Cap.23 - Um Deus
Ali em baixo só consegui ouvir as trovoadas, e o barulho da chuva, eu estava com muito medo do pior acontecer, estava muito preocupada com o Daisuke, mas não podia simplesmente sair dali correndo e desobedecer tanto a ordem da minha mãe quanto a do Daisuke.
- Filha - minha mãe percebeu minha aflição - filha - minha mãe colocou as mãos no meu rosto e o virou para olhar para ela - Não se preocupe, vai da tudo certo, viu?
- Certo... - a intenção da minha mãe era a melhor possível, mas nem aquilo iria conseguir me deixar melhor.
Depois de cinco minutos ouvi um barulho muito alto e o chão tremeu um pouco, como se algo tivesse se chocado muito forte com o chão, e me apavorei mais ainda, minha mãe me abraçou bem forte.
- Mãe, eu tô preocupada, tô com medo - sussurrei.
- Calma filha, se o Daisuke disse pra você não se preocupar, então não o faça - ela suspirou.
Alguns minutos depois ouvi uma trovoada muito mais alto do que as outras, e minha mãe havia tomado um calmante e estava repousando, pois ela não podia ficar nervosa, a pressão dela subia muito.
Estava querendo sair, e ir procurar o Daisuke, mas também não podia deixar minha mãe aqui sozinha, fiquei sem saber o que fazer.
" - Vá, eu cuido dela " - ouvi uma vozinha baixa do meu lado e quando olhei era uma espírito, uma pequena borboleta branca " - nós devemos a vida a você, cuidaremos de sua mãe " - aquela voz me acalmava, a luz me "aquecia" como um abraço forte e seguro, nem pensei duas vezes, abri a portinha para sair e sai.
A casa ainda estava intacta, corri para o meu quarto e vi uma gigantesca cratera lá fora, mas era gigantesca mesmo, a chuva tinha ficado mais intensa e os raios também, estava com um pouco de medo de abrir a janela e desfazer a barreira, não sabia o que eu fazer.
Até que senti uma gota escorrendo da minha boca, passei a mão e era sangue.
- S-S-San..gue?! - me assustei, desci correndo para a porta da frente de lá de casa e a abri sem pestanejar, olhei para todos os lados para tentar achar o Daisuke e não o achei, olhei para cima e a chuva atrapalhava minha visão, não consegui ver se ele estava no céu ou no telhado lá de casa ainda - Daisuke... - sussurrei e ouvi outro estrondo, vinha do outro lado da rua, onde eu tinha visto a cratera.
Corri para ver o que estava acontecendo, e quando cheguei vi sangue por todo lado, meu coração estava batendo muito rápido, e eu estava com muito medo de ter perdido o Daisuke, enquanto isso a gota de sangue que escoria da minha boca ia ficando mais e mais volumosa, cada vez mais desci mais sangue.
Corri um pouco em volta de uma parte da cratera, olhando ao redor para ver se via o Daisuke, até que ouvi outro estrondo, no fundo da cratera estava se formando uma pequena poça por causa da chuva e vi que lá a água cheia de sangue.
- Daisuke... cade você... - fechei os olhos e me abaixei no chão, comecei a chorar baixinho com as duas mãos no rosto.
De repente algo se chocou contra a casa que estava atrás de mim, tomei um susto e corri para longe.
- Quem você pensa que é pra tentar confrontar um DEUS sua raposa insolente! - eu parecia conhecer aquela voz, mas ao mesmo tempo eu não conhecia - pare de resistir e morra de uma vez! - olhei em cima da casa que estava antes atrás de mim e tinha um homem de longos cabelos loiros e pele clara, parecia estar em cima de alguma coisa, e me apavorei, o homem levantou a mão e bateu com muito força na pessoa que ele estava em cima, foi tão forte que formou uma onda de ar que arrastou algumas casas pra longe, mas eu me segurei.
E ele continuou fazendo aquilo mais umas três vezes até que parou, voltei a olhar para ele em cima da casa, que agora estava totalmente derrubada, e ele foi saindo de cima dos destroços, quando ele se virou para sair de cima da casa, vi que uma de suas mãos estava cheia de sangue.
