Cap. 01 – O Traidor
1415,
Grande cidadela de Duzlün, centro de todo o comércio
do país.
Adentramos no grande salão de encontros da cidadela, lá já
estavam todos os Barões e Baronesas do país, minha mãe, a Imperatriz, não havia
me contado o que iria acontecer naquele encontro, mas devo comparecer a todos
os encontros entre Barões. Todos sentaram-se ao redor da gigantesca mesa da
sala, a sala entrou num silencio profundo, fitei minha mãe e ela parecia estar
preparada para se pronunciar.
- Primeiramente bom dia – ela sorriu sem muita vontade – Há duas
semanas atrás o chefe geral do comércio da cidadela veio até mim pedir, apelar
para falar a verdade, estão ocorrendo muitos casos de ataques dentro de nossa
cidadela, quero lhes lembrar que este ato é punível, dependendo do caso, com
banimento e no último caso, sua vida será tirada pelo carrasco.
- Quem não teria escrúpulos o suficiente para atacar humanos
dentro da cidadela Vossa Alteza?! – um dos Barões se exaltou – todos nó conhecemos
todas as leis deste País!
- Com todo o respeito a sua pessoa Barão Müller, acredito
que o Chefe geral não iria convocar uma reunião de emergência com a Imperatriz
por uma mentira, não acha?! – minha mãe o fitou furiosa por duvidar de suas
palavras – Não vim até aqui para lhes lembrar de todas as leis deste País, nem
nomear culpados por tais atrocidades, vim aqui para lhes mostrar o que faço com
quem não as cumpre neste Império – minha mãe levantou-se de seu trono e fitou
um de seus guardas pessoais – Tragam-no.
O guarda saiu da sala e após pouco tempo voltou com um homem
algemado que tinha seu rosto coberto por um pano, minha mãe aproximou-se do
homem e retirou o pano do rosto do mesmo, era meu primo.
- Sebastian! – sussurrei, não estava acreditando que ele era
o culpado de tudo.
- Nós todos somos membros da mesma família, da mesma
linhagem, e devemos acima de tudo respeitar as Leis! – minha mãe falou firme –
Mesmo sendo um parente tão querido assim – ela o fitou com pena, percebi um
olhar de pena por alguns segundos.
- Não precisa de tanto Vossa Alteza! – uma das Baronesas
levantou-se da cadeira assustada – É apenas uma criança, deixe que vá, tenha
piedade!
- Piedade?! – minha mãe a fitou com ódio – Você clama por
piedade a um traidor?! – minha mãe segurou o rosto de Sebastian com muita força
e o jogou em cima da grande mesa – Este traidor matou 25 pessoas em menos de 3
dias! TRÊS DIAS! Nos alimentamos do que corre em suas veias, mas acha certo
tirar a vida de 25 pessoas por diversão Baronesa Shcield?! – o grande salão
ficou em silencio – Responda, sua Imperatriz lhe fez uma pergunta!
- N-Não Vossa Alteza – a mulher tremia de medo.
- Não ouse indagar uma decisão minha, não ouse questionar
uma Lei! Você não passa de uma mulher rica que vive as custas de seu marido! –
minha mãe tirou Sebastian de cima da mesa e o pôs de pé novamente – Tenham se
quer a mínima noção de como as mães de todas as pequenas crianças que foram
mortas estão neste momento! Eu as vi, senti seu sofrimento, e não é porque não
possuo este fervor humano que este serem possuem que não posso me pôr em seus lugares,
acima disto, existe uma LEI! – minha mãe olhou nos olhos de Sebastian – Diga-me
jovem, por quê fizeste isso?
- Vossa Alteza..
- Não manche meu nome, não sou mais sua Imperatriz traidor –
ela o interrompeu.
- Peço perdão, não lembro-me de absolutamente nada! Não as
matei, juro! – Sebastian chorava.
- Quem foi então? Eu?! – minha mãe se enfureceu – Não minta
para mim criança – ela bateu no rosto do mesmo.
- Juro!! Não fiz absolutamente nada! – pela ligação que eu
tinha com Sebastian, sentia uma certa pena dele – Ia simplesmente descansar ao
amanhecer, acordava em meus aposentos ao anoitecer e nada de estranho havia
acontecido, eu juro!
