Cap. 02 – Uma Velha Amiga
Quando
eu era mais jovem, tinha um Tio muito sábio, sem
muita dificuldade ele mudara meu modo de pensar sobre todos os humanos, até que
ele, matou uma família inteira em uma tarde, na época minha mãe já estava no
poder, já havia se tornado a soberana maior do Império, ela é muito conhecido
pela sua rígida conduta de seguir fielmente todas as Leis absolutas, ou seja,
Leis que não podem ser mudadas de forma alguma, leis que não dão a opção ao réu
de sair vivo ou não, nem mesmo sua soberana poderá mudar tal destino. Então meu
Tio se entregou a julgamento, confessou absolutamente tudo, e disse a minha mãe
que algo iria mudar, e a vida fácil e pacifica dos Humanos estava para acabar.
Não deve ter sido uma execução muito fácil de fazer, afinal, não é fácil matar
seu irmão, e somente a regente do trono pode e deverá ser o carrasco de todas as
execuções de traidores, pelo menos dentro da Cidadela.
- Charlloth! – Charlloth era minha primeira amiga de infância
dentro da Cidadela, era a filha mais nova do segundo Barão mais importante de
todo o Império – Como você mudou em todos esses anos! – sorri e aproximei-me da
mesma.
- Não irá nem abraçar-me?! Sei que sou somente uma princesa
e não mereço tal gesto, Barão Égon – ela riu.
- Não e chame assim! – a abracei, usava o mesmo perfume de
sempre, um cheiro doce e aveludado, seus longos cabelos avermelhados acentuavam
sua pele exageradamente branca – Com todo o respeito, estais linda princesa –
sorri e vi seu delicado rosto corando.
- Vejo que não perderam tempo em se grudarem novamente não
é, Égon – do outro lado estava Scarleth, a filha mais velha, Scarleth era
insana, e agradeço a nossos ancestrais que Charlloth não havia sido corrompida
por tal insanidade – Agora é um Barão, deve estar mais desejável que antes –
Scarleth sorriu, e foi embora.
- Sua irmã não melhora em absolutamente nada, não é?! –
fitei Charlloth.
- Perdoe-me senhor – falou Charlloth bem séria.
- Não sou seu senhor, sou seu amigo, para já com estas
formalidades menina – gargalhei – onde está seu primo? Anos que não o vejo.
- Meyer morreu Égon – Charlloth fitou me com certa angustia,
parecia estar confusa por eu não saber desta informação.
- Meyer... MORREU?! – não pude acreditar – Mas.. O que houve
Charlloth?
- Há três anos atrás, Meyer foi acusado por meu Pai, com o
consentimento de sua mãe, de assassinar 5 humanos em um mês, Meyer não assumiu
a culpa, foi morto clamando clareza na mente de meu Pai, implorando por
piedade, pois ele não teria feito absolutamente nada – Charlloth contava o
acontecido bem triste.
- Lembra-se de Sebastian?! Aquele meu primo que cuidava das
grandes riquezas de meu falecido Tio
- Sim! Como poderia esquecer de Sebastian, sempre muito
justo! – Charlloth sorriu.
- Ele foi executado há dois dias atrás – ao ouvir aquilo
Charlloth parecia ter avistado uma alma – Ele matou 25 pessoas em três dias,
pelo menos foi acusado de tal atrocidade, mas...
- Ele não lembra de ter cometido tal crime?! – ela completou.
- Ele não assumiu absolutamente nada, apenas chorava pedindo
perdão à minha mãe, mas como é minha mãe, ela é o pior carrasco que se pode
ter, ela gosta de provar seu poder perante todos, então arrancou a cabeça de
meu primo em frente a todos os Barões e Baronesas, isto não está certo
Charlloth, algo está acontecendo entre nós que ninguém, nem mesmo minha mãe,
percebeu, alguém está fazendo isso, e manipulando absolutamente tudo.
- Cuidado, as paredes possuem ouvidos neste castelo, Barão
Égon – Scarleth surgiu novamente mas logo foi embora.
- Odeio lhe dizer isto, mas ela tem razão, não é a hora nem
o lugar correto para conversarmos sobe isso, me encontre no Jardim das estatuas
daqui a duas horas, vou para meus aposentos, a viagem foi bastante longa –
Charlloth sorriu – Fico feliz em revê-lo, Barão Égon – rapidamente ela foi
embora.
- Não se meta com as filhas de Isveyn, senhor – o guarda
pessoal de minha mãe caminhava nos corredores do castelo e sussurrou em meu
ouvido – Sabe como Isveyn é louco.
- E sua senhora não é?! – retruquei – Não preciso que me
diga o que fazer. Estrelada madrugada estava em seu pico de escuridão, era
nesta hora que grandes festas aconteciam todas as noites em todos os castelos
da Cidadela, e são nestas festas que as Leis não se aplicam muito.
