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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Eye, The Story of Fate [C.06]

           Cap.06 - Um Presente

O sol raiou e eu, como não tinha dormido direito na noite anterior estava morrendo de sono, liguei o display do celular e vi que já eram 7:00, minha aula começava 7:30, suspirei, depois do que tinha acontecido ontem, eu não estava muito afim de ir.
Fechei os olhos por alguns segundos, sem perceber caí no sono. De repente acordei, assustada peguei o celular novamente e vi a hora, 8:45.
- Droga... - suspirei novamente.
Deixei o celular em cima da cama e levantei-me para escovar os dentes, alguns minutos depois meu celular tocou, terminei de escovar os dentes e peguei o celular, era um SMS do Kazuko: "Como hoje é sábado e não temos aula, estava pensando em ir ver algum filme no centro da cidade, você quer ir comigo?".
- S-S-S-Sábado?! - voltei para o display inicial do celular e vi que realmente hoje era sábado, e eu pensando que tinha perdido aula, imagina que vergonha eu ia passar se aparecesse no colégio em pleno sábado - Não sei se devo ir.. depois de ontem..
Recebi outro SMS: "Não se sinta obrigada a vim ou com pena porque estou indo só, apensa chamei por lhe ver triste ontem, pensei que poderia anima-la ver um filme, distrair sua cabeça de certos acontecimentos, mesmo se você não vier, vou estar lhe esperando em frente a estação central do metrô, estarei lá a partir das 14:00, vou lhe esperar até 15:00, Kazuko."
- Por quê tanta insistência.. - me deitei na cama, não queria sair porque também iria chamar muita atenção, seria bem vergonhoso, olhei para o lado de fora da janela e vi o céu limpo, sem nuvens, eu queria ir - Vim aqui para ter uma vida normal, independente do que as outras pessoas vão falar, eu vou.
Criei coragem de ir, mas tinha um pequeno detalhe, eu não sabia como chegar no centro da cidade, procurei o melhor aplicativo com um ótimo GPS para que eu não me perdesse no meio da cidade, e baixei logo para o celular.
Pensei em avisa-lo que eu realmente iria aparecer, mas vi que nem crédito eu tinha para mandar um SMS se quer. 
Passaram-se muitas horas, e estava perto da hora marcada para nos encontrarmos em frente a estação do metrô, abria a porta do meu closet e tentei procurar a melhor combinação de roupas ou algum vestido para ir, mas não sabia que tipo de ocasião seria esta, olhei as horas e era 13:50.
- Com que roupa eu vou... - no mesmo instante lembrei de um lindo e delicado vestido preto, e nem era tão arrumado assim.
Tomei banho e me vesti para sair de casa, peguei o celular e liguei o GPS.
- Bom dia - uma senhora passou em frente a minha casa, ela sorria.
- Bom.. dia - fiquei surpresa com ela falando comigo normalmente.
- Você parece um pouco perdida - a senhora riu.
- Na verdade estou - corei.
- Para onde quer ir querida? - a senhora aproximou-se de mim.
- Para o centro da cidade, tenho que ir de metrô - a fitei.
- A estação do metrô fica a duas quadras daqui, é só você ir reto nesta rua e pronto - ela sorriu.
- Mas.. qual a estação eu tenho que descer? - corei, eu nunca tinha andando de metrô sozinha.
- Você nunca andou de metrô minha filha?! - a mulher pareceu surpresa.
- N-Não.. 
- Quando você vê no painel "Estação Central", ai é a sua estação, simples - a senhora foi indo embora - Boa sorte no seu encontro.
- Não é um... - corei mais ainda.
Como eu não sabia se chegaria lá a tempo, apressei o passo, e rapidamente passei pelas duas quadras e parei em frente a estação do metrô, paguei minha passagem e entrei no trem, eu não fazia ideia se iria demorar ou custar para chegar, pois pelo o que eu tinha visto, tinham várias estações antes de chegarmos na Central.
Admito que eu estava muito nervosa, muito mesmo, não sabia o que realmente iria acontecer hoje, seria a primeira vez que eu estaria saindo com um menino, sozinha ainda mais.
Alguns minutos depois vi que estávamos no aproximando das estação central, levantei-me do banco e fui para perto da porta, meu coração estava batendo tão rápido que estava querendo sair de dentro de mim.
- Espero que ele me espere - estava muuuuiito nervosa.
O trem parou e abriu as portas de todos os vagões, sai do mesmo e fui andando para sair da estação, ao me aproximar da porta o vi do lado de fora, com as duas mãos dentro dos bolsos da calça olhando para todos os lados, naquele segundo eu não queria ir, não sei o porque mas eu estava nervosa de mais para me aproximar dele, mas também não podia deixa-lo esperando por tanto tempo ali, enquanto eu estava aqui.
- O que eu faço... - minha respiração já estava mais rápida - Não posso ficar aqui, não posso mesmo - caminhei até a porta e a abri, ele que estava de costas para a porta não me vi - Estou aqui - ao ouvir minha voz Kazuko virou-se para mim.
- K-Kumi..ko - ele estava muito surpreso por me ver ali - Achei que você... não iria vim - ele me encarou dos pés à cabeça - Você está linda...
- O-Obrigada - corei, meu coração estava quase saindo pela minha boca.
- Não sabe o quanto estou feliz em ter você aqui comigo - ele sorriu, mas minha cabeça interpretou aquele sorriso mais bonito e sentimental do que antes.
- Aposto que está sorrindo somente para me agradar - o encarei.
- Claro que não! Eu realmente... - ele corou.
- O que?
- Queria sair com você...
- Então estamos em um encontro? - corei em seguida.
- Claro que não! - ele estava cada vez mais nervoso - Não em entenda mal, só queria ver você mas.. não desse jeito..
- Já entendi - ri baixinho.
- Então vamos ver o filme antes que acabem os ingressos.
- Não quero ir ao cinema - aquela foi a primeira vez que eu realmente conseguir impor o que eu queria em cima de alguém sem esse alguém ser meus pais ou algum serviçal da mansão - Não gosto de locais fechados.
- Então... - ele pensou - podemos caminhar pelo pátio das lojas e se você gostar de algo na vitrines eu compro para você, o que acha?
- Comprar pra mim?! Mas por quê?
- Um presente de boas vindas ué, e eu não posso presentear minha amiga?! - ele sorriu - Vamos!
Após alguns minutos de caminhada, em um silêncio horrível, nos aproximamos de um pet shop, e por sinal amo animais, não me aguentei quando vi um lindo filhotinho branco todo peludo.
