quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Konna Koto Hajimetette [C.11]


                     Cap.11 - O Rabo do Gato
As aulas depois do intervalo foram mais chatas do que nunca, e logo que eu estava morrendo de sono, por não ter conseguido descansar o suficiente essa noite, e dei graças à Deus quando acabou. Peguei minhas coisas e fui saindo da sala.
- Yooko! - ouvi alguém me chamando e fui ver quem era - Não conseguia te achar no intervalo pra nós conversarmos - Yori veio correndo antes que eu conseguisse fugir.
- Yori, Oi!! - sorri - conversar?! Sobre o que?
- Você tem uns minutos?! - ele parecia querer me falar algo muito importante, e como amiga eu não poderia deixa-lo assim, na mão.
- Claro que sim! - fomos para o jardim do colégio, e nos sentamos nos banquinhos.
- Bom é mais complicado do que eu pensei - percebi que vinha coisa ruim, não sei porque - Yoko, mesmo eu sabendo que você não gosta de mim eu tentei fazer o máximo possível pra que você gostasse de mim - fiquei super sem jeito quando ele começou a falar - tentei ir na sua casa, te levar pra casa, mas você sempre arranjava um jeito de ... Sei lá, me deixar de lado.
- Yo..ri..
- Não Yoko, não é que eu diga que é culpa sua, ou que você fez algo errado, porque não fez! Não é culpa sua que você não gosta de mim, claro que não, e antes nós éramos amigos muito próximos..
- Mas Yori, eu me afastei quando comecei a notar você diferente comigo, como se...
- Quisesse algo a mais - ele me interrompeu.
- Isso.. - estava me sentindo péssima.
- Mas não é basicamente sobre isso que quero conversar com você Yoko - ele sorriu - lembra naquele dia que liguei pra você, perguntando se você queria sair, e você disse que estava muito ocupada, e me mandou ir na casa da Emi?!
- Claro que lembro! - acho que algo de bom tem que sair da boca desse menino.
- Pois é, eu realmente fui, ela estava só e tudo, passamos a noite vendo filme, jantamos, foi tudo muito bom...
- E qual foi o problema?!
- Bom eu.. digamos que ainda sentia algo por você naquele dia, porque não é depois de uma ligação, de uma rejeição que se deixa de gostar de uma pessoa! 
- Sei disso.
- Então, eu nem sabia se ela queria mesmo ficar comigo, porque sabe como a Emi é, nunca diz mesmo o que sente e essas coisas, mas sempre achei ela uma menina super interessante, e eu estava com medo de ficar com ela tentando substituir o que eu sentia por você com ela entende.. Mas eu resolvi ficar..
- SÉRIOOO?! - fiquei tão surpresa com aquela novidade que quase gritei.
- Fala baixo! - ele riu.
- Ah, desculpa - rimos juntos.
- Foi muito bom, tenho que admitir isso pra você.. Não que eu tivesse ficado com ela pensando que não fosse bom e indo ficar tentando afogar minhas mágoas, claro que não.
- Sei que você não é esse tipo de homem Yori, não se preocupe - sorri, estava feliz pelo o que tinha acontecido.
- Só que agora vem a parte em que eu não me sinto bem - ele pareceu aflito - Hoje..
- Kiev?! - o interrompi e ele me olhou assustado com minha adivinhação - imaginei, quem não ficaria Yori?!
- Ela mal falou comigo hoje Yoko, eu fiquei me sentindo um lixo... - ela estava muito triste.
- NÃO! NUNCA DIGA ISSO! - tentei deixa-lo pra cima.
- Mas ela nem quis saber de mim por causa daquele... - naquele instante lembrei de quando eu estava na escada e ouvi dois homens conversando.
- Yori posso te fazer uma pergunta?
- Claro!
- Aonde você estava no intervalo?
- No intervalo? Eu estava na biblioteca deixando o livro que eu tinha alugado, mas porque?
- Por nada - é.. não era ele, e sinceramente acho que o Yori, com esse coração tão bom, e tão ingenuo, não ameaçaria alguém, principalmente daquele jeito - mas enfim..
- Então, eu não sei o que fazer, o que pensar, não sei se..
- Yori - segurei sua mão e ele me olhou fixamente - Vai da tudo certo, eu prometo - sorri - acredite, só em ela ter ficado com você isso já diz muita coisa, não acha?! - ele sorriu - e ela chegou em mim hoje de manhã toda feliz, acho que isso significa alguma coisa, não acha? - significa sim, que ela é afim do Kiev sua burra.
- Você tem razão - ele pareceu ter ficado melhor.
- Olha, eu prometo que vou fazer o que tiver no meu alcance pra juntar vocês dois, prometo! - me levantei do banco - agora desculpa Yori, mas tenho que ir pra casa - beijei o rosto dele e fui andando.
- Não quer que eu lhe deixe em casa?! - Yori gritou.
- Não precisa - sorri e fui andando para casa.
