Cap.16 - Velas e mais Velas
Ouvi os pássaros cantando e fui abrindo meu olhos bem devagar, bocejei e levantei-me da cama, fui ao banheiro escovar os dentes.
- Yoko?! ACORDOU JÁ? - olha, sinceramente, olha só pode ter uma câmera dentro do meu quarto, porque qualquer barulhinho que eu fizer ela escuta, por exemplo agora, ela tá na cozinha e me ouviu levantar!!
- Já vou! - gritei com a escova de dentes na boca.
Desci e fui tomar meu café da manhã.
- Bom dia filha, acordando cedo sábado?! Porque mesmo? - sempre desconfiada.
- ás 14:00 vou pro parque com um pessoal aí.. - dei uma mordida na torrada.
- Pessoal aí Yoko?! - ela cruzou os braços e ficou parada esperando eu falar quem era esse "pessoal".
- Meu Deus que nóia mãe - ri - Emi e o Yori.
- E você vai ficar segurando vela lá? - arregalei os olhos quando ouvi ela falando aquela gíria, não sabia que ela sabia falar aquilo - hein menina!
- Ah mãe, fazer o que né - suspirei.
- Fazer o que?! Eu digo! Leve o Daisuke! - quando ela falou aquilo me engasguei com a torrada, engoli um pedaço gigantesco que ficou entalado na minha garganta, mas logo consegui engolir - nossa que foi essa reação hein - ela sentou em uma cadeira na minha frente da mesa.
- Não vou levar ele mãe.
- Mas porque?
- Mãe, isso se chama encontro..
- E porque a Emi te chamaria pra um encontro se ela não desconfiasse já que você estava paquerando alguém Yoko! - paquerando foi trágico, ela me interrompeu.
- Ah mãe, eu que vou saber!
- Filha - ela se levantou e se sentou mais perto de mim - olha pra mim - deixei a torrada em cima da mesa e a fitei - certas oportunidades não surgem sem algum propósito!
- E o que tá dizendo?! Que eu saia em um encontro com o Daisuke?!
- Isso! Ele é um menino tão bom..
- Menino?! - a interrompi.
- Ah filha, detalhes são detalhes!
- Detalhes são as coisas mais importantes! - falei firme.
- Rapais criatura, deixa de ser fresca e vai logo! - ela se levantou da cadeira e sorriu - faça assim, leva ele, se não gostar, deixa pra lá, se gostar..
- Se eu gostar...?
- Aí você decide o que fazer - ela sorriu e subiu.
- Minha mãe não tem juízo mesmo - ri baixinho.
- Bom dia - quando ouvi a voz do Daisuke tomei um susto e me engasguei novamente, ele deve ter ouvido tudo - Yoko?! - ele me olhou assustado, mas consegui engoli novamente, eu tava doida pra morrer só pode - tá tudo bem?!
- Sim.. Sim - sorri e recuperei o ar.
- Sua mãe subiu tão feliz - ele sentou do meu lado e começou a comer um pão.
- Pois é né - tentei desfaçar minha vergonha.
- O que houve? - ele me fitou curioso.
- E ai Yoko, vão mesmo pro parque? - minha mãe veio descendo as escadas e falando do parque, eu entrei em combustão de tão vermelha e com vergonha que fiquei.
- Parque?! - Daisuke me fitou.
- Errr... - não sabia o que dizer, porque afinal, eu nem ia convidar ele.
- Yoko você ainda não falou com ele?! - minha mãe, muito falsa e atriz entrou na cozinha e ficou do outro lado da mesa sorrindo - Yoko tinha acabado de me dizer que ia chamar você pra sair!
- Sair pro parque?! - Daisuke continuava confuso.
- SIM! - minha mãe só faltou gritar em êxtase.
- O que é um parque? - quando ele disse aquilo, me lembrei que ele não era daqui e não conhecia nada daqui.
- Mãe - minha mãe já ia começar a falar e eu nem deixei - sobe vai, eu converso com ele - minha mãe sorriu, morta de satisfeita e foi embora - Daisuke, Emi me ligou ontem me chamando pra ir pra um parque aí mais tarde, aí ela disse que o Yori vai com ela - Daisuke fez uma cara de raiva quando eu falei do Yori, suspirei - Daisuke, não sei que raiva é essa que você tem do menino, mas ele nem gosta mais de mim, então deixa disso!
- Não vou com a cara dele - ele fez uma carinha de criança.
- Deixa de besteira! - o fitei fixamente, mas ele não tirou aquela cara de criança emburrada - Mas enfim, aí ela disse pra eu chamar alguém ou então eu iria ficar segurando vela.
- Porque você vai levar uma vela? - quando ele fez aquela pergunta eu chorei de rir - foi você que disse ué, tá rindo do que?!
- Nada.. ai Meu Deus... - tentei pegar mais ar, ri tanto que minha barriga ficou doendo - Ela disse que se eu não fosse eu iria ficar olhando os dois namorando entendeu!
- Mas porque segurar vela?! Não entendi - ele fez uma cara de pensador.
- Quando um casal.. Ah deixa! - dei a ultima mordida na torrada e fui levando as coisas para a pia - então eu estava pensando em chamar alguém pra me acompanhar..
- Se chamar aquele gato nojento eu juro que arranco a cabeça dele de uma vez! - ele me interrompeu e gritou, virei num susto só e depois ri - Tô falando sério!
- Não vou chamar ele Daisuke, nossa... - fui saindo da cozinha e empurrei a cadeira de volta para seu canto de origem - estava pensando em chamar você! - sorri e saí da cozinha, não estava a fim de ver a reação dele quando eu falasse aquilo, apesar de eu achar que aquilo não representava nada pra ele.
- Certo - me virei e sorri pra ele, fui subindo pro meu quarto morta de felicidade, quase pulando de felicidade - Alô? Emi?
" - Tá doida menina?! São 10 horas da manhã! " - percebi que tinha acordado ela " - O que é que tu quer? "
- Eu vou hoje, viu?
" - Certo.. certo "
- E não vou só! - sorri e esperei ela gritar de curiosidade.
" - É O QUE?!!?!?!??!?! " - dei uma risada bem alto " - Vai levar quem YOKO??? Sua maldita, fica escondendo que tem uns boy por aí né!! " - ela estava gritando no celular.
- Tá doida é?! Você vai descobrir quando eu chegar lá! - Desliguei o celular e comecei a rir bem alto - fique na curiosidade!
- Yoko? - ouvi alguém atrás da porta e fui abrir - Sobre ontem.. - ele parecia um pouco aflito - Eu..
- Daisuke - o interrompi e ele me fitou - Esqueça isso, já passou.
- Mesmo?
- Sim - sorri, e ele sorriu, ficamos nos olhando por alguns segundos e ele pegou minha mão, mas eu simplesmente não consegui tirar os olhos dos olhos dele, me aproximei mais dele, meu coração estava quase saindo pela minha boca de tão nervosa que eu tava.
- O QUE É ISSO?! - ouvi minha mãe gritando, fiquei sem saber o que fazer de tanta vergonha e nervosismo junto que dei um pulo pra dentro do quarto novamente e taquei a porta - YOKO!
- Mãe vá dormir! - gritei e fiquei encostada na porta tentando respirar de novo, me sentei no chão e ri baixinho, estava tão envergonhada que estava muito corada - ele queria isso.. - coloquei a mão nas minhas bochechas e ri de novo, estava parecendo uma retardada, mas nem ligava, aquilo foi um ponto positivo para que o que eu sentia crescesse.
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