terça-feira, 7 de junho de 2016

UMI [C.01]

Cap.01 - Gatos tem medo de água  



   - "Yumi acorda, você vai fazer as coisas direito dessa vez!" - sentia que algo estava acontecendo enquanto eu tentava acordar, tentei abrir meus olhos bem devagar, mas o peso do sono não deixava - "ACORDA! Ta tarde já, se você não for pra aula, no primeiro dia, vai tomar advertência.." - finalmente abri os olhos por completo e olhei para o pequeno relógio ao lado da minha cama, "6:40".

   - Tô acordando, tem calma! - gritei.

   - "Faz 20 minutos que tô gritando la de baixo Yumi" - a voz foi se aproximando da porta do quarto – E você diz calma garoto?! - minha mãe abriu a porta - Você sabe que eu só vim esses dias aqui pra você conseguir se adaptar a morar sozinho filho, se for assim todo dia, se você ficar jogando até tarde todo dia..

  -  Nossa, nem começa, por favor – levantei da cama rapidamente para nem ouvir o mesmo sermão de toda manhã, aquilo era insuportável.

  -  Você tem que ir pra aula filho, ser responsável! - ela deixou uma blusa perfeitamente dobrada em cima da cama e sorriu - Você é meu bebê, vai se dar bem na aula hoje, eu sei disso.

   - Não é como se eu quisesse me dar mal ou bem, é só uma aula, uma escola mãe, e não..

  -  Faça amigos seu inútil - ela me interrompeu, minha surpresa foi tanta de ouvi-la falar aquilo que a olhei assustado – Kyoko não queria isso.

  -  Não... Não fale dela – entrei no  banheiro e fechei a porta com força.

Memórias são boas e ruins, dependendo do seu ponto de vista até a partida de alguém pode ser algo bom, mas quando se fala da única pessoa que te fazia sorrir, ah.. Ah aquele sorriso, lindo, aqueles longos cabelos prateados, Kyoko. E são nessas horas que você lembra de tudo e suspira, falando sozinho você se pergunta, "Porque minha vida é um lixo?!". Você jura a si mesmo que nunca vai olhar para alguém da mesma maneira que a olhou, que nunca vai beijar alguém como a beijou.

Um pequeno sorriso se abre nos meus lábios, e meu peito se aperta.

  -  Ela certamente não queria isso – sussurrei.

   - "FILHO TE DOU CINCO MINUTOS!" - Ela não parava de gritar.

Escovei os dentes e lavei o rosto então terminei de me arrumar.

Desci as escadas até ir de encontro com minha mãe que estava me esperando na porta.

  -  É um novo caminho pra você, você pode esquecer tudo que te afligia filho, você pode conhecer pessoas novas, se focar em coisas que realmente importam na sua vida, você pode conhecer um novo alguém - ela sorriu, por mais que eu não quisesse aquilo, ela só quer o meu bem – Deixe a casa sempre em ordem, uma vez na semana, provavelmente no final de semana, tentarei vim no final de semana, se não quiser que eu venha, me mande uma mensagem okay? - então ela beijou levemente meu rosto e foi embora.

Abri a porta da frente de casa, estava nublado e com muita neblina, aquele clima me fazia bem, mas ao mesmo tempo não me deixava ver a coisa que mais me fazia feliz, o mar. Minha casa se encontrava na parte mais alta da cidade, era uma casa grande, venho de uma família muito rica, e uma das casas que temos espalhadas pelo Japão é esta, que ficou pra mim como herança.

Minha mãe é tão louca que colocou guardas ao redor da casa, não sei pra o quê, mas sabe né, mãe é mãe, você não contesta, você só aceita.

No meu caminho para a ida à escola via vários outros alunos com o uniforme do mesmo, conversando, rindo, indo em grupo, me sentia um pouco estranho, um certo vazio dentro de mim.

   - SHHIIIIN! Espera! - uma voz feminina ficava cada vez mais audível vindo do outro lado da rua, observei para ver quem era, e havia uma garota com longos cabelos loiros correndo de encontro com outra garota bem parecida com a mesma, mas com olhos azuis como oceano, enquanto a menor tinha olhos esverdeados - Você tem que me esperar, não lembra o que a mamãe disse?

