domingo, 22 de abril de 2012

The Contract Life [C.04]

          Cap.04 – Antes da Batalha
Enquanto não chegava a hora da batalha, fui dar uma volta pelo reino, ou uma parte né, pra falar a verdade eu estava um pouco nervoso, não gosto muito de matar, isso é uma idéia que não me entra na cabeça muito bem.
Lembro-me da ultima vez que estive aqui, tinha oito anos, não me lembro de muita coisa, mas que mudou muita coisa aqui mudou sim, ampliaram tudo, as instalações reais estavam mais bonitas, este é o reino mais “novo” entre os outros três.
- Lindo não?! – ouvi a voz de uma mulher, tomei um susto e olhei na direção que sua voz vinha, era a mulher de Heyman, fiquei um pouco tenso, mas tentei não demonstrar – está nervoso?
- Eerr, não, não – gaguejei, pronto lascou.
- Deve ser um pouco estranho mesmo – ela riu, era linda sorrindo, tão delicada, não pude desviar os olhos dela – sei que não sou a pessoa certa pra fazer isso, nem você é a pessoa certa a ouvir isso, mas desculpe pelo jeito que Heyman falou, sabe como as coisas são não sei nem como consegui o convencer a vim Sieg.
- Entendo, mas deixe isso pra lá, se meu pai não ligou, então esqueça isso – sorri e comecei a caminhar, ela foi me acompanhando.
- Certo – ficamos andando, em silencio por alguns instantes, até que chegamos numa varanda que dava pra ver a cidade inteirinha – linda a vista daqui, não é? – olhei para ela, o vento fez os seus longos cabelos negros voarem.
- É sim – corei, tentei desviar a atenção e olhei para a vista.
- Gostaria que seu Pai e meu marido se falassem do jeito que estamos conversando aqui – ela fez uma cara de aflita – e minha filha também fosse um pouco mais receptiva, mas puxou ao pai nesse ponto.
- O que está fazendo aqui?! – Ouvi aquela voz, e meu coração bateu forte, parecia que já tinha escutado aquele tom em outra ocasião, virei subitamente para ver quem era, e me decepcionei ao ver quem era – Meu pai disse pra irmos para nossos aposentos, não disse?!
- Veja como fala comigo Niya – a mulher ficou firme.
- Mas...
- Sem “mas”... Só porque seu pai mandou você tentar “mandar” em mim, não me tira a autoridade de ser sua mãe, vou ficar aqui e ponto final, se quiser disse isso para ele... – ela suspirou – vá!
Niya não respondeu, suspirou e foi saindo.
- Gostaria que ela parasse de ser assim Sieg, fico triste – ela me fitou, vi a tristeza em seus olhos.
- Às vezes também faço umas idiotices dessas com meu pai, agora realmente vejo como isso é ruim, e magoa – aquilo pareceu a confortá-la.
- Você é um garoto muito bom, mulher de sorte será a que conquistar seu coração – aquilo me fez corar, e muito.
- Na verdade... – fitei o nada, tinha que desviar o olhar para que não me sentisse mais constrangido ainda.
- O que? – ela falou entusiasmada ao ouvir que já existia alguém em meu coração – Diga! – ela sorriu.
- Deixe pra lá – corei mais.
- Deixe de ser tímido Sieg, diga-me, não contarei a ninguém – a fitei, e logo Vitta surgiu – Vitta a quanto tempo – as duas se abraçaram.
- Do que estavam falando? – Vitta se juntou a nós.
- Sobre alguém que Sieg gosta – a mulher sorriu e me fitou novamente, Vitta riu baixinho.
- Na verdade, quando o conheci, tinha uma mulher cantando uma canção que se chama “Vitta”, ele é doido pra encontrar quem estava cantando, mas até hoje não descobriu – quando Vitta terminou de explicar, a mulher fitou o horizonte.