- Sebastian, suas criadas o viam saindo toda manhã, elas não
sabiam para onde, mas você voltava muito tempo depois, humanos o viram andando
cedo pela Cidadela! Como pode mentir?! – acredito que o que minha mãe mais
tinham ódio, é de mentiras.
- Eu não lembro!! – ele gritou – Não me mate, por favor!
- Sebastian, poderia tornar tudo mais simples para mim –
minha mãe soltou Sebastian, percebi sua felicidade em seu rosto – Mas não
torna! – ela ergueu uma das mãos e arrancou sua cabeça do corpo – Isto é o que
acontece quando alguém traí as Leis, quando alguém me trai, espero que sirva de
lição para todos nesta sala, tenham um ótimo dia – ela tornou a sentar-se no
trono ao meu lado e todos foram saindo do salão.
- Não acha que foi demais isso tudo Caron? – a fitei.
- Já ordenei que me chamasse de mãe Égon – ela me olhou com
ódio nos olhos – Temos que fazer o que é certo acima de tudo meu filho.
- Era o filho da sua irmã! – me exaltei – Por causa de um
grupo de humanos?!
- Como ousa! – ela gritou – Por quê achas que é melhor que
eles? Diga-me Égon..
- Somos imortais! – iria dizer tudo que eu pensava – O que
eles são?! Apenas nossa fonte de sobrevivência, que Império mais hipócrita este,
que obriga seus habitantes a retirarem boa parte de seu sangue todo mês para
sustentar seus Reis e Rainhas, ainda acha que sair e matar alguns irá fazer
falta?
- Império Hipócrita
você disse?! Não os cobro absolutamente mais nada, vivem em um luxo talvez
acima do nosso, de alguns de nós!
- Você cobra suas vidas! Sabe-se lá quantos deles já não
devem ter morrido por não poder dar seu sangue para nos alimentar e foram
obrigados a nos dar a última gota do que restava Caron?! Que diferença faz isso
tudo?!
- Égon não me provoque! Você sabe bem que temos normas,
vivemos em paz por causa de nossas leis, não diga que isto é errado! – minha mãe
estava ficando nervosa.
- PAZ?! – ri com ar de deboche, levantei-me da cadeira e fui
aproximando-me de uma serviçal humana que nos servia naquela noite.
- Afaste-se dela Égon! – minha mãe gritou.
- Diga-me, que diferença faz? – segurei-a pelo pescoço e
pude ver nitidamente suas veias pulsarem, seu sangue correndo suavemente,
aquilo parecia me hipnotizar, podia sentir o cheiro do sangue adentrando meus
pulmões, sua pele macia, tirei seus finos cabelos negros de seu pescoço, meus
lábios abriam-se involuntariamente, aquilo era irresistível.
- ÉGON! – minha mãe ergueu-se do trono, seu grito acordou-me
de tanta tentação – Largue-a! – soltei rapidamente a garota e ela se afastou um
pouco – Há uma diferença, há vida! Antes destas leis, em 40 anos não iriamos
mais sobreviver, pois não haveriam mais se quer humanos, o massacre iria ser
tanto, que não teríamos mais alimento algum, os humanos sabem, nascem sabendo o
porquê de sua existência! Seu bisavô lhes deu uma chance de vida, onde poderíamos
coexistir em PAZ! Olhe para o rosto dela – se quer conseguia olhar nos olhos de
minha mãe quanto mais olhar para a garota humana – OLHE É UMA ORDEM! – minha mãe
segurou meu rosto e o levantou para que eu olhasse para a humana, ela estava
pálida, tremia muito, chorava cada vez mais, o pavor em seus olhos era nítido –
Não faça mal a ela, você é mais evoluído que isso, sabe que ela não pode lhe
fazer mal algum Égon.. – os olhos dela eram esverdeados como uma esmeralda, não
percebi o quão era bonita, o quão estava assustada, logo minha mãe soltou-me –
Volte para o castelo, não irei agora, tenho que terminar de resolver alguns
assuntos na Cidadela.
- Certo. – não pude tirar os olhos da menina, não sei se
tinha sido seu sangue, ou algo a mais, poucas vezes havia saciado minha cede
daquela maneira, matando um humano, e era muito pequeno, nem se quer lembro do
que senti.
Minha vontade de beber seu sangue foi fora do normal, porém,
continuo achando que minha mãe está errada. Hipócrita.
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