   - Cala a boca, por favor – a outra garota tirou um smartphone da bolsa e ignorou a menina mais nova.

Sinto saudades da minha única irmã, ver aquelas duas andando juntas daquele jeito, pena que ela foi morar na França e me deixou aqui, sozinho.

Finalmente cheguei na escola e fui até minha sala de aula, onde em cada cadeira haviam nossos nomes, procurei o meu e logo me sentei, abaixei minha cabeça na mesa e fechei os olhos, naquele momento, eu só queria dormir e não acordar mais, seria uma tediosa e longa aula.

Aquele leve silêncio, só conseguia ouvir algumas pessoas conversando no corredor, meninas rindo, passos, aquilo estava me fazendo quase cair no sono, até que senti um aroma muito familiar, meu coração palpitou, quase morri naquele momento, levantei rapidamente minha cabeça da mesa e havia uma garota na sala, somente eu e ela.

Aquele aroma de areia levemente molhada pela salgada água do mar, aquela brisa suave no rosto, o sol nem tão forte nem tão fraco, naquele momento o relógio parecia ter parado por uns minutos, enquanto a garota andava na direção da única janela aberta da sala.

Meus batimentos cardíacos estavam em sincronia com os passos da garota, minha respiração estava quase indo embora, algo não estava certo.

Um corrente de ar entra pela janela, e levanta seu longos e negros cabelos, aquilo ... eu não sabia o que estava acontecendo.

  -  Quem estiver do lado de fora da sala por favor vamos entrando, a nossa aula já vai começar meninos – a professora foi entrando na sala e colocando todos que estavam do lado de fora para dentro - não, você pode ficar aqui – a professora apontou para a garota de longos cabelos negros que estava na janela – e você também, pode vim aqui – logo em seguida ela apontou para mim.

A hora de se apresentar era a pior, odiava aquilo, ficar na frente da sala toda, achava bem sem sentido aquilo.

  -  Bom dia classe, estamos iniciando esse ano letivo, vocês terão mais esse ano e o outro para ingressarem em alguma faculdade, então aproveitem bem esse ano, todo o corpo estudantil estará apostos para qualquer dúvida de vocês o ano inteiro, então sejam todos bem vindos novamente, e vamos dar as boas vindas aos dois novos alunos, se apresente querida – a professora olhou para a garota.

  -  Bom dia – ela deu um passo a frente e ficou ereta, parecia tão recatada e tímida - Me chamo Akiyama Nami, tenho 17 anos, nasci aqui no japão mas me mudei bem jovem para a Alemanha e voltei agora para terminar o ensino médio aqui, espero que eu consiga me dar muito bem com todos vocês - ela sorriu, aquele sorriso.. Me paralisou.

   - Ótimo, seja bem vinda Akiyama, agora você filho – a professora sorriu para mim, mas meu corpo não respondia aos meu comandos, eu só não conseguia parar de olhar para o sorriso daquela menina – Querido?! - a professora se aproximou de mim.

   - Oh.. Desculpe – desviei minha atenção do rosto da menina, e ela riu baixinho, parecia me provocar – Err.. Me chamo ... - eu tinha esquecido de tudo da minha vida naquele segundo.

   - Você não sabe seu nome?! - uma garota da sala falou do fundo e riu.

  -  Shura pare com isso, ele pode só estar tímido - a professora oprimiu a atitude da mesma.

  -  Então - suspirei – Me chamo Tatsui Yumi, tenho 16 anos...

   - Ta-Ta-Tasui?! - outra pessoa da sala gritou – você é filho do.. Dono da..

   - Isso não importa não é gente?! - enquanto a professora me conduzia de volta para minha mesa, ela sorria – Vamos voltar ao assunto da aula de hoje, chega de apresentações por hoje amores.

Não ia se algo fácil ser filho de um dos mais ricos e maiores empresários do Japão, isso seria um problema, afinal aquele colégio ficava numa cidade bem afastada de qualquer capital, meu Pai resolveu isso visando meu melhor, visando eu ser alguém na vida.

