terça-feira, 22 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.08]


                   Cap.08 - Oakwid e a mensagem
Fui observar o treinamento de Anna junto com Adryk e Fenhrir, nos sentamos em na grama com uma certa distancia de Anna e Mikhail, tínhamos que ficar longe, vai que alguma magia nos acertava. De repente Anna ergueu seus cajado bem alto e fechou os olhos, ficou tudo em silêncio por alguns segundos e logo vi uma pequena luz se surgindo da ponta do cajado.
- Ela está conseguindo - Adryk sorriu e a luz foi ficando cada vez mais intensa.
- "Tyänkruk Zan'sg Vülminor"(1) - Anna conjurou uma mágia em uma língua estranha, eu não sabia qual era, mas a magia era incrível, a luz ficou tão intensa que explodiu, formando três linhas que percorriam o corpo de Anna, pareciam a proteger.
- Anna é muito inteligente, são poucos os que conseguem pronunciar tudo certinho em bezgalïgs - Adryk me fitou e sorriu.
- Bezgalïgs?! - fiquei surpreso ao ouvir aquilo, era a língua mais antiga de Tenaryon, a língua "extinta", que era falada pelos Loti Izturigs - Como ela conseguiu aprender isso em tão pouco tempo?! - fitei Anna.
Ficamos ali uma boa parte do dia, observando a grande evolução de Anna, além do mais Mikhail era uma professora incrível, com quem melhor do que aprender uma certa coisa do que com a mestra mais sábia?! Não há nada melhor.
- Matshyr Fenhrir(2) - um cavaleiro da guarda real dos Ljósalfar surgiu, parecia com uma certa pressa, se abaixou e sussurrou algo no ouvido de Fenhrir, logo ele sorriu.
- Finalmente os atrasados chegaram! - Fenhrir levantou-se da grama - Volker e Anna, preciso que me acompanhem imediatamente - ele começou a caminhar na direção do palácio, levantei-me e o acompanhei.
- O que houve meu senhor? - apressei o passo a fim de acompanha-lo.
- Você terá uma grande surpresa - Fenhrir como sempre muito animado, sorriu, olhei para trás por alguns segundos tentando ver se Anna estava nos acompanhando, e ela surgiu ao meu lado.
- O que houve? - ela me fitou.
- Não faço a minima ideia Anna - sussurrei.
Repentinamente Fenhrir parou de andar em frente a grande porta do salão que decidimos se iria haver guerra ou não, ele estendeu o braço e empurrou a porta bem devagar, quando ela se abriu não sei se tinha medo ou se ficava deslumbrado com tal visão.
- Não acredito... - Anna levou as mãos aos lábios, estava muito surpresa.
- Entrem, precisamos conversar - Fenhrir adentrou a sala e sentou-se na mesma cadeira que estava quando conversamos antes, mas eu não conseguia me mover, era tão incrível.
Haviam dois seres de grande porte no meio do salão, um era um tigre com os caninos tão grandes que chegavam a sair pelos lados do lábio, tinha a pelugem violeta e olhos muito amarelados, era gigantesco comparado com um tigre normal, já o outro que estava ao seu lado era uma espécie de alce, porém com a pelugem mais densa, de cor marrom e os casos avermelhados, em sua testa haviam quatro chifres acinzentados, dois de cada lado e os olhos da mesma cor do tigre, amarelos.
- Estão assustando os meninos Uldar, Syn, voltem ao normal - Fenhrir gargalhou.
Rapidamente o tigre começou a mudar de forma, era uma coisa mais incrível ainda de se ver, se tornou um homem, tinha a aparência bem humana, porém seu corpo era incrivelmente forte, seus músculos muito definidos, tinha olhos amarelos e longos cabelos violeta, como sua transformação não parecia levar junto suas vestes, as serviçais de Fenhrir o cobriram com um pano gigantesco enquanto ele se vestia, já o alce caminhou para uma sala ao lado, esperamos alguns segundos e voltou uma linda mulher com longos cabelos ruivos, morena, olhos amarelados, tinha um corpo muito bem feito.
- Perdoe minha indelicadeza, sou Uldar Coburg, Rei dos Oakwid e está é minha guardiã, Syn Ackerman - Uldar sentou-se em qualquer cadeira em volta na mesa e sua guardiã fez o mesmo.
Entrei no salão e me sentei, logo Anna fez o mesmo.
- Perdoem meu grande atraso, mas como vocês sabem não é muito fácil chegar aqui onde eu vivo - Uldar parecia bem pacifico naquela forma, diferente de quando estava na outra - Tentei chegar o mais rápido possível, mas tive alguns problemas antes de sair de Bewölkung(3), é bem longe daqui.
- Eu já previ que isto iria acontecer, mas não se desculpe Uldar, você também não faz milagres - Fenhrir riu.
- Quero lhes dizer antes de tudo, que não irei aceitar, de forma alguma, o que Miesha está querendo fazer, e o que vocês tiverem decidido ontem, estou de acordo! - Uldar ficou firme.
- Foi exatamente isto que pensei! - Fenhrir estava empolgado - Por isso que decidi fazer a reunião ontem logo, eu sabia que vocês não iriam chegar a tempo e como lhe conheço a bastante tempo meu amo Uldar, sabia que tendo guerra ou não, vocês estaria de acordo!
- Mas o que decidiram? - Uldar nos fitou curioso.
- Nós iremos para guerra, virá conosco? - Fenhrir sorri.
- Claro que sim! - Uldar levantou-se da cadeira, estava com uma expressão de muito satisfeito no rosto - Não deixarei ninguém que fez mal a um de meus amigos impune! Nunca irei! - sua expressão me surpreendeu, ele era forte com as palavras também - E você criança, o que me diz? - ele me fitou, esperando uma resposta a altura de seu argumento.
- Já os defendemos uma vez - demorei um pouco a pensar no que falar - não iremos abandonar ninguém agora! - Levantei-me da cadeira.
- Isso, precisamos de garotos como você, com seu espírito! - Uldar sorriu - Fenhrir tenho um pedido a lhe fazer - ele fitou Fenhrir.
- Diga-me.
- Preciso ver sua senhora - Uldar pareceu aflito.
- O que houve Uldar? - Fenhrir ficou assustado ao ouvir aquilo.
- Minha mulher está muito doente, e preciso levar o quanto antes uma das poções de sua mulher, só ela...
- Não diga mais nada - Fenhrir o interrompeu - Você sabe onde encontrá-la, vá! - Fenhrir sorriu - Sua mulher irá ficar bem Uldar - Uldar sorriu e saiu do salão junto com sua guardiã - O que achou? - ele me fitou.
- A cada hora que passo aqui, me surpreendo mais - ri.
Alguns dias se passaram e finalmente voltamos para Dzelzs pilsëta em segurança, assim que desci do navio e adentrei no palácio de Liesi, não pensei duas vezes, corri para o salão em que ela sempre estava para contar-lhe tudo que me aconteceu, ao chegar dentro do salão a vi, sentada em uma cadeira em frente a uma pequena mesa, com alguns papeis em suas mãos.
- Minha senhora?! - falei baixinho, ela levantou o rosto e olhou para mim.
- VOLKER! - Liesi levantou-se subitamente da cadeira e abriu os braços para que eu fosse lhe abraçar, corri e a abracei - Não sabe como fiquei preocupada com vocês todos esses dias Volker - ela me abraçou com força, fechei meus olhos - Não sabe como é bom ter-lo em meus braços novamente.
- Vejo que já voltou - ouvi a voz de Grid e abri meus olhos, ele estava apoiado na coluna - Não sabe como ela estava sem você aqui, as vezes sinto um pouco de ciumes, antes isso era comigo, agora ela arranjou você - Grid riu.
- Não diga isso - Liesi o fitou - Amo vocês dois da mesma maneira, não é? - Liesi me fitou - Mas diga, o que vamos ter? - Liesi nem me soltou, perguntou logo.
- Deixe ao menos o garoto sentar-se Liesi, ele deve estar cansado - Grid puxou duas cadeira da grande mesa de reuniões de salão para perto da mesinha onde Liesi estava, sentei-me.
- Liesi eu não sei se fiz a coisa certa - estava nervoso em contar que assinei um contrato de guerra.
- Não se preocupe, o que terá que ser, será! - Liesi estava com um pouco de medo, pude perceber isso.
- Fenhrir me explicou tudo que está acontecendo, que você deve saber Liesi - respirei fundo - Então ele perguntou se nós iriamos para guerra com ele, ele nos contou que iria mesmo se ninguém o acompanhasse, e do jeito que ele falou tudo, eu vi você Liesi, parecia que era você estava falando aquilo tudo, colocando fogo em nossos corações para que nunca deixemos de acreditar em nós mesmos, então sem pensar duas vezes, fiz o que eu achei que você faria se ouvisse o que ele estava falando e daquele jeito, eu disse que iria com ele, disse que nós humanos iriamos para guerra! - esperei que ela falasse algo.
- Estou tão orgulhosa de você - Liesi sorriu, meus olhos estavam quase cheios d'água de tanta emoção - É por isso que nunca me arrependo de ter acreditado em você naquele dia em que você atirou com aquela flecha Volker, porque você é mais que especial!! - Liesi passou a mão em seu rosto para limpar uma pequena lágrima que escorria em sua maçã do rosto.
- Também estou - Grid sorriu orgulhosamente - Fez a coisa certa! 
- E o que Uldar e Sigurd disseram?! - Liesi continuou a perguntar.
- Sigurd não apareceu, enviou Yirmminsull, mas ele demorou um pouco a responder, mas disse que também iria, agora sobre Uldar eu não fazia a minima ideia que os Oakwid faziam parte de nossa aliança, ninguém me avisou nada! - ri - então Fenhrir me fez uma grande surpresa, porque Uldar e sua guardiã chegaram um dia depois que nós chegamos lá.
- É, disto eu já suspeitava, lá é muito longe de onde eles vivem - Liesi estava muito atenta prestando atenção em tudo que eu falava.
- Então quando eu e Anna vimos os dois, eles ainda estavam transformados, foi simplesmente incrível! - sorri entusiasmado - Mas depois que os dois se transformaram em sua forma mais "humana", Fenhrir explicou tudo a Uldar e ele aceitou.
- Uldar nunca foge de uma boa briga, isto é a verdade - Grid riu.
- Agora uma coisa estranha aconteceu comigo Liesi - ela me fitou preocupada - Kvasyr disse a Fenhrir que queria me ver.
- Kvasyr?!?! - Liesi e Grid falaram ao mesmo tempo, não acreditaram quando eu disse.
- Sim, e ela veio, quando eu estava sentado de noite, em um jardim ela surgiu do nada, ela... ela é... existe alguma palavra acima de linda?! - ri baixinho - Não consegui tirar os olhos dela, era incrível, e no outro dia Adryk disse que Kvasyr havia lhe contado que teve um sonho que quando eu chegasse em Gaismas pilsëta ou algo parecido e os "adormecidos" iriam acordar, algo assim.
- Kvasyr... - Liesi estava muito surpresa ao ouvir aquilo - Adormecidos?! - sussurrou.
- Você tem muita sorte garoto, não é qualquer um que conhece Kvasyr e ainda mais ela querendo lhe ver! - Grid levantou-se da cadeira.
- O que isso quer dizer Liesi?! - a fitei.
- Olha Volker, não faço a minima ideia... Não sei nem dizer se isto é uma coisa boa ou ruim, mas vindo de Kvasyr, e ela não ter comunicado diretamente Fenhrir, creio que não seja muito ruim, mas diga-me uma coisa, quando Fenhrir irá?
- Ele me contou que os Draiskullis estão se unindo com Miesha e seu povo, agora não me contou ao certo quando iria partir, melhor você... - de repente alguém adentro no salão.
- Desculpe-me senhora, mas chegou isto para você - um empregado entregou um pequeno papel que estava enrolado com uma fita esverdeada, logo ele foi embora, Liesi abriu o papel e sorriu.
- Pronto, resolvido o problema - Liesi me fitou - Fenhrir me enviou isto, está dizendo que iremos nos encontrar em Vërtibaj Dvëseluz, e marchar na direção de Müžïgä Naktï, iremos atacar os Draiskullis primeiro, realmente, devemos destruir aquela fortalez impenetrável de uma só vez - Liesi sorriu. 