- Você gosta de animais? - Kazuko me fitou.
- Sim - eu respondi enquanto brincava com o pequeno filhote através do vidro - Sempre quis ter um animal que fosse realmente meu companheiro, mas na minha antiga casa eu tinha todo tipo de animal que eu sonhava, mas nunca podia sair para vê-los, eles ficavam do outro lado do terreno da mansão, era longe de mais.
- Você gosta mais de que?
- Como assim? - o fitei confusa.
- Gatos, cachorros, roedores...?
- Não sei te dizer porque na verdade nunca tive nenhum - fiquei um pouco triste - Me pergunto porque as pessoas que podem ter uma fofura dessas não o compram, se eu realmente pudesse tê-lo, já estaria com ele em casa - os olhinhos do cachorro me traziam uma solidão tão profunda - Mas vamos antes que eu resolva o levar embora comigo - ri.
Kazuko não demonstrou expressão alguma, parecia ter alguma coisa em mente e voltamos a caminhar.
- Você quer comer? - Kazuko me olhou.
- Pode ser - sorri.
- Do que você gosta de comer? 
- Pizza - sei que aquilo soava um pouco gordisse mas é sim minha comida preferida.
- Então vamos comer pizza - Kazuko riu ao ouvir aquilo.
Entramos no restaurante italiano e pedimos uma pizza de peperoni, eu tinha ideia de que enquanto nós dois esperávamos pela pizza, algum assunto teria que ser posto "na mesa", mas eu não sabia qual, como eu vi que ele também não sabia, não soube o que fazer e logo o silêncio voltou.
- Você mora só? - sei que era algum suspeito e repentino para se perguntar, mas eu não aguentava ficar olhando pela janela o movimento e aquele silêncio de matar entre nós.
- Não, moro com minha irmã mais velha - ele não parecia ter se tocado que a minha pergunta não tinha sido realmente uma pergunta, e sim um inicio de assunto.
- E seus pais?
- Meu pai morreu quando eu tinha 10 anos, não passei muito tempo com ele porque ele servia ao exército então ele mal vinha pra casa, morreu em combate, minha mãe vive com meus avós do outro lado do país - enquanto ele falava a pizza havia chegado - Mas porque tantas perguntas assim do nada?! - ele riu - Está tão curiosa assim sobre meu passado?
- Você disse que queria saber mais sobre mim, então acho que tenho direito de saber alguma coisa sobre você também, não acha?
- Justo, justo.
Enquanto comíamos, conversávamos sobre nossas vidas, aquela foi também meu primeiro contato, a primeira pessoa que iria saber sobre minha vida com meus pais, não do meu segredo, mas sobre mim, mas ainda sim eu estava com um pouco de medo de contar-lhe tudo sobre mim, eu ainda não conseguia confiar em qualquer um assim, do nada.
Terminamos de comer e ele pagou a pizza, saímos do restaurante.
- Você espera aqui?! Não vou custar nem cinco minutos! - Kazuko parecia estar armando alguma coisa - Prometo que volto!
- Você vai pra onde? - enquanto eu tentava descobrir pra onde ele ia, ele nem se quer esperou minha resposta se eu iria o esperar ou não, simplesmente foi embora.
Já estava de noite, havia um número maior de pessoas no pátio das lojas, vários casais para falar a verdade, mas agora haviam mais pessoas mais velhas que nós, casais já de longa data até.
Eu estava nervosa e curiosa para saber o que ele tinha ido fazer, e já haviam se passado dez minutos, e eu lá, em frente ao restaurante, sozinha, estava começando a achar que ele tinha me deixado ali sozinha.
- Kumiko-san!! - ouvi alguém gritando meu nome de longe, e era ele, correndo com uma caixa de papelão na mão - Desculpe a demora, tentei vim o mais rápido possível - ele estava ofegante - o vendedor não estava sabendo passar meu cartão direito, e eu só iria sair de lá com ele em mãos.
- Ele quem?! - estava assustada com aquela caixa misteriosa.
- Tome - ele ergueu as mãos segurando a caixa - Espero que goste.
- O que você comprou Kazuko??? - Peguei a caixa e senti que estava até pesada, abri uma das abas que fechava a caixa e algo se mexeu dentro da mesma - Ka..zuko... - eu não estava acreditando.
- Não resisti a sua carinha de desejo olhando para aquele cachorrinho Kumiko, eu tive que comprar - Kazuko ria.
- Você viu o preço daquele cachorro, tá louco?! - abri a caixa novamente e o cachorrinho estava lá, assustadinho, encolhido no canto da caixa.
- Você.. não gostou da minha surpresa Kumiko? - Kazuko ficou triste.
- NÃO! Calma! - me senti mal - Eu amei - Mas não era isso que eu queria falar.
- Você... amou? - Kazuko ficou sem expressão ao ouvir aquilo, e eu fiquei tão vermelha, mas tão vermelha que parecia um tomate.
- Calma.. não foi isso que eu quis dizer, espera! - eu nem estava mais conseguindo controlar minha respiração - Eu tentei procurar uma palavra pra dar um... - Kazuko passou a mão no meu rosto, ele estava olhando fixamente em meus olhos - Ka..zuko... o que está fazendo?
Kazuko falou algo, mas eu estava tão nervosa que nem consegui entender, ele se aproximou de mim e me beijou, eu fiquei totalmente sem força, mas tentei aguentar porque afinal não podia jogar a caixa no chão junto com o coitado do cachorro, meu coração estava batendo muito, mas muito rápido.
Sua boca era quente e macia, eu não sei nem como descrever a sensação que tive ao sentir aquele beijo, pude até sentir sua respiração encostando em minha pele e percebi que ele também estava muito nervoso.
Abri meus olhos e no mesmo segundo ele também abriu os dele, como eu estava numa situação complicada meus olhos mudaram de cor, logo sem eu perceber eu já não estava controlando meu corpo, afastei ele um pouco de mim.
Percebi que ele estava assustado olhando para os meus olhos completamente vermelhos.
- Kumiko??? 
- Não fale mais comigo! - isso saiu da minha boca sem que eu mandasse, meu coração se apertou quando eu percebi que ele não iria mais falar comigo.
- Sim... - Kazuko foi indo embora parecendo um zumbi.
E o controle do meu corpo voltou para mim, eu não estava conseguindo acreditar que aquilo estava acontecendo, não era isso que eu queria.
- KAZUKO! - segurei a caixa com o cachorrinho com toda a minha força e corri atras dele - KAZUKO ESPERE! - parei na frente dele, mas ele passou por mim como se não houvesse ninguém ali - Isso não... Kazuko - como resposta comecei a chorar - Não... por quê?!?!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Eye, The Story of Fate [C.05]