Suspirei.

    - "Em um mundo, onde as memórias de um oceano, te fazem melhor, e não te trazem ela" - ouvi isso em minha mente e pulei da cadeira, quando percebi eu tinha caído no sono, e parado a aula do susto que tomei.

   - Está tudo bem Tatsui? - a professora me olhava confusa – quer ir ao banheiro? Vá lavar o rosto filho – consenti com a cabeça e fui saindo da sala.

O que tinha acontecido?! Meu dia estava muito confuso.

   - Você sente falta dela.. Não sente?! - alguém falava comigo do outro lado do corredor, então me virei para ver quem era, meu coração acelerou – Ela não o queria assim Yumi, acredite em mim.. - era a Akiyama, mas do que ela estava falando? Algo estava errado. 

- Do quê você está falando? - gritei.

 - Kyoko.. - então a mesma deu as costas e foi indo embora.

Meu corpo ficou completamente paralisado, o que estava acontecendo? C-Como ela sabia da Kyoko? Quem era ela? E.. como ela saiu da sala se ela estava lá?

Mas.. Pera, ela estava lá? 
Sentei no chão, meu corpo não parecia ter forças mais, coloquei as mãos na cabeça e fiquei tentando controlar minha respiração.

- Tatsui! O que está fazendo aí? - o Diretor da escola me viu sentado e me alertou – Volte para sua classe imediatamente!   

- De-Desculpe senhor – levantei rapidamente e fui voltando para a classe, não queria nem saber se ia lavar o rosto ou não, só fui voltando.

Ao chegar na porta da classe, o sinal toca, e alguém abre a mesma, enquanto eu tentava entrar, todos estavam indo embora. Fui em direção a minha cadeira para pegar minha bolsa e olhei em volta, a garota não estava mais lá, suspirei, algo me aliviara. 

- Não precisa me procurar Yumi – a voz da garota vindo da minha esquerda me fez tomar um susto tão intenso, que pareci um gato pulando uns 3 metros de altura, ela riu – Gatos, tem medo de água, sabia disso?! - ela riu baixinho e foi indo embora.

Mas.. Que diabos.. É ela?

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Vampyr: The New Age [C.02]