Quando cheguei em casa minha mãe estava lindamente fazendo o almoço, subi correndo pro meu quarto mas percebi que o Daisuke não estava lá.
- Mãe! Cade o Daisuke?! - Gritei.
- E eu que sei?! - como sempre um doce.
- Agora cade ele... - fui no banheiro trocar de roupa, quando voltei pro quarto ele estava la, sentado na minha cama - aí que susto! 
- Porque? - algo estava estranho.
- Nada não - sentei na cadeira do computador.
- Alguma novidade?! - ele parecia estar querendo saber de alguma coisa.
- Não, nenhuma..
- Nenhuma?
- Não..
- Mesmo?
- Mas poxa vida! - virei a cadeira e cruzei os braços - Qual foi?! 
- O que?
- AHH VÁ! - virei a cadeira novamente pro computador.
- Nenhuma mesmo?
- Da..isuke para!!!! - gritei - o que tu quer saber criatura?! Diz duma vez! - eu estava ficando doida já com essa frescura.
- Porque demorou a voltar? - ele não parava de me encarar.
- Porque estar me perguntando se você estava lá me olhando?! - ele fez uma cara de impressionado e finalmente parou de perguntar.
- Como sabia que eu.. Ah deixa - ele se levantou e foi saindo do quarto.
- Vai pra onde mesmo a senhorita? - nem me movi da frente do computador.
- Senhorita... - ele ficou furioso - Vou ajudar sua mãe com a comida, já que a pessoa que tinha que fazer isso não faz! - tomei na cara.
Depois de uns minutos o almoço tinha ficado pronto e nós três sentamos ao redor da mesa para comer.
- Filha como foi seu dia hoje?! - minha mãe sorriu.
- Afe maria, todo mundo me perguntando do meu dia hoje, eu hein - eu ainda estava com raiva.
- Nossa.. Desculpa - minha mãe fez uma cara de raiva - não devia dizer isso pra mim né.
- Ai desculpa, só que uma certa pessoa - olhei pro Daisuke - ficou me perturbando lá em cima e me irritei.
Daisuke nem se moveu, continuou comendo e nem ligando para o que eu estava falando.
O dia passou rapidamente, e logo chegou o outro. Fiz a mesma rotina de toda manhã, acordei, me arrumei, tomei café e fui pra aula.
Quando cheguei no colégio Emi vinha correndo loucamente na minha direção.
- Menina o que tá acontecendo com esse colégio?! - ela falou como se eu soubesse o que aconteceu por ultimo - pela a tua cara tu não sabe de novo o que ta acontecendo... Aff.
- Oura mais, não sou obrigada a saber de tudo não Emi, fofoqueira! - ri.
- Não sou fofoqueira! - ela cruzou os braços - mas enfim, há boatos por aí, que um novo aluno..
- OUTRO MEU DEUS?! 
- Num é menina! OUTRO! - ela riu - mas esse não é de fora não - fiquei com o mesmo medo de ontem, mas duvido que depois de ontem o Daisuke venha pro colégio.
Fui entrando na sala e Kiev estava sentado em seu lugar, do outro lado da sala, quando me sentei pude perceber por uns instantes ele me encarando, mas quando olhei pro lugar que ele estava só estavam um bocado de menina doida em cima dele enchendo ele de porcaria.
- Eu hein - passei a mãe no rosto.
- Sentem-se por favor! - a professora de História entrou na sala e todos se sentaram - Hoje temos outro novo aluno na nossa escola - ela olhou para a porta e entrou o Daisuke.
- Put... - tomei um susto e tapei o rosto para que ele não pudesse me ver, mas consegui ouvir novamente as loucas da minha sala gritando pro Daisuke.
- Esse é Daisuke Nakawa, espero que vocês se dem muito bem com ele, sente-se por favor - a professora era bem séria.
Daisuke me procurou por alguns instantes e parou de andar do meu lado.
- Posso sentar aqui?! - Daisuke perguntou para a professora, apontou para uma cadeira onde já tinha alguém sentado.
- Não está vendo que já tem gente aí?! - a professora falou bem séria.
Daisuke uma outra cadeira que estava do lado da que ele queria sentar, empurrou a cadeira em que a menina estava sentada pra trás e colocou a dele, a coitada da menina quase atravessou a parede de tão forte que o Daisuke empurrou a cadeira dela.
- Por que fez isso?! - a professora ficou furiosa.
- Porque eu quero sentar aqui - ele respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo o que ele fez.
- Ah meu Deus - a professora suspirou - Minah por favor, sente- se em outro lugar - ela falou com a menina que estava lá trás, a pobre coitada estava quase se mijando de medo do Daisuke, correu e sentou em outro lugar - Agora podemos começar nossa aula! - ela falou firme.
- Não acredito que ele ta aqui.. - sussurrei.
- Eu disse que eu vinha - ele respondeu.
Suspirei e fiquei prestando atenção na aula.
