quarta-feira, 2 de maio de 2012

The Contract Life [C.10]


         Cap.10 – Os Negros Cabelos ao Vento
A viagem de volta sempre é a mais rápida, não é pra menos que logo chegamos a Kalindor, logo arrumei minhas coisas e saí da nave, e pelo o que eu vi, ia ter uma enorme recepção pra todos nós, poxa era só uma pedra e foi tão fácil, pelo menos pra mim, já para Morgof, não posso dizer o mesmo.
- ELES CHEGARAM! – os civis gritavam euforicamente quando nossa nave pousou.
Ao sairmos, fomos nos dirigindo ao salão principal, onde os quatro reis nos aguardavam, e logo chegamos lá, estavam todos os guardiões e soldados nos esperando.
- Trouxeram a pedra? – Miyrian parecia estar bem preocupada.
- Com todo o respeito senhora – Morgof se pronunciou – não voltaríamos aqui sem a pedra, temos orgulho a zelar, e não voltaríamos sem ela!
- Que bom ouvir isso de você meu filho, e onde está? -  quando ela falou aquilo, um dos cientistas que estava encarregado de colocar a pedra em uma recipiente seguro, onde principalmente, qualquer outro usuário da Água não pudesse captar seu poder como conector – ótimo, descasem, pois hoje de tarde direi o novo grupo que irá buscar Denki, a pedra da Eletricidade, dispensados!
Fui saindo do salão, eu estava muito cansado, apesar de não ter feito quase nada na missão, Morgof ainda estava se recuperando, usou muita energia.
Olhei para todos saindo do salão e vi uma coisa incomum, Niya saindo do salão com os olhos inchados, mas não era aquele inchado de sono sabe, parecia de tanto chorar, não queria me meter, mas sei lá, não gosto de ver as pessoas assim, mesmo sendo quem é.
Resolvi fazer uma coisa bem arriscada, segui-la.
Estava tentando ser o mais cuidadoso possível para que ela não percebesse que eu estava a seguindo, até que ela parou em frente à escada que dava acesso ao lugar mais alto do castelo de Kalindor, suspirou e começou a subir, mas não como o de sempre, que era subir rápido, fui subindo bem devagar, e algumas vezes se apoiando nas paredes, algo de muito estranho estava acontecendo.
Resolvi deixá-la subir até o ultimo andar, para que eu não fizesse algum tipo de barulho, até que ouvi a porta lá de cima batendo, comecei a subir bem rápido. Na metade do caminho comecei a ouvir uma canção, mas não era “aquela” canção, mas a voz parecia a mesma, fez meu coração acelerar muito, e fui subindo mais rápido ainda, quando cheguei na porta que dava para o lugar onde Niya estava a musica parou, e abri a porta de uma vez.
- Porque me seguiu até aqui? – Niya estava em frente a porta, tomei um susto ao vê-la – pensou que eu não iria notar? – seus olhos estavam muito vermelhos – porque?
- Eeer... Bem...
- Diz logo! – ela gritou e eu tomei um susto – na verdade não sei.
- Como não?! Está louco agora?
- Niya...
- Que?
- Quem estava cantando? – tinha um sério medo de ouvir o que esperava ouvir.
- Eu, por quê?
- Não pode ser... – não queria acreditar que era ela, a menina daquela noite, mas... Porque logo ela? Por quê?!!?! Podia ser qualquer outra pessoa, eu iria entender, mas porque logo ela.
- O que? Ta doido mesmo... – ela deu as costas pra mim e foi indo na direção da sacada.
- Me deixe fazer outra pergunta – me aproximei dela, e a virei com tudo, ficamos nos olhando bem de pertinho, ela estava corando, e estava assustada com minha ação – Era você naquele dia não era?
- Que dia Sieg?
- Responda! – a sacudi.
- Não sei do que esta falando – ela ficou nervosa.