---- Nota ----
(1) "Envolva-me corrente de prata"
(2) Senhor Fenhrir - falado na língua dos Ljósalfar, Kren'salfar.
(3) Bewölkung - O reino dos Oakwid.

The Path To Eternity [C.07]


                  Cap.07 - Kvasyr e os Adormecidos
Após a reunião no salão, eu e Anna fomos andar um pouco por Gaismas pilsëta, vimos animais exóticos, somente descritos em antigos livros da grande biblioteca de Dzelzs pilsëta, a grande capital dos humanos. Vimos paisagens de tirar o folego, porém como muitos dizem, o dia em Gaismas pilsëta é uma das vistas mais incríveis do sol que você poderá ter em qualquer lugar de Tenaryon, mas a noite é ainda mais incrível, pois a luz fica incrivelmente gigantesca, brilha dez vezes mais do que em nosso reino, e permanece branca todos os dias do ano.
Ao cair da noite, Mikhail nos mostrou o ponto mais alto da grande cidade, percorremos algumas escadas por volta de 20 minutos, até que chegamos em um lugar plano no alto da montanha, podia-se ver toda a cidade lá do alto, o gigantesco lago que em seu fim dava de encontro com o oceano, pude ver o oceano no horizonte.
- Espero que tenham gostado daqui - Mikhail não tirava os olhos da lua, que parecia escalar os céus saindo de dentro do horizonte - Aqui é o meu lugar preferido de todo o Reino de Weit Tor, não há como dizer que aqui não é lindo.
- Realmente - suspirei - É muito bonito.
- Então você os trouxe aqui irmãzinha - ouvi outra voz feminina se aproximando, mas ao avistar a entrada do lugar não vi ninguém - Sabia que você iria estar aqui - e logo uma mulher de longos cabelos dourados, iguaizinhos ao de Mikhail, com olhos cinza escuro, vestia uma armadura de pequeno porte e carregava uma espada bem longa em sua cintura, o que mais me chamou atenção na espada é que no início da lâmina havia uma caveira que dela emanava uma luz azulada, não muito ofuscante - Muito prazer conhece-los - a mulher sorriu - Sou Adryk Schleicher, a 9º filha de Fenhrir.
- A-Adryk?! - engasguei, em alguns livros são contadas histórias dela como uma cavaleira muito poderosa, de grande poder e muita beleza, e realmente não parecia menos vendo de perto.
- Vejo que já ouvira falar de mim - ela sorriu sem graça, caminhou e se junto a nós - Fico feliz por ter ouvido falar de mim, e você - Adryk fitou Anna - A mais poderosa conjuradora de magias dos humanos, é um enorme prazer lhe conhecer, acho que Mikhail - Adryk fitou Mikhail - deveria lhe ensinar algumas coisas, o que me diz? 
- Adoraria! - Anna respondeu sem pestanejar.
- Por mim tudo bem - Mikhail disse sem muita expressão.
- Feito então! - Adryk sorriu, ela se parecia muito com Fenhrir, sempre muito animada e simpática.
- Posso lhe fazer uma pergunta? - Anna fitou Adryk novamente - Espero que não pareça estranho - tive medo daquela pergunta.
- Claro, porque não - Adryk a fitou.
- Onde está sua mãe? - Anna perguntou um pouco acuada.
- Claro! - Adryk gargalhou - Mikhail é muito parecida com nossa mãe, ela é bastante reservada, não gosta muito de sair de casa, além do mais ela faz parte do conselho de Gaismas pilsëta, então ela está sempre muito ocupada, enquanto meu pai cuida dos assuntos políticos, minha mãe cuida do bem estar da cidade inteira, resolvendo todo tipo de problema, essa hora é a unica hora em que ela e meu pai tem um certo "descanso" e ficam juntos.
- Entendo - Anna fitou o horizonte.
- Poucas pessoas já a viram, poucas pessoas que digo são pessoas de fora, como vocês - Adryk encerrou o assunto.
Adoraria a ver, pois dizem que ela tem uma beleza inigualável, e não era para menos, para o Rei a escolher sabendo que irá ficar com uma unica mulher para o resto de suas vidas, ou seja, para a eternidade toda, então tem que ser uma mulher incrível.
Passamos alguns minutos ali e descemos o pico da montanha, andamos conversando enquanto não chegávamos em nossos aposentos, logo Adryk e Mikhail nos deixaram.
- Olha aqui tem meu nome - Anna apontou para uma porta de madeira polida - Acho que aqui é meu quarto, boa noite Volker - Anna beijou meu rosto e entrou no quarto, parecia estar bem cansada mesmo.
No centro dali havia um jardim aberto, e o rodeando estavam os corredores com os quartos, desci alguns poucos degraus e me sentei num pequeno banquinho, fitei o céu, estava repleto de estrelas brilhando e brilhando, pareciam nos abraçar.
- Aqui realmente é lindo - aquela voz fez meu coração pulsar rápido, olhei rapidamente para o lado, num reflexo e vi uma mulher vestida com uma longa manta, os cabelos louros eram tão longos que quase tocavam o chão, ela se aproximou e sentou-se ao meu lado no banco apertado, seus olhos eram tão azuis que pareciam o céu claro de uma manhã com o brilho das estrelas, simplesmente não conseguia tirar os olhos dela - Cada um aqui tem o seu lugar preferido, este é o meu Volker - ela sorriu delicadamente, seus lábios rosados me chamaram atenção.
- C-Como.. sabe meu nome?! - falei baixinho, estava tão hipnotizado por sua beleza que não consegui falar direito.
- Eu sei de tudo Volker.
- Quem é você?
- Kvasyr.
- R-R-Rainha?! - a surpresa foi tanta que pulei para fora do banco.
- Não entendo porque tanta surpresa - ela sorriu, não tirava os olhos do céu - Só porque poucas pessoas me viram, não significa que você não seja digno de me ver - Kvasyr me fitou e estendeu a mão para que eu me levantasse do chão e sentasse no banco novamente, como a pele dos Ljósalfar brilhavam um pouco, sua mão não era diferente, parecia macia como um veludo, ergui minha mão e a encostei bem devagar em sua mão - Não tenha medo de mim - ela segurou minha mão com força e eu me sentei novamente no banco ao seu lado.
- Não sinto medo, minha senhora - estava envergonhado, fitei o chão.
- Minha senhora?! - ela riu baixinho, me fitou - Não sou sua senhora minha criança - ela passou a mão em meu rosto, muito delicadamente.
- Devo ter respeito por você, minha senhora - estava nervoso.
- Não entendo, por quê estais tão nervoso? - ela continuou olhando para mim - Por quê não me olhas?
- Não sei se sou digno - sussurrei, ela encostou a mão novamente em meu rosto e o puxou bem devagar para a frente do dela, seus olhos eram mais incríveis ainda visto de perto.
- Se estou aqui, então acredite, você é digno - sua voz parecia adentrar em meu corpo, ecoava dentro de minha mente, como uma música muito bem tocada - Não esqueça, eu sei de tudo - ela sorriu delicadamente e soltou meu rosto da mesma forma, voltou a fixar os olhos nas estrelas - Sabe Volker, posso saber de tudo, mas sabe qual o meu maior sonho?
- Qual minha senhora? - ela me fitou sem entender porque eu continuava a chama-la assim, mas não liguei muito, não iria mudar aquilo.
- Ir às estrelas - ela sorriu - Por isso que toda noite, quando todos já estão dormindo, sento-me neste mesmo lugar e observo o quão majestosas elas são.
- Se me permite, sempre sonhei em conhecer seres como a senhora, seres eternos, tão divinos que não há beleza que chegue aos seus pés, tão poderosos que são capazes de fazer coisas que ninguém consegue, e com isso sempre quis saber o que tais seres almejam, o que estes seres sonham em fazer, obrigado por compartilhar isto comigo.
- É uma honra compartilhar meus pequenos sonhos com você Volker, mas não nos confunda com outros.
- Como assim?
- Pergunto-me, como você ficaria conhecendo um Loti Izturigs de perto - ela me fitou - Eles sim Volker, são seres imortais, incríveis! Que possuem um poder tão gigantesco, que acredito que são capazes de realizar o meu desejo.
- Gostaria muito de conhecê-los.. Mas já não é uma coisa que possamos fazer, minha senhora.
- Quem sabe, não é?! - quando ela disse aquilo a fitei sem acreditar - Ninguém sabe ao certo o que estará por vir minha criança, acredite em seu coração, eu sempre estaria nele - Kvasyr levantou-se do banco, e encostou a ponta do dedo no meu peito, senti meu corpo "renovado", fechei os olhos por alguns segundos e ao abrir novamente ela não estava mais lá.
- Ninguém irá acreditar que a conheci - sussurrei, levantei-me do banco e caminhei na direção da porta de madeira que tinha escrito meu nome, a abri e adentrei no quarto.
Tirei toda a minha roupa e deitei-me na cama, permaneci alguns minutos acordado, lembrando do rosto de Kvasyr, pedindo para todas as entidades de Tenaryon, para aquela imagem nunca mais fugir de minha mente, logo adormeci.
----------------- (Dzelzs pilsëta) -----------------
- Grid - Liesi estava sentada em sua varanda no meio da madrugada, olhando para o horizonte, onde só havia mar - Será se Volker está bem?!
- Está sim, minha senhora - Grid aproximou-se da mesma.
- Já disse que não há necessidade disso quando não há ninguém por perto - Liesi o fitou com uma expressão de raiva - Não precisa dessa formalidade toda.
- Certo então - Grid sorriu - Não se preocupe, Fenhrir não irá deixar acontecer nada ao seu querido "filho" minha Rainha.
- Não seja bobo - Liesi levantou-se do assento e aproximou-se de Grid - Não sei o que faria se algo acontecesse a ele Grid, me apeguei tanto àquele garoto que... - ela parecia um pouco aflita.
- Não fique assim - Grid acariciou seu rosto - Ele já está crescido o suficiente Liesi, não pode ficar de baixo de suas asas para sempre, você...
- Eu sei! - Liesi o interrompeu, ela olhou nos olhos de Grid - Eu sei disso, mas... Tenho medo que algo de ruim aconteça.
- Liesi - Grid colocou sua cabeça em seu peitoral - Confie em mim, nada irá acontecer - Liesi o abraçou, envolvendo seus braços ao redor do corpo dele.
----------------- (Gaismas pilsëta) -----------------
Acordei ao amanhecer, levantei-me da cama e me vesti, logo fui saindo do meu quarto. Do lado de fora estavam algumas pessoas caminhando conversando, outras com uma certa pressa.
- Pensei que não ir acordar mais - Anna subitamente apareceu ao meu lado.
- Nossa, que susto menina - suspirei.
- Vi que foi dormir tarde ontem, o que ficou fazendo aqui fora? - ela parou na minha frente, parecia desconfiada.
- Kvasyr veio até mim - ela não iria acreditar mesmo, então resolvi contar a verdade.
- KVASYR?! - Anna se exaltou.
- Fale baixo! - a empurrei contra a parede - Não minta descaradamente para mim Volker!
- Não estou mentindo! - permaneci sério - Eu resolvi sentar um pouco ontem de noite ali - apontei para o banco onde encontrei Kvasyr - E então de repente ela apareceu, sentou-se ao meu lado e conversou comigo!
- Não vou acreditar - Anna cruzou os braços - E nem estou acreditando que está mentindo desse jeito para mim! 
- Ele não está mentindo - de repente Fenhrir surgiu no início do corredor - Minha mulher contou-me que queria muito vê-lo, não contou-me ao certo porque, mas falou que iria procurá-lo - Fenhrir se aproximou.
- Não disse?! - sorri.
- Não acredito - Anna fez uma cara de surpresa - Também quero vê-la! 
- Não é tão simples assim minha querida - Fenhrir sorriu e segurou a mão de Anna - Só a mim já não basta?! - Ele a olhou nos olhos, os olhos de Anna brilharam como nunca.
- Basta... - ela sussurrou.
- Então vamos, Mikhail está a sua espera - Fenhrir gargalhou e os dois foram indo embora.
- Minha mãe é um enigma mesmo - ouvi outra voz ao meu lado e me assustei, era Adryk - Desculpe-me - ela riu - Não queria assusta-lo.
- Tudo bem - tentei parecer menos assustado.
- Vocês irão partir amanhã mesmo? - Adryk pareceu triste.
- Temos que ir, já passamos tempo de mais longe de nossa casa, devo avisar minha Rainha sobre a guerra o mais rápido possível - fiquei sério.
- Você está certo - Adryk fitou o nada - Está tudo tão animado com vocês aqui - ela me fitou por alguns segundos - Sem vocês fica tudo tão calmo, não gosto muito disto, e minha mãe, está tão animada com a sua chegada.
- Por quê?
- Não conte a ninguém, mas ela contou-me que teve um sonho, em que com sua chegada, os adormecidos iriam acordar - Adryk se aproximou mais de mim para que ninguém ouvisse.
- Adormecidos?! 
- Sim!
- Minha chegada?! Mas por quê? - Fiquei confuso.
- Não consigo entender o que minha mãe diz Volker, e estou viva a quase 2000 anos! - ela gargalhou.
- Entendo - ri baixinho, mas aquilo me deixou intrigado.