          Cap. 02 – Uma Velha Amiga
     Quando 
               eu era mais jovem, tinha um Tio muito sábio, sem muita dificuldade ele mudara meu modo de pensar sobre todos os humanos, até que ele, matou uma família inteira em uma tarde, na época minha mãe já estava no poder, já havia se tornado a soberana maior do Império, ela é muito conhecido pela sua rígida conduta de seguir fielmente todas as Leis absolutas, ou seja, Leis que não podem ser mudadas de forma alguma, leis que não dão a opção ao réu de sair vivo ou não, nem mesmo sua soberana poderá mudar tal destino. Então meu Tio se entregou a julgamento, confessou absolutamente tudo, e disse a minha mãe que algo iria mudar, e a vida fácil e pacifica dos Humanos estava para acabar. Não deve ter sido uma execução muito fácil de fazer, afinal, não é fácil matar seu irmão, e somente a regente do trono pode e deverá ser o carrasco de todas as execuções de traidores, pelo menos dentro da Cidadela.
- Charlloth! – Charlloth era minha primeira amiga de infância dentro da Cidadela, era a filha mais nova do segundo Barão mais importante de todo o Império – Como você mudou em todos esses anos! – sorri e aproximei-me da mesma.
- Não irá nem abraçar-me?! Sei que sou somente uma princesa e não mereço tal gesto, Barão Égon – ela riu.
- Não e chame assim! – a abracei, usava o mesmo perfume de sempre, um cheiro doce e aveludado, seus longos cabelos avermelhados acentuavam sua pele exageradamente branca – Com todo o respeito, estais linda princesa – sorri e vi seu delicado rosto corando.
- Vejo que não perderam tempo em se grudarem novamente não é, Égon – do outro lado estava Scarleth, a filha mais velha, Scarleth era insana, e agradeço a nossos ancestrais que Charlloth não havia sido corrompida por tal insanidade – Agora é um Barão, deve estar mais desejável que antes – Scarleth sorriu, e foi embora.
- Sua irmã não melhora em absolutamente nada, não é?! – fitei Charlloth.
- Perdoe-me senhor – falou Charlloth bem séria.
- Não sou seu senhor, sou seu amigo, para já com estas formalidades menina – gargalhei – onde está seu primo? Anos que não o vejo.
- Meyer morreu Égon – Charlloth fitou me com certa angustia, parecia estar confusa por eu não saber desta informação.
- Meyer... MORREU?! – não pude acreditar – Mas.. O que houve Charlloth?
- Há três anos atrás, Meyer foi acusado por meu Pai, com o consentimento de sua mãe, de assassinar 5 humanos em um mês, Meyer não assumiu a culpa, foi morto clamando clareza na mente de meu Pai, implorando por piedade, pois ele não teria feito absolutamente nada – Charlloth contava o acontecido bem triste.
- Lembra-se de Sebastian?! Aquele meu primo que cuidava das grandes riquezas de meu falecido Tio
- Sim! Como poderia esquecer de Sebastian, sempre muito justo! – Charlloth sorriu.
- Ele foi executado há dois dias atrás – ao ouvir aquilo Charlloth parecia ter avistado uma alma – Ele matou 25 pessoas em três dias, pelo menos foi acusado de tal atrocidade, mas...
- Ele não lembra de ter cometido tal crime?! – ela completou.
- Ele não assumiu absolutamente nada, apenas chorava pedindo perdão à minha mãe, mas como é minha mãe, ela é o pior carrasco que se pode ter, ela gosta de provar seu poder perante todos, então arrancou a cabeça de meu primo em frente a todos os Barões e Baronesas, isto não está certo Charlloth, algo está acontecendo entre nós que ninguém, nem mesmo minha mãe, percebeu, alguém está fazendo isso, e manipulando absolutamente tudo.
- Cuidado, as paredes possuem ouvidos neste castelo, Barão Égon – Scarleth surgiu novamente mas logo foi embora.
- Odeio lhe dizer isto, mas ela tem razão, não é a hora nem o lugar correto para conversarmos sobe isso, me encontre no Jardim das estatuas daqui a duas horas, vou para meus aposentos, a viagem foi bastante longa – Charlloth sorriu – Fico feliz em revê-lo, Barão Égon – rapidamente ela foi embora.
- Não se meta com as filhas de Isveyn, senhor – o guarda pessoal de minha mãe caminhava nos corredores do castelo e sussurrou em meu ouvido – Sabe como Isveyn é louco.
- E sua senhora não é?! – retruquei – Não preciso que me diga o que fazer. Estrelada madrugada estava em seu pico de escuridão, era nesta hora que grandes festas aconteciam todas as noites em todos os castelos da Cidadela, e são nestas festas que as Leis não se aplicam muito.