- Espero que encontre quem procura Sieg – me fitou novamente e passou a mão em meu rosto – você é um garoto muito bom.
Depois de passar a tarde conversando, voltei para o meu quarto, amanhã seria o dia da apresentação das elites e os guardiões, tinha que acordar bem cedo pra ir, coisa que seria bem complicada, odeio acordar cedo.
Era manhã, e acordei, vi que já estava um pouco atrasado e corri pra me vestir e sair. Quando fui saindo do quarto, vi que uma das serviçais já estava vindo me acordar, como sempre... Em cima da hora, corri para uma das salas do esquadrão do Capitão, e logo cheguei.
Boa parte das pessoas já estava lá, esperando todos chegarem para começar, e logo começou.
- Bom dia, obrigado por comparecerem tão cedo, e tão rapidamente – Morgof era o guardião de Kalindor, tinha que representar sua mãe, em relação as tropas e guardiões – Estamos aqui para que todos se conheçam, se apresentem, primeiro Kalindor!
- Kim Felix, presente senhor! – um homem veio a frente de todos, tinha a aparência da realeza, cabelo louro curto, e olhos azulados.
- Shay Riveras, presente senhor! – uma mulher de boa aparência, e muito bem vestida se apresentou, tinha longo cabelo castanho escuro e olhos claros, era bem alta.
- Matyr! – Morgof anunciou.
- Niya Louxvonster, guardiã, se apresentando! – Niya foi para frente – apresentem-se soldados!
- Mymeh Bywine, se apresentando senhora! – um garoto se apresentou, tinha cabelo curto rosado e olhos roxeados, percebi que a menina ao seu lado, era completamente idêntica a ele.
- Daenerys Bywine, se apresentando senhora! – como havia comentando, era sua irmã gêmea, com longos cabelos rosados, e olhos da mesma cor de seu irmão.
- West Kingdom! – Anunciou novamente Morgof.
- Lyoner Agner, guardião, se apresentando! – Lyoner se apresentou – apresentem-se soldados!
- Lilith MinHa, se apresentando senhor – a tal falada arqueira, tinha um cabelo louro cinza e olhos azuis, aparentava ser bem mais nova do que o normal, era bem pequena.
- South Isior! – Falou Morgof.
- Siegfried Strauss, guardião, e… meus soldados não estão aqui – sorri.
- Por quê? – Lyoner me fitou.
- Meu rei decidiu que só eu e boa parte do exercito, já bastaria, pois temos os melhores soldados reunidos aqui, então Lucca Schindel e Jimmy Santyous ficaram em South Isior – respondi prontamente.
- Bom, sabem o que iremos fazer, amanhã não iremos poupar a vida de ninguém, não vamos pra batalha para ganharmos escravos, vocês bem sabem disso – enquanto Morgof falava, ficava andando entre nós – vai ser complicado isso, não vou mentir, mas sei que vamos conseguir proteger o que temos de mais precioso.
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- Sven, há quanto tempo – Miyrian estava em seu escritório ajeitando algumas coisas quando meu pai entrou na sala, logo ela se levantou – fazia um bom tempo que não lhe via não é?!
- Verdade Mi – meu pai a abraçou com o maior respeito do mundo.
- Deve ser bem complicado cuidar de seu filho sozinho, ainda bem que você tem a Vitta para lhe ajudar.
- Se não fosse ela, não sei o que seria de mim Miyrian, sendo sincero.
- Agora mudando de assunto – Miyrian se sentou em um sofá – sente-se Sven – logo meu pai sentou-se em uma poltrona na frente de Miyrian – você sabe o verdadeiro motivo deles estarem vindo nos atacar?!
- Não, mas acho que tenho uma vaga idéia do por que...
- Pois é eu sei... – ela suspirou – Política sempre foi uma coisa bem complicada de se tratar, você como rei sabe tanto disso quanto eu, sempre há guerras por terras, esse tipo de coisa, mas o motivo deles, não é terra, não é povo, não são Guardiões...