domingo, 20 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.06]


               Cap.06 - Uma decisão a ser tomada
Três dias se passaram desde que começamos nossa viagem e na manhã do ultimo dia, pude ver a costa de continente se aproximando até que atracamos no porto de Shuyia, não haviam muitas outra embarcações no porto, mas uma vastidão de comerciantes para receberem os visitantes que necessitassem de qualquer tipo de objeto, tanto comida, casas, cavalos, outras embarcações.
- Meu senhor esse é o meu limite, sou um homem do mar e não da terra, lhe aconselho esperar a senhorita Mikhail em um lugar seguro, este porto não é lá os dos mais seguros, piratas vem e vão aqui com muita frequência, então não deixe que eles descubram quem você é até que Mikhail chegue, certo? - o velho foi falando enquanto nós saiamos da embarcação - Devo ir agora, não se preocupe, os Ljósalfar não costumam se atrasar - o velho homem sorriu e subiu a pequena escada de madeira para voltar a sua embarcação, rapidamente ele foi desaparecendo no horizonte.
- Acha mesmo que ela não irá custar? - Anna estava um pouco nervosa, e não tiraria sua razão para tal, aquele porto era obscuro, fedia muito, e o chão era terrivelmente sujo, os comerciantes não era como o pequeno cais que paramos em nossa viagem a Nord-eis, era muito diferente, as pessoas daqui pareciam verdadeiramente más - Não gosto de ficar aqui Volker... - Anna se apoiou numa parede, suspirou, me aproximei dela e segurei sua mão firme.
- Não se preocupe, vai ficar tudo bem - tentei conforta-la, apesar de que ela tinha mais poder para nos defender que eu.
Enquanto esperava Mikhail, pude perceber a diversidade de comerciantes que existiam ali, de praticamente todo tipo de raça, mas um me chamou atenção, pois esta raça não costuma exilar nenhum membro, muito ao contrário, eles aceitam exilados de "braços abertos", os Draiskullis, os mesmo que atacaram o vilarejo onde eu vivia quando era quase um bebê, e me obrigaram a fugir dos braços de minha mãe, esses seres vivem no extremo sul do continente, em um lugar chamado de Müžigä Nakti, e em seu centro foi construído um castelo pelo o rei Kenrs, o castelo é uma fortaleza impenetrável, é o maior castelo já construído em Tenaryon, o mais interessante sobre Müžigä Nakti é que lá não há manhã, lá a luz do sol não consegue chegar em nenhum dia do ano, o sul do continente vive em uma constante escuridão, como consequência o lugar é rodeado pelas maiores montanhas de gelo de Tenaryon, o lugar é mais gélido do que Nord-Eis.
Sobre este ser ali, exilado, fiquei bem curioso, pois as histórias contadas são outros, mas não podia ir tentar descobrir o porquê daquilo, tinha que esperar Mikhail aparecer. Ao longe comecei a ouvir sons de cavalos se aproximando do cais do porto, pessoas falando alto, como se estivessem surpreso em ver tal pessoa ali e ao longe vi um cavalo branco, um cavalo musculoso, forte, e um pouco maior do que os cavalos convencionais que nós humanos usamos. Montando o cavalo estava Mikhail, com seus cabelos dourados como uma joia voando contra o vento.
- Perdoem meu atraso - Mikhail desceu do cavalo com muita facilidade e se aproximou de mim - Sou Mikhail Schleicher, a 14ª filha de Fenhrir Schleicher, o Rei de Weit Tor, como sua rainha Liesi já havia nos comunicado, você deve ser seu mensageiro?! - ela permanecia séria, com uma expressão não muito feliz em nos ver, mas pelo o que já ouvirá falar sobre a filha conjuradora de magias, ela nunca demonstrou muitas emoções, ninguém entende o porque.
- Sim - sorri e a reverenciei - Sou Volker Kürten e está é minha guardiã Anna Epstein, uma das poucas conjuradoras de nossa raça - procurei ser o mais educado possível, mais até do que com minha própria Rainha.
- Você não imagina como estou feliz em conhecer você pessoalmente Mikhail - Anna como sempre, estragando tudo, bati meu cotovelo em seu braço para que ela ficasse na postura de respeito, ela percebeu e ficou séria.
- Fico feliz em saber que os Humanos estão se desenvolvendo tanto no mundo da alquimia e magia - não esperava aquilo de Mikhail, no mesmo segundo Anna sorriu com a maior felicidade do mundo - Agora melhor irmos, este lugar não é o melhor lugar no mundo para estarmos - Mikhail deu as costas e subiu rapidamente em seu cavalo branco - Gystfer mborsul sur vest, Nyur(1) - Mikhail avisou o outro Ljósalfar em sua língua, Krens'salfar, logo ele apareceu com dois cavalos - Espero que estes sirvam - Mikhail nos fitou, esperando que subíssemos.
- Muito obrigado Mikhail - sorri e não vou mentir, tive uma certa dificuldade em subir nos cavalos, os Ljósalfar não tinham estas dificuldades pois seu peso era minimo, então no menor impulso que estes faziam poderiam escalas montanhas gigantescas com quase nenhuma, ou nenhuma, cansaço, até que recebi ajuda dos Ljósalfar que estavam servindo Mikhail. Já Anna foi mais fácil de colocar em cima do cavalo, era bem mais leve que eu e rapidamente partimos daquele cais fedorento e sujo.
A viagem para a cidade central de Weit Tor, Gaismas pilsëta, era de cinco dias inteiros, para os Ljósalfar não era uma viagem muito desgastante, tinham uma resistência incrível, porém, para nós humanos, chegariamos em uma parte em que ou morreríamos de fome, cede e cansaço, ou teríamos de parar. E esta hora não demorou muito para chegar, no terceiro dia de viagem Anna estava tão cansada que chegou a quase desmaiar de cansaço em cima do cavalo, mas Mikhail percebeu e resolveu parar perto do leito de um rio de águas cristalinas.
Conseguimos descansar por volta de quatro horas completas, até que Mikhail nos acordou, dizendo que deveríamos partir, percebi que ela parecia um pouco preocupada, e fui acordar Anna para partimos.
Os últimos dois dias passaram-se bem devagar, até que chegamos na base das gigantescas cachoeiras que envolviam o portão de Weit Tor, a passagem sagrada dos Ljósalfar, ao redor dessas cachoeiras tinham gigantescos campos com variações de cores como vermelho, laranja, bege e até rosa.
- Bem vindos, à Weit Tor, o Reino dos antigos mestres - Mikhail voltou a cavalgar por um caminho entre as árvores para subir a grande montanha, e chegar em Gaismas pilsëta, a cidade mais iluminada de toda Tenaryon, e diga-se de passagem, lá existe noite.
Alguns minutos depois chegamos no alto da montanha, era a vista mais incrível que eu já tinha visto em toda a minha vida, o sol estava nascendo no horizonte dos campos avermelhados, era uma cena hipnotizante para os mortais como nós humanos, e percebi que Anna estava tão maravilhada quanto eu.
- É inacreditável como isso pode ser tão incrivelmente lindo - Anna sorriu.
- Vamos guardiões humanos, terão bastante tempo para admirarem a beleza de nossas terras, se desejarem é claro, mas meu pai os aguarda com grande ansiedade - Mikhail nos chamou e fomos a acompanhando até que adentramos na cidade.