    Cap.05 - Conselhos e mais conselhos

Acordei bem cedo para me arrumar, hoje seria um dia "novo" para mim, nunca tinha participado de um "Clube escolar", não sei o que iriamos fazer, e o pior era a parte dos conselhos, não conseguia ficar à vontade com isso de maneira alguma.
Tomei um rápido café da manhã e saí de casa, liguei o celular para ver se havia alguma chamada, e vi uma mensagem não lida. estava com um certo medo de abri-la e ver que era simplesmente a Ayame me vigiando.
Então resolvi deixar pra lá.
Após alguns minutos cheguei na sala de aula e sentei-me na minha cadeira de sempre, procurei Ayame ou o Kazuko por todos os lados mas não os achei dentro da sala.
Logo a professora havia chegado na sala para iniciar a aula, Matsumoto-sensei fez a chamada como todos os dias e como eu havia percebido os dois não estavam na sala, fiquei um pouco preocupada, não sabia o porque, mas fiquei.
- Alguém sabe o motivo da falta de um dos dois?! - Matsumoto-sensei esperou alguém responder, mas ninguém respondeu - Certo..
- Me pergunto se Ayame conseguiu fazer a inscrição do Clube.. - suspirei.
A aula estava quase chegando no fim quando Matsumoto-sensei nos liberou mais cedo, sem mesmo dizer o por quê, arrumei minhas coisas e fui saindo da sala.
- Kumiko-chan! - ouvi alguém me chamando, olhei para os lados e vi Hokuto no fim do corredor - Ayame está procurando você, estávamos na sala do clube.
- Por quê vocês não assistiram aula? - aproximei-me dele.
- Por quê nós tínhamos que escrever um tipo de "resumo" para a diretoria, sobre o assunto do nosso clube, por quê uma das professoras não entendeu muito bem o propósito dele - Hokuto riu - Venha, te mostro aonde é a sala - achei um pouco suspeito a atitude do Hokuto, afinal, no dia anterior ele deu em cima de mim na cara de pau, fiquei com medo com o que ele poderia fazer comigo, e para onde ele estaria me levando - Pode ficar tranquila, não estou levando você para ser abatida - Hokuto riu novamente.
- Acho bom - ri baixinho.
Andamos pelo colégio inteiro para chegar em um prédio um pouco menor do que os normais, subimos para o segundo andar e paramos e frente a uma porta com uma aparência velha.
- É aqui, é bem longe, mas como nós estávamos naquela situação, e já existem inúmeros clubes, não existem muitas salas livres, esse prédio principalmente não é usado por nenhum grupo, esse prédio estava fechado, então Ayame conseguiu fazer a diretora abrir um espaço para nós - Hokuto abriu a porta - E é aqui que nós ficamos.
A sala era bem grande, e como o prédio inteiro,  era bastante velho, no canto da sala perto das enormes janelas, havia uma mesa bem extensa, onde Ayame estava sentada mexendo em alguns papeis, Kazuko estava deitado, largado em cima do sofá.
- Por quê não me avisaram que não iam ver a aula? - entrei na sala.
- Você se quer olhou seu celular?! - Ayame me fitou, parecia bastante chateada, e lembrei de quando fui sair de casa e vi uma mensagem não lida, e realmente, não li - Se tivesse lido, estaria aqui com a gente decidindo o que escrever no resumo - Ayame suspirou.
De repente alguém bateu duas vezes na porta, nós que estávamos lá dentro nos olhamos assustados.
- Eu abro - Hokuto, que estava ao lado da porta, a abriu, estávamos esperando a diretora, ou qualquer professor, mas não, era uma menina de curtos cabelos ruivos, vestia o uniforme e um jaleco branco - Pois não?
- Soube que vocês dão conselhos?! - ela parecia um pouco nervosa.
- S-Sim! - Ayame levantou-se da cadeira muio rápido - Arrumem as coisas!
- Esperem! - a menina estava corada - Não vim aqui para pedir conselhos, vim aqui para entrar para o Clube escolar.
- Você... Por quê?!?! - Kazuko também se levantou do sofá - Você tem ideia de que nós estávamos aqui pra nada né?
- Não importo, mas vocês não podem recusar um novo integrante, não é mesmo? - por mais que eu ache que ela já tenha procurado entrar e outros Clubes, algo me dizia que não - E então, vão me aceitar ou não?
- Posso pelo menos saber o Por quê? - Ayame, como líder, não podia aceitar qualquer um assim.
- -E-Eu... estou na mesma situação que você! - ela gaguejou - Ou entro em um Clube Escolar, ou reprovo metade das matérias, ano passado consegui passar sem entrar em um Clube, mas esse ano a diretora está me pressionando de mai, então não tenho outro opção.
- Mas por quê o nosso grupo? - até o Hokuto estava curioso.
- Como não percebeu, a situação de vocês é igualzinha a minha, vocês não conseguiram entrar em um grupo com atividades regulares dentro do colégio, um grupo que realmente faz alguma coisa dentro do seu tema escolhido, então resolveram criar um, e escolheram um tema simples, conselhos, pensando que ninguém iria vem aqui - quando ela terminou de falar nós quatro estávamos apavorados.
- C-C-Como você sabia disso?! - Ayame gritou.
- Imai-san, eu sei de tudo que acontece nesse colégio, eu sou a criadora do sistema inteligente de comunicação e espionagem dentro do colégio, o SICE - a garota entrou dentro da sala por completo, fechou a porta e sentou-se ao lado do Kazuko - Sei de absolutamente tudo.
- SICE?! - Kazuko a fitou com medo - Câmeras?
- Em todo lugar - ela sorriu.
- Até nos banheiros femininos e masculinos? - os olhos de Hokuto brilharam.
- S-Sim... - a menina sussurrou com vergonha.
- Prec...
- Cala a boca Hokuto - Ayame bateu levemente no rosto do Hokuto - Como se chama?
- Yoshida Sumi, mas pode me chamar de Su - ela sorriu, parecia estar se achando após comentar sobre suas habilidades.
- Não quero mais uma louca no nosso clube escolar, melhor até eu ir embora daqui - Kazuko levantou-se do sofá.
- Está com medo que eu conte para eles o que você anda fazendo no intervalo Kojima-san? - Sumi sorriu.
- D-Do q-q-que você está falando?! - Kazuko a fitou com medo.
- Como eu já falei, eu sei de tudo - Sumi cruzou os braços.
- Melhor fazer a ficha dele logo, antes que ela conte a fofoca da escola toda pra nós, e eu, pelo menos EU, não estou afim de saber - eu suspirei.
- Ainda não tive a oportunidade de conversar com você - Sumi me fitou e imediatamente se levantou do sofá - Suas ondas cerebrais são confusas, diferentes de qualquer coisa que eu já vi.
- E você... - olhei para seus grande olhos esverdados.
- Você não me parece normal - Sumi não tirava os olhos dos meus olhos, senti meu corpo pulsar - O que você esconde? - minha respiração ficou ofegante - Por quê está nervosa? - enquanto ela falava, ia me empurando contra a parede.
- Vá.. embora daqui - fiquei contra a parede.
- Do que você está com medo?! - a sala ficou em silencio por alguns segundos, e eu não estava mais conseguindo controlar meu corpo, um de meus olhos mudou de cor rapidamente.
- Chega! - Kazuko me puxou pelo braço e me tirou da sala, por sorte ele fez aquilo - Você está bem?! - enquanto ele me guiava segurando meu braço, eu estava de olhos fechados, tentando fazer meu corpo voltar ao normal - Kumiko-san?! - Kazuko parou de andar no meio do corredor e me fitou - Kumiko?!
- Estou.. bem - respirei fundo e abri os olhos.
- Do que ela estava falando lá dentro da sala?
- Não sei Kazuko... - fechei a cara.
- E por quê ficou tão nervosa?!
- Kazuko eu não quero falar sobre isso, estou indo pra casa - dei as costas para ele.
- Sua bolsa está dentro da sala! - Kazuko falou mais alto.
- Amanhã eu pego - suspirei, eu sabia que não iria conseguir segurar meu corpo por muito tempo, então teria que sair de lá, de perto de qualquer ser vivo o mais rápido possível, antes que algo de ruim acontecesse.
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- Aonde está Kumiko, Kazuko? - Kazuko voltou para a sala e Ayame indagou.
- Ela foi pra casa... - ele respondeu triste.
- Mas as coi..
- Ela disse que vem pegar amanhã Ayame, agora me deixe em paz - Kazuko pegou sua bolsa e também foi embora.
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Eu havia chegado em casa com um pouco de dificuldade, apesar dela ser bem próxima do colégio, mas não era tão simples assim, andar e tentar se concentrar em ficar sã, mentalmente. Tomei um banho e desci para preparar alguma coisa para comer, já estava mais relaxada, até que ouvi meu celular tocar, um SMS: "Espero que você esteja bem, não vou mentir que estou até agora preocupado com você, não me entenda mal. Você nos assustou com aquela reação. Boa noite, Kazuko."
Não vou mentir que o que normalmente deveria passar pela minha cabeça era tentar saber como ele tinha meu número, mas como Ayame descobriu do nada, não liguei muito para isso. O que realmente não saia da minha cabeça era o fato dele ter me tirado de lá sem pensar duas vezes, mesmo sem saber do perigo, mesmo sem saber o que estava acontecendo, e ainda mais, me manda um SMS falando que está super preocupado.
Sem eu perceber um pequeno sorriso se formou em meus lábios.
Alguns segundos depois meu celular tocou novamente, outra SMS: "Por mais que eu ache que você não queira compartilhar isso com nenhum de nós, gostaria muito saber mais de você, sobre sua vida, sobre seus gostos, mas você parece não querer compartilhar isso com nenhum de nós. Se algum dia quiser, perto da sua casa tem um lindo lago, e perto dele uma praça, se algum dia quiser mesmo conversar, mande um SMS, nem que seja sem palavras alguma, vou estar lá, esperando você. Boa noite, de novo. Kazuko."
Aquilo tinha mexido comigo, me fez realmente querer vê-lo e contar para alguém que aparentemente eu poderia confiar a verdade sobre mim, sobre tudo. Mas não poderia arriscar tudo que eu estava construindo por uma amizade, pelo menos agora não.
Deixei o celular em cima da mesa e voltei para a cozinha.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Eye, The Story of Fate [C.04]

