terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Himitsu [C.03]


                           Cap. 03 - A Mulher


No outro dia, o Monarca acordou bem cedo, tomou um banho bem quente e vestiu as melhores vestes que haviam em seu gigantesco guarda-roupa, foi descendo as enormes e longas escadas do castelo, e entrou no salão principal.
- Onde está minha convidada?! - ele abriu a porta com um enorme sorriso no rosto, quando o soldado mostrou sua cara de tristeza, aquilo deixou o Monarca sem reação - Onde está ela soldado?
- Encontramos ela morta senhor - o rosto do soldado era de uma tristeza sem fim, porque havia visto seu rosto de felicidade e para os soldados do Monarca, o que os deixava mais feliz era a felicidade de seu Senhor.
- Morta?! - aquilo havia sido um "shock" para o Senhor - como ... morta?
- Não sabemos ao certo senhor, entramos em sua pequena casa, e lá estavam o corpo de sua mãe decaptada e o corpo dela ... apenas com uma marca na testa - ele pegou uma folha que estava em cima da mesa central do salão e mostrou para o Senhor, ele correu para ver a folha mais de perto.
Era um símbolo estranho para o Monarca, totalmente sem sentido, ele não fazia a minima ideia do que poderia significar um simples triangulo.
- Um Triangulo? - ele virou a folha, olhou mais de perto, mas não viu nada de especial naquilo - tem certeza que era isso que havia lá?
- Sim senhor, tenho certeza! - ele permaneceu imóvel ao lado do seu Senhor - Perdão senhor, Perdão.
- Não fizeram nada de errado soldado, apenas acharam o trabalho de alguém cruel, como podem fazer tal maldade a uma pequena criança? - o Monarca se irritou - como os seres humanos são terríveis e ingratos, fazemos tudo que pedem, damos de tudo do bem e do melhor, e é isso que fazem ... - ele abaixou a cabeça, ficou mais triste ainda e foi saindo amargurado do salão.
- Senhor há algo que possamos fazer para ajuda-lo? - o soldado teve uma boa ideia, mas o Monarca não parou de andar, até que entendeu o recado de seu subordinado.
- Sim soldado, há sim - ele se virou e sorriu - vasculhem absolutamente tudo, e procurem quem fez isso a uma pobre criança!
- Sim Senhor - o soldado saiu de dentro do salão com um sorriso no rosto.
- Não irei puni-lo, mas se ele a matou é porque sabe de mais coisas, como é bom ter soldados inteligentes - ele riu alto e foi tomar café da manhã.
A Tarde caiu no dia da morta da garota, de tão triste que o Monarca ficou, resolveu ir dormir durante esse período de tempo que o afligia, deitou-se em sua cama e fechou os claros e delicados olhos.
Fechou sem medo de sonhar, como sempre fazia.
Não demorou muito para a imagem da menina se projetar em sua mente, ela corri em uma enorme plantação de trigo, com um céu muito azul, e o sol brilhava intensamente, sorridente e com vestes bem limpas e bonitas, seu longo cabelo roxo voava contra o vento.
" Ao longo caminho de trigo, o ser mais puro irá encontrar a bensão do Senhor, ao longo caminho que a luz do Sol forma, o segredo irá se revelar, e o mais forte padecerá sobre os pés de Deus. "
Ao ouvir isso, o Monarca acordou com um susto tão intenso que mal podia respirar, deixou a cama e correu para o salão principal, escreveu a frase e sentou-se na poltrona vermelha com ouro.
- O que houve Senhor? Está tudo bem? - Ryoji correu para ver o que acontecia com seu Senhor.
- Acabei de sonhar com ela Ryoji - ele não parava de ler o papel, apenas lia e relia infinitamente, sem saber o significado daquilo - leia em voz alta isso - ele esticou a mão e entregou o papel ao mordomo.
