Cap.03 - O Rei desesperado
Depois desse dia fiquei por volta de dois meses treinando com Grid, ele era um ótimo mestre, e um ótimo amigo também, sempre me ajudou bastante, já a casa que eu morava eu acabei vendendo, pois estava morando no palácio real, como me tornei um cavaleiro real tinha que estar no mesmo local que minha Rainha, pois a imprevistos acontecem e devemos garantir a segurança dela acima de tudo. Como me tornei o cavaleiro real mais novo da história, sempre fui tratado como o filho que a Rainha não teve, depois de um tempo, pude ganhar mais um pouco de sua confiança e descobri que meu pai realmente lutou ao seu lado, e ela o conhecia, ela disse-me que ele a pediu para cuidar de mim, e ela, como uma Rainha e também uma mulher de palavra, me procurou por todos os cantos de Pelkä Ädens, mas no fim eu a achei.
Dez anos depois aqui estou eu, com 22 anos, com o título de segundo cavaleiro real, mas por sorte, ou por azar, não atuei em batalhas reais ainda, está tudo muito pacífico, até que um dia o Rei dos Laumina veio à Pelkä Ädens. Os Laumina são seres pequenos, exageradamente fortes, não possuem uma vida tão longa quanto a dos Dökkalfar, ou principalmente os Loti Izturigs, mas vivem bem mais que nós Humanos, normalmente carregam martelos, machados e sempre montados nos seus javalis, uma coisa bem curiosa que se diga de passagem, pois os javalis possuem três vezes o seu tamanho, mas mesmo assim, usam a força para domestica-los.
O Rei e sua guarda pessoal foram recebidos por todos os cidadãos de Dzelzs pilsëta, mas o Rei, Sigurd Bausch, estava com pressa e nem se quer caminhou com calma no grande corredor do palácio real, adentrou no grande salão da Rainha com uma aflição que me deixava preocupado.
- Liesi, estamos morrendo! - O Rei estava ofegante, mas não por "correr" tanto na chegada do palácio, mas pela situação, ele estava muito nervoso, apressou o passo novamente e sentou-se em uma cadeira ao lado da Rainha, teve um pouco de dificuldade, mas sentou-se, percebi que um dos empregados do palácio ia se aproximar para ajudar o Rei a se sentar, caminhei mais rápido e o parei, ele me fitou e eu simplesmente balancei a cabeça negativamente, pois se ele fizesse aquilo acredito que o Rei arrancaria a cabeça dele dos ombros, os Laumina não suportam se sentir diminuídos, não gostam da ajuda de ninguém para coisa que qualquer ser com o tamanho normal pode fazer sozinho - Miesha está marchando para os meus portões, meu povo está doente e eu...
- Acalme-se meu velho amigo - Liesi colocou a mão em seu ombro com a intenção de acalma-lo - Acalme-se, conte-me o que está acontecendo! - Liesi fitou os empregados com um generoso sorriso no lábios - sirvam-nos por gentileza - acredito que Liesi era a única Rainha que quase pedia o "por favor" a seus empregados, pois eles tinha prazer de servi-la e não estavam ali obrigados.
- Liesi, Miesha enlouqueceu - a voz do Rei ficou mais firme e consequentemente mais grossa - tenho informações de meus olheiros de que ela está indo me atacar!
- Mas por quê Sigurd? - ela o fitou séria e preocupada.
- Diz que estamos devendo dinheiro a ela a anos e não pagamos, então ela vai nos tirar tudo - ele respirou fundo.
- E você está? - Liesi o fitou de uma forma duvidosa.
- CLARO QUE NÃO! - o Rei se exaltou, mas logo se acalmou - nunca nem se quer fir qualquer negocio com aquela bruxa maldita!
- Acredito em você, mas então... - Liesi colocou a mão no queixo e fitou o teto, parecia pensar em uma razão de Miesha está fazendo isso.