Subi para o Jardim das estátuas, no alto do castelo e lá estava Charlloth, sentada em um gigantesco banco em madeira.
- Lhe fiz esperar muito? – sentei-me ao seu lado, ela sorria bastante.
- Não, cheguei neste instante.
- Não minta para mim Charlloth!
- Pare com isso – ela ria – Meu Pai não ficou muito feliz em saber que iria lhe encontra sozinha, sabe que ele não gosta muito que eu fique perto de você.
- Até hoje não entendo o porquê disso, sou filho da Imperatriz, e seu Pai é tão amigo de minha mãe...
- Vai saber o que se passa na mente de meu Pai – Charlloth riu baixinho.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, o vento trazia várias fragrâncias do Jardim, lá haviam todo tipo de plantas, até alguns mais agressivas, Carnívoras.
-  Senti saudades de você Égon – Charlloth aproximou-se de mim e deitou seu rosto em meu ombro – Até hoje não compreendo porque meu Pai resolveu mudar-se daqui, nos víamos todos os dias – ela sorriu.
- Também senti saudades Charl – ao ouvir seu apelido, Charlloth fitou-me com um sorriso enorme no rosto – Estava até com saudades de pronunciar este nome para ser sincero – sorri meio sem jeito.
- Quando Scarleth contou-me que iriamos a uma visita a Cidadela, não aguentei de felicidade, estava tão eufórica em rever você Égon – Charlloth segurou uma de minhas mãos e colocou sob seu rosto, sua pele macia, sua expressão, eram de outro mundo, Charlloth tinha uma beleza fora do comum – Espero que tenha se sentido da mesma maneira quando soube de minha chegada.
- Como poderia ser diferente?! – sorri.
A leve brisa fazia seus longos cabelos ruivos voarem, estava até esquecido de tanta beleza em um ser só.
- Porquê está tão animadinha Charlloth? – ouvi a voz de Scarleth e olhe para a entrada do Jardim, lá estava ela, completamente bêbada, com um longo vestido azul marinho, manchado de bebida, e seu longo cabelo cor de sangue preso e um longo e tênue rabo – Sabe que se o Papai descobrir que Égon tocou em você, ele pessoalmente virá mata-lo – Scarleth riu, caminhava com muita dificuldade, e jogou-se em meus braços.
- Scarleth chega – a tirei de cima de mim.
- Papai não me restringiu de ficar com seu tão sonhado amiguinho de infância, agora você não, a queridinha do Papai – Scarleth ria alto.
- Scarleth cale-se! – tentei manter a calma.
- Se quer calar-me Vossa Senhoria, faça-o, não se contenha, posso lhe dizer que não sou tão pura quanto minha irmã, mas acredito que sou melhor – ao ouvir aquilo minha cabeça explodiu, perdi completamente a cabeça, bati com toda a força que pude juntar naquele momento, no rosto de Scarleth.
- Não ouse falar assim, você não passa de uma vagabunda! E sempre será! Nunca mais compare-se com sua irmã – olhei profundamente em seus olhos, ela poderia não saber o que estava fazendo, mas acredito que iria lembra-se do que fiz no outro dia.
- Égon – Charlloth levantou-se do banco de madeira e segurou minha mão – Não precisa disso tudo – seus olhos estavam cheios de lágrimas – Olhe para ela, está completamente embriagada, não ligue para o que ela disser – uma lágrima escorreu em seu rosto – Vou para o meu quarto, nos falamos amanhã, Boa noite Égon – e ela se foi.
- Sua princesinha foi embora – Scarleth riu, deixei-a falando sozinha e caminhei para a varanda do Jardim, de lá podia-se ver o Castelo por inteiro, as luzes das festas pairavam sob a noite quase eterna – Diga-me, o que ela tem de especial!
- Scarleth, chega, estou exausto de suas loucuras – suspirei.
- Scarleth?! – Não havia percebido que a voz era completamente diferente, mas continuava sendo feminina, virei para ver quem era e me assustei.
- Você! – era a serviçal da noite em que meu Primo havia sido executado – O que está fazendo aqui humana?!
- Não costumam vim muitas pessoas a esta hora aqui, por isso eu fui designada a limpar este local, cuido do Jardim – seus brilhantes olhos verdes eram hipnotizantes – Sei que não tenho se quer direito de dirigir a palavra a você senhor, mas vim pessoalmente lhe agradecer por poupar minha vida, noite passada – ela ajoelhou-se.
- Levante-se! – fiquei sem jeito – Não agradeça a mim menina, sua senhora a salvou – tornei a observar o castelo.
- Mesmo assim, obrigada – após alguns segundos tudo voltou a um profundo silencio, mas não virei para ver se a humana já havia ido embora, suspirei.
- O que está acontecendo... Diga-me Tio, o que está acontecendo neste Império...