Mikhail desceu do cavalo, e os outros nos ajudaram a descer também, não irei mentir que me sentia um pouco desconfortável com aquilo, eu podia descer e subir de cima de qualquer animal sem a ajuda de ninguém.
Gaismas pilsëta era coberta por todo o tipo de plantas e vegetais, haviam animais circulando por todos os lugares, e os trabalhadores caminhavam calmamente pela cidade, como se suas vidas tivessem partindo em uma velocidade muito diferente de nós humanos, como as lendas diziam, eram todos brancos, altos, de olhos claros e grandes cabeleiras louras, cinza e algumas brancas, mas não significava eram "velhos", como acontece em nós humanos.
Caminhamos por vários lugares de Gaismas pilsëta seguindo Mikhail, por onde nós passávamos, chamávamos muito atenção do povo da cidade, até que chegamos em frente a uma gigantesca casa, ou seja lá o nome que eles deram para casa, tinha cores brancas ou bem claras, e era feita de um material que parecia brilhar ao ser iluminado pela luz do sol.
- Chegamos na minha casa, irei lhes mostrar onde meu pai os espera e podem deixar seus objetos pessoais aqui mesmo, meus criados irão os instalar em seus devidos quartos - Mikhail começou a subir as escadas para chegar na porta da gigantesca casa. 
Após andar mais alguns minutos dentro do palácio, chegamos a um salão onde Fenhrir estava sentado na primeira cadeira da gigantesca mesa que ficava no centro deste salão, nas outras cadeiras estavam os Lauminas e outros representantes dos Ljósalfar.
- Sejam muito bem vindos minhas crianças - Fenhrir levantou-se de sua poltrona e veio nos receber, sem pensar duas vezes o reverenciei - não faça isso mensageiro, não sou digno de tal referencia de poder - ele sorriu - Obrigada minha querida - Fenhrir beijou a testa de Mikhail e ela deixou o salão - Espero que minha filha tenha os tratado bem, estou tentando a socializar com outras raças, ela vive um pouco trancada em sua mundo ainda, peço desculpa desde já por qualquer coisa que ela tenha dito a vocês.
- Com todo o respeito senhor, ela foi adorável - sorri - eu que o diga não é mesmo Anna? - a fitei e percebi que seus olhos brilhavam ao ver Fenhrir - Anna?!
- Perdão senhor, mas... - ela não conseguia tirar os olhos dele.
- O que houve doce criatura? - Fenhrir, como muitos diziam, era um cavalheiro com as mulheres, educado, bonito, elegante, um Rei amado por seu povo.
- O senhor é o ser mais belo que já pude ver ou poderei ver em minha vida - ela corou.
- Fico muito agradecido por tal elogio querida Anna - ele sorriu envergonhado - Agora sentem-se, temos assuntos importantes a tratar - Fenhrir voltou a sua poltrona e nos sentamos em qualquer outra cadeira em volta da mesa - Como vejo que já estão todos os representantes aqui, e pude ver que este encontro é o único em que eu sou o único Rei a comparecer, antes que digam qualquer coisa, eu soube do acontecimento em Nord-Eis, então entendo perfeitamente que seus senhores não podem estar aqui por um motivo maior - Fenhrir sorriu - Mas os convoquei aqui porque estamos a beira de um penhasco - de repente ele ficou sério.
- Um penhasco?! - um dos Laumina indagou, ele vestia uma armadura alaranjada, tinha um curto cabelo dourado e uma barba mediana branca, sua imagem transmitia muita força e confiança.
- Volker, este é Yirminsull Diller, o representante do Rei Sigurd que você já conhece, e esta ao seu lado é Eddas Grimm, seu guardião - Fenhrir os apresentou e no mesmo instante os dois sorriram para mim - Mas continuando, sim, um penhasco, pois depois da falha missão de Miesha, ela voltou a Sonnenlicht com o mais acumulado ódio que vocês possam imaginar, pois ela quer o poder que Ledus Acis guarda dentro daquele lago.
- Ledus Acis guarda algo dentro do lago?! - Yirminsull ficou surpreso ao ouvir aquilo.
- Sim, poucos sabem disto, acredito que apenas os Reis sabem disto, e agora vocês, então dada a circunstancia, não contem a absolutamente ninguém! - Fenhrir permaneceu sério - Não sabemos ao certo o que Ledus Acis guarda, o único ser que sabe onde estão todos os tesouros sagrados de Tenaryon é Üdenstornis, o sábio Sarkan, e ninguém sabe ao certo onde ele se encontra neste momento.
- Miesha vai atrás dele?! - deduzi.
- É isto que tenho em mente que ela irá fazer, pois ir atrás de algum outro guardião da terra sagrada como por exemplo Ledlazulys, seria suicídio, ele é hostil de mais para ser "controlado", então pensei primeiramente no Üdenstornis, mas o que pensei depois disto foi que, mesmo não querendo, irá acontecer uma guerra, mais cedo ou mais tarde.
- Por quê? - Yirminsull indagou, parecia um pouco acuado.
- Recebi informações de minhas sombras em outros Reinos de que os Draiskullis firmaram uma aliança com os Dökkalfar - Fenhrir ficou preocupado - E como vocês sabem por histórias, lendas e canções, eles são literalmente forças do mal materializadas, são o "lixo" deixado por nossa extinta árvore da eternidade, são poderosos de mais até para Mikhail confrontar sozinha, acredita-se que os únicos que eram capazes de tal proeza, eram os Loti Izturigs, mas isto não é uma opção que podemos cogitar nos dias de hoje.
- E o que nós devemos fazer? - Yirminsull estava mais preocupado ainda.
- Só temos uma opção meu caro, a guerra - Fenhrir suspirou.
- O que nós temos contra eles senhor? - Acredito que se fossemos para a guerra contra essas duas raças, seriamos massacrados e pior, poderíamos acabar como os Loti Izturigs.
- Nós... - Fenhrir não parecia muito confiante - Não estou muito confiante nisto, vocês podem perceber, mas o que nós podemos fazer?! Sentar e esperar que juntem o maior número possível e defendermos nossas cidades até morrermos?! - Ele se exaltou - Eu não irei ser lembrado por tal ato covarde, irei com todo o meu exército, mesmo que não decisão ir comigo, irei entender, mas irei, com toda a honra que possuo, farei o possível, nem que tenha que lutar contra todos os guardiões da terra sagrada juntos, mas irei até o fim! - aquelas palavras e lembraram Liesi, de como ela era sempre corajosa e protegendo seu povo de tudo e todos, me fizeram lembrar das palavras que ela havia dito antes de eu partir em minha longa viagem a Weit Tor.
- Os Humanos irão com você! - falei sem medo algum, sabia que aquilo era a coisa certa se fazer - Estaremos ao seu lado em todos os momentos, lutando contra o mal! - levantei da cadeira e abri um sorriso.
- É este espirito que quero ver! - Fenhrir levantou-se da poltrona e sorriu - Volker, tenho toda a certeza do mundo que Liesi estaria orgulhosa vendo o que está dizendo, e sei que ficará orgulhosa quando você retornar, agora você Yirminsull, o que me diz? - Fenhrir o fitou, Yirminsull estava pensativo, estava tenso - Não temos temos todo o tempo do mundo.
- Nós iremos! - Yirminsull sorriu.