- E qual é o motivo Mi?
- Vou lhe lembrar de uma antiga história, que tenho certeza que seu pai lhe contou, dentro de cada reino, existem pedras, que possuem poderes mais que especiais mais fortes até do que todos os quatro reis juntos, e só uma delas, e essas pedras em mãos erradas... Não seria uma boa coisa, você sabe disso Sven – Miyrian fitou o nada – eles querem as pedras, agora o motivo eu ainda não sei, isso é um assunto bem complicado, porque nós Reis, não sabemos onde essas pedras estão.
- Existem só quatro?
- Não, ao todo são nove cada uma representa um elemento.
- Dessa parte eu lembro, fazia tempo que não ouvia essa historia – meu pai sorriu.
- Então... Sei a pedra que protege Kalindor é a pedra das Trevas, West Kingdom é a do Fogo, Matyr é a do Vento e South Isior é a da Luz, fora dos reinos está Água, Eletricidade, Terra, Gravidade e Energia.
- E ninguém sabe onde elas estão?
- Infelizmente, não.
- Poderíamos, após essa guerra, mandar os Guardiões procurar cada uma delas, o que acha?
- Uma boa idéia a sua, também acho, só temos que apresentar isso para Lioner e Heyman – Miyrian pareceu um pouco aflita.
- Qual o problema Mi? – Sven sabia quando tinha algo errado com ela.
- Ahn?!
- Não seja boba, você não consegue esconder nada de mim, existe algum problema em seu reino que eu possa ajudar? – ela não respondeu – anda, diz.
- Certo... Não sei se você soube, mas teve uma rebelião na parte mais pobre da minha cidade, os trabalhadores querem mais salários essas coisas, e não sei o que fazer, somos um reino pequeno, sem muitas pessoas, sem muitos recursos e não posso desviar dinheiro de uma parte que também precisa muito, para outra parte, ou estou errada Sven?
- Não, não... Vou está certa, com todo respeito – Sven se levantou e sentou-se ao lado dela – você é nova nisso tudo Miyrian, e a única mulher, aliás, a primeira, depois que começaram a surgir outras em outros reinos, você só está reinando há 35 anos, quando surge esse tipo de problemas, não tema, fale comigo, do que precisa?!
- Dinheiro meu irmão...
- Você bem sabe que dentre todos os reinos, o meu é o maior, mais populoso e com mais recursos caros, de mais valor, dinheiro nunca me faltou, quantas vezes já ajudei Lioner?! Claro que vou lhe ajudar, mas me avise rápido, mandarei um conselheiro meu providenciar tudo, certo?
- Obrigada Sven, não sei o que faria sem você – ela sorriu e o abraçou.
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Depois de muita falação de Morgof, fomos dispensados, acho que fui o primeiro a sair dali, odeio sermões e me juntar com muita gente, tinha que me preparar para amanhã, seria um dia bem difícil.
Fui para uma parte da cidade que tinha um campo bem aberto e chamei Vitta, tinha que meditar a ressonância entre minha alma e ela.
- Chamou Sieg? – ela surgiu bem rápido.
- Preciso meditar, precisamos!
- Certo – ela sorriu e sentou-se na minha frente
Sentei-me perto dela e fechei os olhos, respirei fundo.
- Deixe meu poder o consumir – Vitta sussurrou – deixe-me entrar em você, respire mais devagar – fui fazendo o que ela dizia.
Era a sensação mais estranha que já sentira, sempre é na verdade, é como se alguém tomasse conta de seu corpo, e lhe desse um poder que vem de outro mundo, é muito incrível! Meu corpo começou a emitir Luz, e a brilhar cada vez mais.
- Está quase completa – podia até ouvir os pensamentos de Vitta, sentir sua respiração.
Quando se completou Vitta desapareceu, abri os olhos abruptamente e estava enxergando tudo mais “claro” do que o normal podia sentir o poder correndo em minhas veias.