- “Deux vies se trouvent dans une seule âme dans un corps ... Dieu a uni avant même de savoir, avant même l'amour ... Regardez dans mes yeux ... Regardez dans mes yeux ... Venez profiter de ... Venez profiter de ... Vitta .... Vitta.” [Duas vidas se encontram, dentro de uma só alma, dentro de um só corpo... Deus as juntou antes mesmo de saberem, antes mesmo de se amarem... Olhe em meus olhos... Olhe em meus olhos... Venha desfrutar... Venha desfrutar... Vitta.... Vitta.] – Encostei minha cabeça em seu ombro, e suspirei.
- C-Como... – ela arregalou os olhos e estava respirando bem rápido – Como sabe dessa musica?!
- Minha mãe cantava pra mim antes de eu ir dormir, meu pergunto como você sabe dela – a fitei, ela se afastou de mim e colocou a mão no rosto apavorada.
- Um dia fui no seu reino e ouvi uma mulher cantando, perguntei ao meu pai que musica era aquela, ele disse que não sabia, mas reconheceu a voz, disse que era uma tal de Cecyly que estava cantando, perguntei se podia me encontrar com ela, ele disse que me levaria até onde ela se encontrava, a encontrei, era uma mulher divinamente iluminada, naquele segundo que ouvi a musica, ela... Encantou-me profundamente, não sei nem o porquê nem como, mas queria sim aprende-la – enquanto ela ia falando meu coração batia muito forte – Quando aprendi a musica a mulher disse que tinha que embora e depois disso nunca mais a vi.
- Cecyly? – sorri.
- A conheceu também?
- Era minha mãe Niya... Ela era encantadora mesmo, linda – fitei o céu, e podia sentir o cheiro de seu perfume no ar, era como se ela quisesse que nós nos encontrássemos assim.
- Serio?! – Niya se surpreendeu – então...
- Como sempre, uma mulher linda e inteligente, ela armou isso tudo – sorri.
- Pelo o que vejo foi mesmo – ela foi indo na direção da sacada novamente, e a acompanhei.
Ficamos ali, calados por alguns segundos, nunca tinha tido uma conversa dessa com ela, sem ter algum tipo de briga, suspirei, e ela ficava olhando o por do sol, uma brisa veio em nossa direção e seus cabelos longos e negros voaram para trás, ela corou. Nunca tinha percebido, aliás, nunca a tinha olhado com esses olhos, era como se a luz que vinha do sol, batesse em sua pele branca e a fizesse brilhar de tão linda, seus olhos, tudo.
- Que foi? – ela me fitou, parecia incomodada de eu estar lhe encarando.
- Ah... Nada não – virei o rosto bem rápido e dei um sorrisinho, bom não sabia mais o que conversar com ela, a alguns minutos atrás, a gente nem se olhava na cara de tanto ódio um pelo outro, então é uma situação nova na minha vida.
 - Porque mesmo que a gente se odeia? – ela riu – parece tão...
- Idiota né... Nem eu mesmo sei o porquê disso tudo...
- Só lembro-me de uma briga feia dos nossos pais quando a gente era bem pequeno, e meu pai disse pra nunca me “relacionar” com você de qualquer maneira, então... Comecei a não gostar de você cada vez mais, minha versão é essa – ela sorriu e me fitou, nunca tinha visto seu sorriso, principalmente sendo o sorriso pra mim, cheguei a ficar hipnotizado com aquilo – Sieg?
- Ah sim... – passei a mão no rosto – não lembro muito bem, mas foi mais ou menos nessa época da briga ai mesmo, que meu pai disse que todos do seu reino não eram confiáveis, bom, eu não cheguei a odiar você muito assim... Mas sinceramente?! – a fitei e sorri – não gostava de você, bom, não posso dizer muita coisa agora, já que... – tive medo de dizer algo que não poderia estar acontecendo e corei.
- Estamos nos entendendo – ela completou.