- Não... - quando ouvi a voz do Daisuke meu coração bateu mais forte ainda, mas num tom de felicidade - pense que vai me matar... - algo estava saindo de baixo dos destroços da casa - só com isso! - de repente tudo que estava ao redor da casa foi jogado longe e vi o Daisuke, todo ensanguentado.
- DAISUKE! - gritei sem pensar nas consequências, o homem me fitou e abriu um sorriso de orelha à orelha.
- YOKO NÃO! - Daisuke gritou e se desesperou.
No mesmo instante o homem se moveu rapidamente e apareceu na minha frente.
- Não precisei nem de muito trabalho - ele sorriu, eu estava assustada e fui dando alguns passos para trás.
- YOOOKOOOOOO! - Daisuke ia correr para parar o homem.
- Se você der pelo menos um passo eu arranco a cabeça dela - o homem não tirava os olhos de mim e o Daisuke se enfureceu, mas não fez nada - nunca pensei que você era tão bela - eu não conseguia olhar nos olhos dele, estava com muito medo - não tenha medo de mim Divindade, não tenha medo - o homem se aproximou mais de mim e passou a mão no meu rosto limpando a gota de sangue que escorria da minha boca - veja só Raposinha, você a fez sangrar...
- Yoko... - Daisuke caiu de joelhos e parecia chorar.
Eu estava com tanto medo que minhas pernas nem se moviam, o homem passou a mão nos meu cabelos e aproximou o rosto do meu, tentei virar o rosto mais ele segurou meu rosto e me beijou.
Naquele instante eu comecei a ficar inconsciente, meu corpo estava ficando fraco.
Logo ouvi um barulho como se toda a gravidade estivesse sendo esmagada, e quando fui recobrando a consciência vi o homem de olhos fechados me beijando, depois de dois segundos não via mais a cabeça dele e eu estava cheia de sangue, o corpo do Deus caiu em cima de mim, decapitado e eu o empurrei com muito nojo, a chuva limpava meu corpo.
Olhei para os lados e vi ao longe o Daisuke, com quatro caudas e o cabelo enorme, ao redor dele pude ver uma aura roxa, não mais azulada como antes.
- Daisuke? - fui me aproximando e ele nem se movia, percebi que uma mão dele estava toda ensanguentada, e aos seus pés estava a cabeça do Deus - Dai..? - cheguei perto o suficiente para ver o rosto dele, seu corpo não estava mais todo machucado como antes, seus olhos amarelos estavam tão vermelhos quanto sangue, e seus caninos saiam da boca de tão grandes, fiquei com medo dele, foi a unica vez que me senti "ameaçada" por ele, fiquei parada o olhando, esperando que ele fizesse algo.
Até que ele se virou pra mim e ficou me olhando, se aproximou e me segurou pelo o pescoço, não fiz nenhuma barulho, só fiquei o olhando nos olhos enquanto ele me estrangulava, e escorreu mais sangue da minha boca, fui sentindo meu corpo sem forças.
- É... isso mesmo... que você quer...? - falei com muita dificuldade e percebi que ele tinha me soltado um pouco, mas ainda me segurava pelo pescoço - Prefiro morrer... pelas suas mãos... - fechei os olhos e subitamente meu corpo foi de encontro com o chão e eu abri os olhos, Daisuke estava de joelhos no chão com as duas mãos no rosto, parecia lutar para controlar o corpo novamente, me arrastei no chão rapidamente e o abracei por trás.
- Yo..ko... se afaste! - Daisuke estava com uma voz monstruosa.
- Não... - fechei os olhos - não vou sair daqui, já disse, prefiro morrer pelas suas mãos, se for pra ser assim, então que seja - sorri levemente - nunca vou lhe abandonar, minha vida é sua tanto quanto a sua é minha.
Fiquei ali por alguns minutos e o abracei fortemente quando percebi que ele não estava conseguindo se controlar.
- Yo...ko...
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