Cap.02 - O Arco, O Alvo
Vivo no reino dos humanos, Pelkä Ädens, um reino bastante extenso, é praticamente uma ilha gigante, pois nos cercando por todos os lados só há o mar, quando temos que ir para o centro do continente, ou nossa Rainha tem de ir a outro Reino ou vilarejos, só que está a nosso favor são as grandes embarcações.
Me chamo Volker Kürten, tenho 22 anos, atualmente moro só, pois quando era pequeno, morava em um vilarejo no norte da grande ilha e ela havia sido saqueada pelos Draiskullis, seres com a aparência humana, de olhos amarelados, que possuem pequenos chifres em suas testas, são humanos corrompidos pelo mal. Então quando o vilarejo foi saqueado meu pai tinha sido chamado pela nossa Rainha, Liesi Mayer, para se juntar ao seu exército, ele não tinha grandes habilidades como soldado, arqueiro, alquimista, mas ele era ótimo ferreiro, e forjava as espadas dos soldados e as concertava como ninguém. Já minha mãe havia ficado para cuidar da casa e de mim, porém um dos Draiskullis a matou quando tentou me defender, já eu por um grande milagre consegui me esconder de todos os inimigos e fugi para a capital Dzelzs pilsëta, é uma das mais protegidas capitais que existe a comparando com todos os outros reinos, pois Dzelzs pilsëta possui os mais altos e impenetráveis muros, sobre meu pai, eu nunca mais soube nada sobre ele.
Ao chegar em Dzelzs pilsëta, fui acolhido por um casal de agricultores que moravam quase fora da cidade, onde se concentram os campos e as árvores frutíferas. Eles cuidaram de mim, me deram educação, até que o homem faleceu, acredito que faleceu por causa da velhice, e sua mulher entrou em uma profunda depressão, eles nunca tiveram filhos então me consideravam um presente de Deus, e nem eu consegui a tirar do profundo mundo em que ela entrou.
Quatro anos depois a mulher acabou falecendo de tanto tristeza, de tanto desgosto de viver sem seu amado marido, e eu acabei herdando tudo, casa, dinheiro, e seu terreno, mas como eu nunca tive grandes habilidades como agricultor, não iria adiantar de nada eu tentar exercer um trabalho que não consigo, resolvi vender o terreno junto com a casa, e com o dinheiro que consegui comprei uma casinha bem simples no centro de Dzelzs pilsëta.
Sempre procurei todo tipo de trabalho pra mim, mas nunca deu certo, até que um dia a Rainha Liesi foi a uma apresentação de tiro ao alvo nos campos que haviam perto de onde eu morava, Liesi sempre muito aberta ao povo, disse a sua guarda real que deixasse quem quisesse entrar e assistir a apresentação de seus melhores arqueiros, e eles eram muito famosos em Pelkä Ädens, tinham uma pontaria incrível.
Eu, sem muitas coisas para fazer no meu dia, resolvi ir ver a tal apresentação. Tinha muita música, comida para os pobres, bebida, e muita gente comemorando, na verdade eu não sabia ao certo o que eles comemoravam, mas fiquei em um canto bem privilégiado para ver a apresentação dos famosos arqueiros.
Liesi se apresentou formalmente a todos, e deu início a apresentação, pelo o que eu tinha percebido o melhor dos arqueiros ia se apresentar por ultimo, seu nome era Grid Abelyos, estava sempre ao lado da Rainha, tinha longo cabelos negros, tão negros que chegavam a ser quase azuis, e com pequenos olhos azulados, se vestia muito bem, e pela sua fama que chegava aos meu ouvidos era muito educado com todos e assim respeitado, era um dos cavaleiros mais importantes da Rainha Liesi.
A apresentação foi seguindo, alguns arqueiros novatos nunca acertavam tudo, ou nem se quer sabiam segurar um arco, mas o público segui educado e fiel a Rainha, não ria, não fazia piada alguma sobre tal aprendiz, porque um dia na guerra esse aprendiz pode simplesmente ser o soldado que nós iremos precisar, então nenhum homem ou mulher que possa lutar é descartado, e a Rainha segue esse pensamento com muita rigidez.
O dia foi passando e todos os aprendizes também, até que a Rainha anunciou que os soldados com mais experiência iriam se apresentar, pode-se dizer que eu estava bem nervoso para ver o ultimo, já tinha ouvido boatos de que ele consegue atingir um alvo de olhos fechados, e não importa a distancia em que o alvo esteja, ele tem os sentidos muito aguçados.
