quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Konna Koto Hajimetette [C.13]

          Cap.13 - Pedacinhos de um Coração Divino
Os dias foram passando, e eu estava cada vez mais acostumada com a ideia de Daisuke ser meu servo, estava cada vez mais apegada a ele, estava mais ligada a ele de uma maneira que nem eu sabia explicar.. Até que um dia cheguei em casa e ele não estava, e muito menos apareceu no colégio.
- Mãe cadê o Daisuke?! - fui até o quarto da minha mãe, onde ela estava sentada na cama pintando as unhas.
- Não sei filha, hoje eu saí bem mais cedo porque tive que ir no centro comprar umas coisas, quando eu saí vocês dois ainda estavam dormindo ué - ela percebeu que eu estava preocupada - mas o que houve?
- Ele não apareceu de manhã, não foi pro colégio, e .. até agora não apareceu também - fiz uma cara de triste.
- Ele deve ter ido resolver alguma coisa filha, melhor esperar né - ela sorriu.
Fechei a porta e fui indo para o meu quarto, joguei minhas coisas em cima da cama e troquei de roupa.
- Aonde será que ele está - fui ligar o computador.
- Você não sabe nada mesmo sobre o passado do Daisuke não é?! - ouvi uma voz do outro lado do quarto e gritei de susto - calma sou eu!
- Tá doido!? entra assim no meu quarto do nada! - era o Kiev, suspirei e me deitei na cama.
- Você não fica curiosa?!
- Pra saber o que? - falei meio estressada.
- sobre o passado dele ué - lembrei de quando conheci Kazuo e eles comentaram algo sobre a antiga Divindade de Daisuke - está sim - Kiev riu baixinho.
- Não quero saber nada - virei de lado.
- Eu o conheço a bastante tempo, não tanta quanto Kazuo, mas a bastante tempo, não está curiosa pra saber onde ele está?! - dei um pulo da cama de curiosidade quando ele disse aquilo.
- Você sabe?! - disse sem pensar duas vezes.
- Claro que sei - ele sorriu maliciosamente - você não quer saber?
- QUERO! - fiquei prestando bem atenção no que ele ia falar.
- Ela está com a unica mulher que possuí seu coração - quando ele disse aquilo, por uns instantes senti meu coração partido, e comecei a senti um embrulho no estômago - Tomoko, é o nome dela.
- To..moko?! - sussurrei, aquilo estava me preocupando, mesmo sem saber o porque.
- Sim - Kiev se sentou do meu lado - não quer que eu lhe explique o que aconteceu?! - não falei nada, eu estava em pedaços - Acredito que quer sim - ele respirou fundo - ela é um demônio gato assim como eu, uma parente melhor dizendo, ela era uma humana antes de tudo.
- Antes?! Como um humano pode ser tornar um demônio? - fiquei confusa.
- Ela tinha uma servo também - naquele instante tudo tinha se ligado - E não, ela não era a antiga Divindade dele, sua antiga Divindade era a mulher mais graciosa e mais respeitada de todo o Japão, o que ele sentia por ela era uma admiração sem precedentes  não se engane.. Mas um certo dia ele estava no templo da sua Divindade e essa menina chegou, Tomoko, para fazer um pedido à Divindade do templo, mas como ela não estava lá, ela conversou com Daisuke, e então eles se gostaram assim que se viram - enquanto ele ia contando aquela história, eu ia ficando mais triste ainda - sempre se viam quando podiam e essas coisas todas, mas todos os demônios sabem que é terminantemente proibido existir qualquer relacionamento entre demônios e humanos, então Daisuke a explicou isso e ela ficou muito triste..
- E então?
- Ela deu a ultima e mais difícil ordem para seu servo, a transformar em demônio.
- Mas.. como?!
- Bom até hoje ninguém nunca descobriu que mágica ele usou, mas a transformou sim, e ele morreu, então os dois finalmente conseguiram ficar juntos, mas não esperavam que a Divindade de Daisuke fosse proibir o amor dos dois.
- Mesmo?! Porque? 
