segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Shirayuki: A Lenda de um Samurai [C.01]


                         Cap.01 - Um dia de chuva
Pode-se dizer que o destino já é "escrito" por Deus.. Mas eu não digo isso, o futuro muda constantemente e eu "escrevo" o meu destino.
Em um dia nublado e frio, permaneço andando em direção ao fim, sem pensar andei na direção de uma de minhas vitimas. Sou uma sem família, o único que me ajudou foi meu pai, pois quando eu tinha quatro anos ele me deixou, após me ensinar uma das mais perfeitas e mais "impiedosas técnicas, ele me ensinou a ser um espadachim.
A água escorreu sobre meu rosto, mas eu sabia que algo não estava certo, em uma das minhas mãos carrego um pouco de sakê, olho para o horizonte e assisto a água se render aos braços da terra. Respiro fundo e desembainho a Katanna, a giro no ar e sinto cortar algo, mas não paro de caminhar ao sentir a chuva se misturar com o sangue de mais uma vitima em meu corpo e katanna.
O frio me esquenta a alma e torna meu corpo mais forte, as árvores dormem com o aconchegante vento que percorre a floresta como uma pluma no corpo de uma linda mulher que encosta sua pele em seu amado.
Ando para a minha vida e morte de outros, usam meu nome em "forma" de terrorismo, eles me chama de "Zero", o sem vida ou filho do Deus negro.
Eu nunca digo o meu nome, mesmo que precisa, assassinos não devem ter nomes, não devem ter vida.
Apenas seguimos as ordens, porém não tenho um "Senhor" para me dizer o que fazer sempre.
Sou paga para matar, é complicado viver assim mas temos que garantir um sustento.
Após duas horas de caminhada na intensa chuva, eu consegui avistar um alto muro e uma enorme torre no centro da vila ou seja o que for isso, mas devo matar uma pessoa, em no máximo três dias.
Já matei crianças, adultos, idosos..
Cheguei no enorme portão e um homem com o rosto bem cansado, com marcas profundas, como se algo o atordoasse se aproximou.
- Quem é você e o que quer aqui?! - a voz dele pareceu desconfiada ao me ver ensopada e com o rosto sem expressão alguma, estendi a mão direita e o entreguei um papel intacto e seco, logo o homem se surpreendeu - Qual seu nome?
- Zero, vocês me chama assim - minha voz grossa o assustou mais ainda.
- Você é homem?
- Ache o que quiser, e não diga, em hipótese alguma... quem eu sou, general - eu o fitei e ele pareceu apavorado.
- Deixem ele passar! - o homem deu passos para trás e o portão se abriu.
Eu consenti com a cabeça e na chuva, eu entrei pelo portão, alguns comerciantes me olharam, mas eu não mudei a minha expressão.
A cidade era enorme e parecia um pouco monótona, era possível ver nos olhos das pessoas o "medo".
- Bom dia senhor - uma mulher me parou no meio do nada, vi que ela trabalhava no lugar que eu deveria ir - quer um quarto?
- O mais simples possível - ela sorriu e pegou meu braço delicadamente, e me levou para o meu quarto.
- Esse é o seu quarto - ela sorriu e abriu a porta, logo eu entrei - o jantar será servido as 18:00 horas, tenha um bom descanso - ela sorriu e fechou a porta.
Eu deixei o sakê na mesa e me sentei no chão, fechei os olhos, após algum tempo a porta se abriu e eu abri os olhos e vi uma garota, atrás dela pude vi a luz do dia se esvaindo.
- Boa noite - ela se sentou na minha frente e parecia com medo - estou aqui para servi-lo.
- Vá embora... - eu fechei os olhos e senti sua gélida mão tocar meu peito e a fitei, seu rosto se aproximava do meu - acha que sou homem moça?! - ela parou e me olhou - pois está enganada - ela corou e se levantou.
- Desculpe - ela saiu do quarto.
- Pobre menina... - fechei os olhos novamente.
Permaneci mais algumas horas ali e logo abri meus olhos, tomei um gole do sakê, me levantei do chão e fui abrir a porta, percorri o corredor até a entrada e saí do chalé.
Estava um silencio que me acalmava e me tirava o folego, enquanto uns dormem e sonham em acordar no outro dia, outros não verão o insuportável brilho do sol de um novo dia.
- Quem é você? - um guarda me parou.
- Eu guardo essa área hoje - tentei parecer o mais firme possível, o guarda se virou e eu cortei silenciosamente sua cabeça, rapidamente outro guarda veio até mim e meu corpo novamente se cobre com uma aura e apareço atrás dele, a lua brilhou mais e cortei outra cabeça, um sangue frio que as vezes e assusta, olhei para os lados e não achei a minha verdadeira vitima.
Mas um dia se passou e minha missão sem sucesso me queimava os nervos. A noite do ultimo havia chegado e depois de vinte e cinco mortes eu encontro meu alvo, logo tiro sua vida sem muita dificuldade.
Acordei bem cedo para ir embora da monótona e triste cidade, ao chegar no portão um homem de cabelos azuis me para.
- Acha que você vai embora assim... ZERO?! - o homem sorriu - eu sempre quis saber o seu verdadeiro nome - me movi rapidamente e apareci ao lado dele.
- Pois saiba que isso nunca irá acontecer - dei mais alguns passos e senti o homem desembainhando uma katanna, ele se moveu rapidamente e eu parei a katana dele com uma das mãos.
- O que?! - ele se assustou.
- Não me subestime! - eu desembainhei a katanna e uma pressão que saiu dela, fez alguns que viam a batalha desmaiar, eu o afastei com a minha katana e cortei a pele do seu braço - não sei quem é você mais irá completar o 27º morto se me perturbar.
- Acha que eu estou lutando sério com você?! - ele riu, fechei os olhos e meu corpo se cobriu com uma aura roxa e por dois segundos, me tornei ele, e ele se assustou - então é por isso que te chamam de Zero! Você não é ninguém.
- Se você acha isso - guardei a Katanna e saí da cidade.
- Me espere Zero, eu vou lhe achar! - ele não fez nada ao me ver indo embora.
O sol brilhante me queimava a pele, e é nessa hora que eu rezo para o meu "Pai" que me faça aproveitar uma chuva fria e mórbida. 

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