sexta-feira, 5 de julho de 2013

Eye, The Story of Fate [C.05]

    Cap.05 - Conselhos e mais conselhos

Acordei bem cedo para me arrumar, hoje seria um dia "novo" para mim, nunca tinha participado de um "Clube escolar", não sei o que iriamos fazer, e o pior era a parte dos conselhos, não conseguia ficar à vontade com isso de maneira alguma.
Tomei um rápido café da manhã e saí de casa, liguei o celular para ver se havia alguma chamada, e vi uma mensagem não lida. estava com um certo medo de abri-la e ver que era simplesmente a Ayame me vigiando.
Então resolvi deixar pra lá.
Após alguns minutos cheguei na sala de aula e sentei-me na minha cadeira de sempre, procurei Ayame ou o Kazuko por todos os lados mas não os achei dentro da sala.
Logo a professora havia chegado na sala para iniciar a aula, Matsumoto-sensei fez a chamada como todos os dias e como eu havia percebido os dois não estavam na sala, fiquei um pouco preocupada, não sabia o porque, mas fiquei.
- Alguém sabe o motivo da falta de um dos dois?! - Matsumoto-sensei esperou alguém responder, mas ninguém respondeu - Certo..
- Me pergunto se Ayame conseguiu fazer a inscrição do Clube.. - suspirei.
A aula estava quase chegando no fim quando Matsumoto-sensei nos liberou mais cedo, sem mesmo dizer o por quê, arrumei minhas coisas e fui saindo da sala.
- Kumiko-chan! - ouvi alguém me chamando, olhei para os lados e vi Hokuto no fim do corredor - Ayame está procurando você, estávamos na sala do clube.
- Por quê vocês não assistiram aula? - aproximei-me dele.
- Por quê nós tínhamos que escrever um tipo de "resumo" para a diretoria, sobre o assunto do nosso clube, por quê uma das professoras não entendeu muito bem o propósito dele - Hokuto riu - Venha, te mostro aonde é a sala - achei um pouco suspeito a atitude do Hokuto, afinal, no dia anterior ele deu em cima de mim na cara de pau, fiquei com medo com o que ele poderia fazer comigo, e para onde ele estaria me levando - Pode ficar tranquila, não estou levando você para ser abatida - Hokuto riu novamente.
- Acho bom - ri baixinho.
Andamos pelo colégio inteiro para chegar em um prédio um pouco menor do que os normais, subimos para o segundo andar e paramos e frente a uma porta com uma aparência velha.
- É aqui, é bem longe, mas como nós estávamos naquela situação, e já existem inúmeros clubes, não existem muitas salas livres, esse prédio principalmente não é usado por nenhum grupo, esse prédio estava fechado, então Ayame conseguiu fazer a diretora abrir um espaço para nós - Hokuto abriu a porta - E é aqui que nós ficamos.
A sala era bem grande, e como o prédio inteiro,  era bastante velho, no canto da sala perto das enormes janelas, havia uma mesa bem extensa, onde Ayame estava sentada mexendo em alguns papeis, Kazuko estava deitado, largado em cima do sofá.
- Por quê não me avisaram que não iam ver a aula? - entrei na sala.
- Você se quer olhou seu celular?! - Ayame me fitou, parecia bastante chateada, e lembrei de quando fui sair de casa e vi uma mensagem não lida, e realmente, não li - Se tivesse lido, estaria aqui com a gente decidindo o que escrever no resumo - Ayame suspirou.
De repente alguém bateu duas vezes na porta, nós que estávamos lá dentro nos olhamos assustados.
- Eu abro - Hokuto, que estava ao lado da porta, a abriu, estávamos esperando a diretora, ou qualquer professor, mas não, era uma menina de curtos cabelos ruivos, vestia o uniforme e um jaleco branco - Pois não?
- Soube que vocês dão conselhos?! - ela parecia um pouco nervosa.
- S-Sim! - Ayame levantou-se da cadeira muio rápido - Arrumem as coisas!
- Esperem! - a menina estava corada - Não vim aqui para pedir conselhos, vim aqui para entrar para o Clube escolar.
- Você... Por quê?!?! - Kazuko também se levantou do sofá - Você tem ideia de que nós estávamos aqui pra nada né?
- Não importo, mas vocês não podem recusar um novo integrante, não é mesmo? - por mais que eu ache que ela já tenha procurado entrar e outros Clubes, algo me dizia que não - E então, vão me aceitar ou não?
- Posso pelo menos saber o Por quê? - Ayame, como líder, não podia aceitar qualquer um assim.
- -E-Eu... estou na mesma situação que você! - ela gaguejou - Ou entro em um Clube Escolar, ou reprovo metade das matérias, ano passado consegui passar sem entrar em um Clube, mas esse ano a diretora está me pressionando de mai, então não tenho outro opção.
- Mas por quê o nosso grupo? - até o Hokuto estava curioso.
- Como não percebeu, a situação de vocês é igualzinha a minha, vocês não conseguiram entrar em um grupo com atividades regulares dentro do colégio, um grupo que realmente faz alguma coisa dentro do seu tema escolhido, então resolveram criar um, e escolheram um tema simples, conselhos, pensando que ninguém iria vem aqui - quando ela terminou de falar nós quatro estávamos apavorados.
- C-C-Como você sabia disso?! - Ayame gritou.