---- Nota ---- 
(1) Entregue os cavalos, Nyur - Frase dita na Língua dos Ljósalfar, Krens'salfar, tão antiga quando eles.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.05]


                     Cap.05 - Capitão experiente
Uma semana se passou desde que viajamos com boa parte de nosso exército para confrontar os Dökkalfar, mas o guardião, Ledus Acis, acabou a expulsando e assim consequentemente não havendo guerra alguma, viemos para Pelkä Ädens em segurança, uma viagem bem tranquila, pois os mares do norte possuem uma certa fama de traiçoeiros.
Minha Rainha não parecia muito satisfeita com o resultado do "confronto" que teve com Miesha e seu exército, e me contou na viagem de volta que sentiu um pouco de medo quando ela lançou aquela magia em sua direção, porém ficou aliviada e feliz quando Ledus Acis a defendeu de asas abertas.
Como não houve guerra, não posso dizer que já estive em uma e isso me deixava um pouco nervoso, pois Grid era uma cavaleiro experiente, já havia passado por muitos combates e uma guerra, onde defendeu os longos campos das terras de Weit Tor, as terras dos Ljósalfar, seres com a vida igualmente longa aos Dökkalfar, na verdade a história que se ouve sobre as duas raças é um tanto curiosa. A história conta que após os Loti Izturigs serem criados pela a árvore da eternidade, a segunda raça a ser criada foi os Ljósalfar, seres com a pele clara, cabelos louros ou num tom de ouro, com olhos na maioria das vezes muito claros, seus corpos são leves, possuem longas e pontudas orelhas e também uma agilidade incrível. Enquanto todas as raças iam nascendo e outras se expandido, os Ljósalfar tiveram um Rei, um homem alvo, forte, elegante e principalmente sábio, ele havia se casado com uma linda mulher bem pobre para falar a verdade, porém sua irmã ficou com muita inveja ao saber que ela iria ser a Rainha e ser a mulher do Rei rico e poderoso.
A mulher sentia tanto ódio de sua irmã que acabou consumida por seu sentimento negativo, e sucumbiu em trevas, se tornou um ser de pele escuras com olhos cheios de ódio, até que então a árvore da eternidade concedeu seu maior desejo, o de ser Rainha, neste momento nasceram os Dökkalfar, desde então as duas raças vivem em uma batalha eterna por causa do ódio que sentem uma pela outra.
Na semana seguinte Liesi recebeu um comunicado de Rei dos Ljósalfar, a convocando para se juntar com urgência ao conselho dos anciões, que era feito pelos seres mais antigos existentes em Tenaryon e por todos os Reis e Rainhas dentro de nossa aliança.
- Grid não posso manda-lo para lá - Liesi estava sentada em seu trono, com um pequeno pergaminho de papel em suas mãos - não posso deixar meu povo novamente, sou uma Rainha competente - ela suspirou.
- Mande alguém de sua confiança minha senhora - Grid sorriu.
- Quem é capas de ter tal confiança e ser sábio o suficiente para tomar decisões tão importantes que poderiam iniciar uma guerra Grid?! - Liesi enrolou o pergaminho e entrou a um empregado - quem... - ela fitou todos os cantos do grande salão real, tentando pensar em alguém.
- Eu não precisaria pensar muito minha senhora - Grid se aproximou do trono.
- Não! - Liesi sorriu timidamente - Ele é novo de mais Grid, não posso simplesmente manda-lo com tal responsabilidade nas costas, ele.. - ela parou de falar alguns segundos - Não! - sorriu.
- Como não?! - Grid continuou se aproximando - O garoto já é um homem Liesi, você não pode mais tratá-lo como seu filho, ele já tem idade suficiente para tomar decisões importantes não só para ele, mas para terceiros, ele não pode viver de baixo das asas da "mãe" para sempre Liesi..
- Mas... Como eu poderia saber que ele iria fazendo a coisa certa?
- As mães devem confiar em seus filhos Liesi, você como uma, mesmo não sendo legítima, tem que confiar nele, ele não iria fazer algo que lhe desapontasse, sabe o que é melhor para você e seu povo! - Grid pegou a mão de Liesi com muito cuidado e a olhou nos olhos - Se você não me quer longe, mande-o e não se arrependerá.
- Chame-o - Liesi sorriu exaltadamente.
Grid percorreu quase o castelo inteiro me procurando, até que me encontrou nos campos treinando minha pontaria.
- Melhor começar a treinar seu discurso de representante da Rainha pequeno príncipe - ao ouvi-lo me virei para trás, ele estava com os braços cruzados apoiado em um tronco com um sorriso bem orgulhoso.
- Príncipe?! Representante?! - larguei o arco no chão - O que você fez dessa vez Grid???
- Venha e verá - Ele sorriu mais e foi indo embora.
- Não entendo porque sempre ele me põe nas piores coisas possíveis - suspirei, peguei o arco do chão e corri para acompanha-lo.
Ao chegar no salão real, Liesi estava em pé em sua varanda, me ouviu entrar e caminhou até o centro do salão, estava sorrindo bastante.
- Tenho um pedido a lhe fazer Volker, venha aqui - Liesi ergueu a mão para que eu pudesse a segurar, e o fiz, começamos a caminhar na direção da mesma varanda que ela estava antes - ouça-me com atenção certo? - ela soltou minha mão - Fenhrir, o Rei dos Ljósalfar me enviou uma carta esta manhã me chamando para me juntar ao conselho dos anciões, que como você já deve ter ouvido falar, é onde os Reis e Rainhas discutem sobre politica e guerras, então com minha ida a Nord-Eis, percebi que não poderia mais sair daqui por um tempo, além do mais Weit Tor é bem longe daqui, são 8 dias de viagem.
- Você quer que eu vá?! - a interrompi sem perceber - Perdão minha senhora, a interrompi, não tive intenção.
- Não seja bobo - Liesi riu baixinho e sentou-se nos assentos da varanda - Mas sim, quero que você vá me representando.
- Mas por quê o Grid não pode ir no meu lugar?
- Ele é mais experiente, preciso dele aqui, além de ser meu cavaleiro real com o título número um, ele é meu conselheiro, não posso me separar dele por um motivo desse - Liesi fitou o céu - Sei que você fará a coisa certa Volker, tenho certeza disso.
- Mas e se não fizer? - estava muito nervoso com aquilo tudo.
- Sei que vai - ela me fitou e sorriu - Sabe o que eu faço quando estou com medo e com dúvida?! Porque todas as atitudes que eu tomo tenho um peso gigantesco nas costas Volker, tenho um reino inteiro para cuidar, então eu nunca fui muito de pensar com a razão, sempre deixei meu coração me guiar, e até agora nada deu errado! - ela se levantou, passou a mão delicadamente em meu rosto e sorriu - Tenho certeza que você não irá me decepcionar, e o que você decidir lá, eu aceitarei! Entendido? 
- Sim, senhora! - tentei respirar fundo pois estava muito, bastante nervoso mesmo.
- Agora vá para seu quarto e arrume suas coisas, você partirá final da tarde, Anna irá com você certo? - Liesi percebeu meu rosto ao ouvir que Anna iria comigo - Será uma boa experiencia para ela Volker, e quer ir sem proteção alguma?! Ela será uma boa companhia, agora vá.
Não quis contestar a ordem da Rainha, além do mais, não iria adiantar muito, pois quando se recebe uma ordem direta da Rainha, é porque é muito sério e tem de ser feito urgentemente.
Como estava ficando tarde, fui rapidamente em meu quarto, arrumei minhas coisas e fui para o cais da cidade.
- Sempre muito pontual - Anna surgiu de trás de várias caixas empilhadas, estava com suas coisas em uma das mãos e seu longo cajado na outra - O orgulho da Rainha - ela riu.
- Não me venha com besteiras Anna, não estamos aqui para brincadeiras! - olhei para os navios que estavam atracados no porto e não vi ninguém me procurando ou coisa parecida.
- Senhor Volker? - um senhor bem velho se aproximou de mim, vestia uma roupa bem surrada com chinelos sujos e quase quebrados - Por favor me acompanhe.
- Quem é você? - fiquei um pouco suspeito.
- Lhe levarei até o seu navio, recebi ordens diretas da Rainha para lhe levar em segurança ao continente, posso ter esta aparência de velho e fraco, mas sou o navegador mais experiente de Pelkä Ädens! - ela estufou o peito para falar aquilo.
- Perdão senhor, muito obrigado por nos levar - sorri.
- É uma honra minha atender um pedido direta de Liesi, no caminho lhes contarei como a conhecia, é uma história bem engraçada, venham crianças! - o homem caminhava bem devagar, e fomos o acompanhando, Anna me fitou sem entender muito porque não poderíamos ir com outro capitão, um mais novo que poderia passar uma certa segurança, mas eu nem lhe disse nada, se Liesi confia neste senhor, que será eu para não fazer o mesmo.
Como dito por Liesi, no final da tarde partimos, três dias navegando e os outros cinco cavalgando por vastos campos e um deserto, seria uma aventura e tanto.
- Não sei se Liesi os avisou, mas ao desembarcarem no porto de Shuyia, haverá alguém que os guiará por caminhos mais como posso dizer - o homem sorriu - caminhos mais calmos, para que cheguem em Weit Tor em segurança.
- E quem nos levará? - Anna o indagou.
- A filha mais nova de Fenhrir, Mikhail - o homem terminou de falar e voltou a seus afazeres no navio.
- Mikhail?!?! - Anna ficou muito surpresa ao ouvir aquilo.
- O que houve Anna?
- É a conjuradora de magias mais poderosa que existe atualmente Volker, ela recebeu seu cajado de um dos três guardiões da terra sagrada, ele é feito de um dos dentes dele! - ela ficou muito animada com aquilo - pelo menos vai valer a pena! - sorriu.
- Pelo menos alguém aqui está animado com isso tudo - sussurrei, Anna não parava de falar sobre como Mikhail era incrível, para falar a verdade não dei muita atenção para aquilo, estava nervoso, muito nervoso.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.04]


