terça-feira, 29 de novembro de 2011

Two Wings [C.12]


                Cap.12 - As lágrimas de sangue


O lobisomen branco ficou parado, longe, me olhando fixamente, com medo do que pudesse acontecer, enquanto todos os outros lobisomens se afastavam de mim.
Meu coração literalmente parou, não conseguia sentir ele pulsar, dos meus olhos escorriam lágrimas .. lágrimas que mais pareciam ser de sangue, porque ardiam meus olhos, ardiam muito. Quando olhei para o seu rosto, manchado de sangue, sua pele pálida, e sua expressão de dor, me abaixei e fiquei de joelhos ao seu lado, estava com medo até de encostar em sua pele, e acabar lhe machucando masi ainda.
- Le...wis .... - ela falava com muita dificuldade, e escorria mais sangue de dentro de sua boca - me per...doe...
- Natasha .. porque fez isso?! - meu coração estava doendo muito, e o medo de lhe perder  fazia meu sangue ferver.
- Vo..cê é ma..is impor..tante do que eu nes..se mundo - ela tociu e respingou sangue em minhas pernas.
- Não ... não diga isso! você que salvou todo mundo .. não pode .. morrer Natasha - as lágrimas se intensificaram.
- Cla...ro que não - ele já estava com muita dificuldade de respirar - você é a .. unica pes..soa que pode - ela parou pra respirar fundo - salvar a Ter..ra
- Natasha não! - coloquei uma das mãos em seu rosto, estava mais gelado ainda - não .. pode morrer - meu coração se apertou de tanta dor.
- Lhe cau..sei tanta dor e sofri.....mento, como pode ainda cho..rar por .... mim?! - ela me olhou nos olhos, seus olhos vermelhos estavam ficando mais escuros - por isso .... que eu disse, você é o ... unico que po...de salvar a Terra .... - ela tentou levantar a mão e encostar no meu rosto, peguei sua mão e pressionei contra meu rosto - vo...cê é um .... - ela já falava com muita dificuldade, tociu mais uma vez, e .... seus olhos ficaram negros.
- Natasha? - percebi que sua mão estava mole, e seus olhos negros, me olhando fixamente, olhos sem vida alguma - Não .. Natasha! - fiquei nervoso e a segurei no colo, tentei mexer sua cabeça para acorda-la ou qualquer coisa que eu pudesse ser útil - NATASHA!!!! - percebi que não iria adiantar de nada aquilo que eu estava fazendo, lhe abracei e chorei mais.
Hans se soltou e foi se curando aos poucos, se aproximou de mim colocou a mão em meu ombro, o fitei com os olhos inxados de chorar, o mesmo expressou sua tristeza em seus olhos, apesar de querer praticamente mata-la, se abaixou e ergueu os braços, não entendi aquilo.
- Que foi? - estava soluçando de chorar.
- Dê-me ela - ele estava sério.
- Não! ela tem que ... - Marl veio para minha frente e se abaixou, passou a mão em meu rosto - MARL! tente salva-la - Marl não respondeu nada, olhou para o punhal no peito esquerdo do corpo de Natasha, e o puxou, deixou o punhal no chão, vi algumas lágrimas escorrendo em meus olhos.
- Querido, ela também era minha amiga ... também estou muito triste ... mas - ela não sabia o que dizer pra mim sem me deixar pior - entregue-a, por favor - ela sorriu, um sorriso confortante aquele, olhei para Hans e exitei um pouco em entrega-la, mas o fiz - isso - Marl me abraçou - Hans leve-a para o castelo.
- Não! coloquem ele na moto! o sistema novo lá - me levantei do chão de uma vez.
- Acha que vou deixar você sair vivo daqui garoto? - O Lobisomen branco ainda estava lá, assistindo tudo, Hans se virou e olhou assustado para Marl - não vou não!
- E você ... - meu sangue fervia de ódio, minha respiração ficou ofegante - como pôde fazer isso com ela .... 
- Marl não deixe-o ... - Hans tentou avisar Marl de algo, mas parei de falar e respirar subtamente - tarde de mais - Hans foi se afastando de mim - não deixe-o completar Marl!!
- Completar o que rapaz?! - Marl não sabia o que fazer.
- Isto - Hans falou nun tom de medo - saia já daí! Pega aqui o corpo da Natasha que eu resolvo isso, ou ao menos tento! - Marl se moveu rapidamente e segurou o corpo de Natasha, Hans ficou na minha frente - Não se deixe vencer por isso, é tudo momentâneo Lewis, volte! VOLTE!
Não estava mais sentido nada, dor .. raiva .. medo ... tristeza, eu só tinha uma coisa na cabeça, matar o Lobisomen, e deixei aquele sentimendo me consumir. As minhas costas estavam sangrando muito, saia sangue apenas de dois buracos alinhados no inicio das minhas costas.
- Ta sangrando olha! - Marl apontou para minhas costas.