Subi para o Jardim das estátuas, no alto do castelo e lá
estava Charlloth, sentada em um gigantesco banco em madeira.
- Lhe fiz esperar muito? – sentei-me ao seu lado, ela sorria
bastante.
- Não, cheguei neste instante.
- Não minta para mim Charlloth!
- Pare com isso – ela ria – Meu Pai não ficou muito feliz em
saber que iria lhe encontra sozinha, sabe que ele não gosta muito que eu fique
perto de você.
- Até hoje não entendo o porquê disso, sou filho da Imperatriz,
e seu Pai é tão amigo de minha mãe...
- Vai saber o que se passa na mente de meu Pai – Charlloth riu
baixinho.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, o vento trazia
várias fragrâncias do Jardim, lá haviam todo tipo de plantas, até alguns mais
agressivas, Carnívoras.
- Senti saudades de você
Égon – Charlloth aproximou-se de mim e deitou seu rosto em meu ombro – Até hoje
não compreendo porque meu Pai resolveu mudar-se daqui, nos víamos todos os dias
– ela sorriu.
- Também senti saudades Charl – ao ouvir seu apelido,
Charlloth fitou-me com um sorriso enorme no rosto – Estava até com saudades de
pronunciar este nome para ser sincero – sorri meio sem jeito.
- Quando Scarleth contou-me que iriamos a uma visita a Cidadela,
não aguentei de felicidade, estava tão eufórica em rever você Égon – Charlloth segurou
uma de minhas mãos e colocou sob seu rosto, sua pele macia, sua expressão, eram
de outro mundo, Charlloth tinha uma beleza fora do comum – Espero que tenha se
sentido da mesma maneira quando soube de minha chegada.
- Como poderia ser diferente?! – sorri.
A leve brisa fazia seus longos cabelos ruivos voarem, estava
até esquecido de tanta beleza em um ser só.
- Porquê está tão animadinha Charlloth? – ouvi a voz de
Scarleth e olhe para a entrada do Jardim, lá estava ela, completamente bêbada,
com um longo vestido azul marinho, manchado de bebida, e seu longo cabelo cor
de sangue preso e um longo e tênue rabo – Sabe que se o Papai descobrir que Égon
tocou em você, ele pessoalmente virá mata-lo – Scarleth riu, caminhava com
muita dificuldade, e jogou-se em meus braços.
- Scarleth chega – a tirei de cima de mim.
- Papai não me restringiu de ficar com seu tão sonhado
amiguinho de infância, agora você não, a queridinha do Papai – Scarleth ria
alto.
- Scarleth cale-se! – tentei manter a calma.
- Se quer calar-me Vossa Senhoria, faça-o, não se contenha,
posso lhe dizer que não sou tão pura quanto minha irmã, mas acredito que sou
melhor – ao ouvir aquilo minha cabeça explodiu, perdi completamente a cabeça,
bati com toda a força que pude juntar naquele momento, no rosto de Scarleth.
- Não ouse falar assim, você não passa de uma vagabunda! E
sempre será! Nunca mais compare-se com sua irmã – olhei profundamente em seus
olhos, ela poderia não saber o que estava fazendo, mas acredito que iria
lembra-se do que fiz no outro dia.
- Égon – Charlloth levantou-se do banco de madeira e segurou
minha mão – Não precisa disso tudo – seus olhos estavam cheios de lágrimas –
Olhe para ela, está completamente embriagada, não ligue para o que ela disser –
uma lágrima escorreu em seu rosto – Vou para o meu quarto, nos falamos amanhã,
Boa noite Égon – e ela se foi.
- Sua princesinha foi embora – Scarleth riu, deixei-a
falando sozinha e caminhei para a varanda do Jardim, de lá podia-se ver o
Castelo por inteiro, as luzes das festas pairavam sob a noite quase eterna –
Diga-me, o que ela tem de especial!
- Scarleth, chega, estou exausto de suas loucuras –
suspirei.
- Scarleth?! – Não havia percebido que a voz era
completamente diferente, mas continuava sendo feminina, virei para ver quem era
e me assustei.
- Você! – era a serviçal da noite em que meu Primo havia
sido executado – O que está fazendo aqui humana?!
- Não costumam vim muitas pessoas a esta hora aqui, por isso
eu fui designada a limpar este local, cuido do Jardim – seus brilhantes olhos
verdes eram hipnotizantes – Sei que não tenho se quer direito de dirigir a
palavra a você senhor, mas vim pessoalmente lhe agradecer por poupar minha
vida, noite passada – ela ajoelhou-se.
- Levante-se! – fiquei sem jeito – Não agradeça a mim
menina, sua senhora a salvou – tornei a observar o castelo.
- Mesmo assim, obrigada – após alguns segundos tudo voltou a
um profundo silencio, mas não virei para ver se a humana já havia ido embora,
suspirei.
- O que está acontecendo... Diga-me Tio, o que está
acontecendo neste Império...
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