Cap.05 - Capitão experiente
Uma semana se passou desde que viajamos com boa parte de nosso exército para confrontar os Dökkalfar, mas o guardião, Ledus Acis, acabou a expulsando e assim consequentemente não havendo guerra alguma, viemos para Pelkä Ädens em segurança, uma viagem bem tranquila, pois os mares do norte possuem uma certa fama de traiçoeiros.
Minha Rainha não parecia muito satisfeita com o resultado do "confronto" que teve com Miesha e seu exército, e me contou na viagem de volta que sentiu um pouco de medo quando ela lançou aquela magia em sua direção, porém ficou aliviada e feliz quando Ledus Acis a defendeu de asas abertas.
Como não houve guerra, não posso dizer que já estive em uma e isso me deixava um pouco nervoso, pois Grid era uma cavaleiro experiente, já havia passado por muitos combates e uma guerra, onde defendeu os longos campos das terras de Weit Tor, as terras dos Ljósalfar, seres com a vida igualmente longa aos Dökkalfar, na verdade a história que se ouve sobre as duas raças é um tanto curiosa. A história conta que após os Loti Izturigs serem criados pela a árvore da eternidade, a segunda raça a ser criada foi os Ljósalfar, seres com a pele clara, cabelos louros ou num tom de ouro, com olhos na maioria das vezes muito claros, seus corpos são leves, possuem longas e pontudas orelhas e também uma agilidade incrível. Enquanto todas as raças iam nascendo e outras se expandido, os Ljósalfar tiveram um Rei, um homem alvo, forte, elegante e principalmente sábio, ele havia se casado com uma linda mulher bem pobre para falar a verdade, porém sua irmã ficou com muita inveja ao saber que ela iria ser a Rainha e ser a mulher do Rei rico e poderoso.
A mulher sentia tanto ódio de sua irmã que acabou consumida por seu sentimento negativo, e sucumbiu em trevas, se tornou um ser de pele escuras com olhos cheios de ódio, até que então a árvore da eternidade concedeu seu maior desejo, o de ser Rainha, neste momento nasceram os Dökkalfar, desde então as duas raças vivem em uma batalha eterna por causa do ódio que sentem uma pela outra.
Na semana seguinte Liesi recebeu um comunicado de Rei dos Ljósalfar, a convocando para se juntar com urgência ao conselho dos anciões, que era feito pelos seres mais antigos existentes em Tenaryon e por todos os Reis e Rainhas dentro de nossa aliança.
- Grid não posso manda-lo para lá - Liesi estava sentada em seu trono, com um pequeno pergaminho de papel em suas mãos - não posso deixar meu povo novamente, sou uma Rainha competente - ela suspirou.
- Mande alguém de sua confiança minha senhora - Grid sorriu.
- Quem é capas de ter tal confiança e ser sábio o suficiente para tomar decisões tão importantes que poderiam iniciar uma guerra Grid?! - Liesi enrolou o pergaminho e entrou a um empregado - quem... - ela fitou todos os cantos do grande salão real, tentando pensar em alguém.
- Eu não precisaria pensar muito minha senhora - Grid se aproximou do trono.
- Não! - Liesi sorriu timidamente - Ele é novo de mais Grid, não posso simplesmente manda-lo com tal responsabilidade nas costas, ele.. - ela parou de falar alguns segundos - Não! - sorriu.
- Como não?! - Grid continuou se aproximando - O garoto já é um homem Liesi, você não pode mais tratá-lo como seu filho, ele já tem idade suficiente para tomar decisões importantes não só para ele, mas para terceiros, ele não pode viver de baixo das asas da "mãe" para sempre Liesi..
- Mas... Como eu poderia saber que ele iria fazendo a coisa certa?
- As mães devem confiar em seus filhos Liesi, você como uma, mesmo não sendo legítima, tem que confiar nele, ele não iria fazer algo que lhe desapontasse, sabe o que é melhor para você e seu povo! - Grid pegou a mão de Liesi com muito cuidado e a olhou nos olhos - Se você não me quer longe, mande-o e não se arrependerá.
- Chame-o - Liesi sorriu exaltadamente.
Grid percorreu quase o castelo inteiro me procurando, até que me encontrou nos campos treinando minha pontaria.
- Melhor começar a treinar seu discurso de representante da Rainha pequeno príncipe - ao ouvi-lo me virei para trás, ele estava com os braços cruzados apoiado em um tronco com um sorriso bem orgulhoso.
- Príncipe?! Representante?! - larguei o arco no chão - O que você fez dessa vez Grid???
- Venha e verá - Ele sorriu mais e foi indo embora.
- Não entendo porque sempre ele me põe nas piores coisas possíveis - suspirei, peguei o arco do chão e corri para acompanha-lo.
Ao chegar no salão real, Liesi estava em pé em sua varanda, me ouviu entrar e caminhou até o centro do salão, estava sorrindo bastante.
