Cap.22 - A Tempestade de raios Vermelhos
Alguns dias se passaram depois que Tomoko tentou me matar, dessa vez passaram-se dias felizes, eu estava super animada com a ideia de que as coisas entre eu e o Daisuke já estavam meio que se "acertando" aos poucos, nós nem tivemos nenhum outro "contato físico" depois daquele na casinha da montanha, então não sei bem como explicar como nós estamos no momento.
Mas está tudo bem, minha vida está seguindo seu rumo, indo ao colégio, cumprindo os meus deveres, enfim, o que uma aluna tem que fazer.
Acordei bem cedo no sábado e logo desci para tomar o café da manhã, ouvi um barulho de televisão e quando cheguei na cozinha, vi uma televisão gigantesca presa na parede, olhei pra sala pra ver se minha mãe tinha tirado a da sala e colocado na cozinha, mas não, a da sala estava lá, linda paradinha.
- Mãe, com que dinheiro tu comprou uma televisão desse tamanho??? - me sentei a mesa para comer, ela estava com um sorriso de orelha à orelha assistindo ao noticiário - MÃE!
- Ah! Oii filha! - ela nem tinha notado que eu acordei, muito menos que eu estava falando com ela antes - linda não é?!
- Linda ela é, mas com que dinheiro você comprou ela?
- Filha eu tenho umas economias guardadas, você sabe que desde que seu pai morreu, eu recebo um dinheiro do exército, um amparo, posso dizer assim, então fui juntando e juntando, até que consegui comprar à vista! - ela pulou de alegria.
- Mas porque uma televisão desse tamanho na cozinha mãe?
- Filha, você sabe que eu passo muito tempo do meu dia aqui, cozinhando, pensando no que fazer pra a gente comer, então como quero ver minhas novelas da tarde e não posso porque não tem televisão aqui, coloquei uma aqui ué!
- Nossa, como você pensa alto né - fui irônica.
- Como assim?! Queria que eu comprasse o que?! Um carro pra você?
- Seria uma boa ideia - ri baixinho.
- Pra quê?! Se você já tem o Daisuke - Daisuke tinha acabado de acordar naquele instante em que ela tocou no nome dele, e ele veio descendo as escadas e entrou na cozinha - falando nele aí, Bom dia meu filho - minha mãe sorriu mais ainda.
- Bom dia - Daisuke sorriu de volta e se sentou.
- Então, pra que quer um carro se ele pode lhe levar até os Estados Unidos em segundos?! - minha mãe estava certa, mas sei lá, um carro seria uma ótima ideia - me deixa menina, tua mãe tem que comprar algo pra ela ficar feliz de vem enquanto!
- Calma - suspirei.
Fique assistindo ao noticiário, aliás, nós três né, porque minha mãe não tirava daquilo, e apareceu o plantão de urgência, foram poucas as vezes em que vi esse plantão no ar.
" - Bom dia, acabamos de receber informações de que uma tempestade se aproxima da nossa cidade " - o homem do plantão começou a falar, parecia um pouco nervoso " - está noite foram avistados estranhos fleches de luz vindo do céu, até agora não sabemos o que é, e a guarda nacional não nos dá nenhuma informação, dizem que apenas são raios, mas raios diferentes, vejam as imagens a seguir " - logo apareceram as imagens, era raios que pareciam cortar o espaço e tempo, e eram cobertos com outros raios pequenos e negros, olhei para o Daisuke e ele estava assustado, com uma cara estranha.
- O que houve Daisuke? - peguei em sua mão e estava gelada.
- Nada... - ele voltou a tomar o chá.
- Como nada, olha sua cara de assustado!
- Não é nada ué - ele me fitou, minha mãe também pareceu um pouco preocupada com aquilo.
- E agora, que uma tempestade tá vindo pra cá, o que nós vamos fazer? - minha mãe se encostou no móvel da cozinha.
- Não há o que temer, eu tô aqui - Daisuke tomou o ultimo gole do chá - vou ficar no telhado, qualquer coisa, faço uma barreira, não se preocupem! - ele se levantou e foi subindo as escadas.