               Cap.04 - Clube Escolar

O final do primeiro dia de aula já estava chegando ao fim, e como não era esperado, vinha mais uma surpresa.
- Espero que todos os novatos e veteranos estejam já inscritos em seus devidos Clubes escolares - Matsumoto-sensei começou a distribuir vários papeis para todos os alunos da sala.
- Você já escolheu seu grupo Kumiko-san? - Ayame se teletransportou do outro lado da sala para a cadeira ao lado da minha, sinceramente não a vi chegando perto de mim.
- N-Não... Sou obrigada a entrar em um Clube escolar?! - a fitei.
- É sim, porque durante o ano irão acontecer eventos na escola, que valem um tipo de nota, então você só pode participar se estiver em um grupo, pois a inscrição irá com o nome do grupo e não com o nome de um membro só, entendeu? 
- Sim mas., em qual grupo você está? - como ela era a unica menina que eu conhecia, não via outra maneira de entrar em um grupo e ficar chamando mais atenção ainda.
- Eu?! Em nenhum, ano passado eu fazia parte do grupo de culinária, mas como não ajudava muito, acabei saindo junto com o Hokuto, fiz ele entrar junto comigo - Ayame riu.
- E pra qual você irá?
- Pensei em criar um Clube escolar, pois é necessário no minimo três membros para qu o grupo seja oficializado pela direção da escola, e somo três, o que acha?
- Fazer um?! Sobre o que? - passou as piores coisas possíveis na minha cabeça.
- Esta é a parte complicada, eu não faço a minima ideia.
- Por quê não esperando a aula acabar para conversarmos nós três e decidimos algo? - sorri.
- Certo então - Ayame parecia transbordar de alegria ao ouvir minha proposta, as vezes ela bom fazer algo de bom para outra pessoa.
Quando a aula acabou, Ayame voou na minha mesa novamente e me puxou pelo braço.
- Pra onde estamos indo Ayame-san? - aquilo sim me assustava.
- Hokuto está no telhado nos esperando - subimos as escadas para chegar no telhado e lá estava ele, sentado, no mesmo canto de hoje de manhã - O que me diz?
- Acho que poderíamos criar um grupo..
- Não - Ayame o interrompeu.
- Mas você nem esperou..
- Imagino o que essa sua mente insana está pensando, então.. Não! - ela sentou-se ao lado dele.
- Então pra que me chamou aqui???? - Hokuto indagou um pouco confuso - Disse que queria a minha opinião!
- Queria a sua opinião sobre a minha decisão e não uma alternativa de Clube vindo da sua boca - Ayame me fitou - O que vamos fazer? - era assustador como ela o ignorava rapidamente.
- Não faço a minima ideia.. desculpe - fiquei um pouco sem jeito.
Enquanto nós três pensávamos em um tema para formamos nosso Clube escolar, alguém chegava no telhado.
- Eu tenho uma ideia - reconheci aquela voz - Mas duvido muito que a senhorita "certinha" queira me ouvir - Kazuko apareceu e encarou Ayame sem piscar.
- Não chamei você aqui, intrometido! - Ayame cruzou os braços.
- Vamos pelo menos ouvir o que ele tem a dizer, nós não temos nada, e pelo o que eu ouvi da Matsumoto-sensei, os Clubes escolares só podem ser criados hoje - Tentei acalmar Ayame.
- F-Fa..le... - Não pensei que eu iria conseguir "amolecer" ela tão rapidamente.
- Pensei em algo haver com livros, uma boa leitura sempre ajuda, e podemos simplesmente não fazer nada lá, mas como existe todo tipo de grupo ligado a este tema, não iria da certo, foi aqui que eu pensei, "O Clube dos Conselhos" - não vou mentir, mas aquela sugestão era ridícula.
- Está falando sério?! - Hokuto o fitou.
- Qual mal tem nisso? Acha mesmo que alguém irá nos pedir algum tipo de conselho? - ainda me impressionava com o quão gênio ele conseguia ser piorando cada vez mais a ideia idiota dele.
- E se alguém chegar lá pedindo conselhos seu tapado? - Ayame o fitou furiosa.
- Apenas... falamos o que vier na nossa cabeça ué - acho que pra ele, enganar as pessoas que necessitam de ajuda é uma coisa simples.
- Não é uma má ideia - Hokuto levantou-se do chão - Posso...
- Tá vendo? Ele é um homem sábio - Kazuko riu.
- Você já é popular de mais Hokuto, não vai usar os conselhos pra iludir as garotas a te perseguirem mais só pra aumentar mais e mais seu ego, então, NÃO! - Ayame suspirou.
- Eu não sei.. da nenhum tipo de conselhos então... tenho, vergonha - corei.
- Por quê ela é tão fofa?! - os olhos de Hokuto brilharam.
- Cale-se - Ayame jogou a bolsa na cara dele - Não temos uma ideia melhor no momento, e não temos mais de 30 minutos até que a diretoria feche, então... vai ter que ficar isso.
- Mas.. - definitivamente eu não iria participar do grupo.
- Não se preocupe Kimuko-san, ninguém irá pedir conselhos, e se alguém vier, não precisamos aparecer, simples - Ayame sorriu, mas não parecia muito satisfeita - Estou a ficha, vou entregar, amanhã estejam aqui no almoço - ela foi embora, estava muito estranha.
- O que deu nela?! - nós três estávamos assustado com tanta calma vindo da Ayame - C-Como ela aceitou a minha proposta?! 
- Já está meio tarde então, vou pra casa, até amanhã - fui caminhando para ir embora.
- Espera Kumiko-san - Kazuko gritou - Vou caminhando com você.
- Você não sabe pra que lado eu vou - achei aquilo um pouco suspeito da parte de alguém que supostamente não sabe onde eu moro.
- Posso descobrir descendo com você, não acha? - Kazuko sorriu meio sem graça - Ou você prefere ir sozinha?
- Tanto faz - sorri.
Descemos as escada e em seguida fomos para a saída do colégio.
- Pra que lado você vai? - Kazuko sorriu.
- Pra cá - apontei para a direita.
- Ótimo! A estação de trem é pra esse lado também, vou com você até sua casa - por um segundo achei mesmo que ele não pegava aquele caminho, só estava indo porque queria ficar comigo ou saber onde eu morava - Você já conhece a cidade Kumiko-san?
- Não, na verdade não faz muito tempo que cheguei aqui..
- Se você quiser saber de alguma coisa por essas redondezas pode me ligar - Kazuko me entregou um pequeno pedaço de papel com seu número escrito - Tem vários lugares divertidos aqui, apesar de que nessa temporada do ano, a maioria desses lugares estão vazios, mas quando está em alta estação, como o verão, é sempre cheio.
- Ainda não me acostumei muito bem com o clima mais "quente" daqui - suspirei, e percebi o quão estava quente enquanto caminhava.
- Quente?! - Kazuko se surpreendeu ao ouvir aquilo - Da onde você veio? Morava dentro de um iceberg por acaso?!
- Claro que não! - ele riu - O castelo em que eu morava ficava localizado na montanha mais alta de toda a Alemanha, era raro ver tudo verde lá, sempre tinha muito gelo... muita neve, sempre.
- Deve ser chato sempre ver gelo todos os dias do ano - Kazuko fitou o céu azul - Aqui o nosso sempre fica assim, azulado, com poucas nuvens, agora quando se neva de mais..
- Você mal vê o céu - completei - Na verdade eu não costumava sair muito do castelo, ele era tão grande que tudo o que eu precisava tinha em algum cômodo de algum andar inferior ao andar do meu quarto.
- Sua vida parece de mentira - Kazuko riu baixinho.
- Não entendi - o fitei confusa.
- Você tem cabelos brancos naturais, é uma princesa, morava em um castelo gigantesco, é rica, e de repente vem pra uma cidade no interior do japão - Kazuko me fitou - Se alguém um dia me contasse uma história parecida, eu nunca acreditaria.
- Entendo - vendo por este lado, parecia uma mentira mesmo - Conversamos tanto que não vi o caminho passar, estou em casa já - fui caminhando para a porta da minha casa.
- Você mora nessa casa enorme com quem? - Kazuko estava deslumbrado com o tamanho da casa, alias, qualquer um ficaria.
- Moro só - o fitei.
- SÓ? Tipo sozinha?! - Kazuko se assustou.
- Eer... é né - não entendi a pergunta dele.
- Nossa.. 
- Por quê?
- Nada não - ele sorriu - Já que está sã e salva em casa, vou indo, até mais - ele foi indo embora, mas percebi que ele estava voltando pelo caminho que nós viemos e realmente um dos meus pensamentos estava aparentemente certo, ele veio até aqui para ficar comigo, ou para saber onde eu moro?! Suspirei.
Assim que entrei em casa ouvi meu celular tocar dentro da minha bolsa, atendi.
- "Por quê você saiu do colégio junto com o Kazuko??" - não estava reconhecendo muito bem aquela voz.
- Quem...
- "Não tá reconhecendo minha voz?! Nossa, sou eu, Ayame!" 
- C-C-Como você sabe o número do meu celular?!!?!?!?! - acho que as pessoas que deveriam ser supostamente "normais" são loucas nessa cidade.
- "Não importa como eu consegui, que tipo de relação você tem com o Kazuko Kumiko?" - Não sabia dizer se ela estava com raiva de mim ou do Kazuko por nos ter visto juntos.
- Relação?! - corei - Nenhuma!
- "E por quê ele..."
- Ayame desculpe mas eu tenho que desligar, nos vemos amanhã na aula - para que este interrogatório não se esticasse mais, desliguei a chamada na cara dela - Menina louca...
Joguei minhas coisas em cima do sofá e fui para tomar um longo e relaxante banho, afinal, hoje não tinha sido um dia tão calmo assim.
Entrei no banheiro e parei em frente ao espelho, fiquei me olhando fixamente, tentando descobrir algum segredo por trás de todo o meu poder em meus olhos, mas nada acontecia.
De repente um de meus olhos mudou de cor por alguns milésimos de segundo, virei o rosto rapidamente com medo que eu perdesse o controle de mim mesma.
- Nunca vou conseguir me controlar, esta é a verdade.. - suspirei, tirei a roupa e entrei na banheira.

