Cap.10 - O Estrangeiro e o Telhado
Depois de muita espera os dois finalmente apareceram.
- Porque demoraram tanto?! - eu estava sentada no chão e me levantei - Daisuke eu tenho aula amanhã, eu tô esperando aqui a mais de uma hora, que horas vou chegar em casa? Vou acordar morta amanhã!
- Caaalma!! - Ele suspirou - Está tudo bem.
- Mesmo?! - Kiichi pulou de felicidade e correu para abraçar Kazuo.
- Hoje eu vim atrás dele garota - Kazuo olhava para o lado, colocou as duas mãos nos bolsos - mas amanhã pode vim, aliás... Virá alguém atrás de você - ele me olhou por uns segundos - Você não pode mais estar por aí dando bobeira não.. Daisuke, não saia do lado dela.
- Não preciso que você me diga isso - Daisuke riu.
- Não deixe que aconteça o mesmo com ela - Kazuo o fitou, e ficou tudo em silêncio por alguns segundos - Vamos Kiichi, não temos mais o que fazer aqui.
- Tchau Yo-chan - Kiichi sorriu e os dois desapareceram.
- Vamos pra casa pelor amor de Deus, eu to morta de cansada - fui caminhando sem saber direito para onde estava indo.
- Pra onde acha que vai? - Daisuke me fitou.
- Sei lá, tentar procurar uma estrada, ou qualquer coisa do tipo - suspirei, não conseguia mais dar um passo se quer, de tão cansada que eu estava.
- Venha Yoko - Daisuke se aproximou de mim, me pegou no colo e pulou bem alto, mais tão alto que nos parecíamos voar.
Fiquei olhando para o rosto dele por alguns segundos, seu cabelo branco voava com o vento, e seus olhos amarelados brilhavam sob a luz da lua.
- Que foi? - ele me olhou pelo canto do olho.
- N-Nada ué - corei e olhei para o lado.
Rapidamente chegamos em casa, fui tomar mais um banho e troquei de roupa para ir dormir, Daisuke estava sentado na minha cama, parecia esperar por algo.
- Onde quer que eu durma? - ele estava mais calmo do que o costume.
- Eu sei lá, dorme aí mesmo - apontei para o chão, e ele se levantou da minha cama, e já ia se deitar no chão, mas bateu penhinha - espera... - ele me olhou - Durma na sala - sorri.
- Não posso dormir tão longe de você Yoko - aquilo me fez corar muito.
- N-Não diga essas c-coisas Daisuke - o puxei pelo braço e o joguei pra fora do quarto, rapidamente fechei a porta - vá pra sala, eu já avisei! - eu estava com o rosto quente de tão envergonhada que fiquei.
- Mas..
- Sem mas! Vá! - falei bem firme, suspirei e fui me deitar, tinha muita coisa pra fazer amanhã.
Ao amanhecer meu despertador tocou para que eu acordasse e fosse me arrumar.
- Yoko! O café está na mesa! - ouvi minha mãe me chamando lá da cozinha.
- Já vou! - Terminei de me arrumar e desci.
Olhei para a sala e Daisuke ainda estava deitadinho no sofá, feito uma criancinha cansada, fui para a cozinha.
- Nossa filha, quando eu disse pra você pra mandar ele dormir em outro lugar, também não era pra jogar eme no sofá e pronto! - minha mãe colocou um copo com leite em cima da mesa e me deu.
- E o que queria que eu fizesse mãe?
- Filha você sabe que temos o quarto de hospedes aqui, porque não ajeitou o quarto pra ele?! - realmente eu tinha me esquecido completamente daquele quarto.
- Mãe nós chegamos bem tarde, então eu estava cansada de mais pra arrumar aquele quarto, além do mais, acho que ele nem liga pra onde dorme - fui tomando o leite.
- Chegaram bem tarde?! Da onde? - minha mãe como sempre, curiosa.
- Ele foi ver um amigo dele, um velho amigo - não menti dessa vez.
- E o que você tem haver com o amigo dele?!
- Err.. Mãe nós não pudemos nos separar né, vai que ele vai ver o amigo dele e um monstro quebra metade do quarteirão atrás de mim e me come viva?! - tentei amedrontar minha mãe.
- Ai filha, que coisa horrível! - ela fez uma cara de pavor.
- Pois é, temos que prevenir né - ri baixinho - bom eu vou pro colégio, se não perco a hora - me levantei da cadeira, beijei minha mãe no rosto e fui indo para o colégio.
Respirei bem fundo, para sentir o ar entrando no meu pulmão.
- Tomara que nada de estranho me aconteça hoje - sussurrei - olhei para o céu e estava cheio de pequenos pontinhos negros, deduzi que eram espíritos, e tomara que não me façam mal também.
Demorei uns minutos e logo cheguei no colégio, fui subindo as escadas e cheguei no andar que estava minha sala.
- YOKO! GRAÇAS Á DEUS! - Emi correu para me abraçar, ela nunca tinha feito aquilo - porque não veio pra aula ontem menina?!