- O que deu nele Yoko? - minha mãe se sentou em uma cadeira.
- Não sei, mas não to com um pressentimento muito bom não sobre isso tudo - respirei fundo.
" - Se ouvirem o alarme de Tempestade em suas cidades, protejam-se da melhor maneira, essa não parece uma tempestade comum, especialistas dizem que ela vem carregada de um certo tipo de eletricidade que pode matar rapidamente, então protejam-se e que Deus nos proteja " - quando o homem do plantão disse aquela palavra "Deus" eu me toquei do que estava acontecendo.
- Deus! - me levantei da cadeira num pulo só, e fui correndo para falar com o Daisuke, subi pela escada do lado da janela do meu quarto para ir pro telhado, e ele estava lá, sentado, olhando para um ponto fixo do horizonte - É ele não é?!
- Quem? - Daisuke nem se moveu.
- O Deus de quem Tomoko falava! - eu estava nervosa - Daisuke o que vai acontecer?!
- Nada, vou proteger você - Daisuke estava muito calmo.
- Não quero morrer! - Daisuke se levantou do chão e se aproximou de mim, fiquei olhando fixamente para os olhos dele.
- Ninguém vai morrer Yoko - ele colocou as duas mãos na minha cintura e me abraçou - não vou deixar ele encostar em um fio do seu cabelo, agora entre e avise sua mãe para não abrir a porta pra ninguém, certo? - Daisuke me soltou e me olhou nos olhos - não vai morrer - ele sorriu e me beijou, ele nunca mais tinha feito aquilo, e senti como se fosse da primeira vez em que ele me beijou, um calor muito intenso, meu coração batendo muito forte, e eu corei - agora entre e não saia! - tava com tanta vergonha que não quis nem dizer nada, só sorri e desci as escadinhas para entrar no meu quarto pela janela novamente.
Fechei a janela e sentei na cama, eu não tava nem acreditando que ele tinha feito aquilo de novo, meus olhos estavam brilhando muito, e não conseguia tirar o sorriso do meu rosto, até que ouvi uma trovoada muito forte, tomei um susto e olhei para o lado de fora da casa, o céu não estava nublado em uma cor normal, parecia um pouco mais negro, e pude ver alguns raios avermelhados do outro lado da cidade.
- Mãe! - saí do meu quarto correndo e minha mãe estava vendo o noticiário ainda.
" - Como vocês podem ouvir, a tempestade já chegou aqui " - no mesmo segundo em que o homem do plantão disse aquilo, o alarme de tempestades soou, minha mãe me fitou assustada " - Estamos a mercê da sorte agora, protejam-se! " - a transmissão parou.
- Filha venha! - minha mãe abriu o armário e tirou dele o máximo de comida que ela conseguia, me puxou pelo braço e foi correndo para a sala - me ajude a empurrar isso aqui - ela deixou as coisas no chão e começou a empurrar o sofá.
- Pra que mãe?
- Ajuda! - Minha mãe estava apavorada, e empurramos o sofá, ela puxou o tapete pro lado e vi uma portinha no chão, minha mãe a abriu e foi descendo - anda me dê as comidas! - peguei as coisas e a entreguei - entre aqui!
- Mãe, não posso ir, Daisuke está lá fora, ele...
- Yoko, ele disse que ia proteger a gente, agora entre aqui! Você é minha filha e mesmo que eu saiba que ele é forte o bastante pra nos proteger, não posso deixar de fazer meu trabalho de mãe, eu te amo e não posso perder você, agora entre!! - quando ela disse aquilo não podia nem dizer um "não", desci as pequenas escadas e entrei, logo ela fechou a porta - estamos bem aqui - estava muito escuro lá em baixo, mas minha mãe é sempre preparada pra tudo, e ligou um abajur à pilha.
Eu queria sair, estava muito preocupada com o Daisuke, mas também, não podia sair se não minha mãe ia enlouquecer.
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