                            Cap.04 - Ledus Acis
Com o vento ao nosso favor, levamos menos tempo para completar nossa viagem às terras gélidas de Nord-Eis, desembarcamos em um porto improvisado feito pelo Rei Sigurd a um bom tempo atrás.
- Serão mais ou menos duas horas de viagem - a Rainha foi a primeira a desembarcar e logo montou em seu cavalo que por sinal também tinha uma fama incrível, era um dos cavalos mais rápidos de toda Tenaryon, cavalgava duas vezes mais rápido do que qualquer outro - Rezo para que não chegue trade de mais - ela murmurou.
- Tarde de mais minha Rainha?! - Grid se aproximou lentamente de Liesi montado em seu garanhão de cor acinzentada.
- Sabe como Miesha é Grid... Não há como prever seus movimentos - ela o fitou um pouco aflita - Mas chega de conversa, montem em seus cavalos, cavalguem ao meu lado, cavalguem em direção da morte e destruição, porque é isso que iremos dar àquela Rainha! - os guerreiros gritaram com as palavras de Liesi, sorri, ela sempre deixava todos confiantes de que tudo iria sair bem, não são todos que possuem isso.
Após alguns horas cavalgando em direção do norte do continente, dentro de uma densa floresta gelada e sem vida, chegamos na frente de um gigantesco lugar aberto, e no fim só havia o castelo Stalakttis, com suas torres altas e pontudas, construídas para observarem tudo que vem de longe.
- Parem! - Liesi gritou e desceu de seu cavalo, deu alguns passos com um certo receio, se abaixou e passou a ponta dos dedos no chão coberto de neve - Aonde começa o lago? - sussurrou.
- Rainha Liesi? - um Laumina saiu de dentro da densa floresta, tinha longos cabelos avermelhados, e pele bem clara, não parecia ser um dos mais velhos de sua raça, tinha a aparência bem mais jovem do que o Rei Sigurd - Meu Rei me enviou aqui para avisar-lhes que pode atravessar o lago com tranquilidade, Ledus acis está adormecido, não irá os fazer mal algum - ele sorriu e desapareceu na densa floresta novamente.
- Ótimo - Liesi sorriu e montou no seu cavalo novamente.
- Liesi... - Grid estava olhando para o castelo muito atentamente desda hora em que chegamos ali - Melhor nos apressarmos, alguém está nos fazendo um sinal, não entendo o que significa mas melhor corrermos - fitei o castelo e pude enxergar uma luz branca, estava muito fraca, mas pude notar que piscava.
- RÁPIDO! - Liesi ordenou e todos nós cavalgamos rapidamente em direção do castelo.
Tentei ver se Miesha já havia chegado quando eu estava na metade do lago, mas não consegui ver nada, a nevasca ficava cada segundo mais forte e mais fria, me fazia tremer um pouco, nunca havia sentido tanto frio, além do mais em Pelkä Ädens só neva bastante no norte de nosso reino, na capital faz um certo frio, mas nada comparado ao que estava sentindo ali.
Ao adentrarmos no castelo, Sigurd estava impaciente esperando por Liesi.
- Porque demorou tanto Liesi?! - estava tão nervoso, que seu rosto estava corado, e o que mais me chamou atenção era que ele suava - pensei que você não iria vim!
- Sigurd sou uma mera humana, não controlo os mares nem o vento para que minhas embarcações naveguem de forma mais rápida, já não estou aqui?! Acalme-se! - ela lhe deu uma pequena batidinha no ombro.
Eu e Grid fomos acompanhando os dois até um lugar bem alto do castelo, era aberto e grande, dava pra ver quase tudo ao nosso redor, lá de cima do lago se tornava ainda mais incrível.
- Ela está na minha porta! - Sigurd se debruçou contra o pequeno muro para olhar em direção do horizonte.
- Na sua porta Sigurd?! - Liesi olhou para todos os lados e não viu sinal de ninguém se aproximando - Ou você está delirando ou... - percebi que Liesi havia parado de falar, olhei para o lado de onde nós viemos, rapidamente milhares de Dökkalfar foram saindo de dentro da densa floresta que cercava o lado em volta do castelo - Como ela consegue estar aqui tão rápido?! - Liesi caminhou para se apoiar no muro e ficar ao lado de Sigurd - são mais de três semanas de viagem daqui até Sonnenlicht, como ela chegou em menos de duas?!
- Minha Rainha ouça! - Grid estava olhando para o chão, e pude sentir e ouvir também - Um Terremoto Liesi! - Grid correu para segura-la e protege-la.
- Não há necessidade Grid - Sigurd sorriu - não existem terremotos aqui, espere e verá - ele voltou a observar o local em que o exército inimigo estava.
- Ledus acis... - Liesi sussurrou, Sigurd a fitou com um sorriso animado e ao mesmo tempo macabro.
- Mosties, nemirstigs zvërs sniega, Ledus Acis(1) - Sigurd pronunciou na antiga língua dos Sarkans, e seu sorriso macabro não saía de seus lábios.
- Minha Rainha não vá! - um Dökkalfar gritou ao ver Miesha adentrando no lago congelado - Ouça MIESHA OUÇA! - o Dökkalfar desceu desesperadamente do felino que montava e correu para parar sua rainha - Miesha!! - ele a puxou pelo braço, no mesmo segundo o lago se rachou no meio, porém não havia sido uma pequena rachadura, era gigantesca.
- Então era verdade... - Miesha deu alguns passos para trás, ela estava respirando rápido, estava nervosa, com medo - Ledus Acis... - ao terminar de pronunciar seu nome o gelo quebrou, todos ficaram alguns segundos esperando o Sarkan sair de dentro do gelo, mas nada aconteceu.
- Não ouse pronunciar meu nome novamente! - a voz pairou no ar, era monstruosamente grossa, pesada, num tom muito grave.
Uma pata gigantesca saiu de dentro do gelo, com longas garras e escamas azuis clara, logo o Sarkan saiu completamente de dentro do lago, seu corpo parecia brilhar, pois suas escamas eram revestidas com o gelo mais resistente de toda Tenaryon, tinham uma cauda com duas vezes o tamanho de seu corpo, e as asas brancas ficavam fechadas, porém dentro d'água ele as usava para nadar mais rapidamente.
Ledus Acis ficou com o pescoço ereto, mostrando superioridade para Miesha, mas ela não pareceu ligar ao vê-lo.
- Então é você o guardião destas terras - ela sorriu.
- Ordeno que volte imediatamente com seu exército para o seu reino Rainha Miesha! - ele falou firme, eu nunca tinha visto um Sarkan pessoalmente e estava maravilhado, era um ser incrivelmente grande.
- Ordena?! - Miesha o deboxou - Ô grande guardião, quem você para ordenar algo para uma Rainha?!
- Quem sou eu?? - os olhos do Sarkan, que eram brancos, ficaram negros como a escuridão - TENHA MAIS RESPEITO COM UM GUARDIÃO SUA RAINHA INSANA! - Ledus Acis gritou e grunhiu, porém aquilo tinha sido tão alto que a o gelo do lado se quebrou mais ainda, o castelo tremeu ao ponto de uma torre se partir no meio, os pássaros da densa floresta voaram assustados, Ledus Acis abaixou o gigantesco pescoço - Você sabe que não consegue me derrotar Rainha, não sou como meu irmão Üdenstornis, calma e pacífico, não lhe entregarei charadas, vou partir seu corpo em dois dentro de minha boca, então lhe ordeno, volte para o seu reino imediatamente Rainha! - a voz de Ledus Acis fez Miesha se assustar, enquanto ele falava ela deu alguns passos para trás e ficou segurando o cabo de sua espada tão firme que sua mão mudou de cor.
- SEU COVARDE! - Miesha fitou o castelo e gritou - IRÁ SE ESCONDER ATRÁS DO SEU BICHINHO DE ESTIMAÇÃO?! 
- Grid e Volker, venham comigo - Liesi parecia estar farta de apenas olhar dali de cima, descemos o castelo até o grande portão da frente - Eu vou só até lá, Grid, você sabe o que fazer - Liesi montou no seu cavalo, esperou o portão abrir e cavalgou rapidamente em direção do Sarkan e Miesha.
- Venha rápido! - Grid correu para as escadas do castelo - Temos que subir no lugar mais alto do castelo - enquanto subíamos as escadas ele falava - ouça bem, ela irá só, mas conta comigo e com você para que a protejamos entendeu?!
- Sim! - falei sem pensar duas vezes.
- Venha! - subimos todas os degraus para chegar no ponto mais alto da torre central, ficamos em uma varanda com os arcos prontos para atirar - quantas flechas você acha que consegue mirar sem errar? - ele tirou três da aljava.
- Duas eu acho - fiquei nervoso.
- Você não tem que achar, ou é ou não é! - Grid mirou as três flechas em direção do exército de Miesha.
- Duas! - falei firme e ele sorriu.
- Ouça bem, irei mirar no exército, e você não tire os olhos de Miesha, ela é ágil e sei que você tem os olhos mais rápidos que os meus, então essa é a hora de servir sua Rainha, não falhe cavaleiro real! - Grid puxou a linha do arco com as três flechas, respirou fundo.
Preparei as duas flechas no arco para atirar e mirei na direção de Miesha, eu não poderia falhar. Liesi rapidamente chegou perto do Sarkan e desceu do cavalo, percebi um pouco de receio ao andar do lado dele, mas acredito que ela estava mais deslumbrada ao estar do lado e realizar um sonho de conhece-lo do que com medo dele.
- Rainha Liesi, você tem todo o meu respeito - Ledus Acis ergueu o pescoço novamente e esperou ela falar.
- Igualmente guardião, mas acredito que nós iremos ter muito tempo para nos apresentarmos - Liesi fitou Miesha com os olhos cheios de ódio - quem você pensa que é?! - suas palavras saíram de sua boca carregadas de ódio - Para vir aqui com todo o seu exército, colocar vidas em perigo para você sustentar seu luxos Miesha?
- Meus luxos?! - Miesha fitou Liesi sem entender do que ela falava - Vim aqui para..
- Não me venha com suas mentiras baratas! - Liesi a interrompeu, Miesha se surpreendeu com tal reação e se aproximou de Liesi.
- Mentiras baratas?! Quem será que está mentindo para quem Rainha humana? - Miesha sorriu.
- Acha mesmo que irei preferir acreditar em você do que em Sigurd? - Liesi ficou firme, não se abalou com as palavras de Miesha - não perca seu tempo, e não volte mais aqui.
- Quem é você para me dar ordens? - Miesha gargalhou - Estou aqui neste mundo muito antes...
- Não me importa onde você está e a quanto tempo você está, faça o que o guardião mandou e vá embora! - Liesi gritou e Miesha a fitou com o mais profundo ódio possível.
- Irei, mas voltarei - Miesha montou no seu felino - e lhes digo desde já, voltarei com tal poder para arrancar a sua cabeça orgulhosa de seu corpo guardião - Miesha fitou Ledus Acis com mais ódio ainda - Chskär'kem Dökkalfar!(2)
Respirei aliviado quando vi Miesha e seu exército indo embora.
- Akk'steruns fagior qelyia(3)!! - mas de repente Miesha gritou em Yrgunsten e um canhão de energia saiu de dentro da densa floresta, foi mirado na direção de Liesi.
- MIESHAAA!!!! - Ledus Acis levantou as duas patas da frente e abriu as gigantescas asas que pareciam formar duas gigantescas paredes de gelo, logo o poder se choco contra as asas de Ledus Acis - Quem ela acha que sou! - Ledus Acis fechou as asas e se abaixou novamente.


