segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.11]


                             Cap.11 - O Início
Não sei quais palavras poderia usar para descrever aquilo tudo, todos marchando, era um exército simplesmente gigantesco, como eu estava bem no começo, tentei avistar o final porém não conseguia, eu estava mais nervoso que nunca, mas a cada metro que cavalgava tentava me acalmar, colocando na minha cabeça que iria dar tudo certo, apesar do pensamento ruim de que nós estávamos indo em direção de nossas mortes estar pulsando mais forte.
Os quatro reis cavalgavam mais a frente de nós, e a cada metro que percorríamos o dia ia se tornando noite, apesar da manhã estar apenas começando, nós estávamos adentrando na maior escuridão de toda Tenaryon, um mundo onde não há Sol, apenas a luz refletida pela gigantesca lua no céu, acredito que isso nos fazia criar mais medo ainda dentro de nossos corações, de todos nós.
- Parece nervoso - Adryk surgiu ao meu lado, montada em cima de seu cavalo celestial.
- E estou... - suspirei.
- Não fique, vai dar tudo certo - ela sorriu, seu sorriso era bem reconfortante para falar a verdade, eu queria muito crer naquelas palavras, mas meu coração estava batendo fortemente.
De repente ouvi o bater de duas asas se aproximando e parei o cavalo, todos me olharam assustados, sem entender o porque daquilo, mas cada vez aquele som ficava mais alto, fitei o céu e não vi nada.
- Volker?! - Adryk puxou as rédeas do cavalo e se aproximou, enquanto todos os outros desviavam de mim - O que... - ela parou de falar repentinamente, parecia estar ouvindo algo também - Que som é este?
- Sarkan?! - sussurrei, não podia falar muito alto para não assustar os outros. 
Ficamos em silêncio por alguns segundos, não sabia o que estava se aproximando, fitei Adryk e seus olhos estavam brilhando.
- O que está fazendo? - fiquei confuso.
- Me comunicando com meu pai - ela estava mais calma que antes, parecia ter que estrar em um estado de espírito diferente para poder se comunicar com Fenhrir - O avisei que algo está se aproximando de nós.
O som ficava cada vez mais alto, logo parecia estar a alguns poucos metros de nós, não irei mentir que estava muito assustado, Adryk não parecia estar muito diferente de mim, ouvi um grunhido e fitei o céu novamente, todos pararam ao ouvir tal som, bati os dois pés nos lados do cavalo e ele correu, me aproximei de Liesi e os outros Reis.
- O que foi isso? - Liesi me fitou, logo vi Grid se aproximando também.
- Não podemos perder tempo, não é um Sarkan, é uma das patrulhas de Kenrs, consegue senti-lo Volker? - Grid me fitou.
- Quer que... está louco?! - me exaltei.
- Não estou com meu arco aqui, meu arco está sendo encantado por Mikhail, não posso simplesmente arrancá-lo dela sem ter terminado o encantamento e atirar, além de que não irá da tempo, Mikhail está no meio do exército de Uldar, prepare-se, não teremos muito tempo, ele não pode voltar, não podemos dar tempo para Kenrs se preparar, apesar de que acredito que não irá adiantar muita coisa - tirei o arco das amarras na direita do cavalo e segurei uma unica flecha na mão - Eu sei que você consegue Volker, você vai conseguir - fitei Liesi, ela sorriu, estava orgulhosa de mim.
Respirei fundo, fechei os olhos.... Tentei sentir todas as correntes de ar do local, o vento que tocava minha pele, todas as direções possíveis, enquanto isso ouvia em que direção vinha o grunhido, abri os olhos para ver se havia alguma montanha ao nosso redor e pude ver uma bem a minha direita, percebi que o som da besta batia nas gigantescas paredes de pedra da montanha e se propagava em outra direção que acabava onde nós estávamos. Respirei novamente, segurei o arco firmemente, ouvi outro rugido e acompanhei o som que batia na parede da montanha, estava tudo em silencio ao meu redor, puxei a linha do arco com a flecha e fechei os olhos, iria ser um único tiro, se conseguisse acertar, ótimo, o monstro iria cair e não iria passar, mas se não conseguisse não teria uma segunda chance.
O som das asas havia ficado mais forte, ouvia seu grunhido e juntei os dois sons, com as rajadas de vento que poderiam vim na direção que eu acreditava que o monstro estava se aproximando.... Respirei novamente e soltei a flecha. Todos ficaram olhando atentamente para o percursos que a flecha iria fazer até que desapareceu de vista.