- Ajax saia já daqui, antes que ele lhe mate - Hans fitou o Lobisomen branco e voltou a tentar me "acordar".
- Porque acha que tenho que sair?! - Ajax zonbou.
- Por isso! - Hans pegou meu rosto, e ergueu, estava cheio de veias negras, e a marca em meu braço já o havia engolido completamente, Ajax ao ver aquilo se assustou, não disse nada, apenas foi embora com seu enorme exercito - Lewis, ele foi embora, não adianta mais...
- Sie erhalten mir aus dem Weg, Werewolf. [Você saia do meu caminho, Lobisomem.] - aquelas palavras sairam da minha boca, na verdade não sabia nem em que lingua era aquilo, sairam da minha boca sem eu querer falar absolutamente nada, ou mandasse meu corpo falar, agora fiquei com medo.
- ELEELELELELELELELELELELE falou em ALEMÃO HANS?! - Marl se apavorou.
- Merda - Hans colocou a mão na cabeça, ficou andando de um lado para o outro sem saber o que fazer.
- HANS OLHA! - Marl gritou, e apontou para o meu braço, a marca estava chegando no meu pescoço.
- P*** que pariu, bom, se eu morrer aqui, diz pra Chris que .... ah f***-se, se eu morrer sabe o que dizer, eu gostei muito de conhecer vocês viu? - Hans estava desesperado.
- PERA VAI FAZER O QUE?! - Marl ia deixar o corpo de Natasha no chão e sair correndo para parar Hans, mas ele fez um sinal com a mão.
- Fique ai, se não der certo, corra, o mais longe que puder menina, entendeu?
- T-T-T-T-Ta .. eu corro 
Hans me olhou fixamente e suspirou, ergueu a mão e suspirou novamente, seu ponho negro, todo coberto de pêlos começou a brilhar, aliás, emanava uma luz de dentro do mesmo, ele exitou por um instante, mas tinha que fazer aquilo e acertou o punho no meu rosto. Era tanto poder que fui lançado longe, saí quebrando todas as casas que tinham no caminho, só parei no muro da cidade, só pra constar, o muro do OUTRO lado da cidade. Hans fechou os olhos esperando que eu viesse mata-lo, mas não aconteceu nada.
Fui abrindo os olhos bem devagar e os vi no meio da praça central de cidade, bem pequenos, pois a distancia era bem longa, me levantei e olhei pro meu braço, completamente negro, Hans foi abrindo os olhos bem devagar e me viu em pé, longe, e normal já, ele sorriu.
- CONSEGUIU! - Marl sorriu feliz da vida - agora pega ele, e vamo voltar pro castelo Hans, não temos tempo a perder aqui não.
- Certo - Hans pulou e surgiu do meu lado - anda, sobe! 
- QUE? - o fitei com assustado.
- Rapaz, suba logo, não vai ser todo dia que vou deixar você "montar" em mim não - ele falou sério e subi logo - se segure no meu pêlo ai do pescoço, e se segure bem, porque vou o mais rapido que puder - ele correu um pouco e viu Marl ao longe já dentro da moto em alta velocidade voltando pra cidade.
Hans uivou muito alto e começou a correr MUITO RAPIDO, meus olhos ardiam de tanta velocidade, o vento que batia em meu rosto, pareciam facas quase cortando meu rosto.
Estava muito preocupado com Natasha, não sabia se ela iria realmente ficar bem, estava com muito medo de perdê-la daquele jeito, ela sacrificando sua vida por mim, depois de tanta coisa que fez. Era isso que eu queria uma resposta, me salva, me joga no lixo e depois da a vida por mim?! Não entendi nada.
Quando cheguei no castelo, Marl já estava com a moto parada na frente da porta do mesmo, tirando o corpo de Natasha de dentro da moto, saltei de cima de Hans e corri para ver se ela iria ficar bem, e Chris me parou.
- Você não vai ficar com ela lá - ela me olhou bem séria, sabia que dessa vez não tava brincando nem nada - você não pode atrapalhar nada.
- Mas ...
- Sem mas Lewis, você está emocionalmente abalado de mais, também, depois do que aconteceu! - como ela sabia?
- como sabe? 
- Marl foi nos contando no comunicador, já que Willy não pode passar da barreira da cidade, já sabemos de tudo, não posso deixar você desse jeito lá, certo? - Chris olhou para o meu braço, totalmente negro - era isso que eu temia - ela suspirou.
- O que ta acontecendo comigo? diz! - estava com tanto medo.
- Não sou eu quem deve lhe dizer isso, então, tenha paciência, tudo irá se resolver, agora suba, tome um banho, e deite, tente ..
- RELAXAR CHRISTIAN?! - fiquei com ódio - como posso relaxar com ela assim?!
- VOCÊ NÃO GRITE COMIGO, EU JÁ TO COM PROBLEMA DE MAIS, SE QUER AJUDAR, CALA A PORCARIA DA BOCA E VAI PRO TEU QUARTO JÁ LEWIS! - Chris falou mais alto que eu, percebi a angustia em seus ollhos, fiquei sério e não disse nada, entrei no castelo e fui direto pro meu quarto.