- Imai-san, eu sei de tudo que acontece nesse colégio, eu sou a criadora do sistema inteligente de comunicação e espionagem dentro do colégio, o SICE - a garota entrou dentro da sala por completo, fechou a porta e sentou-se ao lado do Kazuko - Sei de absolutamente tudo.
- SICE?! - Kazuko a fitou com medo - Câmeras?
- Em todo lugar - ela sorriu.
- Até nos banheiros femininos e masculinos? - os olhos de Hokuto brilharam.
- S-Sim... - a menina sussurrou com vergonha.
- Prec...
- Cala a boca Hokuto - Ayame bateu levemente no rosto do Hokuto - Como se chama?
- Yoshida Sumi, mas pode me chamar de Su - ela sorriu, parecia estar se achando após comentar sobre suas habilidades.
- Não quero mais uma louca no nosso clube escolar, melhor até eu ir embora daqui - Kazuko levantou-se do sofá.
- Está com medo que eu conte para eles o que você anda fazendo no intervalo Kojima-san? - Sumi sorriu.
- D-Do q-q-que você está falando?! - Kazuko a fitou com medo.
- Como eu já falei, eu sei de tudo - Sumi cruzou os braços.
- Melhor fazer a ficha dele logo, antes que ela conte a fofoca da escola toda pra nós, e eu, pelo menos EU, não estou afim de saber - eu suspirei.
- Ainda não tive a oportunidade de conversar com você - Sumi me fitou e imediatamente se levantou do sofá - Suas ondas cerebrais são confusas, diferentes de qualquer coisa que eu já vi.
- E você... - olhei para seus grande olhos esverdados.
- Você não me parece normal - Sumi não tirava os olhos dos meus olhos, senti meu corpo pulsar - O que você esconde? - minha respiração ficou ofegante - Por quê está nervosa? - enquanto ela falava, ia me empurando contra a parede.
- Vá.. embora daqui - fiquei contra a parede.
- Do que você está com medo?! - a sala ficou em silencio por alguns segundos, e eu não estava mais conseguindo controlar meu corpo, um de meus olhos mudou de cor rapidamente.
- Chega! - Kazuko me puxou pelo braço e me tirou da sala, por sorte ele fez aquilo - Você está bem?! - enquanto ele me guiava segurando meu braço, eu estava de olhos fechados, tentando fazer meu corpo voltar ao normal - Kumiko-san?! - Kazuko parou de andar no meio do corredor e me fitou - Kumiko?!
- Estou.. bem - respirei fundo e abri os olhos.
- Do que ela estava falando lá dentro da sala?
- Não sei Kazuko... - fechei a cara.
- E por quê ficou tão nervosa?!
- Kazuko eu não quero falar sobre isso, estou indo pra casa - dei as costas para ele.
- Sua bolsa está dentro da sala! - Kazuko falou mais alto.
- Amanhã eu pego - suspirei, eu sabia que não iria conseguir segurar meu corpo por muito tempo, então teria que sair de lá, de perto de qualquer ser vivo o mais rápido possível, antes que algo de ruim acontecesse.
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- Aonde está Kumiko, Kazuko? - Kazuko voltou para a sala e Ayame indagou.
- Ela foi pra casa... - ele respondeu triste.
- Mas as coi..
- Ela disse que vem pegar amanhã Ayame, agora me deixe em paz - Kazuko pegou sua bolsa e também foi embora.
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Eu havia chegado em casa com um pouco de dificuldade, apesar dela ser bem próxima do colégio, mas não era tão simples assim, andar e tentar se concentrar em ficar sã, mentalmente. Tomei um banho e desci para preparar alguma coisa para comer, já estava mais relaxada, até que ouvi meu celular tocar, um SMS: "Espero que você esteja bem, não vou mentir que estou até agora preocupado com você, não me entenda mal. Você nos assustou com aquela reação. Boa noite, Kazuko."
Não vou mentir que o que normalmente deveria passar pela minha cabeça era tentar saber como ele tinha meu número, mas como Ayame descobriu do nada, não liguei muito para isso. O que realmente não saia da minha cabeça era o fato dele ter me tirado de lá sem pensar duas vezes, mesmo sem saber do perigo, mesmo sem saber o que estava acontecendo, e ainda mais, me manda um SMS falando que está super preocupado.
Sem eu perceber um pequeno sorriso se formou em meus lábios.
Alguns segundos depois meu celular tocou novamente, outra SMS: "Por mais que eu ache que você não queira compartilhar isso com nenhum de nós, gostaria muito saber mais de você, sobre sua vida, sobre seus gostos, mas você parece não querer compartilhar isso com nenhum de nós. Se algum dia quiser, perto da sua casa tem um lindo lago, e perto dele uma praça, se algum dia quiser mesmo conversar, mande um SMS, nem que seja sem palavras alguma, vou estar lá, esperando você. Boa noite, de novo. Kazuko."
Aquilo tinha mexido comigo, me fez realmente querer vê-lo e contar para alguém que aparentemente eu poderia confiar a verdade sobre mim, sobre tudo. Mas não poderia arriscar tudo que eu estava construindo por uma amizade, pelo menos agora não.
Deixei o celular em cima da mesa e voltei para a cozinha.

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