Cap.01 - Um começo trágico
Todo mundo deseja algo, todo mundo tem uma vida boa, mesmo com o surgimento de problemas, mas todo mundo acaba superando todo tipo de barreira em sua vida, admito que tenho uma verta inveja das pessoas "livres", tanto de corpo, quanto de alma, pois eu nunca serei.Minha vida já se deu com um início trágico, minha mãe precisou de tanto esforço para ter-me, que acabei tirando sua vida, mas o pior não parou por aí, ninguém sabe o por quê que eu nasci com um "defeito", a maioria das pessoas que sabem do meu "defeito" o chamam de poder, já eu não considero isto como um dom.
Posso controlar qualquer ser vivo com meus olhos, e foi por este motivo que meu pai simplesmente me largou no primeiro orfanato que viu pela frente. No instante em que nasci chorei como toda criança, mas ao abrir os olhos, meus olhos não tinham uma cor normal, eram tão vermelhos quanto sangue, mas após alguns segundos voltaram para uma cor normal, logo em seguida, o pouco cabelo que eu tinha começou a mudar de cor, do preto para o branco.
Meu pai assustado, largou-me em cima da cama onde estava minha mãe, já morta, e pediu que me levassem embora da casa, pois ele não queria um mal maior para sua vida, além do mais, eu matei minha mãe.
Após cinco anos no orfanato, após muita solidão, após ver todas as outras crianças da minha idade serem adotadas, um casal pediu para que uma das voluntárias da casa lhes trouxessem a ultima criança que faltava ser adotada, rapidamente a mulher foi a minha procura, lembro-me que ela vinha em minha direção com um sorriso confuso, não parecia saber se ficava triste ou alegre, pois nenhum casal queria me adotar.
A mulher me apresentou para um casal bem jovem, percebi que aparentavam ter bastante dinheiro, pois na porta do orfanato haviam vários seguranças, o homem pareceu um pouco confuso ao fitar meus longos cabelos brancos e perguntou para a voluntária porque meu cabelo era daquela cor.
Mesmo antes da voluntária responder, a mulher rica retrucou e disse, "Do que importa a cor do cabelo dela amor?! Veja a cara de solidão desta criança", no mesmo segundo o homem olhou profundamente em meus olhos, como sempre não resisti e o fitei, meu corpo pulsou, e percebi que meu corpo estava sendo controlado pelo meu "defeito" e virei o rosto rapidamente para que não estragasse tudo.
Alguns minutos depois de espera a voluntária veio com a noticia de que eu seria adotada, com muita alegria fui arrumar minhas poucas coisas para ir embora.
Ao entrar no carro junto com o casal a mulher foi logo me fazendo milhares perguntas, com muita timidez tentei responder o mais educadamente possível, mas uma pergunta não passou sem que eu não sentisse uma dor no peito.
- "Por quê você estava lá?" - a mulher estava sentada ao meu lado, acariciava meus longos cabelos brancos, mesmo querendo responder, senti medo que ao contar a verdade ela me devolvesse no mesmo segundo - "Conte-me a verdade, sou sua mãe agora, não irei lhe devolver ou coisa parecida" - Ao ouvir aquilo meu coração pulsou rápido e mesmo sem querer um sorriso escapou de meus lábios - "Não precisa me dizer agora certo?! Temos bastante tempo juntas, aliás, como se chama?" - Continuei sem responder - "Você... não tem um nome?!" - ela pareceu espantada - "Ótimo, lhe darei um nome, e o mais lindo, Kumiko, era o nome da minha falecida avó, o que acha?" - Sorri - "Fico feliz que tenha gostado, me chamo Kyo Tsutsukakuchi, este é meu marido, Derek, como você pode perceber, ele não é japonês como nós, ele é filho de um importante soberano na Alemanha, e é pra lá que estamos indo".
Tentei observar o que Derek fazia, estava sentado ao lado de Kyo, apenas observando a paisagem no lado de fora do carro, mas procurei não o encarar tanto, ele não parecia me aceitar ainda.
Após uma longa viagem havíamos finalmente chegado em um dos gigantescos castelos onde eles dois moravam, me instalei em um quarto, mas foi incrivelmente difícil me acostumar com todas os empregados dentro do castelo, para tudo o que eu precisava havia um ao meu lado para me atender.
Aos poucos fui me acostumando com tudo aquilo, minha nova casa, a fazenda ao lado do castelo, a minha "liberdade", ou a que eu achava que tinha. Não fazia ideia de como era bom ter uma família, e até o Derek começou a gostar mais de mim.
