terça-feira, 22 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.07]


                  Cap.07 - Kvasyr e os Adormecidos
Após a reunião no salão, eu e Anna fomos andar um pouco por Gaismas pilsëta, vimos animais exóticos, somente descritos em antigos livros da grande biblioteca de Dzelzs pilsëta, a grande capital dos humanos. Vimos paisagens de tirar o folego, porém como muitos dizem, o dia em Gaismas pilsëta é uma das vistas mais incríveis do sol que você poderá ter em qualquer lugar de Tenaryon, mas a noite é ainda mais incrível, pois a luz fica incrivelmente gigantesca, brilha dez vezes mais do que em nosso reino, e permanece branca todos os dias do ano.
Ao cair da noite, Mikhail nos mostrou o ponto mais alto da grande cidade, percorremos algumas escadas por volta de 20 minutos, até que chegamos em um lugar plano no alto da montanha, podia-se ver toda a cidade lá do alto, o gigantesco lago que em seu fim dava de encontro com o oceano, pude ver o oceano no horizonte.
- Espero que tenham gostado daqui - Mikhail não tirava os olhos da lua, que parecia escalar os céus saindo de dentro do horizonte - Aqui é o meu lugar preferido de todo o Reino de Weit Tor, não há como dizer que aqui não é lindo.
- Realmente - suspirei - É muito bonito.
- Então você os trouxe aqui irmãzinha - ouvi outra voz feminina se aproximando, mas ao avistar a entrada do lugar não vi ninguém - Sabia que você iria estar aqui - e logo uma mulher de longos cabelos dourados, iguaizinhos ao de Mikhail, com olhos cinza escuro, vestia uma armadura de pequeno porte e carregava uma espada bem longa em sua cintura, o que mais me chamou atenção na espada é que no início da lâmina havia uma caveira que dela emanava uma luz azulada, não muito ofuscante - Muito prazer conhece-los - a mulher sorriu - Sou Adryk Schleicher, a 9º filha de Fenhrir.
- A-Adryk?! - engasguei, em alguns livros são contadas histórias dela como uma cavaleira muito poderosa, de grande poder e muita beleza, e realmente não parecia menos vendo de perto.
- Vejo que já ouvira falar de mim - ela sorriu sem graça, caminhou e se junto a nós - Fico feliz por ter ouvido falar de mim, e você - Adryk fitou Anna - A mais poderosa conjuradora de magias dos humanos, é um enorme prazer lhe conhecer, acho que Mikhail - Adryk fitou Mikhail - deveria lhe ensinar algumas coisas, o que me diz? 
- Adoraria! - Anna respondeu sem pestanejar.
- Por mim tudo bem - Mikhail disse sem muita expressão.
- Feito então! - Adryk sorriu, ela se parecia muito com Fenhrir, sempre muito animada e simpática.
- Posso lhe fazer uma pergunta? - Anna fitou Adryk novamente - Espero que não pareça estranho - tive medo daquela pergunta.
- Claro, porque não - Adryk a fitou.
- Onde está sua mãe? - Anna perguntou um pouco acuada.
- Claro! - Adryk gargalhou - Mikhail é muito parecida com nossa mãe, ela é bastante reservada, não gosta muito de sair de casa, além do mais ela faz parte do conselho de Gaismas pilsëta, então ela está sempre muito ocupada, enquanto meu pai cuida dos assuntos políticos, minha mãe cuida do bem estar da cidade inteira, resolvendo todo tipo de problema, essa hora é a unica hora em que ela e meu pai tem um certo "descanso" e ficam juntos.
- Entendo - Anna fitou o horizonte.
- Poucas pessoas já a viram, poucas pessoas que digo são pessoas de fora, como vocês - Adryk encerrou o assunto.
Adoraria a ver, pois dizem que ela tem uma beleza inigualável, e não era para menos, para o Rei a escolher sabendo que irá ficar com uma unica mulher para o resto de suas vidas, ou seja, para a eternidade toda, então tem que ser uma mulher incrível.
Passamos alguns minutos ali e descemos o pico da montanha, andamos conversando enquanto não chegávamos em nossos aposentos, logo Adryk e Mikhail nos deixaram.
- Olha aqui tem meu nome - Anna apontou para uma porta de madeira polida - Acho que aqui é meu quarto, boa noite Volker - Anna beijou meu rosto e entrou no quarto, parecia estar bem cansada mesmo.