domingo, 30 de junho de 2013

Eye, The Story of Fate [C.03]

           Cap.03 - Um dia Nervoso

Enquanto a professora dava a sua aula, minha mente começou a "voar" para longe dali, estava observando todos as pessoas ali, alguns com bastante atenção na aula, outros dormindo, e alguns cadeiras vazia.
De repente algo foi lançado na direção da minha testa, o objeto caiu na minha mesa, era um pequeno pedaço de papel, o abri e tinha escrito: "Olá, sou Imai Ayame, olhe para o lado", olhei para o lado, e do outro lado da sala estava a menina que me jogou contra a parede me chamando de Ojou-sama, sorria com um sorriso de orelha à orelha, tentei sorri, mas deve ter saído a pior coisa do mundo, virei o papel para ver se tinha algo mais escrito e vi: "Vamos almoçar juntas?", aquilo me fez ficar feliz, não sabia que iria ser tão bem tratada, logo no meu primeiro dia, achava que todos iriam me odiar, me tratar como se eu tivesse com alguma doença contagiosa ou coisa parecida, desta vez um sorriso mais completo se formou em meu rosto.
- Você vem? - ouvi uma voz ao meu lado - Vamos, acabou de terminar a aula - Ayame estava em pé do meu lado com uma das mãos estiradas - Espero não ter sido atirada de mais, gosto de fazer novos amigos, você vem? - ela continuava com aquele sorriso gigantesco no rosto, eu simplesmente não sabia o que fazer, não sabia se eu realmente podia confiar nela, se não era simplesmente uma brincadeira de mau gosto - Confie em mim, mas temos que ir logo o Hokuto-kun está nos esperando, você tem que conhecê-lo - suspirei e levantei-me da cadeira, não iria ficar esperando sentada naquela cadeira por uma oportunidade melhor, o destino estava me dando uma chance de mudar, e eu iria agarrar com todas as minhas forças - Fico feliz que tenha aceitado - Ayame pegou minha mão com toda a força e começou a correr para fora da sala.
- Para onde estamos indo? - Gritei enquanto corria.
- Você é mesmo uma Ojou-san, fala toda certinha - Ayame riu, corei, não sabia se aquilo era ruim ou bom - Estamos indo para o melhor lugar de toda a escola, o telhado.
- Kumiko! - ouvi alguém chamar meu nome, eu e Ayame paramos de correr.
- O que você quer com ela Kazuko?! - Ayame não parecia se dar bem com ele.
- Quero falar com ela, não posso?! - Kazuko a enfrentou.
- Nã...
- O que você quer? - sussurrei, estava com vergonha daquela situação.
- Como você conhece ele? - Ayame fitou-me.
- Err... - estava ficando mais nervosa.
- Vimos juntos no avião da Alemanha para cá - Kazuko respondeu de uma maneira estranha, como se aquilo fosse me "ganhar" de Ayame.
- Não importa... o que.. você quer? - interrompi a conversa deles dois antes que acabasse em mais briga.
- Não posso acreditar que você ta aqui, e na mesma sala que eu - ele se aproximou de mim.
- Nem eu.. - sussurrei.
- Acabou?!?! Olha desculpa mas temos coisas mais importantes para fazer - Ayame segurou minha mão com mais força e começamos a subir as escadas em direção ao telhado, fitei rapidamente o Kazuko, ele parecia um pouco triste e feliz ao mesmo tempo, não sei se era por estar me vendo ali, mas... seu sorriso... não sei o porque, mas me fazia bem - CHEGAMOS! - Ayame empurrou a porta do telhado com tanta força que ela foi para trás e voltou - Ops.. - ela riu, ri baixinho - Enfim, Hokutoooo-kuuun?!
- Estou aqui atrás - ouvi uma voz vindo da parte de trás do telhado, dei a volta na cabine das escadas e vi um menino sentado no chão, tinha cabelos loiros e olhos azuis - Já arrastou a menina pra cá?!
- Quanto mais gente melhor Hokuto-kun - Ayame sentou-se ao lado dele - Este é..
- Hokuto - o menino me fitou rapidamente - Eu tenho boca, sei me apresentar Ayame.
- Ele é um doce de pessoa, não se engane por este mau humor besta - Ayame sorriu, sente-se Ojou-sama - ela riu.
- Não brinque com isso - corei.
- Desculpe, não consigo me conter, em ter uma princesa ao meu lado - Ayame tirou um pequeno pote preto e o abriu - Você quer?
- Não estou com fome - sorri - Gostaria de saber onde fica a cantina, queria comprar pelo menos um suco para tomar.
- Eu tenho suco! - Ayame começou a mexer na bolsa.
- Não se preocupe, eu compro o meu suco, mesmo assim obrigada - sorri, levantei-me do chão e fui voltando para as escadas.
- Você assustou a garota, como sempre - ouvi a voz do Hokuto.
- Não assustei nada - Ayame retrucou, ri baixinho ao ouvir aquilo.
Desci as escadas e fui caminhando calmamente pelos corredores do colégio, nem percebi que eu estava chamando muita atenção, muita mesmo, por onde eu passava todos me olhavam e cochichavam algo sobre minha aparência.
- Está perdida? - Matsumoto-sensei apareceu ao meu lado e começou a caminhar comigo.
- Estou procurando a cantina - sorri um pouco.
- Fica no primeiro andar - Matsumoto-sensei entrou em uma sala - Aqui fica a diretoria, qualquer coisa, pode vim aqui, certo?!
- Okey - voltei a caminhar e fui para o primeiro andar.
Ao chegar na catina vi que estava cheia de gente, como sempre, chamei toda a atenção do local, mas dessa vez foi super constrangedor, todos me encaravam de uma maneira estranha, me sentia horrível, com medo, mas mesmo assim continuei andando em direção da filha que se formava para comprar algo para comer.
O silêncio que surgiu após a minha chegada era de estourar ouvidos, minha respiração já estava rápida, estava quase chorando de tão nervosa, rapidamente a fila andou e comprei meu suco o mais rápido possível, tentei andar com calma para sair dali, mas não aguentei, quase corri de tão nervosa.
Subi para o segundo andar o mais rápido que eu consegui e entrei na minha sala, estava quase sem fôlego.
- Deve ser difícil pra você - não tinha percebido que tinha alguém dentro da sala junto comigo, procurei pela sala toda e vi o Kazuko olhando pela janela perto da mesa dos professores - Afinal, você não é normal.
- O-O-O que você está fazendo aqui?! - como se me importasse o porquê dele estar ali, sozinho, como voltei a ficar nervosa, não sabia o que falar.
- Não sou muito popular, os outros garotos não tem nada na cabeça então, prefiro ficar só... - o vento fez seu longo cabelo que estava preso por uma pequena liga, soltar - E você... - Ele se virou para mim, tirou a liga do cabelo e o prendeu novamente - O que está fazendo aqui?! Ayame não a carregou lá pra cima?!
- Err..
- Ela é atirada de mais não é? - aquilo fez parecer que ele ja havia vivido tudo isso - Sei como é.
- Porque vocês dois não se gostam? - me aproximei dele.
- É uma longa história Kumiko-ojou-sama - ele riu.
- Não me chame assim!
- Desculpe - ele ria - É inevitável, você é a segunda princesa que eu conheço, incrível...
- Isso não parece lhe trazer boas memórias.
- E não trás - ele me fitou e sorriu - Mas de que importa agora não é?! O futuro é mais importante - rapidamente Kazuko voltou a observar o lado de fora da janela.
- Por quê... você não me acha estranha? Por quê você... fala normal comigo?
- Porque eu faria diferente?! Por acaso você é um Alien?! - Kazuko riu - Só porque tem cabelos brancos, só porque é uma Ojou-sama, só porque você é estranha, não quer dizer que não seja humana, não quer dizer que você irá me matar assim que sairmos daqui, então, qual problema há nisso?
- Fale isso para as outras pessoas.. - sussurrei.
- O que?
- Nada, deixa pra lá - terminei de tomar o suco - Vou voltar lá pra cima, você não vem?
- Não quero ter que enfrentar Ayame novamente, estou bem aqui - ele sorriu - Mas cuidado, ela sim, atraí coisas perigosas, falo sério.
- Certo - ri baixinho.
Ao chegar no telhado, Hokuto estava lá sozinho, mas sem saber muito o que fazer, me sentei ao lado dele.
- Não precisa ficar aqui, sério - Hokuto estava encostado na parede da cabine das escadas, com os olhos fechados sentindo a brisa - Ayame é um pouco atirada eu sei, mas ela é boa pessoa, não tenha medo.
- Não tenho - sorri.
- Ela saiu te procurando quando lembrou que a cantina é cheio de gente, e que você poderia ter alguns problemas com as pessoas de lá, até agora não voltou - já ia me levantar para a procurar - Mas fique, ela vai voltar - Você é uma princesa mesmo?
- S-S-Sou...
- Eu também, mas poucos sabem disso, famílias reais são um problema, tenho que ser o herdeiro do trono de meu pai, mas não quero, sei que não tenho responsabilidade o suficiente para todas coisas que um Rei faz - Hokuto suspirou.
- E o que faz aqui? - o fitei.
- Eu?! - Hokuto abriu os olhos e fitou o céu - Fugi de casa, na verdade meus pais sabem que eu estou aqui, mas não importa o que eles querem, estou bem sozinho, nossas vidas são bem.. - ele me fitou - solitárias, não acha?! - seus olhos tinham uma cor linda, um azul que mais parecia o céu, corei e virei o rosto rapidamente.
- S-Sim..
- Você também mora só?
- Sim..
- O que acha de nós dois morarmos juntos? - meu coração parou ao ouvir aquilo, parou por alguns segundos - seria uma boa ideia, morarmos como um casal - ele ainda me olhava fixamente, eu estava tão nervosa que suava - Somos tão perfeitos que seria até uma boa ideia, não acha Kumiko-chan?
- O que... você disse a ela Hokuto? - ouvi a voz da Ayame se aproximando - Repita... - ela apareceu, pela sua cara estava um pouco com raiva, um pouco só.
- Estava convidando Kumiko-chan para ser minha noiva, gostei dela - Hokuto falou aquilo com uma naturalidade tão grande que me assustei - O que tem de mal nisso? Por acaso está com inveja? - Hokuto a fitou, e conseguiu a deixar com mais raiva ainda.
- Hokuto, vá embora.. antes que eu resolva jogar você daqui de cima do telhado, por favor - Ayame respirou fundo.
- Não fiquei com inveja, você é até bonita - Hokuto se levantou do chão e começou a caminhar para ir embora - Mas acho difícil ser digna de uma princesa - foi embora, Ayame estava quase fumaçando de tanta raiva, e eu, imóvel, sem saber o que fazer, o que falar.
- Dias difíceis, não?! - Ayame respirou fundo e pareceu ficar mais calma - Ainda jogo ele de cima do maior prédio da cidade, espera só.
- Ainda estou um pouco chocada, mais tudo bem... - me levantei do chão com mais calma.
- Não fique sozinha com ele, siga este meu conselho, ele não tem escrúpulos, ele é doido - Ayame suspirou novamente.
- Percebi - ri sem graça.
- Ele não fez algo com você, FEZ?!?! - Ayame gritou e eu me assustei.
- N-N-Não - corei muito - NÃO!
- Ufa... Não se pode dar confiança àquele rato - Ayame parecia pensar em algo - Mas enfim, vamos para a sala, esta na nossa hora já.