- Acerta... acerta... acerta... - Liesi sussurrava.
Eu estava muito nervoso, pois estava tudo em minhas mãos, não poderia falhar agora.
- "Vyul'gäer df oinskülh, qwyc yan df zawkü, dyiak df baiynv"(1) - ouvi uma frase em minha mente, não reconheci aquela língua, então não sabia o que significava, era uma voz feminina, e já parecia ter a ouvido.
No mesmo segundo em que a frase terminou ouvi um grunhido ainda mais alto, porém parecia mais um grito de dor, até que algo se chocou com o chão, havia sido tão forte que tudo tremeu, Liesi me fitou com um sorriso que havia me deixado muito feliz.
- ELE CONSEGUIU!!!!! - todos gritaram, sorri, estava envergonhado.
- Irei verificar, podem ir na frente - Uldar se preparou para correr, respirou fundo e de repente partiu em uma velocidade tão alta que nunca havia visto um ser com tal velocidade.
- Como ele é .. rápido! - fiquei de boca aberta, de tão surpreso.
- Não é a toa que ele é o ser mais rápido de toda Tenaryon Volker - Fenhrir sorriu - bom, vamos continuar nossas pequena jornada a guerra, Grid volte a seu posto, e você também Volker.
- Sim, senhor - falamos prontamente e puxei as rédeas do cavalo para trás para voltar a meu posto, junto com os outros que irão completar a missão de matar Suhrt comigo.
Passado alguns minutos ouvi alguém se aproximando rapidamente de mim e Uldar surgiu ao meu lado.
- Você é incrível garoto - Uldar sorriu - Acertou o alvo tão perfeitamente, que a flecha penetrou no crânio do monstro, está de parabéns - logo ele correu para acompanhar os outros Reis.
Eu fiquei bem empolgado depois de ter dado tanta sorte de acertar em cheio o monstro, acredito mesmo que aquilo havia sito apenas um tiro de sorte, apesar do "estudo" que tive que fazer para atira-lo, mas ainda acredito que foi apenas sorte. As pessoas ao meu redor estavam me olhando com outros olhos, orgulhoso pelo meu feito, alguns paravam para conversar enquanto cavalgávamos, sobre como eu sabia onde o monstro estava exatamente, como se eu soubesse mesmo a exata localização dele, mas pareceu que eu sabia, e é isto que importa.
Após alguns horas cavalgando chegamos ao topo de uma colina, e os quatro reis pararam para observar toda a gigantesca fortaleza de Kenrs, eu fiquei fascinado e assustado ao mesmo tempo, era a primeiro vez que via esta fortaleza e posso lhes dizer, era o maior castelo-reino que eu já vira, não conseguia se quer ver o fim nos lados, muito menos tentar ver o que havia por trás daquele muros, eram tão altos que os muros de Dzelzs pilsëta se tornavam brincadeira de criança.
- Chegamos - Adryk estava tensa, não tirava os olhos do horizonte.
- Você já tinha vindo aqui alguma vez? - nem minha pergunta a havia tirado atenção.
- Não... é.... incrível Volker... - seus olhos estavam assustados, preferi não perguntar mais nada.
Os quatro reis começaram a descer a colina, e nós todos fomos os acompanhando, até que chegamos perto dos portões de Müžïgä Naktï, eram negros, e feitos de ferro como todo o muro, mas parecia ser um ferro diferente, mais resistente. Fitei todo o exército e percebi que Anna, Mikhail e o resto dos conjuradores já não estavam mais conosco, fitei o outro lado do exército e Grid também não estava mais lá com seu grupo, os arqueiros.
- Venha - Adryk se aproximou dos reis junto com Syn e Yirmminsull, logo os acompanhei.
- Ouçam-me - Fenhrir nos junto no canto para que pudesse nos avisar mais alguma coisa - Nós não temos certeza se Kenrs irá se juntar à batalha ou não, então não se desviem do objetivo que passamos a vocês, não importa quem se ferir aqui, não importa quem irá morrer, quem irá sobreviver, você devem matar Suhrt, estão me entendendo?!
- Sim! - todos nós respondemos ao mesmo tempo, aquilo que Fehnrir havia dito tinha me deixado um pouco preocupado com Liesi, pois nem eu nem Grid estaríamos perto dela para a defender.