- Isso... Já que estamos nos entendendo, não posso dizer nada de mais, se é que você me entende...
- Entendo sim, você tem razão, mas acho já um bom começo, não acha? – ela fitou a vista e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
- Verdade... Meu pai vive falando pra eu deixar aquilo tudo de lado, e não adquirir seu ódio, não comprar sua briga e ir viver minha vida entende, mas não entendo porque isso agora, porque antes ele me fez ter ódio de você, e agora... Vem com isso, não entendo – suspirei.
- Na certa ele vê que fez coisa errada entende, já meu pai – ela parou de falar e a fitei, ela estava meio triste, pensei em mudar de assunto, mas deixei-aela terminar.
- Se quiser mudar de assunto...
- Não, não... – ela me interrompeu – já meu pai não, ele odeia seu pai com todas as forças, não entendo mesmo o porquê dessa besteira sabe, seu pai mesmo já tentou se redimir de tudo de ruim que fez essas coisas, mas todos os convites que seu pai mandava pro meu, ele nem chegava a ver a carta, mandava rasgar tudo... – seu olhar ficou vago novamente.
- Entendo, mas acho assim, que uma hora isso tudo vai acabar – tentei  ser um pouco mais positivo, poderia animá-la.
- Você acha? – ela me fitou.
- Acho sim – sorri.
- Gosto de conversar com você Sieg... – Quando ouvi aquilo corei, meu coração palpitou bem forte e respirei fundo de nervoso, não sei por que fiquei tão nervoso, mas estava suando.
- Acho que devo agradecer? – brinquei, e rimos juntos, era tão bom aquilo, nunca tinha gostado tanto de conversar com alguém daquela maneira, era uma maneira tão inocente, que me cativou – ah... Acho que lhe devo desculpas... Verdadeiras desculpas, eu planejava fazer isso alguma hora, mas tinha muita vergonha, e também que meu orgulho é um pouco maior do que tudo que existe sabe – ri – então... – me virei pra ela – Desculpa Niya – ela ficou alguns segundos me olhando nos olhos, foram poucos segundos, mas aquilo pareceu uma eternidade, sem exagero, estendi a mão para ela, e ela fitou minha mão e riu.
- Aceito – ela bateu na minha mão para afastá-la e me abraçou, definitivamente eu não esperava por aquilo, me assustei com sua reação, e fui devagar retribuindo o abraço, acho que ela sentiu o quão forte estava batendo meu coração, corei.
Depois de conversar mais um pouco, estava ficando meio tarde e fui pro meu quarto, e o mais anormal era o sorriso no meu rosto, que era de orelha a orelha, parecia saltar da minha cara, e era muito estranho eu andar por ai com um sorriso desses.
- O que aconteceu hein? – ouvi uma voz vindo do meu lado e me virei, era Vitta – ta com esse sorriso na cara porque?
- Ahn?! – a fitei, como se não entendesse do que ela estava falando – Nada ué.
- Como nada?! – ela me parou e me fitou – tu não anda com esses sorrisos por aí não Siegfried!
- Nada aconteceu Vitta – voltei a andar.
- Será que... – ela parou de andar e a fitei, sorri e continuei andando – encontrou ela?!?!?! – ela saiu correndo e deu um grito.
- SHIIII! Fala mais baixo menina! – sorri e continuei andando.
- Não vai me contar o que aconteceu?!
- Deixa a gente chegar no quarto Vitta, que conto o que aconteceu.
Depois de andar por uns 5 minutos, chegamos no meu quarto e ela foi logo se jogando em cima da cama com a maior cara de curiosa do mundo.
- Primeiro... Por que não me contou que a menina que estava cantando a musica era Niya?! – Fui direto ao ponto, como sempre.
- Você é bem direto mesmo, agora sei porque seu pai sofre nas suas mãos – ela suspirou – porque não era eu que tinha que contar isso, era você que tinha que descobrir Sieg! Sua mãe... – ela tapou a boca – ops...