- Tenho um pedido a lhe fazer Volker, venha aqui - Liesi ergueu a mão para que eu pudesse a segurar, e o fiz, começamos a caminhar na direção da mesma varanda que ela estava antes - ouça-me com atenção certo? - ela soltou minha mão - Fenhrir, o Rei dos Ljósalfar me enviou uma carta esta manhã me chamando para me juntar ao conselho dos anciões, que como você já deve ter ouvido falar, é onde os Reis e Rainhas discutem sobre politica e guerras, então com minha ida a Nord-Eis, percebi que não poderia mais sair daqui por um tempo, além do mais Weit Tor é bem longe daqui, são 8 dias de viagem.
- Você quer que eu vá?! - a interrompi sem perceber - Perdão minha senhora, a interrompi, não tive intenção.
- Não seja bobo - Liesi riu baixinho e sentou-se nos assentos da varanda - Mas sim, quero que você vá me representando.
- Mas por quê o Grid não pode ir no meu lugar?
- Ele é mais experiente, preciso dele aqui, além de ser meu cavaleiro real com o título número um, ele é meu conselheiro, não posso me separar dele por um motivo desse - Liesi fitou o céu - Sei que você fará a coisa certa Volker, tenho certeza disso.
- Mas e se não fizer? - estava muito nervoso com aquilo tudo.
- Sei que vai - ela me fitou e sorriu - Sabe o que eu faço quando estou com medo e com dúvida?! Porque todas as atitudes que eu tomo tenho um peso gigantesco nas costas Volker, tenho um reino inteiro para cuidar, então eu nunca fui muito de pensar com a razão, sempre deixei meu coração me guiar, e até agora nada deu errado! - ela se levantou, passou a mão delicadamente em meu rosto e sorriu - Tenho certeza que você não irá me decepcionar, e o que você decidir lá, eu aceitarei! Entendido?
- Sim, senhora! - tentei respirar fundo pois estava muito, bastante nervoso mesmo.
- Agora vá para seu quarto e arrume suas coisas, você partirá final da tarde, Anna irá com você certo? - Liesi percebeu meu rosto ao ouvir que Anna iria comigo - Será uma boa experiencia para ela Volker, e quer ir sem proteção alguma?! Ela será uma boa companhia, agora vá.
Não quis contestar a ordem da Rainha, além do mais, não iria adiantar muito, pois quando se recebe uma ordem direta da Rainha, é porque é muito sério e tem de ser feito urgentemente.
Como estava ficando tarde, fui rapidamente em meu quarto, arrumei minhas coisas e fui para o cais da cidade.
- Sempre muito pontual - Anna surgiu de trás de várias caixas empilhadas, estava com suas coisas em uma das mãos e seu longo cajado na outra - O orgulho da Rainha - ela riu.
- Não me venha com besteiras Anna, não estamos aqui para brincadeiras! - olhei para os navios que estavam atracados no porto e não vi ninguém me procurando ou coisa parecida.
- Senhor Volker? - um senhor bem velho se aproximou de mim, vestia uma roupa bem surrada com chinelos sujos e quase quebrados - Por favor me acompanhe.
- Quem é você? - fiquei um pouco suspeito.
- Lhe levarei até o seu navio, recebi ordens diretas da Rainha para lhe levar em segurança ao continente, posso ter esta aparência de velho e fraco, mas sou o navegador mais experiente de Pelkä Ädens! - ela estufou o peito para falar aquilo.
- Perdão senhor, muito obrigado por nos levar - sorri.
- É uma honra minha atender um pedido direta de Liesi, no caminho lhes contarei como a conhecia, é uma história bem engraçada, venham crianças! - o homem caminhava bem devagar, e fomos o acompanhando, Anna me fitou sem entender muito porque não poderíamos ir com outro capitão, um mais novo que poderia passar uma certa segurança, mas eu nem lhe disse nada, se Liesi confia neste senhor, que será eu para não fazer o mesmo.
Como dito por Liesi, no final da tarde partimos, três dias navegando e os outros cinco cavalgando por vastos campos e um deserto, seria uma aventura e tanto.
- Não sei se Liesi os avisou, mas ao desembarcarem no porto de Shuyia, haverá alguém que os guiará por caminhos mais como posso dizer - o homem sorriu - caminhos mais calmos, para que cheguem em Weit Tor em segurança.
- E quem nos levará? - Anna o indagou.
- A filha mais nova de Fenhrir, Mikhail - o homem terminou de falar e voltou a seus afazeres no navio.
- Mikhail?!?! - Anna ficou muito surpresa ao ouvir aquilo.
- O que houve Anna?
- É a conjuradora de magias mais poderosa que existe atualmente Volker, ela recebeu seu cajado de um dos três guardiões da terra sagrada, ele é feito de um dos dentes dele! - ela ficou muito animada com aquilo - pelo menos vai valer a pena! - sorriu.
- Pelo menos alguém aqui está animado com isso tudo - sussurrei, Anna não parava de falar sobre como Mikhail era incrível, para falar a verdade não dei muita atenção para aquilo, estava nervoso, muito nervoso.
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