--- Notas ---
(1) Acorde, besta imortal da neve, Ledus Acis - Era usado pelos antigos sábios Sarkans na época em que governavam Tenaryon junto com os Loti Izturigs, porém com a destruição da árvore da eternidade, o poder deles também diminuiu, e pouco a pouco eles foram deixando de existir.
(2) Retirem-se Dökkalfar! - Língua dos Dökkalfar, Yrgunsten.
(3) Encantamento da serpente - um feitiço usado somente pelos Loti Izturigs, porém a Rainha Miesha ao destruir a árvore da eternidade, levou consigo para seu reino todo o conhecimento que a raça extinta possuía.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.03]


                       Cap.03 - O Rei desesperado
Depois desse dia fiquei por volta de dois meses treinando com Grid, ele era um ótimo mestre, e um ótimo amigo também, sempre me ajudou bastante, já a casa que eu morava eu acabei vendendo, pois estava morando no palácio real, como me tornei um cavaleiro real tinha que estar no mesmo local que minha Rainha, pois a imprevistos acontecem e devemos garantir a segurança dela acima de tudo. Como me tornei o cavaleiro real mais novo da história, sempre fui tratado como o filho que a Rainha não teve, depois de um tempo, pude ganhar mais um pouco de sua confiança e descobri que meu pai realmente lutou ao seu lado, e ela o conhecia, ela disse-me que ele a pediu para cuidar de mim, e ela, como uma Rainha e também uma mulher de palavra, me procurou por todos os cantos de Pelkä Ädens, mas no fim eu a achei.
Dez anos depois aqui estou eu, com 22 anos, com o título de segundo cavaleiro real, mas por sorte, ou por azar, não atuei em batalhas reais ainda, está tudo muito pacífico, até que um dia o Rei dos Laumina veio à Pelkä Ädens. Os Laumina são seres pequenos, exageradamente fortes, não possuem uma vida tão longa quanto a dos Dökkalfar, ou principalmente os Loti Izturigs, mas vivem bem mais que nós Humanos, normalmente carregam martelos, machados e sempre montados nos seus javalis, uma coisa bem curiosa que se diga de passagem, pois os javalis possuem três vezes o seu tamanho, mas mesmo assim, usam a força para domestica-los.
O Rei e sua guarda pessoal foram recebidos por todos os cidadãos de Dzelzs pilsëta, mas o Rei, Sigurd Bausch, estava com pressa e nem se quer caminhou com calma no grande corredor do palácio real, adentrou no grande salão da Rainha com uma aflição que me deixava preocupado.
- Liesi, estamos morrendo! - O Rei estava ofegante, mas não por "correr" tanto na chegada do palácio, mas pela situação, ele estava muito nervoso, apressou o passo novamente e sentou-se em uma cadeira ao lado da Rainha, teve um pouco de dificuldade, mas sentou-se, percebi que um dos empregados do palácio ia se aproximar para ajudar o Rei a se sentar, caminhei mais rápido e o parei, ele me fitou e eu simplesmente balancei a cabeça negativamente, pois se ele fizesse aquilo acredito que o Rei arrancaria a cabeça dele dos ombros, os Laumina não suportam se sentir diminuídos, não gostam da ajuda de ninguém para coisa que qualquer ser com o tamanho normal pode fazer sozinho - Miesha está marchando para os meus portões, meu povo está doente e eu...
- Acalme-se meu velho amigo - Liesi colocou a mão em seu ombro com a intenção de acalma-lo - Acalme-se, conte-me o que está acontecendo! - Liesi fitou os empregados com um generoso sorriso no lábios - sirvam-nos por gentileza - acredito que Liesi era a única Rainha que quase pedia o "por favor" a seus empregados, pois eles tinha prazer de servi-la e não estavam ali obrigados.
- Liesi, Miesha enlouqueceu - a voz do Rei ficou mais firme e consequentemente mais grossa - tenho informações de meus olheiros de que ela está indo me atacar!
- Mas por quê Sigurd? - ela o fitou séria e preocupada.
- Diz que estamos devendo dinheiro a ela a anos e não pagamos, então ela vai nos tirar tudo - ele respirou fundo.
- E você está? - Liesi o fitou de uma forma duvidosa.
- CLARO QUE NÃO! - o Rei se exaltou, mas logo se acalmou - nunca nem se quer fir qualquer negocio com aquela bruxa maldita! 
- Acredito em você, mas então... - Liesi colocou a mão no queixo e fitou o teto, parecia pensar em uma razão de Miesha está fazendo isso.
- Não sei qual o motivo, razão, circunstância, mas sei de uma coisa, ela vai nos matar, você sabe que ela herdou as melhores alquimias dos Loti Izturigs, e nós Laumina o que temos?! Machados e javalis?! Como vamos a magia dela? - ele ficou nervoso novamente.
- Não diga isso! - ela o fitou mais séria que antes, parecia um pouco decepcionada ao ouvir aquilo - Como iria se sentir seu povo ouvindo isso?! O REI está jogando tudo pro alto! COMO ELES FICARIAM OUVINDO ISSO SIGURD?! - ele ficou a olhando atentamente - O que você tem? Sigurd, você tem sua vida, você tem sua mulher, seus filhos, seu povo, o que quer mais?! Magia?! Deixe que venha, que venha com os 12 guardiões da terra sagrada Sigurd, deixe-a, o que você tem... - ela se debruçou contra a mesa e encostou o dedo na armadura do Rei, apontou para o seu coração e sorriu - Você tem seu coração, você é um lendário Laumina, Sigurd! - quando ela terminou ele se levantou repentinamente da cadeira com um sorriso de orelha a orelha - agora vá, vá e acredite em seu povo, e acredite em mim, pois lutarei ao seu lado, nem que isso custe minha vida! - ele segurou a mão de Liesi com muito cuidado e a beijou, ela sorriu timidamente.
- Liesi - ele sorriu - você sim poderia governar todo o mundo, todas as raças, você é digna disso! Igualzinha a seu pai, e bela como sua mãe, agradeço do fundo do meu coração por suas belas palavras e por dar desejar morrer ao meu lado - Sigurd soltou a mão de Liesi bem devagar e foi saindo do grande salão, mas antes parou ao olhar para mim - não o vi da ultima vez que vim aqui, muito prazer - ele sorriu - Sigurd Bausch.
- Se me permite senhor, o conheço de muitas canções e lendas, o senhor é incrível! - sorri - Volker Kürten, o prazer é todo meu, com toda certeza.
- Esse é meu novo cavaleiro real Sigurd, não sei se vai acreditar mais hoje em dia, com somente 22 anos, está no mesmo nível que Grid - Liesi falou de mim com muito orgulho, dei um sorriso tímido, fiquei envergonhado - um dia vai ser melhor que ele, você verá meu amigo!
- Esperarei ansioso por este dia meu jovem - ele sorriu e voltou a caminhar com pressa em direção da saída do palácio.
- Volker... - Liesi caminhou calmamente na minha direção - nos temos uma guerra para vencer, prepare-se, partiremos ao amanhecer e Volker - ela me olhou nos olhos - está é uma guerra de verdade, esteja preparado.
- Sim, minha senhora - sorri.
Ao anoitecer arrumei o que eu precisava em uma pequena manta e a prendi na cela do meu cavalo, voltei para o meu quarto e tentei relaxar, eu estava nervoso, tenso, na verdade estava sentindo tudo ao mesmo tempo, de repente ouvi alguém batendo na porta do meu quarto.
- Um instante - levantei-me e fui abrir a porta.
- Boa noite cavaleiro real! - reconheci aquele tom, era a Anna, uma das poucas alquimitas que tínhamos em nosso reino, mas o mais incrível nela, era que ela não só conseguia conjurar algumas magias em conjunto com poções que ela mesma prepara, mas também sabia lutar com seu machado, que por sinal nunca saía do seu quadril, preso em sua cinta - então nós vamos pra guerra manhã?! - no instante em que abri a porta ela foi adentrando no quarto mesmo sem ser convidada.
- Anna sabe que não pode estar aqui a essa hora da noite - continuei segurando a porta com intuito que ela entendesse que não podia ficar dentro do meu quarto.
- Chega, nem quero saber se posso ou não - ela sentou em um poltrona - como o quarto de vocês é lindo, já o nosso...
- Não acho que devo ter tanto luxo, a final sou só um arqueiro, e você é uma das poucas alquimistas que temos, acho que você merece mais - sorri.
- Também acho - como sempre, muito convencida, ela riu baixinho e me fitou, permaneci segurando a porta aberta para que ela fosse embora - Tá bom!!! Já estou indo embora - ela se levantou da poltrona e saiu do quarto - só não vá atrasar hein cavaleiro real - ela riu e foi embora.
Suspirei e me deitei, precisava descansar, pois teria que acordar bem cedo para partir.
Ouvi alguns pássaros cantando e percebi que já estava de manhã, rapidamente coloquei minha armadura, prendi meu arco no apoio na aljava e saí do meu quarto. Ao sair vi todos correndo de um lado para o outro levando armaduras, espadas, comidas, cavalos e tudo que iríamos precisar para a viagem e a batalha.
- Bom dia número um - olhei para o lado e lá estava Grid, já preparado - vejo que acabou de acordar - ele riu um pouco.
- Acabei dormindo um pouco mais, até hoje nunca consegui acordar cedo - sorri meio envergonhado.
- Verdade, esse é seu ponto fraco - rimos juntos - vamos para o cais do porto a Rainha irá se pronunciar antes de partimos nas embarcações.
Fui caminhando com Grid, e ao chegar no cais, estava tão lotado que não pude ficar perto de onde a Rainha estava, ela subiu em um pedaço de madeira, estava com sua armadura avermelhada, com detalhes em ouro, seu capacete da mesma cor, e como de costume com um dos chifres cortado no meio, seu longo cabelo turquesa saia por de trás do capacete e ficava partido no meio.
- Estamos aqui por uma causa nobre - ela começou a falar e todos ficaram em silencio - meu amigo, o Rei Sigurd, veio aqui ontem para pedir minha ajuda, ele está desesperado pois seu povo esta doente, e em Nord-Eis vocês sabem, é muito frio, é difícil conseguir plantar alguma coisa então eu fiz um acordo no nosso comércio, para que eu os desse alimento e eles me dessem ouro - como o ouro não era tão valorizado era uma troca justa, existem coisas mais importantes do que ouro, e em Nord-Eis o que mais existe lá é ouro, só não mais do que neve - mas ele está sem esperanças, pois Miesha está marchando com todo o seu exército em direção do castelo de Stalakttis, o centro de Nord-Eis, como alguns já ouviram falar, o castelo é cercado por um lago congelado - ela parou para respirar - eu já vi este lago - já tinha ouvido falar deste lago, mas nunca soube se as lendas eram verdadeiras - dentro do lago congelado existe um Sarkan de gelo, nunca o vi, mas cheguei a ver sua sombra de baixo do gelo e acreditem, ele não é pequeno, pode não ser um dos guardiões da terra sagrada, mas não é nada pequeno! - todos ficaram um pouco tensos - o lago possuí o nome do seu protetor, Ledus acis, e desdo primeiro Laumina decidiu construir sua morada lá, Ledus acis não se sentiu ameaçado, porém da ultima vez em que alguém estranho tentou se aproximar, Ledus acis saiu de dentro do lago congelado e destruiu o inimigo em questão de segundos!
- Minha Rainha, se me permite, então como vamos atravessar o lago e chegar ao castelo? - um cavaleiro comum se pronunciou.
- Ótima pergunta cavaleiro - ela sorriu - ele não nos fará absolutamente nada, acreditem em mim, porém quando Miesha chegar, aí sim vocês irão ver a força do Ledus acis - aquilo encorajou a todos - Miesha quer o ouro que os Laumina possuem, Miesha mentiu, disse que Sigurd estava devendo dinheiro a ela, ela mentiu! - aquilo enfureceu a Rainha - vamos esmagar as cabeças desses Dökkalfar imundos!!! - ela ergueu o punho e todos gritaram - entrem nos navios.
- Ela é incrível Volker - Grid sorriu - vamos, temos uma longa viagem pela frente, dois dias inteiros!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