- Yoko, humanos sentem ciumes, humanos traem, humanos mentem, humanos amam, humanos... são os seres mais perfeitos que eu conheço, nós demônios não podemos nos dar a esse luxo, são raros os sentimentos que sentimos de verdade.
- Sério?! - fiquei surpresa.
- Então.. Ela era humana, e proibiu tudo aquilo, Daisuke se enfureceu tanto com a atitude dela, que a deixou sozinha por dois dias, nem se quer avisou pra onde ia - tudo estava se encaixando - e disse que nunca mais iria voltar, e então foi quando um Deus se aproveitou da ingenuidade de Daisuke e matou a humana, e tomou seus poderes, até hoje Daisuke se arrepende do que fez.
- Mas e porque ele se arrepende de foi embora?! Se escolheu Tomoko!
- Deixa eu terminar - ele riu baixinho - Ele foi embora, mas Tomoko o traiu, não com outro demônio, mas ela era fiel àquele Deus que matou a humana Divina entende?! Ela armou tudo, apesar de amar mesmo Daisuke.
- E porque... Deixa...
- Porque o que? - ele me fitou e virei o rosto - sabe que sou seu amigo, diga-me, o que lhe aflige?
- Porque ele foi atrás dela de novo...
- Como eu havia dito, nossos sentimentos são diferentes dos de um Humano Yoko, e quando sentimos um... não é uma coisa que conseguimos esquecer, seja ódio.. amor.. felicidade.. ciumes.. inveja.. qualquer coisa, não é uma coisa que sentimos ali e daqui a dois segundos passa e pode se transformar em uma coisa ótima ou ruim entende.
- Então tá dizendo que ele ainda ama ela?!
- Isso não sou eu quem deve lhe dizer - ele beijou minha testa e sorriu, segurou meu rosto com uma das mãos e olhou fixamente em meus olhos - não se sinta mal.. fique bem - ele foi desaparecendo, e desapareceu.
Caí na cama com tudo, sem ao menos vontade de existir.
- Porque isso está acontecendo comigo?... Eu nunca me senti assim... - suspirei e fechei os olhos.
Acabei cochilando.
Quando acordei estava entardecendo, lavei o rosto e me troquei, não estava muito bem para ficar trancada dentro do meu quarto.
- Yoko, pra onde você vai?! - minha mãe me viu passando no corredor indo na direção da porta para sair.
- Vou andar mãe.. andar - ela percebia tudo, e viu como eu estava mal, acho que ela preferiu não se meter no que estava acontecendo e me deixou ir embora.
Eu estava me sentindo destruída.. Como se um elefante tivesse pisado no meu coração e deixado ele em pedaços.
Fui caminhando para uma praça que tinha la perto de casa e fiquei sentada em um banquinho de frente para um lago, com uma vista linda do pôr do sol.
Não podia estar gostando dele, isso não podia estar acontecendo.. Acho que só estava triste porque ele tinha me escondido essas coisas, e tive que saber de outra pessoa.
- Mas o que o passado dele tem haver com você Yoko... - sussurrei - Droga... - Passei a mão no rosto.
Fiquei ali naquele banco até um pouco tarde da noite, na verdade fazendo absolutamente nada, só pensando em tudo que Kiev tinha me contado, e o que eu estava sentindo, no que eu iria fazer se Daisuke realmente voltasse.
Quando olhei no relógio era 21:00 da noite, suspirei, e percebi que nem coragem para me levantar eu tinha mais.
- Porque está aqui sozinha? - aquela voz fez meu coração bater rápido - Quando cheguei em casa você não estava ent...
- Nem você quando eu cheguei.. - o interrompi e falei baixinho, nem levantei a cabeça, fiquei olhando pro chão, triste.
- Tive assuntos..
- Porque não me avisou? - o interrompi de novo.
- Porque está falando assim comigo?! - ele se aproximou.
- Não importa - me levantei do banco e fui indo embora.
- Yoko? - não sabia porque estava me sentindo tão mal daquele jeito, afinal, ele não tinha culpa, não sabia o que eu estava sentindo por ele ... e ... - Espera Yoko!
- Vá pra casa! - falei firme e ele parou de falar, coloquei as duas mãos no meu moletom e fui caminhando bem devagar.


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