- Não sei qual o motivo, razão, circunstância, mas sei de uma coisa, ela vai nos matar, você sabe que ela herdou as melhores alquimias dos Loti Izturigs, e nós Laumina o que temos?! Machados e javalis?! Como vamos a magia dela? - ele ficou nervoso novamente.
- Não diga isso! - ela o fitou mais séria que antes, parecia um pouco decepcionada ao ouvir aquilo - Como iria se sentir seu povo ouvindo isso?! O REI está jogando tudo pro alto! COMO ELES FICARIAM OUVINDO ISSO SIGURD?! - ele ficou a olhando atentamente - O que você tem? Sigurd, você tem sua vida, você tem sua mulher, seus filhos, seu povo, o que quer mais?! Magia?! Deixe que venha, que venha com os 12 guardiões da terra sagrada Sigurd, deixe-a, o que você tem... - ela se debruçou contra a mesa e encostou o dedo na armadura do Rei, apontou para o seu coração e sorriu - Você tem seu coração, você é um lendário Laumina, Sigurd! - quando ela terminou ele se levantou repentinamente da cadeira com um sorriso de orelha a orelha - agora vá, vá e acredite em seu povo, e acredite em mim, pois lutarei ao seu lado, nem que isso custe minha vida! - ele segurou a mão de Liesi com muito cuidado e a beijou, ela sorriu timidamente.
- Liesi - ele sorriu - você sim poderia governar todo o mundo, todas as raças, você é digna disso! Igualzinha a seu pai, e bela como sua mãe, agradeço do fundo do meu coração por suas belas palavras e por dar desejar morrer ao meu lado - Sigurd soltou a mão de Liesi bem devagar e foi saindo do grande salão, mas antes parou ao olhar para mim - não o vi da ultima vez que vim aqui, muito prazer - ele sorriu - Sigurd Bausch.
- Se me permite senhor, o conheço de muitas canções e lendas, o senhor é incrível! - sorri - Volker Kürten, o prazer é todo meu, com toda certeza.
- Esse é meu novo cavaleiro real Sigurd, não sei se vai acreditar mais hoje em dia, com somente 22 anos, está no mesmo nível que Grid - Liesi falou de mim com muito orgulho, dei um sorriso tímido, fiquei envergonhado - um dia vai ser melhor que ele, você verá meu amigo!
- Esperarei ansioso por este dia meu jovem - ele sorriu e voltou a caminhar com pressa em direção da saída do palácio.
- Volker... - Liesi caminhou calmamente na minha direção - nos temos uma guerra para vencer, prepare-se, partiremos ao amanhecer e Volker - ela me olhou nos olhos - está é uma guerra de verdade, esteja preparado.
- Sim, minha senhora - sorri.
Ao anoitecer arrumei o que eu precisava em uma pequena manta e a prendi na cela do meu cavalo, voltei para o meu quarto e tentei relaxar, eu estava nervoso, tenso, na verdade estava sentindo tudo ao mesmo tempo, de repente ouvi alguém batendo na porta do meu quarto.
- Um instante - levantei-me e fui abrir a porta.
- Boa noite cavaleiro real! - reconheci aquele tom, era a Anna, uma das poucas alquimitas que tínhamos em nosso reino, mas o mais incrível nela, era que ela não só conseguia conjurar algumas magias em conjunto com poções que ela mesma prepara, mas também sabia lutar com seu machado, que por sinal nunca saía do seu quadril, preso em sua cinta - então nós vamos pra guerra manhã?! - no instante em que abri a porta ela foi adentrando no quarto mesmo sem ser convidada.
- Anna sabe que não pode estar aqui a essa hora da noite - continuei segurando a porta com intuito que ela entendesse que não podia ficar dentro do meu quarto.
- Chega, nem quero saber se posso ou não - ela sentou em um poltrona - como o quarto de vocês é lindo, já o nosso...
- Não acho que devo ter tanto luxo, a final sou só um arqueiro, e você é uma das poucas alquimistas que temos, acho que você merece mais - sorri.
