Cap.19 - A Ultima Chama na Escuridão
Estava tão triste, tão desesperada, que não sabia mais o que fazer, já tinha estragado tudo contando a verdade pra ele, então não podia voltar atrás com aquilo tudo e falar pra ele que eu estava mentindo.
Estava caminhando totalmente sem rumo, no momento em que eu tinha dito que ia atrás de alguém que quisesse meu amor, eu realmente ia procurar o Kiev, mas pensando bem, eu não queria ele no meu pé, ele já encheu muito minha cabeça de informações que eu não acho que são verdade.
Depois de alguns minutos parei na frente do trilho do trem, olhei para os lados e só vi algumas casas bem pequenas por perto, percebi que já estava bem longe da cidade, mas aquilo não me dei medo, nem sentimento algum, eu já estava triste de mais.
Suspirei e meu corpo começou a ficar mais pesado do que o normal, até que caí de joelhos a centímetros do trilho, fiquei ali... parada, com absolutamente nada na cabeça, só dor no coração.
Fui fechando meus olhos bem devagar e pude ouvir um barulho muito alto, algum tipo de busina, mas meu corpo não queria se mover dali e de repente senti algo me puxar pra longe.
- Tá louca menina?! - era uma voz feminina, tentei olhar pro lado mas não consegui e rapidamente paramos de correr e ela me colocou no chão, olhei para os lados e vi que estávamos em cima de um dos prédios mais altos da cidade - O que tu tem na cabeça?!
- Quê?! - falei baixinho ainda sem entender o que havia acontecido, olhei pra frente e vi uma menina quase idêntica ao Daisuke - Quem é você? - ela tinha longos cabelos brancos, orelhas iguais ao de Daisuke e uma cauda bem grande.
- Acho que da pra notar quem eu sou só olhando, não da não?! - ela suspirou - irmã do Daisuke Yoko...
- Hoshi!
- Isso - ela parecia preocupada.
- Porque me tirou de lá? - falei meio furiosa.
- Porque se não aquele negocio ia passar em cima de você?!
- O trem.. não devia ter tirado - sussurrei.
- Tá doida? - ela se aproximou de mim e puxou meu rosto para olhar pra ela - Você ouve um "Não" do meu irmão e já vai querendo se matar menina? Como acha que ele ficaria?
- Ele não ia se importa, ele não me ama...
- Não se importa?! - ela se indignou mais ainda - Olha aqui, acho sinceramente que ele não aguentaria perder uma segunda Divindade, e eu estou sendo muito sincera mesmo, principalmente... você..
- Eu?! Porque? - fiquei curiosa.
- Não quero que ouça a história dele pela minha boca Yoko... - ela me soltou e se afastou.
- Mas não quero ver ele, nunca mais! - algumas lágrimas saíram do meu olho.
- Por quê?
- Porque?! Porque ele disse que eu não amava ele, e disse que era tudo da minha cabeça e...
- E..? - ela cruzou os braços esperando que eu continuasse.
- E que ele disse que não me amava!
- Ele disse isso pra você?!
- Disse!! - abracei minhas pernas e fiquei no cantinho.
- Ele disse que não podia amar uma humana, e não que não amava você Yoko - quando ela disse aquilo, uma pequena chama de esperança se ascendeu no meu coração, mas a escuridão que ali estava, queria muito destruir aquela pequenina chama - Você deixou ele sozinho lá, triste..
- E como acha que eu estou?! - a fitei com raiva.
- Você nunca quer ouvir o que ele tem a dizer... Já parou pra pensar que você tá sendo muito egoísta?
- Olha, eu não quero mais falar sobre isso, sério - me levantei e fui indo na direção da saída de emergência do telhado do prédio.
- E você vai pra onde?
- Pra casa.. quem sabe - desci do prédio e peguei um táxi para ir pra casa.
Quando cheguei, paguei o táxi e fui abrir a porta de casa.
- YOKO!! - ouvi minha mãe gritando da cozinha, parecia bastante feliz, entrei em casa ela estava com um sorriso de orelha á orelha, mas quando viu minha cara e que eu estava só fechou a expressão - Filha o que houve? Cade o Daisuke?
- Ele foi embora.. - fechei a porta e fui subindo.
- Yoko eu estou falando com você, não me dê as costas assim! - minha mãe ia fazer de tudo pra saber o que tinha acontecido.
- Mãe - a fitei - eu disse pra ele que amava ele, mas ele não me ama - quando disse aquilo ela abriu a boca numa surpresa imensa e eu fui subindo as escadas, abri a porta do meu quarto e me joguei na cama.
Fiquei olhando pro teto, querendo que realmente o mundo acabasse ali.
Acabei pegando no sono.
Fui sentindo muito frio, e me movi de um lado para o outro na cama, mas caí dela e dei de cara com algo que parecia muito neve, quando abri os olhos tomei um susto, estava no meio do nada, só havia neve para todos os lados, me levantei do chão.
- MÃÃE!!!! - gritei bem alto.
- Não adianta gritar Divindadezinha - ouvi uma voz de um homem, a voz me deu medo, olhei para os lados mas não vi ninguém.
- QUEM ESTÁ AÍ?! - gritei novamente - APAREÇA!
- Aqui - ouvi a voz do meu lado e meu corpo tremeu, consegui sentir sua respiração em meu pescoço, ele passou a mão no meu cabelo e cheirou profundamente os fios - que cheiro magnifico humana.. - ele andou até ficar na minha frente, o homem tinha um longo cabelo azulado, olhos avermelhados e caninos bem grandes, ele sorriu - Deve estar se perguntando quem sou eu, sou Kenshin Yoshida, um lobo do sul, e trouxe você para meu lar.
- Pra que? - tive medo de perguntar aquilo.
- Primeiro você será minha esposa, e depois irei devorar você junto com seus poderes - ele riu - e nem pense em tentar chamar aquela raposa ignorante, porque ele nunca vai nos achar aqui garotinha, venha - ele me pegou nos braços e foi andando bem calmo na neve.
Não sei porque, mas eu aceitei aquilo, não é como se eu quisesse morrer mas, eu já não via mais sentido nenhum nas coisas, depois que descobri que ele não me amava, não via mais sentido.
Enquanto meu corpo era esquentado pelo o de Kenshin, eu tentava imaginar que fosse o Daisuke ali, me carregando, me dizendo que me queria como noiva, algumas lágrimas escorreram dos meus olhos.
O frio tentava apagar mais e mais aquela pega chama de esperança que Hoshii implantou no meu coração.
- Por que você não disse nada quando eu lhe falei o que ia fazer com você menina? - Kenshin ficou olhando para frente.
- Não lhe interessa..
- Lhe fiz uma pergunta, você deve responder! - fiquei calada - Ele lhe abandonou não foi? - quando ele disse aquilo meu coração pulsou forte - Ele não pode amar humanos mesmo, então uma hora ou outro isso ia acontecer mesmo, Kiev foi burro o suficiente de não aproveitar e capturar você pra ele, então eu pego - ele sorriu.
- Kiev..? - falei baixinho.
- Sim, parece que ele viu mesmo que você amava aquela raposa imbecil, e teve pena de tirar você dele, mas eu não tenho, e ainda esperei a chance certa de fazer isso!
- Por que ele não pode amar humanos? - queria muito saber aquilo.
- Porque... - Kenshin parou de andar, olhou para o céu como se tivesse escutado algo e pareceu aflito.
De repente algo caiu com uma velocidade gigantesca na nossa frente e causou uma explosão enorme, Kenshin pulou para trás comigo nos braços.
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