E também com o passar do tempo fui explicando mais a minha situação para Kyo, era bem complicado contar a ela sobre o que eu tinha de anormal, mas ela parecia estar aceitando qualquer tipo de conversa, afinal ela já parecia saber de algo, saber que eu não era como todas as outras crianças.
Em um dia, antes de ir dormir, ela apareceu no meu quarto para me dar boa noite, foi ai que eu resolvi lhe contar o que realmente eu tinha de diferente.
- Kyo, já se passou tanto tempo desde que estou aqui, então acho que lhe devo alguma explicação sobre meu passado, sobre...
- Deixe isso pra lá, o que importa é o agora Miko-chan - Kyo falou antes que eu pudesse me explicar e sorriu.
- Eu quero lhe contar - a fitei fixamente, tive um pouco de medo que emu subconsciente pudesse prevalecer sob minha mente e controlasse Kyo ali mesmo, mas ela rapidamente respirou fundo e sentou ao meu lado na cama.
- Você tem todo o tempo do mundo Miko-chan.
- Sei de todas essas coisas que vou lhe contar porque uma das mulheres que cuidava de mim no orfanato estava junto de meus pais verdadeiros no dia do meu nascimento - Respirei fundo - Quando eu nasci, minha mãe morreu..
- Morreu?! De que? - Kyo pareceu assustada.
- Não sei dizer mas parece que ela já tinha algum tipo de problema de saúde, e meu nascimento exigiu muito dela..
- De maneira alguma quero que se culpe! - Kyo pareceu ler minha mente - Não foi culpa sua!
- Mas o pior não é isso... - baixei meu rosto - Quando meu pai me tirou do ventre de minha mãe, chorei e meus olhos se abriram, o que não é normal um recém nascido abrir os olhos, mas meus olhos...
- Continue! - ela parecia curiosa.
- Não eram normais...
- Como... assim?
- Meus olhos eram tão vermelhos quanto sangue, pareciam quase sangrar - quase sussurrei - E no mesmo instante o pouco cabelo negro que eu tinha mudou de cor.
- Mas... por quê?
- Ninguém sabe, só sei que meu pai pediu para que alguém me levasse embora da casa dele, pois não queria nenhum mal com ele, então a mulher me levou para o orfanato e...
- Como ele pôde... - Kyo estava indignada com aquilo.
- Alguns voluntários do orfanato nem se quer chegavam perto de mim depois do que aconteceu..
- O que aconteceu Kumiko?
- Como meus cabelos são brancos e estranhos, as crianças não costumavam querer brincar comigo, eu sempre ficava sentada, longe, olhando todos se divertirem, mas um dia, uma menina teve a coragem de me chamar pra brincar, quando ela se aproximou para tentar falar comigo, olhei fixamente em seus olhos e perdi o controle total do meu corpo, não lembro muito bem o que aconteceu, mas sei que uma coisa não sai de minha cabeça..
- O quê?
- As pupilas desaparecendo de dentro do olho da menina, na verdade ela parecia um zumbi, e uma palavra saindo de minha boca, que até hoje não sei como isso aconteceu... - uma lágrima escorreu no meu rosto.
- Kumiko?!
- "Morra"..
- C-Como assim?! O que houve?! - Kyo se exaltou.
- A menina... deu uns passos pro lado, subiu em um brinquedo bastante alto que tinha no parquinho e se jogou de cabeça, era... tanto sangue... - chorei mais - Eu... eu... não sei...
- Calma - Kyo me abraçou - Se acalme.
- Não sei porque aquilo aconteceu! - deixei o choro sair, depois de tanto tempo.
- Não foi culpa sua, tenho certeza Kumiko, pode confiar em mim, eu vou lhe ajudar - Kyo foi a primeira pessoa em que eu pude confiar, foi a unica pessoa em que eu realmente senti vontade de confiar.
Durante anos, fiz vários treinamentos para a mente, para tentar encontrar alguma maneira de controlar o que estava dentro de mim, o que me fazia querer controlar as pessoas para o mal, mas o maior de todos os meus treinamentos estava por vir, quando completei 17 anos Kyo disse que eu teria que voltar para o japão, pois eles iriam se mudar daquele castelo, eu teria de viver só, por minha conta e risco, sem ninguém para me ajudar.
Não vou mentir que no inicio senti medo, mas vi que aquilo seria para o meu bem, eu não poderia ficar ali, dentro de um castelo, trancafiada para sempre, sem viver minha vida, como todo ser humano tem que viver, e concordei com minha ida ao japão.
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