- MINHA MÃE O QUE?! – corri pra perto dela.
- Não posso contar Sieg...
- MAIS VAI!
- Não posso, juro que se pudesse contaria...
- CONTA VITTA! – ela suspirou novamente.
- Fui a Encantus da sua mãe Sieg, quando uma pessoa está perto de morrer, por algum tipo de doença, que está mesmo determinado que nós sabemos que a pessoa irá morrer por aquele mal, a pessoa tem direito de passar o seu Encantus, por uma Contrato, feito entre o Conector principal, sua mãe, o Encantus, Eu, e o Contratante, Você... E com isso sua mãe sabia que ia morrer, porque eu vi isso, então como ela sabia que você iria ser forte, me mandou pra você, mas eu só poderia adentrar na sua vida, quando Niya cantasse aquela musica.
- E o que a musica tem haver?
- Aquela música é o meu Contrato com você Sieg, por isso, todo ano, Niya vai a uma fonte perto de Isior e se banha nua na fonte, dando um pouco de sua alma em devoção do meu contrato, essa é a lenda que existe, entendeu?!
- Mas... Por quê? Não to entendendo nada...
- Sua mãe era quem fazia isso todo ano Sieg, se banhava na fonte, doando sua alma para o contrato, o Seu contrato comigo, para que ficasse cada vez mais forte... Foi esse o motivo da morte de sua mãe – meu mundo parou quando ouvi aquilo, meu coração parou de bater por alguns segundos até – sim, ela morreu por você, sei que é meio... Macabro isso, não sei, mas foi o que ela quis.
- E Niya...
- Sim, ela não irá durar muito, falando da forma mais vulgar...
- Mas porque ela faz isso?! Ela sabe que isso...
- Sei sim – Niya entrou no quarto, tomei um susto – só não sabia quem era...
- E porque faz isso tudo pra uma pessoa que você nem sabe quem é? – A fitei.
- Porque essa pessoa era especial pro mundo, salvaria o mundo, é o que a lenda diz... O que eu sou na frente de tal grandeza?! – percebi que ela tinha ficado triste – seria melhor fazendo isso, serei lembrada.
- Claro que não, isso não existe! – me aproximei dela, coloquei as mãos em seus ombros e a sacudi – Niya, é a sua vida!
- Não importa... Digamos que, eu acabei me...
- O que?! – eu estava respirava rápido.
- Me apaixonando... Estamos ligados de uma forma que você não entende Sieg, eu podia ouvir seus pensamentos, mas não sabia, nem tinha a mínima idéia de quem era, porque eram pensamentos vagos, e o jeito que você... Defendia tudo que amava, nunca deixava ninguém na mão, digamos que... – ela corou e desviou o olhar dos meu olhos – me apaixonei – a soltei, eu estava em estado de choque, não estava acreditando no que ela estava falando.
- Está falando sério? – suspirei e me encostei perto da parede – é muita coisa pra minha cabeça...
- Desculpe jogar isso tudo de uma vez pra você, deve ser um choque e tanto, mas acredite, quando soube que aquele que eu sempre ouvia em meus sonhos era você, não vou mentir, não era quem eu esperava que fosse.
- Desculpe decepcioná-la – poderia ter ido dormir sem ouvir aquilo, nem deu mais ouvidos a elas duas, saí do quarto e fui indo pra qualquer outro lugar pensar na vida.
- Sieg, volta! – Niya saiu do quarto e correu pra perto de mim – espera, deixa eu ir com você.
- Niya – suspirei e a fitei – vá viver sua vida, pare de gasta-la com uma pessoa tão insignificante como eu, não faça mais isso, não quero mais ninguém morrendo por minha causa, e por causa de uma lenda idiota que não existe, chega disso, me esquece por favor, e para com isso.
- Mas...
- Sem “Mas”, só quero que isso pare, certo?!
- Sieg... – a soltei e voltei a andar seu rumo.

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