depois chegamos no alto da montanha, era a vista mais incrível que eu já tinha visto em toda a minha vida, o sol estava nascendo no horizonte dos campos avermelhados, era uma cena hipnotizante para os mortais como nós humanos, e percebi que Anna estava tão maravilhada quanto eu.
- É inacreditável como isso pode ser tão incrivelmente lindo - Anna sorriu.
- Vamos guardiões humanos, terão bastante tempo para admirarem a beleza de nossas terras, se desejarem é claro, mas meu pai os aguarda com grande ansiedade - Mikhail nos chamou e fomos a acompanhando até que adentramos na cidade.
Mikhail desceu do cavalo, e os outros nos ajudaram a descer também, não irei mentir que me sentia um pouco desconfortável com aquilo, eu podia descer e subir de cima de qualquer animal sem a ajuda de ninguém.
Gaismas pilsëta era coberta por todo o tipo de plantas e vegetais, haviam animais circulando por todos os lugares, e os trabalhadores caminhavam calmamente pela cidade, como se suas vidas tivessem partindo em uma velocidade muito diferente de nós humanos, como as lendas diziam, eram todos brancos, altos, de olhos claros e grandes cabeleiras louras, cinza e algumas brancas, mas não significava eram "velhos", como acontece em nós humanos.
Caminhamos por vários lugares de Gaismas pilsëta seguindo Mikhail, por onde nós passávamos, chamávamos muito atenção do povo da cidade, até que chegamos em frente a uma gigantesca casa, ou seja lá o nome que eles deram para casa, tinha cores brancas ou bem claras, e era feita de um material que parecia brilhar ao ser iluminado pela luz do sol.
- Chegamos na minha casa, irei lhes mostrar onde meu pai os espera e podem deixar seus objetos pessoais aqui mesmo, meus criados irão os instalar em seus devidos quartos - Mikhail começou a subir as escadas para chegar na porta da gigantesca casa.
Após andar mais alguns minutos dentro do palácio, chegamos a um salão onde Fenhrir estava sentado na primeira cadeira da gigantesca mesa que ficava no centro deste salão, nas outras cadeiras estavam os Lauminas e outros representantes dos Ljósalfar.
- Sejam muito bem vindos minhas crianças - Fenhrir levantou-se de sua poltrona e veio nos receber, sem pensar duas vezes o reverenciei - não faça isso mensageiro, não sou digno de tal referencia de poder - ele sorriu - Obrigada minha querida - Fenhrir beijou a testa de Mikhail e ela deixou o salão - Espero que minha filha tenha os tratado bem, estou tentando a socializar com outras raças, ela vive um pouco trancada em sua mundo ainda, peço desculpa desde já por qualquer coisa que ela tenha dito a vocês.
- Com todo o respeito senhor, ela foi adorável - sorri - eu que o diga não é mesmo Anna? - a fitei e percebi que seus olhos brilhavam ao ver Fenhrir - Anna?!
- Perdão senhor, mas... - ela não conseguia tirar os olhos dele.
- O que houve doce criatura? - Fenhrir, como muitos diziam, era um cavalheiro com as mulheres, educado, bonito, elegante, um Rei amado por seu povo.
- O senhor é o ser mais belo que já pude ver ou poderei ver em minha vida - ela corou.
- Fico muito agradecido por tal elogio querida Anna - ele sorriu envergonhado - Agora sentem-se, temos assuntos importantes a tratar - Fenhrir voltou a sua poltrona e nos sentamos em qualquer outra cadeira em volta da mesa - Como vejo que já estão todos os representantes aqui, e pude ver que este encontro é o único em que eu sou o único Rei a comparecer, antes que digam qualquer coisa, eu soube do acontecimento em Nord-Eis, então entendo perfeitamente que seus senhores não podem estar aqui por um motivo maior - Fenhrir sorriu - Mas os convoquei aqui porque estamos a beira de um penhasco - de repente ele ficou sério.
- Um penhasco?! - um dos Laumina indagou, ele vestia uma armadura alaranjada, tinha um curto cabelo dourado e uma barba mediana branca, sua imagem transmitia muita força e confiança.