- Também acho - como sempre, muito convencida, ela riu baixinho e me fitou, permaneci segurando a porta aberta para que ela fosse embora - Tá bom!!! Já estou indo embora - ela se levantou da poltrona e saiu do quarto - só não vá atrasar hein cavaleiro real - ela riu e foi embora.
Suspirei e me deitei, precisava descansar, pois teria que acordar bem cedo para partir.
Ouvi alguns pássaros cantando e percebi que já estava de manhã, rapidamente coloquei minha armadura, prendi meu arco no apoio na aljava e saí do meu quarto. Ao sair vi todos correndo de um lado para o outro levando armaduras, espadas, comidas, cavalos e tudo que iríamos precisar para a viagem e a batalha.
- Bom dia número um - olhei para o lado e lá estava Grid, já preparado - vejo que acabou de acordar - ele riu um pouco.
- Acabei dormindo um pouco mais, até hoje nunca consegui acordar cedo - sorri meio envergonhado.
- Verdade, esse é seu ponto fraco - rimos juntos - vamos para o cais do porto a Rainha irá se pronunciar antes de partimos nas embarcações.
Fui caminhando com Grid, e ao chegar no cais, estava tão lotado que não pude ficar perto de onde a Rainha estava, ela subiu em um pedaço de madeira, estava com sua armadura avermelhada, com detalhes em ouro, seu capacete da mesma cor, e como de costume com um dos chifres cortado no meio, seu longo cabelo turquesa saia por de trás do capacete e ficava partido no meio.
- Estamos aqui por uma causa nobre - ela começou a falar e todos ficaram em silencio - meu amigo, o Rei Sigurd, veio aqui ontem para pedir minha ajuda, ele está desesperado pois seu povo esta doente, e em Nord-Eis vocês sabem, é muito frio, é difícil conseguir plantar alguma coisa então eu fiz um acordo no nosso comércio, para que eu os desse alimento e eles me dessem ouro - como o ouro não era tão valorizado era uma troca justa, existem coisas mais importantes do que ouro, e em Nord-Eis o que mais existe lá é ouro, só não mais do que neve - mas ele está sem esperanças, pois Miesha está marchando com todo o seu exército em direção do castelo de Stalakttis, o centro de Nord-Eis, como alguns já ouviram falar, o castelo é cercado por um lago congelado - ela parou para respirar - eu já vi este lago - já tinha ouvido falar deste lago, mas nunca soube se as lendas eram verdadeiras - dentro do lago congelado existe um Sarkan de gelo, nunca o vi, mas cheguei a ver sua sombra de baixo do gelo e acreditem, ele não é pequeno, pode não ser um dos guardiões da terra sagrada, mas não é nada pequeno! - todos ficaram um pouco tensos - o lago possuí o nome do seu protetor, Ledus acis, e desdo primeiro Laumina decidiu construir sua morada lá, Ledus acis não se sentiu ameaçado, porém da ultima vez em que alguém estranho tentou se aproximar, Ledus acis saiu de dentro do lago congelado e destruiu o inimigo em questão de segundos!
- Minha Rainha, se me permite, então como vamos atravessar o lago e chegar ao castelo? - um cavaleiro comum se pronunciou.
- Ótima pergunta cavaleiro - ela sorriu - ele não nos fará absolutamente nada, acreditem em mim, porém quando Miesha chegar, aí sim vocês irão ver a força do Ledus acis - aquilo encorajou a todos - Miesha quer o ouro que os Laumina possuem, Miesha mentiu, disse que Sigurd estava devendo dinheiro a ela, ela mentiu! - aquilo enfureceu a Rainha - vamos esmagar as cabeças desses Dökkalfar imundos!!! - ela ergueu o punho e todos gritaram - entrem nos navios.
- Ela é incrível Volker - Grid sorriu - vamos, temos uma longa viagem pela frente, dois dias inteiros!
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