segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Konna Koto Hajimetette [C.17]


                          Cap.17 - Brinquedo Maldito
- Anda Daisuke! - terminei de me arrumar e fiquei esperando Daisuke na porta para sair logo, e o vi descendo de kimono - TÁ DOIDO?!
- O que? - ele tomou um susto e ficou sem saber do que eu estava falando.
- Vai sair de Kimono?
- Claro, quer que eu vá nu menina?! - ele fez uma cara de irritado.
- Claro que não vai de Kimono!
- Mas porque?! 
- Porque vai me fazer passar vergonha!! - entrei em casa novamente, larguei minha bolsa no sofá - MÃÃÃEEE!
- Oiiiiii!!!! - Minha mãe veio correndo do quarto dela, até parecia estar do lado da escada esperando eu chamar ela - que foi filha? - ela sorriu meio exageradamente.
- Mãe e agora, ele não tem roupa!
- Nossa é um problema mesmo... - ela ficou olhando pra ele maquinando alguma coisa.
- Mãe rápido! - a gente estava meio atrasado.
- Menina pra quê essa pressa toda?! - ela me fitou.
- Mãe são 13:00 já! - olhei no meu relógio de pulso as horas.
- 13:00? Tá doida?! - ela pegou o celular no bolso e quase enfiou o celular na minha cara pra mostrar que ainda era 12:00 - são 12:00! Dá tempo você passar em uma loja e comprar alguma coisa pra ele filha - ela me entregou o cartão dela.
- Meu Deus... - meu coração quase parou quando ela me deu o cartão, ela só fez isso uma vez na minha vida e eu quase perdi minha vida quando veio a conta do cartão.
- Meu Deus digo eu Yoko, não é pra também comprar a loja inteira não viu?! - ela foi subindo as escadas - na ida pro parque tem umas lojas, vai lá.
- Vamo! - sorri e guardei o cartão no bolso.
Fomos andando bem caladinhos, estava um clima meio tenso depois do que aconteceu lá em cima, naquele "Clímax" todo lá e minha mãe gritou, nem eu mesmo entendi o que tinha acontecido, mas preferi deixar pra lá, a final eu não poderia chegar pra ele e falar, "Daisuke você ia me beijar?!", corei quando pensei nisso e ri baixinho.
- Que? - Daisuke ficou sem entender.
- Oi?! - o fitei com mais vergonha ainda.
- Tu só pode ta ficando doida, fica rindo sozinha - como sempre bem ignorante ele, quebra o clima e ainda por cima quebra o encanto todo que eu tenho por ele.
Logo chegamos na loja, e o vendedor olhou o Daisuke dos pés á cabeça assustado.
- Boa Tarde - ele sorriu.
- Bom eu tô precisando de umas roupas pra ele - sorri.
- Sei bem do que ele precisa - o homem o fitou com uma cara meio de malicioso e foi embora, fiquei sem entender o que aquilo tinha significado mas fui entrando na loja e olhando umas roupas - Aqui moça - o vendedor voltou com uma pilha de roupa.
- Nossa.. quanta roupa - ri meio sem jeito, peguei uma bermuda de tecido e uma blusa de algodão branca pra ele provar - olha você prova essa roupa ali ó - falei baixinho pra que o vendedor não me ouvisse e achasse algo estranho.
- Ele precisa de ajuda? - o vendedor sorriu mais maliciosamente ainda.
- Não - falei bem firme e ele se afastou com medo - vai! - empurrei o Daisuke pra dentro do provador.
Esperei alguns minutos e ele saiu de dentro do provador, a roupa tinha ficado perfeita nele.
- Ótimo - sorri - vamos levar essa e outras 3 peças com o mesmo modelo - fui no caixa pagar e nem olhei o preço, se minha mãe achasse ruim tava nem aí, ela que mandou eu comprar as roupas pra ele, não tô nem comprando a loja inteira - vamos - fui segurando as compras e fomos para o parque.
Ao chegarmos lá, não encontrei nem a Emi nem o Yori.
- Mas cade eles?! - fiquei olhando pros lados para ver se via algum dos dois.
- Quer que eu vá procurar? - Daisuke me fitou.
- Vai chamar muita atenção né seu burro - estava ficando nervosa e peguei meu celular, liguei pra Emi - Cadê tu sua nojenta!
" - Calma, estamos chegando! " - pude ouvir um barulho de carro " - É que o Yori foi me buscar em casa e a gente passou em um lugar mas já estamos chegando, aguenta aí" - ela desligou.
- Aonde eles estão? - Daisuke se sentou em um banco.
- Estão chegando, fica aí que vou comprar um sorvete pra mim, tu quer? - o fitei.
- Sor o que? - ele ficou confuso.
- Ah deixa! - fui indo na sorveteria que tinha em frente a entrada do parque e comprei um sorvete de morango - isso é um sorvete - voltei e sentei ao lado dele.
- Sorvete... isso é de comer? - ele parecia querer.
- É sim - lambi o sorvete - prova.
- Nem... - ele virou a cara.
- Prova.. - sorri.
- Num quero.. - se fazendo de difícil.
- PROVA LOGO! - gritei e todo mundo que tava ali ficou prestando atenção em mim - ops... Anda Daisuke prova vai.
- Ta certo - ele ficou com uma cara de má vontade e chegou perto do sorvete.
- Isso, lambe agora - fiquei atenta ao que ele fazia.
Ele chegou bem pertinho do sorvete e deu uma lambidinha, no mesmo instante ele se afastou, parecia assustado e a cauda dele apareceu com os pêlos todos arrepiados.