No centro dali havia um jardim aberto, e o rodeando estavam os corredores com os quartos, desci alguns poucos degraus e me sentei num pequeno banquinho, fitei o céu, estava repleto de estrelas brilhando e brilhando, pareciam nos abraçar.
- Aqui realmente é lindo - aquela voz fez meu coração pulsar rápido, olhei rapidamente para o lado, num reflexo e vi uma mulher vestida com uma longa manta, os cabelos louros eram tão longos que quase tocavam o chão, ela se aproximou e sentou-se ao meu lado no banco apertado, seus olhos eram tão azuis que pareciam o céu claro de uma manhã com o brilho das estrelas, simplesmente não conseguia tirar os olhos dela - Cada um aqui tem o seu lugar preferido, este é o meu Volker - ela sorriu delicadamente, seus lábios rosados me chamaram atenção.
- C-Como.. sabe meu nome?! - falei baixinho, estava tão hipnotizado por sua beleza que não consegui falar direito.
- Eu sei de tudo Volker.
- Quem é você?
- Kvasyr.
- R-R-Rainha?! - a surpresa foi tanta que pulei para fora do banco.
- Não entendo porque tanta surpresa - ela sorriu, não tirava os olhos do céu - Só porque poucas pessoas me viram, não significa que você não seja digno de me ver - Kvasyr me fitou e estendeu a mão para que eu me levantasse do chão e sentasse no banco novamente, como a pele dos Ljósalfar brilhavam um pouco, sua mão não era diferente, parecia macia como um veludo, ergui minha mão e a encostei bem devagar em sua mão - Não tenha medo de mim - ela segurou minha mão com força e eu me sentei novamente no banco ao seu lado.
- Não sinto medo, minha senhora - estava envergonhado, fitei o chão.
- Minha senhora?! - ela riu baixinho, me fitou - Não sou sua senhora minha criança - ela passou a mão em meu rosto, muito delicadamente.
- Devo ter respeito por você, minha senhora - estava nervoso.
- Não entendo, por quê estais tão nervoso? - ela continuou olhando para mim - Por quê não me olhas?
- Não sei se sou digno - sussurrei, ela encostou a mão novamente em meu rosto e o puxou bem devagar para a frente do dela, seus olhos eram mais incríveis ainda visto de perto.
- Se estou aqui, então acredite, você é digno - sua voz parecia adentrar em meu corpo, ecoava dentro de minha mente, como uma música muito bem tocada - Não esqueça, eu sei de tudo - ela sorriu delicadamente e soltou meu rosto da mesma forma, voltou a fixar os olhos nas estrelas - Sabe Volker, posso saber de tudo, mas sabe qual o meu maior sonho?
- Qual minha senhora? - ela me fitou sem entender porque eu continuava a chama-la assim, mas não liguei muito, não iria mudar aquilo.
- Ir às estrelas - ela sorriu - Por isso que toda noite, quando todos já estão dormindo, sento-me neste mesmo lugar e observo o quão majestosas elas são.
- Se me permite, sempre sonhei em conhecer seres como a senhora, seres eternos, tão divinos que não há beleza que chegue aos seus pés, tão poderosos que são capazes de fazer coisas que ninguém consegue, e com isso sempre quis saber o que tais seres almejam, o que estes seres sonham em fazer, obrigado por compartilhar isto comigo.
- É uma honra compartilhar meus pequenos sonhos com você Volker, mas não nos confunda com outros.
- Como assim?
- Pergunto-me, como você ficaria conhecendo um Loti Izturigs de perto - ela me fitou - Eles sim Volker, são seres imortais, incríveis! Que possuem um poder tão gigantesco, que acredito que são capazes de realizar o meu desejo.
- Gostaria muito de conhecê-los.. Mas já não é uma coisa que possamos fazer, minha senhora.
- Quem sabe, não é?! - quando ela disse aquilo a fitei sem acreditar - Ninguém sabe ao certo o que estará por vir minha criança, acredite em seu coração, eu sempre estaria nele - Kvasyr levantou-se do banco, e encostou a ponta do dedo no meu peito, senti meu corpo "renovado", fechei os olhos por alguns segundos e ao abrir novamente ela não estava mais lá.
- Ninguém irá acreditar que a conheci - sussurrei, levantei-me do banco e caminhei na direção da porta de madeira que tinha escrito meu nome, a abri e adentrei no quarto.
Tirei toda a minha roupa e deitei-me na cama, permaneci alguns minutos acordado, lembrando do rosto de Kvasyr, pedindo para todas as entidades de Tenaryon, para aquela imagem nunca mais fugir de minha mente, logo adormeci.