Eye, The Story of Fate [C.02]

            Cap.02 - Um dia de coincidências

Não vou mentir que estava com um pouco de medo de ir morar só, de acabar acontecendo alguma coisa e não ter ninguém do meu lado para me ajudar, ou até mesmo me controlar, mas como havia pensando, esta nova fase na minha vida seria o "Teste Final" para o controle total de meus poderes, pois ou eu iria me dar bem sobre tudo isso, ou não, todo o meu treinamento de anos junto com meus pais, iria por água a baixo.
Após terminar de arrumar minhas malas para viajar, desci a escadaria do castelo em direção da porta principal, e lá estavam meus pais, percebi que Kyo estava com os olhos vermelhos quase chorando.
- Sei que nós não temos uma grande intimidade Miko - Derek se aproximou de mim e acariciou minha cabeça, ele falava um japonês um pouco enrolado - Mas saiba que este castelo irá ficar triste sem você, pois adorava tomar café da manhã com você e Kyo - corei - Mas nunca esqueça, sempre... Sempre mesmo, que precisar de qualquer coisa, não exite em me ligar - ele estendeu a mão e me entregou um celular - Não sei se este irá de encontro com seu gosto - ele riu.
- O-Obrigada... Pai - sorri, vi que um sorriso bem desenhado em seu rosto se formou.
- Minha filha - Kyo se jogou em meus braços - Saiba que esta decisão é a decisão mais difícil da minha vida - ela não se aguentou e chorou - Mas sei que você é forte, sei que você irá ficar bem!
- Prometo que vou ficar bem, então não se preocupe Mamãe - sorri novamente, peguei uma das minhas malas e fui caminhando para sair do castelo, para falar a verdade eu estava segurando as lágrimas, aquele momento era difícil, e eu não gostava de demonstrar minhas emoções para os outros.
Após arrumar todas as malas no carro, entrei e sentei-me, baixei um pouco a janela do bando onde eu estava e vi Kyo ainda chorando.
- Eu amo vocês - sussurrei baixinho, não sei como eu sabia da existência daquela palavra, pois a probabilidade de eu usa-la no meu dia-a-dia era zero, e sabia que nunca iria amar alguém novamente, somente eles dois.
- Nós também te amamos Miko - vi uma solitária lágrima escorrendo no rosto de Derek.
Rapidamente o carro partiu do castelo e eu já não conseguia mais vê-lo, resolvi fechar os olhos e esperar dormindo a chegada no aeroporto.
Não sabia o que me aguardava no Japão, nasci lá, e eu não tinha boas memórias de lá, porém, no fundo no fundo, eu queria sim mudar isto, por causa de Kyo, eu estava começando a me tornar uma pessoa mais positiva, mais... Humana.
- Ojou-san (1) - o motorista me acordou - Desculpe lhe acordar, mas chegamos no aeroporto - ele abriu a porta para que eu saísse, já estava até com as malas do lado de fora do carro - Melhor nos apressarmos, por causa do trânsito, estamos um pouco atrasados, perdoe.
- Não me peça desculpas - ri baixinho - Por acaso o trânsito foi culpa sua?! - ele corou - Não! Então vamos, esqueça disso - Saí do carro e fomos andando calmamente para o saguão de embarque.
Não demorou muito para que eu embarcasse no avião, estava um tanto nervosa por viajar de avião, pois não lembro-me da primeira vez que vim para a Alemanha, eu tinha no máximo 4 anos, então seria como uma primeira vez.
- Você parece um pouco nervosa - Ouvi uma voz ao meu lado e virei o rosto rapidamente, apesar de estar viajando na melhor classe que o avião exigia, ainda sim vinha alguém sentado ao meu lado, e infelizmente eu havia esquecido deste ponto - Não sei se está mesmo... - não havia percebido que eu estava olhando fixamente para o rosto do rapaz ao meu lado - Mas não fique, é só um avião, o piloto sabe o que faz - sua voz era macia, me trazia uma sensação boa, ele sorriu delicadamente - Você está bem?! - Como eu não estava respondendo à suas palavras ele achou estranho.
- Estou - virei o rosto para a janela.
- Ainda bem então - ele apoiou a cabeça no encosto da poltrona - Como se chama?
- T-Tsutsukakushi K-K-Kumiko... - demorei um pouco a responder.
- Que nome... bonito, me chamo Kojima Kazuko - após nos apresentarmos ouvi a aeromoça comunicar que iríamos decolar - Sua primeira viagem de avião? - ele falava enquanto colocava o cinto de segurança.
- N-Não... - eu estava nervosa.
Após alguns minutos o avião decolou, foi tudo normal, achei que seria uma sensação horrivel, tirei minha mascara de dormir de dentro de uma das minhas malas pequenas, coloquei no meu rosto e fechei os olhos, seria uma longa viagem.
Mas meu sono não havia sido o suficiente para chegar até o Japão de olhos fechados, acordei no instante em que serviam o café da manhã.
- Ainda pensei em lhe acordar para tomar o café, mas vejo que não precisei - Kazuko sorriu para mim, mas eu não respondi nada, apenas peguei algo para comer da aeromoça e comecei a comer olhando as nuvens.
Não demorou muito até que já conseguia ver uma grande cidade pela janela do avião, e ouvi o piloto confirmar minha vista, havíamos chegado em Tokyo.
- Você vai ficar em Tokyo Kumiko-san? - Kazuko me fitou.
- Não.. - eu não sabia como dialogar com pessoas estranhas, e não estava entendendo porque ele estava sendo tão legal comigo, ninguém se aproximava de mim por causa da minha estranha aparência.
Quando o avião pousou esperei Kazuko arrumar as coisas para ir embora e levantei-me da poltrona.
- Você tem lindos cabelos - Kazuko sorriu e foi embora.