Vampyr: The New Age [C.01]


                    Cap. 01 – O Traidor
         1415,
                      Grande cidadela de Duzlün, centro de todo o comércio do país.
Adentramos no grande salão de encontros da cidadela, lá já estavam todos os Barões e Baronesas do país, minha mãe, a Imperatriz, não havia me contado o que iria acontecer naquele encontro, mas devo comparecer a todos os encontros entre Barões. Todos sentaram-se ao redor da gigantesca mesa da sala, a sala entrou num silencio profundo, fitei minha mãe e ela parecia estar preparada para se pronunciar.
- Primeiramente bom dia – ela sorriu sem muita vontade – Há duas semanas atrás o chefe geral do comércio da cidadela veio até mim pedir, apelar para falar a verdade, estão ocorrendo muitos casos de ataques dentro de nossa cidadela, quero lhes lembrar que este ato é punível, dependendo do caso, com banimento e no último caso, sua vida será tirada pelo carrasco.
- Quem não teria escrúpulos o suficiente para atacar humanos dentro da cidadela Vossa Alteza?! – um dos Barões se exaltou – todos nó conhecemos todas as leis deste País!
- Com todo o respeito a sua pessoa Barão Müller, acredito que o Chefe geral não iria convocar uma reunião de emergência com a Imperatriz por uma mentira, não acha?! – minha mãe o fitou furiosa por duvidar de suas palavras – Não vim até aqui para lhes lembrar de todas as leis deste País, nem nomear culpados por tais atrocidades, vim aqui para lhes mostrar o que faço com quem não as cumpre neste Império – minha mãe levantou-se de seu trono e fitou um de seus guardas pessoais – Tragam-no.
O guarda saiu da sala e após pouco tempo voltou com um homem algemado que tinha seu rosto coberto por um pano, minha mãe aproximou-se do homem e retirou o pano do rosto do mesmo, era meu primo.
- Sebastian! – sussurrei, não estava acreditando que ele era o culpado de tudo.
- Nós todos somos membros da mesma família, da mesma linhagem, e devemos acima de tudo respeitar as Leis! – minha mãe falou firme – Mesmo sendo um parente tão querido assim – ela o fitou com pena, percebi um olhar de pena por alguns segundos.
- Não precisa de tanto Vossa Alteza! – uma das Baronesas levantou-se da cadeira assustada – É apenas uma criança, deixe que vá, tenha piedade!
- Piedade?! – minha mãe a fitou com ódio – Você clama por piedade a um traidor?! – minha mãe segurou o rosto de Sebastian com muita força e o jogou em cima da grande mesa – Este traidor matou 25 pessoas em menos de 3 dias! TRÊS DIAS! Nos alimentamos do que corre em suas veias, mas acha certo tirar a vida de 25 pessoas por diversão Baronesa Shcield?! – o grande salão ficou em silencio – Responda, sua Imperatriz lhe fez uma pergunta!
- N-Não Vossa Alteza – a mulher tremia de medo.
- Não ouse indagar uma decisão minha, não ouse questionar uma Lei! Você não passa de uma mulher rica que vive as custas de seu marido! – minha mãe tirou Sebastian de cima da mesa e o pôs de pé novamente – Tenham se quer a mínima noção de como as mães de todas as pequenas crianças que foram mortas estão neste momento! Eu as vi, senti seu sofrimento, e não é porque não possuo este fervor humano que este serem possuem que não posso me pôr em seus lugares, acima disto, existe uma LEI! – minha mãe olhou nos olhos de Sebastian – Diga-me jovem, por quê fizeste isso?
- Vossa Alteza..
- Não manche meu nome, não sou mais sua Imperatriz traidor – ela o interrompeu.
- Peço perdão, não lembro-me de absolutamente nada! Não as matei, juro! – Sebastian chorava.
- Quem foi então? Eu?! – minha mãe se enfureceu – Não minta para mim criança – ela bateu no rosto do mesmo.
- Juro!! Não fiz absolutamente nada! – pela ligação que eu tinha com Sebastian, sentia uma certa pena dele – Ia simplesmente descansar ao amanhecer, acordava em meus aposentos ao anoitecer e nada de estranho havia acontecido, eu juro!