No intervalo eu fui para o telhado, como sempre, com meu suquinho de morango, uma maravilha.
- Yoko?! - ouvi alguém saindo das escadas e abrindo a porta para vim pro telhado, quando vi era o Kiev - Tudo bem?! - ele veio para o meu lado.
- Err.. Sim, sim - tentei ser amigável - e você?
- Obrigado por perguntar - ele era de um nível social tão acima do meu que eu me sentia um lixo perto da educação e graciosidade dele - Aqui é muito bonito mesmo.. - ele fechou os olhos e deixou o vento bater levemente em seu rosto, a luz do sol batia em sua pele e a fazia brilhar um pouco, fiquei tão deslumbrada com a beleza dele que não conseguia parar de olhar pra ele.
- YOKO! - tomei um susto tão grande e olhei pra trás bem rápido - O que é isso?!
- I-I-Isso O-O-O Q-Que?! - fiquei muito nervosa, Daisuke apontou para as minhas pernas e olhei - Mas.. que.. - estava saindo uma cauda das costas do Kiev e se enrolando na minha perna - AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHRRR!! - saí correndo de perto dele e a cauda se soltou, foi como se eu nunca tivesse visto uma cauda em um homem ou melhor, um demônio - o que é você?!
- Lhe assustei Yoko?! - Kiev me olhou graciosamente - Desculpe.
- Não se atreva a encostar nela novamente - Daisuke foi pra perto dele e o sugurou pela gola da blusa - ou será que você esqueceu o que lhe disse ontem?!
- On..tem?! - quando ele disse aquilo lembrei do que ouvi quando estava vindo pro telhado do colégio ontem - entã0o eram vocês!
- Fique fora disso Yoko! - Daisuke gritou comigo.
- Não grite comigo! - fiquei furiosa.
- Isso é jeito de tratar uma dama Raposa? Ainda mais sua Divindade? - Kiev sorriu, Daisuke ficou tão furioso que pulou muito alto ainda segurando Kiev pela blusa, e rapidamente se criou uma cratera no telhado da escola.
- DAISUKE!! - fiquei assustada e corri para a borda da cratera, Daisuke estava em pé, com um dos pés em cima do tronco do Kiev, que estava deitado e sangrando um pouco.
- Eu avisei que eu ia arrancar sua cabeça, não tente me desafiar gato imbecil! - ao redor do corpo de Daisuke começou a aparecer umas chamas azuladas.
- Acha mesmo que vai arrancar minha cabeça?! - Kiev riu alto e as chamas ao redor do corpo do Daisuke foram diminuindo - Não raposinha.. - Kiev desapareceu - Você não pode me vencer - ele apareceu atrás de mim, me virei com medo e corri para longe dele.
- Acha que irei lhe machucar?! - Kiev me olhou confuso - Não minha Divindade, não..
- Sua Divindade é o cara&%*# - Daisuke ficou mais irritado ainda e saiu da cratera deixando um rastro enorme de fogo no chão e no ar, socou a barriga do Kiev com uma força tão grande que ele cuspiu muito sangue e foi jogado pra longe, muito longe, mas quando eu digo muito longe é muito longe mesmo.
Comecei a ouvir vozes vindo das escadas.
- Daisuke temos que sair daqui, as pessoas estão chegando! - gritei.
Daisuke nem disse muita coisa, correu, me pegou nos braços.
- Melhor fechar os olhos - ele sorriu, tentando me deixar calma.
Fechei os olhos e senti como se meu corpo estivesse sendo esmagado por alguns segundos e de repente parou.
- Abra - Daisuke me colocou no chão, estávamos em um campo bem aberto do lado de um lago - descanse, não sei o que aquele gato quer.
- Gato?! - o fitei.
- Ele é um demônio gato - isso pareceu um pouco estranho, e caiu uma gota de sangue da testa do Daisuke.
- Sangue! - arranquei um pequeno pedaço da minha blusa e corri para limpar o sangue - você está bem?! - Daisuke riu baixinho - do que está rindo?! - me sentei na grama ao lado dele, você está sangrando!
- Não precisa se preocupar comigo - ele sorriu - fica tão fofa quando se preocupa - corei muuuuuiiitooo! - ele se levantou e parecia vigiar - nós vamos já voltar para sua casa, não podemos voltar para seu colégio agora.
Fiquei totalmente sem reação com o que ele disse, e meu rosto estava muito quente.
- Yoko?! - Daisuke me olhou por não ouvir nada de mim - você está bem? - ele se abaixou, e ficou com seu rosto a uns centímetros do meu, quando o olhei corei ainda mais.
- Ah! - bati com força no rosto dele e ele caiu pra trás.
- Taaa loucaa????!!!! - ele gritou.
Fiquei virada de costas pra ele, sentada na grama, de frente para o lago. Estava com muita vergonha e não sabia porque, não sabia.. o que estava acontecendo comigo.

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