Aquilo me fez parar no tempo, não acreditei que ele tinha dito isso, depois de tudo... de Tudo que eu havia passado, alguém me diz que uma das fontes de todos os meu problemas... é Bonito. Mas eu não acreditei, quando recobrei minha sã consciência, percebi que isso não se passava de uma brincadeira de muito mau gosto, mas como eu já estava meio que "acostumada" mentalmente com todas as reações possíveis das pessoas estranhas, aquilo não era nada, não me abalou.
Saí do avião e peguei minhas malas no saguão de desembarque, as coloquei no carrinho e fui saindo do gigantesco aeroporto de Tokyo.
Vi que ao lado da porta de saída do aeroporto havia uma tela mostrando o valor do aluguel de pequenos jatinhos, e vi que um deles poderia me levar até Toyama, perguntei para a moça que estava ao lado do painel como eu poderia comprar.
No final comprei a passagem no jatinho particular e rapidamente cheguei em Toyama, rapidamente mesmo, não demorou quase nada, o jatinho pousou no aeroporto da cidade.
Ao sair do local, peguei um Táxi e fui para a casa que meus pais haviam comprado exclusivamente para mim.
A casa era exageradamente grande, como sempre na visão de quem mora em um castelo, sempre mais espaço é melhor, mas me pergunto o que vou fazer com uma casa daquele tamanho só para mim.
Assim que entrei em casa e levei todas as minhas malas para o quarto para começar a arrumar minhas coisas, vi um bilhete em cima da cama, e nele tinha escrito: "Filha, espero que tenha gostado da casa e da localização, sempre pensamos no melhor para você, e amanhã mesmo você já tem aula na escola a quatro quarteirões da sua casa, espero que vá, pois é a melhor da cidade, com muito amor, sua mãe, Kyo."
Ler aquilo fez finalmente uma das lágrimas que eu tanto segurava sair, meu peito se apertou, e senti pela primeira vez o que é realmente o significado de "Saudade".
No outro dia arrumei-me como uniforme da escola, eu estava muito, mais muito nervosa, estava com medo da reação das pessoas sobre a minha aparência, peguei a bolsa para sair de casa e ir para o colégio.
O caminho até o colégio era calmo, cheio de árvores, pássaros, um pequeno parque e um lago bem grande, estava tudo perfeito de mais.
Quando cheguei na frente do colégio vi um grande painel na entrada informando aos novatos para irem diretamente na direção da escola, como eu não sabia onde ficava a direção da escola tentei me achar no pequeno mapa no mesmo painel, mas estava um pouco complicado, afinal ele era pequeno de mais para o tamanho da escola.
- Posso lhe ajudar? - uma mulher se aproximou de mim - Sou Yaguiyu Matsumoto, uma das professoras do segundo ano - ela era super gentil, meiga e delicada, mas uma coisa não estava naquela harmonia, seu grandes e chamativos seios, ao meu ver era o sonho de qualquer garoto, até mesmo Gay.
- Sou novata - corei.
- De qual sala? - ela sorriu delicadamente.
- 2-3 - fitei o chão, ela era tão bonita que estava me deixando envergonhada e com uma certa inveja.
- Veja que coincidência, é a sala onde estou dando aula neste momento, venha, quanto mais tempo perder, menos irá aprender - ela segurou minha mão e começou a andar, como eu não tinha outra escolha, a acompanhei - Aqui é sua sala, decorou o caminho?! - ela riu.
- Sim - ainda estava corada, mais com muita mais vergonha.
- Fiquei aqui, vou lhe apresentar na sala, certo? - ela soltou minha mão, entrou na sala e foi fechando a porta, mas não fechou por completo - Bom dia minhas crianças! Hoje é o primeiro dia de aula deste segundo ano e vejo que muitas caras que eu achava que não iriam se quer conseguir passar, estão aqui! - tive um pouco de medo daquilo, acho que por trás daquela fofura, havia algo mais macabro - E temos uma novata em nossa sala! - todos ficaram agitados - Silêncio por favor - todos se acalmaram - Ela vem da Alemanha, mas é japonesa, apresente-se por favor - ela me fitou pelo pequeno espaço da porta ainda aberta, respirei fundo e abri a porta, fui caminhando devagar.
Quando todos viram meus longos cabelos brancos, foi simplesmente um coral, "OHHHH", constrangedor.
- K-K-K-Kumikoooooooo?! - fitei rapidamente de onde vinha meu nome e não acreditei no que vi.
- K-K-Ka...zuko? - sussurrei, não liguei muito para aquilo, aparentemente, pois eu estava ficando louca e quase desmaiando de tão nervosa, suspirei - Me chamo Tsutsukakushi Kumiko, tenho 17 anos... - minha fala estava quase travando de tão nervosa - E acabei de chegar na cidade, morava com meus pais na Alemanha - uma menina de longos cabelos negros levantou a mão e a concedeu a ele o direito de pergunta.
- Você é uma Ojou-sama (1) ?! - ela sorriu, e todos ficaram surpresos.
- Q-Q-Quê?! - como ela sabia daquilo.
- Para a surpresa de todos eu sou muito interessada sobre as famílias ricas e importantes de todo o mundo, sei muita coisa, e a uns anos atrás tinha visto que uma moça de uma família também bastante importante daqui do japão havia se casado com um Alemão e eles dois tinham uma filha, então pelo seu sobrenome, só pode ser você! - enquanto ela falava meu coração disparava - Não é mesmo?! - eu não conseguia responder.
- Você não precisa responder Kumiko-san - Matsumoto-sensei riu meio sem graça - sente-se ali - ela apontou para uma cadeira ao lado da janela, fui andando calmamente e sentei-me, suspirei.
Mas que começo.

--- Notas ---
(1) Ojou-sama - Comumente usado para falar com garotas ricas ou de um patamar superior, é também comumente utilizado para com garotas que aparentem estas características ou até mesmo por vândalos e yakuzas para com algumas garotas.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Eye, The Story of Fate [C.01]

