Cap.25 - O Veneno
Eu queria muito que ele voltasse ao normal, e principalmente que mais ninguém viesse atrás de mim, tentando me comer, me possuir, me engolir, enfim, me tirar dele, não queria mais vê-lo daquele jeito, não me sentia bem.
- Até agora tá tudo bem, eu tenho medo se o Deus deles vier... - Kichii pareceu preocupada.
- Deus deles?! Mas eles não eram Deuses Kichii? - a fitei.
- Sim, por isso mesmo, quase sempre há alguém a cima de você, há alguém mais forte que você, e no caso deles, a diferença de poder é... inigualável Yoko, ninguém até hoje teve se quer coragem de ir contra ele...
- Ele quem?
- Kami - ela não ficou bem em dizer aquele nome - não gosto nem de dizer o nome dele...
- Mas Deuses não eram pra ser bons?!
- Eram... mas não são, são tão maus quanto nós nessa história, há aqueles bons, que não aceitam o modo de agir dos outros, mas quando se tem um superior tão mau ao ponto de querer destruir tudo quando está com raiva, não há muito o que discutir não acha?!
- Verdade - suspirei, sabia que não tinha acabado ali.
- Desça logo daí, sei que você vai vim querer me destruir, então VENHA! - Daisuke gritou muito alto.
- Porque não faz logo a vontade de quem é mais poderoso que você garoto?! - aquela voz parecia tão à cima de tudo, que percorreu todos os quatro cantos do mundo.
- Mais poderoso?! Então venha, me mate! - Daisuke estava se consumindo em ódio.
- Eu só quero a garota, você deve me obedecer!
- E eu quero sua cabeça! - a aura de Daisuke se explodiu e se intensificou mais ainda, e mais duas caudas surgiram.
- Não atente contra um Deus! - a voz se enfureceu, e uma luz apareceu ao longe.
- Então finalmente resolveu aparecer?! - Daisuke sorriu.
Kami era um homem de longos cabelos prateados, olhos azuis e pele pálida, a sua imagem me trazia um certo conforto, mas ao mesmo tempo me trazia medo, me trazia terror, mais do que qualquer coisa que eu já tenha visto.
- Se quer minha cabeça, venha buscar! - Kami sorriu.
Os dois começaram a lutar numa velocidade incrível, o choque do corpo dos dois fazia um barulho ensurdecedor, que estava fazendo tudo ao redor ruir, e também emanava uma pressão enorme.
- Não devemos ficar aqui Yoko - Kichii estava com medo, olhou para o Kazuo que estava bem longe de nós - vamos embora.
- Não quero ir! - Gritei.
- Yoko, você vai ser esmagada pelo poder deles dois, nem o Kazuo vai aguentar ficar ali por muito tempo, o destino não está traçado, quem vai decidir isso é o Daisuke, ele não vai morrer, não sabendo que se morrer o homem vai te matar! - ela me fitou séria.
- Não vou sair daqui! - falei tão firme que ela suspirou.
- Então vamos um pouco mais pra longe, certo? - ela me pegou nos braços e se moveu rápido, mas logo parou, estávamos em cima de uma pequena montanha, pra falar a verdade ainda conseguia sentir a pressão e ouvir o barulho que os dois faziam - Aqui está bom? - ela me colocou no chão.
- Sim - sorri.
- Não se preocupe, nada irá passar daqui, nada passar das minha barreiras - Kichii tirou do pequeno bolso que ela tinha na saia um vidrinho com um liquido amarelado dentro, ela tirou a tampinha e jogou na grama na minha frente, fiquei observando o que ela fazia, e percebi que ela falava uma língua estranha bem baixinho, se sentou na minha frente e uma luz amarelada formou um círculo ao nosso redor.
- Não se preocupe, ele vai ficar bem - ouvi do nada a voz do Kazuo e me assustei.
- NOSSA QUE SUSTO! - Gritei.
- Nossa calma - Kazuo estava em pé do meu lado, como sempre com as duas mãos no bolso, percebi que sua cauda estava parada, imóvel, não sei o que aquilo significava, mas sempre que eu o vi ela estava mexendo de um ladinho para o outro - que foi? - ele me olhou meio com vergonha, estava com o rosto rosado.
- Nada não - voltei a minha atenção na luta dos dois ao longe, se bem que eu nem conseguia ver o que estava acontecendo, porque eram tão rápidos que não dava pra acompanhar.
Fui sentindo uma dor na perna e não sabia o que era, quando olhei a pele da minha perna estava esverdeada.
- O que é isso?! - me apavorei.
- VENENO! Como aquela cobra maldita conseguiu colocar isso em você??!!! - Kazuo estava muito preocupado e eu comecei a sentir calafrios, estava quase desmaiando, fui caindo bem devagar, tudo parecia estar em câmera lenta, Kazuo falava algo mas eu não conseguia ouvir o que era, logo caí na grama verde, e fitei o céu azulado.
O Barulho da luta cessou, e ouve uma explosão.
- KAZUO ELA NÃO PODE MORRER NEM FICAR FRACA! - Kichii perdeu a atenção na barreira e foi me ajudar - Eu tenho um remédio pra isso, mas tá lá em casa, você..
- Eu consigo - Kazuo nem esperou ela terminar de falar - não a deixe morrer amor! - ele desapareceu.
- Yoko, fique com os olhos abertos! - Kichii fez um pequeno corte na ponta do dedo, levantou minha blusa até o começo da barriga e escreveu algo com o sangue em mim - Meu sangue é puro o suficiente para curar qualquer ferida, doença, veneno, mas não por muito tempo Yoko, só a mistura que eu fiz que pode curar você, então aguente! - enquanto ela falava eu tremia de tanta febre que estava - Kichii me colocou no colo e percebi que estava chorando - Não morra Yoko! - ela falou baixinho.
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