quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Konna Koto Hajimetette [C.14]


                      Cap.14 - Lágrimas de um Amor
O dia logo amanheceu e eu fui me arrumar para ir pro colégio como toda manhã, desci para tomar café da manhã e Daisuke já estava lá arrumado, mas estava indo sem mim.
- Bom dia Yoko - ele sorriu e passou a mão levemente no meu rosto.
- Bom dia Daisuke - sorri e fui para a cozinha.
- Senti um clima estranho entre vocês... o que está acontecendo filha? - como eu havia dito, ela percebe tudo.
- Nada ué - dei uma mordida na minha torrada.
- Nada?! Yoko nem começa.. diz logo - ele sempre sabia, mas não sabia quando eu estava mentindo, incrível isso.
- Mãe.. - a olhei bem séria - desculpa, mas isso é um assunto meu, não quero falar sobre isso, pelo menos agora não, certo?!
- Claro filha, quando estiver se sentindo bem pra falar sobre isso, sempre vou estar aqui agora - ela se aproximou e me abraçou - melhora essa cara, tá?! - beijou minha testa e subiu.
- Tentar né... - sussurrei.
Terminei de comer e fui pro colégio, quando cheguei fui logo me sentando na minha cadeira e Emi veio correndo falar comigo, como sempre.
- Que cara é essa Yoko?! - até ela percebeu?! Meu Deus.
- Tá tão visível assim é?! - ri meio sem jeito.
- Claro que tá! Parece que... - ela arregalou os olhos - quem te chutou?!
- Quem o que menina??? 
- Quem te deu um fora? - não acreditei quando ela disse aquilo, fechei a cara - eu sabiiiia!!! - ela riu.
Graças a minha maravilhosa professora eu fui salva bem na hora que ela ia começar o interrogatório, ela entrou na sala e mandou todo mundo se sentar.
- Quero saber de tudo depois! - Emi saiu feito uma fofoqueira louca e sentou na cadeira dela.
- Agora deu... - suspirei.
Não tinha percebido mas Daisuke não parava de me encarar, olhei pra ele pelo canto do olho e ele não parava mesmo.
Sem muita demora tocou pro intervalo e eu fui comprar meu suquinho, mas quando eu estava saindo da sala Daisuke me segurou.
- Porque está assim comigo? - ele falou aquilo na frente de todo mundo, foi a coisa mais constrangedora do mundo, Emi percebeu logo o que estava acontecendo - o que eu fiz? - estava todo mundo olhando pra nós.
- Vamos andar um pouco gente - Kiev nos puxou pra longe.
Salva, dois.
Fui comprar meu suco sozinha, e como todo dia subi para o telhado.
- Yoko quero conversar com você.. - Daisuke me seguiu e apareceu no telhado.
- O que quer falar? - fiquei tomando o suco olhando para o horizonte.
- Quero lhe explicar o que eu fui fazer ontem..
- Explique.. estou ouvindo - falei baixo.
- A muito tempo...
- Se for a história sobre a Tomoko eu já sei - ele arregalou os olhos e ficou apavorado.
- COMO?
- Kiev me explicou tudo ontem - o fitei por uns instantes - você não devia abandonar suas Divindades assim, acha que Kiev iria cuidar de mim?! - ele ficou sem reação - E se alguém chegasse pra me matar? O que você ia fazer?! NADA! Porque você não estava lá comigo - não sei porque, mas estava me sentido mais descarregada falando aquelas coisas - E se em vez do Kiev fosse outro demônio querendo me comer inteira, acha que eu ia enfiar uma faca na cara dele e me proteger?! 
- Yoko...
- Depois de ter me abraçado e ter dito todas aquelas coisas pra mim.. O que quer que eu pense?! - amassei a caixinha do suco e joguei no chão - Uma hora dessas eu poderia estar.. - de repente ele se moveu rápido e me abraçou forte, meu mundo parou naquele momento - me solte!
- Yoko.. não..
- ME SOLTE! - gritei e ele me soltou - não vou cair nessa de novo! - pisei na caixinha de suco e fui indo embora - Vai saber se não ter procurado fazer o contrato com o Kiev não ia ser uma má ideia... - sussurrei mesmo sabendo que ele podia ouvir.
Voltei pra sala, e estava vazia, ainda estava no meio do intervalo, peguei minha bolsa e fui embora sem avisar pra ninguém, estava com muita raiva.
- Imagino porque está com raivinha humana - no meio do caminho uma mulher de longos cabelos castanhos me parou - Não fique com ciumes - ela riu.
- Quem é você?! - eu estava com tanta raiva que eu podia matar alguém ali mesmo.