- Dormi tempo de mais - ri sem muita vontade e voltei a caminhar em direção da sala.
- Dormiu tempo de mais?! Aff, mas enfim, não é sobre isso que eu quero falar - Emi parecia mais empolgada do que o normal - Você já soube da mais quentinha novidade?!
- Aquecedores?! - ri.
- Não né besta! - Emi e eu entramos na sala e eu fui indo para a minha cadeira - hoje vai entrar um aluno novo! E ele não é daqui!! - quando ela disse aquilo me lembrei de quando Daisuke tinha dito que teria que estudar comigo, mas nem levei muito á sério na hora, não podia ser.
- QUê?! - me virei para Emi numa rapidez tão grande que ela se assustou com minha reação.
- Gostou né?! - Emi riu maliciosamente.
- Não é isso! - Meu Deus, daí paciência - Quem é?! Qual o nome dele?!
- Ninguém sabe Yoko, só a professora ué, mas porque? Você conhece ele?! - Emi ficou curiosa.
- Não.. Não conheço ninguém - sorri falsamente, não estava acreditando que era sério - depois de uns minutos a professora entrou na sala.
- Bom dia pessoal, como a maioria já está sabendo, temos um aluno novo na escola - começou tudo a passar meio que em câmera lenta quando ela apontou para a porta da minha sala.
- Quero nem ver isso - Abaixei minha cabeça.
Só consegui ouvir os gritos das meninas doidas da minha sala dizendo como ele era lindo, e coisas do tipo.
- Ele é um dos nossos alunos russos - quando a professora falou russo eu levantei minha cabeça confusa, ele era lindo mesmo, longos cabelos avermelhados, olhos quase da mesma cor e uma pele tão branca que ofuscava, por uns segundos fiquei tão impressionada que abri a boca - Ele se chama Liev Polyakov, tem 17 anos, espero que ajudem ele nessa transição pessoal - a professora se aproximou dele - pode sentar aonde quiser - até a professora tava dando em cima dele, pode isso!?
Enquanto todas as garotas estavam entrando em um estado de loucura galática, eu estava deslumbrada com a graciosidade que ele caminhava, não tinha percebido, mas ele estava vindo na minha direção, e me olhava fixamente, eu estava ficando nervosa a cada centímetro que ele se aproximava da minha mesa.
Quando ele chegou do lado, passou dois dedos levemente em cima da minha mesa e sorriu pra mim, naquele segundo meu coração meio que parou de bater, mas ele continuou andando e sentou do outro lado da sala.
- Porque ele fez isso só com você?!?!?! - Emi sussurrou, mas pude sentir seu imenso ódio por mim.
- N-Não.. sei... - não conseguia nem falar direito.
A aula passou e nem nem tinha percebido que tinha passado, foi até produtiva, matérias que me interessam são outra coisa.
Logo chegou no intervalo, fui na cantina do colégio e comprei um pequeno suquinho para tomar, nem gosto de comer muito de manhã, era só pra me manter em pé mesmo.
- Yoko! - Olhei para o lado e a Emi vinha desesperada correndo na minha direção - Você viu o Kiev?! - como se eu fosse dona dele pra saber onde el está né.
- Não - nem liguei pra besteira que ela tinha me perguntado e fui indo para o lugar que eu mais gostava do colégio, o telhado, lá era lindo, ventilado, silencioso, uma maravilha.
Quando cheguei na porta do telhado ouvi algumas vozes e abri um pouco a porta para tentar ouvir.
- Você não se atreva a se aproximar dela novamente, entendeu?! - aquela voz não me era estranha, mas não consegui distinguir de quem era.
- Você devia ver como ela estava olhando pra mim - o outro homem riu.
- Seu... Já disse, esse é o ultimo aviso seu gato imundo, se aproxime dela novamente, e eu arranco isso que você chama de cabeça do seus ombros! - me assustei quando ouvi aquilo e suguei o canudinho da caixinha do suco muito rápido, fez um barulho muito alto, porque o lugar que eu estava fazia um eco gigantesco.
- Quem está aí?! - um dos homens começou a andar, fiquei com medo que viessem abrir a porta e comecei a descer desesperadamente.
- Yoko espera! - Fui correndo para minha sala - YOKO! - estava com tanta adrenalina que nem estava ouvindo Emi me chamar a um tempo - Que cara é essa menina? Tu tá branca!
- Nada - amassei a caixinha do suco e joguei no lixo.
- Como nada?! Parece que tu viu um fantasma! - Emi foi me seguindo e entramos na sala - Yoko.
- Rapais não é nada - a deixei na porta e fui indo para minha mesa, estava tão nervosa com o que tinha ouvido que sem querer fui idiota com a Emi.
Ouvi uns gritinhos vindo do corredor e logo imaginei que o estrangeiro estava vindo para a sala novamente, suspirei. Mas dessa vez foi diferente, ele nem se quer me olhou.
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