Até que finalmente o ultimo arqueiro se apresentou, quando Grid foi para o campo se preparar para dar seu melhor, todas as meninas adolescentes gritaram, digamos que ele tinha uma certa fama por sua beleza também, mas ele não era do tipo de homem que se gabava disso, ele ergueu a mão que segurava o arco e puxou três flechas, achei incrível aquilo, imaginei se devia ser difícil segurar uma, mirar e acertar, imagina três ao menos tempo!
Grid colocou as três flechas no arco, e com elas puxou a linha do mesmo, respirou fundo e soltou uma, e acertou o alvo, soltou a segunda e acertou, segurou firme a terceira e fechou os olhos, todos imediatamente gritaram, "OHHH", e soltou, esperamos tensamente a flecha chegar no alvo e sem muito espanto ela acertou o centro vermelho do alvo, o público que assistia a apresentação o ovacionou, ele deu um simples sorriso e fitou Liesi com todo o respeito, ela com seu sorriso delicado mais ao mesmo tempo orgulhoso o confortou.
Percebi que a apresentação já estava acabando e decidi ir embora dali, porém havia ouvido Liesi chamar quem quisesse tentar fazer a mesma coisa ou mais ou menos a mesma coisa que Grid havia feito, fiquei um pouco tentado a fazer aquilo, mas iria ser uma vergonha pra mim e para a memória de meus pais, a final, eu nunca se quer segurei um arco. Enquanto caminhava pude ouvir ela chamando alguns, até que não resisti, corri de volta para o campo e me apresentei, ela me olhou com aquele mesmo sorriso de orgulho e me senti um pouco especial naquele momento.
Todos os outros meninos que iriam se tentar se apresentar pareciam saber como usar um arco, cheguei a ficar um pouco constrangido e por um instante passou pela minha cabeça ir até a Rainha e desisti, mas quando saí da linha de formação olhei para a Rainha e Grid estava olhando para mim com um sorriso bem animado, parecia estar feliz em me ver ali, fiquei sem saber o que fazer e continuei caminhando para onde Liesi estava, mas Grid me parou, colocou a mão no meu ombro e disse, "Está na sua alma, segure-o como se fosse a ultima coisa a fazer em vida, puxe a flecha com seu coração na ponta, vá, você consegue!", ele me olhou nos olhos e senti uma sensação estranha dentro de mim, mas senti que conseguia fazer aquilo, logo sorri e voltei para a formação.
Como fui o ultimo a chegar, seria o ultimo a atirar. Todos os outros meninos tinham mesmo alguma experiência no arco e flecha, eram bem ruins, posso assumir, mas tinham, até que chegou minha hora de atirar, dei alguns passos para frente respirei fundo, olhei para Grid e ele ainda estava com aquele mesmo sorriso, eu não podia desistir ali, no meio de todo mundo, olhei para o arco branco de madeira na minha mão, criei mais coragem, peguei uma flecha na Aljava, a senti com todos os dedos da minha mão.
Percebi que a Rainha estava me olhando atentamente, mas mais atentamente do que o normal, parecia esperar algo a mais de mim, me senti um pouco nervoso, mas nem se quer me deixei abalar, tinha que provar para mim mesmo que poderia superar aquilo. Puxei a linha do arco com a flecha, respirei profundamente, olhei para o lado do alvo que estava a mais de trezentos metros de mim, e mirei o arco alguns centímetros para o lado, percebi que o vento estava vindo contra meu corpo de lado, todos ficaram tensos ao olhar minha concentração.
Tentei me concentrar o máximo possível, percebi que meus dedos tremiam um pouco, e tentei me acalmar e esperar pela chance perfeita em que o vento cessaria, e ela veio no exato momento em que abri meus dedos para soltar a flecha, todos ficaram calados, tensos esperando a flecha acertar ou não o alvo, eu abaixei a mão que segurava o arco e vi a flecha indo bem devagar, fez a pequena curva que eu esperava fazer por causa do vento, e abri um pequeno sorriso nos lábios, no momento em que acertou o alvo vermelho todos gritaram de felicidade, respirei aliviado.
Lembro-me como se fosse ontem, da Rainha Liesi se aproximando de mim, me abraçando e falando, "Bem vindo, a guarda real minha criança", enquanto abraçava Liesi, pude ver o rosto de Grid rindo de felicidade conversando com outros soldados da guarda real, fazia alguns gestos e sorria bastante, até que ele me olhou e deu um sincero e tímido sorriso, quase dizendo, "Parabéns".
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