- Não pensem em seus Reis, nós sabemos nos defender, não achem que nos tornamos Reis só apenas por nossa linhagem de sangue ou inteligência, somos muitos mais do que imaginam, então cumpram sua missão! - Fenhrir terminou de falar e se separou de nós, ficou junto com os outros Reis, os quatro formavam uma única linha horizontal.
Estava tudo em silêncio, não sabíamos se alguém iria sair para defender os muros de Müžïgä Naktï, subitamente um dos portões começou a se abrir, fiquei tão nervoso que meu cavalo sentiu e ficou um pouco alterado. Após o portão se abrir completamente a unica coisa que podíamos ver dentro do castelo era a escuridão.
- O que eles estão esperando? - Yirmminsull parecia impaciente.
De repente algo saiu de dentro da escuridão do castelo, porém saiu tão rapidamente que nem se quer pude ver para onde ia, logo caiu no chão a alguns metros de Fenhrir e os outros, formou uma cratera muito grande ao se chocar com o chão, eu estava respirando muito rápido, estava muito nervoso, com medo, estava sentindo tudo ao mesmo tempo, percebi que os reis nem se quer se moveram.
Algo foi se levantando do buraco e abriu duas asas que pareciam ser duas vezes o tamanho do corpo do ser.
- Su...hrt... - Adryk sussurrou, a fitei, ela estava muito mais pálida do que o normal - Ele finalmente.. apareceu....
Suhrt virou o pescoço para os dois lados, parecia estar se "aquecendo" para começar a batalha, respirou fundo, seus olhos negros estavam brilhando, a escuridão parecia sair de seus olhos para engolir tudo, as asas ficaram eretas, eram negras, os longos cabelos esbranquiçados de Suhrt voavam com o vento forte que vinha do mar, ele estava com uma simples armadura, uma calça de tecido e uma ombreira que possuía três orbitas vermelhas que pulsavam.
- Fenhrir... - a voz de Suhrt ecoou no vasto deserto morto de Müžïgä Naktï, todos estavam em silêncio, apreensivos com aquilo tudo, esperamos alguns segundos para ver o que iria acontecer, mas ele não estava saindo do canto.
- Suhrt... - os olhos de Adryk queimavam em ódio - Suhrt....
Em um único instante em que desviei minha atenção de Suhrt, ele impulsionou o ar de baixo de seu pés para se mover muito rápido, foi tudo tão rápido que me assustei, Suhrt voou na direção de Fenhrir mas algo o parou, o impacto foi tão forte que o ar quase tirou Sigurd e seu javali do chão, quando percebi era Adryk com sua espada de duas mãos na frente de Fenhrir o defendendo.
- NÃO IRÁ PASSAR DAQUI!!!!!! - Adryk gritou, sua espada brilhou, ela usou força para afastar Suhrt e lançou uma gigantesca onda de energia que saiu da espada em sua direção, mas Suhrt a parou com uma única mão - Como?!?!
Suhrt sorriu, e as asas o impulsionaram novamente para se mover rapidamente, percebi que Syn correu na direção do mesmo, pulou bem alto para ir de encontro com Suhrt e usou seus quatro chifres para ataca-lo, mas ele com muita agilidade desviou, logo ela caiu de pé ao lado de Adryk.
Olhei para o lado e Yirmminsull parecia um pouco assustado.
- Vamos - Bati os dois pés levemente no cavalo para ele correr, me aproximei de Adryk e Syn, logo vi Yirmminsull atrás de mim, desci do cavalo e bati levemente em seu traseiro para que ele se afastasse.
Suhrt estava longe, com as duas asas eretas, nos olhando com a mesma cara sedenta de sangue de antes.
- KENRS!!!! - Liesi gritou, percebi que alguém estava saindo de dentro do castelo, era um homem branco, bem branco, com dois chifres na testa e da mesma cor da pele, com olhos totalmente brancos e cabelo curto negro, ao seu lado estava uma menina de longos cabelos negros, quatro chifres vermelhos em sua testa e olhos amarelados.
Kenrs deu um pequeno sorriso, parecia feliz em ver Liesi e os outros, se aproximou de Suhrt e parou de andar.
- Espero que gostem do espetáculo meus queridos e velhos amigos - sua voz era muito grossa, um pouco monstruosa para falar a verdade - Pois será o ultimo de suas vidas - seu sorriso se tornou macabro, Suhrt abriu os braços e grunhiu tão alto que ecoou para longe.

---- Notas ----
(1) Ouça seu coração, confie em seu arco, mate seu inimigo - a frase em Bezgalïgs, a língua morta dos Loti Izturigs.

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