Ao entrar no quarto, tirei a roupa e fui tomar banho, a água quente que escorri no meu corpo ardia um pouco, mas não estava ligando, estava preocupado de mais com muita coisa, e lembrei do braço, o ergui e olhei atentamente para a pele no mesmo. Estava normal, não sabia o que era aquilo, e eu não sentia dor nem nada, tava com medo de ser engolido por aquilo.
Quando terminei o banho me olhei no espelho e suspirei, limpei o vapor que estava no espelho e fiquei me olhando por alguns segundos, lembrei das palavras de Natasha, e meu coração voltou a doer.
Tinha que me acalmar, ia dar tudo certo, peguei um calsão e fui deitar, na verdade não consegui pregar os olhos, estava nervoso de mais, algumas vezes podia ouvir o pessoal conversando lá em baixo, mas não conseguia ouvir sobre o que era. Ficava virando de um lado pro outro da cama, já estava ficando com dor de cabeça de tanta aflição e espera, até que o cansaço me venceu e caí no sono.
Um sono que eu estava precisando, que me descansou bastante, e dormi muito, ninguém veio me encomodar nem nada, acordei só mesmo, e me levantei da cama, fazia um tempo que eu não dormi tanto e tão bem, mesmo com tudo isso acontecendo, eu precisava daquele sono, estava exausto. Nem vesti blusa nem nada e desci para ver se algo tinha se resolvido.
Desci as escadas e estava no Hall do castelo, não ouvi barulho nem vi ninguém, estava achando estranho aquilo tudo, fui até a Sala de Estar e ninguém lá também, olhei em todos os cantos possíveis da casa e não vi ninguém, resolvi sentar em um dos sofás da sala de Estar e esperar alguém aparecer. Meia hora se passou e nada de qualquer ser vivo dentro da casa, até que ouvi a porta da sala de estar sendo aberta, uma delas na verdade, virei pra ver quem era e era Chris.
- Preciso de sua ajuda agora - ela estava com luvas médicas e tudo, não entendi pra que era, mas fui, entrei no lugar que ela tinha saído, e era uma sala de cirurgia completa, das mais tecnológicas que tinha, Natasha estava deitada na cama, a fitei e meu coração de apertou de novo - preciso do seu sangue.
- Meu sangue? - olhei para Nynph, que parecia ser a ajudante do "médico' principal, Willy no caso - mas .. porque?
- é uma longa história Lewis - eles estavam de escondendo algo.
- Mas ..
- Senhor, se quer salva-la, dê seu sangue de uma vez, estamos aqui a 26 horas sem parar e precisamos do seu sangue, tivemos que tirar todo o sangue do corpo de Natasha, iremos precisar de no minimo duas bolsas cheias! - Nynph me interrompeu - certo? - não disse nada, apenas acenti com a cabeça e sentei numa cadeira bem confortável, Chris colocou o colhedor na veia e começou a tirar.
Fiquei vendo meu sangue ser transferido automaticamente para as duas artérias mais importantes do corpo de Natasha, e logo completou a primeira bolsa, e o pior de tudo é que ia ser as duas ou três, sei lá, de uma vez, e começaram a colher a outra. Estava ficando muito fraco já.
- Ele não vai aguentar Willy - Hans estava no canto da sala - você não viu o estado que ele estava.
- Não podemos fazer nada Hans, é ...
- Não importa se eu morrer! - interrompi Willy - ela salvou minha vida, tirem sangue, alma, ossos, tudo que precisarem, agora ... - meu olhos se enxeram d'água - salvem ela, é a unica coisa que peço, não posso ... - Marl passou a mão no meu rosto.
-  Vamos salvar ela, certo? Não precisa fazer isso tudo, tem eu aqui, só preciso que seu coração volte a bater, que ai eu e Hans entramos na história, tudo bem? - ela sempre me confortando com seu sorriso, e sorri.
Depois de tirar a senguda bolsa, já tava bem pálido, e acabei desmaiando, Chris colocou Soro e um "repositor" de sangue na minha veia, não sabia que existia isso, mas colocou né. E voltaram a cuidar de Natasha. Quando acordei, senti meu corpo bem fraco, e tirei a agulha da veia do braço, já tinha até acabado, e não tinha ninguém na sala. O corpo de Natasha estava lá, deitado na maca, com o profundo corte totalmente regenerado, me levantei bem rapido e fiquei tonto, me segurei na parede pra não cair e fui rapidamente para perto da cama dela.
Olhei seu rosto, peguei em sua pele, fria como sempre, não sabia como dizer que ela tava "viva", vampiros estão mortos, até tentei ver seu pulso, mas não batia nada, e comecei a me desesperar, dei as costas para a cama e fiquei olhando pro chão, tentando me conformar que ela não ia voltar pra mim.
Até que senti "aquele" vento frio, "abraçando" meu corpo.

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