- Volker, este é Yirminsull Diller, o representante do Rei Sigurd que você já conhece, e esta ao seu lado é Eddas Grimm, seu guardião - Fenhrir os apresentou e no mesmo instante os dois sorriram para mim - Mas continuando, sim, um penhasco, pois depois da falha missão de Miesha, ela voltou a Sonnenlicht com o mais acumulado ódio que vocês possam imaginar, pois ela quer o poder que Ledus Acis guarda dentro daquele lago.
- Ledus Acis guarda algo dentro do lago?! - Yirminsull ficou surpreso ao ouvir aquilo.
- Sim, poucos sabem disto, acredito que apenas os Reis sabem disto, e agora vocês, então dada a circunstancia, não contem a absolutamente ninguém! - Fenhrir permaneceu sério - Não sabemos ao certo o que Ledus Acis guarda, o único ser que sabe onde estão todos os tesouros sagrados de Tenaryon é Üdenstornis, o sábio Sarkan, e ninguém sabe ao certo onde ele se encontra neste momento.
- Miesha vai atrás dele?! - deduzi.
- É isto que tenho em mente que ela irá fazer, pois ir atrás de algum outro guardião da terra sagrada como por exemplo Ledlazulys, seria suicídio, ele é hostil de mais para ser "controlado", então pensei primeiramente no Üdenstornis, mas o que pensei depois disto foi que, mesmo não querendo, irá acontecer uma guerra, mais cedo ou mais tarde.
- Por quê? - Yirminsull indagou, parecia um pouco acuado.
- Recebi informações de minhas sombras em outros Reinos de que os Draiskullis firmaram uma aliança com os Dökkalfar - Fenhrir ficou preocupado - E como vocês sabem por histórias, lendas e canções, eles são literalmente forças do mal materializadas, são o "lixo" deixado por nossa extinta árvore da eternidade, são poderosos de mais até para Mikhail confrontar sozinha, acredita-se que os únicos que eram capazes de tal proeza, eram os Loti Izturigs, mas isto não é uma opção que podemos cogitar nos dias de hoje.
- E o que nós devemos fazer? - Yirminsull estava mais preocupado ainda.
- Só temos uma opção meu caro, a guerra - Fenhrir suspirou.
- O que nós temos contra eles senhor? - Acredito que se fossemos para a guerra contra essas duas raças, seriamos massacrados e pior, poderíamos acabar como os Loti Izturigs.
- Nós... - Fenhrir não parecia muito confiante - Não estou muito confiante nisto, vocês podem perceber, mas o que nós podemos fazer?! Sentar e esperar que juntem o maior número possível e defendermos nossas cidades até morrermos?! - Ele se exaltou - Eu não irei ser lembrado por tal ato covarde, irei com todo o meu exército, mesmo que não decisão ir comigo, irei entender, mas irei, com toda a honra que possuo, farei o possível, nem que tenha que lutar contra todos os guardiões da terra sagrada juntos, mas irei até o fim! - aquelas palavras e lembraram Liesi, de como ela era sempre corajosa e protegendo seu povo de tudo e todos, me fizeram lembrar das palavras que ela havia dito antes de eu partir em minha longa viagem a Weit Tor.
- Os Humanos irão com você! - falei sem medo algum, sabia que aquilo era a coisa certa se fazer - Estaremos ao seu lado em todos os momentos, lutando contra o mal! - levantei da cadeira e abri um sorriso.
- É este espirito que quero ver! - Fenhrir levantou-se da poltrona e sorriu - Volker, tenho toda a certeza do mundo que Liesi estaria orgulhosa vendo o que está dizendo, e sei que ficará orgulhosa quando você retornar, agora você Yirminsull, o que me diz? - Fenhrir o fitou, Yirminsull estava pensativo, estava tenso - Não temos temos todo o tempo do mundo.
- Nós iremos! - Yirminsull sorriu.
---- Nota ----
(1) Entregue os cavalos, Nyur - Frase dita na Língua dos Ljósalfar, Krens'salfar, tão antiga quando eles.
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