The Path To Eternity [C.02]


                       Cap.02 - O Arco, O Alvo
Vivo no reino dos humanos, Pelkä Ädens, um reino bastante extenso, é praticamente uma ilha gigante, pois nos cercando por todos os lados só há o mar, quando temos que ir para o centro do continente, ou nossa Rainha tem de ir a outro Reino ou vilarejos, só que está a nosso favor são as grandes embarcações.
Me chamo Volker Kürten, tenho 22 anos, atualmente moro só, pois quando era pequeno, morava em um vilarejo no norte da grande ilha e ela havia sido saqueada pelos Draiskullis, seres com a aparência humana, de olhos amarelados, que possuem pequenos chifres em suas testas, são humanos corrompidos pelo mal. Então quando o vilarejo foi saqueado meu pai tinha sido chamado pela nossa Rainha, Liesi Mayer, para se juntar ao seu exército, ele não tinha grandes habilidades como soldado, arqueiro, alquimista, mas ele era ótimo ferreiro, e forjava as espadas dos soldados e as concertava como ninguém. Já minha mãe havia ficado para cuidar da casa e de mim, porém um dos Draiskullis a matou quando tentou me defender, já eu por um grande milagre consegui me esconder de todos os inimigos e fugi para a capital Dzelzs pilsëta, é uma das mais protegidas capitais que existe a comparando com todos os outros reinos, pois Dzelzs pilsëta possui os mais altos e impenetráveis muros, sobre meu pai, eu nunca mais soube nada sobre ele.
Ao chegar em Dzelzs pilsëta, fui acolhido por um casal de agricultores que moravam quase fora da cidade, onde se concentram os campos e as árvores frutíferas. Eles cuidaram de mim, me deram educação, até que o homem faleceu, acredito que faleceu por causa da velhice, e sua mulher entrou em uma profunda depressão, eles nunca tiveram filhos então me consideravam um presente de Deus, e nem eu consegui a tirar do profundo mundo em que ela entrou.
Quatro anos depois a mulher acabou falecendo de tanto tristeza, de tanto desgosto de viver sem seu amado marido, e eu acabei herdando tudo, casa, dinheiro, e seu terreno, mas como eu nunca tive grandes habilidades como agricultor, não iria adiantar de nada eu tentar exercer um trabalho que não consigo, resolvi vender o terreno junto com a casa, e com o dinheiro que consegui comprei uma casinha bem simples no centro de Dzelzs pilsëta.
Sempre procurei todo tipo de trabalho pra mim, mas nunca deu certo, até que um dia a Rainha Liesi foi a uma apresentação de tiro ao alvo nos campos que haviam perto de onde eu morava, Liesi sempre muito aberta ao povo, disse a sua guarda real que deixasse quem quisesse entrar e assistir a apresentação de seus melhores arqueiros, e eles eram muito famosos em Pelkä Ädens, tinham uma pontaria incrível.
Eu, sem muitas coisas para fazer no meu dia, resolvi ir ver a tal apresentação. Tinha muita música, comida para os pobres, bebida, e muita gente comemorando, na verdade eu não sabia ao certo o que eles comemoravam, mas fiquei em um canto bem privilégiado para ver a apresentação dos famosos arqueiros.
Liesi se apresentou formalmente a todos, e deu início a apresentação, pelo o que eu tinha percebido o melhor dos arqueiros ia se apresentar por ultimo, seu nome era Grid Abelyos, estava sempre ao lado da Rainha, tinha longo cabelos negros, tão negros que chegavam a ser quase azuis, e com pequenos olhos azulados, se vestia muito bem, e pela sua fama que chegava aos meu ouvidos era muito educado com todos e assim respeitado, era um dos cavaleiros mais importantes da Rainha Liesi.
A apresentação foi seguindo, alguns arqueiros novatos nunca acertavam tudo, ou nem se quer sabiam segurar um arco, mas o público segui educado e fiel a Rainha, não ria, não fazia piada alguma sobre tal aprendiz, porque um dia na guerra esse aprendiz pode simplesmente ser o soldado que nós iremos precisar, então nenhum homem ou mulher que possa lutar é descartado, e a Rainha segue esse pensamento com muita rigidez.
O dia foi passando e todos os aprendizes também, até que a Rainha anunciou que os soldados com mais experiência iriam se apresentar, pode-se dizer que eu estava bem nervoso para ver o ultimo, já tinha ouvido boatos de que ele consegue atingir um alvo de olhos fechados, e não importa a distancia em que o alvo esteja, ele tem os sentidos muito aguçados.
Até que finalmente o ultimo arqueiro se apresentou, quando Grid foi para o campo se preparar para dar seu melhor, todas as meninas adolescentes gritaram, digamos que ele tinha uma certa fama por sua beleza também, mas ele não era do tipo de homem que se gabava disso, ele ergueu a mão que segurava o arco e puxou três flechas, achei incrível aquilo, imaginei se devia ser difícil segurar uma, mirar e acertar, imagina três ao menos tempo! 
Grid colocou as três flechas no arco, e com elas puxou a linha do mesmo, respirou fundo e soltou uma, e acertou o alvo, soltou a segunda e acertou, segurou firme a terceira e fechou os olhos, todos imediatamente gritaram, "OHHH", e soltou, esperamos tensamente a flecha chegar no alvo e sem muito espanto ela acertou o centro vermelho do alvo, o público que assistia a apresentação o ovacionou, ele deu um simples sorriso e fitou Liesi com todo o respeito, ela com seu sorriso delicado mais ao mesmo tempo orgulhoso o confortou.
Percebi que a apresentação já estava acabando e decidi ir embora dali, porém havia ouvido Liesi chamar quem quisesse tentar fazer a mesma coisa ou mais ou menos a mesma coisa que Grid havia feito, fiquei um pouco tentado a fazer aquilo, mas iria ser uma vergonha pra mim e para a memória de meus pais, a final, eu nunca se quer segurei um arco. Enquanto caminhava pude ouvir ela chamando alguns, até que não resisti, corri de volta para o campo e me apresentei, ela me olhou com aquele mesmo sorriso de orgulho e me senti um pouco especial naquele momento.
Todos os outros meninos que iriam se tentar se apresentar pareciam saber como usar um arco, cheguei a ficar um pouco constrangido e por um instante passou pela minha cabeça ir até a Rainha e desisti, mas quando saí da linha de formação olhei para a Rainha e Grid estava olhando para mim com um sorriso bem animado, parecia estar feliz em me ver ali, fiquei sem saber o que fazer e continuei caminhando para onde Liesi estava, mas Grid me parou, colocou a mão no meu ombro e disse, "Está na sua alma, segure-o como se fosse a ultima coisa a fazer em vida, puxe a flecha com seu coração na ponta, vá, você consegue!", ele me olhou nos olhos e senti uma sensação estranha dentro de mim, mas senti que conseguia fazer aquilo, logo sorri e voltei para a formação.
Como fui o ultimo a chegar, seria o ultimo a atirar. Todos os outros meninos tinham mesmo alguma experiência no arco e flecha, eram bem ruins, posso assumir, mas tinham, até que chegou minha hora de atirar, dei alguns passos para frente respirei fundo, olhei para Grid e ele ainda estava com aquele mesmo sorriso, eu não podia desistir ali, no meio de todo mundo, olhei para o arco branco de madeira na minha mão, criei mais coragem, peguei uma flecha na Aljava, a senti com todos os dedos da minha mão.
Percebi que a Rainha estava me olhando atentamente, mas mais atentamente do que o normal, parecia esperar algo a mais de mim, me senti um pouco nervoso, mas nem se quer me deixei abalar, tinha que provar para mim mesmo que poderia superar aquilo. Puxei a linha do arco com a flecha, respirei profundamente, olhei para o lado do alvo que estava a mais de trezentos metros de mim, e mirei o arco alguns centímetros para o lado, percebi que o vento estava vindo contra meu corpo de lado, todos ficaram tensos ao olhar minha concentração.
Tentei me concentrar o máximo possível, percebi que meus dedos tremiam um pouco, e tentei me acalmar e esperar pela chance perfeita em que o vento cessaria, e ela veio no exato momento em que abri meus dedos para soltar a flecha, todos ficaram calados, tensos esperando a flecha acertar ou não o alvo, eu abaixei a mão que segurava o arco e vi a flecha indo bem devagar, fez a pequena curva que eu esperava fazer por causa do vento, e abri um pequeno sorriso nos lábios, no momento em que acertou o alvo vermelho todos gritaram de felicidade, respirei aliviado.
Lembro-me como se fosse ontem, da Rainha Liesi se aproximando de mim, me abraçando e falando, "Bem vindo, a guarda real minha criança", enquanto abraçava Liesi, pude ver o rosto de Grid rindo de felicidade conversando com outros soldados da guarda real, fazia alguns gestos e sorria bastante, até que ele me olhou e deu um sincero e tímido sorriso, quase dizendo, "Parabéns".

If these wings could fly [C.04]

Cap.04 -O Acidente Quando eu falo que fiquei por muito tempo no telhado, eu não estava mentindo, até peguei no sono, só acordei com...