- É muito gelado! - ele ficou olhando pro sorvete, assustado.
- Daisuke sua cauda - ri.
- Aff - ele escondeu a cauda e corou, ficou emburrado olhando pro lado e eu ri mais.
- YOKO! - Ouvi a voz de Emi e a fitei ao longe vindo de mãos dadas com Yori.
- Lá vem aquele moleque - Daisuke muito mau humorado como sempre.
- Para! Meu Deus... - me levantei do banco e Emi se aproximou.
- Então era ele Yoko! - Emi fitou o Daisuke e riu - eu sabiaaaa!! 
- Para menina besta! - fiquei envergonhada.
- Certo - ela riu mais.
- Oi Yoko - Yori sorriu.
- Oi! - devolvi o sorriso, olhei pro lado e o Daisuke estava sentado olhando pro lado ignorando totalmente eles dois - Daisuke! - falei baixinho e o puxei para que levantasse, ri sem jeito e fiquei esperando ele falar alguma coisa.
- Err.. - ele estava com raiva - Oi.
- Oi - Emi o fitou meio com medo.
- E ai - Yori sorriu, fitei o Daisuke com ódio, se ele fosse ignorante eu arrancava a cabeça dele alí mesmo.
- Oi Yori.. - ele falou e ficou sério.
- Enfim! - Emi percebeu que tinha que interromper aquilo - Vamos fazer o que agora?!
- Ah não sei - olhei para os brinquedos do parque.
- Dizem que a vista da roda gigante no entardecer é simplesmente a coisa mais bonita que pode se ver aqui e em qualquer lugar do Japão! - ela falou bem entusiasmada.
- Então mais tarde a gente vai lá, mas o que..
- O que é aquilo? - Daisuke me interrompeu e apontou pro único brinquedo que eu não queria ir, "A casa dos Zumbis" - quero ir lá.
- Mas...
- Vamo! - Yori me interrompeu, também parecia bem animado pra ir naquele lugar horrível.
- Emi não! - falei baixinho, estava quase chorando já.
- Vamo, deixa de ser besta! - até ela estava animada! Porque Senhor?! 
Chegamos na frente da entrada do tal brinquedo do demônio e o homem que cuidava do brinquedo puxou um carrinha para que nós quatro sentássemos.
- Não vou na frente disso - pude sentir minhas pernas tremendo.
- Fica aí medrosa, eu vou na frente com o Yori! - Emi e Yori pularam nas duas primeiras cadeiras - anda entra!
- Me desculpem mas por medidas de segurança só podem ir duas pessoas por vez! - fiquei meio sem entender, porque em cada carrinho tinham quatro assentos e só podiam ir duas pessoas?!
- Mas porqueeee?! - Emi quase chorou quando ouviu aquilo - Ah deixa, anda liga logo isso! - O homem nem falou nada e travou os assento dos dois e ligou o brinquedo, logo o carrinho desapareceu pela entrada cheia de fumaça.
- Não quero ir - eu estava quase chorando.
- Yoko eu protejo você - Daisuke falou como sério mesmo, e eu fiquei meio com medo de ele entrar ali e simplesmente quebrar o brinquedo todo.
Mas o homem puxou o próximo carrinho e nós sentamos nos assentos da frente, o homem travou os mesmos e ligou o brinquedo, só que o carrinho foi por outra entrada, onde eu pensava que era a saída.
- Nãão - falei baixinho enquanto o carrinho entrava na fumaça que dava mais medo ainda e agarrei o braço do Daisuke - não vou abrir os olhos... - eu estava com muito medo.
Quando entramos estava tudo escuro, e eu tenho um sério problema que se chama, na verdade eu não sei, mas minha mãe também tem isso, enxergamos muito mal no escuro, então eu estava realmente desesperada, porque não podia nem tentar ver os fundos falsos de onde os bonecos saiam para nos assustar.
Até que senti alguma coisa pegando no meu ombro, senti um arrepio na espinha e uma lágrima escorreu do meu olho, sempre sei que a coisa certa não é olhar pra trás quando você está numa situação dessas, mas a curiosidade é maior. Fui virando bem devagar e vi a ponta de um dedo só que era um osso e gritei desesperadamente, Daisuke virou para ver o que era e fitou fixamente o esqueleto que estava sentado no banco de trás.
- Daisuke não olhee!!! - gritei pensando que ele ia se assustar e ele se virou para frente normalmente.
- Não são de verdade... - ele estava bem calmo e eu agarrada em seu braço chorando de medo.
Quando menos esperei senti algo pegando no meu pé e gritei mais ainda, mas Daisuke ficava imóvel vendo meu desespero e só falava, "Não é de verdade Yoko..", que me dava nos nervos, foi uma péssima viagem de carrinho.
Quando finalmente pude ver uma luz no final do caminho abri um sorriso enorme na cara e algo pulou na frente do carrinho e eu gritei e me agarrei novamente ao Daisuke.
- Yoko... acabou - Daisuke falou com uma voz bem calma - anda temos que sair.
Abri os olhos e vi que estávamos no lado de fora do brinquedo, e dei um feroz pulo pra fora do carrinho.
- Que cara é essa Yoko?! - Emi ria litros vendo minha cara de pavor - só deu pra ouvir teus gritos la do meu carrinho, é muito ridículo menina, como tomou susto?
- Não quero falar sobre isso - fiz uma cara de criança emburrada e fui me afastando daquele maldito brinquedo.

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