O mesmo leu, ao terminar não sabia o que havia de errado naquilo, ou se não tivesse, não sabia o que havia de certo ali.
- Trigo .. - sussurrou o Monarca - Sol ...
- O que Senhor? - Ryoji entrou o papel ao Monarca e permaneceu imóvel ao seu lado.
- O que isso tem ligação? O que isso quer dizer? - ele parecia estar ficando louco.
- Senhor? 
- Ah desculpe Ryoji, estava pensando, por favor me traga um xá - ele sorriu e o mordomo logo saiu do salão.
Aquilo não saia de sua mente, ele não sabia o que era. E era isso o que mais lhe deixava intrigado. O Não saber.
- Senhor!! - um de seus soldados foi adentrando ao salão com mais 4 soldados logo atraz carregando uma mulher, de longos cabelos prateados, e olhos tão azuis quando o mar - Achamos a mulher que matou a garota.
- EU NÃO MATEI NINGUEM! - gritou a mulher, logo um dos soldados a estapeou.
- Não faça isso soldado! - o Monarca se levantou da poltrona - não a machuque!
- Mas Senhor .. - o soldado apenas se calou e a soltou.
- Podem sair agora, vou fica bem - A mulher estava muito mal vestida, e muito suja - aproxime-se mulher.
- Hanabi! - ela o interrompeu e foi andando para o lado dele, percebeu que ela não parava de olhar para a comida que estava na mesa ao seu lado.
- Coma, sirva-se - ele mostrou a comida, ela sem exitar sentou-se na cadeira mais próxima ao peru e começou a devora-lo - porque matou a garota?
- Não matei! - ela era ignorante, e falava de boca cheia, mas o Monarca achou engraçado aquilo, e não prestou atenção aquilo.
- E onde ela está? - ele pegou uma uva e mordeu delicadamente, logo um de seus aneis de ouro maciço chamou atenção da mulher, ele riu.
- Não sei.
- E porque meus homens a truxeram até mim? Porque lhe acharam parecida com ela? - ele sorriu e mordeu outra.
- é que ... - a mulher suspirou e se acalmou, logo o Monarca riu - ela era minha filha.
- Sua filha? mas ... - ele ficou confuso.
- Aquela mulher, era uma bruxa - ela deixou a perna do peru na mesa e parou de comer - roubou a Mitsu de mim, fazem dois dias.
- E porque está tão calma mulher, sua filha sou sequestrada, e morta ontem, morta com um símbolo na testa - ele parou de comer uvas, e percebeu que aquilo havia deixado a mulher inquieta - sabe algo sobre isso?
- Po-Porque saberia? - ela voltou a comer feito um animal.
- Não tenha medo de mim mulher, não farei mal algum pra você, não faço mal nem a uma borboleta quanto mais a um ser tão belo quanto você - ele sorriu, seus olhos não conseguiam sair do belo rosto da mulher, logo ela corou, mas não parou de comer - só quero saber, o que é sua filha?
- Não sei.
- Quando nasceu já era daquele jeito?! - ele se aproximou mais, ficou interressado na resposta da mulher.
- Não sei.
- Como ela fez aquilo? - ele parecia sedento por conhecimento.
- Não sei. - ela sem querer mordeu um osso, e aquilo fez sua boca sangrar, o Monarca viu, se aproximou, pegou um pano limpo e começou a limpar o sangue, se aproximou mais do rosto da mulher e sorriu.
- Desculpe, não pude resistir, fiquei tão alienado em saber o que era ela, que esqueci o que está passando, onde mora mulher?
- Não tenho casa, a bruxa destruiu tudo.
- Passe a noite em meu castelo, descanse, tome um banho e durma, amanhã conversaremos melhor - ele terminou de limpar o sangue em sua boca e foi indo tomar banho.
A mulher permaneceu imóvel, rosada, com vergonha dele. E ao mesmo tempo sem acreditar que iria dormir no castelo do Monarca. Ryoji surgiu no canto da sala e a levou para os aposentos dela.

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