----------------- (Dzelzs pilsëta) -----------------
- Grid - Liesi estava sentada em sua varanda no meio da madrugada, olhando para o horizonte, onde só havia mar - Será se Volker está bem?!
- Está sim, minha senhora - Grid aproximou-se da mesma.
- Já disse que não há necessidade disso quando não há ninguém por perto - Liesi o fitou com uma expressão de raiva - Não precisa dessa formalidade toda.
- Certo então - Grid sorriu - Não se preocupe, Fenhrir não irá deixar acontecer nada ao seu querido "filho" minha Rainha.
- Não seja bobo - Liesi levantou-se do assento e aproximou-se de Grid - Não sei o que faria se algo acontecesse a ele Grid, me apeguei tanto àquele garoto que... - ela parecia um pouco aflita.
- Não fique assim - Grid acariciou seu rosto - Ele já está crescido o suficiente Liesi, não pode ficar de baixo de suas asas para sempre, você...
- Eu sei! - Liesi o interrompeu, ela olhou nos olhos de Grid - Eu sei disso, mas... Tenho medo que algo de ruim aconteça.
- Liesi - Grid colocou sua cabeça em seu peitoral - Confie em mim, nada irá acontecer - Liesi o abraçou, envolvendo seus braços ao redor do corpo dele.
----------------- (Gaismas pilsëta) -----------------
Acordei ao amanhecer, levantei-me da cama e me vesti, logo fui saindo do meu quarto. Do lado de fora estavam algumas pessoas caminhando conversando, outras com uma certa pressa.
- Pensei que não ir acordar mais - Anna subitamente apareceu ao meu lado.
- Nossa, que susto menina - suspirei.
- Vi que foi dormir tarde ontem, o que ficou fazendo aqui fora? - ela parou na minha frente, parecia desconfiada.
- Kvasyr veio até mim - ela não iria acreditar mesmo, então resolvi contar a verdade.
- KVASYR?! - Anna se exaltou.
- Fale baixo! - a empurrei contra a parede - Não minta descaradamente para mim Volker!
- Não estou mentindo! - permaneci sério - Eu resolvi sentar um pouco ontem de noite ali - apontei para o banco onde encontrei Kvasyr - E então de repente ela apareceu, sentou-se ao meu lado e conversou comigo!
- Não vou acreditar - Anna cruzou os braços - E nem estou acreditando que está mentindo desse jeito para mim! 
- Ele não está mentindo - de repente Fenhrir surgiu no início do corredor - Minha mulher contou-me que queria muito vê-lo, não contou-me ao certo porque, mas falou que iria procurá-lo - Fenhrir se aproximou.
- Não disse?! - sorri.
- Não acredito - Anna fez uma cara de surpresa - Também quero vê-la! 
- Não é tão simples assim minha querida - Fenhrir sorriu e segurou a mão de Anna - Só a mim já não basta?! - Ele a olhou nos olhos, os olhos de Anna brilharam como nunca.
- Basta... - ela sussurrou.
- Então vamos, Mikhail está a sua espera - Fenhrir gargalhou e os dois foram indo embora.
- Minha mãe é um enigma mesmo - ouvi outra voz ao meu lado e me assustei, era Adryk - Desculpe-me - ela riu - Não queria assusta-lo.
- Tudo bem - tentei parecer menos assustado.
- Vocês irão partir amanhã mesmo? - Adryk pareceu triste.
- Temos que ir, já passamos tempo de mais longe de nossa casa, devo avisar minha Rainha sobre a guerra o mais rápido possível - fiquei sério.
- Você está certo - Adryk fitou o nada - Está tudo tão animado com vocês aqui - ela me fitou por alguns segundos - Sem vocês fica tudo tão calmo, não gosto muito disto, e minha mãe, está tão animada com a sua chegada.
- Por quê?
- Não conte a ninguém, mas ela contou-me que teve um sonho, em que com sua chegada, os adormecidos iriam acordar - Adryk se aproximou mais de mim para que ninguém ouvisse.
- Adormecidos?! 
- Sim!
- Minha chegada?! Mas por quê? - Fiquei confuso.
- Não consigo entender o que minha mãe diz Volker, e estou viva a quase 2000 anos! - ela gargalhou.
- Entendo - ri baixinho, mas aquilo me deixou intrigado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

If these wings could fly [C.04]

Cap.04 -O Acidente Quando eu falo que fiquei por muito tempo no telhado, eu não estava mentindo, até peguei no sono, só acordei com...