- Sebastian, suas criadas o viam saindo toda manhã, elas não sabiam para onde, mas você voltava muito tempo depois, humanos o viram andando cedo pela Cidadela! Como pode mentir?! – acredito que o que minha mãe mais tinham ódio, é de mentiras.
- Eu não lembro!! – ele gritou – Não me mate, por favor!
- Sebastian, poderia tornar tudo mais simples para mim – minha mãe soltou Sebastian, percebi sua felicidade em seu rosto – Mas não torna! – ela ergueu uma das mãos e arrancou sua cabeça do corpo – Isto é o que acontece quando alguém traí as Leis, quando alguém me trai, espero que sirva de lição para todos nesta sala, tenham um ótimo dia – ela tornou a sentar-se no trono ao meu lado e todos foram saindo do salão.
- Não acha que foi demais isso tudo Caron? – a fitei.
- Já ordenei que me chamasse de mãe Égon – ela me olhou com ódio nos olhos – Temos que fazer o que é certo acima de tudo meu filho.
- Era o filho da sua irmã! – me exaltei – Por causa de um grupo de humanos?!
- Como ousa! – ela gritou – Por quê achas que é melhor que eles? Diga-me Égon..
- Somos imortais! – iria dizer tudo que eu pensava – O que eles são?! Apenas nossa fonte de sobrevivência, que Império mais hipócrita este, que obriga seus habitantes a retirarem boa parte de seu sangue todo mês para sustentar seus Reis e Rainhas, ainda acha que sair e matar alguns irá fazer falta?
 - Império Hipócrita você disse?! Não os cobro absolutamente mais nada, vivem em um luxo talvez acima do nosso, de alguns de nós!
- Você cobra suas vidas! Sabe-se lá quantos deles já não devem ter morrido por não poder dar seu sangue para nos alimentar e foram obrigados a nos dar a última gota do que restava Caron?! Que diferença faz isso tudo?!
- Égon não me provoque! Você sabe bem que temos normas, vivemos em paz por causa de nossas leis, não diga que isto é errado! – minha mãe estava ficando nervosa.
- PAZ?! – ri com ar de deboche, levantei-me da cadeira e fui aproximando-me de uma serviçal humana que nos servia naquela noite.
- Afaste-se dela Égon! – minha mãe gritou.
- Diga-me, que diferença faz? – segurei-a pelo pescoço e pude ver nitidamente suas veias pulsarem, seu sangue correndo suavemente, aquilo parecia me hipnotizar, podia sentir o cheiro do sangue adentrando meus pulmões, sua pele macia, tirei seus finos cabelos negros de seu pescoço, meus lábios abriam-se involuntariamente, aquilo era irresistível.
- ÉGON! – minha mãe ergueu-se do trono, seu grito acordou-me de tanta tentação – Largue-a! – soltei rapidamente a garota e ela se afastou um pouco – Há uma diferença, há vida! Antes destas leis, em 40 anos não iriamos mais sobreviver, pois não haveriam mais se quer humanos, o massacre iria ser tanto, que não teríamos mais alimento algum, os humanos sabem, nascem sabendo o porquê de sua existência! Seu bisavô lhes deu uma chance de vida, onde poderíamos coexistir em PAZ! Olhe para o rosto dela – se quer conseguia olhar nos olhos de minha mãe quanto mais olhar para a garota humana – OLHE É UMA ORDEM! – minha mãe segurou meu rosto e o levantou para que eu olhasse para a humana, ela estava pálida, tremia muito, chorava cada vez mais, o pavor em seus olhos era nítido – Não faça mal a ela, você é mais evoluído que isso, sabe que ela não pode lhe fazer mal algum Égon.. – os olhos dela eram esverdeados como uma esmeralda, não percebi o quão era bonita, o quão estava assustada, logo minha mãe soltou-me – Volte para o castelo, não irei agora, tenho que terminar de resolver alguns assuntos na Cidadela.
- Certo. – não pude tirar os olhos da menina, não sei se tinha sido seu sangue, ou algo a mais, poucas vezes havia saciado minha cede daquela maneira, matando um humano, e era muito pequeno, nem se quer lembro do que senti.
Minha vontade de beber seu sangue foi fora do normal, porém, continuo achando que minha mãe está errada. Hipócrita.

If these wings could fly [C.04]

Cap.04 -O Acidente Quando eu falo que fiquei por muito tempo no telhado, eu não estava mentindo, até peguei no sono, só acordei com...