            Cap.01 - Um começo trágico

Todo mundo deseja algo, todo mundo tem uma vida boa, mesmo com o surgimento de problemas, mas todo mundo acaba superando todo tipo de barreira em sua vida, admito que tenho uma verta inveja das pessoas "livres", tanto de corpo, quanto de alma, pois eu nunca serei.
Minha vida já se deu com um início trágico, minha mãe precisou de tanto esforço para ter-me, que acabei tirando sua vida, mas o pior não parou por aí, ninguém sabe o por quê que eu nasci com um "defeito", a maioria das pessoas que sabem do meu "defeito" o chamam de poder, já eu não considero isto como um dom.
Posso controlar qualquer ser vivo com meus olhos, e foi por este motivo que meu pai simplesmente me largou no primeiro orfanato que viu pela frente. No instante em que nasci chorei como toda criança, mas ao abrir os olhos, meus olhos não tinham uma cor normal, eram tão vermelhos quanto sangue, mas após alguns segundos voltaram para uma cor normal, logo em seguida, o pouco cabelo que eu tinha começou a mudar de cor, do preto para o branco.
Meu pai assustado, largou-me em cima da cama onde estava minha mãe, já morta, e pediu que me levassem embora da casa, pois ele não queria um mal maior para sua vida, além do mais, eu matei minha mãe.
Após cinco anos no orfanato, após muita solidão, após ver todas as outras crianças da minha idade serem adotadas, um casal pediu para que uma das voluntárias da casa lhes trouxessem a ultima criança que faltava ser adotada, rapidamente a mulher foi a minha procura, lembro-me que ela vinha em minha direção com um sorriso confuso, não parecia saber se ficava triste ou alegre, pois nenhum casal queria me adotar.
A mulher me apresentou para um casal bem jovem, percebi que aparentavam ter bastante dinheiro, pois na porta do orfanato haviam vários seguranças, o homem pareceu um pouco confuso ao fitar meus longos cabelos brancos e perguntou para a voluntária porque meu cabelo era daquela cor.
Mesmo antes da voluntária responder, a mulher rica retrucou e disse, "Do que importa a cor do cabelo dela amor?! Veja a cara de solidão desta criança", no mesmo segundo o homem olhou profundamente em meus olhos, como sempre não resisti e o fitei, meu corpo pulsou, e percebi que meu corpo estava sendo controlado pelo meu "defeito" e virei o rosto rapidamente para que não estragasse tudo.
Alguns minutos depois de espera a voluntária veio com a noticia de que eu seria adotada, com muita alegria fui arrumar minhas poucas coisas para ir embora.
Ao entrar no carro junto com o casal a mulher foi logo me fazendo milhares perguntas, com muita timidez tentei responder o mais educadamente possível, mas uma pergunta não passou sem que eu não sentisse uma dor no peito.
- "Por quê você estava lá?" - a mulher estava sentada ao meu lado, acariciava meus longos cabelos brancos, mesmo querendo responder, senti medo que ao contar a verdade ela me devolvesse no mesmo segundo - "Conte-me a verdade, sou sua mãe agora, não irei lhe devolver ou coisa parecida" - Ao ouvir aquilo meu coração pulsou rápido e mesmo sem querer um sorriso escapou de meus lábios - "Não precisa me dizer agora certo?! Temos bastante tempo juntas, aliás, como se chama?" - Continuei sem responder - "Você... não tem um nome?!" - ela pareceu espantada - "Ótimo, lhe darei um nome, e o mais lindo, Kumiko, era o nome da minha falecida avó, o que acha?" - Sorri - "Fico feliz que tenha gostado, me chamo Kyo Tsutsukakuchi, este é meu marido, Derek, como você pode perceber, ele não é japonês como nós, ele é filho de um importante soberano na Alemanha, e é pra lá que estamos indo".
Tentei observar o que Derek fazia, estava sentado ao lado de Kyo, apenas observando a paisagem no lado de fora do carro, mas procurei não o encarar tanto, ele não parecia me aceitar ainda.
Após uma longa viagem havíamos finalmente chegado em um dos gigantescos castelos onde eles dois moravam, me instalei em um quarto, mas foi incrivelmente difícil me acostumar com todas os empregados dentro do castelo, para tudo o que eu precisava havia um ao meu lado para me atender.
Aos poucos fui me acostumando com tudo aquilo, minha nova casa, a fazenda ao lado do castelo, a minha "liberdade", ou a que eu achava que tinha. Não fazia ideia de como era bom ter uma família, e até o Derek começou a gostar mais de mim.
E também com o passar do tempo fui explicando mais a minha situação para Kyo, era bem complicado contar a ela sobre o que eu tinha de anormal, mas ela parecia estar aceitando qualquer tipo de conversa, afinal ela já parecia saber de algo, saber que eu não era como todas as outras crianças.
Em um dia, antes de ir dormir, ela apareceu no meu quarto para me dar boa noite, foi ai que eu resolvi lhe contar o que realmente eu tinha de diferente.
- Kyo, já se passou tanto tempo desde que estou aqui, então acho que lhe devo alguma explicação sobre meu passado, sobre... 
- Deixe isso pra lá, o que importa é o agora Miko-chan - Kyo falou antes que eu pudesse me explicar e sorriu.
- Eu quero lhe contar - a fitei fixamente, tive um pouco de medo que emu subconsciente pudesse prevalecer sob minha mente e controlasse Kyo ali mesmo, mas ela rapidamente respirou fundo e sentou ao meu lado na cama.
- Você tem todo o tempo do mundo Miko-chan.
- Sei de todas essas coisas que vou lhe contar porque uma das mulheres que cuidava de mim no orfanato estava junto de meus pais verdadeiros no dia do meu nascimento - Respirei fundo - Quando eu nasci, minha mãe morreu..
- Morreu?! De que? - Kyo pareceu assustada.
- Não sei dizer mas parece que ela já tinha algum tipo de problema de saúde, e meu nascimento exigiu muito dela..
- De maneira alguma quero que se culpe! - Kyo pareceu ler minha mente - Não foi culpa sua!
- Mas o pior não é isso... - baixei meu rosto - Quando meu pai me tirou do ventre de minha mãe, chorei e meus olhos se abriram, o que não é normal um recém nascido abrir os olhos, mas meus olhos...
- Continue! - ela parecia curiosa.
- Não eram normais...
- Como... assim?
- Meus olhos eram tão vermelhos quanto sangue, pareciam quase sangrar - quase sussurrei - E no mesmo instante o pouco cabelo negro que eu tinha mudou de cor.
- Mas... por quê?
- Ninguém sabe, só sei que meu pai pediu para que alguém me levasse embora da casa dele, pois não queria nenhum mal com ele, então a mulher me levou para o orfanato e...
- Como ele pôde... - Kyo estava indignada com aquilo.
- Alguns voluntários do orfanato nem se quer chegavam perto de mim depois do que aconteceu..
- O que aconteceu Kumiko?
- Como meus cabelos são brancos e estranhos, as crianças não costumavam querer brincar comigo, eu sempre ficava sentada, longe, olhando todos se divertirem, mas um dia, uma menina teve a coragem de me chamar pra brincar, quando ela se aproximou para tentar falar comigo, olhei fixamente em seus olhos e perdi o controle total do meu corpo, não lembro muito bem o que aconteceu, mas sei que uma coisa não sai de minha cabeça..
- O quê?
- As pupilas desaparecendo de dentro do olho da menina, na verdade ela parecia um zumbi, e uma palavra saindo de minha boca, que até hoje não sei como isso aconteceu... - uma lágrima escorreu no meu rosto.
- Kumiko?!
- "Morra"..
- C-Como assim?! O que houve?! - Kyo se exaltou.
- A menina... deu uns passos pro lado, subiu em um brinquedo bastante alto que tinha no parquinho e se jogou de cabeça, era... tanto sangue... - chorei mais - Eu... eu... não sei...
- Calma - Kyo me abraçou - Se acalme.
- Não sei porque aquilo aconteceu! - deixei o choro sair, depois de tanto tempo.
- Não foi culpa sua, tenho certeza Kumiko, pode confiar em mim, eu vou lhe ajudar - Kyo foi a primeira pessoa em que eu pude confiar, foi a unica pessoa em que eu realmente senti vontade de confiar.
Durante anos, fiz vários treinamentos para a mente, para tentar encontrar alguma maneira de controlar o que estava dentro de mim, o que me fazia querer controlar as pessoas para o mal, mas o maior de todos os meus treinamentos estava por vir, quando completei 17 anos Kyo disse que eu teria que voltar para o japão, pois eles iriam se mudar daquele castelo, eu teria de viver só, por minha conta e risco, sem ninguém para me ajudar.
Não vou mentir que no inicio senti medo, mas vi que aquilo seria para o meu bem, eu não poderia ficar ali, dentro de um castelo, trancafiada para sempre, sem viver minha vida, como todo ser humano tem que viver, e concordei com minha ida ao japão.

Eye, The Story of Fate [PERSONAGENS]

Nome: Kumiko Tsutsukakushi
Idade: 17 anos


 Nome: Kazuko Kojima
                                              Idade: 18 anos
         Nome: Ayame Imai
Idade: 17 anos


Nome: Yaguiyu Matsumoto
Idade: 28 anos

Nome: Matsuo Hokuto
Idade: 17 anos
                                           Nome: Yoshida Sumi
                                                Idade: 19 anos
Nome: Hashimoto Kenji
Idade: 20 anos

If these wings could fly [C.04]

Cap.04 -O Acidente Quando eu falo que fiquei por muito tempo no telhado, eu não estava mentindo, até peguei no sono, só acordei com...