- Tomoko - quando ela disse o nome entrei em fúria, ela ainda estava com um sorriso ridículo no rosto, me deboxando - ele é meu e nunca vai deixar de ser.
- Não brinque comigo - continuei andando e ele foi caminhando atrás de mim.
- Você que nunca se apaixonou, nunca gostou verdadeiramente de alguém, encontra uma garoto lindo, perfeito, como você sempre sonhou, e está 24 horas por dia com você, obrigatóriamente tem que aturar você, mas sempre foi cuidadoso com você e morre de raiva quando qualquer outra pessoa toca em você - enquanto ela ia falando eu ia andando mais devagar, meu coração doía muito - cuida de você como nenhum outro cuidou, e de repente se vê apaixonada por ele e acha com todas as forças do mundo que ele também está gostando de você, por todos esses outros motivos, afinal, ele é seu servo não é?! - Tomoko parou na minha frente, algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto - acha mesmo?! - ela riu alto - não me faça rir criança - soltei minha bolsa no chão - Yoko-chan.. - ela colocou o rosto do lado do meu ouvido - ele... me .. ama! - quando ela disse aquilo eu chorei mais e ela riu mais alto ainda - pobre menina, fique aí, caia nas sombras, ela irá lhe abraçar como nunca ninguém a abraçou e não irá mentir pra você, não irá abandonar você - ela passou a mão no meu rosto - diferente dele. 
Eu não conseguia dizer nada, me mover, eu estava completamente mal.
- Tomoko! CHEGA! - ouvi uma voz mas não pude ver de quem era, aliás eu nem se quer me importava de quem era fechei os olhos e não me lembro mais de nada.
- YOKO! ACORDE! - aquela voz me era familiar, fui abrindo os olhos - YOKOOO! Kazuo, ela tá acordando! - Kiichi estava me olhando de uma cadeira com seu sorriso que me confortava muito - Bom dia Yoko! - ela sorriu, Kazuo estava do seu lado, como sempre, com a cara fechada.
- Aonde eu to? - fui me levantando da cama, estava em uma casa de madeira muito chique.
- Está na nossa casa ué - ela me entregou um copo com água.
- O que ela disse pra você?! - Kazuo finalmente se dirigiu a mim.
- Quem?! - não estava entendendo sobre o que ele estava falando.
- Tomoko! - de repente lembrei de tudo que tinha acontecido, e aquele sentimento ruim voltou pro meu corpo.
- Ah sim...
- Então?! 
- Kazuo calma.. - Kiichi o fitou.
- Ela... - não conseguia nem falar o que ela tinha dito pra mim.
- Não importa.. pelo menos agora não - ele foi indo embora do quarto - vou avisar ao Daisuke que você está aqui.
- NÃO! - gritei no mesmo segundo e ele me olhou assustado - Por favor.. - fitei o nada - não... - Kiichi o fitou e ele saiu do quarto.
- Sabe - Kiichi sentou do meu lado na cama e colocou minha cabeça sob suas pernas - quando conheci o Kazuo - ela sorriu - ele me odiava, eu sempre ficava mal quando eu ia atrás dele e nunca conseguia nada, só me machucava mais e mais..
- E então porque..
- Porque eu sempre ia atrás dele?! - ela me interrompeu e sorriu - porque eu sempre amei ele e nunca vou deixar de amar ele Yo-chan - ela estava deslumbrada ao lembrar de tudo aquilo - posso lhe dizer que lutei pelo meu amor... a como lutei! - ela riu - Você não tem ideia de quantos "Nãos" eu recebi dele, de quantas vezes ele me mandou ir embora, de quantas vezes - ela ficou mais séria - ele preferiu a outra.. preferiu amar o passado do que eu..
- Nossa - aquilo sim parecia pior do que o que eu estava passando.
- Mas nunca se deixe abater com besteiras assim Yoko! - ela ficou animada novamente - Porque o amor... O amor é algo maior do que todos! Divindades, demônios, Deuses, humanos.. do que tuuuudo! - ela riu baixinho - nunca deixe de acreditar no seu amor por quem quer que você esteja amando agora, nunca Yoko.
Aquelas palavras me animaram, de uma certas forma sim.
- Quando ele disser "Não", lhe responda com um "Não?! Amanhã veremos o que tem a dizer!", nunca desista do seu amor!
- Kiichi, venha aqui! - Kazuo a chamou lá da sala.
- Falando nele - ela sorriu e saiu da cama - fiquei firme, um dia.. - ela me olhou nos olhos e meio que pude deduzir o que ela ia dizer, e ela foi embora.
- Será mesmo?! - suspirei.

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