“-Não exagere” – ouvi em minha mente.
- Eu sei – sussurrei.
Ergui as duas mãos no ar e duas katanas surgiram, as agarrei com força e as duas foram tomadas pela minha luz, elevei minha aura. Era como se meu corpo estivesse sugando toda a luz que estava ao redor de mim, fechei os olhos.
- “Dimittere [libere]: Encantus Vitta” – ao terminar o Encantus, a luz ao redor do meu corpo explodiu, e foi liberada pra longe sem causar dano a nada, abri os olhos.
- Lute comigo – ouvi uma voz e olhei pro lado, era Niya.
- Há quanto tempo está ai? – cravei as duas katanas no chão.
- Não abaixe sua guarda, disse pra lutar comigo – ela ficou séria, como sempre.
- Niya, não vou lutar com você...
- Estou aqui desde que começou o Encantus, mas porque não irá lutar comigo?
- Temos que nos poupar, você sabe disso.
- Está com medo, entendo.
- Não que não queira lutar com você, seria um prazer – me movi rápido e surgi atrás dela – lhe derrotar.
- Como se você fosse conseguir ao menos me acompanhar – Niya se virou pra mim e seu rosto ficou a centímetros do meu, ficamos nos encarando por alguns segundos – Não me leve a mal, você seria só... Um aquecimento – ela sorriu.
- Não me faça rir – ela estava conseguindo o que queria... Deixar-me com raiva, o dia estava escurecendo, e dando espaço para a noite – está tarde, melhor eu ir – selei o Encantus e fui indo embora, percebi uma aura negra crescendo nela.
Quando mal vi, ela já estava na minha frente, me pegou pelo pescoço e me jogou no chão, ficou em cima de mim, com uma das mãos em meu pescoço e a outra pronta pra arrancar um de meus membros.
- Tome cuidado Sieg, porque na batalha você pode acabar morrendo, e eu mesma irei dizer a seu pai o porquê... – ela deu um sorriso macabro – irei dizer que no lado deles tinha um homem mais forte do que você e o matou!
- Homem?! – ri.
- Quer ser mais ainda humilhado? Farei o que pede – ia me levantar mais ela me tacou no chão novamente – não vai se levantar até eu mandar!
Fiquei calado olhando nos olhos dela e tive uma idéia, não sabia se ia dar certo, mas tinha que tentar, ela foi apertando mais ainda meu pescoço e comecei a sentir um pouco de falta de ar, coloquei as mãos em suas coxas e ela corou, usava um vestido curto e bem colado no corpo, fui o subindo e ela me olhou sem entender, e corou mais ainda.
- Se não sair de cima de mim... – ela afrouxou a mão no meu pescoço e consegui erguer meu tronco, coloquei a boca ao lado de seu ouvido e sorri – farei o que não quer que eu faça Niya – a puxei pra mais perto do meu corpo, não sabia nem o que tava fazendo, mas tinha que ter mais um dia de vida, ou ela me matava ali mesmo.
Só não entendi porque ela não saiu logo correndo, e a fitei, fiquei a centímetros de seu rosto, ela estava rosada de mais, ofegante, e eu mais assustado ainda.
- Não vai sair?! Quer mesmo? – Acho que ela estava sem reação, não esperava isso de mim e não conseguia nem se mover – Niya?!
Naquela hora que falei seu nome, foi como se ela tivesse acordado e seu rosto voltou a cor normal, percebeu o que estava acontecendo, e viu que uma de minhas mãos já estava em sua cintura dentro do seu vestido e corou, ficou muuiitoo vermelha, e parei de me mover, ela se levantou se afastou e vi um pequeno foco de luz em seu pé.
- Agora sim, tenho um real motivo pra lhe matar – ela me acertou um chute tão forte na cara que fui parar a uns três quilômetros dali e desmaiei.

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